Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os desafios do PT paulista - por Luis Nassif!

Os desafios do PT paulista - por Luis Nassif

O PT traçou um diagnóstico preciso sobre a posição política da classe média paulista (veja abaixo). Havia uma herança conservadora, de Paulo Maluf, que passou para Orestes Quércia e caiu no colo do PSDB, depois de Mário Covas.

O grande desafio até 2014 será reconquistar a classe média – parte da qual já foi do PT - sem perder as classes populares.

Vamos avançar um pouco mais nessa análise.

De fato, havia uma parcela de centro-esquerda intelectualizada simpática ao PT. Esse grupo se desgarrou devido a alguns fatores-chave.

Um deles, a militância sindical na USP, muito radicalizada, que acabou desgostando a muitos intelectuais simpáticos ao PT. A Universidade ainda é grande formadora de opinião.

Outra, o episódio conhecido como "mensalão".

Finalmente, a resistência atroz a qualquer forma de sindicalismo – visão consolidada pelo trabalho diário de demonização do sindicalismo pela mídia.

A cara do PSDB

O pacto com a mídia paulista foi fundamental para a consolidação do PSDB no estado.

Numa ponta, a velha mídia com afinidade ideológica, consolidada na era Serra por uma ampliação dos negócios do Estado. Outra, a mídia radiofônica, pequenas e médias rádios, conquistadas pela ampliação vertiginosa da publicidade oficial.

Mas, por trás disso tudo, há a herança de imagem da era Mário Covas e o papel essencial desempenhado por Geraldo Alckmin. Ele é a cara do PSDB paulista, não Serra nem FHC.

Já comentei várias vezes sobre Alckmin governador. Não é gestor, pensa pequeno, não têm cabeça aberta, não tem visão estratégica, não tem critérios precisos para indicar seus secretários. Prova maior foi a escolha de João Carlos de Souza Meirelles para a Ciência e Tecnologia e, depois, sua indicação para coordenador do programa presidencial. Na última hora, tiveram que recorrer a Yoshiaki Nakano para costurar um documento de 50 páginas, porque Meirelles não conseguia sair do prefácio.

Outra, a de Arnaldo Madeira para o cargo mais importante do governo, o de Chefe da Casa Civil, substituindo Antonio Angarita. Madeira é uma cabeça burocrática, sem conhecimento de gestão, de políticas públicas e de articulação política. Colcocou a Casa Civil exclusivamente a serviço de sua reeleição. Foi responsável pela maior derrota de Alckmin – a perda da presidência da Assembleia Legislativa para Rodrigo Garcia, abrindo espaço para a ascensão de Gilberto Kassab.

Mas, do ponto de vista de partido, Alckmin é um craque, da melhor escola de Mário Covas.

O primeiro traço de sua personalidade é a lealdade partidária. A mesma que fez com que todos os líderes responsáveis do partido fossem com o Beato Salú Serra até o dilúvio, poupando-o de críticas entaladas na garganta para não implodir o partido.

Segundo, tem o sentimento do povo – no caso, a classe média paulista. É educado, discreto, faz a figura do médico de família. Sempre avalio como termômetro a escola das meninas. Dilma é odiada; Serra é tolerado; Alckmin é amado.

Contei para vocês a reação de Bibi e suas coleguinhas com a propaganda eleitoral mostrando Serra entrando em uma casa humilde, pegando a Bíblia e começando a rezar com a família. Soou falso, intrusivo, próprio de pessoas sem uma camada de verniz de educação. Alckmin jamais incorreria nessa demagogia grosseira.

Nas conversas com prefeitos do interior é possível perceber a diferença que faz um governador atencioso e educado – como Alckmin – de um casca grossa como Serra.

Além disso, mesmo limitado como gestor tem bem nítido o sentimento de responsabilidade de governante.

Em uma viagem com ele, na campanha de 2006, desabafou – numa indireta a Serra e a FHC – que jamais esqueceu a lição de Covas, de pelo menos uma vez por semana sair às ruas, misturar-se com o povo, recolher o sentimento da rua.

Esse mesmo sentido de responsabilidade se ouve em relação à sua esposa , Lu Alckmin, ao contrário de Mônica Serra que sempre se manteve ausente das ações sociais do Palácio.

Outra característica sua – que o identifica com parte da classe média paulista – é o conservadorismo entranhado. E aí se tornou um Maluf e um Serra com mais legitimidade – porque com imagem consideravelmente mais preservada do que os dois.

É conservador nos hábitos, na visão sobre segurança pública, na visão dos movimentos sociais. E tem biografia preservada, vida pessoal discreta. Enfim, tudo o que o conservador paulista queria de um governante.

O desafio do PT

Há inúmeros desafios para o PT, o maior dos quais é resolver seus próprios conflitos internos. Em São Paulo apenas Mercadante e Marta tem uma certa cara de classe média. Terá que apostar em mais quadros.

O segundo ponto é reconquistar a intelectualidade paulista, o que será possível depois do segundo turno das eleições – em que o risco Serra despertou os quadros desiludidos com o PT sobre as conquistas sociais ameaçadas. E aí o projeto Lula – a ser continuado por Dilma – é peça chave.

O grande desafio, no fundo, será a batalha da mídia – que tem nessa classe média seu último reduto.

A batalha da comunicação é que acabará decidindo essa disputa.

Link:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-desafios-do-pt-paulista#more

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