Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Robert Fisk: A tragédia ainda não acabou!

Robert Fisk: A tragédia ainda não acabou

Egito: uma ditadura nas vascas da morte - 30/1/2011, The Independent, UK

Os tanques egípcios, os manifestantes em delírio sentados sobre eles, as bandeiras, os 40 mil manifestantes lacrimejando e gritando vivas na Praça da Liberdade e rezando à volta dos tanques, um membro da Fraternidade Muçulmana sentado entre os ocupantes do tanque. Pode-se talvez comparar à libertação de Bucareste? Subi eu também sobre um tanque de combate, e só conseguia pensar naqueles maravilhosos filmes da libertação de Paris. A apenas algumas centenas de metros dali, os guardas da segurança de Mubarak, nos uniformes pretos, ainda atiravam contra manifestantes perto do ministério do Interior. Foi celebração selvagem de vitória histórica, os tanques de Mubarak libertando a capital de sua própria ditadura.

No mundo de pantomima de Mubarak – e de Barack Obama e Hillary Clinton em Washington –, o homem que ainda se diz presidente do Egito deu posse a um vice-presidente cuja escolha não poderia ter sido pior, na tentativa de aplacar a fúria dos manifestantes – Omar Suleiman, chefe-negociador do Egito com Israel e principal agente da inteligência egípcia, 75 anos de idade e muitos de contatos com Telavive e Jerusalém, além de quatro ataques cardíacos. Não se sabe de que modo esse velho apparatchik doente conseguiria enfrentar a fúria e a alegria de 80 milhões de egípcios que se vão livrando de Mubarak. Quando falei a alguns manifestantes ao meu lado sobre o tanque, da nomeação e posse de Suleiman, houve gargalhadas.

Os soldados que conduzem os tanques, em uniforme de combate, sorridentes e às vezes aplaudindo os passantes, não fizeram qualquer esforço para apagar das laterais dos tanques os graffiti ali pintados com tinta spray. “Fora Mubarak! Caia fora, Mubarak!” e “Mubarak, seu governo acabou” aparecem grafitados em praticamente todos os tanques que se veem pelas ruas do Cairo. Sobre um dos tanques que circulavam pela Praça da Liberdade, vi um alto dirigente da Fraternidade Muçulmana, Mohamed Beltagi. Antes, andei ao lado de um comboio de tanques próximo de Garden City, subúrbio do Cairo, onde as multidões subiram aos tanques para oferecer laranjas aos soldados, aplaudindo-os como patriotas egípcios. A nomeação ensandecida e sem sentido de um vice-presidente [o primeiro, em 30 anos, e nomeação que significa que Mubarak desistiu de nomear o filho para substituí-lo no poder (NTs)] e a formação de um ‘novo’ Gabinete sem poder algum, constituído só de velhos conhecidos dos egípcios, evidenciam que as ruas do Cairo viram e veem o que nem os estrategistas e políticos dos EUA e da União Europeia souberam ver: que o tempo de Mubarak acabou.

As frágeis ameaças de Mubarak de que empregará repressão violenta em nome do bem estar dos egípcios – quando já se sabe que a sua própria polícia e suas milícias são responsáveis pelos ataques mais violentos dos últimos cinco dias – só geraram ainda mais fúria entre os manifestantes, vítimas de 30 anos de ditadura várias vezes muito violenta. Crescem as suspeitas de que os piores ataques da repressão foram executados por milícias não uniformizadas – inclusive o assassinato de 11 homens numa vila do interior do país nas últimas 24 horas –, tentativa de dividir o movimento e criar suspeitas contra as intenções democratizantes das manifestações contra o governo de Mubarak. A destruição dos centros de comunicações por grupos de homens mascarados – que se suspeita que tenha sido ordenada por alguma agência da segurança de Mubarak – também parece ter sido obra das milícias não uniformizadas que espancaram manifestantes.

Mas o incêndio de postos policiais no Cairo, Alexandria, Suez e outras cidades não foram obra daquelas milícias. No final da 6ª-feira, a 40 milhas do Cairo, na estrada para Alexandria, havia grandes grupos de jovens em torno de fogueiras acesas no meio da estrada e, quando os carros paravam, eram assaltados; os assaltantes exigiam dólares, sempre muitos, em dinheiro. Ontem pela manhã, homens armados roubavam carros, de dentro dos quais arrancavam motoristas e passageiros, no centro do Cairo.

Infinitamente mais terrível foi o vandalismo contra o Museu Nacional do Egito. Depois que a polícia abandonou o serviço de segurança do museu, houve invasão de saqueadores e vândalos, que roubaram ou destruíram peças de 4 mil anos, múmias e peças de madeira esculpida de valor inestimável – barcos, esculpidos com todos os detalhes e a tripulação, miniaturas magníficas, feitas para acompanhar os faraós na viagem pós-morte. Vitrines que protegiam trajes milenares foram quebradas, os guardas pintados de preto arrancados e depredados. Outra vez, é preciso registrar que há boatos de que os próprios policiais destruíram o museu, antes de fugir na 6ª-feira à noite. Lembrança fantasmagórica do museu de Bagdá em 2003. Bagdá foi pior, a destruição foi mais total, mas mesmo assim foi terrível o desastre do museu do Cairo.

Em minha jornada noturna da Cidade 6 de Outubro até a capital, tive de diminuir a velocidade várias vezes, porque a estrada está cheia de restos de veículos queimados. Havia destroços e vidros quebrados pela estrada, e muitos policiais armados, com rifles apontados para os faróis do meu carro. Vi um jipe semidestruído. Os restos do equipamento da polícia antitumulto que os manifestantes expulsaram da cidade do Cairo na 6ª-feira. Os mesmos manifestantes que, ontem à noite, formavam círculo gigantesco em torno da Praça da Liberdade para rezar. Gritos de “Allah Alakbar” trovejavam pela cidade no ar da noite.

Há também quem clame por vingança. Uma equipe de jornalistas da rede al-Jazeera encontrou 23 cadáveres em Alexandria, aparentemente assassinados pela polícia. Vários tinham os rostos horrivelmente mutilados. Outros onze cadáveres foram encontrados no Cairo, cercados por parentes que gritavam por vingança contra a polícia.

No momento, Cairo salta em minutos da alegria para a mais terrível fúria. Ontem pela manhã, andei pela ponte do rio Nilo e vi as ruínas do prédio de 15 andares onde funcionava a sede do partido de Mubarak, que foi incendiado. À frente, um imenso cartaz pregava os benefícios que o partido trouxe ao Egito – imagens de estudantes formados bem sucedidos, médicos e pleno emprego, promessas que o governo de Mubarak sempre repetiu e jamais cumpriu em 30 anos – emoldurados pela fuligem, semiqueimados, pendentes das janelas enegrecidas do prédio. Milhares de egípcios andavam pela ponte e pelos acessos laterais para fotografar o prédio ainda fumegante – e muitos saqueadores, a maioria velhos, que tiravam de lá mesas e cadeiras.

No instante em que uma equipe de televisão escocesa preparava-se para filmar as mesmas cenas, foi cercada por várias pessoas que disseram que não tinham o direito de filmar os incêndios, que os egípcios são povo orgulhoso que não roubaria nem saquearia. O assunto foi discutido várias vezes ao longo do dia: se a imprensa teria ou não o direito de divulgar imagens sobre essa “libertação”, que veiculassem ideias menos dignas do movimento. Mesmo assim, os manifestantes mantinham-se cordiais e – apesar das declarações acovardadas de Obama, na 6ª-feira à noite – não se viu nenhum, nem qualquer mínimo sinal de hostilidade contra os EUA. “Tudo que queremos, tudo, exclusivamente, é que Mubarak vá-se daqui, que haja eleições que nos devolvam a liberdade e a honra” – disse-me uma psiquiatra de 30 anos. Por trás dela, multidões de jovens limpavam o leito da rua, removendo restos de veículos e barreiras postas nas intersecções e esquinas – releitura irônica do conhecido ditado egípcio, de que os egípcios nunca varrerão as próprias ruas.

A alegação de Mubarak, de que as atuais demonstrações e atos de delinqüência – a combinação foi tema do discurso em que Mubarak declarou que não deixaria o Egito – seriam parte de um “plano sinistro” é evidentemente o núcleo de seu argumento, na tentativa de não perder o reconhecimento mundial.

De fato, a própria resposta de Obama – sobre a necessidade de reformas e o fim da violência – foi cópia exata de todas as mentiras que Mubarak sempre usou para defender seu governo durante 30 anos. Os egípcios riram de Obama – inclusive no Cairo, depois de eleito – quando exigiu que os árabes abraçassem a liberdade e a democracia. Mas até essas aspirações sumiram completamente quando, na 6ª-feira, Obama assegurou seu desconfortável e incomodado apoio ao presidente egípcio. O problema é o de sempre: as linhas do poder e as linhas da moralidade em Washington jamais convergem quando os presidentes dos EUA têm de lidar com o Oriente Médio. A liderança moral dos EUA cessa de existir quando há confronto declarado entre o mundo árabe e Israel.

E o exército egípcio, desnecessário lembrar, é parte da equação. Recebe de Washington mais de 1,3 bilhão de dólares de auxílio anual. O comandante desse exército, general Tantawi – que casualmente estava em Washington, quando a polícia tentava esmagar os manifestantes – sempre foi muito amigo, pessoal, íntimo, de Mubarak. Não é bom sinal, parece, pelo menos no futuro imediato.

Assim, a “libertação” do Cairo – onde houve notícias, ontem à noite, de saques no hospital Qasr al-Aini – ainda tem a andar, até a consumação. O fim pode ser claro. A tragédia ainda não acabou.

Link:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fisk-a-tragedia-ainda-nao-acabou.html

O Exército das sombras.wmv - Resistência Francesa!

Lucie Aubrac (filme de Claude Berri)!

Lucie Aubrac, Raymond e a Resistência contra o Nazi-Fascismo!


Estou lendo o livro 'Diário da Resistência', de Lucie Aubrac, que conta a história dessa corajosa e heróica mulher francesa que, junto com o seu marido, lutou contra o domínio nazista na França.

O livro mostra as grandes dificuldades que o casal de heróicos resistentes franceses enfrentou na sua luta contra os nazistas e contra os colaboracionistas.

O racionamento, a dificuldade de conciliar uma vida normal (Lucie era professora de História e Geografia num Liceu, tinha um filho e estava grávida de outro enquanto dava aulas e participava da Resistência) com a ativa participação na Resistência, são mostrados de forma direta e crua por esta heroína francesa, cujo papel na luta para libertar a França do domínio foi reconhecido até mesmo pelos futuros governantes do país (vide a foto acima, em que Lucie Aubrac foi homenageada pelo então Presidente da França, Jacques Chirac).

Também tivemos a realização de um belíssimo filme ('Lucie Aubrac', dirigido por Claude Berri, baseado no livro escrito por Lucie) e que mostra a luta desta mulher corajosa e de outros membros da Resistência para ajudar a libertar seu país das garras da Besta Maligna do nazismo.

Para quem quiser conhecer melhor a história de luta de Lucie Aubrac e de seu marido, Raymond, sugiro que leiam o livro escrito por Lucie e assistam ao filme. E um outro filme excelente filme a respeito da luta da Resistência Francesa é o 'O Exército das Sombras'.

Vale a pena conferir.

No Pasarán!

"Déficit" do INSS diminuiu 4,5% em 2010!

Déficit do INSS em 2010 chega a R$ 42,89 bilhões

Em valores ajustados pelo INPC, houve uma queda real de 4,5% no déficit previdenciário

Com atraso, e depois da divulgação do resultado fiscal do setor público consolidado, o novo secretário de Políticas e Previdência Social, Leonardo Rolim, informou nesta segunda-feira que o déficit nominal do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) fechou 2010 em R$ 42,89 bilhões ou 1,17% do PIB, pouco acima dos R$ 42,867 bilhões de 2009.

Em valores ajustados pelo INPC, houve uma queda real de 4,5% no déficit previdenciário, que vai a R$ 44,353 bilhões ante R$ 46,434 bilhões no exercício anterior.

Impulsionado pelo aumento do emprego formal e da massa salarial, o ritmo de aumento das receitas previdenciárias foi mais elevado do que o dos benefícios pagos a aposentados e pensionistas.

A arrecadação líquida teve alta real de 10,7% ante o ano anterior, atingindo R$ 217,5 bilhões contra R$ 196,5 bilhões, a melhor da série desde 2001. Já as despesas do INSS subiram 7,8%, fechando 2010 em R$ 261,8 bilhões, ante R$ 242,9 bilhões, na mesma comparação.

Ocorreu uma queda de 21,6% na recuperação de contribuições do INSS em atraso, que ficou em R$ 9,487 bilhões ano passado, enquanto em 2009, o montante recuperado atingiu R$ 12,1 bilhões.

Segundo Rolim, há um estudo para melhorar essa recuperação, pois o governo considera que a legislação está defasada.

O estoque de créditos em atraso está em torno de R$ 400 bilhões, onde R$ 187 bilhões já se tornaram dívida ativa (em cobrança judicial). Somente em dezembro, o INSS teve resultado positivo em R$ 3,474 bilhões, alta real de 85,8% sobre o superávit de R$ 1,87 bilhão em dezembro de 2009.

As receitas ficaram em R$ 30,5 bilhões, ante R$ 27,04 bilhões em despesas.

Engenheiro Civil com mestrado em Administração Pública pela Universidade de Brasília, ex-consultor de Orçamento da Câmara dos Deputados, Rolim foi escolhido pelo ministro da Previdência, Garibaldi Alves, para cuidar da área de aplicação de benefícios.

Já que as receitas previdenciárias estão sob a alçada da Receita Federal, desde meados de 2008. Rolim prometeu retomar a divulgação dos resultados previdenciários de forma mensal, como era feito antes da passagem dos dois últimos ex-ministros a Previdência Social, que alteraram a metodologia de forma a separar as aposentadorias subsidiadas do setor rural, do aumento da arrecadação urbana.

Link:


http://economia.ig.com.br/deficit+do+inss+em+2010+chega+a+r+4289+bilhoes/n1237976892042.html

Meu Comentário!

Não existe nenhum déficit do INSS! Isso é o ficção-científica.

Tal 'déficit' é fabricado usando-se um artifício contábil, que é o seguinte: Inclui-se entre os itens de gastos do INSS o pagamento de pensões para trabalhadores rurais que nunca contribuíram com a Previdência Social. Tal despesa é de Assistência Social e não de Previdência Social. Mas, estes gastos são incluídos no orçamento do INSS.

Desta maneira, o valor total das despesas do INSS é elevado de maneira artificial e, assim, inventa-se um déficit inexistente. Quanto se leva em consideração, no entanto, apenas as receitas e despesas de quem contribuiu para o INSS, o mesmo tem um orçamento equilibrado, sem déficit.

Mas estas informações vocês jamais verão ser divulgadas pela Grande Mídia, que defende os interesses do Grande Capital e este adoraria se apoderar da Previdência Social, via privatização. E dizer que o INSS tem déficit é uma forma de reforçar uma imagem da Previdência Social pública e, logo, fortalecer a idéia da privatização.

Agência Carta Maior: O que está em jogo no Egito!

O QUE ESTÁ EM JOGO NAS RUAS DO CAIRO

O Egito é uma das mais importantes peças do xadrez geopolítico do Oriente Médio. Signatário desde 1979 de um acordo de paz com Israel, patrocinou ensaios de aproximação entre Israel e Síria e participou ativamente de negociações entre israelenses e palestinos.

Numa região dominada pelo sentimento anti-EUA, Mubarak tem sido útil na contenção dos radicais islâmicos - principais alvos da guerra contra o terror da Casa Branca. O Egito, de população árabe majoritariamente muçulmana sunita, é ainda um ator importante para limitar a influência do Irã, persa e xiita, na região do Golfo Pérsico.

Embora a produção egípcia de petróleo não seja grande, o país se tornou um exportador considerável de gás natural... a maioria do gás do Egito é transportada na forma de gás liquefeito supercondensado em navios-tanques aos EUA e à Ásia. ( Estadão, Wall Street Journal, Valor, 31/01)

(Carta Maior, 2º feira, 31/01/2011)

Agência reduz avaliação de dívida do Egito por risco político!

Agência reduz avaliação de dívida do Egito por risco político

DA REUTERS, EM LONDRES

A agência de classificação de risco Moody's reduziu a avaliação de dívida do Egito de "Ba1" para "Ba2", e mudou sua perspectiva sobre a nota de estável para negativa.

A Moody's disse nesta segunda-feira que o rebaixamento de um grau foi motivado pelo recente aumento significativo do risco político e por preocupações de que a resposta a isso possa enfraquecer mais as finanças públicas do país.

ENTENDA

A deterioração da situação política no Egito incita tensões no Oriente Médio. EUA, Irã, Jordânia e Israel estão entre os principais atores na volátil região que vem registrando protestos desde a queda do ditador Zine el Abidine Ben Ali, na Tunísia.

Após a Revolução do Jasmim, em Túnis, houve protestos em países como a Mauritânia, Iêmen e Argélia, e analistas temem que os confrontos no Egito possam até contaminar a já tensa região entre o norte do Egito e os territórios palestinos.

O movimento islâmico Hamas, que controla o território desde 2007, enviou tropas à fronteira para evitar que palestinos cruzem à península do Sinai.

O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, telefonou para Mubarak e expressou solidariedade ao líder egípcio, indicando desejo de que a estabilização seja retomada o mais rápido possível.

O Egito reconhece o Estado de Israel e é visto como um aliado estratégico do país hebreu, apesar de no passado já ter travado guerras com os israelenses.

Buscando capitalizar as revoltas como uma possível inclinação do Egito ao fundamentalismo islâmico, o porta-voz da Chancelaria do Irã, Ramin Mehmanparast, disse que Mubarak deve renunciar e permitir que uma "onda islâmica desperte".

Na Jordânia, Hamman Saeed, o líder da Irmandade Muçulmana, de oposição ao governo do rei Abdullah 2º --aliado de Washington-- disse que as revoltas no Egito devem se espalhar por todo o Oriente Médio, levando os árabes a se rebelar contra seus líderes "tiranos" aliados aos Estados Unidos.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/868263-agencia-reduz-avaliacao-de-divida-do-egito-por-risco-politico.shtml

Uso da capacidade instalada da indústria atinge 84,7%, diz FGV!

Uso da capacidade instalada da indústria atinge 84,7%, diz FGV

Nível de utilização é o menor desde novembro do ano passado, quando indicador ficou em 84,5%

AE | 31/01/2011

O Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci) da indústria, na série com ajuste sazonal, atingiu 84,7% em janeiro, após ficar em 84,9% em dezembro do ano passado, segundo informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Hoje, a instituição anunciou o Índice de Confiança da Indústria (ICI), indicador-síntese da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação.

A FGV informou que o Nuci de janeiro é o menor desde novembro do ano passado (84,5%), na série com ajuste sazonal. O patamar de uso da capacidade neste mês está 0,7 ponto porcentual abaixo do Nuci de junho de 2010, que foi o maior nível do ano passado. Ao analisar a evolução do indicador em termos de média trimestral, a FGV informou que o mês de janeiro foi o quarto consecutivo em que o Nuci fica entre 84,8% e 85,0%.

Ainda segundo a FGV, na série de dados sem ajuste sazonal, o nível de uso de capacidade em janeiro foi de 83,1%, inferior ao apurado em dezembro, quando atingiu 85,3%, e o menor desde janeiro de 2010 (82,1%).

Link:

http://economia.ig.com.br/empresas/industria/uso+da+capacidade+instalada+da+industria+atinge+847+diz+fgv/n1237976149680.html

Egito gera cautela e temor entre países árabes e muçulmanos!

Egito gera cautela e temor entre países árabes e muçulmanos

DA BBC BRASIL

As incertezas provocadas pelos protestos populares contra o governo egípcio vêm gerando uma série de reações cautelosas entre outros países árabes e muçulmanos nos últimos dias.

Os protestos no Egito foram supostamente inspirados pelas manifestações que levaram à derrubada do governo da Tunísia, no início do mês, gerando o temor em muitos países da região de um possível efeito dominó.

Milhares de pessoas vêm protestando também desde a semana passada contra o governo no Iêmen, pedindo a renúncia do presidente.

Nesta segunda-feira, um estudante foi morto em Cartum, capital do Sudão, após as forças de segurança locais terem disparado contra manifestantes que protestavam contra o governo, inspirados pelos protestos egípcios.

Manifestações populares também foram registradas em países como Argélia, Jordânia, Arábia Saudita e Líbano, onde centenas de pessoas protestaram contra o aumento dos preços de alimentos e combustíveis e contra aumentos de impostos.

IRÃ

No Irã, o presidente do Parlamento, Ali Larijani, declarou apoio às manifestações populares no Egito e criticou o Ocidente, afirmando que "a essência de uma revolta não pode ser alterada por meio de falsas propagandas".

Sem mencionar o nome do líder oposicionista egípcio e prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, que retornou ao país na semana passada para se juntar aos protestos, Larijani acusou o Ocidente de promover "uma ação oportunista" ao tentar "introduzir algumas falsas figuras como líderes principais de sua revolução".

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não fez referência direta ao Egito, mas disse que é dever dos iranianos "esclarecer a mensagem da Revolução Islâmica de 1979" e "enfrentar as estruturas arrogantes de poder e administração e também organizar a futura administração do mundo".

As autoridades de linha-dura do Irã vêm buscando capitalizar os levantes das últimas semanas, afirmando que eles são uma repetição da revolução de 1979, que derrubou o regime pró-americano do xá Reza Pahlevi e levou os clérigos islâmicos ao poder.

A oposição iraniana, porém, tem outra visão sobre os protestos no Egito. O ex-candidato presidencial Mir Hossein Mousavi comparou os protestos egípcios às manifestações populares no próprio Irã em 2009, após as eleições presidenciais nas quais Mousavi foi derrotado pelo presidente Ahmadinejad, acusado de fraude.

As manifestações contra a reeleição de Ahmadinejad foram as maiores no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

APOIO

Apesar de declarações cuidadosas em toda a região, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, recebeu algumas declarações de apoio.

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, afirmou no sábado que "nenhum árabe ou muçulmano pode tolerar qualquer intromissão na segurança e na estabilidade do Egito árabe e muçulmano por aqueles que se infiltraram entre a população em nome da liberdade de expressão, para infiltrar seu ódio destrutivo".

A Arábia Saudita e o Egito são os dois mais importantes e poderosos aliados americanos entre os países árabes e eram comumente vistos como ilhas de estabilidade na região.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, telefonou a Mubarak para afirmar sua "solidariedade com o Egito e seu comprometimento com a segurança e a estabilidade" do país, segundo assessores.

Outro a se manifestar sobre as manifestações no Egito foi o presidente da Síria, Bashar al Assad, que disse, em declarações publicadas pelo jornal americano "Wall Street Journal", que os protestos representam "uma nova era" no mundo árabe.

Apesar disso, Assad afirmou que seu país está "imune" a esse tipo de agitação. O presidente sírio afirmou que seu governo é estável, apesar de enfrentar mais "circunstâncias difíceis" na economia do que o restante do mundo árabe.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/bbc/868353-egito-gera-cautela-e-temor-entre-paises-arabes-e-muculmanos.shtml

Lucro do Bradesco cresce 25,1% em 2010 e chega a R$ 10,022 bilhões!

Lucro do Bradesco cresce 25,1% em 2010, para R$ 10,022 bi

da Folha.com

O Bradesco iniciou a temporada de resultados financeiros do setor bancário no quarto trimestre nesta segunda-feira, anunciando lucro líquido de R$ 2,987 bilhões, 37% acima do lucro líquido de um ano antes (R$ 2,181 bilhões). Com o resultado, em 2010, o banco apurou um lucro líquido contábil de R$ 10,022 bilhões, com um incremento de 25,1% na comparação com 2009 (de R$ 8,012 bilhões). No terceiro trimestre de 2010, o lucro foi de R$ 2,527 bilhões.

Segundo balanço divulgado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o lucro líquido contábil é composto por R$ 7,104 bilhões provenientes das atividades financeiras, correspondendo a 70,9% do total, e por R$ 2,918 bilhões gerados pelas atividades de seguros, previdência e capitalização, representando 29,1% do total.

O banco fechou o ano, em 31 de dezembro, com valor de mercado de R$ 109,759 bilhões, com queda em relação ao trimestre anterior: em 30 de setembro, o valor de mercado era de R$ 114,51 bilhões.

No final de dezembro, a carteira de crédito do banco ficou em R$ 293,555 bilhões, crescimento de 23% sobre o mesmo período de 2009. As operações com pessoas físicas totalizaram R$ 98,122 bilhões -- crescimento de 19,5% -- enquanto as operações com pessoas jurídicas somaram R$ 195,433 bilhões (crescimento de 24,9%).

Os ativos totais em dezembro registraram saldo de R$ 637,485 bilhões, crescimento de 25,9% em relação ao mesmo período de 2009.

O patrimônio líquido em dezembro de 2010 somou R$ 48,043 bilhões, 15,% superior a igual período do ano anterior.

A PDD (despesas com provisão para devedores duvidosos) registrou queda de 14,8% no quarto trimestre, ante R$ 2,295 bilhões no mesmo período do ano anterior. Sobre o terceiro trimestre foi registrada alta de 11,5%.

Link:


http://www1.folha.uol.com.br/mercado/868250-lucro-do-bradesco-cresce-251-em-2010-para-r-10022-bi.shtml



Meu Comentário!


A existência de um sistema financeiro saudável e lucrativo é fundamental para que um país possa crescer. Não há problema algum em que os bancos lucrem bastante, desde que as empresas do setor produtivo também estejam lucranco, o país cresça, gere empregos e aumente o poder de compra dos salários. Se tudo isso acontece, como ocorre hoje no Brasil, não há problema algum, pois qualquer país que deseje se desenvolver necessita possuir um sistema financeiro forte.

Os problemas surgem, realmente, quando os bancos têm prejuízos e quebram, obrigando os governos a injetar bilhões ou até trilhões de dólares para salvá-los, tal como ocorreu, por exemplo, nos EUA e no Reino Unido.

A existência de um sistema financeiro brasileiro forte e lucrativo é a garantia de que jamais precisaremos usar dinheiro público para salvar bancos privados falidos e, assim, os recursos públicos poderão ser utilizados para investimentos em educação, saúde, saneamento básico, melhorando as condições de vida da população.

Embraer entregará dez jatos a empresa aérea ucraniana!

Embraer entregará dez jatos a empresa aérea ucraniana

Operação está estimada em R$ 674 milhões; valor será incluído na carteira atual de pedidos firmes da fabricante brasileira

Reuters | 31/01/2011

A Embraer acertou acordo com a companhia aérea ucraniana Dniproavia para a entrega de 10 jatos modelo 190, numa operação de US$ 400 milhões (aproximadamente R$ 674 milhões) a preços de tabela dos aviões, mas que pode chegar a US$ 600 milhões se outras cinco opções forem confirmadas.

Segundo a fabricante brasileira, o valor do acordo será incluído a carteira atual de pedidos firmes da Embraer. A operação foi estruturada por meio de uma operação de leasing organizada por terceiros, afirma a empresa.

Os aviões serão configurados em duas classes e terão capacidade para 104 passageiros. A entrega das duas primeiras aeronaves está prevista para o último trimestre de 2011. Todos os dez aviões servirão às rotas domésticas e internacionais.

Além dos 190, a frota da Dniproavia terá 25 aviões da Embraer modelo 145 até o final deste ano.

Em 2010, a Embraer entregou 246 aviões, acima da meta de 227 aeronaves e mais que os 244 aparelhos despachados em 2009. A carteira de pedidos firmes fechou o ano passado em US$ 15,6 bilhões.

Link:


http://economia.ig.com.br/empresas/industria/embraer+entregara+dez+jatos+a+empresa+aerea+ucraniana/n1237976156786.html

Inflação na zona do euro supera teto defendido pelo BC europeu!

Inflação na zona do euro supera teto defendido pelo BC europeu

DA FRANCE PRESSE, EM BRUXELAS

A inflação voltou a subir em janeiro na zona do euro, a 2,4% em ritmo anual, superando assim o teto levemente inferior a 2% defendido pelo BCE (Banco Central Europeu).

Em dezembro, o índice foi de 2,2%, superando 2% pela primeira vez desde novembro de 2008.

A inflação está no nível máximo na zona do euro, integrada por 17 dos 27 países da UE (União Europeia), desde outubro de 2008, quando foi de 3,2%.

O BCE, responsável por administrar a estabilidade dos preços na união monetária, defende uma inflação a médio prazo levemente inferior a 2%.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/868297-inflacao-na-zona-do-euro-supera-teto-defendido-pelo-bc-europeu.shtml

Oposição egípcia convoca megaprotesto e quer reunir 1 milhão de pessoas contra Ditadura de Mubarak!

Oposição convoca megaprotesto e rejeita diálogo no Egito

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O Movimento 6 de Abril, o grupo de oposição que iniciou os protestos populares do Egito, convocou para esta terça-feira manifestações maciças e espera reunir 1 milhão de pessoas exatamente uma semana após o início dos protestos pela queda de Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.

Outro grupo opositor, Irmandade Muçulmana rejeitaram nesta segunda-feira manter qualquer diálogo com o novo primeiro-ministro Ahmed Shafiq, e criticou Mubarak por ter proposto a conversa na véspera.

'Queremos fazer com que seja como um carnaval, com músicas, poesias e espetáculos, tudo centrado em pedir a renúncia de Hosni Mubarak", disse o porta-voz do Movimento 6 de Abril, que pediu anonimato.

O Movimento 6 de Abril é o principal grupo por trás dos protestos públicos contra o regime do presidente Mubarak e conta com o apoio dos Irmãos Muçulmanos e da plataforma política liderada pelo Nobel da Paz e reformista Mohamed ElBaradei.

A concentração desta terça-feira está programada para às 12h (8h de Brasília) na praça Tahrir, epicentro dos protestos, mas não descartam que haja outros locais com concentrações de egípcios contra o governo ditatorial.

Na semana passada, o grupo contou principalmente com a internet e as redes sociais para divulgar as manifestações. Mas com a censura à rede imposta pelo governo, há dúvidas de como a notícia correrá pelo país.

O Movimento 6 de Abril e os outros grupos de jovens que apoiam esta organização realizarão nas próximas horas uma reunião para preparar os atos desta terça-feira e redigir um comunicado que será distribuído na praça Tahrir. A praça está sob forte proteção do Exército, que tenta impedir aglomerações.

O porta-voz do grupo desmentiu relatos de uma greve geral para esta segunda-feira, como divulgaram alguns meios de comunicação, e assinalou que esse pedido está vigente desde o início dos protestos populares, na terça-feira passada.

A rotina no Egito foi prejudicada tanto pelos protestos quanto pelo toque de recolher imposto na sexta-feira à noite e estendido neste fim de semana das 15h (11h de Brasília) às 8h (4h de Brasília).

DIÁLOGO

Um dos líderes da Irmandade Muçulmana, Mahmoud Ghazali, afirmou à agência de notícias Efe que o vice-presidente Omar Suleiman e o premiê Shafiq "são os pilares do regime e participou de sua injustiça e corrupção, e suas mãos nunca se reforma ou a democracia". O grupo, considerado o maior de oposição, quer formar um Estado islâmico no Egito.

Na noite passada, Mubarak instruiu Shafiq, o primeiro-ministro empossado no último sábado, a iniciar um diálogo com a oposição para promover a democracia no país, informou a televisão pública.

"Nós só queremos falar com o Exército, o único no qual as pessoas confiam, para chegar a um acordo sobre a transferência de poder de forma pacífica", disse Ghazali, acrescentando que a proposta de Mubarak "vem muito tarde".

"O povo rejeitou todos esses rostos de Mubarak, Suleiman e Shafiq", disse.

O líder da Irmandade insistiu que o único pedido do povo continua a derrubada do regime. Ele alertou que, se Mubarak não deixar o cargo, os cidadãos continuarão nas ruas para derrubá-lo.

A oposição egípcia anunciou neste domingo a criação de uma comissão que inclui, entre outros grupos, a Irmandade Muçulmana e a Assembleia Nacional para a Mudança, liderada por ElBaradei, com a missão de se aproximar dos militares e criar pontes de comunicação.

POLÍCIA

Apesar da convocação, Cairo parece voltar um pouco à rotina nesta segunda-feira. A polícia egípcia voltou nesta segunda-feira a sair às ruas em alguns bairros da capital que tinha deixado na sexta-feira passada (28) --quando deu lugar ao Exército.

Na praça de Al Gala, no bairro de Dokki, junto ao centro da capital e que foi nos últimos dias palco contínuo de manifestações, os policiais voltaram a seus postos para organizar o trânsito e a área recuperou a normalidade.

Em outros bairros como o famoso de Zamalek, onde se encontram muitas embaixadas, se pôde ver apenas um policial na entrada desta egião, onde os próprios cidadãos se encarregavam nos últimos dias de proteger os prédios, como aconteceu em diferentes pontos do país.

Na ponte 6 de Outubro, que se estende de leste a oeste do Cairo, alguns veículos da Polícia que foram incendiados durante os protestos, que começaram na terça-feira passada, tinham sido retirados e já não estavam mais lá.

A polícia egípcia recebeu ordens de se desdobrar de novo nas ruas após deixá-las na sexta-feira passada pela noite, depois que se declarou o toque de recolher, o que suscitou uma onda de atos de pilhagem por todo o país.

Além disso, milhares de presos fugiram de várias prisões do país, e muitos deles agiram nas pilhagens. Segundo as autoridades, até a noite deste domingo tinham sido detidas cerca de 3.000 pessoas, acusadas de participar destas ações.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/868259-oposicao-convoca-megaprotesto-e-rejeita-dialogo-no-egito.shtml

Dívida pública e déficit público nominal diminuíram em 2010!

Setor público economiza 2,78% do PIB, abaixo da meta para 2010

EDUARDO CUCOLO

União, estados, municípios e suas estatais fizeram em 2010 uma economia de R$ 101,7 bilhões para pagar os juros da dívida, o chamado superavit primário.

O valor equivale a 2,78% do PIB (Produto Interno Bruto). Pelo segundo ano consecutivo, o governo só vai alcançar a meta de 3,1% utilizando artifícios contábeis.

Além de realizar operações contábeis envolvendo Caixa Econômica Federal, Eletrobrás e Petrobras, o governo vai descontar da meta os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e declarar que ela foi alcançada.

Como o superavit primário não foi suficiente para pagar os juros da dívida, que representaram 5,34% do PIB (R$ 195,4 bilhões), o setor público registrou também um deficit de 2,56% do PIB nas suas contas.

Apesar desse resultado, a dívida líquida do setor público caiu de 42,8% para R$ 40,4% do PIB (R$ 1,48 trilhão) no ano passado. Isso porque o PIB brasileiro cresceu mais que a sua dívida.

Em dezembro, o superavit primário foi de R$ 10,8 bilhões, inflado por uma operação envolvendo a Caixa. Segundo o BC, trata-se do melhor resultado o último mês do ano desde 2001.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/868330-setor-publico-economiza-278-do-pib-abaixo-da-meta-para-2010.shtml


Meu Comentário!

Não foi somente a dívida pública que caiu (de 42,8% para 40,4% do PIB). O déficit público nominal também diminuiu em 2010, de 3% do PIB em 2009 para 2,56% do PIB em 2010.

E isso está acontecendo, no Brasil, em um momento em que o mundo inteiro enfrenta um brutal processo de aumento da dívida e do déficit público. No Reino Unido, o déficit público foi de 8% do PIB em 2010. No Japão ele alcançou 9,1% do PIB e nos EUA atingiu 9,8% do PIB.

A diminuição da dívida pública brasileira em 2010 também vai na contramão do que ocorre nos demais países. Nos EUA (somando as 3 esferas de governo: federal, estadual e municipal) ela passa de 100% do PIB. Em outros países europeus a dívida pública também já chegou perto (caso do Reino Unido) ou até ultrapassou os 100% do PIB (caso da Itália).

Hosni Mubarak se aproxima de militares para manter o poder no Egito!

Hosni Mubarak se aproxima de militares para manter o poder no Egito

No sexto dia de protestos, militares fazem demonstração de força perante milhares de pessoas no centro da capital egípcia. Diante do caos instalado, Exército e serviço secreto assumem cada vez mais o controle do país.

Apesar da censura da mídia, de um discurso na televisão e de um novo quadro de lideranças, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, não consegue conter novos protestos contra ele. Neste domingo (30/01), milhares de pessoas se reuniram novamente no centro do Cairo, no sexto dia consecutivo de manifestações.

Após as revoltas políticas que deixaram mais de cem mortos no Egito desde a última terça-feira, as ruas do Cairo, Alexandria e outras cidades do país haviam amanhecido aparentemente calmas neste domingo.

Apesar do toque de recolher, a madrugada foi marcada por saques e desmandos. Com a ausência da polícia, a população organizou brigadas civis para se defender de ataques. O Exército, que patrulha os principais prédios públicos, bancos, grandes cruzamentos e a cidade histórica do Cairo, prendeu cerca de 450 saqueadores.

Os saqueadores entraram até no Museu Egípcio, onde teriam destruído duas múmias, segundo anunciou a emissora Arabyia. Além dos diversos estupros e dos saques de várias lojas, o anúncio da fuga de milhares de prisioneiros de cadeias egípcias espalhou medo e pânico entre a população, como também entre turistas.

Protestos continuaram neste domingo apesar de toque de recolherBildunterschrift: Protestos continuaram neste domingo apesar de toque de recolher

Caos instalado

Devido aos saques, cada vez mais estrangeiros querem deixar o país. No momento, milhares de turistas esperam por voos extras no Aeroporto Internacional do Cairo. Os Estados Unidos alertaram seus cidadãos para deixarem o Egito.

A violência dos protestos contra o regime do presidente Hosni Mubarak também provoca a fuga da elite egípcia. No domingo, 45 jatos particulares deixaram o Aeroporto do Cairo, levando empresários, diplomatas e artistas, como também seus familiares, informou a administração do aeroporto. No sábado, 19 voos particulares já haviam partido do Cairo.

Com vista ao caos instalado e ao vácuo de poder, o Exército e o serviço secreto assumem cada vez mais o controle do país. Isso se reflete nas recentes mudanças do quadro de lideranças, anunciadas pelo controverso e abalado Hosni Mubarak neste final de semana.

Apoio dos militares

No sábado, Mubarak nomeou o chefe do serviço secreto, Omar Suleiman, como seu vice-presidente. Bem visto por israelenses e norte-americanos, o general é há muito considerado como possível sucessor do presidente egípcio de 82 anos.

Como novo primeiro-ministro, Hosni Mubarak designou o antigo comandante da Força Aérea egípcia, Ahmed Schafik. Em seu discurso, o presidente que chefia o Egito há 30 anos prometeu "novos passos em direção à democracia" e melhora do padrão de vida. Apesar dos violentos protestos em todos o país, Mubarak não pretende largar o poder e procura agora uma aproximação com os militares.

Blindados patrulham o CairoBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Blindados patrulham o CairoO presidente pôde ser visto na televisão estatal egípcia, neste domingo, durante reunião com lideranças militares, que terão um papel decisivo no desenrolar dos acontecimentos no país norte-africano.

Para continuar no cargo, Mubarak depende do apoio dos militares, cujo papel é também de grande importância no caso de uma mudança regular de poder.

Novos protestos

No sexto dia de protestos, o Exército fez uma demonstração de força diante das milhares de pessoas reunidas neste domingo no centro da capital egípcia. Enquanto soldados avançavam sobre a praça Tahrir com pelo menos 16 veículos, jatos de combate faziam voos rasantes sobre os manifestantes.

Com a perda de controle das ruas por parte da polícia, a segurança de pontos estratégicos das grandes cidades egípcias é feita agora por soldados. Na tarde deste domingo, nova leva de militares marchou em direção ao Cairo, para tentar impor um toque de recolher noturno.

Link:


http://www.dw-world.de/dw/article/0,,14805292,00.html

Como a economia deve afetar o mercado de trabalho neste ano!

Como a economia deve afetar o mercado de trabalho neste ano

Para especialista, preocupação dos profissionais deve ser com qualificação para manter a empregabilidade

Patrícia Lucena, iG São Paulo | 31/01/2011

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou uma taxa de desemprego de 5,3% em dezembro de 2010. Esse é o menor índice desde o início do levantamento, em março de 2002. Em relação ao mesmo período de 2009, a taxa recuou 1,5 ponto percentual.

Na média dos 12 meses de 2010, a taxa de desocupação ficou em 6,7%, também a menor da série histórica, 1,4 ponto percentual abaixo da média de 2009 (8,1%) e 5,7 pontos percentuais abaixo da média de 2003 (12,4%).

Foto: AE Ampliar

Taxa de desemprego deve continuar caindo em 2011, mas em um ritmo menor

Qual a influência desse cenário para o profissional que está procurando emprego, seja ele desempregado ou em busca de uma recolocação? José Gaspar Novelli, professor de Planejamento Estratégico do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), e Fábio Romão, economista da LCA Consultores, analisam dois possíveis cenários para o emprego do brasileiro neste ano.

Cenário 1 – Se atividade econômica continua crescendo significativamente

Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5%. Caso, a atividade econômica continue crescendo significativamente, a preocupação maior será com a inflação. “As taxas de juros aumentariam, impedindo a economia de avançar”, afirma José Gaspar. Segundo ele, o crescimento brasileiro é baseado no consumo. Se o crédito fica mais caro, as pessoas deixam de comprar, desacelerando a economia.

Com a inflação alta, os eventuais ganhos salariais acabam se perdendo, pois o consumo fica mais caro.

Em um primeiro momento, esse cenário seria favorável para os desempregados, já que a continuidade no crescimento econômico levaria à criação de mais empregos. Entretanto, segundo o economista Fábio Romão, em um segundo momento, a taxa de desemprego poderia subir significativamente.

“Um crescimento contínuo faria com que a demanda de produtos aumentasse significativamente, levando a uma alta dos preços. Com isso, a inflação aumentaria, obrigando a autoridade monetária a colocar um ‘freio’ na economia”, afirma Fábio.

Na opinião de Fábio, esse é um cenário muito improvável. “O Banco Central e o governo não deixariam que isso acontecesse”. Segundo ele, os países emergentes já têm dado sinais de que vão “pisar no freio” ao longo deste ano com medo de que haja pressões inflacionárias adicionais e isso prejudique o consumo.

Cenário 2 – redução do crescimento da economia

Na opinião de José Gaspar, esse é o cenário mais provável para este ano. A expectativa é uma redução do nível de crescimento de 7,5% para 5%. Com isso, a taxa de desemprego deve ficar um pouco mais alta, mas ainda abaixo das taxas de outros países.

O economista Fábio Romão espera que, neste ano, o PIB tenha um crescimento de 4,3%. “Com esse PIB, a taxa de desemprego deve continuar caindo, mas não no nível de 2009 e 2010”. Para ele, a taxa de desocupação deve ficar em torno de 6,4%, o que representa uma redução de 0,3 ponto percentual em relação a 2010.

Segundo Fábio, o que deve ser levado em conta na hora de analisar o desemprego é o crescimento da população ocupada e da população economicamente ativa. “São essas duas variáveis que resultam na taxa de desemprego. Se a população ocupada cresce mais do que a população economicamente ativa, a taxa de desocupação cairá em um ritmo menor.”

No ano passado, com a maior demanda de consumo – e, por consequência, por profissionais –, os salários também registraram alta. Entretanto, as empresas só conseguirão sustentar esses ganhos se a produtividade aumentar. “Para compensar os salários no ano passado, há necessidade em melhorar a produção, diminuindo custos em tecnologia, por exemplo”, analisa José Gaspar.

Apesar da redução do nível de crescimento, pode ser que para alguns setores haja uma manutenção da demanda de empregos. Outros podem ser mais afetados. “Não é algo generalizado. Há variáveis como a região e o setor”, destaca José Gaspar.

O que deve ser notado é que a taxa de desemprego pode aumentar, mas isso não significa uma maior dificuldade em conseguir um trabalho. “As pessoas devem começar a se preparar para assumir os desafios que a competitividade nas empresas exige”, acredita José Gaspar. De acordo com ele, os funcionários devem estar mais preocupados com sua qualificação e mudanças de tecnologia no mercado de trabalho. “Olhar menos os números e mais o nível de qualificação.”

Neste ano, as oportunidades devem continuar aparecendo, mas em um ritmo menos acelerado. De acordo com Fábio Romão, há alguns setores que enfrentam problemas com a mão de obra qualificada. “Isso faz com que os salários sejam maiores para profissionais nessa área. Um exemplo é o setor de construção, que no ano passado teve um crescimento de 10% nos salários, valor muito acima da média geral, que foi de 3,8%.”

Link:

http://economia.ig.com.br/carreiras/como+a+economia+deve+afetar+o+mercado+de+trabalho+neste+ano/n1237973361398.html

Um novo BC do B, mais prudencial…! - por Ricardo Gallo!

Um novo BC do B, mais prudencial…

Acho que depois da última ata do COPOM e das medidas tomadas nos últimos meses é possível tirar algumas conclusões sobre o novo BC do B:

a. Além do arsenal tradicional de combate a inflação, este BC pretende utilizar as chamadas medidas prudenciais. Tais medidas são na verdade regras que irão criar restrições à oferta de crédito interno, aumentando seu custo ou reduzindo sua disponibilidade ou inviabilizando algumas práticas mais agressivas por parte dos bancos, financeiras e empresas de cartão de crédito.

b. BC está bastante preocupado com o R$ . Deverá ser bastante mais agressivo no combate a entrada de capitais, seja com intervenções no mercado de câmbio, ou através de medidas “prudenciais que impeçam entradas de câmbio de caráter mais especulativo.

Com isto, haverá um aumento no custo do financiamento ao consumo, que deverá fazer com que demanda interna caia. Se isto der certo, a alta dos juros selic poderá ser menor, atraindo assim menos US$ do que aconteceria caso o BC só adotasse a tradicional alta de juros selic.

Por outro lado, ao evitar que Real se aprecie mais, ele fica exposto a alta das commodities internacionais, o que pode trazer uma pressão adicional à inflação já bem elevada. Se o US$ caísse mais, o custo dos produtos importados cairia, o que reduziria a necessidade de um aperto monetário maior por parte do BC.

A boa notícia é que o custo do crédito para empresas deve ser menos atingido por estas medidas, pois elas estão mirando no consumo e no crédito pessoal. Fica evidente aí a preferência pela produção e investimento sobre o consumo neste governo. Estamos gradualmente mudando do modelo consumista da era Lula, que trouxe enorme dividendos eleitorais, para alguma coisa mais centrada no investimento.

Outra implicação desta nova direção da política do BC diz respeito a sua relação com os bancos. Se o volume de crédito ao consumo de fato desacelerar, tais medidas terão um impacto negativo sobre o crescimento do lucro dos bancos.

Precisamos agora checar se o Guido faz a parte dele e :

a. reduz alguns gastos públicos, diminuindo assim a demanda;

b. revê política de empréstimos do BNDES, fazendo-o focar em infra

c. convence a CEF colocar um pouco de disciplina e critério no seu processo de concessão de crédito habitacional, pois pelo que tenho visto na imprensa, parece que a coisa lá está meio solta.

Assim, quem sabe, não é só o consumidor que paga o custo de trazer inflação de volta para sua meta….

Link:

http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2011/01/31/um-novo-bc-do-b-mais-prudencial/

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Egito como estado “dos outros”: EUA, Israel e um punhado de novos ricos! - por Juan Cole!


O Egito como estado “dos outros”: EUA, Israel e um punhado de novos ricos - por Juan Cole, em seu blog (do Viomundo)

Egypt’s Class Conflict - Posted on 01/30/2011

Na manhã de domingo havia sinais de que os militares egípcios estavam assumindo algumas funções de segurança. Soldados começaram a prender suspeitos de vandalismo, cerca de 450 deles.

O desaparecimento da polícia das ruas havia levado à ameaça de saques generalizados, o que agora está sendo enfrentado pelas forças militares regulares. Outros métodos de controle ficaram claros. O governo fechou o escritório da Al Jazeera no Cairo e tirou a licença para que os jornalistas da emissora trabalhassem lá, de acordo com mensagens no twitter. (A Al Jazeera não tinha sido capaz de transmitir diretamente do Cairo mesmo antes da decisão). O canal, baseado no Catar, é visto pelo presidente Hosni Mubarak como agente a serviço de enfraquecê-lo.

Por que o estado egípcio perdeu sua legitimidade? Max Weber distinguia entre poder e autoridade. O poder flui das armas e o estado egípcio tem uma grande quantidade delas. Mas Weber definia autoridade como a probabilidade de uma ordem ser obedecida. Líderes que tem autoridade não precisam atirar nas pessoas. O regime de Mubarak já atirou em mais de 100 pessoas nos últimos dias e feriu muitas outras.

Literalmente, centenas de milhares de pessoas ignoraram as ordens de Mubarak para observar o toque de recolher noturno. Ele perdeu sua autoridade.

A autoridade é baseda em legitimidade. Líderes são seguidos quando as pessoas concordam que eles tem alguma base legítima para sua autoridade e poder. Em países democráticos, a legitimidade vem das urnas.

No Egito, entre 1957-1970, a autoridade derivou do papel de liderança que os militares e as forças de segurança tiveram ao livrar o país da hegemonia ocidental. Aquele conflito incluiu enfrentar o Reino Unico para ganhar controle do canal de Suez (originalmente contruído pelo governo egípcio e aberto em 1869, mas comprado por quase nada pelos britânicos em 1875, quando as práticas bancárias ocidentais levaram o governo egípcio endividado à beira da bancarrota).

Também envolveu enfrentar as tentativas agressivas de Israel de ocupar a península do Sinai para representar interesses israelenses no canal de Suez. O líder revolucionário árabe Gamal Abdel Nasser (que morreu em 1970) conduziu uma grande reforma agrária, dividindo as gigantescas fazendas de estilo centro-americano e criando uma classe média rural. Leonard Binder argumentou que no fim dos anos 60 aquela classe média era a coluna do regime. O estado sob Abdel Nasser promoveu a industrialização e também criou uma classe urbana de empresários que se beneficiaram das construções encomendadas pelo governo.

A partir de 1970, Anwar El Sadat levou o Egito por uma nova direção, abrindo a economia e abertamente se aliando à classe empresarial multimilionária do ramo da construção. Esta estava em busca de investimentos europeus e americanos. Cansado das guerras sem resultado entre árabes e israelenses, o público egípcio deu apoio ao plano de paz de 1978 com Israel, que acabou com o ciclo de guerras com aquele país e abriu espaço para construir a indústria de turismo egípcia e o investimento ocidental nela, assim como ajuda financeira americana e europeia. O Egito se moveu para a direita.

Mas enquanto as políticas socialistas de Nasser levaram à duplicação dos salários reais no Egito entre 1960-1970, de 1970 a 2000 não houve desenvolvimento no país. Parte do problema foi demográfico. Se a população cresce 3% ao ano e a economia cresce 3% ao ano, o aumento per capita é zero. Desde cerca de 1850, o Egito e outros países do Oriente Médio tem tido um (misterioso) boom populacional.

As crescentes populações tornaram as cidades inchadas, já que tipicamente elas oferecem salários maiores que na zona rural, mesmo na economia informal (por exemplo, vendendo caixas de fósforo). Quase metade da população agora vive nas cidades e muitas vilas hoje se tornaram subúrbios das vastas metrópoles.

E assim a classe média rural, embora ainda importante, não serve mais como principal base de apoio ao regime. Um governo bem sucedido teria de ter um grande número de pessoas nas cidades ao seu lado. Mas lá, as políticas neoliberais exigidas pelos Estados Unidos de Hosni Mubarak desde 1981 não ajudaram. As cidades egípcias sofrem de alto índice de desemprego e de inflação relativamente alta. O setor urbano viu nascerem alguns multibilionários, mas muitos trabalhadores ficaram para trás. O enorme número de formados em escolas secundárias e universidades produzidos pelo sistema não encontra empregos à altura de sua educação e muitos nem conseguem emprego. O Egito urbano tem ricos e pobres, mas uma pequena classe média. O estado tenta cuidadosamente controlar os sindicatos, que quase nunca agem de forma independente.

O estado, assim, é visto como um estado para poucos. Sua velha base de classe média rural estava em declínio com a mudança dos jovens para as cidades. O estado está fazendo pouco para as classes trabalhadora e média urbanas. Uma classe de negócios ostentadora emergiu, altamente dependente de contratos e da boa vontade do governo — e se encontra nos hotéis de luxo de turismo. Mas as massas de formados na escola secundária e na universidade foram reduzidas a dirigir táxis e vender tapetes (quando conseguem esses bicos) e não se beneficiaram das taxas de crescimento no papel da última década.

O regime militar do Egito inicialmente ganhou legitimidade popular em parte por enfrentar a França, o Reino Unido e Israel entre 1956-57 (com a ajuda de Ike Eisenhower). Depois dos acordos de Camp David o Egito ficou de fora das grandes disputas do Oriente Médio e fez o que é visto como uma paz em separado. A cooperação do Egito com o bloqueio israelense de Gaza e sua aliança tácita com os Estados Unidos e Israel enfureceram politicamente os mais jovens, que já estavam economicamente frustrados.

A ajuda do Cairo aos Estados Unidos, por baixo do pano, com [a invasão do] Iraque e com a tortura de suspeitos de pertencer à Al Qaeda, é bem conhecida. Muito pouco desgosta tanto os egípcios quanto a guerra do Iraque e a tortura. O estado egípcio foi de ter uma ampla base nos anos 50 e 60 para ser capturado por uma pequena elite. Foi de um símbolo de luta por dignidade e independência diante do domínio britânico para ser visto como um cãozinho de estimação do Ocidente.

O fracasso do regime em se conectar com as crescentes classes urbanas (média e de trabalhadores) e sua incapacidade em dar emprego aos formados em universidades criaram as condições para os eventos da semana passada. Trabalhadores educados precisam de um estado legal para regular suas atividades econômicas e o governo arbitrário de Mubarak é visto como um atraso por eles. Embora a economia tenha crescido entre 5 e 6% na última década, o ímpeto governamental que houve para esse desenvolvimento permaneceu escondido — ao contrário da reforma agrária dos anos 50 e 60. Além disso, a renda ganha com o aumento do comércio foi para uma pequena classe de investidores. Por exemplo, desde 1991 o governo vendeu 150 das 314 empresas estatais, mas o benefício das vendas foi para um pequeno punhado de pessoas.

A crise econômica mundial de 2008-2009 teve um efeito devastador para os egípcios que já viviam precariamente. Muitos dos mais pobres enfrentaram a fome. Depois, a queda nos preços e nas receitas do petróleo fizeram com que muitos dos trabalhadores egípcios em outros países perdessem sua reserva econômica. Eles não puderam mais fazer as remessas de dinheiro para casa e muitos tiveram de voltar de forma humilhante.

O estado nasserista, com todos os seus problemas, teve legitimidade porque era visto como um estado para a massa dos egípcios, tanto fora quanto dentro do país. O atual regime é visto no Egito como um estado para os outros — para os Estados Unidos, Israel, França e Reino Unido — e é um estado para poucos — os novos ricos neoliberais.

O islã não é levado em conta nesta análise por não ser uma variável independente. Os movimentos islâmicos tem servido para protestar contra a ausência do estado diante de suas responsabilidades e para oferecer serviços. Mas eles são um sintoma, não uma causa. É por isso que a nomeação por Mubarak de militares para ocupar os cargos de vice-presidente e de primeiro-ministro não são suficientes em si para enfrentar a crise. Eles, como homens do Sistema, não tem mais legitimidade que o presidente — talvez até menos.

Link:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-egito-como-estado-dos-outros-eua-israel-e-um-punhado-de-novos-ricos.html

Com ElBaradei no jogo, EUA estão à vontade para rifar Mubarak?


Com ElBaradei no jogo, EUA estão à vontade para rifar Mubarak?

Os Estados Unidos criticam "ditadores" apenas quando estes não lhe são úteis. Mas quando prestam serviços ao imperialismo, recebem sólido apoio da Casa Branca. O ditador egípcio Hosni Mubarak contava com o apoio americano até agora. Mas com a entrada de Mohamed ElBaradei no jogo, o governo Obama já se sente seguro para rifar Mubarak e colocar o ex-chefe da AIEA em seu lugar? Esta é a pergunta que os analistas mais fazem neste momento.

O opositor Mohamed ElBaradei (foto), encarregado de negociar com o regime do presidente Hosni Mubarak, juntou-se na noite deste domingo (30) à multidão que se concentra na Praça Tahrir, para pedir a renúncia do presidente Hosni Mubarak. O local é o centro de protestos na cidade. ElBaradei desobedeceu o toque de recolher que começou às 16h (12h, em Brasília).

Ele prometeu aos manifestantes que "a mudança chegará". "Vocês reconquistaram seus direitos e o que começamos não pode ter volta", discursou aos milhares de manifestantes presentes. "Temos uma demanda principal - o fim do regime e o começo de um novo estágio, um novo Egito".

ElBaradei saiu de um carro perto da praça, cujo acesso era controlado por soldados em tanques de guerra. Ele caminhou rodeado por manifestantes que gritavam "O povo quer a queda do presidente" e "Vamos sacrificar nossa alma e nosso sangue pelo país".

As forças de oposição do Egito, lideradas pela Irmandade Muçulmana, encarregaram o dissidente Mohamed ElBaradei de negociar com o regime do presidente Mubarak, alvo dos protestos que já duram seis dias e paralisaram o país. A decisão foi divulgada neste domingo (30) por Saad al-Katatni, um dos líderes do movimento islamita.

A Coalizão Nacional por Mudança, que reúne vários movimentos de oposição egípcios - incluindo a Irmandade Muçulmana, que foi proscrita pelo governo - escolheram o Prêmio Nobel da Paz para representá-los "nas negociações com as autoridades", disse al-Katatni a agência de notícias Reuters.

Nova postura em relação aos EUA?

Conforme este portal afirmou em editorial, Baradei, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2005, foi Diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e tem um extenso currículo de serviços prestados ao imperialismo e sua ascensão ao governo egípcio seria uma garantia de que mudam os nomes mas permanecem as alianças e a fidelidade aos EUA e a Israel.

Mas logo após a confirmação de seu nome como interlocutor privilegiado da oposição, ElBaradei deu declarações que indicam um aparente rompimento com a política de Washington. Ele afirmou que o presidente Hosni Mubarak deve deixar o cargo neste domingo para abrir caminho para um governo de unidade nacional em uma eleição "livre" e "justa" e que a política dos Estado Unidos no Egito está perdendo a credibilidade.

A secretária do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse, por sua vez, neste domingo, que os EUA querem uma transição ordenada do poder no Egito. "Nós queremos ver uma transição ordenada para que ninguém preencha um vazio, que não haja um vazio, que haja um plano bem pensado, que trará um governo democrático e participativo", disse Hillary ao programa "Fox News Sunday ".

De acordo com Hillary, "o país não quer que uma tomada de poder no Egito abale a democracia e conduza o povo à opressão". As palavras da senhora Clinton soam como a de alguém que desconhece que o Egito vive sob as ordens de um governo tatalitário que teve apoio incondicional da Casa Branca nos últimos 30 anos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou nesta sexta-feira com o presidente egípcio, Hosni Mubarak. O teor mais importante da conversa não foi revelado. A imprensa só teve acesso à declaração diplomática de sempre: a de que Obama teria pedido que se respeite os direitos da população e evite o uso de violência contra manifestantes pacíficos.

Governo cativa militares

Por sua vez, Mubarak visitou um quartel-general e reuniu os comandantes de alta patente neste domingo (30). A reunião foi divulgada pela televisão estatal. A emissora mostrou Mubarak em reunião com o recém-nomeado vice-presidente Omar Suleiman, o ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi, o chefe de gabinete Sami al-Anan e outros.

A agência oficial de notícias divulgou que Mubarak conferiu também o trabalho das Forças Armadas no comando das operações de segurança.

A ofensiva política do governo consiste em cativar os militares. Por isso, o ex-ministro da Aviação Civil, Ahmad Shafic, foi confirmado pelo governo como primeiro-ministro. Shafic, que é um ex-comandante da Força Aérea, será o responsável por formar o novo gabinete de ministros, que foi dissolvido neste sábado.

Além disso, o presidente egípcio, que não escolheu um vice-presidente desde sua posse em 1981, nomeou o seu chefe de inteligência e confidente Omar Suleiman, para o cargo. Muitos viram a nomeação como o fim das pretensões do filho do presidente, Gamal, de assumir a presidência.

Hosni Mubarak recusa-se a deixar o cargo, apesar da pressão da população. Como reforço à posição do presidente, o Parlamento egípcio anunciou neste sábado que não tem planos para antecipar as eleições.

Mubarak mandou também soldados e tanques para a capital Cairo e para outras cidades. O envio de tropas do exército para ajudar a polícia mostrou que Mubarak ainda tem o apoio dos militares, a força mais poderosa do país. Porém, qualquer mudança de opinião dos generais poderá selar o seu destino.

Agora, com a entrada de ElBaradei no cenário, uma "mudança de opinião" da Casa Branca também pode acelerar a queda de Mubarak.

Com agências

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http://www.rubro.paginaoficial.ws/noticia.php?id_noticia=146454&id_secao=9

Inclusão social de catadores recebe ajuda de fundo internacional!

Inclusão social de catadores recebe ajuda de fundo internacional - do Vermelho

O governo federal, por meio da Caixa Econômica, contratou uma operação no valor de US$ 2,7 milhões – aproximadamente R$ 4,5 milhões – para a inclusão socioeconômica de catadores de materiais recicláveis. Os recursos serão doados pelo Fundo Japonês de Desenvolvimento Social (JSDF/BIRD) ao Banco Mundial, que escolheu a Caixa para implementar o programa. O piloto será o aterro controlado do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ), e deverá ser expandido para mais dois lixões no Brasil.

Os recursos serão direcionados para dois projetos selecionados previamente pelo Banco Mundial, voltados para a erradicação de lixões e implantação de aterros sanitários. Os projetos devem estar vinculados a financiamentos da Caixa, no escopo da gestão de Resíduos Sólidos Urbanos e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Com a iniciativa, serão implantados aterros sanitários modernos e ambientalmente sustentáveis, além de instalações alternativas para o tratamento do lixo.

A doação é resultado de parceria entre a Caixa e o Banco Mundial, iniciada em junho de 2008, no âmbito do projeto Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kyoto. A parceria também prevê a comercialização, pelo banco brasileiro, de créditos de carbono, e a participação como agência coordenadora do 1º Programa de Atividades em Resíduos Sólidos Urbanos do Brasil, atualmente em fase de validação na Organização das Nações Unidas (ONU).

Inclusão - O Programa para Inclusão Social e Econômica de Catadores visa promover, por meio de um processo participativo, a inclusão de recicladores no sistema formal de prestação de serviços básicos do setor de manejo de resíduos sólidos. Para um período de três anos, espera-se o aumento de 50% na adesão de catadores às organizações de base comunitária voltadas para reciclagem e o aumento de 50% do volume de materiais reciclados.

O Programa prevê ainda a melhoria da saúde e da segurança dos catadores, o aumento da produtividade e renda, a formalização das atividades e acesso a direitos e serviços governamentais e a criação de alternativas com treinamento e colocação profissional.

Recentemente o tema ganhou destaque mundial com o documentário “Lixo Extraordinário”, que retrata o trabalho dos catadores de material reciclável no aterro de Duque de Caxias. O longa-metragem, coprodução do Brasil e Reino Unido, é um dos indicados ao Oscar 2011.

Fonte: Blog do Planalto

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Dilma: Argentina é fundamental para nossa política externa!

Dilma: Argentina é fundamental para nossa política externa - do Vermelho

A presidente Dilma Rousseff disse em entrevista a jornais argentinos que a parceria entre o Brasil e a Argentina interessa muito ao governo brasileiro e que, por isso, a Argentina é o primeiro país que ela visitará após a posse. A presidente também falou da relação com outros países da América Latina e com os Estados Unidos. Dilma sairá de Brasília rumo a Buenos Aires neste domingo (30).

A importância de reforçar a parceria entre Brasil e Argentina e, deste modo, sinalizar aos demais países da América Latina que é possível ter mais presença e ação no cenário internacional levou a presidenta Dilma Rousseff a decidir que a primeira viagem internacional fosse para a Argentina. Essa explicação foi colocada em entrevista aos jornalistas dos três importantes jornais daquele país: La Nacion, Clarín, Página 12. Além disso, a presidente Dilma assegurou que terá uma “relação extremamente próxima” com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner:

“O Brasil e a Argentina podem fazer isso, e podem fazê-lo de forma mais efetiva quanto mais próximas nossas economias se articulam e se desenvolvam e criem laços em que ambos os povos ganhem com essa aproximação, em matéria de desenvolvimento econômico, de desenvolvimento tecnológico, de melhoria das condições de vida do povo brasileiro e argentino.”

A seguir os principais trechos da entrevista concedida pela presidente Dilma Rousseff aos jornais argentinos La Nacion, Clarín e Página 12.

A importância da mulher na quebra de preconceitos


“Olha, eu acho uma coisa a ser comemorada, porque eu acho que os dois maiores países aqui, do Cone Sul, estão dando uma demonstração que as suas sociedades evoluíram no sentido de superarem o tradicional preconceito que existia contra a mulher. Veja que são sociedades que têm essa evolução no Sul, no Sul do mundo. E, para mim, é algo bastante significativo que também aqui nós tenhamos esse exemplo, que foi a eleição de um índio, na Bolívia, e de um metalúrgico antes mim aqui, no Brasil. Então, eu acredito que a América Latina, ela está dando um exemplo para o mundo de que certos preconceitos, certos bloqueios econômicos e sociais estão sendo superados. Eu acho que representa uma maior democratização das nossas sociedades e dos nossos países. E acredito que a presença da mulher aqui vai significar também a possibilidade de que em outros países da América Latina, como nós já tivemos, no Chile, a presidenta Bachelet, nós tenhamos também outros países em que a mulher seja eleita.”

Relação Brasil e Argentina

“Eu pretendo ter uma relação extremamente próxima com a presidenta Kirchner. Eu pretendo ter essa relação, primeiro, porque o Brasil e a Argentina, eu acho que são os países que têm responsabilidade, perante o conjunto da América Latina, de fazer com que a nossa região seja cada vez uma região com presença e ação no cenário internacional. O Brasil e a Argentina podem fazer isso, e podem fazê-lo de forma mais efetiva quanto mais próximas nossas economias se articulam e se desenvolvam e criem laços em que ambos os povos ganhem com essa aproximação, em matéria de desenvolvimento econômico, de desenvolvimento tecnológico, de melhoria das condições de vida do povo brasileiro e argentino.”

A primeira viagem internacional

“Por isso, o primeiro país que eu vou visitar é a Argentina. Porque eu acho que é o país irmão do Brasil. Não estou diminuindo nenhum outro país, como o Uruguai, Paraguai, a Colômbia, Venezuela, o Peru. Mas eu quero dizer que é algo que eu acho até que é intuitivo, do ponto de vista político, para os outros países… É de todo importante que o Brasil e a Argentina estejam juntos. É algo, eu acho, extremamente amigável também para os outros países. Não é uma relação de hegemonia que o Brasil e a Argentina estão tendo em relação ao resto da América Latina. Não. É porque temos um tamanho e um desenvolvimento econômico que nós podemos liderar.”


A experiência pessoal em exercer a Presidência da República

“A responsabilidade é bastante maior, ou seja, sobre os meus ombros pesa a responsabilidade de dirigir um país da dimensão do Brasil, com os desafios que o Brasil tem. Eu venho de uma experiência de governo muito bem sucedida. Mas eu tenho clareza de que muito foi feito. Eu participei do outro governo de forma muito próxima do Presidente. Na verdade, eu vivia aqui em cima, mudei para o andar de baixo. Ao chegar no andar aqui, de baixo, você encara uma responsabilidade muito maior, porque a decisão, em última instância, está na sua mão.”


“O Brasil é um país que muito realizou, mas tem grandes desafios pela frente, e são desafios enormes porque os números no Brasil são sempre maiores, aqui, do ponto do conjunto da América Latina. Nós temos aqui, no Brasil, uma série de, eu diria, assim, para ti, de desafios colossais. Exemplo: nós queremos erradicar a miséria no Brasil. Miséria, no Brasil, se mede… Hoje nós temos ainda algo como em torno de uns 15 milhões de miseráveis no Brasil, nós temos de enfrentar esse problema. E não podemos deixar que o nível de vida dos demais, que ascenderam às classes médias… porque houve uma revolução nesses últimos oito anos, nós conseguimos tirar da pobreza e de [fazer] chegar à classe média algo como 37, 38 milhões de brasileiros, se você contar até os dados não completamente fechados, de 2010.”

“Temos de continuar esse processo de elevação do nível de vida da população brasileira, portanto, temos de manter o nível, também, de crescimento econômico, para garantir emprego para esse… para todos os brasileiros que têm condições de trabalhar. Não é só o programa de transferência de renda, como o Bolsa Família, mas é a geração de milhões de empregos. Sem isso, um país como o Brasil não consegue fazer face aos seus desafios.”

“E nós temos um desafio educacional também. Nós temos de conseguir combinar não só uma melhoria radical na nossa educação, da qualidade da nossa educação, para as crianças e adolescentes, mas nós temos um grande desafio na profissionalização, porque hoje o Brasil tem um problema de quase pleno emprego.”

Os desafios brasileiros

“No governo a gente sempre corre contra o tempo, não é? Eu tenho corrido contra o tempo, contra quinhentos anos de abandono da população brasileira. A gente corre contra o tempo quando eu falo em reduzir a pobreza no Brasil. Agora, no caso específico que você levantou, nos dois específicos, primeiro, nas enchentes, eu acho que no Brasil nós temos de caminhar e nós temos condições tecnológicas para isso. Nós temos condições de recursos humanos para isso, temos recursos financeiros para isso. Nós temos de caminhar para um sistema que não é que acabe com as enchentes, você vai ter sempre acidentes climáticos, mas que acabe e que elimine e que reduza ao mínimo o número de mortes. Então, desde um sistema de alerta de enchentes, passando portanto… de prevenção, por todo um investimento em infraestrutura, que é a drenagem para não ter… para quando os rios encherem você não ter alagamento de residências, de empresas ou, se tiver, ter um nível de segurança não deixando as pessoas morarem na beira dos rios e correrem risco de vida. A mesma coisa para a encosta de rio. No Brasil, você entende porque isso aconteceu. Depois da crise da dívida, em 1982, nós tivemos um período muito grande sem grandes investimentos em infraestrutura e em projetos sociais. Por exemplo: nós não tivemos grandes planos habitacionais no Brasil. Então, a população não tinha acesso à moradia…

A imagem do país para o mundo

“Eu tenho certeza que será uma ótima imagem. É uma imagem de um país que vem de um processo, eu acho assim, muito perverso, de ser um dos países mais desiguais do mundo, mudando esse perfil progressivamente, se transformando numa economia das… numa grande economia, uma grande economia emergente. E, ao mesmo tempo, um país que tem maturidade para resolver seus problemas.”

O cumprimento dos contratos

“Mas eu vou te dizer uma coisa: eu acho que cada país tem os seus problemas e tem as suas condições históricas e as suas explicações. No Brasil, nós tivemos um processo. Esse processo, ele levou anos amadurecendo. Obviamente, você tem conhecimento que os países mais estáveis do mundo como a Inglaterra, o Reino Unido… o Reino Unido quando acha que um contrato está desequilibrado, econômica e financeiramente, para o consumidor, chama uma audiência pública e muda os termos do contrato. Fizeram isso duas vezes no setor elétrico. Então, depende, cada país tem um processo de construção da institucionalidade, diferente. A maturidade de alguns sistemas pode levar a que eles alterem as condições do contrato. Por que eles fizeram isso, se você pegar os contratos de energia elétrica do Reino Unido? Porque eles achavam que o ganho obtido pelos grandes produtores de energia era excessivo, que não era esse ganho de energia, de… ou seja, não era aquela lucratividade que o sistema comportava, então, naquele momento, eles tinham de diferir. O que eles tinham de fazer? Eles tinham de mudar as condições em que o contrato dizia que seriam passados para o setor dos consumidores os ganhos obtidos de produtividade. Eles inventaram, inclusive, na época, um fator chamado fator X, que pelo qual eles transferiam os ganhos de produtividade para o consumidor.”

A desvalorização monetária

“Acho que o Brasil e a Argentina estão sofrendo – e todos os países emergentes, isso é público e notório – estão sofrendo as consequências da política de desvalorização praticada pelos países em questão, pelos dois grandes países do mundo. Acho que nossa posição no G-20 vai ter que ser cada vez mais uma posição de reação a esse fato, a essa política de desvalorização, que sempre levou a situações muito problemáticas no mundo, a chamada desvalorização competitiva. Eu desvalorizo a minha moeda para competir com você. Essa política levou a várias crises econômicas, aliás, a várias disputas políticas, disputas econômicas. E ela não é boa nem para o Brasil, nem para a Argentina, nem para nenhum país emergente. Nós achamos que os Estados Unidos, em especial, que detém a moeda que é reserva de valor, tem de levar em consideração esse fato. Nós temos, hoje, 280 milhões… 88 milhões de dólares em reservas, em dólar. Então, para nós, também, é uma questão muito importante que não haja uma perda de valor. A perda de valor da moeda que é reserva de valor é uma contradição. Achamos, também, que todos os países têm de… não podem aceitar políticas de dumping, mecanismos de competição inadequados, não baseados nas práticas mais transparentes, e que os países têm de reagir a esse fato. Agora, também sabemos que o protecionismo, no mundo, não leva a boa coisa. Instituir o protecionismo, você… as perdas não são restritas àquele do qual você está se defendendo, elas se espalham pelo sistema, é isso que eu quero dizer.”

A agenda da Presidente

“Olha, o foco da minha agenda é o seguinte: é o compromisso que o governo brasileiro mais uma vez assume, com o governo argentino, de uma política conjunta e estratégica de desenvolvimento da região. A gente, no caso da região, é uma posição o seguinte: o desenvolvimento do Brasil, ele é um desenvolvimento que tem de beneficiar o conjunto da região. Dou um exemplo: nós vamos ter uma política muito forte para gerar a política de fornecedores na área do pré-sal. Nós temos essa política, a gente chama “política de conteúdo nacional”. Nós cogitamos de uma política de conteúdo regional, conjunta, com a Argentina. Nós cogitamos de uma agenda em que a Argentina e o Brasil, do ponto de vista de serem países com grandes recursos alimentícios, com grandes recursos, eu diria, energéticos, possam aumentar a agregação de valor e a geração de emprego na região. Nós queremos uma parceria na área de tecnologia e de inovação, com a Argentina. Nós queremos também uma parceria no uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos.”

Visita do presidente Barack Obama

“Eu acho que a relação do Brasil com os Estados Unidos, ela é uma relação histórica. Nós temos uma relação – acho que os demais países da América Latina também têm – histórica com os Estados Unidos. Essa relação, na medida em que os países foram se desenvolvendo, elas foram mudando. Hoje, por exemplo, fantasticamente, os Estados Unidos são superavitários na relação comercial com o Brasil. Obviamente, isso era inconcebível, até pouco tempo atrás. Por quê? É importantíssimo olhar os Estados Unidos como um grande parceiro comercial dos países da América Latina. Para o Brasil, os Estados Unidos foram – e sempre serão – um parceiro muito importante. Então, nós, a cada vez… a cada período, nós temos de melhorar cada vez mais, e mudar o patamar da relação. Tivemos uma experiência muito boa nos últimos anos, tivemos diferenças de opinião, agora, o que importa é perceber que essa é uma parceria que tem um horizonte de desenvolvimento muito grande. Então, nós consideramos que, a cada ano, nós vamos ter de virar as páginas do ano anterior. Um dos assuntos que a senhora também destacou muito é a sua política de Direitos Humanos. Eu queria saber como vai se traduzir isso na sua política externa. Você pode por em contexto como vai ser tratado… a senhora falou já do caso do Irã… com o respeito dos direitos humanos no Irã.”


Direitos humanos

“Olha, nós, pelo menos eu acho, em alguns momentos, eu até tive uma divergência pequena com o Itamaraty. Eu não vou negociar Direitos Humanos, ou seja, eu não vou fazer concessões nessa área. Agora, não acho que os Direitos Humanos sejam… o problema dos Direitos Humanos possam ser olhados como restritos a um país ou uma região. Essa é uma falácia. Direitos Humanos hoje no mundo é algo que nós temos de olhar no nosso país e em todos os países, não dá para só ver a trava no olho do vizinho porque, no caso dos países desenvolvidos, nós já tivemos episódios terríveis, eu acho que tem problema de Direitos Humanos. Aliás, eu e o mundo. Em Abu Ghraib; acho que teve problemas de Direitos Humanos, e ainda tem, em Guantánamo; agora, eu também considero que apedrejar uma mulher não é uma coisa adequada. Então, não vou, de maneira alguma, achar que não ser… que ter uma posição firme em relação a Direitos Humanos simplesmente é apontar com o dedo um país e falar: “Aquele ali é o país que não respeita”. É bom que cada um de nós olhemos, como a Bíblia diz, para a trava no seu próprio olho.

A situação de Cuba


“Acho que Cuba teve, com a libertação dos prisioneiros, deu um avanço, deu um passo na frente, nessa questão de Direitos Humanos, porque ela deu uma… fez um esforço e tem uma melhoria. E acho que ela deve continuar fazendo. No processo, inclusive, de… eu acho que de construção da saída de Cuba, pelo menos porque você vê o governo cubano dizendo que vai fazer, que é uma melhoria nas condições econômicas, democráticas e políticas do país. Agora, eu respeito também o tempo deles, respeito. Muitas vezes, a gente tem de entender o seguinte: que a política é feita em uma determinada temporalidade. Eu prefiro ali, em Cuba, eu prefiro dizer o seguinte: acho que há um processo de transformação, e acho que todos os países devem incentivar esse processo de transformação. E devemos protestar contra todas… Se houver alguma falha dos Direitos Humanos de Cuba, eu não vejo nenhum problema em falar: “Olha, está errado ali”, e tal; “Tem isso lá”. Qual é o problema? Podem fazer aqui no Brasil também. Nós não estamos dizendo que nós somos, aqui, um país que não tem suas dívidas com os Direitos Humanos. Nós temos.”

A Venezuela no Mercosul

“É importante a Venezuela entrar no Mercosul, e acredito que, para o nosso bloco, é muito bom que haja vários países, além dos que originariamente estavam no Mercosul, entrem no Mercosul, porque muda, eu diria, muda o patamar do Mercosul. Você veja que a Venezuela é um grande produtor de petróleo e gás. Ela tem muito a ganhar entrando no Mercosul, e nós temos muito a ganhar com a presença da Venezuela no Mercosul. Então, eu vejo com excelentes olhos a entrada da Venezuela, a participação da Venezuela. No caso específico da forma de governança dentro da Unasul, eu acho que está em um processo de negociação. Sempre que for possível se fazer rodízio, eu acho o rodízio um método muito bom, por quê? Porque nós estamos em uma reunião em que todos são iguais. É a tal da “távola-redonda”, não tem ninguém na ponta. Então, o rodízio é o mecanismo pelo qual nós vamos garantir que todos tenham a sua hora e a sua vez na direção. E a gente tem de respeitar a ida de cada país, porque ali é uma negociação entre países soberanos, Estados soberanos que querem juntar esforços no sentido de criar uma relação política, econômica e institucional que permita que a gente dê um salto para as nossas economias e a nossa sociedade. Nada mais justo que… cada um tenha a sua vez. Eu acho que isso é um princípio democrático, cada um… E um princípio democrático essencial entre países soberanos. Então, eu sou a favor disso, rodízio, tipo “távola-redonda”, ninguém é mais importante que ninguém; cada país, um voto.”

A surpresa positiva no primeiro mês de mandato

“Eu posso te falar uma coisa, eu fiz uma brincadeira. Mas eu não tenho muitas surpresas aqui. Eu vivi no centro do governo nos últimos seis anos. Então, a minha grande surpresa positiva, eu vou te dizer: foi muito bonita a minha posse, muito emocionante. Nesse último primeiro mês, que começou no dia 1º de janeiro e que termina agora no dia 31, ele abre com uma cerimônia ao mesmo tempo muito bonita e triste, porque eu estava subindo, aqui a gente chama, a rampa, e o presidente Lula estava descendo. Então, ao mesmo tempo que era bonita porque eu estava chegando, era triste porque eu participei diariamente com o presidente aqui no governo dele. Então, teve isso – foi muito bonito e muito triste. Agora, eu queria te dizer o seguinte: sempre é muito bom quando o teu povo te reconhece na rua, você entende? E o povo brasileiro é um povo muito afetivo, não é? E então, gritam; você está passando de janela aberta, gritam, te chamam. E é aquela intimidade, entendeu? É como se eu conhecesse cada um deles pessoalmente. Então, isso é muito bom. Eu ainda não tive uma triste, viu? Vou ter. Talvez eu tenha tido sim uma triste, bem triste, te digo qual foi: foi olhar o… você não imagina o que era a cidade de Nova Friburgo. Sabe? Foi um momento muito triste, porque você via pessoas que estavam perdendo os seus parentes, o desespero nos olhos das pessoas. E, ao mesmo tempo, para mim é um compromisso que nós temos de impedir que isso ocorra outra vez.

Fonte: Blog do Planalto

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Terra e Liberdade (filme de Ken Loach) - A Internacional! - No Pasarán!

Análise: Distúrbios no Egito são dilema para Obama!

Análise: Distúrbios no Egito são dilema para Obama

MARK MARDELL - DA BBC NEWS, EM WASHINGTON

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, instou os dois lados dos distúrbios no Egito a não usar a violência, mas mostrou-se favorável a mudanças no país árabe.

"Há certos valores centrais em que acreditamos como americanos e que acreditamos que sejam universais: a liberdade de expressão, a liberdade para as pessoas usarem redes sociais e quaisquer outros mecanismos para se comunicar e para expressar suas preocupações. E isso não é menos verdade no mundo árabe do que é aqui nos Estados Unidos", disse Obama.

Mas o americano enfrenta um dilema --um que outros presidentes enfrentaram na América do Sul, na Ásia e até no mundo árabe. O que é mais importante: princípios atemporais ou aliados confiáveis?

O Egito é importante para os EUA. É o país guardião do ainda crítico canal de Suez e a mais populosa nação na região. Foi o primeiro país naquela parte do mundo a fazer as pazes com Israel e, sob a perspectiva dos políticos americanos, uma força de moderação e razão.

O país recebe US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 2,5 bilhões) em ajuda dos Estados Unidos, pouco atrás de Israel, Paquistão e Afeganistão. Quando Obama quis mandar a mensagem de recomeço nas relações com o mundo muçulmano, escolheu o Cairo como cenário de seu discurso.

REAÇÃO

Há quem pense que a reação dos EUA às demonstrações nas ruas egípcias é confusa e incerta. Não há dúvidas de que ainda há um grande debate interno.

Mas há uma resposta emergindo, ainda que seja caracterizada por trepidações e por pensamentos positivos. O porta-voz de Obama, Robert Gibbs, disse que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, é um parceiro próximo e importante, mas agregou que a Casa Branca tem exercido pressões sobre o egípcio.

No Departamento de Estado, o porta-voz PJ Crowley declarou: "Reformas são necessárias (no Egito), não há dúvidas quanto a isso". Mas o mais interessante foi a análise que se seguiu.

"Há uma dinâmica regional (...). Do Oriente Médio ao norte da África, os países enfrentam desafios demográficos similares - populações jovens, altamente educadas, muito motivadas, procurando empregos e oportunidades e, para ser franco, frustradas com o que veem, dependendo do país, como a falta de oportunidades", agregou Crowley.

Então, ao menos o Departamento de Estado acredita que um vento de mudanças está soprando no norte da África, e os EUA não querem estar do lado errado da história ou do lado errado dos novos líderes, de quem podem se tornar grandes amigos se tratados corretamente.

Claramente os EUA não serão rudes com um velho aliado, mas tampouco vão apostar todas as suas fichas nos instintos de reforma de um octogenário - Mubarak - que resiste a mudanças há três décadas.

DIFERENÇAS AMERICANAS

Mas isso nos traz de volta a um dos mais antigos problemas dos EUA. Desde os fundadores do país, sempre houve americanos que esperavam que seu exemplo inspirasse o mundo a descartar tiranos e ditadores e a adotar a democracia. E sempre houve outros americanos que acham que a democracia está bem, e o problema é dos estrangeiros que votam nos políticos errados.

Antes, eles se preocupavam com os comunistas; agora, é com os islâmicos. Robert Kaplan, do Center for a New American Security, um centro de estudos em Washington, defende a "realpolitik" no caso, explicando que, "em termos de interesses americanos e paz regional, há muitos riscos na democracia".

"Não foram os democratas, mas os autocratas árabes Anwar Sadat, do Egito, e o Rei Hussein, da Jordânia, que fizeram as pazes com Israel. Um autocrata firme no comando pode fazer concessões mais facilmente do que um líder eleito, porém fraco. Basta observar a fragilidade do governo de Mahmoud Abbas na Cisjordânia. E foi a democracia que levou os extremistas do Hamas ao poder em Gaza", disse Kaplan.

Afinal, no Egito, o maior e mais organizado movimento de oposição é - apesar de ser banido das atividades políticas - a Irmandade Muçulmana. Alguns dizem que eles ganhariam facilmente qualquer eleição livre no Egito, e, nesse caso, estariam longe de ser um parceiro próximo dos EUA e de Obama.

A opinião da publicação conservadora National Review pode estar mais próxima da visão do governo Obama, ainda que expressa em linguagem mais direta:

"Mubarak era para ser supostamente o 'nosso fdp', mas, ao distorcer o cenário político egípcio para fazer a escolha ser entre ele e os islâmicos, ele foi apenas um fdp. Deveríamos (os EUA) querer que ele saia de cena --mas não ainda."

Obama, neste momento, talvez deseje não a mudança em que ele acredita, e sim a mudança com a qual ele possa viver.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/bbc/867601-analise-disturbios-no-egito-sao-dilema-para-obama.shtml

ElBaradei pede saída imediata de Mubarak e fala em 'novo início'!

ElBaradei pede saída imediata de Mubarak e fala em 'novo início'

DA BBC BRASIL

Em discurso feito na praça Tahrir, localizada no centro do Cairo, o líder da oposição e prêmio Nobel da Paz Mohammed ElBaradei pediu neste domingo que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, deixe o poder imediatamente.

ElBaradei foi ao local participar do sexto dia de manifestações contrárias ao governo egípcio. Portando um megafone, ele se dirigiu à multidão afirmando que "o que foi obtido (com os protestos) não pode ser revertido".

O líder opositor disse esperar que a saída do atual presidente represente um "novo início" para o Egito.

O clima de tensão no Egito aumentou neste domingo, tanto no Cairo quanto em outras cidades, como Alexandria. Jatos da Força Aérea sobrevoaram a praça Tahrir, principal ponto de concentração dos manifestantes. Tanques também foram enviados ao local.

Os choques entre manifestantes e forças de segurança já teriam deixado cerca de cem mortos desde o início dos protestos na terça-feira. Cerca de 2 mil pessoas ficaram feridas nos choques ocorridos no Cairo, Suez e Alexandria.

De acordo com o correspondente da BBC na praça Tahrir (que significa "Libertação") Jeremy Bowen, existe uma sensação de desafio entre os manifestantes, que acusaram os militares de tentar intimidá-los.

Ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ElBaradei é visto como um postulante natural à sucessão de Mubarak, principal alvo das manifestações que ocorrem no Egito e que está no poder há 31 anos.

Neste domingo, porta-vozes da Irmandade Islâmica, maior movimento de oposição egípcio, formado por fundamentalistas muçulmanos, indicaram que o grupo deverá apoiar ElBaradei como líder de um eventual governo de transição.

Também neste domingo, vários movimentos políticos do país divulgaram uma declaração conjunta pedindo que ElBaradei forme um governo de coalizão depois da possível saída de Mubarak do poder.

Em Alexandria, milhares de manifestantes fizeram uma passeata perto de uma mesquita, durante o funeral de dois manifestantes que foram mortos em confrontos com a polícia no sábado.

Segundo o correspondente da BBC em Alexandria John Simpson, há uma forte presença militar na cidade costeira e também muita tensão.

O domingo é o início da semana de trabalho no Egito, mas a capital não parece estar em um dia normal, com menos pessoas nas ruas e muitas lojas, bancos e empresas fechadas.

Grupos de vigilantes foram formados nos bairros, já que a polícia não é mais vista nas ruas. Os vigilantes se armaram com bastões e algumas armas, além de montar barricadas durante a noite para se proteger de saqueadores.

Apesar dos grupos de vigilantes voluntários, ocorreram saques em várias partes da cidade, incluindo o Museu Nacional.

REUNIÃO

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, se reuniu neste domingo com seus comandantes militares.

Segundo o canal de televisão estatal do Egito, Mubarak e os militares revisaram as operações de segurança para conter os protestos, que são os piores das últimas décadas no país.

Existe uma forte presença militar na capital, mas, até o momento, os manifestantes e os militares ainda não entraram em confronto e a atmosfera parece ser amigável, segundo Jeremy Bowen.

Mubarak empossou o chefe de Inteligencia egípcio, Omar Suleiman, como vice-presidente - cargo que nunca havia sido ocupado nos 31 anos de seu governo.
Já o novo primeiro-ministro será Ahmed Shafiq, que antes ocupava o Ministério da Aviação. Ele ficará responsável por formar o novo gabinete.

As transmissões da TV árabe Al-Jazeera realizadas através de um satélite egípcio foram suspensas.

Mais cedo, as autoridades do país tinham ordenado que a TV árabe encerrasse suas operações no Egito e suspendeu o credenciamento de jornalistas e funcionários do canal.

O canal de televisão árabe tem feito uma cobertura detalhada dos protestos.

O governo chegou a bloquear os serviços de telefonia celular e internet. Mas, no sábado, a telefonia celular foi parcialmente retomada e, neste domingo, a internet ainda está instável.

ESTADOS UNIDOS

Os Estados Unidos pediram novamente que o Egito realize uma transferência de poder pacífica. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse em Washington neste domingo que quer ver uma transição para um governo democrático.

"Queremos ver moderação, não queremos ver violência de nenhuma das forças de segurança", disse Clinton ao canal de televisão americano ABC News.
Mais cedo, autoridades americanas começaram a organizar uma operação com aeronaves para a retirada de cidadãos americanos do país.

A Turquia também vai enviar aviões ao Egito para a retirada de seus cidadãos.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que Israel está acompanhando atentamente os eventos no Egito e que espera manter relações pacíficas com o vizinho árabe.

De acordo com autoridades palestinas, a passagem de Rafah, entre o Egito e o sul da Faixa de Gaza está fechada.
Estados Unidos, Grã-Bretanha e vários países europeus divulgaram alertas para que seus cidadãos cancelem viagens que não sejam essenciais para o Egito, principalmente as cidades do Cairo, Alexandria, Luxor e Suez.

O turismo, uma das principais atividades econômicas do Egito, já foi afetado pelos protestos realizados no país. Militares fecharam o acesso às pirâmides de Gizé, um dos principais destinos turísticos egípcios.

No aeroporto do Cairo, muitos voos estão atrasados ou foram cancelados devido ao toque de recolher.

Link:


http://www1.folha.uol.com.br/bbc/868085-elbaradei-pede-saida-imediata-de-mubarak-e-fala-em-novo-inicio.shtml