Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 31 de outubro de 2010

A capa da próxima 'Veja'!!


Vejam acima a capa da próxima edição de 'Veja'.

Colheram o que plantaram - por Kennedy Alencar!


Colheram o que plantaram - por Kennedy Alencar

Apesar de alguns erros derivados de certa soberba e de percalços sobre os quais não teve controle, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva executou com sucesso uma estratégia que traçou no começo do segundo mandato: eleger Dilma Rousseff como sucessora.

Foram eixos da estratégia não cair na tentação do terceiro mandato e apostar num plebiscito sobre os seus oito anos de governo contra os oito anos de Fernando Henrique Cardoso.

Enquanto a oposição e parte da imprensa acreditavam que Lula queria o terceiro mandato e fazia jogo de cena para esperar o melhor momento de mudar a Constituição, Dilma Rousseff ficou livre para aparecer nas vitrines positivas do governo. Se ela tivesse sido apontada candidata lá atrás, auxiliares como Erenice Guerra teriam entrado bem antes na alça de mira.

No entanto, dando o devido crédito ao chefe, Dilma ficou livre para ter o controle de todas as bandeiras positivas do governo, como conduzir as mudança da lei para explorar o pré-sal, gerenciar o programa de habitação "Minha Casa, Minha Vida" e virar a "mãe" do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

No teste de fogo da crise internacional de 2008/2009, Lula foi aprovado. Esse teste foi bem mais duro do que o rigoroso ajuste fiscal e monetário de 2003. A oposição cobrava de Lula capacidade de gerenciar a crise. E ele foi bem. Fez um rápido e certeiro diagnóstico da crise financeira internacional e de como o Brasil deveria enfrentá-la. O maior acerto: medidas para reforçar o mercado interno como forma de atravessar o deserto e compensar a queda da economia global.

Nessa estratégia vitoriosa, é justo registrar a importância da aliança PT-PMDB. Na crise do Senado, em 2009, a oposição tentou criar um racha na relação entre peemedebistas e petistas. A ideia era transformar o Senado, Casa na qual Lula sempre teve dificuldade, num bunker oposicionista. Mas Lula não jogou ao mar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Em troca, obteve uma aliança formal com todo o PMDB, o que garantiu uma máquina política ainda mais expressiva no país e um tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito para vender Dilma na hora decisiva.

O bom momento econômico favoreceu a tese de polarização PT-PSDB, apesar do susto com o desempenho de Marina Silva (PV-AC), que forçou a realização do segundo turno. Um taxa de crescimento de cerca de 7% neste ano favoreceu a defesa do continuísmo, dando gás a uma candidata tirada do bolso do colete. No contexto econômico, destacaram-se ainda as políticas de reajuste do mínimo, de ampliação do crédito, de massificação de programas sociais e de incentivo a grandes grupos nacionais considerados estratégicos e amigos.

Os principais erros da campanha não comprometeram o resultado final, mas trouxeram muita tensão ao governo na virada do primeiro para o segundo turno. A campanha de marketing de Dilma demorou a perceber a sangria de votos com o debate sobre a legalização do aborto. Gente da cúpula dava como favas contadas uma vitória no primeiro turno quando já era evidente que uma segunda etapa seria inevitável. O próprio Lula se iludiu com sua alta taxa de popularidade. Entre os percalços sobre os quais não teve controle, o principal foi a doença de Dilma em 2009.

Obtida a vitória, há também uma importante lição: a realização do segundo turno e o percentual de votos dados a Dilma não autorizam uma atitude arrogante em relação aos adversários e à imprensa, mas isso será assunto de outra coluna.

*

Ninguém ganha sozinho

Num cenário de extrema adversidade política, é surpreendente a performance de José Serra. Ele disputou a eleição contra a candidata do presidente mais popular da história recente num contexto de crescimento econômico e de transformações sociais inéditas no país. Nesse sentido, é uma derrota que não envergonha o PSDB, mas o candidato cometeu o principal erro de quem deseja conquistar a Presidência: achar que poderia se eleger sozinho.

Na primeira metade de 2009, o presidente Fernando Henrique Cardoso selou um acordo entre Serra e o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Garantidos alguns compromissos, o mineiro seria vice de Serra, que governava São Paulo naquela época.

Fiador dos compromissos, FHC testemunhou Serra rompê-los. O primeiro deles: Serra não quis participar de reuniões prévias pelo país, nas quais o PSDB ouviria seus dois pré-candidatos e depois decidiria quem disputaria o Palácio do Planalto.

Líder disparado nas pesquisas, Serra julgava a ideia uma forma de miná-lo politicamente. Mas Aécio queria uma saída para dizer ao eleitorado de Minas porque aceitaria ser vice do governador paulista. Outro compromisso era dizer com todas as letras que, se eleito, Serra patrocinaria novas mudanças constitucionais para que Aécio fosse o próximo da fila. Pelo acordo, Serra articularia a aprovação de projetos no Congresso para acabar com a reeleição e reinstituir o mandato de cinco anos. Aécio sempre demonstrou pouca crença na capacidade de, sentado no Planalto, Serra abrir mão da possibilidade de se reeleger. Mas FHC dizia a Serra que era importante que ele se comprometesse com essas alterações a fim de tranquilizar Aécio e Minas. O final dessa história é sabido.

Entre setembro e fevereiro, a folga sobre Dilma nas pesquisas deu a Serra a ilusão de que poderia ignorar os apelos para assumir a candidatura e fazer concessões a Aécio. Ele não aceitou as cobranças do PSDB e do DEM para admitir que era candidato e montou uma estrutura de campanha centralizada e distante dos aliados.

Esticou a corda até junho para tentar obter a companhia de Aécio em sua chapa, mas estava tão fraco que não teve como enfrentar a resistência dos democratas à escolha do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para vice. Ao explicar as razões de aceitar o pouco conhecido deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ) como companheiro de chapa, Serra admitiu que a questão estava encaminhada em outro sentido, mas não havia dado certo.

A biografia respeitável, a tenacidade com a qual se jogou na disputa e a assimilação de um discurso conservador que destoa de suas próprias ideias não foram suficientes para levar o tucano à vitória. Serra quis ganhar sozinho. A exemplo de Lula, colheu o que plantou.
Kennedy Alencar

Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha.com e repórter especial da Folha em Brasília.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/kennedyalencar/823560-colheram-o-que-plantaram.shtml

Três mitos sobre a eleição de Dilma - por Marcos Coimbra!


Três mitos sobre a eleição de Dilma - Marcos Coimbra - 31 de outubro de 2010

Marcos Coimbra desfaz falsas análises a respeito da eleição da petista

Enquanto o País vai se acostumando à vitória de Dilma Rousseff, uma nova batalha começa. Nem é preciso sublinhar quão relevante, objetivamente, é o fato de ela ter vencido a eleição, nas condições em que aconteceu. Ela é a presidente do Brasil e, contra este fato, não há argumentos.

Sim e não. Porque, na política, nem sempre os fatos e as versões coincidem. E as coisas que se dizem a respeito deles nos levam a percebê-los de maneiras muito diferentes.

Nenhuma versão muda o resultado, mas pode fazer com que o interpretemos de forma equivocada. Como consequência, a reduzir seu significado e lhe diminuir a importância. É nesse sentido que cabe falar em nova batalha, que se trava em torno dos porquês e de como chegamos a ele.

Para entender a eleição de Dilma, é preciso evitar três erros, muito comuns na versão que as oposições (seja por meio de suas lideranças políticas, seja por seus jornalistas ou intelectuais) formularam a respeito da candidatura do PT desde quando foi lançada. E é voltando a usá-los que se começa a construir uma versão a respeito do resultado, como estamos vendo na reação da mídia e dos “especialistas” desde a noite de domingo.

O “economicismo” – O primeiro erro a respeito da eleição de Dilma é o mais singelo.

Consiste em explicá-la pelo velho bordão “é a economia, estúpido!”
É impressionante o curso que tem, no Brasil, a expressão cunhada por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, quando quis deixar clara a ênfase que propunha para o discurso de seu cliente nas eleições norte-americanas de 1992. Como o país estava mal e o eleitorado andava insatisfeito com a economia, parecia evidente que nela deveria estar o foco do candidato da oposição.

Era uma frase boa naquele momento, mas só naquele. Na sucessão de Clinton, por exemplo, a economia estava bem, mas Al Gore, o candidato democrata, perdeu, prejudicado pelo desgaste do presidente que saía. Ou seja, nem sempre “é a economia, estúpido!”

Aqui, as pessoas costumam citar a frase como se fosse uma verdade absoluta e a raciocinar com ela a todo momento. Como nas eleições que concluímos, ao discutir a candidatura Dilma.

É outra maneira de dizer que os eleitores votaram nela “com o bolso”.
Como se nada mais importasse. Satisfeitos com a economia, não pensaram em mais nada. Foi o bolso que mandou.

Esse reducionismo está equivocado. Quem acompanhou o processo de decisão do eleitorado viu que o voto não foi unidimensional. As pessoas, na sua imensa maioria, votaram com a cabeça, o coração e, sim, o bolso, mas este apenas como um elemento complementar da decisão. Nunca como o único critério (ou o mais importante).

A “segmentação” – O segundo erro está na suposição de que as eleições mostraram que o eleitorado brasileiro está segmentado por clivagens regionais e de classe. Tipicamente, a tese é de que os pobres, analfabetos, moradores de cidades pequenas, de estados atrasados, votaram em Dilma, enquanto ricos, educados, moradores de cidades grandes e de estados modernos, em Serra.

Ainda não temos o mapa exato da votação, com detalhe suficiente para testar a hipótese. Mas há um vasto acervo de pesquisas de intenção de voto que ajuda.

Por mais que se tenha tentado, no começo do processo eleitoral, sugerir que a eleição seria travada entre “dois Brasis”, opondo, grosso modo, Sul e Sudeste contra Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os dados nunca disseram isso. Salvo no Nordeste, as distâncias entre eles, nas demais regiões, nunca foram grandes.

Também não é verdade que Dilma foi “eleita pelos pobres”. Ou afirmar que Serra era o “candidato dos ricos”. Ambos tinham eleitores em todos os segmentos socioeconômicos, embora pudessem ter presenças maiores em alguns do que em outros.

As diferenças no comportamento eleitoral dos brasileiros dependem mais de segmentações de opinião que de determinações materiais. Em outras palavras, há tucanos pobres e ricos, no Norte e no Sul, com alta e com baixa escolaridade. Assim como há petistas em todas as faixas e nichos de nossa sociedade.

Dilma venceu porque ganhou no conjunto do Brasil e não em razão de um segmento.

O “paternalismo” – O terceiro erro é interpretar a vitória de Dilma como decorrência do “paternalismo” e do “assistencialismo”. Tipicamente, como pensam alguns, como fruto do Bolsa Família.

Contrariando todas as evidências, há muita gente que acha isso na imprensa oposicionista e na classe média antilulista. São os que creem que Lula comprou o povo com meia dúzia de benefícios.

As pesquisas sempre mostraram que esse argumento não se sustenta. Dilma tinha, proporcionalmente, mais votos que Serra entre os beneficiários do programa, mas apenas um pouco mais que seu oponente. Ou seja: as pessoas que tinham direito a ele escolheram em quem votar de maneira muito parecida à dos demais eleitores. Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, os candidatos do PSDB aos governos estaduais foram eleitos com o voto delas.

Os três erros têm o mesmo fundamento: uma profunda desconfiança na capacidade do povo. É o velho preconceito de que o “povo não sabe votar” que está por trás do reducionismo de quem acha que foi a barriga cheia que elegeu Dilma. Ou do argumento de que foram o atraso e a ignorância da maioria que fizeram com que ela vencesse. Ou de quem supõe que a pessoa que recebe o benefício de um programa público se escraviza.

É preciso enfrentar essa nova batalha. Se não, ficaremos com a versão dos perdedores.

Marcos Coimbra

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.

Link:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/tres-mitos-sobre-a-eleicao-de-dilma#more

O discurso de Dilma (na íntegra)!!


A fala de Dilma (na íntegra)!!

Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.

Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.

Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.

Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.

Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.

Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.

O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.

É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.

A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.

Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.

Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.

Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.

Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.

Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.

Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.

Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.

É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.

Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.

Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.

Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.

Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.

Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.

Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.

União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada,

Link:

http://www2.tijolaco.com/29812

O Brasil de Dilma: mãos à obra - por Laurindo Leal Filho!


O Brasil de Dilma: mãos à obra - Laurindo Leal Filho, na Agência Carta Maior

O Brasil vive sob o descompasso existente entre os avanços econômicos e culturais alcançados nos últimos oito anos e um sistema político arcaico, perpetuador de privilégios. Governos comandados por presidentes populares sempre foram fustigados por essas estruturas arcaicas. Lula não foi exceção e só sobreviveu graças a sua incontestável habilidade política. Daí o seu empenho em, além de eleger a sucessora, dar a ela a possibilidade de governar com um Congresso menos hostil. O Brasil precisa de uma Reforma Política para a nossa democracia avançar. Mas ela não terá efeitos práticos se os meios de comunicação seguirem tendo o absurdo papel político-eleitoral de hoje. O artigo é de Laurindo Leal Filho.

Laurindo Leal Filho

A vitória de Dilma Roussef é um recado da sociedade às forças conservadoras que tentaram, por vários meios, impedir que isso acontecesse. Entre eles destaque-se os meios de comunicação, transformados em partido político, sem base social mas ainda com grande poder persuasivo.

Foram eles os responsáveis pela realização do segundo turno em 2006
e 2010. Sem mandato, julgam-se no direito absoluto de impor à sociedade suas visões de mundo, defendendo interesses restritos à classe social da qual são parte e porta-vozes. Trata-se de uma distorção incompatível com o
jogo democrático. O presidente Lula disse, em excelente entrevista à
Carta Maior (com Página 12, da Argentina e La Jornada, do México),
estar decidido a se empenhar, fora do governo, no trabalho de "primeiro convencer o meu partido de que a reforma política é importante, (...) e depois, convencer os partidos aliados de que a reforma política é importante. Se tivermos maioria, poderemos votar a reforma política, eu diria, nos próximos dois anos".

Tarefa imprescindível, sem dúvida. O Brasil vive sob o descompasso existente entre os avanços econômicos e culturais alcançados nos últimos oito anos e um sistema político arcaico, perpetuador de privilégios. Executivos comandados por presidentes populares, afinados com as aspirações maiores da sociedade, tiveram sempre a fustigá-los interesses mesquinhos articulados por máquinas políticas instaladas no legislativo, mais suscetível ao voto não-ideológico. Situações geradoras de crises históricas que levaram, por exemplo, Getúlio à morte e Jango ao exílio.

Lula não foi exceção e só sobreviveu graças a sua incontestável habilidade política. Daí o seu empenho em, além de eleger a sucessora, dar a ela a possibilidade de governar com um Congresso menos hostil. Talvez essa tenha sido a maior exasperação da mídia ao perceber que muitos dos seus aliados e representantes tradicionais não voltariam, como não voltarão, à Câmara e ao Senado no ano que vem.

No entanto, o país não pode mais ficar à mercê das circunstâncias de ter, como hoje, um presidente disposto a enfrentar nas urnas esses adversários. Para isso são necessárias novas formas, modernas e democráticas, de se fazer política no Brasil. Financiamento público de campanha, equilíbrio nas representações parlamentares estaduais na Câmara e voto em lista, distrital ou misto, são pontos de partida para a discussão proposta pelo presidente Lula.

Mas a reforma não terá efeitos práticos se os meios de comunicação seguirem tendo o absurdo papel político-eleitoral de hoje. Não há democracia que resista por muito tempo ao poder que tem quatro famílias de estabelecer a agenda política nacional. Derrotadas, graças à força de um governo que as superou nas ruas e nas praças, nada garante que não voltem ainda mais dispostas a apoiar - como já fizerem em outras oportunidades - aventuras golpistas.

Não é tarefa fácil. Exige alta dose de competência e muito sangue frio. Qualquer ação corretiva nessa área é chamada de censura por aqueles que defendem seus privilégios com unhas e dentes. Se arvoram senhores da liberdade de expressão, de falarem o que querem, obrigando todos os demais ao mutismo.

Com a força das urnas, o novo governo pode acelerar algumas das iniciativas esboçadas na gestão que se encerra. A mais urgente é dar
ordenação legal ao setor da radiodifusão, verdadeira terra de ninguém,
sem lei e sem ordem. O governo Lula deixará para a presidente Dilma o
embrião desse projeto calcado nas experiências mais avançadas existentes hoje em todo o mundo e, claro, sintonizadas com a realidade brasileira. Não é possível seguirmos, na era da digitalização e da crescente convergência dos meios, com leis que tratam separadamente as telecomunicações e a radiodifusão. E, esta, além disso datada de 1962, época da chegada do vídeo-tape e da TV em preto e branco.

Quando o mundo convergia suas legislações para adaptar os marcos
legais a realidade tecnológica, o Brasil no governo tucano as separava
para permitir a privatização das telefônicas e preservar os privilégios dos radiodifusores. Está mais do que na hora de acabar com isso.

Cabe lembrar que já em 2007, o documento final do 3º Congresso
Nacional dos Partidos dos Trabalhadores propunha "a imediata revisão
dos mecanismos de outorga de canais de rádio e TV, concessões públicas
que vêm sendo historicamente tratadas como propriedade absoluta por
parte das emissoras de radiodifusão. Esta atualização passa pelo
cumprimento da Lei, haja vista a flagrante ilegalidade em diversas
emissoras, por maior transparência e agilidade nos processos e pela
criação de critérios e mecanismos para que a população possa avaliar e
debater não somente a concessão, mas também a renovação de outorgas".

O PT deve se juntar à luta da sociedade organizada para concretizar os preceitos da Constituição Federal de 1988 que estabelecem a proibição do monopólio na mídia e definem como finalidade do conteúdo veicular a educação, a cultura e a arte nacionais.

Que tal começar já, discutindo e aprofundando essas questões no período de transição do governo Lula para o governo Dilma? Passo fundamental nesse sentido é dotar o Ministério das Comunicações de transparência absoluta, aberto à sociedade e aos seus reclamos quanto, por exemplo, a qualidade dos serviços prestados pelas empresas de rádio, televisão e telefonia. Tornando-o partícipe da elaboração e encaminhamento de projetos de lei voltados para a democratização das comunicações, hoje restritos a outras àreas de governo, como as Secretarias Especiais de Direitos Humanos e de Comunicação da Presidência da República.

Mas um novo Ministério das Comunicações é apenas parte do enfrentamento do problema. Por se tratar de questão-chave para a democracia a empreitada deve ser vista como prioridade absoluta do governo como um todo. Só assim haverá massa crítica e força suficientes para avançarmos no projeto nacional de banda larga oferecido por sistema público, acabarmos com a propriedade cruzada dos meios de comunicação, ampliarmos a abrangência de cobertura da TV Brasil e das emissoras de rádio da EBC, garantirmos a aplicação do dispositivo constitucional referente a obrigatoriedade de um percentual de programas regionais na televisão, criarmos uma agência reguladora para os serviços de radiodifusão capaz de, por exemplo, coibir a violação constante dos direitos humanos cometidos no rádio e na TV, entre tantas outras tarefas urgentes.

Sem esquecer a necessidade, prioritária, de impulsionarmos a existência de um grande jornal diário nacional, capaz de oferecer ao brasileiro uma outra visão de mundo, comprometida com a solidariedade e a justiça social, como fazia a Última Hora na metade do século passado.

Vamos buscar aquilo que de melhor o século 20 nos legou para, com a distribuição mais justa e acessível das novas tecnologias, passarmos a oferecer melhor não só as nossas riquezas materiais, mas também nossos preciosos bens simbólicos, fundamentais para a elevação do grau de civilidade do nosso país.

Link:


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17145

Dilma é eleita a primeira mulher presidente do Brasil!!


Dilma é eleita a primeira mulher presidente do Brasil

da Folha.com

Dilma Rousseff (PT) é a primeira mulher presidente do Brasil, segundo o Datafolha.

Com 80,66% dos votos apurados, a candidata petista alcançou até o momento 54,22% dos votos válidos e tem 44,2 milhões de votos. O tucano José Serra tem 37,4 milhões, com 45,78%

A abstenção gira em torno de 20,9%.

O eleitorado brasileiro é de 135 milhões de pessoas.

Veja trajetória de Dilma Rousseff, primeira mulher presidente do Brasil

CANDIDATURA

Ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, Dilma foi alçada já em 2008 à condição de candidata pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que começou então a dar as primeiras indicações de que gostaria de ver uma mulher ocupando o posto mais importante da República.

Em 31 de março deste ano, Dilma deixou a Casa Civil para entrar na pré-campanha.

Cresceu nas pesquisas e chegou a ter mais de 50% dos votos válidos em todas elas, mas começou a oscilar negativamente dias antes do primeiro turno, após a revelação dos escândalos de corrupção na Casa Civil e da entrada do tema do aborto na campanha.

Logo no primeiro debate do segundo turno, reagiu aos ataques que vinha sofrendo e contra-atacou Serra. A partir daquele momento, a diferença entre os dois candidatos nas pesquisas parou de cair.

Dilma se torna neste domingo o 40º presidente da República brasileira.
Sérgio Moraes/Reuters

NOME FORTE

Dilma tornou-se um nome forte para disputar o cargo ao assumir o posto de ministra-chefe da Casa Civil, em junho de 2005, após a queda de José Dirceu no escândalo do mensalão.

No comando da Casa Civil, Dilma travou uma intensa disputa com o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, por causa da política econômica do governo. Enquanto ele defendia aperto fiscal, ela pregava aceleração nos gastos e queda nos juros.

Dilma acabou assistindo à queda de Palocci, em março de 2006, devido à quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Com a reeleição de Lula e sem grandes rivais à altura no PT, Dilma tornou-se, depois do presidente, o grande nome do governo.

Apesar do poder acumulado e do protagonismo que passou a exercer ao lado de Lula, até outubro de 2007 Dilma negava que seria candidata.

MINAS E ENERGIA

Sua atuação à frente do Ministério de Minas e Energia rendera-lhe a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enxergou na subordinada, de perfil discreto e trabalhador, a substituta ideal para o posto de Dirceu.

Ela foi indicada para o ministério logo após Lula se tornar presidente, em 2002. No comando da pasta, anunciou novas regras para o setor elétrico além de lançar o programa Luz para Todos --uma das bandeiras de sua candidatura.

O novo marco regulatório para o setor elétrico --lançado em 2004-- foi considerado a primeira iniciativa do governo Lula, na área de infra-estrutura, de romper com os padrões do governo FHC, marcado pelo "apagão" de 2001.

A principal característica do novo marco foi o aumento do poder do Estado em detrimento da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

ORIGEM

O pai de Dilma, Pedro Rousseff, veio para a América Latina na década de 30 do século passado. Viúvo, deixara um filho, Luben, na Bulgária. Passou por Salvador, Buenos Aires e acabou se instalando em São Paulo. Fez negócios na construção civil e com empreitadas para grandes empresas, como a Mannesmann.

Já estava havia cerca de dez anos no Brasil quando, numa viagem a Uberaba, conheceu a professora primária Dilma Jane Silva, nascida em Friburgo (RJ), mas radicada em solo mineiro. Casaram-se e tiveram três filhos. Igor nasceu em janeiro de 1947, Dilma, em dezembro do mesmo ano, e Zana, em 1951. A família escolheu Belo Horizonte para morar.

Levavam uma vida confortável. Passavam férias no Espírito Santo ou no Rio. Às vezes, viajavam de avião. Não era uma clássica família tradicional mineira. Os filhos não precisavam ter uma religião. Escolhiam uma fé se assim desejassem. O pai frequentava cassinos, gostava de fumar e beber socialmente.

Quando morreu, em 1962, Pedro deixou a família numa situação tranquila. Cerca de 15 bons imóveis garantem renda para a viúva Dilma Jane até hoje. Um dos apartamentos fica no centro de Belo Horizonte.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/823437-dilma-e-eleita-a-primeira-mulher-presidente-do-brasil.shtml

Boca de urna do Ibope mostra Dilma com 57% e Serra com 43%!!


Boca de urna do Ibope mostra Dilma com 57% e Serra com 43%

da Folha.com

A pesquisa de boca de urna apurada pelo Ibope neste domingo trará Dilma Rousseff à frente do tucano José Serra com folga. Segundo a Folha apurou, Dilma recebeu 57% dos votos e Serra, 43%.

No primeiro turno, o Ibope apontava indefinição do quadro. No dia 3 de outubro, a petista recebeu 51% das intenções de voto. José Serra obteve 30%. A eleição acabou indo para o segundo turno.

O resultado deve ser divulgado a partir das 19h de Brasília --quando termina a votação no Acre-- pelo instituto e pela TV Globo.

DILMA

Dilma participou na manhã deste domingo de um café da manhã em Porto Alegre com cerca de 150 líderes políticos das coligações que a apoiaram no Rio Grande do Sul. Por volta das 9h15, ela votou em uma escola, no centro da cidade.

Ao discursar para os correligionários, no hotel Plaza São Raphael, a candidata lembrou que ontem esteve em Minas, onde nasceu, e que hoje foi ao Estado onde fez sua trajetória política. "É como se eu fizesse a trajetória política da minha vida. Aqui fui recebida quando saí das prisões da ditadura".

Dilma afirmou que é um "bálsamo para a alma terminar a caminhada" entre companheiros políticos e amigos.

Ao fazer um balanço para os jornalistas, a candidata disse preferia enfatizar os "bons episódios" da campanha. Questionada se poderia chamar a oposição para seu governo, ela afirmou que pretende governar com a coligação, mas para todos os brasileiros.

"A minha coligação, que me trouxe até aqui, é a coligação com a qual vou governar. Vou governar para todos, conversarei com todos os brasileiros".

SERRA

Serra votou por volta das 11h30 deste domingo no Colégio Santa Cruz, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo).

Segundo o tucano, o povo vota, escolhe e decide. "O que vamos fazer agora é aguardar essa decisão. Se motivação houve para essa batalha desigual, o elemento fundamental é a confiança que eu sentia nas ruas, no abraço das pessoas."

Ele disse torcer para que hoje, além da "beleza da democracia", haja também a "beleza da alternância do poder".

Na saída, um manifestante, estudante de ciências sociais, mostrava um cartaz com os dizeres: "Serra, o papa é contra a camisinha no combate à Aids?"

Serra votou acompanhado de sua mulher, Mônica, e de seus companheiros de coligação: o governador eleito, Geraldo Alckmin (PSDB), o atual governador Alberto Goldman (PSDB), o prefeito da Capital, Gilberto Kassab (DEM), e o senador eleito por São Paulo Aloysio Nunes (PSDB).

Depois de confirmar seu voto, ele posou para fotos acompanhado dos netos --Antonio e Gabriela--, fazendo com as mãos o gesto que simboliza a vitória.

No primeiro turno, o candidato votou no começo da tarde e estava acompanhado de seu vice, Indio da Costa (DEM-RJ).

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/823381-boca-de-urna-do-ibope-mostra-dilma-com-57-e-serra-com-43.shtml

Paulo Moreira Leite: PSDB sai da campanha muito mais direitista!


Paulo Moreira Leite: PSDB sai da campanha muito mais direitista! - no Vermelho

Qualquer que seja o resultado das urnas, amanhã, nesta campanha eleitoral o PSDB ficou longe daquela posição centrista que chegou a ocupar na política brasileira, entre o PT, na vizinhança do PMDB e à esquerda do DEM e do PP. Na evolução dos confrontos e da luta pelo voto na campanha presidencial de 2010, os tucanos assumiram um discurso conservador puro e duro, doutrinário, como nunca se viu em sua história.

por Paulo Moreira Leite, em sua coluna "Vamos Combinar" no site da revista Época
Caminhando pelo centro de São Paulo, ontem, assisti a uma manifestação de leitores de José Serra que saiu do Largo São Francisco e chegou a Praça da República. Foi um cortejo com milhares de pessoas. Entre funcionários públicos, o baixo clero e o alto clero da administração do governo paulista, de autarquias e empresas ligadas ao governo, você podia ver aqueles cidadãos comuns que compõem o tucano imaginário que nem sempre se pode avistar.

Depois que o governo Lula atraiu a quase totalidade do movimento sindical para apoiar seu governo, inclusive a Força Sindical, criada com ajuda de empresários paulistas, de Fernando Collor e convênios amigos nos tempos de FHC, o PSDB nunca mais foi capaz de fazer uma mobilização popular, com aquela massa de cidadãos do universo D e E das grandes cidades.

No ato de ontem, estavam cidadãos de classe média, homens e mulheres que se deram ao trabalho de sair de casa numa sexta-feira para participar de um ato político. Pude reconhecer líderes de entidades empresariais, médicos, jornalistas, profissionais liberais, alguns artistas. Algumas pessoas estavam bem vestidas, de chapéu para enfrentar o sol. Em número suficiente para serem notadas no meio do cortejo que atravessava a Barão de Itapetininga a caminho da Praça da Republica, senhoras usavam lenços estampados em volta do pescoço, numa elegancia que se vê também pelas ruas de Higienópolis e dos Jardins.

O ato foi convocado para manifestar apoio a José Serra mas muitos estavam ali basicamente para combater Dilma Rousseff. Essa foi, sem dúvida, a principal bandeira do PSDB na campanha presidencial de 2010. Os tucano se tornaram uma legenda do contra.

Minha avaliação é que Serra não conseguiu exibir um projeto de país ao longo da campanha. Exibiu fragmentos. Mostrou realizações como governador e como ministro. Mas não definiu um retrato, uma mensagem positiva para 140 milhões de pessoas. Fez uma campanha concentrada em sua personalidade, numa comparação de competênciais pessoais, quase técnicas.

FHC compareceu à passeata de ontem mas esteve ausente ao longo da campanha. Essa decisão pode explicar-se pelas pesquisas que demonstram a baixa popularidade do ex-presidente e pelo esforço de Serra em apagar suas diferenças em relação a Lula. Mas deixou Serra sem lastro.

Alguns integrantes do PSDB culpam o marketing. Eu acho ingenuidade. A questão não é de publicidade, mas de linha política. Não consigo imaginar que Luiz Gonzalez pudesse levar ao ar um anúncio de 30 segundos que não fosse a expressão do pensamento de Serra.

Numa ruptura com uma história moderada, de quem era uma típica legenda de centro-esquerda, na campanha presidencial o PSDB se tornou adversário estridente de Lula, Dilma e do PT. Uma das palavras do ato no centro de São Paulo era defender a democracia – uma forma nada sutil de dizer que ela se encontra em risco, o que é um pouco deselegante em pleno processo eleitoral num país que hospeda o mais amplo regime de liberdades de sua história.

Parecia natural, para muitos eleitores com quem conversei, que ali se falasse que o país estava sob ameaça de cair numa ditadura de esquerda ou pelo menos sob um regime autoritário. Referindo-se às críticas do governo Lula à midia, uma professora de Direito chegou a me dizer que durante a campanha Dilma começara um “movimento para fechar os jornais.” Ouvi a reclamação de que a candidata do PT tem “orgulho” por sua participação na resistência armada ao regime militar, em vez de demonstrar “arrependimento” pelo que fez, o que seria muito mais do que um balanço critico do período. Um funcionário de banco reclamou que o vice Indio da Costa foi patrulhado quando falou das ligações do PT com as FARC e sustentou que o fato das duas siglas participarem de um mesmo parque jurássico da esquerda sul-americana (o Forum São Paulo) demonstra tais ligações. Combate-se a discriminalização do aborto com argumentos que colocam convicções sobre o tema acima dos direitos de escolha de cada mulher. Pergunto sobre a importancia da economia e da distribuição de renda na definição do voto. “Aceito que uma pessoa que recebeu benefícios nesta época vote na Dilma. racional,” me dizem. “Mas e o outros? ”

PT e PSDB nasceram em épocas diferentes da nossa história política, mas tiveram uma origem comum nos meios universitários e, em especial, na mobilização democrática que deu fim à ditadura militar. Lula fez campanha para eleger FHC no senado. A sigla tucana quer dizer: “Partido da Social Democracia Brasileira”. Num tempo em que o PT se proclamava socialista e tinha horror a assumir uma visão que em seu vocabulário remetia a pecados como reformismo e adesão a valores do capitalismo, os tucanos eram os baluartes da moderação. Seu universo era a centro-esquerda enquanto o PT era a esquerda. Personalidades como Franco Montoro lhe davam um parentesco com a Democracia Cristã chilena, aliada história do PS naquele país. Em 2010, o partido consumou um processo de quem reescreve a historia, redefine valores, alianças e posturas.

Qualquer que seja o resultado das urnas, amanhã, nesta campanha eleitoral o PSDB ficou longe daquela posição centrista que chegou a ocupar na política brasileira desde seu nascimento, entre o PT, na época muito mais à esquerda do que hoje, na vizinhança do PMDB e à esquerda do DEM e do PP. Na evolução dos confrontos e da luta pelo voto na campanha presidencial de 2010, os tucanos assumiram um discurso conservador puro e duro, doutrinário, como nunca se viu em sua história.

Em passado pouco distante, o PSDB se apresentava como a representação nacional da “modernidade” — em contraposição ao “atraso” na célebre formulação de Sergio Buarque de Hollanda que se tornou uma espécie de mantra tucano para se opor à esquerda em geral e ao PT em particular, embora o pai da idéia tenha assinado o manifesto de fundação petista. Desse ponto de vista, o PSDB seria expressão de uma cultura cosmopolita e tolerante, respeito pelas diferenças, favorável às liberdades do indivíduo e de sua autonomia para tomar decisões, fazer opções e organizar a vida. O ponto de partida dessa visão de mundo é emancipar a pessoa de imposições que falam em nome do coletivo, da sociedade e do Estado.

Em 2010 o partido agarrou-se ao extremismo católico e evangélico para buscar votos numa postura de quem dispensa a separação entre Igreja e Estado. Serra encerrou seu programa eleitoral com imagens de Bento XVI, representante da facção mais retrógrada da Igreja. Bispos veteranos como dom Angélico Sandalo Bernardino, aliado fidelíssimo de Mario Covas em outros tempos, protetor de mobilizações operárias quando os sindicatos eram perseguidos, porta-voz da fatia mais popular da Igreja, pedia votos para Dilma Rousseff.

Num partido que foi berço de boa parte das lutas pelos direitos da mulher, a campanha tucana abrigou e estimulou um debate em torno do aborto que foi muito além de um confronto politico, com a criação de um ambiente de inquisição em que a adversária deveria “confessar” maus pensamentos ou arder nas chamas da intolerância. A partir daquele episódio que a crônica da campanha registrará como “o caso da bolinha de papel ” o PSDB tentou convencer o eleitorado de que o adversário é uma sigla intolerante e adepta de métodos violentos. Em poucos dias, o assunto inspirou uma competição de vídeos anti-Serra pela internet.

Criticada por esconder as bandeiras do partido e fugir de sua história, evitando aparições do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que provocaram queixas gerais no partido, a campanha de José Serra chegou ao fim da corrida eleitoral com um perfil bem diferente daquilo que o candidato exibiu na maior parte de sua carreira e também no início da campanha, quando se apresentava — um típico muro tucano, poderia observar um adversário — como uma espécie de continuação heteredoxa do governo Lula. Entrevistei a atriz Fernanda Montenegro numa festa de lançamento da novela Passione, ainda no primeiro turno. Perguntada sobre a eleição, ela deu uma resposta que resumia a visão de muitas pessoas naquele momento: se disse muito feliz porque o Brasil poderia optar por três candidaturas de esquerda. (Marina Silva era a terceir integrante do grupo).

Essa mudança é a questão que irá acompanhar o PSDB em seu futuro próximo e distante. Os tucanos fizeram campanhas diferentes no plano estadual e federal. Na campanha de Geraldo Alckmin, avalia-se que a campanha presidencial poderia ter obtido resultados melhores se não tivesse sido tão extremista. Critica-se a insistência em levantar a questão do aborto, assunto que muitos eleitores, mesmo religiosos, preferem nem comentar em suas vidas privadas — muito menos na campanha. Ouve-se, também, condenações aos ataques mais duros ao governo Lula, como no caso da bolinha de papel. Estas diferenças não são novas e não terão importancia até a contagem de votos, amanhã à noite. Os rumos desse debate serão definidos, obviamente, pelo resultado da campanha presidencial.

Fonte: Época

Link:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=140535

Candidatura de Dilma concentra lutas históricas do povo brasileiro - por Rodrigo Vianna!


Dilma representa luta que “vem de longe” - por Rodrigo Vianna!

Café da manhã no dia histórico

Serra não deu as caras pela manhã nesse dia decisivo. Ele prefere a noite e as sombras. Dilma começou a jornada com um café-da-manhã simbólico em Porto Alegre: ao lado de Alceu Collares (PDT), Olívio Dutra e Tarso Genro (PT). Já escrevi aqui que Dilma é o reencontro do PT com o trabalhismo de origem varguista.

Depois de lutar contra a ditadura em organizaçções de esquerda marxista, Dilma optou pelo PDT quando a democracia voltou, nos aos 80. Esteve ao lado de Brizola, foi secretária de Alceu Collares no governo gaúcho. E não renega essa história, assim como não renega o passado de resistência à ditadura.

Brizola, esse grande brasileiro, costumava dizer: “venho de longe, de muito longe”. A frase tinha um sentido duplo: ele queria dizer que vinha de uma cidadezinha lá do interior gaúcho, e ao mesmo tempo que representava uma corrente de lutas enraizada no imaginário popular. Era um contraponto ao PT – que na época imaginava que as lutas populares no Brasil tinham começadao em 79, com as greves do ABC.

Dilma vem de longe, sim!

Dilma representa as lutas sociais do Brasil, e poderíamos ir buscar esse fio da história lá nas lutas anti-coloniais e anti-escravistas – de Tiradentes e Zumbi. Mas fiquemos no passado mais recente. Dilma é o tenentismo que lutou contra a República Velha. Dilma é o trabalhismo de esquerda. Dilma é o nacionalismo de Vargas – com Petrobrás, BNDES e o fortalecimento do Estado. Não é à toa que o ódio da elite anti-nacional contra Vargas tenha reaparecido agora com o ódio contra Lula e Dilma.

A candidata petista vem de muito longe.

Dilma é a Campanha da Legalidade em 61 – movimento em que Brizola resistiu contra o golpe, entricheirando-se no Palácio do Piratini e convocando a Rede da Legalidade.

Dilma é Luiz Carlos Prestes. Dilma é Arraes. Dilma é Francisco Julião e suas Ligas Camponesas.

Dilma é a resistência ao Golpe de 64, a resistência à ditadura e ao AI-5. Dilma é Lamarca, é Marighella e a esquerda de armas na mão contra a ditadura. Mas Dilma é também o MDB de Ulysses e da luta pela democracia formal. Nos anos 70, parecia que essa duas vertentes não iriam se encontrar nunca. Mas elas se encontraram!

Dilma é a greve de 79. Dilma é Vila Euclides. Dilma é a Campanha das Diretas e a Constituição cidadã de 88.

Dilma é Brizola. Dilma é Lula.

Dilma vem de longe. Concentra em sua candidatura lutas históricas do povo brasileiro. Dilma é a defesa de um legado de 8 anos. Defesa de um governo que teve, sim, muitos erros. Mas significou um avanço tremendo nesse país de tradição oligárquica e conservadora.

Dilma é a retomada do fio da história do Brasil. Um fio interrompido em 64. Dilma é o MST e as centrais sindicais. Dilma é o Brasil dos movimentos sociais, da luta contra concentração de terra e renda, contra a concentração da informação na mão de meia dúzia de famílias.

É importante eleger uma mulher – sim! Importantíssimo, e nos próximos dias poderemos avaliar isso melhor. Mas Dilma não é simplesmente “mulher”. É uma brasileira que ousou lutar contra a ditadura, em organizações clandestinas. Isso a velha elite não perdoa. É uma marca tão forte quanto os quatro dedos do operário que nunca será aceito na velha turma.

Dilma vem de longe. Dilma não é uma “invenção do Lula”. Dilma concentra a esperança de um Brasil mais justo.

Nesse dia histórico, depois de uma campanha exaustiva e lamentável por parte da direita, é preciso ainda estar atento. Porque do outro lado há gente que também vem de longe.

Serra representa o golpismo de Lacerda, Olympio Mourão, das marchas com Deus e a família. Serra é a concentração de renda dos militares, Serra é a ditadura. Infelizmente, jogou no lixo sua história somando-se ao que há de pior na história brasileira.

Serra vem de longe também. Serra é o liberalismo de FHC, Serra é o desmonte do Estado, Serra é Brasil dos anos 90 que se ajoelhava diante dos EUA, e que desprezava a unidade latino-americana.

Serra é um Brasil que vem de longe nos grandes e pequenos golpes contra a democracia. Por isso, é preciso estar atento nessa dia decisivo. Atento às urnas, aos boletins de urna, à fiscalização das urnas.

Votar em Dilma é votar num país que vem de longe. E que pode chegar muito mais longe nas próximas décadas.

Link:

http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/dilma-representa-a-luta-que-vem-de-longe.html#more-4805

Jingle Dilma

Segundo turno confirma, quase sempre, resultado do primeiro turno! - por Marcos Coimbra


Segundo turno - De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Introduzido em nossa cultura política pela Constituição de 1988, o segundo turno nas eleições para o Executivo foi uma bem-vinda inovação. Nunca o havíamos tido e fazia falta.

No presidencialismo, é bom para a saúde democrática e o funcionamento cotidiano do sistema político que os detentores dos principais mandatos executivos sejam eleitos com o respaldo da maioria. Esse foi o principio que adotamos em 1988, estabelecendo que, para ocupar os cargos de presidente, governador, prefeito de capital e de cidade grande (as que ultrapassam 200 mil eleitores) é necessário receber mais da metade dos votos válidos.

Se um candidato a obtiver de uma vez, tanto melhor, e fica dispensado de voltar ao escrutínio dos eleitores à procura do que lhe faltou. Se não, os dois mais bem colocados se enfrentam de novo. Com a opção limitada, os eleitores acabam dando a um a proporção necessária.

Para selecionar o presidente, não são todos os países democráticos do mundo que seguem essa regra (ela inexiste, por exemplo, nos Estados Unidos, onde, formalmente, o ocupante da Casa Branca é escolhido pelo voto indireto de delegados estaduais, reunidos em um Colégio Eleitoral). Nem em todos que a adotam ela é igual. (Aqui perto na Argentina, por exemplo, não é preciso atingir 50% dos votos mais um, bastando a um candidato alcançar 45% dos votos válidos e, se conseguir uma vantagem de 10% ou mais sobre o segundo colocado, ter apenas 40%).

Nos 20 anos entre 1988 e 2008, tivemos mais de uma centena de eleições em que houve dois turnos. Contando todas, vemos que a vasta maioria apenas referendou o resultado do primeiro turno. Nelas, a nova eleição não mudou o desejo expresso anteriormente pela maior parte dos votantes. Quem teve mais votos no primeiro acabou prevalecendo no segundo.

Isso não invalida a instituição da escolha em dois turnos. De um lado, ela continua a servir como garantia de que um governante não chegue ao poder com o endosso de uma pequena parcela do eleitorado, algo que pode ser improvável, mas não é impossível (em um sistema multipartidário caótico como o nosso, menos ainda). De outro, algumas das poucas “viradas” que tivemos nesses 20 anos foram suficientemente importantes para justificar que a tenhamos adotado.

Nossa história política recente seria muito diferente se, por exemplo, Mario Covas tivesse sido derrotado por Maluf logo no primeiro turno da eleição para governador de São Paulo em 1998. O estado ficaria com um governador apoiado por apenas 22% dos eleitores e o PSDB não começaria seu ciclo de 20 anos à frente do Palácio dos Bandeirantes.

Nas cinco eleições presidenciais modernas, tivemos por três vezes um segundo turno e nunca uma virada. Collor e Lula, nas duas vezes em que venceu, só fizeram maioria voltando à disputa, mas confirmaram a dianteira com que saíram do primeiro turno.

Os governantes que se elegem em segundo turno deveriam tirar dele uma lição. Uma coisa é um candidato chegar ao cargo apenas com o voto dos eleitores que conseguiu atrair ao longo da campanha, que o compararam aos demais e o preferiram. Outra é precisar do apoio de pessoas para quem seu nome não era o predileto. No primeiro caso, “seus” eleitores lhe deram a vitória; no segundo, só venceu somando aos seus os de outros candidatos. O mandato não perde nada em legitimidade, mas deve ser exercido com mais humildade.

Talvez seja por isso que é tão comum a opinião de que o “segundo turno é bom” e que muitas pessoas digam que votam para fazer com que ele aconteça. Ouvimos isso muitas vezes em 2006 e voltou-se ao tema este ano. Assim como na anterior, muita gente achou, em 2010, que Lula ficaria “convencido demais” se a eleição se resolvesse em favor de Dilma já no primeiro turno.

É nítido que há muito a aperfeiçoar nas normas a respeito do segundo turno. Veja-se o caso da propaganda eleitoral. Nos 20 dias de Horário Eleitoral do segundo turno, Dilma e Serra tiveram 440 minutos de televisão e rádio cada qual, sem contar as inserções. Nos 45 dias do primeiro, cerca de metade. Ganhou-se algo com a overdose de comunicação que tivemos em outubro?

Enfim, é hoje o segundo turno. Pelo que parece, com uma noite com menos emoções que a do dia 3.

Bom voto!

Link:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/10/31/segundo-turno-336629.asp

Lula em Recife 2010

Serra foi surpreendido por ofensiva do PT!


Ao chegar ao segundo turno, tucano não esperava que Dilma explorasse denúncia contra Paulo Preto - 31 de outubro de 2010

Julia Duailibi - O Estado de S.Paulo

Feriado de Sete de Setembro, o presidenciável do PSDB, José Serra, visita feira cristã em São Paulo. A menos de um mês da eleição, o tucano passava por um dos piores momentos da corrida presidencial, com as pesquisas de intenção de voto apontando para a vitória da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, no primeiro turno.

Candidato ao Palácio do Planalto pela segunda vez, Serra recebe ligação de um dos principais aliados, o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), que naquele momento, no litoral da Bahia, dedicava-se à sua reeleição. O presidenciável desabafou: "Estão achando que estou morto. Mas vou para o segundo turno".

As quatro semanas que antecederam o segundo turno foram marcadas por uma euforia no QG tucano que foi se dissipando no decorrer dos dias. As pesquisas de intenção de voto, que mostravam ampliação da vantagem da adversária, e o silencioso embate interno entre os principais responsáveis pela campanha dificultavam uma reação política.

O clima tenso no comitê foi catalisado por problemas de captação de recursos, que alimentaram o fogo amigo. No final do primeiro turno, os principais fornecedores, como a equipe de marketing, não tinham nem os seus contratos de prestação de serviço assinados. A direção nacional do partido pressionava o presidente do comitê financeiro, José Gregori, para que ele não assinasse os contratos com cláusulas que pudessem deixar o PSDB, e não o candidato, como responsável por eventuais dívidas.

A campanha teve de lidar ainda com denúncia de desvio de recursos que envolvia ex-funcionário do governo do PSDB em São Paulo. Articulou-se, então, um armistício com o PT. Sem sucesso. Tucanos resolveram partir para o ataque e municiaram Serra com informações de irregularidades envolvendo PT e aliados. A guerra fora deflagrada.

Na semana seguinte à abertura das urnas, os principais nomes do PSDB e de partidos aliados reuniram-se em São Paulo para dar apoio a Serra, embalados pela perspectiva de poder e encorajados pela eleição já resolvida na maior parte dos Estados. O primeiro turno havia sido marcado pelo isolamento político do presidenciável tucano, com candidatos temendo fazer campanha para Serra e perder votos do eleitor lulista.

A casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso serviu de cenário para a oposição traçar a estratégia do segundo turno, num jantar com líderes do PSDB e do DEM, três dias depois da eleição. Lá foi definido o roteiro da unidade em torno de Serra, que passava pela vitória em Minas. O senador recém-eleito Aécio Neves, presente ao encontro, comprometeu-se não só a fazer campanha, mas a ajudar com recursos em proporção até maior que a angariada pelos paulistas.

Os programas no horário eleitoral gratuito, até então o principal motivo de descontentamento da área política, perderam espaço na agenda de reclamações depois que FHC apareceu, ainda que de maneira tímida, ao lado de Serra.

Conceito de 2004. A campanha foi para a rua explorando o conceito do "bem contra o mal", usado na corrida municipal paulistana de 2004, quando Serra venceu o PT, de Marta Suplicy. O candidato colocou-se na eleição usando o jargão "de coração leve", criado pelo jornalista Woile Guimarães, sócio de Gonzalez, e ao som do jingle "Serra é do Bem", uma reprise da canção usada na disputa anterior.

Os presidentes do PSDB, Sérgio Guerra, do DEM, Rodrigo Maia, e do PPS, Roberto Freire, passaram a frequentar o edifício Joelma, sede da campanha no centro de São Paulo e conhecido por ter sido palco de um incêndio em 1974.

Às segundas ou sextas-feiras, o responsável pelas pesquisas tucanas, Antonio Prado Júnior, o Paeco, exibia o resultado dos trackings ao núcleo político. Na primeira semana, os números não poderiam ser melhores. Três dias depois do primeiro turno, os monitoramentos feitos por telefone, pelo Ibope, mostravam vantagem de 2 pontos porcentuais para Serra - diferença que chegou a 6 pontos em 15 de outubro. O desempenho favorável estava amparado na discussão sobre aborto e nas denúncias de corrupção da Casa Civil, que dominaram parte do segundo turno.

O tema aborto perdeu o combustível, após reação promovida pela campanha de Dilma. "Esse assunto não interessa mais a ninguém", afirmou Sérgio Guerra, ao final do primeiro debate do segundo turno, quando a petista citou declaração da mulher do candidato, Monica Serra, segundo quem Dilma era a favor de "matar criancinhas".

Saiu o aborto, entrou um novo personagem. Em debate da Band, Dilma menciona um desconhecido do público, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. Na fase de pré-campanha, quando foram levantadas as vulnerabilidades da candidatura, o nome do ex-diretor da Dersa, um dos principais responsáveis pela obra do Rodoanel, orçada em R$ 5 bilhões, havia aparecido. Em agosto, a revista IstoÉ o acusou de sumir com R$ 4 milhões da campanha. A notícia não tivera então repercussão eleitoral.

Os tucanos não esperavam que Dilma mencionasse o assunto. Em 2009, à época das investigações da Castelo de Areia (operação da Polícia Federal que apontava pagamento de propina de empreiteiras a políticos de vários partidos), caciques do PT e do PSDB se encontraram para discutir o tema. Era conveniente que nenhum lado usasse a história. As investigações respingavam em todos.

Ligação no bastidor. A exploração do caso por Dilma deixava claro que o PT, surpreendido pelo segundo turno, decidira atacar. Era hora de uma operação no bastidor. Os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que se encontrou com Serra mais de uma vez na corrida eleitoral, entraram em campo. Um coordenador da campanha de Dilma ligou para um líder tucano e disse ter sido um "erro" o PT citar o caso.

No comitê tucano, o sinal de guerra havia sido claro. O presidenciável recebeu munição: uma lista com nomes de petistas e aliados, supostamente envolvidos na Castelo de Areia. Na relação, o candidato à vice-presidente na chapa de Dilma, Michel Temer (PMDB), com a observação de que ele fora citado "23 vezes" em relatório da PF. O candidato levou a munição nos outros debates. Mas não a usou.

À medida que o embate se acirrava, as pesquisas mostravam ampliação da vantagem de Dilma. Resultado: maior dificuldade de captar recursos. Em meados de setembro, o coordenador das despesas José Henrique Reis Lobo mandou suspender a produção de material em todo País. Também foi vetada a emissão de 800 mil cartas para empresários, conclamando-os a doar, e a criação de um call-center. Outros integrantes da campanha mandaram e-mails com reclamações a Serra, que foi falar com o coordenador. A saúde financeira da campanha não era boa. O primeiro turno fechara com arrecadação de R$ 62 milhões. Havia R$ 22 milhões de gastos descobertos. O responsável pela arrecadação, Sérgio Freitas, alegava que doadores estavam tímidos por causa das pesquisas.

No segundo turno, Márcio Fortes, que havia sido candidato a vice-governador do Rio, chegou para fazer a ponte entre a arrecadação e a despesa. Mas, mesmo com mais empresas doando - a segunda etapa da eleição teve 70 doadores a mais que o primeiro turno -, o desempenho financeiro foi frustrante. O caixa da campanha deverá fechar um pouco acima dos R$ 100 milhões, montante bem menor que os R$ 180 milhões orçados inicialmente.

Apesar de na última semana da campanha trackings internos já mostrarem Dilma na frente, começaram ataques às pesquisas, com o argumento de que haviam errado no primeiro turno. "Erraram feio em 2010, como em 2006. Entre outras coisas, pela abstenção desigual. A pessoa é parada na rua ou recebe o entrevistador em casa e é instada a responder uma pesquisa. Mas não diz que não pretende votar", avaliou ao final do segundo turno um coordenador.

Na reta final da campanha, o comitê tucano debruçou-se sobre as estatísticas eleitorais. Falava-se, pela primeira vez, num "eleitor mutante", 25% do eleitorado que declarou seu voto, mas mudou de candidato em cima da hora. A dois dias da eleição, os marqueteiros falavam que a eleição estava empatada, no intervalo entre 52% e 48% para qualquer um dos lados. O diagnóstico era contrário às principais pesquisas.

A vitória depende do Sudeste. Em São Paulo, tem de vir por mais de 3,5 milhões de votos de diferença. A despeito dos esforços de Geraldo Alckmin, a desmobilização era clara. Aliados do governador eleito se preocupavam mais com a transição no Palácio dos Bandeirantes do que com a eleição presidencial. Havia insatisfação com o empenho do senador eleito Aloysio Nunes Ferreira, que submergiu após o nome de Paulo Souza, de quem era amigo, aparecer.

Aécio questionado. Se segurar o eleitor paulista em seu reduto eleitoral, Serra pode vencer a eleição com um empate em Minas, repetem os tucanos. A bola ficou com Aécio Neves. No comitê serrista, questionava-se a real intenção do senador eleito por Minas que, em vez de se dedicar à eleição de Serra em seu Estado, viajou pelo País.

Antes de receber o resultado do primeiro turno, Serra, nervoso, tentou se refugiar. O candidato que pleiteava o cargo de maior visibilidade da República buscou o isolamento. Primeiro, na casa da filha, Verônica. Descoberto pelos jornalistas, saiu pela porta dos fundos rumo à casa do amigo Andrea Matarazzo, onde acabou descoberto mais uma vez.

Escapou das lentes dos fotógrafos e se escondeu na casa de um outro amigo. Levou alguns filmes, com os quais pretendia se distrair. Não assistiu. Lá recebeu a notícia de que a campanha não havia acabado. Conseguiu dormir, então, por duas horas.

Hoje, o roteiro deve ser parecido. Mas o desfecho pode ser diferente.

Link:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101031/not_imp632461,0.php

Politização da campanha no segundo turno colocou Serra na defensiva e consolidou a liderança de Dilma! - por Marcos Doniseti


Politização da campanha no segundo turno colocou Serra na defensiva e consolidou a liderança de Dilma! - por Marcos Doniseti

Nesta campanha eleitoral, Serra mostrou o quanto é capaz de baixar o nível de uma disputa presidencial (o que fez com uma grande e substancial ajuda da Grande Mídia) para atingir seus objetivos.

A campanha de Serra foi marcada por boatos imundos, telemarketing sujo, panfletos sujos, discurso reacionário e preconceituoso contra Dilma.

Nunca tivemos, na história do Brasil, uma campanha eleitoral tão baixa e tão suja quanto essa que Serra fez. Ele se aliou ao que o país tem de mais ultrapassado e primitivo em termos políticos e sociais: grupos conservadores e extremistas de direita como os integralistas, fundamentalistas cristãos, monarquistas, católicos ultraconservadores (TFP, Opus Dei, etc) enfim, Serra promoveu uma aliança com grupos reacionários de tudo quanto é tipo.

Mas, apesar das baixarias da campanha de Serra, ninguém jogou mais sujo do que a Grande Mídia Golpista.

A Grande Mídia Golpista jogou a campanha na lama e não permitiu que ela saísse de lá em momento algum. Ela ficou semanas seguidas explorandos casos absolutamente irrelevantes para uma campanha presidencial, como foram os casos de quebra de sigilo de Eduardo Jorge, Verônica Serra e de mais alguns tucanos graduados (Ricardo Sérgio, Marín Preciado, etc), Erenice Guerra, que se revelaram (os dois primeiros, EJ e VS) como resultado de disputa interna, do PSDB, entre Aécio e Serra, pela condição de candidato à Presidente.

E a Grande Mídia ainda embarcou na questão do aborto e de questões religiosas que devem ser debatidas, sim, mas não numa campanha eleitoral e muito menos numa disputa presidencial. Até porque, quem define as leis sobre estes assuntos não é sequer o Presidente da República, mas o Congresso Nacional. É lá no Congresso Nacional que estes temas devem ser debatidos.

Portanto, a Grande Mídia e a campanha de Serra jogaram sujo o tempo inteiro para não ter que debater as conquistas sociais e econômicas do governo Lula, que foram bastante significativas.

A Grande Mídia e Serra sabiam que tinham que tirar o governo Lula da pauta da campanha para ter alguma chance de vencer. Era necessário inviabilizar que a campanha eleitoral se transformasse no 'plebiscito' que Lula queria fazer a respeito do seu governo, pois se este fosse o rumo da campanha, Dilma acabaria eleita, inevitavelmente.

E foi o que Serra e a Grande Mídia fizeram. Eles apostaram na despolitização da campanha eleitoral e promoveram o maior festival de baixarias que já se viu numa eleição na história do Brasil.

Caso a Grande Mídia e Serra ainda tivessem elaborado uma pauta alternativa para evitar o caráter plebiscitário que o Presidente Lula queria dar à campanha eleitoral, ainda vá lá. Mas este nunca foi o objetivo deles. O que eles queriam fazer (e fizeram, mesmo) foi partir para a sujeira e para a baixaria mais primitiva que se poderia conceber.

Esta pauta primitiva e reacionária que a Grande Mídia e Serra promoveram também foi a maneira encontrada por eles de tentar colocar Dilma na defensiva.

E isto aconteceu, de fato, nas semanas finais do 1o. turno, mas o comando de campanha da petista demorou para perceber a dimensão crescente que a 'Onda Suja' que a campanha de Serra e seus aliados reacionários promoviam. Daí, muitos eleitores, influenciados pela 'Onda Suja', abandonaram a candidatura de Dilma e desaguaram seus votos, maciçamente, em Marina Silva.

Somente isso explica o fato de que a candidata do PV tenha alcançado quase 20% dos votos válidos no 1o. turno, pois nem o tamanho do PV e nem o pouco tempo de rádio e TV da ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula poderiam levá-la a tamanha votação, que surpreendeu o país inteiro.

Logo, a 'Onda Suja' de Serra e do PIG foram suficientes para levar a campanha para o 2o. turno. Mas, neste, a 'Onda Suja' se esvaziou.

No 2o. turno, Dilma reagiu à 'Onda Suja'. Ela conseguiu, ao mesmo tempo, neutralizar a campanha subterrânea de baixarias da campanha de Serra e politizou o conteúdo do debate na campanha, jogando o governo FHC e as privatizações no colo de Serra. Tal fato se deu a partir do debate na Band. Este foi o verdadeiro ponto de virada da campanha no segunto, conseguindo barrar a ascensão de Serra nas pesquisas e a fazer com que Dilma voltasse a abrir vantagem sobre o candidato tucano, fato este que foi comprovado por todas as pesquisas feitas nas últimas semanas.

E quando se politiza o debate e a 'Pauta Suja' sai de cena, não tem como: A 'turma' de Lula e Dilma derrota a de FHC/Serra. Sempre.

Foi a politização da campanha no 2o. turno que levou Dilma a abrir vantagem sobre Serra. Por isso, eu digo: Politização Sempre!

Quando Dilma obrigou Serra a discutir os problemas do país e a apresentar propostas, o discurso dele ficou esvaziado e sem sentido.

Daí, Serra partiu para o discurso mais demagógico e eleitoreiro possível, que ensaiou no final do 1o. turno, fazendo promessas estapafúrdias sobre Salário Mínimo, Bolsa-Família, continuidade das obras do PAC, entre outras.

Mas, quando partiu para o discurso das promessas, Serra passou a prometer tudo o que Lula já está fazendo: Transnordestina, programas sociais, Ferrovia Norte-Sul, aumentos reais para o salário mínimo, entre muitas outras iniciativas altamente populares do governo Lula.

E daí muitos eleitores devem ter pensado: Bem, se é para continuar tudo o que o Lula está fazendo, então é melhor votar na Dilma, mesmo!

A grande virada no 2o. turno (como eu já disse aqui) se deu com o debate da Band: Nele, Dilma definiu a pauta do 2o. turno e colocou Serra na defensiva até o fim da campanha. No mesmo, Dilma colocou para o grande público os temas principais que dominaram todo o segundo turno: a questão das privatizações feitas pelos governos tucanos, a campanha suja e subterrânea de Serra contra ela, Dilma, e o escândalo Paulo Preto, a ameaça de privatização da Petrobras e do pré-sal (defendidas, inclusive, por vários economistas e assessores importantes do PSDB, como o genro de FHC e Luiz Paulo V. Lucas).

E tal como já havia acontecido em 2006, os tucanos não conseguiram articular um discurso lógico e coerente a respeito das privatizações que sempre promoveram em seus governos e nem tampouco convencer a população de que a Petrobras, o pré-sal e as demais estatais não seriam privatizadas. Afinal, 'Teu Passado o Condena'.

Em um determinado momento a campanha de Serra dizia que essas privatizações foram benéficas para o país (como no caso das telecomuicações). Depois, Serra dizia que iria fortalecer as empresas estatais (Petrobras, Correios, etc). Tal discurso, totalmente incoerente e contraditório, foi um verdadeiro 'samba do tucano doido'.

Todas essas contradições deixaram, com certeza, muito eleitor indeciso a respeito das verdadeiras intenções de Serra e dos tucanos com relação à Petrobras e ao petróleo do pré-sal.

Assim, Serra teve que ficar se justificando pelas privatizações (dele e de FHC) por todo o segundo turno.

E o caso do Paulo Preto piorou tudo para ele, é claro. O escândalo envolvendo Paulo Preto esvaziou o discurso de Serra sobre eventuais casos de corrupção ou de irregularidades no governo Lula. Afinal, o caso mostrava que ele também tinha telhado de vidro no quesito corrupção.

E o fato de ex-alunas de Monica Serra terem confirmado que ela fez aborto, na época da Ditadura Militar, desnudou o discurso hipócrita e pseudo-moralista de Serra sobre o assunto, que a sua campanha transformou, de forma suja e primitiva, como um dos temas centrais da campanha nas semanais finais da eleição no 1o. turno.

Já os acontecimentos relacionados aos panfletos imundos impressos por uma gráfica tucana comprovaram a campanha suja e subterrânea de Serra contra Dilma. Depois disso, a mesma já não tinha como ser negada.

E para desmoralizar totalmente com o discurso pseudo-moralista e retrógrado de Serra, nesta última semana de campanha tivemos o estouro do escândalo do Metrô, denunciado (de maneira um tanto quanto surpreendente) pela mesma 'Folha de S.Paulo' que fez de tudo para ajudar Serra a vencer essa eleição.

Resumindo: Privatizações, Paulo Preto, aborto de Mônica Serra, Gráfica Pana e Escândalo do Metrô (este último foi meio que a 'pá-de-cal' na candidatura já moribunda de Serra) foram os motivos que levaram Serra a parar de subir nas pesquisas no 2o. turno.

E são estas as razões que farão com que, quase que certamente, Dilma seja eleita a primeira mulher Presidente da República da história do país, além do fato de representar a continuidade dos projetos e programas do governo Lula, o mais popular da história do país.

Por tudo isso, eu digo: Brasil, Urgente, é Dilma Presidente!

Lula e Dilma despacharam o neoliberalismo do Brasil!


Lula e Dilma despacharam o neoliberalismo do Brasil - por Enéas de Souza

Decididamente, Dilma!

No meu modo de ver, a superioridade de Dilma sobre Serra é notória e vertiginosa. A primeira razão – razão substancial – é que ela tem, fazendo parte do governo Lula, uma visão e uma proposta de Brasil mais ampla e mais brasileira do que Serra. Seu papel como ministra da Casa Civil foi essencial para o sucesso do atual do governo.

Em que ponto? Em verdade, ela foi uma espécie de Super-Ministro do Planejamento. Logo de saída, deu ordenação e coerência nas obras dos diversos ministérios. Deu unidade e tornou denso o trabalho do governo. Pois, antes de Dilma, as pernas estavam para um lado, os braços para outro, a cabeça jogada lá diante, e os calcanhares e os pés andavam sozinhos pela Esplanada dos Ministérios. Tudo existindo, mas, todas as partes dispersas.

Uma espécie de diáspora do governo Lula. Dilma fez como os mágicos: agregou um cenário ao conjunto e reuniu tudo num corpo só. E surgiu daí a envergadura do governo Lula. Era o que o político Lula precisava. Tinha que vir alguém que soubesse organizar as peças do governo numa cara de governo. Precisava de um ministro que planejasse e coordenasse as ações para que Lula se tornasse o estadista. E ele o foi. E é.

Assim, no final do Lula I, a população já tinha se dado conta que todo um projeto estava organizado: aumento de salário mínimo consistente, Bolsa Família, crédito consignado, ProUni. E Dilma, vindo do Ministério de Minas e Energia acrescentou o que faltava: Luz para Todos. Isto depois da secura e dos apagões dos anos neoliberais de FHC e Serra, onde grassava a hemorragia da privatização, a volúpia desastrosa da dívida, o crescimento ralo do PIB (média de 2,2%), o crescente desemprego, o empréstimo “fraternal” Clinton-FMI, a decadência da infra-estrutura, etc. Ruth Cardoso é quem forçava os programas sociais que estavam soltos dentro do governo de FHC (Não nos esqueçamos das palavras caniculares e afrontosas de Sérgio Motta sobre “Comunidade Solidária” da Dona Ruth: “Essa masturbação sociológica me irrita porque não chega a nenhum resultado”. 1995. Que diria em 2010 do sociológico sucesso total do governo Lula?).

O Luz para Todos. Se pensarmos bem foi um dos grandes projetos de Dilma. Pense o leitor e imagine. Na época, discutia com um amigo e lhe disse: “Ah, você acha que esse é um programa banal, é? Faça o seguinte, você que é classe média: apague as luzes da sua casa e fique uns 15 dias sem luz. Pense como será o seu dia; pense, sobretudo, como será a sua noite. Você está na Idade Média. São 15 milhões de pessoas que viajaram 500/600 anos”. E não deu outra. Lula apesar dos grandes ataques do Mensalão, conseguiu uma vitória espetacular naquela eleição de 2006. Dilma botou a sua parcela de votos na cesta eleitoral de Lula. Só isso já seria bastante para consagrá-la: dar coerência ao governo e apoiar a população a ter um melhor padrão de vida.

Mas, o grande lance veio a 22 de janeiro de 2007, logo depois da vitória de Lula, no Lula II, o lançamento do PAC. Fiquei tão entusiasmado que escrevi imediatamente um artigo: “DA ESTRATÉGIA DO INVESTIMENTO NASCEM AS NAÇÕES”, datado de 29 de janeiro de 2007 e publicado em Indicadores Econômicos FEE, vol. 34, nº 4, março de 2007.

Mas, qual o motivo do entusiasmo? Era como dizemos, nós os gaúchos: “o tal de PAC”. E o PAC, disse Serra, “era uma lista de obras”. Não sejamos tão apressados na conclusão, vamos pensar um pouco. Sim, o PAC tinha uma lista de obras, alguns projetos com dificuldades para sair do papel, inclusive, vimos depois, por briga entre empresas. Mas, isso é ver pouco, é ficar com o olho grudado no chão.

Vamos fazer um contraste, a diferença entre o projeto econômico de Lula e o de Fernando Henrique. O governo de FHC tinha sustentado um modelo financeiro de acumulação. A jogatina das finanças dava um falso ar de festa. FHC e Serra continuaram a crise produtiva de 1982 e terminaram o século e entraram no século XXI sem investimento. Tudo se pautava pela multiplicação dos pães miraculosos dos títulos financeiros públicos e privados. Na verdade, não eram pães, era papel que rendia dinheiro e não dava emprego.

Eles construíram um Estado que chamei, em outros textos, de Estado Financeiro, onde o núcleo da sua estratégia se pautava numa política econômica peculiar, uma “política econômica reduzida”. Só se pensava em moeda, câmbio, taxa de juros e contas públicas. Não havia política industrial, política agrícola, política agrária, política tecnológica, política de rendas, etc. Tudo ficava para o mercado. O Estado só se preocupava com a acumulação financeira. E houve um abandono melancólico e desesperado, dostoievskiano, do investimento. Deu-se um investimento raquítico e tudo ia para o circuito financeiro. E é nesse ponto que surge o PAC, para quebrar o cassino brasileiro.

Não fiquemos na idiotice empírica, a lista de obras. O grande do PAC foi o gesto simbólico, imponente, maior, um gesto estratégico. Um toque de reunir dos empresários com uma forte declaração do governo: O FUNDAMENTAL DE UM PAÍS É O INVESTIMENTO.

O velho Keynes veio do Além e conversou com a Dilma, o Lorde sabia das coisas: “Dilma, joga as tuas fichas no investimento”. Vejam caros leitores, não tinha havido ainda a crise financeira americana e mundial. O Lehman Brothers não tinha falido. O Lorde sabia por que nos anos trinta ele tinha escrito e batalhado por isso, pelo investimento. A especulação financeira estava matando o Brasil. E o que fez Dilma? Fez mais que um programa, fez um ato político da maior transcendência. No meio do neoliberalismo, com o barco das aplicações financeiras velejando a todo vapor para o boom, que vai desabar logo em seguida, ela ousa. E Lula? A apóia vigorosamente. E o investimento viaja mar afora, o mar que vai, mais tarde, nos levar ao Pré-Sal. Fernando Pessoa falava do mar português; com a Petrobrás o mar pode ser brasileiro. E então vamos para o investimento.

Mas, este ato político de Dilma trouxe mais duas coisas decisivas – e fundamentais. Ela estava dizendo de forma magistral que havia uma inspiração no pensamento econômico brasileiro na hora e a vez do PAC. Veio na herança de Celso Furtado, de Ignácio Rangel, de Maria da Conceição Tavares, E de todos outros economistas nacionais que são “desenvolvimentistas”. Qual o ensinamento? É preciso recuperar o ESTADO, é preciso recuperar a nossa capacidade de PLANEJAMENTO.

Que coisa bendita, poder ser herdeira de uma grande corrente, da corrente que veio construindo e lutando pelo Brasil, desde os anos 30. Mas, o PAC não passou apenas esta mensagem. Tinha mais coisa. Para muitos, foi um capricho de Lula pôr Dilma como candidata a presidente da República. Nada disso, descrentes brasileiros. Não, Lula, viu tudo; viu tudo porque também se beneficiou deste vigor de pensamento de Dilma. Um ESTADO para ser forte tem que ter instrumentos para realizar o seu projeto e sua estratégia. E aí que o PAC mostrou a arma engatilhada desde sempre.

O PAC trouxe para o núcleo estratégico do governo a filha pródiga, a filha dileta, a filha por quem a nação tinha lutado. A Petrobrás. A campanha “O Petróleo é nosso” é uma memória histórica tão forte, tão contundente, tão brasileira, tão nossa, que impediu que FHC e Serra vendessem a Petrobrás. E o gesto de Dilma na época do Programa de Aceleração do Crescimento, pouca gente entendeu. Ora, para quê trazer, para dentro do PAC, a Petrobrás que já tinha um programa avantajado de investimentos?

A miopia neoliberal não permitiu às pessoas enxergarem que o PAC era um fabuloso gesto simbólico e político, do qual falamos antes, e que trazia para o centro estratégico do governo um verdadeiro núcleo de acumulação. E quando veio a descoberta do Pré-Sal, a cabeça oca de muita gente “explodiu de lucidez”, como dizia meu colega Galeno da UNICAMP. Perceberam que o Pré-Sal iria encadear um conjunto de indústrias, todas investindo adoidado. E, principalmente, dentro de um programa que assegurasse às empresas um conjunto de obras. Uma demanda garantida. Na verdade, o sonho de todo empresário. Basta ouvir o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, para ver o gigantismo do projeto, da riqueza que temos pela frente, das possibilidades de aumentar o índice de nacionalização da cadeia produtiva. O mundo do investimento – o futuro – voltou a reabrir-se para o Brasil. E tudo veio da audácia do Governo Lula de ir contra o neoliberalismo, de buscar novamente o investimento e o emprego e desenvolver a riqueza brasileira. E Lula encontrou em Dilma o talento para continuar a sua obra: despachar o neoliberalismo, “bye, bye, forever”. E com esse lance, retomar o baú de riquezas nacional: desenvolvimento com distribuição de renda.

DECIDIDAMENTE, DILMA!

Artigo do economista Enéas de Souza, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística, FEE/RS.

Link:


http://diariogauche.blogspot.com/2010/10/lula-e-dilma-despacharam-o.html

sábado, 30 de outubro de 2010

Uma imagem vale mais do que mil palavras!


A foto acima é a representação perfeita daquela famosa frase: Uma imagem vale mais do que mil palavras. Esta foto vale mais do que milhares de palavras.

Teotonio e Lessa aparecem empatados na disputa do governo de Alagoas, diz Ibope!

Teotonio e Lessa aparecem empatados na disputa do governo de AL, diz Ibope

Por: Redação da Rede Brasil Atual - Publicado em 30/10/2010, 15:39

São Paulo - Na véspera do dia da votação, pesquisa Ibope para o governo de Alagoas aponta empate técnico entre os candidatos. O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que disputa a reeleição, tem discreta vantagem e aparece com 52% das intenções de voto. O ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) tem 48%.

Os três pontos percentuais que separam os concorrentes correspondem a uma diferença inferior aos três pontos para mais ou para menos de margem de erro prevista no levantamento. Considerando-se os votos totais, Teotonio tem 48% e Lessa 45%. Estão indecisos 3%, enquanto 4% pretendem anular ou votar em branco.

No levantamento anterior, de 20 de outubro, o tucano estava com 48% das intenções de voto contra 40% de Lessa. Lessa cresceu cinco pontos percentuais.

A pesquisa foi encomendada pela TV Gazeta, afiliada da Rede Globo, e ouviu 812 entrevistados de 27 a 30 de outubro. O número de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 20125/2010.

Link:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/teotonio-e-lessa-aparecem-empatados-na-disputa-do-governo-de-al-diz-ibope

Pesquisas Ibope dos estados AP, PA, PB e PI no 2º turno!

Pesquisas Ibope dos estados AP, PA, PB e PI no 2º turno

Por: Redação da Rede Brasil Atual - Publicado em 30/10/2010, 21:50

São Paulo - Neste domingo, eleitores de oito estados e do Distrito Federal também vão eleger seus representantes locais. O instituto Ibope divulgou neste sábado (30) pesquisas dos estados, confira:

1) Amapá

Votos válidos

Camilo Capiberibe (PSB) - 53%

Lucas Barreto (PTB) tem 47%.

Votos totais

Camilo Capiberibe - 49%

Lucas Barreto - 43%

Brancos, nulos e indecisos - 8%.

A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. E está registrada no TSE sob o número 37785/2010. A pesquisa foi realizada entre os dias 29 e 30 de outubro em 13 municípios e ouviu 812 eleitores. O levantamento foi encomendado pela Rádio TV do Amazonas.

2) Pará

Votos válidos

Simão Jatene (PSDB) - 59%

Ana Júlia (PT) - 41%

Votos totais

Simão Jatene - 55%

Ana Júlia - 37%

Brancos e nulos - 5%

Indecisos - 3%.

A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou menos. A pesquisa foi encomendada pela TV Liberal, afiliada da TV Globo no Pará e está registrada no TRE do Pará sob o número 19614/2010. O levantamento foi feito com 812 eleitores em 41 municípios nos dias 28 e 29 de outubro.

3) Paraíba

Votos válidos

Ricardo Coutinho (PSB) - 52%

José Maranhão (PMDB) - 48%.

Votos totais

Coutinho - 49%

Maranhão - 45%

Brancos, nulos e indecisos - 6%.

A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Encomendada pela TV Cabo Branco, a pesquisa ouviu 1.204 eleitores em 58 municípios, entre os dias 29 e 30 de outubro e está registrada no TSE(37873/2010)

4) Piauí

Votos válidos

Wilson Martins (PSB) - 58%

Silvio Mendes (PSDB) - 42%.

Votos totais

Wilson Martins - 54

Sílvio Mendes - 39%

Brancos, nulos e indecisos 7%.

A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. Foram entrevistados 812 eleitores em 45 municípios do Piauí nesta sexta e sábaso. A pesquisa, encomendada pela TV Rádio Clube de Teresina, está registrada no TSE(37849/2010).

Link:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/pesquisas-ibope-dos-estados-ap-pa-pb-e-pi-no-2o-turno