Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Nicarágua evoca passado rebelde!

Nicarágua evoca passado rebelde - Por BLAKE SCHMIDT

da Folha de S.Paulo

MANÁGUA, Nicarágua - Entre os retratos do mais venerado herói guerrilheiro da Nicarágua, Augusto Sandino -com o chapéu Stetson que era sua marca registrada-, que adornam uma nova exposição no Banco Central em Manágua, há um mapa genealógico incomum que o conecta a outra figura de grande destaque no país: o presidente Daniel Ortega.

Os nomes de Sandino e Ortega são os únicos destacados, em vermelho, como se fossem os únicos dois frutos pendurados da árvore da família Sandino.

O engrandecimento de Ortega, que se casou com uma descendente de Sandino, evidencia-se cada vez mais nos monumentos em homenagem ao passado revolucionário do país.

Aqui, na capital, um novo museu dedicado à revolução sandinista, que derrubou a ditadura de Somoza em 1979, situa Ortega na linha de frente da guerra aos "contras" que se seguiu à revolução. Ao norte da cidade, outro Museu da Revolução inclui um novo nicho que rende homenagem a Ortega.

A Suprema Corte, controlada pelos sandinistas, autorizou Ortega a candidatar-se à reeleição, reinterpretando uma proibição constitucional contra mandatos consecutivos ou mais de dois mandatos de um mesmo presidente. A eleição será apenas em novembro, mas Ortega e seu partido parecem ansiosos por reforçar suas chances, embutindo o presidente na memória revolucionária do país.

Além de divulgar seus laços familiares com Sandino, o partido está reativando uma caçada pelos restos mortais do herói, procurados há 77 anos.

Apesar de seu adversário, o general Anastasio Somoza Garcia, ter tentado caracterizar Sandino como bandido implacável, o líder rebelde foi nomeado herói nacional por unanimidade há pouco mais de um ano.

Os fundadores da Frente Sandinista de Libertação Nacional referiram-se aos escritos de Sandino e deram o nome dele a seu movimento. Os descendentes de Sandino, seus restos mortais, seu chapéu, suas botas e seus escritos, rabiscados enquanto fugia dos marines, continuam a ajudar a moldar a identidade nacional.

Mas os detalhes de seu assassinato e do paradeiro de seus restos mortais estão entre os mistérios mais duradouros da Nicarágua. Reza a lenda sandinista que os assassinos a serviço do general Somoza decapitaram e desmembraram Sandino, usando o mesmo método com o qual os generais do rebelde tinham mutilado seus próprios inimigos.

Então, eles teriam entregado sua cabeça a Washington, como símbolo de lealdade, ou, pelo menos, é o que diz a lenda.

Alguns historiadores creem que o legado de Sandino era motivo de preocupação tão grande para o general Somoza que o rebelde teria sido sepultado novamente em outro local, para despistar as pessoas que buscavam seu corpo, ou incinerado, para que o corpo nunca caísse nas mãos de seus seguidores.

O autor sandinista Sergio Ramirez, ex-vice de Ortega, contou que, nos anos 1980, o governo contratou um arqueólogo para comandar uma escavação infrutífera em Manágua em busca dos restos de Sandino. "Esse é um capítulo fechado", disse Ramirez.

Mas não para Ortega. Pessoas próximas ao governo, além de um historiador, comentaram que, recentemente, os sandinistas teriam enviado funcionários da rede de água e esgotos para investigar uma pista segundo a qual os restos mortais de Sandino estariam enterrados em um local que hoje é um bairro de Manágua.

Em sua residência elegante em Manágua, Walter Sandino, um dos três netos sobreviventes do guerrilheiro ícone, prometeu não desistir da busca. "É poético declarar que o espírito de Sandino vive em toda a Nicarágua, mas queremos enterrá-lo fisicamente em um cemitério, como qualquer outra pessoa", disse Sandino.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2802201107.htm

EUA temem investimentos chineses em energia eólica!

EUA temem dinheiro chinês

Para americanos, turbinas baratas são promessa e ameaça

Por TOM ZELLER Jr. e KEITH BRADSHER

PIPESTONE, Minnesota - Ao terminar a escalada de 20 andares por uma escada no interior de uma torre de turbina eólica, Scott Rowland abriu o alçapão no topo e revelou um panorama de terras agrícolas planas salpicadas por dezenas de outras turbinas.

Duas das mais próximas, como a torre em que ele se situava, foram construídas pela Goldwind USA, da qual Rowland é vice-presidente de engenharia. "São máquinas muito sofisticadas", ele disse.

Elas também são as únicas três turbinas de vento fabricadas na China que estão em operação nos Estados Unidos.

Isso poderá mudar quando a Goldwind e outras companhias chinesas fizerem uma grande investida no mercado de energia eólica dos Estados Unidos.

Enquanto seus proponentes dizem que a chegada de fabricantes chineses poderá criar mais empregos verdes e acelerar a adoção da energia renovável nos EUA, outros consideram uma ameaça para os trabalhadores e os lucros na ainda embrionária indústria eólica americana.

Ao entrar nos EUA, a indústria chinesa vem para o líder mundial em capacidade de energia eólica: aproximadamente 41 gigawatts, energia suficiente para abastecer 10 milhões de residências americanas. Somente a China gera mais energia eólica -43 gigawatts-, embora esta seja distribuída por uma população mais de quatro vezes maior que a americana.

Mas a produção dos Estados Unidos ainda supre uma pequena parte da demanda nacional por eletricidade -cerca de 2%-, comparada com países como Espanha, que obtém cerca de 14% de sua energia elétrica do vento.

E a morna economia americana, os baixos preços do gás natural e antigas questões sobre a política federal de energia eólica emperram essa indústria nos Estados Unidos, que hoje responde por somente cerca de 85 mil empregos.

Tudo isso poderia indicar que perspectivas sombrias aguardam a onda de fabricantes de turbinas eólicas da China. Mas as empresas chinesas podem jogar com a paciência, pois têm grande apoio de seu governo na forma de empréstimos com juros baixos e outros benefícios.

Mesmo hoje, a indústria de energia eólica dos EUA não é em absoluto totalmente americana. Depois da GE, as atuais líderes do mercado americano são Vestas, da Dinamarca, Siemens, da Alemanha, Mitsubishi, do Japão, e Suzlon, da Índia.

Nenhum dos governos desses países, porém, é suspeito de favorecer injustamente suas indústrias domésticas e discriminar contra concorrentes estrangeiras de um modo que se aproxime da escala chinesa.

A empresa de Rowland é a nova filial americana de uma empresa estatal chinesa que surgiu como quinta maior fabricante de turbinas do mundo: a Xinjiang Goldwind Science and Technology.

As turbinas eólicas feitas pelos chineses são vendidas por cerca de US$ 600 mil o megawatt, comparadas com US$ 800 mil ou mais para modelos ocidentais feitos com peças chinesas e preços ainda mais altos para máquinas europeias e americanas.

Os defensores das empresas chinesas dizem que a disponibilidade de turbinas baratas da China poderia ajudar a energia eólica americana a voltar a crescer.

Tim Rosenzweig, executivo chefe recém-empossado na Goldwind, vê paralelos com a resistência que as montadoras de carros japoneses encontraram quando estabeleceram operações no mercado americano na década de 1980.

"Em termos de um caso de estudo de economia, você definitivamente pensa nisso, e acho que as decisões sobre eventualmente situar a fabricação aqui solucionaram parte dessa equação", disse Rosenzweig. "Daí nossas metas de localizar, criar empregos e investir nos EUA -tudo isso faz parte da equação."

Rosenzweig disse que sua equipe está procurando maneiras de transferir mais trabalho para o território americano.

A Renew Energy Maintenance, uma pequena firma baseada em Brandon, Dakota do Sul, assinou um contrato com a Goldwind para cuidar da manutenção das turbinas.

James P. Mikel, diretor da Renew, disse que as empresas chinesas são as que têm dinheiro para gastar na indústria eólica americana hoje.

"Fiquei preocupado no início", disse Mikel. "Mas eu vivo aqui, e essas turbinas significam mais empregos. Daqui a cinco anos, vamos olhar para trás e nos perguntar por que nos preocupamos tanto."

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2802201110.htm

Rei saudita anuncia novo pacote para evitar revolta!

Rei saudita anuncia novo pacote para evitar revolta

Até 90 mil empregados temporários deverão receber vagas permanentes

Na semana passada, rei anunciou US$ 36 bi em "bondades'; premiê da Tunísia, aliado de líder deposto, deixa o cargo

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, anunciou ontem novo pacote de medidas sociais para evitar que a onda de revoltas no mundo árabe faça da superpotência petrolífera a sua próxima vítima.

O rei, que retornou à Arábia Saudita na última quarta-feira após três meses no exterior para tratamento médico, ordenou que empregados temporários do governo recebam empregos permanentes. O pacote deverá afetar cerca de 90 mil trabalhadores.

Na última quarta, Abdullah, 87, anunciara a concessão de benefícios oficiais no valor de US$ 36 bilhões.

Também ontem, mais de cem intelectuais sauditas publicaram carta aberta ao governo pedindo reformas profundas no país, incluindo a instituição de um regime de monarquia constitucional.

A Arábia Saudita é atualmente uma das mais fechadas ditaduras religiosas do Oriente Médio, governada por uma monarquia sunita.

Anteontem, um site opositor relatou a ocorrência de protestos não confirmados da minoria xiita no leste.

A possibilidade de os protestos chegarem ao país, detentor da maior reserva mundial de petróleo, é motivo de grande preocupação internacional devido à influência sobre o preço da commodity.

Na última semana, Riad anunciou aumento na produção diária de petróleo para compensar queda brusca no seu fornecimento pela Líbia.

A medida visa conter acelerada alta nos preços internacionais do produto nos últimos dias, quando o barril de petróleo tipo Brent bateu em US$ 120 antes de recuar para US$ 112. No começo de janeiro, custava US$ 95.

TUNÍSIA

Na Tunísia, o estopim das revoltas pelo mundo árabe, a persistência dos protestos populares levou o premiê Mohamed Ghannouchi a renunciar. Na véspera, confrontos no país deixaram cinco mortos.

Ghannouchi era ligado ao ditador Zine el Abidine Ben Ali, deposto em janeiro após quase um mês de protestos.

Opositores querem a saída dos membros do governo ligados a Ben Ali e rapidez nas reformas prometidas.

Ghannouchi será substituído por Beji Caid Sebsi, que ocupou a Chancelaria antes da ascensão de Ben Ali.

A crise na Tunísia custou também o cargo da chanceler da França, Michèle Alliot-Marie, que renunciou ontem após virem à tona relações com o regime de Ben Ali.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2802201110.htm

EUA tem 11 milhões de imigrantes ilegais, aponta documento!

EUA tem 11 milhões de imigrantes ilegais, aponta documento - da Folha de S.Paulo

Lista dos dez principais países de origem de ilegais inclui o México, a Índia e o Brasil

Um relatório do Departamento de Segurança Interna do governo dos EUA apontou que, em janeiro de 2010, o país tinha 11 milhões de imigrantes sem permissão.

O documento revela que 80% dos estrangeiros ilegais (8,6 milhões) são de Canadá, México e América Central. Da Ásia provém 1 milhão de imigrantes ilegais para os EUA e, da América do Sul, 800 mil.

O México continua a ser o principal país de origem dos imigrantes que entram sem permissão nos EUA. Aproximadamente 6,6 milhões de mexicanos vivem ilegalmente no país, o que corresponde a 62% do número total.

Além do México, os principais países de origem dos imigrantes ilegais nos EUA são El Salvador, Guatemala, Honduras, Filipinas, Índia, Equador, Brasil, Coreia do Sul e China, nessa ordem.

O relatório ainda revela que, entre 2000 e 2010, a quantidade de imigrantes ilegais em território norte-americano cresceu 27%. De 2000 a 2007, houve um aumento de 8,5 milhões para 11,8 milhões no número de pessoas ilegais nos EUA.

Mas houve queda de 2008, ano em que estourou a crise global, para 2009: de 11,6 milhões para 10,8 milhões.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2802201115.htm

Fórum Social Mundial, Egito e a transformação - por Immanuel Wallerstein!

Fórum Social Mundial, Egito e a transformação - Immanuel Wallerstein – La Jornada

O debate em torno do tema de uma crise civilizatória tem grandes implicações para o tipo de ação política que se defende e quanto ao papel que os partidos de esquerda em busca do poder do Estado desempenhariam na transformação do mundo que está em discussão. Isso não será resolvido com facilidade, mas é um debate crucial desta década. Se a esquerda não conseguir resolver suas diferenças sobre esse assunto crucial, então o colapso da economia e do mundo capitalista poderia conduzir ao triunfo da direita mundial e à construção de um sistema e de um mundo piores dos que existem agora. O artigo é de Immanuel Wallerstein.

Immanuel Wallerstein – La Jornada

O Fórum Social Mundial (FSM) está vivo e bem. Acaba de se reunir em Dakar, Senegal, de 6 a 11 de fevereiro. Por uma coincidência imprevisível, essa foi a semana na qual o povo do Egito conseguiu derrubar Hosni Mubarak, o que finalmente ocorreu enquanto o FSM celebrava sua sessão de encerramento. O FSM passou a semana aplaudindo os egípcios e debatendo o significado das revoluções na Tunísia e Egito pelo que contém de transformação, por almejar outro mundo que é possível. Disse possível, não determinado.

Entre 60 e 100 mil pessoas participaram do Fórum, o que em si mesmo é uma cifra notável. Para realizar um evento assim, o FSM requer movimentos sociais fortes (que existem no Senegal) e um governo que ao menos tolere as sessões do evento. O governo senegalês de Abdoulaye Wade dispôs-se a tolerar a celebração do FSM, embora tenha há poucos meses de sua realização cortado a assistência financeira que havia prometido, retirando três quartas partes dela.

Mas logo vieram os levantes tunisiano e egípcio e o governo teve. Que tal se a presença do FSM inspirasse um levante semelhante no Senegal? O governo não podia cancelar o evento, não com a presença de Lula, do Brasil, de Evo Morales, da Bolívia, e de numerosos presidentes africanos. Assim, limitou-se a fazer o que pôde para sabotar o fórum. Demitiu o reitor da principal universidade onde ia ser realizado o evento há quatro dias da abertura e nomeou um novo reitor que, de imediato, reverteu a decisão do antigo reitor de suspender as aulas durante o FSM para que houvesse salas disponíveis para as atividades.

O resultado é que houve um caos organizativo pelo menos nos dois primeiros dias. Ao final, o novo reitor permitiu que se usassem 40 salas das mais de 170 solicitadas. Com imaginação, os organizadores ergueram tendas de campanha por todo o campus universitário e as reuniões ocorreram apesar da sabotagem.

O governo senegalês tinha razão em ter tanto medo do FSM? O próprio FSM debateu qual seria sua relevância para os levantes populares no mundo árabe e em outras partes, protagonizadas por gente que talvez nunca ouviu falar do FSM. A resposta dada pelos participantes do debate reflete a divisão existente entre suas fileiras há algum tempo. Há aqueles que acreditam que 10 anos de reuniões do FSM contribuíram significativamente para solapar a legitimidade da globalização neoliberal e que a mensagem penetrou em todas as partes. Por outro lado, há aqueles que acham que os protestos recentes mostram que a política de transformação está em outros lados e não passa pelo FSM.

Eu mesmo descobri duas coisas surpreendentes da reunião realizada em Dakar. A primeira é que quase ninguém mencionou o Fórum Econômico Mundial em Davos. Quando surgiu, em 2001, o FSM se apresentou como um contraponto ao encontro de Davos. Em 2011, Davos é visto como algo politicamente sem importância pelos participantes do Fórum Social, que simplesmente o ignoraram. A segunda foi o grau em que todos os presentes notaram a interconexão de todos os assuntos que se discutiam. Em 2001, o FSM esteve preocupado primordialmente com as consequências econômicas negativas do neoliberalismo.

Mas em cada uma das reuniões posteriores, o FSM foi agregando outras preocupações: o gênero, o meio ambiente (em particular a mudança climática), o racismo, a saúde, os direitos dos povos indígenas, as lutas trabalhistas, os direitos humanos, o acesso à água, os alimentos e a disponibilidade de energia. E assim, em Dakar, sem importar o tema da sessão, ficaram evidenciadas as conexões com outras preocupações. Esta me parece uma das grandes conquistas do FSM: abraçar mais e mais preocupações e fazer com que todo o mundo veja as profundas interconexões que há entre elas.

Houve, no entanto, uma queixa subjacente ente os participantes. As pessoas disseram, corretamente, que todos sabemos contra o que estamos lutando, mas que deveríamos expressar com mais clareza em favor do que estamos lutando. Assim, poderemos contribuir com a revolução egípcia e com as outras que vão ocorrer em todas as partes.

O problema é que se mantém uma diferença sem resolver entre os que querem outro mundo. Há aqueles que acreditam que o mundo precisa de mais desenvolvimento, mais modernização e, portanto, uma distribuição de recursos mais equitativa. E há outros que consideram que o desenvolvimento e a modernização são a maldição civilizatória do capitalismo e que temos que repensar as premissas culturais básicas para um mundo futuro, algo que chamam de “mudança civilizatória”.

Aqueles que defendem uma mudança civilizatória o fazem sob vários tipos de guarda chuvas. Os movimentos indígenas do continente americano (e de outras partes) dizem que querem um mundo baseado no que os latino-americanos chamam “bem viver”; essencialmente um mundo baseado em bons valores, que exige baixar a velocidade do crescimento econômico ilimitado que, dizem, um planeta tão pequeno não pode sustentar.

Se os movimentos indígenas centram suas demandas em torno da autonomia com o fim de controlar os direitos agrários de suas comunidades, os movimentos urbanos de outras partes do mundo enfatizam modos pelos quais o crescimento ilimitado está conduzindo ao desastre climático e a novas pandemias. E há os movimentos feministas que destacam o vínculo entre as demandas de crescimento ilimitado e a manutenção do patriarcado.

Esse debate em torno do tema de uma crise civilizatória tem grandes implicações para o tipo de ação política que se defende e quanto ao papel que os partidos de esquerda em busca do poder do Estado desempenhariam na transformação do mundo que está em discussão. Isso não será resolvido com facilidade, mas é um debate crucial desta década. Se a esquerda não conseguir resolver suas diferenças sobre esse assunto crucial, então o colapso da economia e do mundo capitalista poderia conduzir ao triunfo da direita mundial e à construção de um sistema e de um mundo piores dos que existem agora.

Até o momento, todos os olhos estão direcionados para o mundo árabe e no grau em que os heroicos esforços do povo egípcio poderão transformar a política em todo o mundo árabe. Mas as brasas para tais levantes existem em todas as partes, inclusive nas regiões mais ricas do mundo. No momento, estamos justificados a ser semi-otimistas.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

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http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17491

Petróleo gera maior parte do investimento industrial no país!

Petróleo gera maior parte do investimento industrial no país

Segundo BNDES, setor deve investir R$ 378 bi até 2014; só 11,9% é referente ao pré-sal

JANAINA LAGE - da Folha de S.Paulo

O setor de petróleo e gás natural já representa mais de 60% dos investimentos industriais no país.

Levantamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) mostra que os gastos com refino, exploração e produção somam R$ 378 bilhões de 2010 a 2014.

Os dados indicam que a concentração de investimentos da indústria no setor de petróleo deve se acentuar mais nos próximos anos.

Só 11,9% dos investimentos previstos nestes quatro anos são referentes ao pré-sal -apenas uma fração do esperado em etapas posteriores de produção.

"O desafio é trazer esse investimento para dentro da indústria brasileira. Até agora, a capacidade dela ficou aquém do que se desejaria", afirmou Ernani Teixeira, economista do banco.

Relatório da Agência de Informações de Energia dos EUA destaca que o Brasil é hoje o nono maior consumidor de energia no mundo e que as recentes descobertas de petróleo no pré-sal podem fazer do país um dos maiores produtores mundiais.

O BNDES conseguiu mapear R$ 1,6 trilhão em projetos de investimento até 2014, o equivalente a cerca de 50% de todos os investimentos a serem feitos no país.

O banco estima que o montante total de recursos em investimentos, incluindo também as pequenas empresas, chegue a R$ 3,3 trilhões.

Segundo Teixeira, o cenário instável da economia mundial e o seu efeito sobre os setores industriais dificultaram o levantamento.

Teixeira destaca a siderurgia como um dos setores mais afetados pela crise.
"Alguns projetos foram colocados em banho-maria. A dificuldade do setor é ganhar mercado no exterior", disse.

Mesmo com os entraves, o banco projeta que o país crescerá a um ritmo de 5,8% ao ano no período de 2010 a 2015. O patamar é superior à projeção de crescimento da economia mundial, de 3,5%.

Para manter a economia em expansão, o banco estima que a taxa de investimento deverá subir gradativamente até alcançar 22,4% em 2014. Nos cálculos do BNDES, a taxa de investimento de 2010 foi de 18,9% e o PIB cresceu 7,7%.

Um fator decisivo para a expansão, segundo o banco, será o investimento em infraestrutura, liderado pelos setores de energia elétrica e logística. A previsão é que o volume de investimentos no período chegue a R$ 380 milhões, 54% mais do que o realizado de 2006 a 2009.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me2802201129.htm

Amos Óz: "Estão todos cansados de guerra"!

A REBELIÃO EM ISRAEL - AMOS ÓZ: 'ESTÃO TODOS CANSADOS DA GUERRA'

"O Hamas mantém a ideia de que Israel não deve existir. É impossível, até para um moderado como eu, me alinhar com isso. Não posso propor que Israel só exista às segundas, quartas e sextas. O Hamas precisa reconhecer Israel para que se possa negociar..."

"Nem todos os religiosos são fanáticos. Muçulmanos ou judeus. Entretanto, acredito que fanáticos são sempre similares..."

"Acredito que um acordo de paz entre Israel e Palestina é urgente. E ninguém irá realizá-lo, senão - e somente - israelenses e palestinos. Temos que conversar e acertar nossas diferenças. O buraco entre as duas posições não é absurdo.Um compromisso pode ser acertado..."

"Árabes e judeus foram, no passado, vítimas da Europa. Os árabes por meio de imperialismo, colonialismo e humilhação. Os judeus pelas perseguições, discriminações e, por fim, o massacre. Duas vítimas do mesmo pai opressor não necessariamente se amam. Muitas vezes enxergam, um no outro, a imagem do pai cruel..."


"Estão todos cansados da guerra. Não falo dos fanáticos, porque esses não cansam nunca. Mas o povo nas ruas de Israel e da Palestina está exausto. E acho isso bom, porque essa fadiga está preparando o solo para um acordo concreto, mas doloroso, para os dois. Acontecerá quando o território for dividido entre israelenses e palestinos. Ambos se sentirão amputados. Mas não há outra alternativa..."


"Em termos de valores, é possível encontrar (em Israel)um espectro de tudo que há no mundo ...Se você prometer receber o que vou te dizer com um sorriso, eu afirmo que Israel não é um país, nem uma nação. É uma coleção de grandes discussões e argumentos..." (escritor Amos Oz, que participa de movimento pela criação de um partido social-democrata em Israel; entrevista ao Estadão;28/02)
(Carta Maior, 2º feira-, 28/02/2011)

Link

http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1&home=S

Dilma vai fazer a Ley de Medios. Demora, mas sai - por PHA!

Dilma vai fazer a Ley de Medios. Demora, mas sai - por PHA!

Ligo para o Oráculo.

Ele trocou de telefone e eu tinha perdido o novo número.

Tive que viver sem a sua sábia orientação por algum tempo.

- Querido Oráculo de Delfos, como está indo a Dilma ?

- Muito bem, responde ele, com secura quase impaciente.

- Muito bem, por que ?

- Porque está sendo ela e não ele.

- Caramba, Oráculo. Você está seco e forte. Diga lá: quando ela vai sair do palácio ? Ser mais ela para o povão ?

- Isso demora. Tem muita coisa que ela não pode fazer de uma hora para outra.

- Por exemplo …

- Mexer no Ministério. Tem que esperar mais um pouco.

- E ir à Folha, também foi um “muito bem”, como diz você ? Eu, de minha parte, fiquei uma fera.

- Você não entende nada de política.

- Entre outras coisas …, respondi com falsa humildade.

- E além do mais você está contaminado por São Paulo, que, como diria o Vinícius, é o túmulo da política brasileira.

- Tá legal. Vamos lá: ela fez bem em ir à Folha (*) ?

- Ela agiu certo.

- Certo ? E a ficha falsa, Oráculo ?

- Ela desmoralizou a Folha. Tiveram que elogiar ela. E o Estadão, também. Teve que elogiar ela. Esse PiG (**) aí – essa sua ideia fixa – esse PiG ficou sem graça.

- Percebo uma certa crítica.

- Você não alcançou a Dilma. Não teve estatura.

- De fato – reconheço, já irritado – de fato, eu sou mais para baixinho.

- Ela desarmou um Golpe.

- E ela vai fazer a Ley de Medios ?, pergunto.

- Vai !

- Vai mesmo ? O Paulo Bernardo parece murista …

- O Paulo Bernardo faz o que ela manda.

- Então, ele um dia sai do muro e faz a Ley de Medios.

- Vai.

- E por que vai ?

- Porque a Helena Chagas e o Paulo Bernardo não são o Helio Costa. E isso muda muito o quadro.

- E qual foi a ordem que a Dilma deu pra eles ?

- Não fazer o que o Helio Costa fazia. Isso é mudar da água para o vinho, meu filho. O Paulo Bernardo tem razão: você é muito ansioso.

- Então, Oráculo, você acha que vai haver uma … digamos … mudança do “marco regulatório” ?

- Demora, mas vai.

- Demora, por que ? O Paulo Bernardo precisa acertar com a Globo ?

- Lá vem você com essa mania ! Isso é um processo. É uma lei que não muda desde o João Goulart. É um processo. Não dá para mudar em dois meses.

- Mas, veja bem, caríssimo Oráculo: os primeiros movimentos da Dilma em relação à comunicação foram: Folha, Hebe Camargo e Ana Maria Braga.

- Ela está por cima da carne seca.

- Pode ser.

- Mas, você se esquece do principal. A primeira entrevista que ela deu depois de eleita foi à Record, não foi ? Não foi ao Casal 20, não.

- Casal 45, corrijo.

- Como você quiser.

- O Chico Viana deu uma entrevista ao Globo em que pede para ela sair do palácio, se misturar com o povo.

- Dilma não vai concorrer com Lula. Ela é outro animal político. Ela quer ver o resultado.

- E a ida do Kassab para o Partido Socialista Brasileiro ?

- Nunca haverá partidos políticos no Brasil.

- Nunca ?

- Nunca, com essa lei.

- E qual é a do PSB ?

- Quer juntar, fazer frente, ser um partido de presença nacional.

- Mas, Kassab, Oráculo ? Logo o Kassab ?

- Me diga uma coisa: qual a diferença entre Kassab e Eduardo Cunha, Moreira Franco ?

- Tá certo. O Dr Getulio se aliou ao Ademar, em São Paulo.

- Tá vendo ?, pergunta o Oráculo.

- O fundador do PSB, o Dr Arraes concordaria com o Kassab ?

- Dr Arraes fez muita aliança braba. Em Pernambuco, ele se aliou ao empresário Antonio Farias que era direitona braba.

- E a estreia do Aécio no Senado ?

- Tímida.

- Por que “tímida” ?

- Porque não foi uma estreia de candidato a Presidente da República.

- Qual é o problema do Aécio ?

- De geografia, meu filho.

- Geografia ?

- Sim, ele não consegue cruzar a fronteira de Minas para São Paulo.

- E o PiG não deixa.

- Jamais deixará. O teu PiG é de São Paulo, de 1932.

- E 1964.

- É a mesma coisa.

- E 2014, Oráculo ?

- Dilma com Eduardo Campos de vice.

- Pera aí, o vice sempre será do PMDB.

- O vice será Eduardo Campos.

Pano rápido.


Paulo Henrique Amorim

Link:

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/02/28/dilma-vai-fazer-a-ley-de-medios-demora-mas-sai/

Oposição denuncia acordo de lobistas dos EUA com Kadafi !

Oposição denuncia acordo de lobistas dos EUA com Kadafi - por Marcus Baram - Huffington Post

Logo depois que George W. Bush suspendeu as sanções contra a Líbia em 2004, quando Kadafi anunciou que pretendia abrir mão das armas de destruição em massa e expressou seu entusiasmo em se juntar à guerra contra o terror, os produtores de petróleo dos EUA e da Grã Bretanha aproveitaram a oportunidade para se expandir no país. Empresas como BP, Exxon, Halliburton, Chevron, Conoco e Marathon Oil juntaram-se a gigantes da indústria armamentista, como Raytheon e Northrop Grumman, a multinacionais como Dow Chemical e Fluor e à poderosa firma de advocacia White & Case para formar a US-Libia Business Association, em 2005.

Nova York – Uma vasta coalizão de interesses de todas as companhias de petróleo, da indústria armamentista e de firmas de lobbies a acadêmicos neoconservadores e professores da Escola de Negócios de Harvard têm trabalhado nos últimos anos para tentarem uma aproximação com o líder líbio Muammar Kadafi e tirarem vantagem das oportunidades de negócios no país, mesmo diante de uma das repressões mais duradouras, brutais e párias sobre o próprio povo e sua beligerância lendária.

Os líderes da oposição na Líbia dizem que esses esforços têm prejudicado os interesses do país da África do Norte ao ajudar à família de Kadafi e seus aliados mais próximos a enriquecerem às expensas da maioria dos líbios, servindo unicamente para prolongar o regime brutal de Kadafi. Eles também culpam a política dos EUA de priorizar os interesses de segurança nacional sobre as questões da reforma e dos direitos humanos, cuja falta ajuda a alimentar a violência do levante atual.

Logo depois que o ex-Presidente George W. Bush suspendeu as sanções contra a Líbia em 2004, quando Kadafi anunciou que pretendia abrir mão das armas de destruição em massa e expressou seu entusiasmo em se juntar à guerra contra o terror, os produtores de petróleo dos EUA e da Grã Bretanha e os interesses econômicos aproveitaram a oportunidade para se expandir no país, que vinha sendo comandado com mão de ferro pelo instável líder ao longo de 40 anos.

Alguns dos maiores produtores de petróleo e derivados, como BP, ExxonMobil, Halliburton, Chevron, Conoco e Marathon Oil juntaram-se a gigantes da indústria armamentista, como Raytheon e Northrop Grumman, a multinacionais como Dow Chemical e Fluor e a toda poderosa firma de advocacia White & Case para formar a US-Libia Business Association, em 2005.

Cada membro do seu conselho executivo paga 20 mil dólares por ano ao grupo, que é dirigido pelo Conselho Nacional de Comércio Exterior [www.nftc.org], uma coalizão que visa a facilitar as oportunidades internacionais para as companhias estadunidenses.

A maioria dos membros do grupo fez lobby para o governo dos EUA desde 2004, a fim de proteger seus investimentos na Líbia ou para facilitar a resolução de problemas dos interesses dos negócios com o regime. O comércio bilateral com a Líbia totalizou 2,7 bilhões de dólares em 2010, praticamente nada se comparado a 2003, quando as sanções ainda estavam em vigor.

O papel da USLBA, que auto-denominou-se como a única associação comercial dos EUA focada unicamente na relação EUA-Líbia, combina lobby pelo estado fora da lei anterior, com o progresso das metas comerciais dos membros associados ao grupo.

Seu departamento de responsabilidade social bancou políticas, conferências, briefings e coletivas e eventos destacando as lideranças dos EUA e os oficiais líbios – dois meses atrás, o presidente honorário do grupo, David Mack, um ex-embaixador dos EUA e o diretor executivo Charles Dittrich viajaram para Líbia para se encontrarem com oficiais do governo líbio, com líderes de negócios privados e representantes de companhias estadunidenses trabalhando no país.

No seu website, que agora está off-line, o grupo diz que visa a promover a Líbia, educando a Casa Branca e o Congresso a respeito da “crescente importância do país na manutenção da estabilidade na África do Norte, bem como do potencial da Líbia como mercado comercial em expansão para os negócios americanos”. O website também “vende” a proximidade da USLBA a Kadafi, dizendo que “somos o único grupo de negócios que se encontrou privadamente” com o líder Kadafi durante a sua “primeira visita histórica” às Nações Unidas em 2009.

Para dar uma medida da influência do grupo, o presidente fundador David Goldwyn indicou o coordenador para assuntos energéticos internacionais do Departamento de Estado para a Secretária de Estado Hillary Clinton. Numa visita a Líbia em dezembro de 2008, Goldwyn teceu loas à “recepção fantasticamente calorosa” que ele e oito executivos estadunidenses receberam dos oficiais maiores da Líbia.

Tradução: Katarina Peixoto

Link:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17492

Odebrecht tem obras na Líbia obras no valor de R$ 5,2 bilhões!

Odebrecht tem obras na Líbia no valor de R$ 5,2 bilhões!

GABRIELA MANZINI - da Folha.com

Onda de Revoltas Os protestos que ameaçam a ditadura de Muammar Gaddafi também põem em xeque o trabalho da brasileira Odebrecht no país.

Luiz Teive Rocha, 57, presidente da Odebrecht Internacional, braço estrangeiro da empresa -- que, entretanto, exclui negócios na América Latina e em Angola --, contou à Folha, em meio aos trabalhos para a retirada urgente de cerca de 5.000 funcionários do país, que não existe "nenhuma" previsão para a retomada das obras.

Na capital líbia, Trípoli, estavam nada menos que dois de seus três maiores contratos: o do novo aeroporto internacional e o do Terceiro Anel Viário. O primeiro valia 1,4 bilhão (R$ 3,21 bilhões) e o segundo, 900 milhões (R$ 2,06 bilhões). Em ambos os casos, afirma, as obras estavam quase pela metade. O faturamento total da empresa em 2009 foi de R$ 40 bi.

"Estamos preocupados em retirar todos com segurança. Não há uma previsão [de retorno]. É uma previsão que, acho, ninguém tem", diz.

Mais duas grandes construtoras brasileiras, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, estão na Líbia. Mas a Odebrecht é a que tinha o maior número de brasileiros -- 187, todos em Trípoli.

O executivo diz que o cenário atual, em que a capital parece cercada pelas tropas rebeldes e é palco de tiroteios violentos, parecia impossível duas semanas atrás. Que dirá quando as construções começaram, em abril de 2007.

Na época, as dificuldades estavam relacionadas ao fechamento da economia líbia, alvo de sanções internacionais. "Não era um país em atividade comercial regular com o resto do mundo."

Em quase quatro anos de obras, o brasileiro diz ter se impressionado com a rotatividade do gabinete. Ministros do Transporte foram três. Mas o trabalho ia bem até janeiro, quando os protestos na Tunísia derrubaram Zine el Abidine Ben Ali.

Sob alerta, a construtora elaborou a retirada. "Tínhamos um plano que imaginávamos que, se viesse a ser posto em prática, não seria tão rapidamente."

O estopim veio no sábado passado, com manifestações em Benghazi, reduto da oposição líbia. "Até sábado estávamos preparados para sair, mas acreditávamos que teria controle. No domingo, decidimos retirar todo mundo."

Finalizado o processo, ambos os canteiros de obras, de acordo com Rocha, ficarão a cargo dos empregados líbios.

Os líbios, diz o executivo, têm a mesma boa impressão dos brasileiros, o que parece muito útil para quem está lá.

"Desde que começaram os checkpoints, quando percebiam [que eram brasileiros], diziam "brazili!" [brasileiro, em árabe] e os deixavam passar com tranquilidade."

Mas, apesar da atmosfera favorável, no momento a incerteza é tanta que ele não sabe nem qual é o status dos contratos. "As seguradoras, por exemplo, já há dois dias consideram zona de guerra. Provavelmente será considerado caso de [cancelamento por] força maior."

RETIRADA

Para retirar os seus funcionários, Rocha conta com dois 747 com capacidade para 450 pessoas; ônibus para transportá-los da capital para Benghazi; um navio para 2.000 e mais dois ferryboats que, somados, levam cerca de mil.

Os aviões têm repetido o trajeto entre Trípoli e a ilha europeia de Malta com 450 passageiros por vez. O problema é que, além de o aval ser demorado, eles têm tido de competir com aviões de resgate de outros países.

Na alternativa marítima os desafios são a segurança das estradas e o mau tempo.

De, Rocha coordena o vaivém e torce para que toda a operação seja concluído, no máximo, até hoje.

O gasto, garante, não está em jogo. "[Serão] alguns milhões de dólares. Mas não é, de fato, nossa preocupação. Nós estamos priorizando a retirada da forma mais eficaz possível. Não fizemos as contas ainda, não."

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/881714-odebrecht-deixa-no-pais-obras-no-valor-de-r-52-bilhoes.shtml

Inflação anualizada na zona do euro fica acima da meta do BCE!

Inflação na zona do euro em janeiro é revisada para baixo

DA REUTERS, EM BRUXELAS

A inflação na zona do euro foi menor que o estimado inicialmente em janeiro, mostraram dados nesta segunda-feira, mas ficou acima da meta do BCE (Banco Central Europeu), principalmente por causa da disparada dos preços do petróleo.

A agência de estatísticas Eurostat revisou a alta anual dos preços ao consumidor nos 17 países que usam o euro para 2,3% no mês passado, ante a projeção preliminar de 2,4% e a alta de 2,2% em dezembro.

Na comparação mensal, os preços caíram 0,7%, mais que a queda de 0,6% prevista em uma pesquisa da Reuters.

Combustíveis para transporte adicionaram 0,58 ponto percentual à leitura anual, e a alta do óleo de aquecimento somou 0,19 ponto. A eletricidade adicionou mais 0,11 ponto, e o gás, 0,1 ponto.

Combustíveis para transporte também foram o principal indutor do número mensal de inflação, mas foram ofuscados pelas vendas de roupas em janeiro e a queda dos preços durante o fim do ano.

O BCE pretende manter a inflação pouco abaixo de 2% em um horizonte de dois anos. O banco disse que a alta dos preços ao consumidor deve atingir um pico em março e desacelerar, mas que a inflação média na zona do euro pode continuar acima de 2% neste ano.

O núcleo da inflação caiu 1,3% na comparação mensal em janeiro, para uma alta anual de 1,2%, mais que o avanço de 1,1% registrado em dezembro.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/882011-inflacao-na-zona-do-euro-em-janeiro-e-revisada-para-baixo.shtml

Mais de 700 mil empregados domésticos saíram da informalidade!

Mais de 700 mil empregados domésticos saíram da informalidade

A Receita Federal calcula que mais de 700 mil empregados e empregadas domésticas tenham saído da informalidade, entre 2006 e 2010, com a regra que permitiu o abatimento da contribuição previdenciária no Imposto de Renda dos patrões.
A dedução, instituída pela Lei nº 11.324, foi a forma que o governo encontrou de estimular a retirada dos trabalhadores domésticos da informalidade. O benefício fiscal só é permitido a um empregado doméstico por declaração, inclusive no caso de ela ser feita em conjunto.

A renúncia fiscal com a medida, em 2010, será de aproximadamente R$ 500 milhões, de acordo com a Receita Federal. Mas o resultado definitivo só deve ser apurado após a entrega das declarações, que começa no dia 1º de março e vai até 29 de abril. A "renúncia", porém, é compensada pelo aumento da arrecadação de contribuições previdenciárias.

Entre 2006 e 2009, em termos nominais, São Paulo foi o estado que mais se beneficiou da regra. Os contribuintes paulistas puderam abater o total de R$ 346 milhões de contribuições previdenciárias do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

Depois, vem Minas Gerais com R$ 148 milhões, seguido do Rio de Janeiro com R$ 116 milhões. Os contribuintes de Roraima, estado com menor população, abateram R$ 968 mil. Em todo o Brasil, no período, deixaram de ser recolhidos R$ 1,1 bilhão com a medida.

A contribuição patronal paga à Previdência Social incidente sobre a remuneração do empregado doméstico só poderá ser deduzida do IRPF do empregador até a declaração de 2012, quando o contribuinte mostrará à Receita seus ganhos e gastos referentes a 2011.

Fonte: Agência Brasil

Link:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=148516

Opositores de Khadafi já preparam conselho de transição!

Opositores de Khadafi já preparam conselho de transição - Por: João Peres, Rede Brasil Atual

São Paulo – Opositores do ditador líbio Muamar Khadafi montaram um Conselho Nacional de transição neste domingo (27). Eles negam se tratar de um governo interino, destacando que serão chamadas pessoas de diferentes partes do país para mostrar “o rosto da revolução” que pretende dar fim a 41 anos de governo.

Enquanto isso, as forças contrárias ao ditador tomaram o controle de Zawiyah, 50 quilômetros a leste da capital Trípoli, o que aumenta a sensação de que Khadafi já não tem o país em suas mãos. "Essa é a nossa revolução", gritava uma multidão de centenas de pessoas com os punhos erguidos, no centro da cidade. Algumas pessoas estavam em cima de um tanque capturado. Até mesmo a capital, que antes registrava poucos movimentos a favor da mudança, tem cada vez mais manifestações.
ONU

No sábado (26), o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) ratificou as expectativas ao impor sanções contra a Líbia. O Brasil, que preside o órgão máximo da ONU neste mês, classificou como inaceitável a violência empregada por Khadafi na repressão ao povo. Em linhas gerais, as Nações Unidas impuseram o embargo à venda de armas e o congelamento das contas do ditador e de alguns de seus colaboradores ou parentes.

O filho dele, Seif Al-Islam, foi novamente à televisão, desta ver para afirmar que a família é “bastante modesta” e não tem dinheiro no exterior. "Temos vontade de rir quando se diz que temos dinheiro na Europa ou na Suíça. Convenhamos, isso é uma anedota", indicou.

Enquanto isso, as nações europeias aumentam a pressão para que Khadafi deixe o poder. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considera que a situação é insustentável. "As contínuas violações aos direitos humanos cometidas pelo governo líbio, a violência contra sua população e as ameaças revoltantes feitas causaram uma condenação geral e severa da comunidade internacional", informou por meio de um comunicado. "As sanções, têm, portanto, como alvo o governo de Khadafi, enquanto protege os bens que pertencem ao povo líbio."

Até mesmo a Itália, mais próxima aliada do ditador, considera que o fim do governo é inevitável. O ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, informou que os acordos de cooperação entre as duas nações estão suspensos. "Chegamos a um ponto, acredito, que não há retorno", declarou.
Brasileiros

Chegou neste domingo à Grécia o navio que transportava 148 brasileiros que viviam na Líbia. De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, não houve registro de incidentes durante a viagem e a embarcação aportou em território grego no início da manhã. Espera-se que todos sigam viagem de regresso ao Brasil na segunda-feira (28) em avião fretado pela Queiroz Galvão, empreiteira para a qual trabalhavam.
Tunísia

O premiê da Tunísia Mohamed Ghannouchi anunciou sua renúncia neste domingo, também após sofrer uma onda de protestos. "Minha renúncia vai permitir um melhor ambiente na nova era", disse ele, acrescentando que queria prevenir mais vítimas da inquietação política no país.

Três pessoas foram mortas e muitas ficaram feridas em conflitos entre as forças de segurança e manifestantes desde sexta-feira por causa do papel de Ghannouchi no governo interino. "Minha renúncia é um serviço para o país", acrescentou ele em pronunciamento na TV. Ghannouchi reafirmou a promessa do governo de realizar eleições em 15 de julho para substituir o ex-presidente Zine al-Abidine Ben Ali.

Link:

http://m.redebrasilatual.com.br/temas/internacional/2011/02/opositores-de-khadafi-ja-preparam-conselho-de-transicao

O mito dos 100 dias - Por: Mauro Santayana!

O mito dos 100 dias - Por: Mauro Santayana

A história política é perturbada por lugares-comuns que pouco têm a ver com a realidade. Alguns acreditam que os primeiros dias de um governante definem o desempenho posterior

A expressão nasceu dos famosos “100 dias de Napoleão”, que na verdade foram 114, de 1º de março, quando retornou à França depois de fugir da Ilha de Elba, a 22 de junho de 1815, quando abdicou do trono pela segunda vez. Napoleão reconquistou o trono com exemplar coragem, mas o perdeu porque a correlação de forças militares na Europa já não o favorecia. Desde a retirada da Rússia, em 1812, seu destino estava selado. A um de seus secretários de então – Henry Beyle, famoso com o pseudônimo de Stendhal – ditou decretos de promoção de oficiais, depois de derrotado em Moscou, e assinou “Pompeu”. Era a assunção antecipada da derrota definitiva, como a sofrida por Pompeu contra César.

Os 100 primeiros dias de um governante podem mostrar seu caráter, mas não significam êxito ou malogro do mandato. Quando o governante encontra o país em crise grave, como ocorreu a Roosevelt em 1933, a atuação tem de ser contundente e imediata – o que ele fez com o New Deal, a intervenção fulminante do Estado nas atividades econômicas. Nesse caso, os primeiros dias são decisivos. Outra é a situação de Dilma Rousseff. Ela é conhecedora da realidade nacional e dos mecanismos do poder, pela experiência de sua carreira de administradora. Provavelmente não encontrará situações desconhecidas, embora o poder sempre reserve surpresas: o caráter das pessoas nunca é exposto nas linhas da face.

A presidenta tem o desafio de arbitrar os interesses em disputa do poder. Isso não lhe será difícil, mas exigirá permanente atenção. Seu perfil é de alguém que se dedica exaustivamente ao trabalho. É uma grande vantagem para quem chefia um governo, mas não basta para quem chefia um Estado democrático. Ela atendeu os grupos empresariais, ao convocar o industrial Jorge Gerdau para assessorar o governo. Espera-se que essa presença não venha a significar retorno do pensamento neoliberal na condução ideológica do Estado, como nos tempos de Fernando Henrique.

A melhor advertência à conduta governamental é o contato direto com a população, e não somente mediante as informações dos ministros. É conhecido o estratagema do primeiro-ministro Potemkim, de Catarina, a fim de iludi-la durante uma visita ao Rio Dnieper. Potemkim montou ao longo do rio aldeias de fachada, com moradias coloridas como cenário, diante do qual camponeses saudavam a soberana do império russo (de 1762 a 1796), feliz com o “bem-estar” de seus súditos. Eram as famosas aldeias de Potemkim. O chefe de Estado deve estar em contato, sempre que possível, com o povo.

Além dos problemas internos, Dilma é convocada da mesma forma a manter contatos pessoais com os chefes de governo estrangeiros. Lula avançou muito na diplomacia do corpo a corpo, e o mundo se acostumou com essa presença brasileira, que se marcou pela altivez sem arrogância, pela firmeza­ sem impertinência.
Exemplo para todos os dias

Na abertura de seu livro Economics for a Civilized Society, Greg e Paul Davidson mostram que a sociedade se torna “civilizada” diante de catástrofes. As pessoas se sentem tocadas pelo sofrimento quando há incêndios, terremotos, inundações. Por que, perguntam os autores, o mesmo não ocorre na vida de todos os dias? As cenas de solidariedade na busca de sobreviventes e de mortos nas encostas da serra, em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, mostram um povo exemplar.

No entanto, contra as catástrofes sociais de todos os dias não há a mesma disposição, exceto de uma muito pequena parcela da população. Todos os dias, adolescentes são empurrados para a prostituição e para o crime; desabrigados e sem-teto adoecem e morrem nas calçadas das grandes cidades do mundo. As pessoas olham de lado. Há pouco tempo para que a sociedade se civilize e adote modelo econômico que a salve das catástrofes sociais devastadoras. É preciso que o sentimento humanista ocupe o mundo.

Link:

http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/56/o-mito-dos-100-dias

Piso salarial dos professores é reajustado em 15,85%!

Piso salarial dos professores da rede pública vai a R$ 1.187 - por Leticia Cruz, Rede Brasil Atual

O valor se aplica somente aos professores que têm carga horária de 40 horas semanais

São Paulo – O novo piso salarial dos professores da rede pública foi anunciado nesta quinta-feira (24) pelo Ministério da Educação (MEC). O valor foi reajustado em 15,85%, chegando a R$ 1.187 para profissionais que cumprem 40 horas semanais. Para 20 horas, o piso é R$ 593,98. Ambos são retroativos a janeiro deste ano.

O reajuste está em conformidade com a lei do piso nacional do magistério sancionada em 2008 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que segue a variação do custo anual mínimo por estudante do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb).

O ministro da Educação, Fernando Haddad, declarou que o MEC deixará claro como serão realizados os cálculos aplicados para o novo piso. "Vamos fazer como no ano passado, divulgar uma nota sobre as regras de cálculo do piso, em resposta a consultas de entidades educacionais e governos. Como a lei não estabelece que o MEC decrete o aumento, nós respondemos às demandas e isso passa a ser referência", disse.

Haddad ressaltou também que está em tramitação na Câmara dos Deputados um projeto de lei que possibilitará o MEC a decidir anualmente o valor do piso e mudar a vigência do reajuste de janeiro para maio. Em uma nova regra, o MEC poderá liberar recursos para os municípios que enfrentam dificuldades para pagamento do piso, além de derrubar a regra que determina o atendimento de 30% dos alunos em área rural.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) publicou nota afirmando discordar do valor referendado pelo MEC. Segundo a entidade, o novo piso salarial dos professores deveria ser de R$ 1.597,87.
Ganhando menos

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados em 2010, o salário médio de um professor da educação básica é 40% menos que o de um trabalhador com o mesmo nível de escolaridade. Em São Paulo, por exemplo, a remuneração de um professor tem média de R$ 1.905 enquanto a de um profissional de outra ocupação, R$ 3.306. Pernambuco tem a menor média salarial, com R$ 1.219.

Com informações da Agência Brasil

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http://m.redebrasilatual.com.br/temas/trabalho/2011/02/mec-anuncia-novo-piso-salarial-dos-professores-da-rede-publica

2011: os EUA e o Estado do Mundo - por Francisco Carlos Teixeira!

2011: os EUA e o Estado do Mundo - por Francisco Carlos Teixeira!

Depois de metade do seu mandato, alguma paralisia, uma retumbante derrota eleitoral (nas eleições de meio de mandato em 2010) e algumas vitórias – como a nova legislação de seguro de assistência médica – já podemos fazer uma mais detalhada análise do chamado “fenômeno Obama”. As crises internacionais mantiveram-se praticamente as mesmas – Irã, Coréia e o drama da Palestina.

A “novidade” Obama

A tão esperada “nova abordagem” das relações internacionais, anunciada durante a campanha eleitoral, na verdade não aconteceu. Deu-se, isso sim, a instauração de um clima mais aberto, mais voltado para o entendimento em alguns campos, em particular entre os grandes centros de poder, como o grande acordo com a Federação Russa em 2010. O clima de enfrentamento e de desconfiança, típico da Era Bush, foi suplantado pelo discurso mais aberto e disponível à negociação de Obama, em especial o brilhante discurso na Universidade do Cairo em 4 de junho de 2009. A visita de Dimitri Medvedev, presidente da Rússia – com a inusitada ida com Obama a uma típica loja de hot-dogs – foi também um bom sinal, apesar da extrema direita americana – Tea Party & Sara Palin et alii – terem ficados possessos e ainda mais raivosos.

Hoje, desde o fim da velha ordem mundial (a Guerra Fria, de 1945-1991), a possibilidade de um choque cataclísmico entre grandes potências é a mais baixa de toda história. Um razoável espírito de interdependência norteia as relações EUA/Rússia e EUA/ China. Tal distensão culminou com a recente recepção de Hu Jintao, presidente da China Popular, em janeiro de 2011, a Washington. Neste visita Obama, com realismo e resignação, aceitou o “mantra” de Beijing: a China hoje representa a inédita ascensão pacífica de uma grande potência.

Nova Guerra fria?


Historicamente a ascensão e queda das grandes potências – para citar o ótimo título de Paul Kennedy – foi acompanhada de guerras e conflitos. Foi assim com a Alemanha e Japão no século XX. A China, desde as grandes reformas de Deng Shiao-ping, insiste que a trajetória chinesa em direção ao primado mundial será inédita, marcada pela manutenção da ordem e da paz mundial.

Tal afirmação, aceita e repatida por Obama em janeiro de 2011 no encontro dos dois presidentes, desmente inúmeros analistas – no mais “viúvas” da época da Guerra Fria - que vaticinam uma nova Guerra Fria, desta feita entre os EUA e a China Popular. A Guerra Fria, do ponto de vista histórico, foi um complexo sistema de rivalidades militares, políticas, econômicas e intelectuais entre duas potências em torno de uma utopia de futuro.

Entendida assim, a Guerra Fria é um fato do passado e com tal complexidade jamais se repetirá. Teremos, em verdade, a repetição de “rivalidades internacionais”, como já tivemos, por exemplo, a rivalidade anglo-francesa entre 1680-1815 ou Nipo-americana, entre 1922-1945. Mas, rivalidades não formam Guerra Fria, onde a disputa de supremacia de sistemas sociais e ideológicos era a tôncia maior. Hoje, até a China emula o capitalismo. É infelizmente buscamos uma utopia – Cazuza diria, uma ideologia – para podermos viver e lutar em torno dela.

Na Europa e nos Estados Unidos os movimentos conservadores – do ponto de vista social e político – avançaram imensamente e mesmo movimentos de ressurgência dos fascismos tomaram fôlego em vários países. Mais do que nunca falta uma utopia.

Novos e velhos conflitos


A cooperação entre as grandes potências – EUA – e as novas potências emergentes – China, Índia, Rússia -, a conformidade de um papel de coadjuvante para velhas potências – França, Inglaterra – desenharia uma nova arquitetura das relações internacionais. E com isso uma nova natureza dos conflitos internacionais.

A natureza dos novos conflitos – longe de uma nova ordem mundial pacífica e baseada em negociações internacionais conforme se esperava ao fim da Primeira Guerra do Iraque (1991) – é seu caráter assimétrico (o conflito entre fortes e fracos, no mais das vezes o fraco organizado em forma de Estado-rede em vez de Estado-Nação) ou mesmo dissimétrico (onde se enfrentam dois Estados-Nação, mas de capacidades altamente diferenciadas). Assim, a Administração Obama reafirmou a nova natureza dos conflitos internacionais: nebulosos, desiguais, dispersos e com uso amplo de recursos táticos altamente sofisticados, em especial o recurso a uma ampla panóplia antimecanização (visando anular o poder tecnológico do adversário).

Não podemos ainda esquecer, o retorno em força dos conflitos tipicamente convencionais, como foi a guerra entre a Rússia e a Geórgia em razão da Ossétia, conforme nos ensina Lucien Poirier. O fim do risco nuclear imediato – de Estado para Estado – abriu o caminho, claramente para o retorno das grandes operações militares de caráter clássico, sem as implicações decorrentes da possibilidade da “escalada nuclear”. Assim, o fim do “equilíbrio do terror”, a no balance condition, onde a possibilidade de golpear o adversário com força militar desequilibrada, buscando uma solução militar para as crises, é uma marca da nova ordem mundial, conforme o demonstram as guerras atuais (Iraque I e II, Líbano e Gaza, Geórgia).

Retorno do classicismo e a assimetria


É de extrema relevância, no atual momento dos conflitos da era pós-nuclear, um retorno ao classicismo nos estudos sobre as guerras e, fundamentalmente, na reconstrução da inteireza epistemológica das doutrinas bélicas. O interregno de 1945 ( ou 1947 ou 1949 ) até 1991 provocado pela Guerra Fria e a condição MAD (de mútua destruição assegurada ) foi suplantado. Da mesma forma a chamada “Inversão clauzewitzniana” também o foi. Isso quer dizer:

i. O risco de escalada nuclear dos conflitos é bastante baixa, o que libera as forças convencionais para um amplo uso, marcando o retorno da guerra convencional ou clássica como forma central de conflito entre os Estados-Nação;

ii. Aparição de formas avançadas, tecnologicamente sofisticadas, de guerra irregular, sob a forma de conflitos assimétricos, contrapondo o Estado-Nação a formas novas de Estado-rede, tais como o terrorismo, o narcotráfico, o crime transfronteiriço, etc...

Um texto revelador sobre o tema – e que foi durante muito tempo ignorado em função da fixação tecnicista da estratégia pós-Guerra Fria, é a análise magistral do general francês Lucien Poirier da Primeira Guerra do Golfo ( ou do Iraque, em 1991), quando afirma: "...a Guerra do Golfo restaurou a violência nas suas funções anteriores e marca uma transformação de peso na sua trajetória histórica" (Ver sobre isso: POIRIER, Lucien. La Guerre du Golfe dans La genealogie de La stratégie. In: Revue Stratégique, no. 51, 3º. e 4º. Trimestre, 1991).

Foi assim no caso da “Guerra dos 34 Dias” entre Israel e o Hizbollah, no sul do Líbano em 2006, paralisando as defesas estratégicas do Estado de Israel e causando fortes danos humanos e materiais a uma potência militar da qualidade de Israel. Neste conflito o Hizbollah utilizou largamente foguetes – Note bene: foguetes, não mísseis, Katyuscha, de fabricação iraniana, causando literalmente a evacuação de Haifa – maior porto de Israel e 121 baixas militares, com 628 feridos; além disso – o que o mais grave – os foguetes do Hizbollah causaram 43 baixas civis, e 4262 feridos ( em grau variado de gravidade ). O uso de uma arma primitiva, os erros da inteligência em prever esse tipo de conflito e as táticas errôneas do Tsahal foram, em verdade, um forte choque para os estrategistas israelenses. Mas, em 2009 este típico conflito assimétrico foi reafirmado em Gaza, no Iraque, e recrudesceu imensamente no Afeganistão. Também Somália e Iêmen são exemplos típicos da assimetria bélica atual.

Há um risco nuclear?


O risco nuclear, por sua vez, foi empurrado para a borda do sistema dos Estados-Nação. Durante as décadas passadas o pensamento estratégico ocupou-se em “pensar o impensável”: como sobreviver, e se possível, vencer num conflito termonuclear total – este foi, por exemplo, o papel do estrategista norte-americano Herman Khan. Superada tal condição imediata, com a aceitação tácita e diplomática das grandes potências atômicas da negociação e do compromisso cooperante, o risco atômico tornou-se marginal. Trata-se, no momento, de controlar dois desenvolvimentos da possibilidade de uso do atômico (e do químio-biológico) enquanto armas:

i. De um lado, a posse de tais armas pelo Estado-rede, que por suas características próprias não é suscetível a dissuasão;

ii. De outro lado, impedir o acesso de Estados-párias (the rogue states) a tal possibilidade, limitando o clube dos possuidores de armas de destruição de massas a um número restrito de Estados convertidos à lógica da responsabilidade westfaliana.

Devemos, assim, pensar as condições de conflito e crise da Nova Ordem Mundial a partir das premissas teóricas acima expostas, abrindo caminho para a análise dos mais importantes dossiês críticos atuais e cujo desenrolar será a base das relações internacionais em 2011 (continua).

Francisco Carlos Teixeira é professor Titular de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Link:

http://zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=27&Itemid=54

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Juan Cole: Um balanço da revolução popular!

Juan Cole: Um balanço da revolução popular

Os seis principais casos ainda não resolvidos no Oriente Médio

27/2/2011, Juan Cole, Informed Comment

1. JORDÂNIA. Cerca de 6.000 manifestantes marcharam na 6ª-feira na Jordânia. Querem transformar a monarquia jordaniana em monarquia constitucional ao estilo europeu e a volta, sem as emendas posteriores, da Constituição de 1952.

2. TUNÍSIA. Cerca de 100 mil tunisianos saíram às ruas em Túnis, na 6ª-feira. Querem a renúncia do primeiro-ministro interino Mohamed Ghannouchi. O governo interino marcou eleições para meados de julho, principal demanda dos manifestantes. Também dissolveu o partido Rally for Constitutional Democracy, que estava no poder antes da queda do ditador. Mas os manifestantes não confiam que Ghannouchi – importante quadro do governo deposto de Zine El Abdidin Ben Ali – seja capaz de garantir a lisura das eleições. Ghannouchi está tentando ganhar popularidade, confiscando os bens de personagens do círculo íntimo e corrupto de Ben Ali, mas, até agora, ainda não conseguiu separar-se da reputação de ser, ele também, do mesmo círculo.

ATUALIZAÇÃO: O ministro interino da Tunísia renunciou hoje, domingo, 27/2/2001, conforme notícia da BBC, às 13h28, ao vivo.

3. EGITO. Dezenas de milhares de manifestantes voltaram à praça Tahrir no centro do Cairo, na 6ª-feira, exigindo o fim das leis de emergência que suspenderam todas as liberdades civis no Egito há 30 anos. Querem também que o primeiro-ministro Ahmad Shafiq, nomeado pelo presidente deposto Hosni Mubarak, deixe o cargo, sem o que não haverá real ruptura com o velho regime. O exército egípcio impediu que a multidão cercasse a residência do primeiro-ministro para protestar e houve feridos entre os manifestantes.

4. BAHRAIN. Cerca de 200 mil manifestantes marcharam pelo centro de Manama, capital do Bahrain, na 6ª-feira. Querem que a monarquia seja convertida em monarquia constitucional, com liberdades civis plenamente garantidas. Querem também que o primeiro-ministro deixe o cargo. O rei já demitiu três outros ministros do mesmo Gabinete.

5. IÊMEN. Em Aden, os manifestantes exigem a expulsão do ditador Ali Abdullah Saleh. Houve quatro mortos e duas dúzias de feridos, quando as forças de segurança atacaram os manifestantes.

6. LÍBIA. As forças de segurança do ditador retiraram-se do bairro operário de Tajoura no sábado, depois de vários dias de ataques aos manifestantes, tentando dispersar as multidões. Falharam. Se Gaddafi já está perdendo áreas importantes da capital, aquela ditadura pode estar com os dias contados.

Os manifestantes no Egito e na Tunísia, até agora, só alcançaram sucesso parcial: afastaram um ditador, mas ainda sem saber como se farão reformas genuínas. Os líbios ainda sequer afastaram o ditador Gaddafi. E no Bahrain, Iêmen e Jordânia, todos os clamores populares por reformas econômicas e políticas genuínas continuam a cair em ouvidos surdos.

Link:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/juan-cole-um-balanco-da-revolucao-popular.html

O trabalho intelectual no Brasil de hoje - por Emir Sader!

O trabalho intelectual no Brasil de hoje - por Emir Sader!

Nomeado, mas ainda não empossado para dirigir a Fundação da Casa de Rui Barbosa, eu não queria seguir alimentando mais entrevistas, declarações, palavras, enfim, depois de ter sugerido as ideias inicias com que pretendemos nortear o trabalho na direção da Casa.

No entanto, uma vez instaurado um debate saudável – um primeiro objetivo, o de suscitar o debate sobre a função de um espaço cultural público no momento que vive o país -, com as inevitáveis e bem vindas reações e as negativas manipulações ou edições unilaterais de matérias, vale a pena voltar ao assunto, com um breve texto de responsabilidade totalmente minha.

Antes de tudo, para reafirmar o respeito por todo o extraordinário trabalho que a FCRB vem desenvolvendo, seja na conservação do acervo, na pesquisa, na promoção de eventos e em tantas outras atividades, que o consagrou como um espaço de referência nessas atividades, em que abriga alguns dos melhores pesquisadores das distintas especialidades a que a Casa se dedica. Isto nunca esteve em questão. Trabalharemos, em estreita colaboração com o MINC e a Ministra Ana de Hollanda, assim como com outras instâncias do governo que já manifestaram interesse concreto em articular suas atividades considerando a Casa como um espaço de reflexão de todas as Secretarias do MINC, assim de outros Ministérios do governo – como o MCT, o Ministério da Saúde, de Comunicação, da Educação, do Meio Ambiente, dos Esportes, as Secretarias de Políticas para as Mulheres, dos Direitos Humanos, de Igualdade Racial, dos Esportes. A Casa buscará ser, além de todas as tarefas que já cumprem de forma efetiva, um espaço mais integrado ao MINC e ao governo federal, instâncias às quais pertence institucionalmente.

Essas demandas, junto à necessidade de incentivar debates que ajudem a compreensão do Brasil contemporâneo – além daqueles que a Casa já desenvolve – nos levam a programar atividades específicas, dirigidas a decifrar as imensas transformações que o Brasil sofreu nas duas últimas décadas. É uma lacuna que já apontava a conversa que tivemos com a atual Presidenta Dilma, quando Marco Aurélio Garcia e eu fazíamos uma entrevista para o livro "O Brasil, entre o passado e o futuro" (Editoras Perseu Abramo, organizado por Marco e eu), quando constatávamos como faz falta hoje ao Brasil um novo impulso teórico e cultural, que sempre acompanhou os momentos de grandes transformações politicas do país.

Recordávamos como isso ocorreu nos anos 30, concomitantemente ao primeiro governo do Getúlio, que dava origem ao Estado nacional contemporâneo, com obras como as de Caio Prado Jr., Sergio Buarque de Holanda, Gilberto Freire, Anísio Teixeira, entre tantos outros. Realizada um pouco antes, mas estendendo sua influência por todas as décadas posteriores, a Semana de Arte Moderna condensou todas as grandes correntes artísticas renovadoras que povoam até hoje a arte brasileira.

Na virada dos anos 50 para os 60 do século XX, juntos aos acelerados processos de urbanização e de industrialização, com o fortalecimento de classes e forças sociais fundamentais no processo de profunda democratização por que passava o país, o desenvolvimento de obras como de Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Werneck Sodré, todo o grupo do ISEB – sem querer mencionar a todos -, enquanto a bossa nova, o cinema novo, o boom e a renovação criativa no teatro brasileiro, assim como nas artes plásticas, agora a presença exponencial de Oscar Niemeyer, Burle Marx, para referir-nos apenas a alguns dos arquitetos e paisagistas. A lista e as atividades são extensas, na maior concentração de arte criativa e original que o Brasil conseguiu produzir em um espaço relativamente curto de tempo. (Certamente se podem acrescentar muito mais nomes e atividades, estas aparecem aqui apenas a titulo de exemplos.)

Não há dúvidas hoje de que o Brasil vive, ao longo da primeira década deste século, que tudo indica que se projetará pelo menos por esta década, um outro período de grandes transformações, que pode ser comparado com os mencionados anteriores, com suas particularidades, tanto na forma dessas transformações, como nos processos políticos que as levam adiante. A consolidação de um modelo econômico intrinsecamente associado à distribuição de renda faz com que o Brasil tenha começado a atacar o principal problema que o país arrasta ao longo dos seus séculos de história: a desigualdade social, que fez com que fôssemos o país mais desigual da América Latina, que por sua vez é o continente mais desigual do mundo.

Pela primeira vez na nossa história estamos conseguindo diminuir de forma significativa a desigualdade no Brasil, e em proporções que nos permitem dizer que a própria estrutura social a que estávamos acostumados – uma pirâmide bem larga na base, que ia se afinando conforme se subia na estrutura social, como um filtro que permitia que poucos pudessem estar no meio e muito menos ainda no topo da pirâmide – mudou radicalmente de figura.

Além de múltiplos outros fenômenos, que projetaram muito mais e de forma distinta o Brasil no mundo, aliado preferencialmente aos países vizinhos da América Latina e aos do Sul do Mundo, que representamos mais de 85% da população do mundo, mas contamos com percentual brutalmente inferior da riqueza mundial. Por isso o lugar do Brasil como potência emergente, que representa uma nova forma de encarar os problemas econômicos, sociais, políticos, energéticos, ambientais, educacionais, culturais, dos direitos das minorias politicas, entre outros, mudou, tendo sido dirigido na primeira fase desse processo por um líder politico de origem no movimento sindical de luta contra a ditadura, seguido pela primeira mulher Presidenta do Brasil, que esteve diretamente vinculada à resistência àquela mesma ditadura – passou a viver o período de sua maior projeção regional e mundial.

Muitos outros aspectos dessas profundas e extensas transformações – a principal das quais, ao diminuir substancialmente as desigualdades, passou a governar para todos no maior mecanismo de inclusão social que havíamos conhecido – podem ser mencionados, para ressaltar a transcendência do momento histórico que passamos a viver na entrada do novo século.

No entanto, sem subestimar a vigorosa e extensa produção intelectual que a vida acadêmica brasileira e outras instâncias inovadoras passaram a produzir nas últimas décadas, é necessário constatar que as transformações que o país vem vivendo, tem se dado em ritmo mais avançado do que o ritmo do avanço da capacidade de produção teórica de dar conta das profundas, diversificadas e novas transformações que o Brasil passou a viver, especialmente nas duas últimas décadas.

O próprio debate eleitoral refletiu isso. Por um lado, a grande maioria dos meios de comunicação, com uma visão sistematicamente crítica do desempenho do governo Lula – que acreditava que já em 2005 o governo estava morto ou ferido de morte, para dar apenas um exemplo da incapacidade de se situar diante das transformações já em curso naquele momento – e que, ao final desse governo, teve que conviver com um Presidente com 87% de apoio e apenas 4% de rejeição. O que dava conta, sinteticamente, como o ponto de vista amplamente majoritário na mídia – em uma mídia que havia reduzido seu pluralismo a espaços residuais – se chocava com o Brasil realmente existente, que havia entrado em um período da maior unificação nacional, de forma consensual, em torno de um projeto protagonizado por esse governo atacado por escrito, nas rádios e nas TVs, sistematicamente.

Por outro lado, é preciso dizer também – como referido em "O Brasil entre passado e o futuro" – que os grandes avanços do governo Lula foram feitos muito mais de forma empírica, pragmática, baseados na extraordinária intuição política do Lula, com ensaios e erros, com exploração de espaços novos e mais fáceis de avançar – como a prioridade das políticas sociais ao invés do ajuste fiscal, da integração regional, ao invés dos Tratados de Livre Comércio com os EUA -, mas sem uma teorização dos passos que se estavam dando, de reflexões estratégicas sobre as direções em que se caminhava, com seu potencial, seus limites, suas contradições.

O certo é que temos que nos orgulhar de todas essas transformações, que estão fazendo do Brasil um país menos injusto, mas como intelectuais, como artistas, temos que constatar que não estamos até aqui correspondendo, com a formulação de grandes debates sobre os caminhos que o Brasil está cruzando, seus potenciais, suas contradições, seus limites, suas novas necessidades. Um debate obrigatoriamente crítico, contraditório, que tem que dar lugar para todas as vozes, uma discussão pluralista, necessariamente multidisciplinar, para abordar todas as esferas e dimensões afetadas pelas transformações em um país tão amplo e contraditório como o nosso.

O mandato que pretendemos levar a cabo na Casa de Rui Barbosa não se choca em nada nem com as atividades que vêm sendo desenvolvidas com grande empenho e rigor na Casa, assim como com os objetivos tradicionais que a trajetória de um personagem ímpar na nossa história, como estadista, homem de visão ampla, de ideológica pluralista, como Rui Barbosa, projetou sobre a nossa história e nos deixou exemplos de formas de abordagens, para sua época de temas contemporâneos candentes, tanto de politica interna, como de defesa dos interesses do Brasil no mundo.

Buscaremos fomentar grandes conferências – mensais ou mesmo quinzenais – com participação dos grandes pensadores contemporâneos que têm, de uma ou de forma, buscado decifrar os enigmas representados pelas novas circunstâncias históricas que vivemos ou pelas tradicionais, revestidas de novas roupagens. Não há limite, nem no número, nem nas correntes dos que serão convidados pela Casa – indo de Marilena Chauí a José Murilo de Carvalho, de José Miguel Wisnik a Caetano Veloso, de Tania Bacelar a Bresser Pereira, de Carlos Nelson Coutinho a Maria Rita Kehl, de José Luis Fiori a Chico de Oliveira (e a lista é necessariamente grande e, ainda assim redutiva). Chamaremos para reuniões periódicas todos os intelectuais e artistas que se disponham a participar, para ouvi-los, escutar suas propostas, promover intercâmbios de ideias sobre os rumos das atividades da Casa. Ao mesmo tempo abriremos um espaço de consulta na página da Casa, para que sugestões de nomes, temas e modalidades de atividade, sejam encaminhados.

Essas conferências, assim como todas as outras que viermos a realizar – seminários sobre Cultura e Politicas Culturais, sobre Propriedade Intelectual, entre outros – serão transmitidas ao vivo pela internet, com possibilidade de participação e formulação de perguntas à distância, com os vídeos sendo arquivados na página da FCRB para serem vistos posteriormente e gravados, se assim se desejar.

Está claro que pretendemos seguir cumprindo todas as atividades atuais da Casa, reforçando-as. Ao buscar dispor de melhores condições de trabalho e de espaço para os acervos, necessariamente temos que ter, como um esforço conjunto da FCRB, junto com o MINC e outras instâncias do Governo Federal que já têm se mostrado sensíveis, o aumento de pessoal, seja mediante novos concursos, seja mais bolsas e outras modalidades de expandir nossa capacidade de trabalho.

Vários outros projetos já foram propostos à Casa – como, em coordenação com a Biblioteca Nacional, desenvolver um amplo trabalho coordenado para a participação do Brasil como país convidado da Feria de Frankfurt de 2013, e realizar um seminário no curto prazo, junto com a Secretaria dos Direitos Humanos, sobre experiências similares à Comissão da Verdade, em países vizinhos, entre outros. Buscaremos as formas e meios para executar esses projetos, o que impossível sem o aumento e a melhoria da capacidade de ação da Casa.

A FCRB e nenhum órgão publico produzem cultura. Eles devem fomentá-la, incentivá-la, gerar as melhores condições de sua produção e difusão. Como disse a Presidenta Dilma na referida entrevista, nós não acendemos foguinhos, mas vamos assoprar a favor todos os que existam ou apareçam. Modestamente a Casa pretende se inserir nessa dinâmica, plural e criativa, de apoiar o surgimento e o fortalecimento das distintas formas de expressão intelectual e artística que nos tornem mais contemporâneos deste momento extraordinário que o Brasil vive.

Em momentos anteriores, o pensamento crítico e os movimentos artísticos de vanguarda apontavam os caminhos de futuro para o Brasil. Hoje devemos dizer que a História avança mais rápido que nossa capacidade de compreensão e de criação culturais correlatas a seu ritmo e a seus novos itinerários. O Brasil tem como um dos seus melhores patrimônios seus artistas e seus intelectuais. Trabalhemos para que a compreensão teórica do Brasil e a criação artística do século XXI, se fortaleçam ainda mais. Nós sopraremos, com todas as forças, todas as milhares de brasinhas que existam e apareçam.

Postado por Emir Sader

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http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=669

Caças para a FAB: França faz oferta “irrecusável” - por Chico Barreira!

Caças para a FAB: França faz oferta “irrecusável” - por Chico Barreira!

A novela envolvendo a compra dos novos 36 caças para a Força Aérea Brasileira, envolvendo U$ 7 bilhões, ganhou ontem novos ingredientes que podem ser decisivos.

Este blog recebeu de fonte diplomática a informação de que a Ministra das Relações Exteriores da França, Michèle Aliot-Marie, ofereceu à presidenta Dilma Rousseff uma adição ao contrato original, com a possibilidade de serem produzidos mais dez aviões Rafale no Brasil com tecnologia totalmente compartilhada entre a Dassaut francesa e a Embraer. Na verdade será um projeto novo, mais avançado.

A ministra francesa foi recebida graças a improvisação da agenda. Para recebê-la, Dilma teve que cancelar uma audiência que concederia ao senador americano Max Baucus, presidente da Comissão de Finanças do Senado.

Michèle Aliot-Marie entregou à presidenta uma carta do presidente Nicolas Sarkozy em ele insiste na importância da aliança estratégica entre Brasil e França e a convida para visitar Paris ainda este ano.

O principal concorrente do Rafale é o caça norte-americano F-18 EF da Boeing que técnicos de alguns setores da Aeronáutica consideram melhor e mais barato. O que pesa contra ele é a questão da transferência tecnológica. Embora a fabricante garanta que essa transmissão é irrestrita, a verdade é que o assunto depende da aprovação do Congresso americano.

Há quarenta dias, o senador republicano John McCain, derrotado por Obama nas eleições presidenciais e hoje convertido em lobbista da Boeing, foi recebido por Dilma. Ele saiu do Planalto animadíssimo, garantindo que se o problema é apenas de transferência de tecnologia, isto pode ser resolvido pelo Congresso americano.

Desde então, um assunto que parecia decidido voltou ao noticiário e às especulações. O tema parecia resolvido, porque, uma semana antes de deixar o Governo, o presidente Lula anunciou que sua escolha recaía sobre o Rafale.

Assim que a polêmica foi reaberta, habilidoso, o ministro Nelson Jobim, da Defesa, alegou que o atraso se devia “à liturgia interna” da Aeronáutica: alguns relatórios técnicos não foram concluídos a tempo. Argumentou, também, que, como 2011 será um ano de arrocho fiscal, a presidenta Dilma preferiu deixar a decisão e as despesas para o próximo ano.

Entretanto, no Ministério da Defesa e no Itamaraty há poucas dúvidas quanto à escolha do Rafale. Primeiro porque sua compra está no bojo de um acordo estratégico muito mais amplo com a França. Mas, principalmente em função da transferência tecnológica.

Lembre-se que o Brasil acaba de assinar tratado militar estratégico com a Argentina e pretende fazer isso, no futuro, com outros países do Continente, inclusive com a Venezuela, dentro do princípio de fortalecimento da UNASUL, União das Nações Sul-Americanas, meta prioritária da diplomacia brasileira.

Parece evidente que Washington não concordaria em vender aviões para países como Argentina e Venezuela, com os quais vive uma conturbada convivência diplomática.

E recorda-se, finalmente, que há sete anos o presidente Bush simplesmente vetou a venda para a Venezuela, de aviões tucanos genuinamente brasileiros, fabricados pela Embraer. A alegação foi a de que havia, no aparelho, alguns componentes de fabricação norte-americana.

Nas palavras de um diplomata brasileiro, comprar os jatos americanos é meter-se numa “camisa de força tecnológica”

Link:

http://fatosnovosnovasideias.wordpress.com/perolasepilulas/

Estadão e Blog de Veja desinformam leitores - por Zé Dirceu!

Estadão e Blog de Veja desinformam leitores - por Zé Dirceu!

Ao vincular meus comentários aqui no blog às posições do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e do ex-premiê de Cuba, Fidel Castro, que apoiaram o ditador da Líbia, Muamar Khaddafi, o jornal O Estado de São Paulo e um blog da VEJA desinformam seus leitores.

Nós três - eu, o presidente Chávez e o ex, Fidel Castro - só coincidimos na avaliação sobre a cobertura da mídia internacional feita no primeiro momento, e nas intenções dos Estados Unidos de conduzir o desfecho da crise na Líbia.

Eu nunca manifestei apoio ao regime de Khaddafi ou me omiti sobre a repressão por ele desencadeada. Basta ler meu blog. Eu apenas disse o óbvio: que a situação na Líbia não era como as agências internacionais estavam divulgando num primeiro momento.

A própria CNN, rede de TV norte-americana, reconheceu isto ao repercutir matérias do correspondente em Tripoli da rede de TV sul-americana Telesur, com sede em Caracas. Sempre deixei claro que deviam ser tomadas medidas cabíveis contra a repressão desencadeada pelo regime libio.

Não há um texto meu a respeito que não diga isto

Medidas cabíveis, aliás, que agora acabam de ser tomadas pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU. Mas, não pelos EUA, que atropelaram a Organização e antes que ela deliberasse (ontem) já haviam imposto sanções de forma unilateral.

Logo os EUA, que sustentaram as ditaduras do Egito (30 anos), da Tunísia (23 anos) e sustentam todas as demais monarquias árabes, começando pela da Arábia Saudita.

É este maniqueísmo de uma parte da imprensa que eu digo que pode servir para fazer luta política mas não serve ao jornalismo e aos fatos históricos que estão ai. Serve para provar quais são os objetivos da diplomacia norte-americana a serviço deles próprios, EUA. Mas, não aos do Brasil nem aos leitores desta mídia.

Link:

http://www.zedirceu.com.br//index.php?option=com_content&task=view&&id=11345&Itemid=2

"Lula foi popular; Getúlio populista", diz Sarney!

"Lula foi popular; Getúlio populista", diz Sarney ao iG

A pedido da reportagem, presidente do Senado apontou os principais presidentes do País. Ele excluiu FHC: "Um presidente normal"

Tales Faria e Adriano Ceolin, iG Brasília | 27/02/2011

Em entrevista ao iG, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aceitou apontar os melhores presidentes da história do Brasil. Ele excluiu a si próprio, que comandou o País entre 1985 e 1990, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "Um presidente comum", disse.

Sarney afirmou ainda que nunca viu o ex-presidente Fernando Collor (1990-1992), atual colega no Senado, como inimigo político e que Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) foi um líder popular maior que Getúlio Vargas (1930-1945).

Sobre a atual presidenta Dilma Rousseff, Sarney afirmou que mantém conversas particulares com ela da mesma forma que fazia com Lula: sem a presença de terceiros.

"Não tenho nenhum interesse no setor elétrico (...) O que estou pedindo hoje é que o criador me dê saúde", disse Sarney ao iG.

* "Não tenho nenhum interesse no setor elétrico (...) O que estou pedindo hoje é que o criador me dê saúde", disse Sarney ao iG.
* "Getúlio nunca foi líder popular. Ele teve uma grande popularidade. Lula é um líder popular".
* Sarney desconversa sobre futuro político e diz que tem um grande passado
* Sarney fez um ranking dos presidentes, mas preferiu não se incluir: "Seria cabotinismo da minha parte".
* Em entrevista, Sarney disse não ter inimigos políticos, só adversários. Também disse que não tem mágoas de Collor

“Nós temos continuidade sem termos continuísmo. Ela vai marcar o governo dela com um grande controle da administração pública. Melhora qualidade nos gastos públicos e o Lula mantém-se como grande político nacional”, disse.

Confira os principais trechos da entrevista:

iG: Quem o senhor identifica como inimigo político?


José Sarney: Eu não tenho inimigo. Eu tenho adversários políticos. Não tenho capacidade para ter inimigos políticos. Eu não tenho ódio de ninguém. O criador fez tanto por mim que não tenho direto de reclamar e ter inimigos.

iG: Então qual foi seu maior adversário político?


Sarney: Com quem eu tive a maior luta política foi com Vitorino Freire (1908-1977). Foi uma luta estadual, que durou 30 anos. Ele foi um grande adversário político. Era um homem de temperamento muito forte e o meu temperamento sempre foi muito fraco como vocês todos reconhecem.

iG: No campo nacional, qual foi seu maior adversário?

Sarney: No campo nacional, eu não tive nenhum adversário que eu pudesse considerar.

iG: No fim do seu governo (1989), quando o então candidato Fernando Collor criticava o senhor, não o considerou um grande adversário?

Sarney: Eu sabia que não era verdade e pensava que ele se referia a uma terceira pessoa.

iG: E o presidente Lula virou um amigo?

Sarney: Eu hoje sou amigo pessoal do Lula. Foi o presidente que me tratou bem não só do ponto de vista institucional, mas também do ponto de vista pessoal. Ele sempre teve maior delicadeza e respeito comigo. Então, eu posso dizer que eu o considero amigo. Foi nesse sentido que eu acompanhei até São Bernardo do Campo (no dia 1º de janeiro quando Lula deixou Brasília).

iG: Como o senhor define o Lula presidente e a Dilma presidenta?


Sarney: Até agora não tivemos na história do Brasil uma liderança como Lula. A liderança que ele exerce no País não é de penetração popular horizontal. Ela é vertical. Tem várias raízes do povo brasileiro. Ele é quem tem de forma mais profunda essa condição. Agora, ele era um político e a Dilma tem um outro temperamento. Acho que é temperamento mais administrativo. Então, acho que completa muito bem.

Nós temos continuidade sem termos continuísmo. Ela vai marcar o governo dela com um grande controle da administração pública. Melhora qualidade nos gastos públicos e o Lula mantém-se como grande político nacional.

iG: O senhor acredita que Lula foi um líder popular maior que Getúlio Vargas?


Sarney: Getúlio nunca foi líder popular. Ele teve uma grande popularidade. Lula é um líder popular. Getúlio era da elite do Rio Grande do Sul, do Cosme de Medeiros, do Julio de Castilho. Foi ministro da Fazenda do Washington Luís. Então ele era da elite nacional. O Lula não. Lula veio das raízes. Foi torneiro mecânico, operário. De maneira que podemos dizer que todas as classes sociais ocuparam o poder.

iG: Getúlio era um líder populista?

Sarney: A meu ver sim.

iG: O Lula não?

Sarney: O Lula não. Ele é um líder de resultados para a classe dele. Isso foi o balanço do governo.

iG: Se o senhor tivesse que fazer um ranking dos presidentes da República como faria?


Sarney: Colocaria Rodrigues Alves (1902-1906), porque ele ordenou as finanças públicas depois de encontrar um país extremamente endividado. Tinha uma visão de Estado profunda.

Estou fazendo um exame cronológico. Eu consideraria o Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954). De qualquer maneira, ele foi um ditador durante 15 anos. Ele enfrentou problemas trabalhistas que eram só para aqueles que tinham carteira de trabalho. Para os excluídos, esses que não tinham carteira de trabalho, Getúlio nunca fez nada. O Juscelino Kubitschek (1955-1960) foi um grande presidente.

Teve uma grande responsabilidade, assumiu para ser deposto porque ele tinha uma reação militar e política muito grande. E ele (JK) contornou tudo isso e transformou a luta política num debate nacional pelo desenvolvimento econômico. E eu colocaria o governo do Lula, que é uma mudança profunda. O Lula deu uma paz social ao país, fez uma distribuição de renda muito grande. Acho que a partir do Lula o Brasil também conclui um ciclo republicano, coma a chegada de um homem do povo ao poder.

iG: Duas perguntas que sobram: primeiro o senhor não se incluiu...


Sarney: Não me incluí porque caso contrário seria cabotinismo da minha parte. Eu fiz coisas certas e coisas erradas. Eu às vezes fui o melhor presidente do Brasil e fui o pior presidente do Brasil.

iG: Em quê?

Sarney: Quando eu fiz o Plano Cruzado e tive a coragem que nunca ninguém tinha tido neste País de partir para uma fórmula heterodoxa de modificação da economia. Todos os outros (presidentes) tinham se submetido às regras internacionais. Isso foi uma coragem extraordinária. Naquele tempo eu havia ouvido do próprio Leonel Brizola (ex-presidente nacional do PDT) que eu tinha sido o presidente com maior coragem no Brasil, quando decretei o congelamento (de preços) e fiz o Plano Cruzado, quando abri a porta para que o País pudesse ter condições para modificar a economia.

iG: Isso foi o melhor e o que foi o pior?

Sarney: O pior foi quando fiz o Plano Cruzado número 2. Fiz uma correção errada. Evidentemente que eu não sou economista, mas a responsabilidade é minha. Os que fizeram errado não têm responsabilidade nenhuma. Mas eu tenho a responsabilidade de ter aceito aquela fórmula de corrigir o aumento daqueles cinco produtos.

iG: A outra pergunta que sobra daquele ranking foi não ter incluído o presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Sarney: Acho que Fernando Henrique Cardoso foi um presidente que prestou muitos serviços ao País. Ele realmente foi um bom presidente. Um presidente normal, comum. Não há uma marca profunda como os outros presidentes que ocuparam o comando do País.

iG: Em 1985, o senhor saiu do PDS e ajudou a criar a Frente Liberal, que resultou na formação do PFL. Depois, em 2002, foi um dos primeiros políticos do PMDB a apoiar o Lula. Como o senhor vê agora alguns integrantes do DEM (o antigo PFL), como o prefeito Gilberto Kassab, querer aderir a um partido governista?

Sarney: Quando fiz uma dissidência no PDS foi um gesto de coragem. O Ullysses (Guimarães, ex-presidente nacional do PMDB) me disse que se não fosse aquilo não teria havido a transição democrática. Eu é que comandei aquilo. Fui contra a candidatura do (Paulo) Maluf (PDS). Já na fase final da min ha vida, eu fiquei muito feliz em apoiar o Lula como candidato a presidente. Porque o Lula era uma mudança fantástica para o País. Era uma transformação na qual eu não poderia estar fora. Eu não fui atrás de apoiar o Lula. O Lula foi à minha casa pedir o meu apoio. Quando ele me pediu, achei que era meu dever apoiá-lo porque naquele tempo era tido como demônio e o meu apoio era importante porque era um homem de centro.

iG: Antes, em 2001, sua filha Roseana havia surgido como candidata. O senhor acha que José Serra (PSDB) pode ter prejudicado a candidatura dela?

Sarney: Há muitas coisas no ar, mas eu não quero remover o passado.

iG: Mas como o senhor a tentativa de se formar um novo partido como quer o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab?

Sarney: É tal necessidade da reforma política. Nós não conseguimos fazer partidos políticos. É um desajustamento. Há muitas pessoas que não estão ajustadas em seus partidos por motivos ideológicos ou por motivos pessoais. O Brasil não tem partidos políticos. Temos instituições políticas que remontam ao século 19.

iG: A crítica que tem sido feita é que a reforma política deveria começar na Câmara dos Deputados e não no Senado por meio da comissão que o senhor criou.

Sarney: Não quero saber onde ela deve começar. Acho que a reforma deve ser feita. Esse é o problema. É fazer a reforma. Começar na Câmara ou no Senado não importa. Depois nós vamos nos unir. Evidentemente que a reforma será feita pelo Congresso Nacional.

iG: Com o presidente Lula, o senhor era um dos poucos aliados que mantinha conversas sem a presença de terceiros. Ele sempre fazia encontros com a presença de Gilberto Carvalho, chefe do gabinete pessoal, ou Clara Ant, assessora especial. O senhor mantém esse tipo de reuniões com a presidenta Dilma?

Sarney: Eu acho que depende do assunto que for tratar com o presidente . Às vezes há assuntos que você trata apenas com o presidente. Tive poucas audiências com a presidente Dilma, mas já tive encontros a sós com ela.

iG: O senhor acha que Dilma deve disputar a reeleição ou Lula tem de volt
ar?

Sarney: Se ela fizer um excelente governo, aí ela é quem vai decidir.

iG: E o Lula deveria voltar?


Sarney: Não podemos olhar na bola de cristal e olhar o que vai acontecer. Dizia-se que esta frase era do Magalhães Pinto, mas não. Era do velho Antônio Carlos Magalhães: ‘política é como nuvem. Todo momento ela se transforma’.

iG: Qual sua avaliação da votação do salário mínimo?


Sarney: Acho que pela primeira vez temos uma regra para estabelecer o salário mínimo. Uma regra positiva para os trabalhadores. Uma regra que acrescenta realmente a produtividade incorporada ao salário. Não é mais uma coisa voluntarista. Agora nós temos uma regra.

iG: O senhor ficou surpreso com a postura do ex-presidente Itamar Franco na sessão em que se votou o salário mínimo?

Sarney: Acho que aquilo é o estilo do Itamar. A questão de ordem que ele levantou era sobre um minuto. Se fosse lido na hora do expediente e tinha sido na ordem do dia... Não prejudicava em nada.

iG: Qual são seus projetos futuros?


Sarney: Eu não tenho mais projeto futuro. O que eu tenho é um longo passado. O meu projeto é procurar ajudar o Brasil naquilo que eu puder.

iG: Mas um projeto que ficou para trás foi a reforma administrativa do Senado.


Sarney: Nós fizemos. Hoje o Senado está profundamente organizado. Reforma administrativa, plano de cargos e salários. Todos os problemas apresentados nós solucionamos. Temos um portal da transparência.

iG: Mas aquele parecer da Fundação Getúlio Vargas não foi aproveitado.

Sarney: Foi aproveitado.

iG: Não chegou a ser votado.

Sarney: Nós estamos concluindo. Eu já fiz um projeto da FGV aqui. Com o tempo, nós precisamos adaptar. O núcleo do Senado é bem organizado.

iG: O que achou das mudanças que ocorreram nos últimos tempos, como acabar com o nepotismo no serviço público.


Sarney: Isso está na Constituição.

iG: Mas mesmo assim havia casos, o senhor teve alguns momentos que...

Sarney: Nós vivemos um ano político apaixonado e eu acho que houve uma interpretação muito errada feita pela oposição. Disputei pela primeira vez uma eleição para a presidência do Senado (em fevereiro de 2009, contra Tião Viana) e ganhei. Evidentemente eu deixei um lado ressentido. Um lado que passou a ser oposição e que fez oposição durante todo o período que eu estive à frente da Casa.

iG: Gostaria de perguntar sobre ocupação de espaços no governo. O senhor tem uma tendência, desde o governo Fernando Henrique, de indicar pessoas que já trabalharam com o senhor no setor elétrico.

Sarney: Não tenho nenhum interesse no setor elétrico. No governo Fernando Henrique, quando fui eleito senador pelo Amapá e havia um racionamento total, funcionava a energia apenas seis horas. Então eu pedi a ele... O presidente Fernando Henrique me chamou e me pediu a sugestão do ministro da Cultura. Eu disse: ‘não, presidente. O senhor é um homem de Cultura, o senhor escolhe o ministro. Agora o que eu quero é que o senhor nomeie um nome para Eletronorte e resolva o problema de racionamento que existia no Amapá e no Amazonas’.

iG: Era o José Antonio Muniz (atual presidente da Eletrobras que deve ser deslocado para a Eletronorte).


Sarney: Não. Pelo contrário. Era o Aluízio Guimarães, que morreu. José Antonio não foi nomeado por mim. Ele havia sido presidente da Chesf, começou como office-boy da empresa. Veio da Chesf pelos políticos pernambucanos que o indicaram para a Eletronorte.

iG: O próprio Flávio Decat, presidente de Furnas, também procurou o senhor para ser indicado.

Sarney: Botaram no jornal que eu indiquei o Decat para Furnas. Eu vi o Decat uma vez na vida. Ele veio e me procurou para também me pedir apoio para que eu conseguisse apoio do Garibaldi Alves (atual ministro da Previdência e presidente do Senado entre 2007 e 2008) para que ele fosse presidente da Eletrobras. Então eu telefonei para Garibaldi Alves e pedi que ele recebesse o Decat. Agora disseram que o Decat foi indicado por mim para Furnas. Calcule que isso é tão profundo, essa força de vocês de dizer verdades entre aspas. Então ficou todo mundo pensando que havia indicado Decat para Furnas. Outro dia eu estava com a presidente de República e o presidente da Câmara... Aí eu disse: ‘olha presidente, a senhora sabe que no Brasil as coisas são assim: disseram que eu indiquei o Decat e a senhora sabe mais do que ninguém que eu não indiquei’. Aí o presidente da Câmara disse: ‘Mas não foi você que indicou o Decat?’ Nunca ninguém me colocou no setor elétrico com interesse. Nunca na minha vida ninguém me acusou de improbidade.

iG: Mas não é natural o PMDB querer ocupar esses espaços, cargos no governo? É natural dentro da política?

Sarney: Não sei se é natural ou se não é. Eu não estou metido nisso, não estou participando, não tenho nada a ver com isso. Isso é com o presidente de partido. O que estou pedindo hoje é que o criador me dê saúde.

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