Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

John Perkins denuncia o Império dos EUA e suas tramas para manter sua hegemonia global!


John Perkins é um 'ex-assassino econômico' que denunciou as tramas dos EUA e das Grandes Corporações globais para manter a sua hegemonia mundial a fim de continuar com o seu processo de exploração das economias dos países pobres.

Perkins denuncia os EUA e as Grandes Corporações agem a fim de continuar com a sua exploração através de Golpes de Estado, assassinatos, corrupção, intervenções militares, tudo feito com o objetivo de garantir a continuidade do domínio global norte-americano e das suas Corporações.

Perkins teve 2 dos seus livros, onde denuncia todas estas tramas, publicados no Brasil, que são 'Confissões de um Assassino Econômico' e 'A História Secreta do Império Americano'.

Eu encontrei 2 vídeos no Youtube onde Perkins fala a respeito de tudo isso. Vale a pena conferir. E o bom é que os vídeos são legendados.

Links:

http://www.youtube.com/watch?v=vH3qK_bnQCg

http://www.youtube.com/watch?v=wkoEqvV9Flo&NR=1

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ascensão dos mais pobres desafia velhos modelos de negócio!!


Ascensão dos mais pobres desafia velhos modelos de negócio

30/12 - 10:37 - Alexa Salomão, iG São Paulo

Os mais pobres sempre foram maioria no Brasil, mas ganhavam tão pouco que não faziam diferença para as empresas e para o crescimento do País. Na última década, no entanto, passaram a ganhar e a gastar mais. Estão no centro do consumo. Em 2009 gastaram cerca de R$ 620 bilhões – praticamente 6% a mais que as classes mais abastadas. Para se aproximar desse consumidor, no entanto, a maioria das empresas, ainda prioriza velhos modelos de negócio.

Uma das máximas mais desgastadas em relação ao consumidor da classe C – e que guia boa parte das estratégias ainda hoje – e que os mais pobres preferem produtos baratos, simplesmente porque são baratos. De acordo com Haroldo Torres, sócio da consultoria C D E, especializada em consumidores de baixa renda, os critérios dessa camada da população são bem mais elaborados.

“Mais importante que o preço baixo é a relação custo-benefício do produto”, diz Torres. “A dona de casa não vai comprar um sabão em pó apenas porque ele é mais barato. Para fazer a escolha, vai testar o rendimento do mais barato.”

Escovas coloridas

Um exemplo dos efeitos desse raciocínio simplista em relação ao preço vem da multinacional americana Procter & Gamble, fabricante de alimentos e de produtos de higiene e limpeza. Na tentativa de vender mais para a classe C, lançou um kit com três escovas-de-dentes que praticamente dava uma de brinde. Na opinião da empresa, a escova grátis seria um atrativo imbatível. As vendas, no entanto, não reagiram.

O motivo é que a Procter não levou em consideração uma característica básica das famílias de classe C: elas compartilham apenas um banheiro e misturam as escovas num único armarinho. Em cada kit, havia apenas escovas de uma única cor. As vendas só cresceram quando a empresa relançou kits mesclando escovas de várias cores.

Seguro enterro

Uma empresa que soube se aproximar da classe C com criatividade foi a Sinaf, seguradora carioca de médio porte. Desde o início das operações, em 1982, mirou consumidores das classes B2, C e D. Como essa camada da população não costuma ir até a seguradora, a Sinaf foi atrás dos clientes. Começou vendendo de porta em porta. Decidiu também concentrar-se em um tipo particular de produto – o seguro funeral, que cobre as despesas com enterros, uma das maiores fontes de dores de cabeça entre os mais pobres. Quando já era referência em seguros populares, nos anos 1990, ingressou em outros segmentos, como o de seguro de vida.

Um de seus maiores trunfos foram suas campanhas publicitárias, que faziam humor com o infortúnio para assumir a linguagem e a descontração do brasileiro mais pobre. Entre os dizeres já adotados estão frases como: “Planeje a morte de sua sogra” e “Transformamos qualquer viúva em bom partido”. Para os padrões das classes A e B, os anúncios seriam inadequados, dizem os publicitários, mas entre os consumidores da classe C e D mostraram-se eficientes. A Sinaf é a maior seguradora em auxílio funeral do país e tem mais de meio milhão de clientes da baixa renda.

Link:

http://ultimosegundo.ig.com.br/perspectivas2010/2009/12/30/ascensao+dos+mais+pobres+desafia+velhos+modelos+de+negocio+9252493.html

Estabilidade financeira possibilitou criação da Nova Classe Média!!



Reproduzo abaixo texto publicado no IG a respeito do expressivo crescimento do mercado consumidor brasileiro nos últimos anos, que deu origem a uma 'Nova Classe Média'. Vale a pena conferir:

Estabilidade financeira possibilitou criação da Nova Classe Média

O poder de consumo das famílias da classe C, com renda entre R$ 1,1 mil e R$ 4,6 mil, é um fenômeno novo. Não faz nem 10 anos, era irrelevante. Hoje, os novos consumidores representam pouco mais da metade da população brasileira. São quase 92 milhões de compradores.

O economista Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), especialista em baixa renda, batizou essa camada da população de Nova Classe Média, dada a importância que ela adquiriu. “A classe C é a nova classe dominante do Brasil”, diz Neri.

Numa nova frente, também estão chegando ao mercado de consumo famílias bem mais pobres, das classes D e E. Ao todo são quase 100 milhões de brasileiros que ganham menos de R$ 1 mil por mês, mas que começam a sonhar com uma vida melhor.

Mais dinheiro

De acordo com os estudos da FGV, os mais pobres foram os grandes beneficiados por uma série de mudanças recentes na economia brasileira. A mais importante foi o fim da inflação e a estabilidade econômica a partir do Plano Real

Nos últimos 15 anos, o salário subiu acima da inflação e os alimentos, abaixo dela, permitindo que parte da renda dos mais pobres, antes gasta apenas com comida, pudesse se investida na compra de bens até então inacessíveis. A estabilidade também permitiu a queda nas taxas de juros e a expansão do crédito ao consumidor, oferecido aos mais pobres principalmente pelas grandes redes de lojas.

Link:

http://ultimosegundo.ig.com.br/perspectivas2010/2009/12/30/estabilidade+financeira+possibilitou+criacao+da+nova+classe+media+9252491.html

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Dados comprovam que o Brasil melhorou muito durante o governo Lula!!


Abaixo publico algumas informações que mostram o quanto a economia brasileira melhorou durante o governo Lula:

1) Taxa Selic:

2002 – 25% ao ano;
2009 – 8,75% ao ano.

2) Inflação (IGP-M/anual):

2002 – 25,3%;
2009 – Deflação de 1,72%.

3) Salário Mínimo (em dólares):

2002 – US$ 56 (dólar cotado a R$ 3,53).
2010 – US$ 291 (dólar cotado a R$ 1,75) - crescimento de 420%.

4) Taxa de desemprego (fonte: IBGE):

2002 (Dezembro): 10,5%;
2008 (Dezembro): 6,8% (queda de 35,2%).

5) Exportações anuais:

2002 – US$ 60,4 Bilhões;
2008 – US$ 197,9 Bilhões (crescimento de 227,6%).

6) Reservas Internacionais Líquidas:

2002 – US$ 16 Bilhões;
2009 – US$ 238 Bilhões (crescimento de 1388%);

7) Relação Dívida/PIB:

2002 – 51,3%;
2009 – 43,2% (Novembro).

8) Balança Comercial:

1995/2002 – Déficit de US$ 8,7 Bilhões;
2003/2009 – Superávit de US$ 235 Bilhões.

9) Déficit Público Nominal (em % do PIB):

2002 - 4,4%;
2008 - 2,0% (queda de 54,5%).

10) Dívida Externa do Setor Público (em % do PIB):

2002 - 13,6%;
2009 (Outubro) - (-)9,2% (Brasil é credor externo líquido).

11) Percentual da população vivendo na pobreza:

2002 - 34%;
2008 - 22,6% (queda de 33,5%).

12) Coeficiente de Gini (quanto menor for, menores são as desigualdades na distribuição da renda do trabalho):

2002 - 0,589;
2008 - 0,548 (queda de 7%).

13) Participação dos 10% mais ricos na renda nacional (em % do PIB):

2002 - 47%;
2008 - 43,2% (diminuição de 8%).

14) Participação dos 20% mais pobres na renda nacional (em % do PIB):

2002 - 2,52%;
2008 - 3,06% (crescimento de 21,4%).

15) Índice de Vendas no Varejo (em volume de vendas; indicador nacional; mês de Dezembro)

2002 - 134,73;
2008 - 195,20 (crescimento de 45% em 6 anos).

16) Produção industrial Brasileira (mensal; média 2002 igual a 100; mês de Outubro):

2002 - 113,18;
2008 - 133,92 (crescimento 18,3%).

17) PIB per capita:

2002 - US$ 2.870
2008 - US$ 8.642 (crescimento de 201%).

18) Volume de Crédito (em % do PIB):

2002 - 24,2% (Dezembro);
2009 - 45,9% (Outubro) - crescimento de 89,7%.

19) Percentual da população vivendo em situação de pobreza extrema:

2002 - 14%;
2008 - 7,6% (queda de 45,7%).

20) Transporte Aéreo (número de passageiros domésticos transportados):

2002 - 31,5 milhões;
2008 - 50,1 milhões (crescimento de 59%).

21) Transporte Ferroviário (cargas transportadas):

2002 - 320,8 milhões de toneladas;
2008 - 414,9 milhões de toneladas (crescimento de 29,3%).

22) Transporte Ferroviário (Investimentos Realizados):

1995/2002 - R$ 4,9 Bilhões;
2003/2008 - R$ 11,3 Bilhões (crescimento de 130,6%).


Links:

http://www.bcb.gov.br/?INDECO

http://www.ipeadata.gov.br/ipeaweb.dll/ipeadata?65370046

Em 2010, Brasil terá mais investimentos, produção, exportações, crédito, consumo, empregos e inflação baixa!


Segundo notícias publicadas, hoje, no blog do Guilherme Barros, a economia brasileira está crescendo a um ritmo de 6,4% ao ano. As informações são da Serasa, que criou o 'Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica'. Este, acompanha o desempenho da economia brasileira a cada mês, e faz uso da mesma metodologia que o IBGE utiliza para calcular o PIB trimestral do país.

No blog do Guilherme Barros (link abaixo), também é dito que "De acordo com o indicador da Serasa, o PIB de outubro cresceu 0,4% em relação a setembro. Já em setembro, o PIB tinha se elevado 0,7% em comparação ao mês imediatamente anterior; e, em agosto, 0,4%. Isso significa que a economia brasileita está crescendo num ritmo bastante forte nesses últimos meses, a uma taxa de cerca de 6,4% ao ano.".

Segundo o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, o mês de Outubro foi o primeiro mês de 2009 no qual o PIB foi superior ao do mesmo mês de 2008. Nesta comparação, o PIB cresceu 1,6%.

E é claro que isso irá se repetir em Novembro e em Dezembro, já que nos dois últimos meses de 2008 a economia brasileira praticamente parou. E a crise, com menor intensidade, prosseguiu no 1o. trimestre de 2009.

Assim, todos os indicadores mensais, a partir de Outubro deste ano, irão apontar para um crescimento significativo da atividade econômica quando comparado com o mesmo mês do ano anterior.

Isso mostra a clara e nítida recuperação da economia brasileira que estamos vivenciando neste momento.

Aliás, na semana passada ouvi uma entrevista com o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, na qual ele dizia que os investimentos, no Brasil, terão um crescimento de 20% em 2010.

Outra informação importante diz respeito ao aumento das vendas do comércio varejista brasileiro, que cresceram 5% entre os dias 1 e 25 de Dezembro quando comparadas com as do mesmo período de 2008, segundo o Serviço Central de Proteção ao Crédito (ver link abaixo).

E mais uma informação muito significativa a respeito da economia brasileira é que o IGP-M da FGV fechou com deflação de 1,72% no acumulado de 2009. Este foi o primeiro ano em que o IGP-M, desde que começou a ser calculado (em 1989), fechou um ano com deflação.

Apenas no mês de Dezembro de 2009, a deflação foi de 0,26%. Isso demonstra, claramente, que não há pressões inflacionárias na economia brasileira neste momento e que, portanto, não existe motivo algum para se falar em aumento da taxa Selic, como muitos economistas ligados aos interesses do sistema financeiro já estão defendendo.

Outra informação importante, e que foi divulgada hoje, é que o volume de crédito na economia brasileira atingiu 44,9% do PIB em Novembro. Há exatamente um ano, o mesmo indicador estava em 38,9% do PIB. Assim, em apenas um ano, o volume de crédito na economia brasileira aumentou 6 p.p., acumulando um crescimento de 15,4% no período.

Além disso, segundo a AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) as exportações brasileiras irão crescer em torno de 12%, atingindo US$ 170 Bilhões.

Portanto, o ano de 2010 será muito bom para o Brasil, pois teremos uma economia que irá crescer cerca de 6,5%, com inflação baixa, com um forte aumento dos investimentos produtivos, continuidade do crescimento do consumo, maiores investimentos públicos, aumento das exportações, crescimento da arrecadação de impostos (devido à retomada da economia) e, com tudo isso, muito mais empregos para os brasileiros.

Assim, teremos um Feliz 2010 Para Todos, sem dúvida alguma.

Links:

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200912291131_IVN_236812&idtel=

http://noticias.r7.com/economia/noticias/exportacoes-brasileiras-devem-crescer-12-em-2010-20091228.html

http://colunistas.ig.com.br/guilhermebarros/2009/12/29/economia-cresce-a-um-ritmo-superior-a-6-ao-ano/

http://colunistas.ig.com.br/guilhermebarros/2009/12/29/consumo-das-familias-foi-o-responsavel-pela-recuperacao-da-economia/

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200912291045_RTR_1262083524nN29214077

http://www.cnq.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=18523

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200912291251_RTR_1262091071nN29146275

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

PT é o partido preferido dos brasileiros, com 25,8% de apoio popular! PSDB tem apenas 5,2% das preferências!


A mais recente pesquisa Datafolha para a Presidência da República mostrou um dado extremamente interessante, mas que não recebeu nenhuma atenção (o que era previsível...) por parte da Grande Mídia, que é o forte crescimento da preferência popular pelo PT.

O Datafolha entrevistou, em todo o Brasil, 11.429 eleitores. E entre estes os partidos preferidos são:

1) PT - 2948 - 25,8%;
2) PMDB - 803 - 7,0%;
3) PSDB - 593 - 5,2%;
4) PDT - 142 - 1,2%;
5) DEM - 107 - 0,9%;
6) PV - 97 - 0,8%;
7) PTB - 81 - 0,7%;
8) PSB - 65 - 0,6%
8) PP - 65 - 0,6%.

Link:

http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=921

Respondendo a um leitor tucano que mente na cara-dura sobre o Governo Lula e o PT!!



Um leitor tucano (chamado Laguardia) postou no outro blog do qual sou colaborador, o 'Dilma Presidente' (link abaixo) um comentário totalmente falso e mentiroso a respeito do governo Lula e dos eleitores do PT. E eu rebati o texto dele, item por item, no texto abaixo. Vamos lá, então:


O governo Lula e o eleitor do PT!

1) O eleitor do PT não acha importante o combate a corrupção institucionalizada no pais pelo governo Lula.


R – Então, é por isso que a Polícia Federal, no governo Lula, prendeu milhares de políticos, empresários, traficantes de drogas, corruptos, contrabandistas e de sonegadores de impostos?. Ou você irá me dizer que quem dá valor para combater a corrupção são os eleitores do DEM e do PSDB, que apóiam políticos ‘probos e honestos’ como Arrudas, Yeda Crusius, Marconi Perillo, Eduardo Azeredo, Leonel Pavan, entre outros que já foram denunciados pelo Ministério Público??


2) O eleitor do PT não acha importante que o Brasil tenha Justiça Social para todos.


R – Então, é por isso que o governo Lula reduziu a concentração de renda para o menor patamar da história, aumentou o salário mínimo em 53% acima da inflação, gerou 9 milhões de novos empregos formais, investiu muito mais na agricultura familiar (serão R$ 15 Bilhões em 2010, contra apenas R$ 2,5 Bilhões em 2002) e reduziu a taxa de desemprego de 10,5% (Dezembro/2002) para 6,8% (Dezembro/2008) e que o percentual da população brasileira que vive abaixo da linha da pobreza caiu de 29% para 19% no governo Lula, correto?


3) O eleitor do PT não acha importante que o povo brasileiro tenha um sistema público de saúde descente, onde não se tenha de esperar dias em uma fila para marcar consulta ou ser internado em uma maca no corredor dos hospitais.


R – O correto é 'decente', analfabeto!

Então, é por isso que o PT e o governo Lula fizeram de tudo para manter a CPMF, que iria ser integralmente usada para investimentos na Saúde, certo? E quem acabou com a CPMF da Saúde? PSDB, DEM, PSOL, PPS...


4) O eleitor do PT não acha que seja importante o Brasil ter um sistema educacional de boa qualidade que proporcione o desenvolvimento tecnológico da nação.


R – Então, é por isso que o governo Lula está construindo 14 novas universidades federais (o recorde anterior foi o do governo JK, com 10 novas universidades federais) e mais 214 novas escolas técnicas federais (contra apenas 140 construídas em toda a história do país antes do governo Lula), correto?


5) O eleitor do PT não acha importante que o governo e as instituições combatam a impunidade.


R – Então, é por isso que a Polícia Federal nunca foi tão ativa como no governo Lula, prendendo milhares de pessoas envolvidas em todo tipo de crime (corrupção, contrabando, sonegação de impostos, tráfico de drogas, etc)??


6) O eleitor do PT não acha importante que o cidadão tenha segurança pública adequada e que possa sair as ruas sem o medo de uma bala perdida.


R – Então, é por isso que o governo Lula fortaleceu a Polícia Federal (passou a receber muito mais verbas e hoje tem um efetivo muito maior), construiu presídios de segurança máxima e criou a Força Nacional de Segurança Pública, que já desempenhou importantes funções em estados como o Rio de Janeiro, Espírito Santo, entre outros, certo?


7) O eleitor do PT não acha importante que o povo brasileiro viva num Estado Democrático de Direito.

R – Então, é por isso que o Presidente Lula recebeu prêmios internacionais pelo fato de respeitar a democracia, as liberdades e os direitos humanos, correto? E é por isso que a oposição, a imprensa e a população em geral tem liberdade total para se manifestar no país, correto?

E é por isso que o governo Lula condenou o recente Golpe de Estado e a implantação de uma Ditadura Militar em Honduras, enquanto a oposição do PSDB/DEM/PPS apoiou a ambos, certo?

Quem gosta de repressão e de violência é o Serra e o Arruda, que mandaram reprimir manifestações populares de pessoas estavam apenas defendendo as suas idéias, ou que vivem alagadas por incompetência da Sabesp e da prefeitura de SP, estudantes e funcionários públicos de universidades (USP) que lutavam por seus direitos, policiais civis que lutavam por melhores salários e por condições mais dignas de trabalho.


8) O eleitor do PT não acha importante que o aposentado receba uma pensão justa com base no que contribuiu no passado.


R – Então, é por isso que os aposentados do INSS que ganham até 1 salário mínimo (são mais de 18 milhões) tiveram um reajuste acumulado, em 8 anos de governo Lula, de 155% (de R$ 200 para R$ 510), contra uma inflação acumulada de apenas 45% entre 2003/2009, correto?

E é por isso que os aposentados do INSS que ganham mais de um salário mínimo tiveram um reajuste acumulado de 70,5% entre 2003/2010, acima da inflação acumulada, portanto, não é mesmo??


9) O eleitor do PT não acha importante que o cidadão seja independente das benesses do estado.


R – Então, é por isso que o governo Lula investiu tanto na construção de novas universidades federais, de novas escolas técnicas federais, criou o ProUni e criou um Plano de Desenvolvimento da Educação, bem como o Fundeb, ampliando consideravelmente os investimentos na educação, correto?

E é por isso que o Bolsa-Família exige que as famílias beneficiadas mantenham os seus filhos freqüentando a escola e é feita uma intensa fiscalização para garantir que isso esteja acontecendo, correto?


10) O eleitor do PT não acha importante que as empresas públicas sejam geridas por profissionais competentes e que deixem de ser moeda de troca dos políticos.


R – Então, é por isso que a Petrobras, o Banco do Brasil, a CEF e o BNDES aumentaram tanto o seu lucro nos últimos anos, não é mesmo? E os bancos públicos se tornaram mais lucrativos, até, do que os bancos privados, mesmo cobrando taxas de juros bem inferiores aos dos bancos particulares, certo?


11) O eleitor do PT não acha importante que o cidadão seja transportado para o trabalho de forma digna e não como um animal a caminho do abatedor.


R – Então, é por isso que o governo Lula está investindo bilhões de Reais no Metrô de várias capitais do país, forneceu mais de R$ 1 Bilhão para investir no Rodoanel, viabilizou a construção e duplicação de milhares de quilômetros de rodovias federais, fez o BNDES emprestar R$ 493 milhões para que a prefeitura de SP (na gestão Marta Suplicy) implantasse o bilhete único, construísse 5 novos corredores de ônibus e renovasse a frota da maior cidade brasileira, comprando mais 6 mil novos ônibus e criando uma frota de lotação com veículos novos e seguros, correto? Quem interrompeu tudo isso? o governo Serra/Kassab, que diminuiu a frota em 500 ônibus e aumentou a tarifa, que irá subir para R$ 2,70 no próximo dia 04 de Janeiro!!


12) O eleitor do PT não acha importante que o Brasil mantenha a sua soberania, sem se curvar aos ditames de Hugo Chávez.


R – Nunca o Brasil foi tão respeitado no mundo todo como agora e isso acontece justamente porque temos um governo soberano que defende os interesses do país, que barrou a ALCA, que criou o G-20 para negociar de igual para igual com os países ricos nas negociações da OMC, que denunciou todos os subsídios irregulares dos EUA na OMC.

E é por isso que o governo Lula interrompeu as privatizações e em vez de vender o patrimônio público para empresas multinacionais com dinheiro emprestado pelo BNDES (e com juros subsidiados) tratou de fortalecer as empresas públicas. Com isso, em vez de vender as estatais, estas é que passaram a comprar empresas privadas. Vide a Petrobras, que comprou o grupo Ipiranga e a Texaco, e o Banco do Brasil, que comprou a Nossa Caixa, incorporou os bancos estaduais de SC, ES e PI, e comprou o Banco Votorantim.

E Chávez nunca desrespeitou a soberania brasileira.

Quem fez isso foram os EUA, que organizaram, financiaram e apoiaram um Golpe de Estado contra João Goulart, presidente democrático e legítimo do país.


13) O eleitor do PT não acha que seja importante ter um presidente que seja ético, honesto e que não faça alianças com Judas em interesse de manter o poder.


R – Todos os governantes, no mundo inteiro, fazem alianças para governar. Não há nenhuma exceção. Somente você que não sabe disso, coitado!


14) O eleitor do PT não acha importante ser patriota.

R – Então, é por isso que o governo Lula fortaleceu o país no cenário mundial e o Presidente Lula é, hoje, um dos lideres políticos mais respeitados e mais influentes no mundo todo.

Recentemente, na COP-15, foi o Presidente Lula quem falou em nome de todos os países emergentes.

E é por isso que o governo Lula pagou toda a dívida com o FMI e com o Clube de Paris, que antes eram quem governava o país, que zerou a dívida externa. Hoje, o Brasil é credor líquido externo. Temos recursos para pagar toda a dívida externa e ainda sobram US$ 38 Bilhões nos cofres do governo brasileiro. Assim, foi o governo Lula quem criou condições para que nunca mais tenhamos o FMI mandando aqui, tal como acontecia na época do governo FHC e na Ditadura Militar.

Isso, sim, é defender a soberania do Brasil.

E é por isso que o governo Lula está adquirindo equipamentos para fortalecer as nossas Forças Armadas, a fim de que elas tenham condições de proteger as nossas riquezas (o petróleo do Pré-Sal, a Amazônia, etc) e garantir a nossa soberania, mostrando para os EUA que a reativação da IV Frota dos EUA e o uso, pelos militares dos EUA, de 7 bases militares colombianas não irá nos amedrontar, correto?


15) Por estas e por outras o eleitor do PT vota em quem Lula mandar.

R – Pelo fato do governo Lula ter feito tudo isso que eu citei, e muito mais, é que o eleitor do PT percebe que o Brasil melhorou muito, que o país é muito mais respeitado no mundo inteiro, que o país está crescendo, que a pobreza está diminuindo, que os salários estão subindo, que a vida da população melhoro, principalmente a dos mais pobres... O percentual da população que vive abaixo da linha da pobreza diminuiu de 29%, em 2002, para 19% em 2006.

É por tudo isso e por muito mais conquistas e avanços que tivemos no país durante o governo Lula é que o eleitor do PT vota em quem o Presidente Lula pedir.

E é por isso que o PT é, hoje, o partido preferido do povo brasileiro, conforme demonstrou a recente pesquisa do Datafolha, onde o PT foi escolhido por cerca de 25% dos eleitores como o seu partido de preferência, muito à frente de todos os outros partidos do país.

Se este é o discurso que a oposição irá usar em 2010, então a ministra Dilma pode começar a pensar com qual roupa ela irá tomar posse na Presidência da República em 01/01/2011 e em quem ela irá escolher para ocupar os ministérios.

É Dilma Presidente 2010!

Link:

http://dilmapresidente.blogspot.com/2009/12/leitor-tucano-deixa-mensagem-mentirosa.html

domingo, 27 de dezembro de 2009

Jango e o Golpe de 1964! - por Marcos Doniseti!


Jango e o Golpe de 1964! - por Marcos Doniseti!


Nassif, respeito totalmente as suas opiniões, é claro, mas não compartilho com as mesmas em relação ao governo Jango. Este tomou uma série de iniciativas que frutificaram, mesmo depois na época da Ditadura Militar (sob uma forma muito mais autoritária, é claro).

Exemplos:

1) Os primeiros estudos para se construir uma usina hidrelétrica que depois se transformou na Usina de Itaipu foram feitos no governo Jango;

2) O governo Jango aprovou o Estatuto do Trabalhador Rural, que Caio Prado Jr. considerou como sendo mais importante do que a Lei Áurea;

3) Foi o governo Jango que criou a Eletrobrás, que foi fundamental para ampliar os investimentos no setor de energia nas décadas seguintes;

4) Foi o governo Jango quem modernizou a estrutura universitária brasileira, ao implantar a Universidade de Brasília. O modelo de reforma da mesma serviu, depois, de modelo para a reforma universitária feita no regime militar em 1969;

5) O governo Jango estimulou a criação de sindicatos de trabalhadores rurais, que praticamente não existiam antes do seu governo. Em 1964 já eram cerca de 1500. Assim, criou a legislação trabalhista para o trabalhador rural e, ao mesmo, criou as condições para que os trabalhadores rurais lutassem para transformar tais direitos em realidade.

6) A inflação e o déficit público foram heranças recebidas dos governos anteriores (JK e Jânio). A maxidesvalorização da moeda nacional em 1961, no governo Jânio, mais do que dobrou a taxa de inflação mensal no país, passando de 1,5% ao mês para cerca de 3,5% a 4% ao mês.

A aceleração da inflação, que é anterior ao governo Jango, promovia a desvalorização da arrecadação de impostos, tornando praticamente impossível resolver o problema do déficit público. O regime militar resolveu esse problema criando a correção monetária.

Jango cometeu erros, é claro, mas era o único líder efetivamente democrático que tínhamos no Brasil naquela época. As esquerdas mais radicais, lideradas por Brizola e Arraes, defendiam o fechamento do Congresso Nacional e que Jango governasse de forma autoritária. Jango recusou as pressões neste sentido.

E a Direita brasileira era golpista por natureza, tendo já organizado várias tentativas de Golpe antes mesmo do Golpe de 1964, que ocorreram em 1945, 1954, 1955, mais 2 tentativas no governo JK, 1961.

Os planos de Jango, como o Trienal, foram inviabilizados justamente em função do fogo cruzado entre as Direitas Golpistas e as Esquerdas Autoritárias (do qual o César Benjamim, é um sofrível sobrevivente).

O erro fatal de Jango foi romper a aliança com o PSD. Isso uniu todas as Direitas (tantos as radicais como as moderadas) em torno do projeto golpista das Direitas extremistas. Estas, até então, eram minoritárias até antes da opção de Jango por fazer uma aliança com Brizola e com as Esquerdas radicais e por romper a aliança com o PSD.

As Direitas moderadas chegaram até a apoiar a volta do Presidencialismo no início de 1963… Jango nomeou alguns dos seus representantes como ministros quando recuperou seus poderes em Janeiro de 1963.

Bem, Jango cometeu erros, mas seu governo atualizou a agenda política do país e foi vítima do radicalismo político-ideológico da época, quando vivíamos o auge da Guerra Fria.

Não se pode esquecer que foi o governo Kennedy quem decidiu mandar derrubar o governo Jango, ainda em 1961. Esta informação se encontra no livro ‘Uma História da CIA”, de Tim Weiner.

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http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/22/jango-e-a-conspiracao-de-1964/?allcomments#comments

Jango e o Golpe de 1964 comentado por Simone e Mário de Almeida!!


1) A leitora Simone, do blog do Nassif, publicou um ótimo comentário a respeito do Golpe de 1964, e que reproduzo abaixo:

Simone: Jango e o Golpe de 1964!

Enfrentar o golpismo militar, organizado desde a década de 1950 para derrubar Getúlio, a oposição de Prestes (contra a orientação do PCB, vide as críticas contra Celso Furtado e San Thiago Dantas), a Julião, a frente de Mobilização Popular, liderada por Brizola, o complexo IPES-IBAD, a Ação Católica (reacionária e organizada em quase os municípios do país na luta histerica contra a reforma agrária), a luta do movimento trotskista (POR/PSR) contra a aliança trabalhismo/ PCB.

Enfrentar ainda uma crise econômica que deixava o país na bancarrota, a imprensa liberal também golpista, prometendo um golpe certeiro, indolor e de curtíssima duração para “limpar” a política nacional, o “O Panfleto” e “Frente Operária” e de quebra , o FMI e o apoio militar e diplomático norte-americano, todas essas circunstâncias fizeram do único presidente brasileiro que morreu no exílio um fraco? Pode ser, diante de tanta dilaceração.

Mas na minha memoria afetiva, acentuada pelas pesquisas de Jorge Ferreira e Angela Castro Gomes, continua sendo uma das figuras mais queridas da história do Brasil, dono de uma personalidade e temperamento ímpares. Tão frágil e desimportante que possivelmente foi assassinado… se alguém acha que não foi, permita a exumação do seu corpo para que a verdade apareça.


2) A mesma leitora do blog do Nassif, Simone, publicou outro ótimo comentário a respeito do assunto:

A tese do assassinato, mesmo comprovada, não é a parte mais importante da biografia do presidente. As ditaduras, incluindo a brasileira, já carregam nas suas costas um monte de cadávares.

A questão é importante para a família e para as futuras análises sobre a resistência à ditadura por parte dos políticos cassados e exilados ( Jango, Arraes, Lacerda etc).

A História do Brasil já deixou de ser palco de palpiteiros letrados ou semi-eruditos, como ocorreu no século XIX e na metade do XX. Felizmente não é feita por apocalípticos, nem integrados, mas por pesquisadores responsáveis extremamente laboriosos, sob a vigilância de uma academia que no Brasil tem grande prestígio internacional nesse campo. Os modismos ficam para as revistinhas disponíveis nas bancas ( a exceção única é a publicação da Biblioteca Nacional, dirigida para leigos)
Historiador não é , para o bem e para o mal, jornalista. Mas estes últimos colaboram com questões que ultrapassam o raso dos programas televisivos e o senso comum clichê da classe média engravatada:


http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=412439

3) E outro leitor do blog, Mário de Almeida, também escreveu um ótimo comentário sobre o texto do Nassif, que reproduzo abaixo:

Caro Nassif,

Creio que seu texto é bem intencionado, mas ele tem uma visão bastante imprecisa e preconceituosa do que foi o governo João Goulart. Acaba, na verdade, por tomar como verdade críticas da direita. E assume o termo populismo no sentido mais pejorativo possível. Alguns já comentaram nesse espaço que é preciso utilizar conceitos mais precisos do que o de populismo.

Quanto à irresponsabilidade fiscal de Jango, principalmente por não levar em consideração os conselhos de Campos e Sales, isso não passa de mentira. Na verdade, Jango tentou fazer uma reforma tributária que foi engavetada e em 1962 , ano em que Sales esteve a frente da Fazenda, foi o que apresentou o maior déficit público. No ano seguinte, ano em que o “fraco” Goulart tinha recuperado seus poderes presidenciais, foi realizado um aperto fiscal que resultou num déficit público um pouco menor.

Roberto Campos, em suas memórias, para exagerar o caos do gov. Goulart, cita cifras sobre déficit público, mas omite o ano de 1963, pois sabia que, nesse ano, o déficit havia caído. Isso, contudo, não deteve a inflação e ainda teve imapctos negativos sobre o PIB. Ignácio Rangel estava certo: a inflação era resultado da desaceleração e qualquer tentativa ortodoxa de estabilização iria dar errado.


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Texto do Nassif sobre o Golpe de 1964 comentado por Henrique Marques Porto e Antonio Rodrigues!!


1) Comentário de Henrique Marques Porto sobre o texto do Nassif:

Nassif,

O golpe de abril de 64 não pode ser explicado apenas como reação da direita ao governo de Jango. No máximo vamos encontrar aí algumas causas imediatas e até simples pretextos.

O golpe militar de 64 foi o desfecho de longa conspiração que teve, desde o início, a inspiração e a participação direta dos americanos. Desde a eleição de Getúlio foram várias as tentativas de golpe -já mencionadas em outros comentários.

A “bíblia” do golpe é o livro “Geopolítica do Brasil”, de Golbery do Couto e Silva, publicado em 1956. Afinal bem sucedidos no governo de Jango, os golpistas não conseguiram se livrar, contudo, de um problema: a eleitoralmente imbatível aliança entre os liberais-conservadores do PSD, os trabalhistas do PTB e a esquerda (socialistas e comunistas). Era essa aliança política que prometia reconduzir JK à presidência em 1965. Detalhes: como hoje, ela só não funcionava em São Paulo; e Aécio Neves remontou-a em Belo Horizonte no ano passado, incluindo os tucanos locais no balaio.

As eleições presidenciais de 1965 foram suspensas, mas aquele mesmo conjunto de forças propiciou as estrondosas vitórias de Israel Pinheiro e Negrão de Lima para os governos de Minas e da então Guanabara. O resultado foi o Ato institucional n.2, que fechou os partidos e proibiu eleições diretas para executivos.

A poderosa aliança de centro-esquerda, construída a partir de 1945, seria desfigurada ao longo dos anos com as cassações de direitos políticos e a entrada em cena de novos personagens. A própria realidade foi mudando.

Um desses personagens novos é um operário pernanbucano que virou o presidente mais popular da nossa história. Lula parece estar retomando o fio da história que os 21 anos de ditadura tentaram destruir.

O que horroriza a direita ideológica brasileira é ver Lula reconstruir sob bases sociais novas e, talvez, até mais sólidas, a velha, histórica e imbatível aliança de centro-esquerda. Hoje ela atrai os votos dos mais pobres, das camadas médias e até de setores do que se chama “elite esclarecida”.

Direitistas de carteirinha tem mesmo razões para não dormirem bem, principalmente se forem de São Paulo e frequentarem o Palácio dos Bandeirantes.

abraço

Henrique Marques Porto


2) Antonio Rodrigues escreveu o seguinte sobre o texto do Nassif:


Como vivi aquele período bastante envolvido com os fatos porque era repórter, gostaria de fazer algumas observações ao post:

1.Jango, no meu ponto de vista, não ” era fraco” e muito menos “caiu por sua fragilidade”.

Ao contrario, Jango era um homem de incrível habilidade politica. Alias só assumiu devido a essas qualidades. Os mesmos que o derrubaram em 64 já tinham feito de tudo para impedir a sua posse. Para entrar foi obrigado a aceitar a perda de poder com a implantação imposta do parlamentarismo. Teve um enorme desgaste para reverter essa situação. E conseguiu, mas evidentemente gastando muita energia.

2. “Jango nunca foi um revolucionário. Tentava um governo de coalizão, mas sem rumo, premido ora pelo populismo mais desbragado,”

Jango não era mesmo um revolucionario,como o pintaram para derruba-lo. Ao contrario, politicamente era um líder muito parecido ideologicamente com Lula. Isto é, lutava por melhores condições para os trabalhadores. Acreditava que esse era o caminho para o desenvolvimento. E evidentemente defendia os interesses nacionais.

No seu governo participaram os homens mais capazes que existiam no pais, da esquerda a direita, de Carvalho Pinto a Santiago Dantas, passando por Tancredo Neves.

Esse rotulo de “populismo” se deve ao fato que, bombardeado pela direita por todos os lados, foi obrigado a contar com o apoio dos sindicatos e movimentos populares, sobretudo a beira do golpe.

3. “Roberto Campos e Walther Moreira Salles me contaram sobre o deslumbramento de Jango na primeira vez em que viu John Kennedy.”

Qualquer analise desses dois cidadãos sobre Jango não será jamais objetiva, verdadeira e imparcial. O que assustava a “banca” e aliados era que o Brasil começava a ser, como alias novamente agora, um pais importante, observado no mundo inteiro. Ganhávamos no futebol, no tenis, no teatro, no cinema, na musica. Começavamos ter consciência da importância de defender nossos interesseses, nossas potencialidades. Começavamos a acreditar.

4. “O primeiro passo para o golpe é a criação de um clima de exacerbação política”.

Concordo com a afirmação e acrescento. Se hoje assistimos a essas formas violentas de ataques ao governo Lula, por parte da midia, oligarquias e representantes politicos do atraso, podemos aumentar tudo em centenas de vezes para chegarmos a uma ideia precisa da pressão que sofreu Jango de todos os lados.

5. “O que estava por trás desse jogo pesado, manipulador, não era nem mesmo Jango, mas a falta absoluta de perspectiva de volta ao poder, já que a campanha JK 65 começava a tomar corpo”.

Essa é a parte que mais concordo no post. Jango tinha pouco tempo de poder. Bastava esperar que seu governo terminasse. Mas ai a tal “banca” e os aliados de sempre tiveram medo. Um temor parecido com o que existe hoje. A possibilidade de governos seguidos voltados aos interesses nacionais. A nossa historia sempre foi traçada por conquistas que foram derrubadas por conspirações e golpes. A continuidade torna possível que os avanços se tornem perenes. Um pais com a força do Brasil tem que andar, segundo eles, sempre sob amarras Com liberdade conquistara o espaço que merece. Se depois de Jango viesse JK, a nossa historia e mesmo a do mundo seria outra.

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Nassif, o Golpe de 1964 e a análise de Fernando Trindade!


Nassif, o Golpe de 1964 e a análise de Fernando Trindade!
1) Nassif, finalmente! Até que enfim você escreve sobre tema que pelo menos desde a cobertura das eleições de 2006 pela grande mídia ficou muito claro para muitos: a evidente linha de continuidade entre a ideologia elitista e antipopular da grande mída de hoje e a do passado, que foi fundamental para os golpes contra Getúlio em 1954, contra JK (quando o contragolpe liderado por Lott barrou o golpismo udenista) e contra Jango. Isso o que está por traz da forma achincalhada com que tratam a Lula como bem disse Fábio Barreto, outro dia – espero que se recupere do grave acidente que sofreu.

2) Na verdade, para mim você até demorou em tratar desse assunto que - acredito – o levou a deixar a Folha. Pela sua coragem e posicionamento você tem toda a minha admiração e respeito.

3) Mas lamento muito que até você se refira a Getúlio e a Jango de forma depreciativa, o que para mim é inaceitável e concilia com a indignidade golpista, pois quando se prioriza as debilidades dos respectivos Governos em comparação com o golpismo da ‘elite branca’, o que se está fazendo, por via transversa, é condescender com os golpistas, quando, sabemos muito bem, a via golpista não teve início com a renúncia de Jânio, e sim marcou a direita elitista durante todo o período da Constituição de 1946, só sendo estancada em 1954 pelo gesto extremo de Vargas, a quem você parece responsabilizar – ‘sozinho’, a expressão é sua – pelo Golpe que sofreu então.

E dizer que o problema com Jango era o seu ‘populismo’, pela’amor de Deus! Enfim, o começo do seu texto é politicamente inaceitável, embora o seguimento o redima.

4) É preciso rever com urgência o conceito apenas negativo que a sociologia uspiana tem de populismo (onde parece que você se inspirou).

Essa sociologia uspiana elitista desancou o populismo culpando-o por todos os males do País e acusando-o até – pasmem! – se de ser o grande responsável pelo golpe, livrando a cara da direita oligárquica, dos Lacerda, Mesquita, Marinho e caterva.

E onde estão, hoje, politicamente, dois dos principais expoentes dessa sociologia uspiana, os Srs. FHC e Weffort?

Ernesto Laclau, que tem dado imensa contribuição para que possamos entender o processo político do Mundo de hoje, escreveu mais ou menos recentemente um livro – La razón populista – em que – pela resenha que li – demonstra exatamente que não podemos ter preconceitos com o que o termo populismo representa. Seria bom ver esse livro publicado no Brasil.

Enfim, para mim, popular e populista podem ter uma ou outra contradição, mas não têm nenhum antagonismo, como querem a direita que quer dividir a esquerda e certa esquerda de base elitista.

O grande erro da esquerda no pré-64 foi exatamente não ter entendido a importância de isolar a direita oligárquica (inclusive os seus setores modernosos como os bacharéis da UDN) e deixar romper a aliança com o centro fisiológico, representado especialmente, então, pelo pessedismo.

Lula, de forma genial,como que intuiu isso (na verdade, trata-se da experiência acumulada da luta popular) e buscou – acertadamente – um acordo de convivência com o centro fisiológico de hoje (representado especialmente pelo PMDB).

A direita oligárquica sabe que a aliança esquerda/centro é o maior obstáculo ao seu retorno ao Governo, essa a razão por trás dos ataques ao Congresso, que é hegemonizado pelo centro fisiológico.

5) Outra coisa, o fisiologismo pode ser corrupto ou não.

Fisiológico quer dizer oposto de ideológico.

E enquanto o nosso País tiver uma maioria de excluídos, um amplo mercado de produtos e serviços (e de trabalho!) informal e precário, uma desigualdade social imensa como a historicamente reproduzida, haverá um importante centro fisiológico na política.

É alienação pretender que quem luta pela sobrevivência no dia a dia seja ideológico.

A esquerda errou muitas vezes ao não entender que os fisiológicos não são o seu adversário central.

O adversário central da esquerda é a minoria elitista, “a elite branca” de que falou Lembo, reacionária e excludente, herdeira política do modo de produção escravista, tão bem retratada por Joaquim Nabuco, já em 1883!

6) Para terminar, em matéria de análise do PIG insuperável segue sendo o mestre Wanderley Guilherme, conforme dois trechos de entrevista de 2007:

“Destes episódios que o senhor listou qual o senhor acha que é o mais emblemático?

Eu acho que dois episódios. Primeiro, a tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Por quê? Porque Juscelino não era intérprete ou representante de uma classe ascendente. Ele pertencia à elite política. Era um homem do PSD – Partido Social Democrata. Juscelino era um modernizador. Portanto, a tentativa de impedir a sua posse mostra o radicalismo e a intolerância das classes conservadoras brasileiras. Quer dizer, naquele momento, não aceitava nem mesmo um dos seus membros, porque era um modernizador. Este episódio é bem emblemático. Não houve nada de dramático, de trágico ou suicídio, mas é um exemplo de até onde pode chegar a intolerância do conservadorismo brasileiro. É impressionante. Esse foi pra mim um episódio que define muito bem até onde o conservadorismo é capaz de violar os escrúpulos democráticos.

E o segundo?

É agora com Lula, porque a posse de Lula realmente revela uma nova etapa histórica no país. E revela o quanto o conservadorismo se dispõe a comprometer o futuro do país, pelo fato de o governo estar sendo exercido pelo intérprete de uma nova composição social. Isto é, há um grupo parlamentar e há grupos privados – e neles se inclui a imprensa – dificultando a implementação de políticas que são reconhecidamente benéficas ao país, porque estão sendo formuladas e implementadas por um governo intérprete das classes populares. Isso é impressionante. Quer dizer, no fundo, aquilo que os conservadores dizem que as forças populares – segundo eles, para a esquerda, quanto pior melhor –, na prática, quem pratica o quanto pior melhor são os conservadores.”

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Fernando Trindade comenta sobre o Golpe de 1964!


Elio Gaspari, insuspeito de qualquer simpatia por Jango (a sua visão sobre Goulart está próxima da indignidade dos golpistas) afirma no primeiro livro da sua série sobre a ditadura de 64 que a situação só ficou definida a favor do golpe quando a ele aderiu o Comandante do II Exército (Amauri Kruel).

E que antes de aderir Kruel teria telefonado a Jango, na notite de 31 de março, quando a situação ainda estava indefinida e dito a Goulart, por telefone, que optaria pela legalidade desde Jango rompesse com a esquerda, colocasse o CGT na ilegalidade, demitisse Darcy Ribeiro e Abelardo Jurema do Ministério.
Jango teria dito “General, eu não abandono meus amigos. Se essas são as suas condições eu não as examino. Prefiro ficar com as minhas origens. O Senhor fique com as suas convicções. Ponha as tropas na rua e traia abertamente.”

Gaspari diz, ainda, que Kruel já no dia 1º “persistia na posição de emparedar Jango, mas sem depô-lo”. e que também o Comandante do IV Exército, Justino Alves Bastos não aderiu de imediato ao Golpe.

Sobre a importância do posicionamento de Kruel para o sucesso do golpe registro aqui que Gaspari informa que Castello Branco teria dito que sem Kruel a sedição não passaria de uma ‘aventura’.

Já Marechal Cordeiro de Farias, outro líder do golpe, em depoimento publicado em 1981 afirmou “A verdade – é triste dizer – é que o Exército dormiu janguista no dia 31…E acordou revolucionário no dia 1º”.

Todas essas informaçõe estão lá em “A Ditadura Envergonhada”, pp. 62 a 91.

Da minha parte, tais informações só reforçam a minha hipótese de que o Golpe só foi possível pelos graves erros cometidos pela maiora da esquerda naquele momento, pelo ‘revolucionarismo alienado” de Prestes e tantos outros; pelo ‘revolucionarismo alucinado’ de Darcy, Julião e tantos outros mais, a quem nós da esquerda pós-64 devemos respeitar pela dedicação à causa popular, mas criticar por aqueles erros graves e, mais importante, lutar para não repeti-los.

E também às vezes me pego conjeturando se Jango não deveria ter refletido um pouco mais sobre a proposta de Kruel, naquele telefonema na noite de 31 de março de 1964…

Para mim, os dois nomes mais lúcidos daquele momento, que faziam a análise mais adequada e correta da correlação de forças, que tinham uma perspectiva democrática e nacional para o Brasil, mas que ficaram desgraçadamente isolados eram Santiago Dantas e Tancredo Neves, um Deputado do PTB, outro do PSD.

http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4862118483640339785&postID=1721077309664090553

Nassif, o governo Jango e o Golpe de 1964!!


O jornalista, economista e blogueiro Luis Nassif publicou um texto a respeito da derrubada de Jango e do Golpe de 1964 que irei reproduzir abaixo. Depois, publicarei mais algumas mensagens de leitores, incluindo a minha, a respeito do texto do Nassif, que gerou um ótimo debate no blog.

Vamos lá, então:


22/12/2009

Jango e a conspiração de 1964


Nenhum governante pode ser responsabilizado, sozinho, pelos movimentos que levam à sua deposição – a não ser os que têm tendência para o suicídio.

Jango era fraco e caiu por sua fragilidade? É certo. Mas é evidente que houve uma conspiração para desestabilizar seu governo – em muito semelhante ao que se viu no Brasil nos últimos anos. Não frutificou porque os tempos são outros e Lula não era Jango. Mas a tentativa golpista foi similar.

Jango nunca foi um revolucionário. Tentava um governo de coalizão, mas sem rumo, premido ora pelo populismo mais desbragado, ora pelas pressões do cunhado Leonel Brizolla.

Roberto Campos e Walther Moreira Salles me contaram sobre o deslumbramento de Jango na primeira vez em que viu John Kennedy. E como o próprio Kennedy o estimulou a prosseguir em suas políticas sociais, já que ele – Kennedy – via o país à mercê de políticas econômicas que só levavam em conta o interesse da banca internacional, especialmente quando o assunto era dívida externa. O que assustava a banca, em Jango, não era o esquerdismo, mas o populismo, a incapacidade de manter em ordem as contas públicas. Nunca foi considerado de esquerda, a não ser para efeito de retórica política da oposição.

Jango não foi competente para segurar a peteca. Nem na política econômica – oscilava entre a ortodoxia de Moreira Salles (no parlamentarismo) aos arroubos da banda gaúcha de seu governo.

Mas evidentemente foi vítima de um golpe.

Semelhanças com 2006
O primeiro passo para o golpe é a criação de um clima de exacerbação política.

Acompanhei o final do governo Jango na condição de secundarista militante do interior – tinha 13 para 14 anos em 31 de março de 1964 – e com duas referências masculinas: meu avô materno, partidário intransigente de Lacerda; e meu pai, sem militância política mas incomodado com o clima de ódio que foi criado na época. Certa vez ele me flagrou lendo o “Ação Democrática”, bancado pelo IBAD. Imediatamente me passou as mãos um exemplar da revista “Política & Negócios”. “Se quiser ler sobre política e econômica, essa revista é mais ponderada”, me disse. Aliás, quem souber mais sobre essa revista, favor informar.

O ódio era em tudo similar ao que foi insuflado nos últimos anos por publicações como Veja e comentaristas como Arnaldo Jabor e clones desajeitados. Não era apenas a crítica política, mas o preconceito social, o estímulo ao ódio de classes, a demonização do adversário. Ainda vou recuperar alguns exemplares do Ação Democrática. O estilo era idêntico ao adotado hoje em dia por Jabor, inclusive o neoliberalismo radical dos convertidos.

Assim como nos tempos atuais, havia uma tentativa midiática e organizada de desestabilizar, sim, transformando qualquer episódio em pretexto para manifestações políticas nacionais.

Uma charge sobre Pelé e Nossa Senhora Aparecida, publicada na Última Hora de São Paulo, serviu de pretexto para passeatas e procissões por todo o país, as Marchas com Deus, pela Família e pela Propriedade.

Os rallies religiosos do Padre Peyton, as passeatas pelo “rearmamento moral”, a revista “Ação Democrática”, do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), os artigos de David Nasser e Carlos Lacerda, as exortações da rádio Globo, tudo contribuía para criar um clima de exacerbação terrível no ar preparando a quebra da legalidade.

Do lado das esquerdas, havia a sensação de estar perto do poder, sim. Apenas os ecos chegavam a Poços. Mas lembro-me claramente do Gerinho – nosso comunista de estimação – com sua bazófia conhecida, repetindo o que ouvia em outras instâncias: já chegamos ao poder, só falta a presidência. Bazófia pura!

A queda do regime
Com o ódio sendo instilado pelas campanhas midiáticas e pela orquestração nas manifestações, com a incompetência evidente do aparato militar de Jango, o regime caiu de maduro. Mas não foi por falta de conspiração – diria até que por excesso. Foi uma conspiração de nível nacional.

Em São Paulo, Ademar de Barros conspirava com o general Kruel. A ESG conspirava em favor de Castello. O Estadão e demais órgãos, em favor de Lacerda. Havia farta distribuição de armas para aliados civis.

Em Poços de Caldas, o Marechal Juarez Távora – amigo de minha família – distribuiu metralhadoras a fazendeiros aliados. Se essa conspiração estava ao alcance do conhecimento de jovens em cidades do interior, o que não ocorria nos grandes centros?

Enquanto todos conspiravam, o general Olimpío Mourão Filho – que não perdia tempo pensando – colocou a tropa na rua e o regime caiu como um castelo de cartas.

O clima de macartismo pré e posterior a 31 de março não deixou incólume nenhuma cidade. O acanalhamento da vida das pequenas cidades, a tomada de consciência de que aquele advogado bonachão, aquele vereador boa praça, o fazendeiro que tomava chopp no boteco, eram dedos-duros, envenenou o ambiente.

Em todas as cidade em que convivi na época houve episódios de delação – que, espero, sejam enterrados para sempre, para benefício dos descendentes dos delatores. Em Poços, menos. Em São João da Boa Vista, de maneira terrível, com o Durval Nicolau – pai do atual prefeito Nelsinho –, hospitalizado, sendo expulso da cidade por fazendeiros armados. E não eram armas de caça.

Essa articulação – que permitiu armar fazendeiros do interior com armas do Exército – foi levantada por René Dreiffus, um historiador uruguaio radicado no Brasil, que lançou o livro no início dos anos 80. Em que pese alguns exageros, o livro retrata bem como a reação contra Jango se articulava nos clubes sociais de São Paulo, nas associações empresariais., na aproximação entre civis e militares. Dessa conspiração participava a cúpula da Igreja Católica – testemunhei isso em Poços, com as investidas do Padre Maia sobre a Ação Católica, movimento do qual a hierarquia católica havia perdido o controle.

Patrono dessa aproximação civil-militar em São Paulo, aliás, Júlio de Mesquita Filho era considerado o chefe civil da Revolução – título que lhe foi outorgado não por Dreiffus, mas pelo próprio Estadão.

O que estava por trás desse jogo pesado, manipulador, não era nem mesmo Jango, mas a falta absoluta de perspectiva de volta ao poder, já que a campanha JK 65 começava a tomar corpo.



http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/22/jango-e-a-conspiracao-de-1964/

Luiz W. Vianna: ”PT recuperou era Vargas; Lula é um Getúlio há tempos”!!


O ótimo blog do Brizola Neto reproduziu uma excelente entrevista com o Luiz Werneck Vianna, intelectual brasileiro muito respeitado e autor de uma obra muito importante ligada ao estudo do, entre outros assuntos, movimento operário e sindical no Brasil.

Abaixo, publico a entrevista do L.W.Vianna e também o meu comentário a respeito da mesma. Vamos lá, então:


PT recuperou era Vargas;Lula é um Getúlio há tempos”

Estamos diante de uma conjuntura política nova, com a crise econômica. O que isso aponta para 2010?

Estamos diante de uma catástrofe, não há como recusar isso. Milhões de pessoas desempregadas, diminuição da riqueza mundial… Agora, aqui na periferia, no mundo emergente, isso que ocorreu era o desejado. De que se trata hoje? De regular. Regular o sistema financeiro mundial, cada sistema nacional. Com o tema da regulação, a presença da política.

O neoliberalismo está fora das alternativas políticas?

Creio que está fora. O que não quer dizer que as concepções de extremação da presença política na economia retornem.

Para o Brasil o que isso aponta?

Acho que estamos muito bem equipados, por motivos históricos determinados. A presença do público, aqui, sempre foi muito forte. Mesmo os anos de desmonte, das tentativas de desmonte da chamada era Vargas, ficaram na superfície, não foram aprofundadas. Começou com Collor, seguiu com Fernando Henrique, de algum modo continuou com Lula, mas a tradição da presença do público na sociedade brasileira foi preservada. E além do mais, a crise financeira nos anos 90 fez com que criássemos antídotos, que agora estão se demonstrando extremamente eficazes. Temos um mercado interno que cresce, não precisa de muito para crescer, porque uma boa parte dele está situado na base da pirâmide. O Bolsa-Família intensifica o consumo, o aumento do salário mínimo intensifica o consumo… O fato é que não vendemos nem o Banco do Brasil nem o BNDES. E temos a Petrobrás. E tem um presidente que ganhou a confiança da população. Que, no meio dessa crise, se comporta no sentido de inspirar segurança, confiança. E está comprometido com a defesa do emprego e a sua ampliação.

Como o PMDB, à frente do Senado e Câmara, pode agir na sucessão?

Ele é parte dessa história boa.

Mas ele não é associado ao atraso?

Eu sei. Aliás, o atraso é questão altamente sensível e estratégica na sociedade. Em linguagem fácil, rápida, quem tentou romper com ele perdeu.

Por exemplo?

Collor. Fernando Henrique não tentou. Lula não tentou. A questão aqui é quem dirige o atraso. Se o atraso assume a direção, aí, realmente, não há o que fazer. Mas desde Vargas ele não assume. O PMDB é uma força política regional, fisiológica, tudo isso que se diz é um pouco verdadeiro e às vezes muito exagerado. Mas o PMDB é uma escora na defesa dessa tradição do público na sociedade brasileira. Possivelmente, não teríamos essas instituições que hoje estão nos defendendo se o PMDB não fosse um personagem tão presente na vida republicana recente. Agora, ao lado disso, o PMDB é um partido muito difícil de administrar. Mas não está postulando a Presidência até agora.

Por que um partido grande como o PMDB não lança candidato?

O PMDB deixou de ser um partido nacional. Os seus líderes são regionais, como o Geddel (ministro da Integração).

Mas tem um potencial enorme de influir na sucessão e no governo…

Aumentou. Mas é o que dá um partido como o PT ir ao governo e não realizar o seu programa. Teve de se aliar aos outros para realizar um programa descoberto no meio do caminho. O programa do primeiro mandato não era esse que está sendo realizado. O PT recuperou a era Vargas. O Lula é um Getúlio. Há muito tempo.

Está cada vez mais popular…

Getúlio também foi, não?

O que dá lastro a isso?

A ida ao social, como Getúlio foi, aos pobres, aos sindicatos, a maneira apaixonada através da qual Lula faz isso. É claro que ninguém atendeu melhor aos empresários e às finanças que ele. Mas não tirou de um lado para dar para o outro. Deu para os dois lados.

A popularidade dele é, digamos assim, “transmissível”?

Ah, é. De certo modo, é.

Dilma, então, é candidata forte?

É. Getúlio não elegeu Dutra? Agora, Serra é um osso duríssimo de roer.

Na sua avaliação, qual vai ser o peso do presidente na sucessão?

Do jeito que ele está se comportando, se o navio tiver de afundar, ele quer morrer que nem um almirante batavo: afundar com o navio. Mas o navio não vai afundar. Vai sofrer abalos, talvez severos. Mas, volto à minha argumentação: temos algumas defesas. E nosso mercado interno pode nos segurar.

Então, o presidente Lula será um ator importante em 2010?

Ah, certamente.

Decisivo?

Não sei se ele garante a vitória do seu candidato ou candidata. O outro lado é muito forte e vem de um Estado muito poderoso. Se Serra conseguir fechar São Paulo… O risco para Serra é Minas escapulir.

A briga, que já rachou a bancada tucana, pode prejudicar Serra?

Pode. A candidatura Aécio-PMDB não existe.

Como fica o PT?

O PT se programou por 20 anos. Teve contratempos. Ficou sem candidato, está inventando a Dilma. Candidato inventado, que nunca passou pelo teste das urnas, é candidato com dificuldades. Como a Dilma vai se comportar, provocada por jornalistas? Não se sabe. Não tem treino.

Isso não torna a participação de Lula ainda mais fundamental?

Sem dúvida. Ela, por si só, nunca teve perfil para isso, nunca se pensou. Mas é o projeto “desde garotinho” do Serra.

Mas em qual quadro?

Está todo mundo chamando atenção para o PMDB. Mas, e PT e PSDB, que estão cada vez mais parecidos e cada vez mais rivais? O enigma é: por que não se aproximam mais?

Por causa da briga em São Paulo?

O Lula já se desprendeu disso. Aliás, se desprendeu do PT. O presidente governa o partido. Agora, com relações cada vez mais doces com o governador de São Paulo.

Links:


http://www.tijolaco.com/?p=7684#comments

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090215/not_imp324088,0.php



Meu comentário:


De fato, o Brasil não entrou nessa espiral especulativa desenfreada e irracional que tomou conta do sistema financeiro norte-americano e europeu justamente porque tem uma regulação financeira mais rígida. Outro motivo é que o sistema financeiro é altamente concentrado. Apenas 6 grandes bancos (CEF, BB, Itaú, Bradesco, Santander e HSBC) controlam cerca de 90% do setor. Como não há uma concorrência predatória entre eles, isso facilita a sua atuação, permitindo que sejam altamente lucrativos e não tenham que apelar para a especulação ilimitada que temos na Europa e nos EUA, onde há uma concorrência brutal entre milhares de bancos.

Enquanto isso, no Brasil, os bancos tem que respeitar os limites impostos pelo ‘Acordo de Basiléia’ (que restringe o volume de empréstimos que os bancos podem conceder). Nos EUA esse acordo nunca vigorou. E as leis que restringiam a especulação financeira nos EUA foram todas abolidas durante as últimas décadas. Deu no que deu: especulação desenfreada, colapso das bolhas especulativas e quebra do sistema financeiro privado numa escala que pode ser comparada apenas com a da época da Grande Depressão.

Uma nova Grande Depressão não se instalou de forma duradoura (ela foi temporária e durou, basicamente, entre meados de 2008 e meados de 2009) porque o velho Estado de sempre interferiu para resgatar o sistema financeiro quebrado, inclusive com a estatização de muitos bancos. Todo o sistema financeiro britânico foi estatizado, bem como o Citigroup nos EUA. GM, AIG, Fannie Mae e F.Mac também acabaram estatizados. Mesmo assim, o número de desempregados, apenas nos EUA , aumentou em 7 milhões desde Dezembro de 2007 até agora.

Aqui no Brasil, entretanto, a taxa de desemprego de Novembro deste ano foi de 7,4%, menos do que os 7,6% de Novembro do ano passado.

Assim, a política neoliberal já mostrou que está virtualmente esgotada e os países desenvolvidos terão que superar a crise apelando para algum tipo de neokeynesianismo (aqui no Brasil eu chamaria isso de neogetulismo) ou seja, com o aumento da intervenção estatal, pois o setor privado está quebrado, fortemente endividado e não tem condições de aumentar nem os seus investimentos e nem o seu consumo.

Quanto à política nacional, entendo que Serra não é um candidato ‘duríssimo’ de ser batido. Não se trata de subestimá-lo (o que seria um grave erro, pois ele tem o apoio total da Grande Mídia, de grande parte do empresariado e das classes médias mais abastadas, principalmente do Centro-Sul do país), mas ele está estagnado nas pesquisas desde Março de 2008, quando chegou a 38% no Datafolha. Agora, na mesma pesquisa (no mesmo cenário, com 4 candidatos) ele tem 37%. Assim, Serra chegou ao seu teto e daí não passa.

Enquanto isso, Dilma cresceu, no mesmo período, de 3% para 23%. E olha que ela ainda é pouco conhecida (apenas 13% dos eleitores dizem conhecê-la bem, segundo o mais recente levantamento do Datafolha), ela ainda não lançou a sua candidatura e muitas pessoas ainda não sabem que ela será apoiada pelo Presidente Lula. Tanto que na pesquisa espontânea do Datafolha 8% dos eleitores declaram que irão votar no ‘candidato do Lula’, demonstrando desconhecer que este ‘candidato’ é a Dilma.

Quanto ao PMDB, ele é a reedição do velho ‘PSD’. Aliás, os seus principais líderes históricos (Ulysses, Tancredo, entre outros) vieram do antigo PSD. Tal como o PSD, o PMDB é um partido moderado e centrista e que é controlado por líderes regionais, como o próprio Werneck diz. Com isso, o partido nunca consegue se unir para lançar um nome viável à Presidência, pois tem ‘cacique demais para pouco índio’ no partido.

Quanto ao governo Lula, o mesmo está, claramente, empenhado em dotar o Brasil, novamente, de um Estado forte, indutor e promotor do desenvolvimento econômico e social.

Isso se fez através da adoção de um conjunto de políticas sociais ativas no combate à pobreza extrema, do aumento dos investimentos públicos e de subsídios (via PAC, Pré-Sal, Minha Casa Minha Vida), do aumento da oferta de crédito pelos bancos públicos (BNDES, BB, CEF), dos aumentos reais para o salário mínimo (já subiu 53% acima da inflação entre 2003/2010), do reajuste dos aposentados (os benefícios dos aposentados que recebem mais de um salário mínimo subiram 70,5% entre 2003/2010, contra uma inflação acumulada de 45% entre 2003 e 2009. Com os 4,5% de inflação previstos para 2010, a inflação acumulada nos 8 anos do governo Lula chegará a 50%) e dos benefícios do Bolsa-Família, o aumento do crédito para o Pronaf (será de R$ 15 Bilhões em 2010), a geração de 9 milhões de novos empregos formais (que dão acesso aos direitos sociais e trabalhistas criados, basicamente, na ‘Era Vargas’) e a significativa redução da taxa Selic em 2009 (de 13,75% ao ano para 8,75% ao ano) constituem um novo programa de intervenção estatal na economia e na área social que está sendo fundamental para o fato do Brasil ter sido um dos últimos países a ser afetados pela crise global e um dos primeiros a superá-la.

Assim, nota-se a importância das contribuições de Vargas para o país, pois a Petrobras, o BNDES e o salário mínimo foram criações do governo varguista. Sem tais instrumentos, ficaria impossível combater os efeitos da crise global ou então, no mínimo, tal combate ficaria bastante dificultado.

Isso demonstra, claramente, a importância das políticas e das instituições criadas pelo governo Vargas. E veja que quem está dizendo isso, Brizola Neto, é um petista convicto e filiado ao partido.

Já passou da hora das Esquerdas Democráticas e Progressistas brasileiras (das Esquerdas autoritárias, ou Extrema-Esquerda, não espero nada… Elas sabem apenas atacar a tudo e a todos e mais nada… Vide o recente artigo de César Benjamim que lançou falsas acusações contra o Presidente Lula) reconhecerem, explicitamente, a importância das conquistas dos trabalhadores obtidas durante a ‘Era Vargas’ e entre o período 1930-1964, bem como da importância das empresas e das instituições criadas nesta época, como a Petrobras, o BNDES, a CLT, a CSN e a Vale do Rio Doce (que, desgraçadamente, o governo FHC entregou, praticamente de graça, para investidores privados, grande parte estrangeiros).

O Golpe de 1964 e a subseqüente Ditadura Militar (que, tragicamente, durou intermináveis 21 anos ) e que se instalou no pais visava, justamente, barrar este processo, impedindo que ele tivesse continuidade e fosse aprofundado nos governos seguintes. E é isso que teria acontecido caso o Brasil tivesse se mantido na rota da Democracia. Hoje, seríamos um país muito mais desenvolvido, justo e democrático, em todos os aspectos.

Lula e Vargas foram perseguidos e atacados pela Grande Mídia Golpista!!


No blog do Brizola Neto, um dos melhores da Internet brasileira atualmente, o internauta Armando do Prado escreveu o seguinte: “porque Vargas era um articulador político e líder carismático, sem TV e sem Internet.”.

E a minha resposta para ele foi a seguinte:

R – Discordo!

É claro que não havia TV e Internet na ‘Era Vargas’. A TV chegou ao Brasil em 1950, mas ainda era vista por pouquíssimos brasileiros enquanto Vargas viveu.

Mas, quero lembrar que Vargas foi o pioneiro, no Brasil, no uso da propaganda e da imprensa para promover o seu governo e a sua liderança política.

Exemplos: a criação do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) e o uso do rádio, que era o principal veículo de comunicação do país nas décadas de 1930/1950. O programa ‘A Voz do Brasil’ foi criado justamente nesta época para promover e divulgar as ações do governo Vargas.

E Lula é, sim, um grande articulador político. Se não fosse, teria sido derrubado da Presidência em 2005. E Lula conseguiu isolar o PSDB/DEM/PPS, formando um governo de coalizão que engloba 11 partidos políticos. E carismo não falta para Lula, desde os tempos de movimento sindical.

Agora, quero lembrar uma semelhança entre os dois, que é o fato de que ambos foram (e Lula ainda é…) brutalmente atacados pela Grande Mídia ‘brasileira’. Não havia um único jornal que defendesse o governo Vargas na época. Tanto que, para ter um que fizesse isso, foi necessário criar a ‘Última Hora’, comandada por um jornalista aliado de Vargas, o Samuel Wainer.

No caso de Lula, o mesmo teve que criar a TV Brasil a fim de que nem todos os veículos de comunicação se limitassem a atacar ao seu governo.

Lula e Vargas são duas vítimas desta Grande Mídia golpista, reacionária, antidemocrática e antinacional que temos no país.

Espero que com a massificação da Internet e com a disseminação de blogs e sites independentes este monopólio midiático seja quebrado.

Para isso, é fundamental que o governo Lula e o próximo governo da Dilma invistam maciçamente na criação de uma empresa pública que torne a Internet banda larga acessível a TODA a população. Esta será a ‘Última Hora’ do século XXI.

Viva Vargas!

Viva Lula!

Viva Dilma!

Link:

http://www.tijolaco.com/?p=7684&cpage=1#comment-7220

'Novo desenvolvimentismo' de Dilma prega Estado forte!!


Abaixo, publico texto que mostra qual será o rumo que Dilma dará ao seu governo caso seja, é claro, eleita Presidente da República em 2010. Vale a pena conferir o texto:


'Novo desenvolvimentismo' de Dilma prega Estado forte


A plataforma de governo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, será embalada pelo mote do "novo desenvolvimentismo". O modelo defendido pelos petistas para escapar do rótulo da mera continuidade do governo Lula mescla incentivos ao investimento público e privado com distribuição de renda.


Embora o programa de Dilma ainda esteja em discussão, a cúpula do PT e o Palácio do Planalto já têm um diagnóstico: a nova concepção de desenvolvimento exige restabelecer o planejamento econômico de longo prazo e o papel do Estado forte.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer colar em Dilma o carimbo do "novo desenvolvimentismo" para enfrentar os espinhosos debates sobre gasto público com o PSDB do governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato ao Planalto. É com essa marca que Dilma vai aparecer na campanha. Até agora, os eixos do projeto sob análise do PT são ciência, tecnologia e inovação, pré-sal, meio ambiente e matriz energética, educação, reconstrução do sistema de saúde, programas de moradia, como o Minha Casa, Minha Vida, transporte de massas e saneamento básico.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe da propaganda de Dilma, não será tratado apenas como plano de obras, mas, sim, como "uma estratégia de desenvolvimento", como diz texto da corrente Construindo um Novo Brasil, hegemônica no PT. A meta do partido para os próximos anos é crescer de 6% a 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

O comando da campanha de Dilma está certo de que o PSDB vai atacar o governo com o discurso da gastança e já se prepara para o contra-ataque na área fiscal. A despesa de custeio da União saltou de R$ 23 bilhões, em 2002, para R$ 32 bilhões, em 2008 - cifra equivalente à inflação do período, de 40% -, mas economistas do governo garantem que esses gastos tiveram crescimento porcentual muito superior na gestão tucana em São Paulo, na mesma época.

No duelo com o PSDB, o Planalto pretende derrubar a pecha de gastador invertendo a lógica do argumento pejorativo. Dilma dirá que a maior despesa foi com o pagamento de benefícios sociais, vinculados ou não ao salário mínimo - como Bolsa-Família, aposentadorias, pensões e seguro-desemprego -, melhorando a distribuição de renda e o mercado de consumo de massas.

Para o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), a campanha petista mostrará que o Brasil pode ser a quinta economia do mundo. "Depois de resolver o impasse macroeconômico e estabelecer o paradigma de que é possível distribuir renda crescendo, queremos dar um salto", disse Berzoini.

Link:

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/12/27/novo+desenvolvimentismo+de+dilma+prega+estado+forte+9257131.html

sábado, 26 de dezembro de 2009

Azenha: Por que o Brasil está sendo tão elogiado??


O jornalista e blogueiro Luiz C. Azenha postou uma observação interessante, em seu blog, a respeito do porque que o Brasil está sendo tão elogiado pelo mundo afora. Ele se pergunta o que estaria por trás de tantos elogios e afagos ao Brasil. Para mim, há razões concretas para isso. E estes elogios tem se multiplicado nos últimos tempos.

É a 'The Economist' que diz que o Brasil está decolando. A revista norte-americana 'Newsweek' diz que, em 2010, o Brasil será a 'Nova China'. É o 'Le Monde' que escolhe o Presidente Lula como sendo a 'Personalidade do Ano'. E o Primeiro-Ministro espanhol, José L. Zapatero, elogia intensamente ao Presidente Lula num artigo publicado no principal jornal espanhol, o 'El País', que também escolheu Lula como o 'Homem do Ano' de 2009. E ainda tivemos a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, perguntando ao Presidente Lula como é que o Brasil conseguiu ser um dos primeiros países do mundo a superar os efeitos da crise global e assim por diante.


É claro que estes artigos não são totalmente desinteressados. Mas, antes eles sequer eram escritos. Porque? Será que não havia interesse no Brasil? Claro que sim. Mas, o que não existia antes era um país bem governado e que pudesse proporcionar aos investidores externos uma segurança para o seu capital. Devemos repudiar tais investimentos em função disso? Não, mas hoje estamos em posição de selecionar, por exemplo, o tipo de capital que queremos atrair.

Antes, o Brasil era atrativo apenas para o capital especulativo, de curto prazo. Agora, estamos atraindo um capital de longo prazo, que vem para ficar aqui por muitos e muitos anos e que não irá embora em função da primeira crise internacional que venha a acontecer.

Qual foi o grande erro do governo FHC? Foi querer manter a estabilidade econômica apenas com base em juros altos para atrair capital especulativo e em privatizações de estatais a preço de banana e financiadas com dinheiro subsidiado do BNDES.

O que todos estes jornais e revistas da Europa, dos EUA, do México, entre outros, estão dizendo para os seus leitores é: invistam no Brasil, pois agora vale a pena. Não é o mesmo Brasil de antes que, quando acontecia uma crise qualquer numa Tailândia da vida, entrava em pânico e desabava rapidamente. Agora, o Brasil é um país sólido, com economia forte, consistente, administrada com base em uma visão de longo prazo e não apenas se pensando na próxima eleição.

Agora, justamente porque temos uma economia muito mais forte e sólida é que podemos estabelecer as condições em que iremos receber os investimentos externos.

Um exemplo disso é que quando o governo Lula criou a alíquota de 2% de IOF para espantar o capital especulativo do país, até o FMI e a ‘The Economist’ elogiaram a medida. Mas, elogiaram porque? Por que o Lula tem origem operária e veio do sertão? Claro que não. Elogiaram, por que eles sabem que o Brasil está em posição, hoje, de estabelecer as condições em que irá receber estes investimentos.

Antes, os investidores externos é que impunham ao Brasil as condições em que eles aceitavam investir aqui. Eles exigiam juros altos, a venda de estatais a preço de banana e cujas vendas eram financiadas com dinheiro público subsidiado, exigiam a redução dos direitos sociais e trabalhistas, queriam pagar salários baixos aos trabalhadores e assim por diante. FHC fez tudo isso porque MANDARAM ele fazer tais coisas.

Hoje não temos mais isso, porque o governo Lula deu ao país a possibilidade de impor as condições em que o capital externo irá investir aqui. E por isso é que eles agradam tanto a Lula e falam tão bem do Brasil. Hoje, eles são obrigados a nos respeitar, coisa que antes não aconteciam.

Entendo que esta é a grande diferença entre os governos Lula e o de FHC. Com o governo Lula, o Brasil conquistou o RESPEITO do mundo todo. Antes, éramos apenas objeto de piadas e de chacotas. Agora, isso acabou.
Por tudo isso, é Dilma Presidente em 2010!

Links:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/newsweek-e-o-brasil-em-2010/


http://www.lemonde.fr/ameriques/portfolio/2005/07/13/lula-un-homme-du-peuple-a-l-epreuve-du-pouvoir_671968_3222.html


http://www.elpais.com/articulo/internacional/hombre/asombra/mundo/elpepuint/20091211elpepuint_1/Tes

Governos Lula e FHC representam dois projetos distintos de governo e de sociedade!


O jornalista Ruy Fabiano publicou um texto no blog do Noblat e decidi comentar o mesmo, item por item.

Abaixo, publico o meu artigo analisando, criticamente, as afirmações de Fabiano. Vamos lá, então:

Ruy Fabiano e os governos Lula e FHC!

1) As pesquisas, sobretudo quando o seu objeto está distante de uma definição – caso das próximas eleições -, costumam ser inconsistentes e provisórias. São mais ou menos como o que o falecido Magalhães Pinto dizia da própria política, comparando-a às nuvens, que a cada momento assumem desenho diverso. Faltam dez meses para as próximas eleições presidenciais e a campanha, oficialmente, nem começou, embora seja de uns meses para cá o tema predominante entre os políticos.


R – Observações corretas, mas óbvias. Qualquer pessoa bem informada sabe que pesquisas feitas com quase um ano de antecedência em relação à data das eleições tem pouco ou quase nenhum valor para apontar o resultado final das mesmas. Elas servem, no entanto, para apontar tendências, mostrando qual candidato está crescendo, qual estagnou ou está caindo.


2) O público, porém, não está ainda motivado para o assunto. Mal conhece os candidatos.

R – Com certeza. A esta altura do campeonato, as pessoas estão mais preocupadas com as férias e com as compras e festas de fim de ano. Daí, em 2010, teremos o Carnaval e a Copa do Mundo. Somente depois desta é que as pessoas começarão a acompanhar melhor a campanha eleitoral, principalmente, é claro, depois que começar o horário eleitoral no rádio e na TV.


3) Portanto, tudo o que até aqui as pesquisas têm informado é muito pouco para autorizar profecias. Basta lembrar que, nas eleições de 1989, o vencedor, Fernando Collor de Mello, só começou a figurar entre os primeiros quando a campanha já estava avançada. No início, era apenas um traço nas avaliações dos institutos.

R – Pesquisas não permitem fazer profecia alguma, apenas apontam tendências e mais nada.


4) O que se pode especular, pela última pesquisa do Datafolha, é que a tendência plebiscitária, pretendida pelo governo, já se esboça. Dilma Roussef cresceu, sem que seu oponente principal, José Serra, tenha perdido espaço.

R – Isso é interessante. Serra, de fato, não perdeu espaço, mas estagnou. E isso já vem de muito tempo. Ele, de fato, não conquistou um único eleitor novo desde Março de 2008, quando apareceu com 38% das intenções de voto na pesquisa Datafolha. Agora, no mesmo Datafolha, ele aparece com 37%. Então, este é o teto de Serra. Naquela mesma pesquisa Datafolha de Março de 2008, Dilma aparecia com apenas 3%. E agora aparece com 23%. Assim, a tendência é clara: enquanto Serra estagnou, Dilma cresce cada vez mais, embora de forma gradual, mas contínua.


5) Caíram os demais – Ciro Gomes e Marina Silva. Como não há propriamente embate ideológico, já que todos os candidatos colocam-se à esquerda, o que se pretende é opor dois personagens que não estão na disputa, Fernando Henrique Cardoso e Lula.
Dois governos que, em vez de se opor, são na verdade continuidade de um mesmo roteiro.

R – È preciso se fazer um gigantesco esforço para tentar dizer que os governos Lula e FHC foram semelhantes. As políticas do governo Lula são radicalmente diferentes das adotadas pelo governo FHC em muitos aspectos.

Vou comentar cinco áreas, em especial, embora pudesse comentar muitas outras, onde as diferenças entre os dois governos são nítidas. Vamos lá, então:

A) Política Externa: as mudanças foram tantas que é até difícil comentar todas. Mas, veja o caso da política do governo Lula em relação à ALCA. Enquanto que FHC dizia que a mesma era inevitável, Lula resistiu (junto com Kirchner e Chávez) e inviabilizou a dita cuja. Outra diferença foi a política de Comércio Exterior. Enquanto FHC privilegiava as relações diplomáticas e comerciais com os países ricos, Lula privilegiou o relacionamento com os países emergentes, reforçando os laços do país com a China, Índia, Rússia, América Latina (está é, hoje, o maior mercado de exportações do Brasil). O governo Lula também apóia os governos nacionalistas e reformistas da América Latina. Enquanto isso, FHC apoiou o Golpe de Estado contra Chávez, em Abril de 2002, e chegou a condecorar o Ditador peruano, Alberto Fujimori.

B) Política com os movimentos sociais: Enquanto o governo FHC promoveu uma criminalização dos movimentos sociais em geral, o governo Lula criou canais de diálogo permanente com tais movimentos e muitos deles tem representantes no governo, como é o caso do MST, do movimento sindical, do movimento dos sem-teto, GLBT, feminista, negro, entre outros.

C) Política Salarial: Enquanto o governo FHC arrochou brutalmente os salários do funcionalismo público federal, o governo Lula aumentou os mesmos, em média, em 148%. O salário médio do funcionalismo público federal subiu de R$ 2.700, no governo FHC, para R$ 6.700 no governo Lula.

D) Escolas Técnicas Federais: No final de 1998, o governo FHC proibiu o governo federal de construir escolas técnicas. A construção e manutenção delas foi terceirizada, mas o programa foi um fracasso completo. Quase nenhuma ficou pronta e começou a funcionar. Como o governo FHC atuou nesta area? Simples; criava-se uma organização com fins culturais que recebia as verbas necessárias para construir o prédio, contratar professores e funcionários e equipar a escola, mas nem finalizar o prédio eles conseguiam. E daí os mesmos se transformaram em inúmeros 'elefantes brancos'.

Daí, veio o governo Lula e federalizou as escolas, finalizou as obras, equipou as mesmas, contratou professores e funcionários, fez o vestibular e ainda transformou estas escolas, bem como todas as escolas técnicas terceirizadas do governo FHC, em escolas técnicas e institutos federais de educação superior tecnológica.

Resultado: até o final de 2010 serão construídas 214 escolas técnicas federais. Em toda a história do Brasil, até o fim do governo FHC, haviam sido construídas apenas 140.

Assim, o governo Lula construirá mais escolas técnicas federais do que todos os governos brasileiros anteriores.

E) Reação às crises externas: Alguém se lembra de como o governo FHC reagia sempre que estourava uma crise internacional, mesmo que elas acontecessem em países da periferia do Capitalismo Globalizado, como no México, na Tailândia, nas Filipinas ou na Indonésia? Era sempre a mesma coisa: FHC aumentava os juros, reduzia os investimentos e gastos públicos, aumentava os impostos, arrochava os salários e reduzia os investimentos na área social.

Já o governo Lula, quando enfrentou a maior crise econômica mundial desde a Grande Depressão, reagiu como? Fazendo exatamente o contrário de tudo o que o governo FHC fez, ou seja, reduziu os juros, aumentou os investimentos públicos, reduziu os impostos, aumentou os salários (o salário mínimo, do funcionalismo público federal) e os investimentos sociais (como no Bolsa-Família).

6) O governo Lula, no entanto, quer mostrar-se como o da ruptura, o que, pela primeira vez na história do país, teria colocado o povo no centro da cena, em contraponto ao anterior, que teria privilegiado as elites. A tese não resiste a um exame superficial.

R - O que não resiste a um exame superficial é a afirmação de que os governos Lula e FHC foram semelhantes. Para comprovar isso, leiam o item anterior. Não há semelhança alguma nas políticas externa, de relação com os movimentos sociais, na política salarial do funcionalismo público e quanto às escolas técnicas federais. As medidas implementadas pelos dois governos, nestes quesitos, foram radicalmente opostas e distintas. Não há nenhuma semelhança entre elas. Eu poderia fazer o mesmo tipo de comparação em muitas outras áreas, mas daí o texto que estou escrevendo ficaria do mesmo tamanho do 'Velho Testamento'.


7) O governo Lula manteve o modelo econômico do anterior e expandiu programas sociais que já estavam em curso no governo FHC, caso do Bolsa Família, que integrava o programa assistencialista Rede de Solidariedade, concebido e comandado por Ruth Cardoso. Foi, inclusive, uma iniciativa tomada já com o primeiro mandato de Lula em curso. O projeto social do governo Lula, no início, era o Fome Zero, anunciado com alarde já no discurso de posse. Mas não deu certo, o que fez com que o governo ressuscitasse o Bolsa Educação e o agregasse às outras bolsas que vigoraram anteriormente (bolsa-gás, bolsa-transporte etc.) e as agregasse sob o rótulo único de Bolsa Família, expandindo-a.


R – O ‘Fome Zero’ não foi abandonado, mas foi revisto e passou e englobar inúmeras políticas públicas de combate à miséria em todo o país, incluindo o Bolsa-Família, indo muito além do mero assistencialismo da dona Ruth Cardoso.

E faltou o jornalista explicar que o primeiro político brasileiro a defender a implantação de programas sociais de complementação de renda (como o Bolsa-Escola e o Bolsa-Família) foi o senador petista Eduardo Suplicy, que ainda em 1991 apresentou, no Senado, um projeto de lei criando um programa de complementação de renda chamado de ‘Imposto de Renda Negativo’.

E o primeiro governo a adotar uma política de ‘Bolsa-Escola’, no Brasil, foi o do governo petista de Cristovam Buarque, no Distrito Federal, entre 1995-1998. Na verdade, Cristovam se baseou na idéia do ‘Imposto de Renda Negativo’ de Eduardo Suplicy e atrelou a concessão do benefício à exigência de que os filhos das famílias beneficiadas freqüentassem a escola. Daí, foi criado o ‘Bolsa-Escola’ que, depois, FHC copiou, apenas nos anos finais do seu governo e, mesmo assim, pagando um benefício de valor muito inferior ao que o governo de Cristovam pagava (este pagava 1 salário mínimo mensal para as famílias cadastradas no programa).


8) Na economia, embora critique as privatizações, o governo Lula é beneficiário dos resultados por elas proporcionados, sendo a telefonia a mais notória de todas. A universalização dos seus benefícios consta hoje de todas as propagandas governistas.

R – Estas privatizações da telefonia, na verdade, foram muito mal conduzidas pelo governo FHC. Além das tarifas terem sido reajustadas em níveis muito acima dos da inflação acumulada, temos, até hoje, problemas sérios no setor, problemas estes que o Sr. Ruy Fabiano ‘esqueceu’ de mencionar em seu artigo.

A Telefonica, por exemplo, cobra caro pelos seus serviços e a qualidade dos mesmos é muito ruim, sendo a empresa campeã, há muitos anos, de reclamações dos consumidores.

Devido à privatização do setor que foi muito mal conduzida pelo governo FHC, o Brasil tem, hoje, a Internet mais cara do mundo e a de pior qualidade, o que limita fortemente a sua expansão no país, prejudicando o desenvolvimento nacional. Enquanto tivermos uma Internet tão cara e tão ruim, será impossível universalizar a mesma no país. E isso é mais uma herança maldita do governo FHC. E o problema maior é que não há muito que o Estado brasileiro possa fazer nesta área, pois temos contratos que precisam ser respeitados. Se o Estado desrespeitar os direitos das empresas de telefonia, elas irão recorrer à Justiça e sairão vencedoras dos processos.

Assim, o Brasil está sendo e será, ainda, e por muito tempo, prejudicado por uma política de privatizações muito mal conduzida pelo governo FHC na área de telefonia.


9) A evidência maior da continuidade está mesmo na economia, em que, para presidir o Banco Central, foi chamado o deputado tucano Henrique Meirelles, que renunciou ao mandato para assumir o comando da política monetária.

R – Sim, mas faltou o jornalista explicar que a nomeação de Henrique Meirelles aconteceu apenas porque o Estado brasileiro estava falido no final do governo FHC, sem qualquer recurso disponível para investimentos e endividado até o pescoço, tanto interna, como externamente.

A dívida pública era, no final de 2002, de espantosos 55,5% do PIB e o déficit público nominal, em 2002, foi de elevadíssimos 4% do PIB.

A dívida externa, sozinha, representava 45% do PIB no final de 2002. E o governo ainda tinha que fazer tudo o que o FMI mandava, o que muitas vezes, resultou em grandes prejuízos para o país.

Exemplo disso foi a privatização do setor de energia elétrica, determinada pelo FMI no primeiro acordo assinado por FHC, em 1998, e que resultou no primeiro racionamento nacional de energia elétrica em décadas e que durou 11 meses.

Segundos estudos realizados, isso gerou um prejuízo de R$ 45 Bilhões para o Brasil. E os consumidores, que reduziram (por ordens do governo FHC) fortemente o consumo de energia, ainda foram penalizados pelo mesmo governo FHC, que criou o chamado ‘seguro-apagão’, a fim de cobrir os prejuízos das empresas de energia. Estes prejuízos foram provocados justamente pela economia forçada determinada pelo governo FHC.

Assim, o governo FHC acabou punindo os consumidores por estes terem feito o que o mesmo governo FHC determinou. Creio que isso é um fato inédito na história do Brasil. Nunca se viu algo assim na história deste país.

E foi apenas no governo Lula que o Estado brasileiro recuperou a sua capacidade de investimentos, com a dívida pública caindo para 36% do PIB (2008) e com o déficit público sendo reduzido para 1,9% do PIB em 2008. E a dívida externa, hoje, representa 14,5% do PIB, ou seja, três vezes menos do que no final do governo FHC.

E o Brasil, que possuía apenas US$ 16 Bilhões em reservas internacionais líquidas no final de 2002, agora acumula US$ 238 Bilhões de reservas. A taxa de inflação foi reduzida de 12,5% em 2002 para 4,5% em 2009. A inflação acumulada durante os oito anos de governo FHC foi de 100,6% (IPCA), contra apenas 45% em 7 anos de governo Lula (2003/2009). A balança comercial, que havia acumulado um déficit de US$ 8,7 Bilhões durante o governo FHC, já acumula um superávit comercial de US$ 233 Bilhões no governo Lula. E olha que este ainda não acabou.


10) Entrou em rota de colisão com o PT, que pretendia subjugá-la às políticas sociais. Lula, porém, bancou Meirelles – isto é, a política monetária dos tucanos - e esse tem sido o seu mérito maior, reconhecido pelos próprios adversários. Todas as análises que se fazem no exterior do êxito do governo Lula ressaltam a continuidade que deu às políticas decorrentes do Plano Real. São análises eminentemente técnicas, que desprezam o embate político-partidário e atêm-se aos dados objetivos da realidade.


R – ‘Todas’ as análises, coisa nenhuma. Apenas as análises feitas por notórios simpatizantes do governo FHC e do PSDB (como é o caso deste jornalista, Ruy Fabiano) é que insistem nesta tese absurda.

E não são análises técnicas coisa nenhuma. São análises políticas e eleitorais, feitas por pessoas que tem conexões políticas com certos partidos (PSDB, DEM) e com grandes veículos de comunicação (Globo, Veja, Folha, Estadão) e que também são relacionados politicamente a estes mesmos partidos.

Exemplos: A esposa de Arnaldo Jabor, da Globo/Estadão, é assessora de José Serra. A esposa de Clóvis Rossi pertence ao ‘`PSDB Mulher’. Eliane Cantanhede é casada com Gilney Rampazzo, sócio de uma produtora de TV que sempre é responsável pelos programas eleitorais do PSDB e do DEM. A produtora se chama GW e foi a responsável pelos programas eleitorais de Serra em 2002, de Alckmin em 2006 e de Kassab em 2008.

Deve ser, então, ‘mera coincidência’ que tais ‘jornalistas’ façam tantas críticas ao governo Lula e ao PT, e nunca, jamais, façam qualquer crítica aos governos tucanos e ao PSDB/DEM, não é mesmo? Me engana, que eu gosto... E para confirmar isso basta ver que, na equipe de colaboradores desta Grande Mídia não há, virtualmente, nenhum defensor ou simpatizante do governo Lula ou do PT. E os colaboradores desta Grande Mídia não fazem outra coisa a não ser atacar, o tempo inteiro, ao governo Lula e ao PT, sem jamais reconhecer os méritos e acertos dos mesmos. Outro exemplo anti-Lula e anti-PT da Grande Mídia, é que quando o governo Lula começou a tomar as medidas para combater os efeitos da crise global (redução de impostos e dos juros, aumentos salariais, aumento da oferta de crédito pelos bancos públicos), a Grande Mídia atacava duramente o governo.

Mas, quando tais medidas começaram a surtir bons resultados, esta mesma Grande Mídia recusou-se a reconhecer o acerto das mesmas. Teve até ‘jornalista’ (fortemente ligado a José Serra), como o Sr. Kennedy Alencar, da ‘Folha Online’, que teve a cara-de-pau de afirmar que as críticas feitas pela Mídia ao governo Lula é que levaram a este a tomar as medidas para combater os efeitos da crise global. E na verdade, o que tivemos foi exatamente o contrário: o governo Lula tomou tais medidas e foi duramente atacado por isso.

Porém, o Sr. Ruy Fabiano não fala nada disso em seu texto, talvez porque, justamente, ele é mais um destes falsos jornalistas que tem o rabo preso com os interesses da Grande Mídia, do PSDB e do DEM. Seu artigo é uma tentativa canhestra e medíocre de tentar reescrever a história em favor do governo FHC, do PSDB e do DEM.


11) Marina Silva tem mencionado esse aspecto continuísta de ambos os governos, ao criticar a tendência plebiscitária que Lula e Dilma querem dar à campanha. PSDB e PT – e Fernando Henrique enfatiza sempre isso – são partidos convergentes. Só os separa a ambição de poder.

R – O curioso desta fala da senadora Marina Silva é que ela somente passou a dizer isso, publicamente, depois que saiu do PT para se candidatar a Presidência da República pelo PV. Ela descobriu tudo isso somente depois que saiu do PT? Que estranho, não? E contraditoriamente, ela se filiou a um partido que, em grande parte do país, é ligado ao PSDB e ao DEM. Se ela é uma crítica das posturas e políticas do PSDB e do DEM, então porque se filiou a um partido que é uma extensão dos mesmos?

Aliás, esta análise é a mesma feita pelo ex-Presidente FHC, ao qual a senadora Marina Silva passou a elogiar muito depois que saiu do PT para se candidatar à Presidente pelo PV, partido que é uma mera filial dos tucanos e do DEM pelo país afora.


12) A luta por cargos. Não fosse isso, estariam juntos desde a primeira eleição direta. Mas São Paulo, base maior de ambos, os separa.


R – A questão não é de conflito por cargos mas, sim, as naturezas das políticas públicas que o Estado brasileiro deve implementar.

Assim, para citar mais um exemplo, enquanto o governo Lula condenou fortemente o Golpe de Estado em Honduras e recusou-se a reconhecer tanto a Ditadura de Roberto Micheletti, como as eleições fajutas realizadas sob o domínio desta, a Grande Mídia brasileira e os principais líderes do PSDB e do DEM apoiaram o Golpe de Estado e a Ditadura hondurenha, bem como defenderam o reconhecimento das ‘eleições’ que foram realizadas com os movimentos sociais e os partidos de oposição sob intensa repressão militar, com a imprensa de oposição sendo perseguida e censurada e com todas as manifestações populares sendo brutalmente reprimidas pela Ditadura Militar hondurenha.

Logo, questiono, qual é a semelhança entre as políticas adotadas pelo governo Lula e aquelas defendidas pelo PSDB/DEM? Nenhuma.


13) Essa divergência pontual os empurra para alianças contraditórias e, frequentemente, espúrias. O PSDB aliou-se ao DEM e ao PMDB para governar, enquanto Lula, em busca da mesma governabilidade, alia-se ao mesmo PMDB, além de partidos periféricos, como PP, PR e PTB. Se tivessem se aliado desde o princípio, a história teria sido outra.


R – O curioso desta tese é que a mesma somente passou a ser defendida por FHC, pelos tucanos e pelos seus simpatizantes apenas DEPOIS que Lula se elegeu Presidente da República em 2002. Antes disso, em nenhum momento, os tucanos ou FHC e seus simpatizantes, defenderam que PT e PSDB deveriam se aliar para governar o país.

Muito pelo contrário. Quando FHC, o PSDB e o então PFL governaram o Brasil eles não perdiam uma oportunidade de atacar ao PT, aos movimentos sociais e às Esquerdas em geral, classificando-os como ‘neobobos’ e ‘fracassomaníacos’, numa postura típica de quem estava mais interessado em desqualificar os críticos do governo tucano-pefelista do que em sentar para debater os problemas do país e procurar elaborar soluções conjuntas para os mesmos.

Assim, foi somente depois que foram tirados do poder pelo povo brasileiro é que os tucanos e seus seguidores descobriram que tinham que governar junto com o PT?? São muito ‘espertos’, estes tucanos, não é mesmo? E também são muito hipócritas e incoerentes!!


14) Hoje, porém, a divisão é irreversível, com prejuízos irremediáveis para a própria qualidade da política que se pratica no Brasil.

R – Quem promoveu tal ‘divisão irreversível’ entre o PT e o PSDB foram os próprios tucanos, que procuraram desqualificar o PT, os movimentos sociais e as Esquerdas em geral, tal como já comentei no item anterior.


15) Quem quer que se eleja – e isso não é profecia - terá que recorrer à mesma periferia fisiológica que gravita em torno dos dois principais partidos brasileiros, comprometendo na origem o governo que vier a se instalar.

R – E isso, tal como já comentei, é culpa exclusiva do PSDB, que se tornou um partido extremamente conservador e direitista, afastando-se totalmente de posturas, idéias e de políticas mais progressistas.

Basta ver como o PSDB passou a criminalizar os movimentos sociais, recusando-se a estabelecer qualquer diálogo mais franco e aberto com os mesmos. As posturas repressivas e autoritárias do governo Serra, em São Paulo, comprovam que isso não mudou. Quando o mesmo se deparou com movimentos de professores, funcionários civis e militares, estudantes, entre outros, a postura do governo tucano foi extremamente repressiva e autoritária, mostrando a sua total incapacidade de dialogar com movimentos reivindicatórios que são perfeitamente normais numa Democracia. E o apoio explícito dos tucanos ao Golpe de Estado e à Ditadura Militar hondurenha também ajuda a comprovar esse caráter extremamente conservador e reacionário do PSDB nos dias atuais.

E é claro que, nestas circunstâncias, não há como se estabelecer qualquer tipo de aliança entre o PT e o PSDB para governar o Brasil, pois ambos defendem e praticam políticas completamente distintas quando governam.


16) O artifício plebiscitário não muda essa realidade e sugere que as eleições não irão alterar o padrão fisiológico que tem marcado as administrações deste período democrático da história do Brasil.

R – Como eu já disse, foi o PSDB quem se afastou das idéias e políticas mais progressistas e democráticas, e se tornou um partido conservador e reacionário. Como o PT adota e defende idéias e políticas muito distintas das dos tucanos (e os inúmeros exemplos que citei neste texto comprovam isso) o caráter plebiscitário das eleições presidenciais, em especial, é inevitável, pois trata-se de escolher, claramente, entre dois projetos muito diferentes, tanto em termos de política interna, como em termos de política externa.


17) Pior para a democracia. Pior para o Brasil.

R – Desde quando o fato do eleitor brasileiro ter o direito de optar entre projetos políticos e sociais distintos é algo ruim? Democracia é justamente isso: o conflito entre diferentes projetos de governo e de sociedade que se confrontam e cujo resultado final é decidido pela Vossa Majestade, ou seja, pelo eleitor, que é soberano.

Link:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/26/o-artificio-plebiscitario-252588.asp