Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

terça-feira, 29 de março de 2011

Rubens Paiva, um homem de bem - por Luiz Caversan!

Rubens Paiva, um homem de bem - por Luiz Caversan!

da Folha.com

Quando fui morar no Rio de Janeiro no começo dos anos 90, para dirigir a sucursal carioca da Folha, instalei-me inicialmente num flat na rua Almirante Pereira Guimarães, Leblon. Ao contar que era pra lá que eu estava indo ao amigo Marcelo Rubens Paiva, escritor, cronista e dramaturgo, ele me disse: "Morei ali. Nossa casa ficava na esquina da Pereira Guimarães com a Delfim Moreira, de frente para o mar..."

À época, o máximo que fiz foi constatar que no lugar da tal casa existia um (mais um) edifício modernoso, como tantos que surgiram na orla carioca a partir dos anos 70, período a que Marcelo se referia.

E sempre que passava por aquele pedaço da praia lembrava da observação do Marcelo, imaginando como deveria ser bucólica a vida na agora movimentada avenida, mas sem nunca fazer a ligação óbvia: fora naquele endereço, naquela casa hoje inexistente que ocorrera talvez o crime político, crime de Estado, mais vergonhoso da história recente do país: a prisão, com posterior desaparecimento, do empresário e ex-deputado Rubens Paiva, pai de Marcelo, pai de família, um democrata, um homem de bem.

No dia 21 de janeiro de 1971, agentes da ditadura militar, não-identificados e fortemente armados, tiraram Rubens Paiva de sua casa, onde vivia legal e pacatamente, na frente da mulher e dos filhos, levando-o para uma instalação militar no bairro da Tijuca, a pretexto de prestar um depoimento. Trata-se da a última vez que Paiva foi visto pelos seus.

A mulher Eunice e a filha Eliana chegaram também a ser presas no mesmo lugar, ameaçadas de tortura, mas foram soltas depois.
Rubens não.

Rubens foi torturado barbaramente, segundo relatos colhidos ao longo dos anos, e morreu nas mãos de seus algozes, que trataram de fazer desaparecer seu corpo.

Como exatamente, onde exatamente, quando exatamente morreu e onde foi parar o corpo de seu pai é uma dúvida que meu amigo Marcelo e sua família carregam há 40 anos.

Uma angústia, uma perda e um carma com o qual tiveram de aprender a conviver sem que lhes perguntassem se queriam ou não, se podiam ou não.

Rubens nasceu em Santos em 1929 e foi morto no Rio com apenas 42 anos. Não era um criminoso, era um pai de família, um empresário, um homem agradável, divertido, amigo dos amigo, honesto e amoroso. Um político cassado porque queria o melhor para o seu país de uma maneira diferente do que aquela pretendida pelos militares ditadores, que não admitiam ser contrariados.

Anos atrás, o Estado brasileiro reconheceu a responsabilidade pela morte de Rubens, finalmente foi expedido atestado de óbito, houve indenização, o que é correto, mas tudo é insuficiente: seu corpo nunca foi devolvido a seus familiares, da mesma forma que seus carrascos jamais identificados, muito menos punidos.

Há diversos relatos e depoimentos dando conta de conflitantes versões sobre seu paradeiro. No entanto, nunca houve um empenho verdadeiro e efetivo por parte do Estado brasileiro para que essa mácula da nossa história fosse definitivamente esclarecida.

Talvez o seja um dia, e não será tarde para que sua memória e o sofrimento de sua família sejam finalmente respeitados.

Para quem quiser conhecer um pouco mais da história deste brasileiro admirável e que simboliza os anos terríveis que este país passou muito recentemente, duas dicas:
Neste sábado 26 de março, familiares, amigos e admiradores de Rubens Paiva se reúnem na abertura da exposição 'Não tens epitáfio, pois és bandeira', que reconstitui parte da trajetória de Rubens Paiva, no Memorial da Resistência de São Paulo (Largo General Osório, 66 - Luz), a partir das 11h.

E está nas livrarias 'Segredo de Estado - O Desaparecimento de Rubens Paiva', (Objetiva, 331 págs.) do escritor Jason Tércio. Trata-se de um grande esforço documental e biográfico, mesclado a trechos de ficção, que dá bem a medida de quem foi e o que aconteceu com Rubens Paiva.

Um homem de bem.


Luiz Caversan, 55 anos, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha.com.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcaversan/894194-rubens-paiva-um-homem-de-bem.shtml

Paul Krugman: A polícia do pensamento nos EUA!

Paul Krugman: A polícia do pensamento nos EUA!

Recentemente, o historiador William Cronon, professor na Universidade do Wisconsin, decidiu participar do tumultuado debate político em seu Estado. Criou o blog "Scholar as Citizen", e dedicou seu primeiro post ao papel do nebuloso American Legislative Exchange Council na promoção de projetos de lei conservadores de linha dura em nível estadual. Em seguida, escreveu um artigo de opinião para o "New York Times" no qual sugeria que o governador republicano do Wisconsin havia abandonado a tradição de "boa vizinhança, decência e respeito mútuo" que por longo tempo prevaleceu no Estado.

Qual foi a resposta do Partido Republicano? Um pedido de cópias de todos os e-mails enviados de e para a conta de e-mail de Cronon em sua universidade que contivessem qualquer palavra de uma ampla lista de termos, entre os quais o nome do partido e os de diversos políticos que o integram.

Se a ação lhe parece irrelevante, você não a está interpretando como deveria. A direita mais dura -e hoje em dia ela domina o Partido Republicano- segue um modus operandi no que tange a acadêmicos que expressam opiniões que lhe são desagradáveis: pouco importa a substância da questão em debate, o importante é difamar. E a exigência de cópias dos e-mails evidentemente tem por motivo a esperança de que as mensagens ofereçam alguma coisa, não importa o que, que possa ser usada para sujeitar Cronon ao tratamento habitual.

O caso Cronon, portanto, serve como mais um indicador de até que ponto um de nossos dois grandes partidos se tornou vingativo e até mesmo antiamericano.

A exigência de acesso à correspondência de Cronon encontra paralelos evidentes na atual campanha de difamação contra os cientistas do clima e suas pesquisas, que nos últimos meses vêm dependendo pesadamente de citações supostamente adversas extraídas de mensagens de e-mail.

Em 2009, os céticos quanto à mudança climática obtiveram mais de mil mensagens de e-mail trocadas entre pesquisadores da Unidade de Pesquisa do Clima na Universidade de East Anglia, Reino Unido. Nada na correspondência sugeria qualquer forma de impropriedade científica; o que as mensagens revelavam, no máximo -e sei que isso será um choque para todos vocês- é o fato de que os cientistas do clima são seres humanos, que ocasionalmente fazem afirmações acerbas sobre pessoas de quem não gostam.

Mas isso não impediu que os habituais suspeitos proclamassem ter descoberto um "Climagate", um escândalo científico que de alguma maneira serviria para invalidar o vasto acúmulo de provas de que o homem está provocando mudanças no clima do planeta. Esse falso escândalo oferece uma indicação quanto ao que os republicanos do Wisconsin presumivelmente desejam fazer com relação a Cronon.

Afinal, se você vasculhar grande número de mensagens em busca de frases que possam ser usadas de modo a criar uma impressão negativa sobre as pessoas que as escreveram, certamente encontrará algumas. Na verdade, o que surpreende é que os críticos tenham encontrado número tão baixo delas no arquivo do "Climagate": boa parte da difamação gira em torno de uma única mensagem, na qual um pesquisador fala sobre usar um "truque" para "ocultar o declínio" em determinada série estatística. No contexto, fica claro que ele está falando sobre a produção de uma apresentação gráfica efetiva, e não sobre ocultar provas científicas. Mas a direita deseja um escândalo, e não aceitará um não como resposta.

Existe alguma dúvida de que os republicanos esperam conseguir "sucesso" semelhante contra Cronon?

Nesse caso, porém, é provável que saiam frustrados. Cronon afirma em seu blog que sempre cuidou para não utilizar o e-mail da universidade em seus assuntos pessoais, exibindo quanto a isso escrúpulos que não são nem comuns e nem esperados no mundo acadêmico. (A bem da transparência: em algumas ocasiões usei meu e-mail na universidade para lembrar minha mulher de dar comida aos gatos, para confirmar jantares com amigos, e assim por diante.)

Além disso, Cronon -presidente eleito da Associação Histórica Americana- tem reputação garantida como luminar em seu campo. O magnífico "Nature's Metropolis: Chicago and the Great West" é o melhor trabalho de história econômica e de negócios que já li -e esse é o tipo de tema sobre o qual leio muito.

Portanto, não precisamos nos preocupar com relação a Cronon -mas deveríamos nos preocupar, e muito, quanto ao efeito mais amplo de ataques como o que ele está enfrentando.

Legalmente, os republicanos podem ter direito ao que solicitam -a lei de documentos públicos do Wisconsin oferece acesso público às mensagens de e-mail dos funcionários do governo, embora ela claramente tenha sido criada para se aplicar às autoridades do Estado, e não a professores universitários. No entanto, existe um claro efeito adverso quanto os acadêmicos sabem que podem enfrentar uma caça às bruxas caso digam algo de que o Partido Republicano não goste.

Uma pessoa como Cronon pode ser capaz de resistir à pressão. Mas pesquisadores menos eminentes ou menos estabelecidos não só relutarão mais em se envolver em causas de cidadania, participando do debate público em curso, como poderão ser dissuadidos até mesmo de pesquisar sobre assuntos capazes de lhes causar problemas.

O que está em jogo nesse caso, em outras palavras, é determinar se teremos um discurso nacional aberto no qual os pesquisadores se sintam livres para afirmar aquilo que suas pesquisas revelam, de modo a contribuir para a compreensão do público. Os republicanos, em Wisconsin e no restante do país, querem calar esse discurso. Cabe ao restante de nós garantir que não o façam.

TRADUÇÃO DE PAULO MIGLIACCI


Paul Krugman, 57 anos, é prêmio Nobel de Economia (2008), colunista do "The New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA). Um dos mais renomados economistas da atualidade, é autor ou editor de 20 livros e tem mais de 200 artigos publicados em jornais especializados.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/paulkrugman/895278-a-policia-do-pensamento-nos-eua.shtml

1964: data incômoda para a direita - por Emir Sader!

1964: data incômoda para a direita - por Emir Sader!

A cada ano, quando nos aproximamos da data do golpe de 1964, uma sensação incômoda se apossa da direita – dos partidos, políticos e dos seus meios de comunicação. O que fazer? Que atitude tomar? Fingir que não acontece nada, abordar de maneira “objetiva”, como se eles não tivessem estado comprometidos com a brutal ruptura da democracia no momento mais negativo da história brasileira ou abordar como se tivessem sido vítimas do regime que ajudaram a criar?

Difícil e incômoda a situação, porque a imprensa participou ativamente, como militância politica, da preparação do golpe, ajudando a criar um falso clima tanto de que o Brasil estivesse sob risco iminente de uma ruptura da democracia por parte da esquerda, como do falso isolamento do governo Jango. Pregaram o golpe, mobilizaram para as Marchas da Família, com Deus, pela Liberdade, convocadas pela Igreja, tentaram passar a ideia de que se tratava de um movimento democrático contra riscos de ditadura e promoveram a maior ruptura da democracia que o Brasil conheceu e a chegada ao poder da pior ditadura que conhecemos.

Na guerra fria, a imprensa brasileira esteve plenamente alinhada com a politica norteamericana da luta contra a “subversão” contra o “comunismo”, isto é, com o radicalismo de direita, com as posições obscurantistas e contrárias à democracia, estabelecida com grande esforço no Brasil. Estiveram em todas as tentativas de golpe contra Getúlio e contra JK. Em suma, a posição golpista da imprensa brasileira em 1964 não foi um erro ocasional, um acidente de percurso, mas a decorrência natural do alinhamento na guerra fria com as forças pró-EUA e que se opuseram com todo empenho ao processo de democratização que o Brasil viveu na década de 1950.

Deve prevalecer um misto de atitude envergonhada de não dar muito destaque ao tema, com matérias que pretendam renovar a ideia equivocada de que a imprensa foi vitima da ditadura – quando foi algoz, aliado, fator no desencadeamento do golpe e da ditadura. (O livro de Beatriz Kushnir, Cães de guarda, da Boitempo, continua a ser leitura indispensável para uma visão real do papel da mídia no golpe e na ditadura.) Promoveu o golpe, saudou a instalação da ditadura e a ruptura da democracia, tratou de acobertar isso como se tivesse sido um movimento democrático, encobriu a repressão fazendo circular as versões falsas da ditadura, elogiou os ditadores, escondeu a resistência democrática, classificou as ações desta resistência como terroristas – em suma, foi instrumento do regime de terror contra a democracia.

Por isso a data é incômoda para a direita, mas especialmente para a imprensa, que quer passar por arauto da democracia, por ombudsman das liberdades politicas. Quem são os Mesquitas, os Frias, os Marinhos, os Civitas, para falar em nome da democracia?

Por isso escondem, envergonhados, seu passado, buscam a falta de memória do povo, para que não saibam seu papel a favor da ditadura e contra a democracia, no momento mais importante da história brasileira. Por isso tem que ressoar sempre nos ouvidos de todos a pergunta: Onde você estava no golpe de 1964?


Postado por Emir Sader

Link:

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=687

Aviões da coalizão bombardeiam capital da Líbia, diz TV!

Aviões da coalizão bombardeiam capital da Líbia, diz TV - da Folha.com

Várias explosões foram ouvidas nesta terça-feira em Trípoli durante o sobrevoo de aviões das forças da coalizão internacional na capital líbia, informou a rede de televisão Al Arabiya.

Um habitante de Trípoli, que se identificou apenas como Saad, afirmou à emissora que as aeronaves aliadas realizaram três bombardeios na zona oriental da cidade.

A agência oficial líbia Jana confirmou poucos minutos depois as informações sobre os bombardeios e disse que os ataques alcançaram zonas civis e militares, sem fornecer mais detalhes.

Pouco antes a agência estatal tinha assegurado que os aviões aliados também bombardearam áreas residenciais e militares nas cidades de Misrata, Zenten, Mizdah, entre outras.

O ataque desta terça-feira a Trípoli é o primeiro que as forças da coalizão realizam durante o dia sobre a capital líbia, cujos arredores foram atacados habitualmente de noite.

Também se produz pouco depois que o líder líbio, Muammar Gaddafi, pediu à coalizão internacional que cesse sua "agressão selvagem" contra a Líbia e ressaltou mais uma vez que seu país não tem nenhum problema e que tudo o que ocorre é "uma luta contra Al Qaeda".

Em carta divulgada pela Jana e destinada ao grupo que se reúne nesta terça-feira em Londres para debater a situação na Líbia, além de à comunidade internacional, Gaddafi assegurou que os aliados estão exterminando o povo líbio.

REUNIÃO DECIDE MANTER ATAQUES

Em entrevista coletiva após a reunião de quase 40 países sobre as "direções políticas" a serem implementadas na Líbia, o chanceler britânico, William Hague, disse que não existe um futuro para o país com a presença do ditador Muammar Gaddafi.

Ao lado do primeiro-ministro do Qatar, Xeque Hamad bin Jassim bin Jabr al Thani, Hague apresentou os principais temas discutidos na conferência e disse que as operações continuarão no país até que três condições sejam supridas pelo regime: um cessar-fogo total, o fim dos ataques aos civis e a permissão de ajuda humanitária aos atingidos.

Respondendo a perguntas, William Hague deixou claro que os objetivos da missão não incluem a mudança de regime e que até o momento os países que contribuem com a zona de exclusão aérea decidiram não armar a oposição, e manter somente os ataques aéreos contra as forças de Gaddafi.

"Esforços para proteger o povo líbio precisam e vão continuar", disse Hague.

Mais cedo, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que os ataques da coalizão internacional continuarão na Líbia até que Gaddafi passe a obedecer às exigências da ONU (Organização das Nações Unidas).

Os bombardeios continuarão "até que Gaddafi cumpra plenamente os termos da [resolução da ONU] 1973, cesse seus ataques contra os civis, retire suas tropas dos lugares onde entraram por meio da força e permita a todos os civis receber ajuda humanitária e serviços básicos", declarou a chefe da diplomacia americana.

Além das inúmeras investidas contra os civis, Gaddafi é acusado de manter cidades como Misrata, no oeste, cercadas por suas tropas e sem acesso à energia elétrica, água e serviços de telecomunicações há semanas.

Hillary disse ainda que é necessário aumentar a pressão sobre o regime, até que o ditador renuncie ao poder.

"Todos nós precisamos continuar aumentando a pressão e o isolamento do regime de Gaddafi através de outros meios também. Isto inclui uma frente unificada de pressão política e diplomática que deixe claro a Gaddafi que ele precisa renunciar", acrescentou.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/895424-avioes-da-coalizao-bombardeiam-capital-da-libia-diz-tv.shtml

José Alencar: A dignidade venceu o preconceito!

ZÉ ALENCAR, A DIGNIDADE VENCEU O PRECONCEITO

Em junho de 2002, quando o preconceito contra o candidato Lula e o ódio a seu partido, o PT, eram inoculados dioturnamente na opinião pública pelas trombetas da orquestra midiático-tucana, um empresário rico, bem-sucedido, aceitou transformar-se em antídoto ao veneno difamatório. Tornou-se vice na chapa do operário metalúrgico.

Filho de Muriaé,(MG), dono do maior complexo têxtil do país, a Coteminas, o então senador José Alencar, o Zé, como Lula passou a chamá-lo carinhosamente, sabia muito bem o que estava fazendo.

A voz grave e pausada de quem conhece o manejo criterioso da pontuação oral tornou-se aos poucos portadora de mensagens que muitos de seus pares, majoritariamente engajados então na candidatura de José Serra, estremeciam só de ouvir.

Em parte, a esquerda petista também se surpreendeu; aos poucos, trocaria o preconceito pelo respeito afetuoso.

"Nacionalismo não é xenofobia, é interesse pelo próprio país", disparava em entrevista ao site da campanha "Lula Presidente", em julho de 2002.

'Podemos abdicar de nossas fronteiras econômicas?, questionava na mesma ocasião indagando sobre a ALCA, agenda prestigiosa então, majoritariamente defendida pelo conservadorismo pró-Serra. "Mas e as fronteiras políticas?" argüia mineiramente.

"Vamos ter um só Presidente da República no mundo globalizado? Será que ele vai defender nossos interesses? Uma só moeda? Quem vai controlá-la? Uma só política monetária? Sabemos que não é assim", respondia então com o mesmo sorriso maroto que arrematava as interrogações provocativas. "Se não é assim continuamos a existir como país. Não podemos abdicar de nossas fronteiras e obrigações políticas".

Por essas e por outras, Lula, na passagem para o segundo turno em outubro de 2002, num debate com delegações estrangeiras, brincou: "Às vezes eu preciso lembrar o Zé que é para ele ficar a minha direita, não a minha esquerda".

José Alencar faleceu hoje em São Paulo, aos 79 anos de idade.

(Carta Maior; 3º feira, 29/03/2011)

José Alencar: a morte de um guerreiro!

José Alencar: a morte de um guerreiro - do blog de Altamiro Borges

Reproduzo matéria de Dayanne Sousa, publicado no sítio Terra Magazine:

Morreu nesta terça-feira (29), aos 79 anos, o ex-vice-presidente da República, José Alencar. Ele estava internado na UTI do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, desde segunda (30) com quadro de suboclusão intestinal.

Alencar havia sofrido um infarto agudo do miocárdio em novembro e foi submetido a um cateterismo. Foi internado e liberado com saúde. Seu estado piorou, porém, nesta segunda.

O vice-presidente tem um histórico de luta contra o câncer. Já passou por uma série de cirurgias desde 1997, quando foram identificados pela primeira vez tumores, nos rins e no estômago. Nesta semana, passava mais uma vez por sessões de quimioterapia. "Hoje não existe um paciente de câncer que não o veja como um exemplo", escreveu o diretor do centro de oncologia do Sírio Libanês, Paulo Hoff num perfil de Alencar para a Revista Época, que o elegeu um dos cem homens mais influentes do País.

Medo da morte

Foram 13 anos enfrentando o câncer e 18 cirurgias. Em 2009, Alencar passou por um dos momentos mais delicados do tratamento. Foi submetido a uma cirurgia de 18 horas para retirada de tumores da região do abdome. A recuperação rápida surpreendeu os médicos. Terno alinhado, cadeira de rodas, recém-saído do quarto de hospital, declarou em coletiva: "Não tenho medo da morte".

Biografia

José Alencar Gomes da Silva nasceu em 17 de outubro 1931 na cidade de Muriaé, em Minas Gerais. Ele exercia o segundo mandato de vice-presidente da República, posto que ocupa desde 2003 durante os dois mandatos do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Alencar foi senador por Minas Gerais entre 1998 e 2002. Era também empresário: em 1967, em parceria com o empresário Luiz de Paula Ferreira, fundou, na cidade mineira de Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas.

Link:

http://altamiroborges.blogspot.com/2011/03/jose-alencar-morte-de-um-guerreiro.html

Reunião de Londres decide manter ataques aéreos na Líbia!

Reunião de Londres decide manter ataques aéreos na Líbia - da Folha.com

Em entrevista coletiva após a reunião de quase 40 países sobre as "direções políticas" a serem implementadas na Líbia, o chanceler britânico, William Hague, disse que não existe um futuro para o país com a presença do ditador Muammar Gaddafi.

Ao lado do primeiro-ministro do Qatar, Xeque Hamad bin Jassim bin Jabr al Thani, Hague apresentou os principais temas discutidos na conferência e disse que as operações continuarão no país até que três condições sejam supridas pelo regime: um cessar-fogo total, o fim dos ataques aos civis e a permissão de ajuda humanitária aos atingidos.

Respondendo a perguntas, William Hague deixou claro que os objetivos da missão não incluem a mudança de regime e que até o momento os países que contribuem com a zona de exclusão aérea decidiram não armar a oposição, e manter somente os ataques aéreos contra as forças de Gaddafi.

"Esforços para proteger o povo líbio precisam e vão continuar", disse Hague.

Mais cedo, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que os ataques da coalizão internacional continuarão na Líbia até que Gaddafi passe a obedecer às exigências da ONU (Organização das Nações Unidas).

Os bombardeios continuarão "até que Gaddafi cumpra plenamente os termos da [resolução da ONU] 1973, cesse seus ataques contra os civis, retire suas tropas dos lugares onde entraram por meio da força e permita a todos os civis receber ajuda humanitária e serviços básicos", declarou a chefe da diplomacia americana.

Além das inúmeras investidas contra os civis, Gaddafi é acusado de manter cidades como Misrata, no oeste, cercadas por suas tropas e sem acesso à energia elétrica, água e serviços de telecomunicações há semanas.

Hillary disse ainda que é necessário aumentar a pressão sobre o regime, até que o ditador renuncie ao poder.

"Todos nós precisamos continuar aumentando a pressão e o isolamento do regime de Gaddafi através de outros meios também. Isto inclui uma frente unificada de pressão política e diplomática que deixe claro a Gaddafi que ele precisa renunciar", acrescentou.

OPERAÇÕES

Logo no início da coletiva, Hague disse que recebeu cartas de líderes rebeldes agradecendo pelos ataques da coalizão e dizendo que os bombardeios não causaram a morte de civis, ao menos nas ações contra a cidade de Misrata.

O chanceler britânico agradeceu ainda a participação do Qatar, país-membro da Liga Árabe, nas operações na Líbia.

Entre os resultados atingidos estão a destruição total das defesas antiaéreas de Gaddafi, defendeu Hague.

Já o premiê do Qatar afirmou que os ataques aéreos deverão ser reavaliados dentro de alguns dias para medir sua eficiência.

"Nossa opinião é de que os ataques aéreos devem ser avaliados após um tempo para que se determine se estão funcionando ou não. Não estamos falando em invadir o país, mas precisamos avaliar, porque não podemos deixar a população sofrer por tanto tempo", disse al Thani.

A conferência decidiu ainda manter as reuniões do Grupo de Contato, formado pelos países que contribuem com a zona de exclusão aérea na Líbia, que deve atuar em parceria com as Nações Unidas, a União Africana, a Liga Árabe, a Organização da Conferência Islâmica e a União Europeia.

A próxima reunião será presidida pelo Qatar.

Questionado sobre a participação de mais países árabes além do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos, o premiê qatariano limitou-se a dizer que espera que outras nações juntem-se ao grupo.

Link:


http://www1.folha.uol.com.br/mundo/895412-reuniao-de-londres-decide-manter-ataques-aereos-na-libia.shtml

Governo vai cobrar IOF sobre empréstimos de longo prazo!

Governo vai cobrar IOF sobre empréstimos de longo prazo - da Folha.com

O governo vai cobrar IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 6% sobre os empréstimos de longo prazo tomados no exterior por bancos e empresas, segundo decreto publicado nesta terça-feira no "Diário Oficial" da União.

A medida é defendida pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda, preocupados com a "enxurrada" de dólar no país e a valorização do real.

Atualmente, o governo cobra IOF de 5,38% nos empréstimos externos de até 90 dias para desestimular operações de curto prazo.

A ideia é estender a cobrança também para as operações com prazo superior a três meses por conta do aumento da dívida em moeda estrangeira de empresas e bancos brasileiros, que já supera o nível anterior ao da crise de 2008. Nessas operações, a alíquota é zero.

O BC acredita que parte do aumento desses empréstimos pode não estar vinculada a investimentos, mas a operações destinadas à especulação com a queda do valor do dólar.

Além dos efeitos da entrada de moeda estrangeira na valorização do real, o governo teme um endividamento de empresas e bancos, como ocorreu em 2008.

Neste ano, a entrada de dólar no país já bateu em quase US$ 35 bilhões, 42% a mais do que ingressou em todo o ano passado.

CARTÕES

Ontem, o "DO" publicou o decreto que aumenta de 2,38% para 6,38% o IOF para as compras com cartão de crédito no exterior.

A medida tem como objetivo frear o consumo no exterior, já que, no ano passado, os brasileiros gastaram US$ 16,4 bilhões fora do país, valor recorde para a série histórica iniciada em 1947 pelo Banco Central.

A combinação de crescimento de renda com dólar barato favorece as viagens para fora e as compras de importados pela internet.

RECORDE

Na sexta-feira (25), o Banco Central divulgou o gasto dos brasileiros no exterior, que atingiu a cifra recorde no bimestre de US$ 3,07 bilhões (US$ 1,33 bilhão em fevereiro e US$ 1,74 bilhão em janeiro).

Na relação do primeiro bimestre deste ano com o mesmo período de 2010, os gastos no exterior tiveram um incremento de 38,5%, para US$ 2,21 bilhões, o que era o recorde anterior. A série histórica tem início em 1947.

Já os estrangeiros gastaram no Brasil em fevereiro US$ 572 milhões, ante US$ 509 milhões no ano passado. Com isso, o saldo entre os gastos dos brasileiros no exterior e dos estrangeiros aqui é negativo em US$ 761 milhões, o pior deficit já registrado em um mês de fevereiro. Em março, o saldo é negativo até hoje em US$ 523 milhões.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/895291-governo-vai-cobrar-iof-sobre-emprestimos-de-longo-prazo.shtml

Crédito acelera e cresce 21% até fevereiro!

Crédito acelera e cresce 21% até fevereiro

EDUARDO CUCOLO - da Folha.com

O ritmo de crescimento do crédito continua acima do percentual considerado sustentável pelo Banco Central.

Dados da instituição mostram que o total de dívidas de consumidores e empresas cresceu 21% nos 12 meses encerrados em fevereiro. O BC quer um crescimento entre 10% e 15% neste ano.

O crédito chegou ao nível mais uma vez recorde de 46,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no mês passado, o equivalente a R$ 1,74 trilhão. Em fevereiro, houve expansão de 1,3%, acima do verificado em janeiro.

Depois da queda verificada em janeiro, a média diária de concessões (novos empréstimos) cresceu 8,4%. Para os consumidores, os maiores aumentos foram no crédito pessoas (19,6%) e veículos (18,2%).

MEDIDAS

O BC vem adotando medidas para esfriar a economia e controlar a enxurrada de crédito que o mercado vive desde os últimos anos de gestão Lula.

A autoridade monetária impôs restrições a financiamentos com prazo superior a 24 meses e também retirou da economia, em dezembro, a última parte do dinheiro injetado na crise de 2008.

Essas medidas já se refletiram em juros mais altos e queda nos empréstimos, mas ainda não tiveram impacto significativo sobre o consumo.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/895325-credito-acelera-e-cresce-21-ate-fevereiro.shtml

Alemanha quer aprender fórmula de sucesso do etanol brasileiro!

Alemanha quer aprender fórmula de sucesso do etanol brasileiro - da Deutsche Welle

Já parte do cotidiano brasileiro, o motor flex fuel e o etanol de cana-de-açúcar deixam os alemães admirados. Agora, Alemanha se aproxima do Brasil para adaptar modelo. Importação do etanol é forte barreira a superar.


A história de sucesso do etanol brasileiro passou a receber mais atenção do governo alemão. Uma delegação oficial está no Brasil para conhecer de perto o desenvolvimento da tecnologia que começou a mudar a história e o mapa do país há mais de 35 anos.

"Nós queremos aprender com o exemplo brasileiro como novos motores podem ser produzidos, como os carros podem trafegar com uma mistura maior de etanol", disse à Deutsche Welle Rainer Bomba, vice-ministro alemão dos Transportes durante a visita ao Brasil, que se estende até 2 de abril.

Os governos da Alemanha e do Brasil assinaram um acordo de intenções para acentuar a troca de experiências e fortalecer a cooperação. "O tema bioetanol está entrando na agenda de vários ministérios alemães e será tratado de forma mais acentuada daqui para frente", afirmou Bomba nesta segunda-feira (28/03).

Com o problema da escassez do petróleo batendo a porta e com a subida dos preços, a Alemanha quer garantir que outras tecnologias se integrem ao mix dos motores que moverão a frota do futuro. "Esse interesse pelo etanol brasileiro não se deve somente à escassez do petróleo, mas também ao fato de podermos diminuir as emissões de CO2", ressalta o vice-ministro.

Expertise brasileira, marca alemã

Se a Alemanha seguir o caminho do etanol, a Volkswagen do Brasil já se declarou pronta para ajudar. Foi a empresa que, em parceria com a Bosch, lançou há dez anos no mercado brasileiro o motor flex fuel.

"A Alemanha está aproveitando o know how que temos acumulado nos últimos anos aqui. Para nós, essa tecnologia não é novidade. Na verdade, os nossos engenheiros aqui são o centro do desenvolvimento do flex fuel", pontua Thomas Schmall, diretor da Volkswagen do Brasil.Corte de cana em Batatais, no BrasilCorte de cana em Batatais, no Brasil

A solução que permite a mistura dos combustíveis em qualquer proporção, na visão de Schmall, funciona muito bem no Brasil. "Mas pode não funcionar para o mundo inteiro, porque cada país tem as suas necessidades", argumenta. E se os alemães levarem a cabo o projeto brasileiro, o etanol terá que ser importado: "Não há espaço para se plantar cana-de-açúcar na Alemanha, e qualquer outra planta que for cultivada lá [para a produção de biocombustível] vai interferir na cadeia de alimentação".

Barreira europeia

Na atualidade, a obrigatoriedade da importação é um grande impedimento para que o etanol brasileiro ganhe o mercado alemão. "Ao ser importado, o etanol é taxado pela União Europeia (UE) como sendo um produto agrícola, mas que na verdade é usado como combustível. E a gasolina não entra na UE com taxação extra", lembra Ingo Plöger, presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional, com sede em São Paulo.

Rainer Bomba, que reconhece como eficiente o etanol de cana-de-açúcar e sua produção de forma sustentável, admite as barreiras impostas pela UE. Mas ele acredita em mudanças, já que o preço da gasolina deve aumentar ainda mais e a escassez se tornará um problema sério. "A nossa função é garantir que tenhamos um combustível que seja acessível e viável sob o aspecto ambiental. O etanol brasileiro é importante nesse sentido."

Começo traumático

O interesse em adaptar o modelo brasileiro em solo alemão é evidente, mas isso não deve acontecer em um futuro próximo. A análise de Ingo Plöger é baseada na recente "experiência traumática" provocada pela introdução do chamado E10 na Alemanha.

Desde o início de março, uma polêmica se instalou entre os motoristas alemães, com o aumento de 5% para 10% de etanol na mistura de gasolina oferecida nos postos. "A introdução do E10 provocou insegurança no consumidor. A informação passada é que vários motoristas não deveriam usar o combustível porque ele prejudicaria o motor, em função de corrosão" lembra o consultor.

Apesar de o governo ter reconhecido falhas na divulgação do novo combustível, o assunto etanol virou um desafeto entre os alemães. Por isso, a introdução do modelo brasileiro levaria bastante tempo para ganhar apoio popular, avalia Plöger.

Brasil segue inovando

Enquanto isso, no Brasil, o avanço das pesquisas no setor já trazem uma nova geração de motores. Desta vez, outra famosa marca alemã se prepara para lançar o primeiro caminhão movido a biodiesel feito a partir da cana-de-açúcar.
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O Accelo, da Mercedes-Benz, chegará em janeiro de 2012 com exclusividade no mercado brasileiro. "O motorista vai poder usar diesel, biodiesel e biodiesel de cana", explicou Gilberto Gomes Leal, que trabalhou no projeto de desenvolvimento do motor.

Tão novo quanto este motor do Accelo é o biodiesel de cana-de-açúcar. "O combustível já está sendo implementado, e a partir de 2012 estará disponível no mercado", acrescenta Leal. Desenvolvido em parceria com engenheiros alemães, o novo modelo não será oferecido aos consumidores daquele país – é um projeto exclusivo para o Brasil.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

Link:

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,14951317,00.html?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf

Banda larga no Brasil é mais cara e pior, aponta estudo!

Banda larga no Brasil é mais cara e pior, aponta estudo

ELVIRA LOBATO - da Folha.com

Estudo divulgado ontem pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) constata que as empresas brasileiras ainda pagam um serviço de banda larga mais caro e de pior qualidade que suas concorrentes dos países desenvolvidos.

Esse quadro permanece, apesar da queda de preços registrada nos últimos dois anos, diz o estudo.

A conexão à internet em banda larga, por cabo, com velocidade de 1 Mbps custa, no Brasil, R$ 70,85 mensais, em média (US$ 42,73).

O mesmo serviço custa US$ 9,30 mensais (R$ 15,41) na Alemanha, US$ 12,40 (R$ 20,55) em Taiwan, US$ 28,60 (R$ 47,40) no Canadá, US$ 36 (R$ 59,66) na Suíça e US$ 40 (R$ 66,29) nos Estados Unidos, diz o estudo.

MINISTRO

O levantamento foi entregue ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na presença dos presidentes da Oi, Luiz Eduardo Falco, e da Telefônica, Antônio Carlos Valente.

O ministro concordou que os preços são altos e disse que o governo está prestes a concluir um acordo com as teles que vai reduzir os preços e melhorar a velocidade de conexão.

"Não sou só eu. As torcidas do Flamengo e do Vasco também acham que os preços são altos", brincou o ministro Paulo Bernardo.

Para ele, as empresas podem oferecer serviço melhor e mais barato com a infraestrutura existente, e sem sofrer perdas.

O Ministério das Comunicações incluiu a expansão da banda larga na negociação do novo PGMU (Plano Geral de Metas de Universalização) da telefonia fixa, a ser anunciado em maio.

O estudo da Firjan constata que o custo médio mensal do acesso sem fio à internet, com velocidade de 1 Mbps, está em R$ 109,82 e é relativamente uniforme no Brasil.

Já o custo médio mensal de acesso fixo, por cabo, varia de R$ 57,40 por mês (em Alagoas e Espírito Santo) a R$ 429,90, no Amapá.

Para o presidente da Oi, os números da pesquisa já estariam defasados.

Chama a atenção no levantamento realizado pela Firjan o preço relativamente baixo da conexão com velocidade de 10 Mbps no Brasil (US$ 63,57 mensais, em média, ou R$ 105,40).

A mesma conexão de 10 Mbps custa mais em países desenvolvidos, como Estados Unidos (US$ 100, ou R$ 165,73), Canadá (US$ 88,9, R$ 147,33) e Reino Unido (US$ 82,9, R$ 137,39).http://www.blogger.com/img/blank.gif

QUALIDADE BAIXA

Responsáveis pelas áreas de informática da Petrobras, Michelin, L'Oreal e Ipiranga criticaram a qualidade do serviço de banda larga das operadoras, durante o debate da Firjan.

A Petrobras disse que investiu na construção de redes de fibras ópticas próprias por falta de opção.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/895270-banda-larga-no-brasil-e-mais-cara-e-pior-aponta-estudo.shtml

Dúvidas sobre a operação militar contra Khadafi!

DÚVIDAS SOBRE A OPERAÇÃO

1 Qual é o objetivo dos ataques da coalizão?

Segundo a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU (com dez votos favoráveis e cinco abstenções, incluindo a do Brasil), deveria ser implantar uma zona de exclusão aérea na Líbia e impedir que civis sejam mortos

2 Muammar Gaddafi é um alvo legítimo?

Há controvérsias na própria coalizão. Comandantes militares afirmam que a derrubada do ditador líbio não faz parte da missão; governos como o do Reino Unido, porém, defendem que Gaddafi seja alvo se se constatar que sua ação ameaça a vida de civis

3 Há algum tipo de coordenação entre os rebeldes da Líbia e a coalizão?

Oficialmente não, mas os ataques da coalizão, que começaram no dia 19 de março, foram fundamentais para que os rebeldes avançassem. Além disso, Sirte, onde em tese não há risco a civis, tem sido bombardeada pelos aliados nos últimos dias; tomar a cidade seria decisivo para os insurgentes

4 O ditador líbio ainda tem força militar?

Sim. Segundo os EUA, por terra, ela é considerável, especialmente em torno de Sirte, que é a cidade natal de Gaddafi, e da capital, Trípoli. Os americanos avaliam que, sem os bombardeios, o avanço rebelde seria fácil de reverter

5 Até quando vai a operação na Líbia? http://www.blogger.com/img/blank.gif

Não há previsão. Fontes da Otan -a aliança militar ocidental, que está assumindo o comando das ações- chegaram a falar em três meses. Em reunião da União Africana sem participação de rebeldes, a Líbia já se disse disposta a acordo para a transição do regime

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2903201103.htm

Aliados já discutem a Líbia pós-Gaddafi!

Aliados já discutem a Líbia pós-Gaddafi

Em discurso, Obama defende mudança de regime no país, embora negue que esse seja o objetivo das operações - DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Ditador busca maneira segura de sair, dizem diplomatas; ofensiva rebelde é contida apesar de ataques da coalizão

Os países líderes da operação militar na Líbia começaram a discutir planos para depois da eventual queda do ditador Muammar Gaddafi.

O presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu em pronunciamento na TV uma transição na Líbia, embora negue que esse seja o objetivo das operações militares.

Ele insistiu em que Gaddafi tem que sair do poder e disse que a comunidade internacional terá de reconstruir as instituições líbias depois.

"Enquanto nossa missão militar é definida estreitamente em salvar vidas, continuamos a perseguir o objetivo maior de uma Líbia que pertence não a um ditador, mas a seu povo", afirmou.

Sob críticas domésticas, o presidente defendeu a ação tanto em termos morais como pelo interesse dos EUA, algo que foi chamado ontem na imprensa americana de "doutrina Obama".

Ou seja, a força é usada não só em situações em que interesses vitais estão em jogo, mas também para defender valores americanos.

O presidente caracterizou Gaddafi como um tirano brutal que "negou liberdade a seu povo, explorou sua riqueza, assassinou oponentes em casa e no exterior e aterrorizou inocentes".

Obama e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, participaram ontem de uma teleconferência com o premiê do Reino Unido, David Cameron, e a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel.

Durante a teleconferência, foi debatido um plano para tentar assegurar o futuro sem o ditador líbio.

Em declaração conjunta, Sarkozy e Cameron voltaram a defender que Gaddafi deixe o poder já e aconselharam que seus aliados o abandonem "antes que seja tarde".
Chanceleres dos membros da coalizão têm reunião prevista para hoje, em Londres, para discutir os rumos das operações, cujo comando está sendo assumido pela Otan (aliança militar ocidental).

Segundo o presidente americano, estará em pauta "o tipo de esforço político necessário" para pressionar Gaddafi e "apoiar a transição para o futuro".
Ao mesmo tempo, diplomatas dos EUA dizem estar recebendo informações de que Gaddafi busca um modo seguro de deixar o poder.

Antes da reunião londrina, o chanceler da Itália, Franco Frattini, propôs-se a mediar um cessar-fogo e sugeriu que o ditador da Líbia se asile em um outro país africano.

ATAQUES DE ONTEM

Os insurgentes líbios continuaram se aproximando de Sirte -cidade de importância estratégica na direção da capital, Trípoli- após retomarem os polos petrolíferos de Ras Lanuf e Bin Jawad.

Um porta-voz rebelde chegou a anunciar a tomada da cidade, não confirmada.
Apesar de Sirte ter sido alvo de novos ataques aliados, anteontem à noite e ontem de manhã, o avanço da insurgência foi contido a cerca de 80 km da cidade pelas tropas de Gaddafi, que receberam reforços vindos de Trípoli.

Colaborou ANDREA MURTA, de Washington

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2903201102.htm

segunda-feira, 28 de março de 2011

Nicholas Carr: Excesso de informações oferecida pela Internet tem impacto negativo!

Profeta do iPocalipse - por BERNARDO ESTEVES, na Folha de S.Paulo

A internet no banco dos réus

RESUMO

O excesso de informações oferecidas na internet tem causado impacto negativo na nossa capacidade de reter informações, tornando-nos "rasos", segundo o jornalista Nicholas Carr no livro "The Shallows". Cientistas brasileiros comentam a tese de Carr e especulam sobre as consequências cerebrais de um mundo saturado de dados.

HÁ TEMPOS VOCÊ não encara um livro de mais de 500 páginas. Na internet, evita artigos longos e, quando decide ler um, carrega na barra de rolagem e pula longos blocos de texto. É incapaz de manter a concentração por mais de dois parágrafos. Interrompe a leitura para visitar alguma das outras janelas em que está navegando simultaneamente.

Antes de prosseguir, checa seu e-mail, vai ver um vídeo que recebeu de um amigo, responde um SMS que chegou pelo celular e confere as últimas atualizações das pessoas que acompanha no Twitter ou no Facebook.

A cena é típica entre usuários intensivos da internet. Desatenção e falta de foco são o custo cognitivo da imersão prolongada em um ambiente dispersivo como o da web - um grande "ecossistema de tecnologias da interrupção", na definição do blogueiro canadense Cory Doctorow. Mas pode sair bem mais salgada a conta a se pagar pela nossa adoção irreversível da internet, na avaliação do jornalista americano Nicholas Carr.

Em seu último livro, ele argumenta que a rede está mudando -para pior- a forma como pensamos e a própria estrutura e funcionamento do nosso cérebro. Para ele, estamos nos tornando leitores desconcentrados e pensadores rasos, incapazes de articular raciocínios complexos.

SUPERFICIAIS

Essa é a tese central de "The Shallows -What the Internet Is Doing to our Brains" ("Os Superficiais- o que a Internet Está Fazendo com nossos Cérebros"), a ser lançado no Brasil pela Ediouro. O livro leva adiante uma questão polêmica que ele levantou em um ensaio de grande repercussão na revista The Atlantic: "O Google está nos deixando mais burros?" Desde a publicação do artigo, em 2008, Carr vem acumulando argumentos para convencer seu leitor de que sim.

Ele sustenta que a internet está promovendo mudanças celulares em nosso cérebro, fortalecendo certos caminhos neurais e enfraquecendo outros. Uma das primeiras evidências que apresenta para sustentar sua tese é um estudo realizado em 2009 na Universidade da Califórnia em Los Angeles.

A equipe do psiquiatra Gary Small usou a técnica de ressonância magnética funcional para monitorar o cérebro de internautas iniciantes e experientes enquanto liam on-line e faziam buscas no Google. Os resultados mostraram que, nesse segundo grupo, as buscas no Google levavam à ativação de áreas cerebrais ligadas à tomada de decisões e ao raciocínio complexo.

Esse aumento da atividade cerebral não chega a representar uma surpresa. "O uso da web envolve atenção, aprendizagem, memória, tomada de decisões -é plausível que acarrete mudanças anatômicas no cérebro", avalia o neurocientista Roberto Lent, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

CÉREBRO MUTANTE

Estranho seria que não houvesse qualquer mudança. Modificar o cérebro não é um privilégio da internet -acontece com qualquer processo de aprendizagem. "Quando você aprende a dirigir, uma área do seu cérebro que não era ativada vai se ativar", compara o neurocientista Martín Cammarota, do Centro de Memória da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). "O mesmo acontece com quem aprende a montar um quebra-cabeça, a fazer café ou a usar o Google."

Por definição, uma maior atividade cerebral não é ruim -pelo contrário. O próprio Carr reconhece que o uso da internet estimula a inteligência visual e espacial. Mas ele alega que isso se dá em detrimento da capacidade de análise, reflexão e pensamento crítico. Ele cita alguns estudos experimentais para caracterizar o suposto efeito deletério do hipertexto e da internet sobre a apreensão e memorização de informações.

Um trabalho de 2003 realizado por uma dupla de pesquisadores da Universidade Cornell avaliou o desempenho de estudantes após assistirem a uma conferência. Alunos que puderam consultar seus laptops e navegar na internet durante a palestra tiveram nota pior que a daqueles que não puderam abrir seus computadores.

Outros estudos avaliaram o desempenho de alunos em um teste de compreensão de um mesmo texto apresentado ora em versão linear, ora em formato hipertextual, com links, imagens e recursos de multimídia. A performance dos alunos que leram o texto corrido era significativamente melhor -a nota era inversamente proporcional ao número de links do texto.

EXPLOSÃO DE ESTÍMULOS

A interpretação desses resultados é questionada pela neurocientista da UFRJ e colunista da Folha Suzana Herculano-Houzel. "Dizer que o aproveitamento do conhecimento é superficial na internet é uma visão muito enviesada", avalia. "Seria preciso perguntar a essas pessoas quanto elas aprenderam sobre os conteúdos pesquisados nos links que visitaram. A riqueza de informações associadas ao conteúdo estudado torna a experiência de leitura na web muito mais profunda do que superficial." Para a pesquisadora, a explosão de estímulos da internet favoreceria também a memorização.

"Quanto mais elementos você tiver para associar a uma informação nova, mais chance terá de fixar uma memória rica e detalhada."

A alegação de Suzana -uma entusiasta da internet, blogueira e consumidora de primeira hora de gadgets como o Kindle ou o iPad- vai na contramão do que sustenta o livro de Nicholas Carr. Para ele, a leitura dispersiva que fazemos na web compromete o processo que faz com que uma informação se transforme em uma memória duradoura. A consolidação das memórias pode ser impedida por fenômenos variados.

Boxeadores que levam um soco caprichado, por exemplo, podem ter apagadas memórias de instantes anteriores ao golpe.
Para Carr, os tuítes, torpedos e e-mails que interrompem a leitura de um texto on-line podem ter um efeito similar ao de um bom cruzado no queixo sobre a consolidação das memórias. "A web é uma tecnologia do esquecimento", afirma, categórico.

A comparação decerto é exagerada. "É complicado comparar um traumatismo mecânico e outro de natureza cognitiva", avalia Roberto Lent. "Não creio que haja evidências de um dano físico dos circuitos cerebrais devido ao uso da internet."

Seja como for, a memorização de uma informação depende da atenção dedicada a ela no momento da aquisição. E a multiplicidade de estímulos da internet não favorece exatamente a concentração. Podemos navegar em várias janelas ao mesmo tempo, mas não temos o hardware necessário para processar simultaneamente tantas solicitações paralelas. Trocando em miúdos, nosso cérebro não é "multitask".

"Só conseguimos prestar atenção em uma coisa de cada vez, por uma limitação intrínseca ao cérebro", explica Suzana Herculano-Houzel. Mas ela não enxerga nisso uma ameaça a nosso desempenho cognitivo.

"Estamos sempre fazendo esse processo de filtragem e seleção daquilo em que vamos prestar atenção, com ou sem computador. Alguém que esteja estudando off-line alterna a atenção entre suas anotações, o livro que está lendo, a música ao fundo, o telefone que toca, uma pessoa que passa", compara.

RETROCESSO

Já para Nicholas Carr, a cultura do multitask característica da internet representa uma ameaça à tradição da leitura profunda e solitária. A web estaria formando leitores incapazes de manter a atenção sustentada e de processar textos de fôlego. Para ele, o novo padrão de leitura imposto pela internet é um retrocesso em nossa história cultural. "Estamos deixando de ser cultivadores do conhecimento pessoal para nos tornar caçadores e coletores na floresta eletrônica de dados." Carr teme que a leitura concentrada volte a ser o hábito restrito a uma elite intelectual. A era da leitura em massa, aposta, terá sido apenas "uma breve anomalia em nossa história intelectual".

A visão apocalíptica de Carr foi contestada em artigo publicado no "New York Times" pelo psicólogo evolutivo canadense Steven Pinker, professor da Universidade Harvard. Para ele, se a internet fosse tão nociva para a nossa inteligência, não estaríamos vivendo um período de grande florescimento das ciências, da filosofia, da história e da crítica cultural.

O neurocientista Sidarta Ribeiro, pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), se alinha com a visão de Pinker. "A internet é extremamente libertadora para a ciência, para a democracia e para a sociedade. Mas a gente talvez ainda não saiba usar direito."

Usuário intensivo da web, Sidarta afirma que seu uso nos torna "viciados em novidade" e admite que precisa se esforçar para passar um domingo off-line ou para não ler e-mails no celular. "A rede é um ambiente riquíssimo, mas gera angústia, ansiedade e muitas decisões apressadas -a quantidade de coisas disponível pra ler é muito alta e o tempo de reflexão está diminuindo." Para Sidarta, autodisciplina é a chave para um uso razoável da internet. "É preciso saber se abster."

Já Martín Cammarota concorda com a afirmação que motivou o livro de Nicholas Carr -estamos de fato nos tornando mais rasos. Mas ele prefere enxergar na web um reflexo da ligeireza da cultura contemporânea, mais do que a raiz do mal. "A internet é só um sintoma da superficialidade da nossa vida, na qual cada vez mais se valoriza a forma em detrimento do conteúdo. Para ele, o problema reside mais em como usamos a rede. "Se você vai ao Google fazer uma pesquisa e se contenta com a leitura de um verbete da Wikipédia em vez de ir a uma biblioteca, o problema é seu, não da internet."

Estamos nos tornando leitores desconcentrados e pensadores rasos, incapazes de articular raciocínios complexos


Se a internet fosse tão nociva, não estaríamos num período de florescimento das ciências, da filosofia, da história e da crítica, segundo Pinker


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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il2703201108.htm

O circuito de bancos que lava o dinheiro de ditadores!

O circuito de bancos que lava o dinheiro de ditadores - por Eduardo Febbro - Página/12

O sociólogo e político Jean Ziegler, hoje vice-presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, calcula que “dos 905 bilhões dos ativos estrangeiros na Suíça, 280 bilhões vêm dos países da Ásia, América Latina e África. Em cerca de 90% dos casos, trata-se de dinheiro roubado dos povos mais pobres do planeta”. As fortunas de diversos ditadores dormem nos bancos ocidentais o doce sono dos lucros enquanto dezenas de milhares de pessoas morrem de fome ou não tem recursos para pagar um tratamento contra a Aids. Tudo isso com a cumplicidade do sistema financeiro mundial. O artigo é de Eduardo Febbro.

Eduardo Febbro - Página/12

Um crime contra a humanidade. Silencioso, em violência aparente. Uma espantosa empresa de exploração dos recursos dos povos levada a cabo com a infindável cumplicidade do sistema bancário mundial. As fortunas dos ditadores dormem nos bancos ocidentais o doce sono dos lucros enquanto dezenas de milhares de pessoas morrem de fome ou não tem recursos para pagar um tratamento contra a Aids.

Jean Claude Duvalier, no Haiti, Ben Alí, na Tunísia, Hosni Mubarak, no Egito, Joseph Mobutu, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), Sanu Abacha, na Nigéria, Omar Bongo, no Gabão, Manuel Noriega, no Panamá, Mu-ssa Traoré, no Mali, Augusto Pinochet, no Chile, Muammar Kadafi, na Líbia, Ferdinando Marcos, nas Filipinas e Sassu N’Guesso, no Congo Brazaville – as fortunas destes tiranos diplomados depositadas nos bancos internacionais ou transformadas em fabulosos investimentos imobiliários em Londres, Paris, Nova York ou Dubai ultrapassam a imaginação.

Há alguns dias, a União Europeia decidiu congelar os bens do fundo soberano líbio, o Libyan Investment Authority (LIA), e do banco central líbio. Os dois depósitos representam 150 bilhões de dólares. Colossal.

A revista de gestão de ativos My Private Banking calcula que 33% das fortunas da África e do Oriente Médio depositadas no estrangeiro estão nos bancos suíços, o que representa 74 bilhões de dólares. Cada ano, entre 20 e 40 bilhões de dólares saem ilegalmente dos países em via de desenvolvimento. Nos últimos 15 anos só 5 bilhões foram restituídos. A Suíça administra 30% dos bens offshore do mundo e Londres uma quarta parte.

Os déspotas ou políticos corruptos que levam o dinheiro para o exterior têm um nome específico na linguagem bancária: Politically exposed individuals (indivíduos politicamente expostos). Isso não os impede, no entanto, de colocar seu dinheiro onde bem entender. E há alternativas de todas as cores. Os muito eficazes e discretos “shadow banking” (bancos da sombra) se encarregam de limpar o dinheiro manchado de sangue.

A imprensa inglesa calculou que a fortuna do clã Mubarak chega a cerca de 70 bilhões de dólares. O ditador tunisiano foi muito mais modesto na exploração de seu povo, com uma fortuna de 5 bilhões de dólares, praticamente a metade do que foi roubado pelo déspota Ferdinando Marcos, nas Filipinas, durante o quarto de século no qual martirizou seu país.

Diante deles, o ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, Baby Doc, parece um pobretão com seus 200 milhões de dólares transferidos para a suíça. O pobre Augusto Pinochet e seus 20 milhões de dólares roubados assemelha-se a um triste mendigo de um bairro rico (dinheiro depositado no Riggs Bank, dos Estados Unidos, e daí, em paraísos fiscais).

O ex-presidente do Gabão, Omar Bongo, tem 39 propriedades na França, 70 contas bancárias e nove automóveis de luxo. Sassu N’Guesso conta com 18 propriedades e 112 contas bancárias abertas na França. Ao cabo de intermináveis processos judiciais, a Justiça francesa aceitou que abrisse uma investigação sobre esses “bens mal adquiridos”.

O sociólogo e político Jean Ziegler, hoje vice-presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, calcula que “dos 905 bilhões de ativos estrangeiros na Suíça, 280 bilhões vêm dos países da Ásia, América Latina e África. Em cerca de 90% dos casos, trata-se de dinheiro roubado dos povos mais pobres do planeta”.

Os inescrupulosos Joseph Mobutu, do Zaire, Sanu Abacha, da Nigéria, Omar Bongo, do Gabão, e Mussa Traoré, de Mali, são um exemplo ilustrado da análise de Jean Ziegler. Ao cabo de cinco anos de um poder despótico, o nigeriano Abacha desviou 2,2 bilhões dos caixas do Estado. Traoré tinha 2,4 bilhões de dólares na Suíça e em Mônaco.

A Confederação Helvética identificou 3,4 bilhões de dólares pertencentes ao ex-presidente do Zaire, Joseph Mobutu – 34 anos no poder – e essa soma é apenas uma fração dos 10 bilhões que ele levou. Um informe do Banco Mundial calculou moderadamente que os fundos roubados cada ano por ditadores de seus povos oscilam ente 20 e 40 bilhões de dólares.

A sede desses assassinos de suas próprias sociedades com a cumplicidade do sistema bancário internacional não tem limites. A impunidade e a conivência do Ocidente são perfeitamente assimiláveis a crimes contra a humanidade quando se sabe que apenas 100 bilhões de dólares permitem tratar durante um ano a 600 mil pessoas doentes de Aids. No entanto, no seio do famoso e moralizador G-20, países como Alemanha e Japão ainda não ratificaram a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (CNUCC), a Convenção de Mérida, como fez a Argentina, em 2006.

As rotas dessa exploração são conhecidas por todos: Londres, Luxemburgo, Suíça, Bélgica, Mônaco, as ilhas anglonormandas, as ilhas Caiman. O dispositivo Stolen Assets Recovery que a ONU e o Banco Mundial empregam para combater a corrupção choca-se frequentemente com as argúcias legais.

O Stolen Assets Recovery colaborou com o Estado haitiano no procedimento legal para a restituição de 7 bilhões de dólares da família do ditador Jean-Claude Duvalier congelados na Suíça. O Estado suíço se dispôs a colaborar, mas, depois, a Corte Suprema helvética anulou a querela.

No entanto, para os atores da anticorrupção, as revoltas no mundo árabe e a posterior onda de bloqueio de contas e congelamento de fundos mudarão essa situação. Daniel Lebègue, presidente da Transparência Internacional França, destacou que se “percorreu em três semanas mais caminho que ao longo de 15 anos”. As atribulações político-financeiro-militares de Kadafi demonstram até o limite do absurdo como o sistema financeiro internacional, cujo coração está nas grandes democracias do ocidente, desempenha um papel chave na proteção dos fundos dos ditadores.

Até 2003, a Líbia não participava do mercado mundial das finanças. A partir daquele ano, Kadafi se reconciliou com o Ocidente e a Líbia ficou livre de sanções internacionais. O Ocidente abriu as portas de suas capitais, de seus bancos, de suas empresas e da ONU. Em 2006, o regime de Trípoli copiou o modelo dos famosos fundos soberanos dos países do Golfo e criou o LIA, Libyan Investment Authority.

Esse fundo, cujos escritórios estão em Trípoli e Londres, move entre 65 e 75 bilhões de dólares. O Tesouro norteamericano bloqueou até hoje 32 bilhões. O LIA investiu seus capitais em grandes empresas italianas (bancos, a FIAT, Finmeccanica) e em empresas-fantasma na França, Inglaterra e outros países. De soberano este fundo não tem nada.

Em vez de beneficiar o povo líbio, o LIA é controlado inteiramente por um dos filhos de Kadafi, Seif al Islam. O bloqueio das contas pessoais de Kadafi e de dez de seus parentes permitiu que Londres imobilizasse 1,5 bilhões de dólares do ditador e de cinco membros de sua família. Mas essa soma é uma “propina” ao lado da real fortuna escondida no exterior e calculada em 14 bilhões de dólares.

O obstáculo maior reside na identificação destes fundos. Tony Wincks, especialista em lavagem de dinheiro e diretor de Nice Actimize, uma empresa especializada em lutar contra a fraude, destaca que a transcrição dos nomes árabes é um dos grandes truques para evitar ser descoberto. “Na França, Estados Unidos ou Grã Bretanha o nome de Kadafi pode ser escrito como Gaddafi ou Qadafi. Calculamos que com o nome e o apelido completo de Muammar Kadafi podem se fazer 115 mil combinações possíveis”.

A ONG britânica Global Witness formulou duas perguntas pertinentes que envolvem a conduta ocidental frente aos ditadores: “Esses dinossauros assassinos teriam permanecido no poder sem a cumplicidade bancária das grandes democracias? Teria sido necessária uma intervenção militar na Líbia se os bancos ocidentais tivessem se recusado a trabalhar com o dinheiro de Kadafi?”. Sem dúvida, não teria sido igual. “Ao aceitar esse dinheiro, os bancos propiciaram esses regimes brutais e permitiram que eles pagassem seus amigos políticos, fraudassem eleições e aterrorizassem suas populações”, diz a Global Witness.

No que diz respeito à fabulosas fortunas guardadas no estrangeiro pelo egípcio Hosni Mubarak, pelo tunisiano Ben Alí ou pelo próprio Kadafi, Anthea Lawson, responsável pela campanha Cleptocracia em Global Witness, assinala que “os bancos nunca deveriam ter aceito esse dinheiro nem os governos deveriam ter permitido isso”. Mas o dinheiro não tem cheiro. Saia de um prostíbulo, de uma bucha de cocaína, dos circuitos engravatados e sujos do sistema financeiro internacional ou do sangue dos povos oprimidos pelos déspotas do mundo, o dinheiro sempre chega limpo ao mesmo lugar: os bancos.

Tradução: Katarina Peixoto

Link:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17606

Luís de Gusmão: É hora de pendurar o jaleco retórico!


Fetiches conceituais - por Rafael Cariello, da Folha de S.Paulo

Hora de pendurar o jaleco retórico

RESUMO

O sociólogo Luís de Gusmão preconiza o retorno das humanidades a um ensaísmo menos eivado de jargões, conceitos e categorias classificatórias, em favor de uma escrita mais livre, que dialogue com o senso comum, que privilegie a compreensão e que não ambicione o estabelecimento de leis científicas a seu ver duvidosas.

RAFAEL CARIELLO

O jaleco: quando convidado a falar sobre sua formação intelectual, o ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso volta e meia chama a atenção para esse detalhe significativo da vestimenta de alguns de seus professores e colegas no curso de graduação. O que lhe serve de mote para ilustrar as desmedidas ambições das humanidades em meados do século passado.

"A obsessão era fazer ciência", relata FHC em "Retrato de Grupo" (Cosac Naify), livro comemorativo dos 40 anos do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). "Para que se tenha uma ideia de nossa dedicação a essa postura, andávamos de avental branco -como se fôssemos cientistas."

A imagem voltou a aparecer no discurso que ele proferiu em homenagem a Gilberto Freyre na Festa Literária Internacional de Paraty, em 2010. Era inevitável. Afinal, nos anos 50, o escritor pernambucano chegou a servir como contraexemplo para o método que os primeiros profissionais das ciências humanas no país, mestres do sociólogo tucano, pretendiam empregar.

Contra o que viam como vago "ensaísmo" bacharelesco das gerações anteriores, Florestan Fernandes e seus pares propunham um conhecimento social mais rigoroso em termos teóricos e metodológicos.

Cumpria recolher material empírico e compreendê-lo a partir de grandes sistemas conceituais, capazes de orientar a formulação correta das perguntas e das explicações daí decorrentes .

Marx, Durkheim e Weber ajudariam os cientistas sociais a reconhecer as "leis" de funcionamento das sociedades e da história -e delas derivar as conseqüências para um caso particular, como, digamos, o Brasil dos séculos 19 e 20.

AMBIÇÃO

Há muitas pedras no caminho dessa ambição intelectual, como todos os seus praticantes puderam constatar desde então. Diferentemente das ciências naturais, que lhes servem de inspiração, as humanidades não dispõem de teorias únicas para os mesmos conjuntos de fenômenos, nem de métodos comuns a todos os seus praticantes.

Ao contrário, distintos sistemas conceituais disputam a correta explicação de qualquer fato social, como bem sabem marxistas, weberianos, funcionalistas, estruturalistas etc.

Entretanto, ansiosas por validar seu status científico, todas as "escolas" sociológicas compartilham um desprezo por explicações sobre a psicologia humana ou fenômenos políticos e sociais particulares que não invoquem sistemas conceituais "científicos".

Assim, o conhecimento proporcionado pela análise de um historiador marxista seria mais amplo, teria maior valor, do que aquele oferecido por uma biografia desprovida de jargões técnicos ou sociológicos. A análise de um cientista político seria mais fecunda do que um comentário sobre o mesmo fato, ainda que extremamente arguto e inteligente, feito por algum marqueteiro ou por um mero jornalista.

Isso era verdade na década de 50, quando Florestan Fernandes orientava o jovem FHC em suas pesquisas sobre a escravidão, e ainda é verdade hoje. Desde então, os trajes em sala de aula mudaram. Mas um jaleco retórico e ideológico continua a caracterizar sociólogos, antropólogos e cientistas políticos, para prejuízo das disciplinas que praticam. É o que defende Luís de Gusmão, 54, doutor pela USP e professor do departamento de sociologia da UnB.

Em "O Fetichismo do Conceito", que deverá ser publicado pela TopBooks, depois de ter recebido indicação editorial do historiador Evaldo Cabral de Mello, Gusmão afirma que o uso de quadros conceituais não torna nenhuma análise sobre fenômenos sociais e políticos necessariamente mais fecunda.

Ao contrário. A busca por rigor "científico" nas humanidades, a tentativa de ultrapassar simples e inteligentes generalizações de senso comum sobre a sociedade, teria se revelado, na maioria das vezes, prejudicial à realização de explicações convincentes e esclarecedoras sobre fatos históricos, conflitos políticos, mudanças sociais.

Faltam a esses sistemas conceituais, nos diz o autor, leis sociológicas genuínas, distintas e irredutíveis às melhores generalizações do conhecimento de senso comum. As humanidades não foram capazes, afirma Gusmão, de descobrir leis e regularidades similares às alcançadas pelas ciências "duras".

PROBLEMAS

Ao analisar determinado fenômeno, é comum que o esquema conceitual do pesquisador o leve a tomar seu "sistema" como mais real do que os fatos a serem explicados, distorcendo-os e subordinando-os à teoria.

A fidelidade a leis sociológicas inexistentes, segundo o autor, também pode suscitar a busca por explicações para objetos puramente "conceituais", inexistentes do ponto de vista de outros observadores.

"No limite", diz Gusmão, o "fetichismo do conceito", ou seja, a troca da pesquisa empírica por ilações dedutivas a partir de conteúdos conceituais pode nos levar a "substituir o socialmente real por fantasmagorias de realidade duvidosa".
O exemplo mais óbvio, mencionado pelo autor, é o da historiografia e sociologia apoiadas na teoria da história formulada por Marx.

"A aceitação da realidade de entidades como a 'consciência de classe revolucionária do proletariado moderno' ou a 'revolução burguesa no Brasil', longe de se impor a todos, depende completamente da adesão prévia a uma dada teoria social, no caso, o marxismo."
Críticas ao filósofo alemão são feitas hoje às baciadas. Mas costumam supor que outras explicações "teoricamente orientadas" sejam superiores ao materialismo dialético.

ABUSOS DEDUTIVOS

A crítica do professor da UnB é mais ampla. Abusos dedutivos, que impõem esquemas gerais aos fatos particulares, deturpando-os, não são uma exclusividade do marxismo.

Não se trata, declara Gusmão, de negar a possibilidade de explicação de fenômenos sociais. O que ele faz, ao contrário, é tomar o partido do senso comum contra o "jaleco", num embate criado e mantido por grande número de cientistas sociais, inclusive por seus autores mais importantes, desde o século 19.

"As mais completas explicações da ação individual ou coletiva resultam essencialmente da descrição erudita, circunstanciada, de cenários sociais particulares e de esclarecimentos acerca dos valores, crenças e propósitos dos indivíduos que ali viveram e atuaram", ele diz. "Tais explicações são perfeitamente possíveis com base em conceitos sociais de senso comum."

O que o sociólogo afirma fazer, na verdade, é simplesmente constatar "a efetiva inexistência de leis sociológicas de validade geral que tenham sido empregadas, com sucesso, na explicação e predição de fenômenos sociais, leis cujas condições de aplicação tenham sido claramente estipuladas". "Eu não conheço nenhuma lei capaz de atender essas exigências", declara.

MUSEU

Quanto mais amparadas em princípios dessa espécie, mais as obras sociológicas e historiográficas correm o risco de se tornar, ele diz, peças de museu, "exemplos de ambições arrogantes e fantasias infundadas, e não de realização intelectual", segundo a sentença de Isaiah Berlin. Em contraste, obras rigorosas sobre sociedades e períodos específicos, com forte apoio empírico mas imunes aos abusos teóricos, resistem ao tempo. Gusmão cita como exemplos as análises de Alexis de Tocqueville sobre a França e os EUA dos séculos 18 e 19, e de Joaquim Nabuco sobre o Brasil do final do Império e início da República.

Nessas obras, encontra-se saber análogo ao proporcionado pelas melhores obras literárias, que oferecem verdadeiros "insights" da psicologia humana, sem a necessidade de recurso a esquemas "científicos".

JARGÃO O autor de "O Fetichismo do Conceito" nos propõe então abandonar, simplesmente, todo e qualquer jargão técnico ou generalização explicativa que não possa ser traduzível em termos de conceitos e generalizações de senso comum, expressos na linguagem natural empregada nas rotinas da vida cotidiana. E usar essa capacidade de "tradução" como critério para separar o joio do trigo.

Trata-se de uma seleção, por um lado, bastante generosa, capaz de incluir entre os textos relevantes de história, política e sociologia muita coisa ainda desprezada pelos cientistas sociais, como biografias de fôlego, ensaios e livros jornalísticos. E, ao mesmo tempo, extremamente restritiva em relação às pilhas e pilhas de teses, artigos e livros produzidos todo ano pelas universidades e pelos especialistas. Pouca coisa sobrará.

O que parece, para Gusmão, inevitável. "No âmbito da investigação do socialmente real, em toda a sua concretude, a qualidade, o valor cognitivo do trabalho realizado, depende, em larguíssima proporção, de atributos intelectuais singulares, pessoais, do pesquisador, atributos esses que não podem, contudo, ser obtidos com base simplesmente numa formação profissional mais ou menos padronizada.

Podemos dizer dos investigadores sociais mais notáveis aquilo que já dissemos dos filósofos, literatos e artistas de talento: infelizmente, não dispomos de fórmulas para produzi-los em série. O aprendizado teórico, os mais lúcidos bem o sabem, não muda tal situação." Nem o jaleco.


O uso de quadros conceituais não torna nenhuma análise sobre fenômenos sociais e políticos necessariamente mais fecunda

Todas as "escolas" sociológicas compartilham um desprezo por explicações que não lancem mão de sistemas conceituais "científicos"


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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il2703201104.htm

Diário de Berlim: O Mapa da Cultura! - Silvia Bittencourt!


DIÁRIO DE BERLIM - O MAPA DA CULTURA

Passaporte alemão

Identidade no cinema e mordaça na imprensa - SILVIA BITTENCOURT

São vários os filmes que têm como pano de fundo as revoltas estudantis dos anos 60 e os primórdios do terrorismo na Alemanha. É o caso da superprodução "Baader Meinhof Komplex" (2008), sobre o grupo terrorista Fração Exército Vermelho.

Mas o recém-lançado "Wer wenn nicht wir" (quem senão nós) é o primeiro a abordar os antecedentes da RAF a partir da vida amorosa de um de seus protagonistas, a então estudante Ulrike Ensslin _que, anos depois, se tornaria uma das principais terroristas da Alemanha.

Trata-se da história de amor entre Ensslin e o jovem editor Bernward Vesper. A relação é conflituosa, regada a brigas, traição e tentativas de suicídio. Até que os dois se casam. Em busca de um recomeço, impulsionados por ideais de mudar o mundo, deixam o sul da Alemanha e vão para uma Berlim em estado de ebulição.

O enredo é intercalado por cenas reais da época, revelando a experiência do diretor Andres Veiel como documentarista. O filme vale a pena também pelo desempenho dos atores Lena Lauzemis e August Diehl.

REVOLUÇÃO E PACIFISMO

Três livrarias berlinenses, do bairro de Kreuzberg (centro), estão sendo processadas por vender a revista "Interim", principal publicacão da esquerda radical alemã.
Essas livrarias são especializadas em temas tradicionais da esquerda, como revolução e pacifismo. Ali também se encontram panfletos de grupos de esquerda, ainda concentrados em Kreuzberg. É ali que fica a Redação da "Interim", editada desde 1988, com uma tiragem de 1.500 exemplares.

A revista não tem endereço fixo e só pode ser contatada por uma caixa postal, para a qual são enviados textos anônimos. O problema é que, entre um artigo e outro sobre teorias revolucionárias, manifestos fomentam a destruição de caixas automáticos e carros de luxo.

"Interim" é observada pela polícia federal e só proibida em casos extremos.
As livrarias alegam que não precisam conhecer o conteúdo das publicações que vendem. Já para a Promotoria, por se tratar de livrarias especializadas, elas certamente sabem o que vendem, tornando-as puníveis.

A livraria Oh 21 já saiu vitoriosa na Justiça. O mesmo esperam agora Schwarze Risse (fendas negras) e M99 -esta também conhecida por vender objetos "para uso revolucionário".

BALLHAUS

O bairro de Kreuzberg é igualmente famoso pelo alto índice de imigrantes, a maioria da Turquia. É ali que uma pequena casa de espetáculos vem agitando o meio teatral da Alemanha.

Trata-se da Ballhaus, localizada na Naunynstrasse e palco do momento para diretores estrangeiros ou alemães descendentes de imigrantes.

Criada em 2008, a Ballhaus Naunynstrasse já recebeu vários artistas da segunda e terceira geração de estrangeiros que migraram para cá nos anos 50 e 60. É o caso de Fatih Akin, diretor turco-alemão, conhecido pelos filmes "Contra a Parede" (2004) e "Soul Kitchen" (2009).

Maior sucesso até agora é a peça "Verrücktes Blut" (sangue louco), do turco Nurkan Erpulat. Ela é a um só tempo drama e comédia: numa classe escolar de um bairro de imigrantes, a professora de alemão aponta uma arma para seus alunos indisciplinados e os obriga a encenar o autor clássico Friedrich Schiller (1759-1805).

TURCOS

Drama e comédia também é se confundem no filme "Almanya", obra autobiográfica das irmãs Yasemin e Nesrin Samdereli, filhas de imigrantes turcos.

O filme mostra com muito humor a história de Hüseyin Ylmaz, que vem para a Alemanha dos anos 60 com a mulher e os filhos. Aqui, a família cresce, se integra (uns mais que outros) e se debate com a própria identidade: a matriarca Fatma fica eufórica com a conquista do passaporte alemão; o marido, nem tanto.

Já o neto Cenk, de seis anos, se irrita com o fato de não ser aceito nem no time de futebol dos alemães, nem no dos turcos, e se pergunta: "O que eu sou, afinal? Alemão ou turco?" Cada um dos pais responde uma coisa.

A Alemanha vive se debatendo sobre a integração dos estrangeiros. No ano passado, a grande questão era se o islã já faria parte ou não da cultura do país. Ironizando os clichês, os medos e preconceitos recíprocos, "Almanya" lava a alma dos espectadores e responde a esta pergunta com um "sim".

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il2703201109.htm

Venezuela elevará produção petroleira para 5 milhões de barris diários!

Venezuela elevará produção petroleira para 5 milhões de barris - do Vermelho

Venezuela pretende impulsionar sua produção de petróleo em dois terços, para 4,5 milhões ou 5 milhões de barris por dia (bpd), nos próximos três anos, disse o ministro da Energia do país, Rafael Ramirez, neste domingo (27).

"Até 2014, deveremos estar produzindo entre 4,5 milhões (bpd) e 5 milhões de barris", disse ele à televisão venezuelana.

No início de março, a OPEP sinalizou que se reuniria para decidir sobre um eventual aumento da produção. O aumento ocorreria para compensar a queda de produção do petróleo líbio, cujo país vive uma guerra civil com uma intervenção estrangeira.

Com agências

Link:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=150452

Moniz Bandeira: EUA e aliados querem legitimar doutrina da intervenção humanitária!

EUA e aliados querem legitimar doutrina da intervenção humanitária - por Marco Aurélio Weissheimer, na Agência Carta Maior

As razões pelas quais Estados Unidos, França e Inglaterra dediciram liderar uma ação militar na Líbia contra o regime de Muammar Kadafi ainda não estão muito claras. Os ataques realizados já ultrapassaram os limites de uma "zona de exclusão aérea", tal como previsto na resolução aprovada pela ONU.

Em entrevista à Carta Maior, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira analisa as revoltas populares que estão acontecendo no Oriente Médio e no norte da África. Sobre o conflito líbio, ele avalia que as razões da posição de EUA, França e Inglaterra não estão muito claras e podem estar relacionadas a questões internas destes países e também à vontade de legitimar a doutrina da intervenção humanitária.

As razões pelas quais Estados Unidos, França e Inglaterra dediciram liderar uma ação militar na Líbia contra o regime de Muammar Kadafi ainda não estão muito claras. Os limites desta ação determinados pela resolução aprovada no Conselho de Segurança das Nações Unidas falavam da instalação de uma "zona de exclusão aérea" com o objetivo de proteger a população civil dos ataques dos aviões de Kadafi. Mas esses limites já foram extrapoladas, com ataques no solo a tanques e tropas leais ao governo líbio. O que, afinal, está por trás desta ação?

Em entrevista à Carta Maior, concedida por correio eletrônico, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira analisa as revoltas populares que estão acontecendo no Oriente Médio e no norte da África. Sobre o conflito líbio, Moniz Bandeira reconhece que as razões da posição de EUA, França e Inglaterra não estão muito claras e podem estar relacionadas a questões internas destes países e também à vontade de legitimar a doutrina da intervenção humanitária.

"Os objetivos não estão claros. A guerra foi praticamente iniciada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Supõe-se que ele deseja evitar que uma guerra civil na Líbia provoque um grande fluxo de refugiados para o sul da França. Mas há outras hipóteses.

Tanto na França como nos Estados Unidos, cujos presidentes estão muito desgastados, bem como na Inglaterra, motivos eleitorais provavelmente influíram na decisão de deflagrar a guerra. O petróleo, aparentemente, não foi um fator decisivo", avalia.

Cientista político e professor titular de história da política exterior do Brasil na UnB (aposentado), Moniz Bandeira é autor de mais de 20 obras, entre as quais "Formação do Império Americano", que lhe valeu a escolha de Intelectual do Ano 2005, pela União Brasileira de Escritores, e o Troféu Juca Pato. Em abril deve estar nas livrarias a 3ª edição de seu livro "Brasil-Estados Unidos: a rivalidade emergente", prefaciado pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.

Carta Maior: Na sua avaliação, quais são as principais causas das revoltas que estamos assistindo hoje no Oriente Médio e norte da África?

Moniz Bandeira: É difícil apontar os principais fatores que determinaram e determinam a eclosão das revoltas nos países árabes. São diversos e complexos. E tudo indica que são autóctones, não obstante o fenômeno do contágio. O sucesso do levante naTunisia estimulou o alçamento no Egito e daí se alastrou, conforme as condições domésticas de cada um dos países da região. Há, decerto, diferenças históricas, sociais e políticas entre os dois países. Suas estruturas de Estados e instituições são diferentes.

Ao contrário da Tunísia, o Egito é o mais populoso país árabe e o mais importante, do ângulo geopolítico e geoestratégico, no Oriente Médio. Entretanto, nos dois países, há uma juventude, com certo nível de educação e saúde que não encontra emprego ou ocupação adequada à sua capacitação.

A Tunísia tem uma população de cerca de 10,4 milhões de habitantes, altamente alfabetizada e urbanizada e apenas 3,8% vivem abaixo do nível de pobreza. Porém, com uma força de trabalho de quase 4 milhões de pessoas, o nível de desemprego, da ordem de 14%, é muito elevado. O Egito, por sua vez, tem uma população de 76,5 milhões de habitantes, dos quais cerca de 20% a 25% vivem abaixo do nível de pobreza. Sua força de trabalho soma 26,1 milhões, mas o índice de desemprego, da ordem de 9.7%, é bastante elevado.

Apesar de haver crescido 5% nos últimos anos, sua economia não conseguiu criar empregos conforme as necessidades da população. A juventude está seriamente afetada pelo desemprego. Cerca de 90% dos desempregados são jovens com menos de 30 anos. Os graduados têm de esperar pelo menos cinco anos por uma oportunidade de trabalho na administração. E as políticas neoliberais executadas pelo ditador Hosni Mubarak agravaram as desigualdades e um empobrecimento de milhões de famílias.

As oportunidades de trabalho, desde há muitas décadas, crescem muito menos do que a taxa de crescimento da população. Entrementes, no campo, há algumas regiões com excesso de força de trabalho, e outras com carência. E os regimes tanto na Tunísia e quanto no Egito estavam politicamente estagnados, sob ditaduras corruptas e brutais de Zine el-Abidine Ben Ali e de Hosni Mubarak.

Esse fato, em meio à ao desemprego, extrema pobreza, inflação, alta dos preços dos alimentos e o ressentimento político provocado pela sistemática repressão, foi aparentemente fundamental na deflagração das revoltas, que, sem dúvidas, seitas islâmicas fundamentalistas, como a Irmandade Muçulmana no Egito, e interesses estrangeiros trataram e tratam de aproveitar.

Carta Maior: Essas revoltas pegaram os Estados Unidos e seus aliados de surpresa, desestabilizando suas políticas na região, ou a turbulência atual não representa risco maior para eles?


Moniz Bandeira: Muito provavelmente as revoltas na Tunísia e também no Egito surpreenderam os Estados Unidos e a todos os países do Ocidente. Durante algumas semanas o governo de Washington nada disse sobre a sublevação na Tunísia. E, quando Hilary Clinton, viajou para Tunis, dois meses após a derrubada do ditador, ocorreram demonstrações contra a sua visita.

Se houvesse consciência do que estava a acontecer, a secretária de Estado não haveria declarado, quando o levante começou no Cairo, "Our assessment is that the Egyptian government is stable and is looking for ways to respond to the legitimate needs and interests of the Egyptian people."

Esta avaliação de que o regime de Mubarack era estável demonstra o grau de desconhecimento que o governo dos Estados Unidos tinha da real situação no Egito. Que havia descontentamento, sabia-se, mas não a sua extensão nem o que poderia provocar.

É claro que tal turbulência representa um risco para os Estados Unidos e para a União Européia, pois não se pode descartar a possibilidade de que a Irmandade Muçulmana, a única força organizada no Egito, vença as eleições e assuma o governo e que os fundamentalistas islâmicos venham a predominar, de alguma forma, nos outros países árabes.

Carta Maior: Como o sr. vê o que está acontecendo na Líbia agora? Trata-se de uma revolta popular em busca de mais democracia no país, ou de uma insurreição de outra natureza?

Moniz Bandeira: O que se sabe sobre a Líbia é que ninguém sabe de fato o que lá está acontecendo. Há muita contra-informação e informações fragmentadas e confusas, manipuladas pela grande mídia internacional.

Winston Churchill, o ex-primeiro ministro britânico, escreveu em suas memórias que em tempos de guerra a verdade é tão preciosa que deve estar sempre escoltada por uma frota de mentiras. E o certo é que em nenhum desses países árabes, há uma consciência democrática, tal como se imagina no Ocidente. Há apenas uma idéia difusa e confusa.

Não há tradição e as condições históricas, políticas e culturais são diversas das que terminaram o desenvolvimento da democracia no Ocidente.

A democracia para os povos árabes, que se insurgem no norte da África e no Oriente Médio, significa maiores oportunidades de trabalho, de participação política, liberdade de expressão e melhoria econômica e social. E, na Líbia, como na Tunísia e no Egito, a elevação preço dos alimentos, fomentou o descontentamento, ao agravar as condições sociais e políticas lá existentes.

E ela sofreu o efeito do contágio. A Líbia tem 6,5 milhões de habitantes, dos quais 43% são urbanizados, mas o desemprego é da ordem de 30% e um terço da população vive abaixo da linha de pobreza. Importa 75% dos alimentos e as exportações de petróleo respondem por cerca de 95% de sua receita comercial e 80% da receita do governo.

A situação da Líbia, porém, é ainda mais complexa do que na Tunísia e no Egito. Gaddafi assumiu o poder em 1969. Com um golpe militar derrubou o rei Idris, da seita Senussi, fundada no século XIX, em Meca, por sayyd Muhhammad ibn Ali as-Senussi, da tribo Walad Sidi Abdalla e sharif, i. e., descendente da Fatmimah, filha de Maomé. Desde então, Gaddafi buscou impor à Líbia um só partido.

Mas a Líbia, diferentemente da Tunísia e do Egito, é uma nação que ainda não se consolidou. É o mais tribal entre os países árabes. Pode-se dizer que é um Estado semi-tribal. Sua estrutura rural é praticamente assentadas em tribos nômades e semi-nômades, muito segmentadas Lá existem mais de 140 tribos e clãs.

Gaddafi , no início, tentou reduzir a influências da tribos, mas posteriormente teve de fazer alianças e manipular a fidelidade das tribos para manter sua ditadura.

A tribo de Gaddafi, Ghadafa (Qadhadhfah) é de origem bérbere-árabe e aliou-se à confederação Sa'adi, liderada por Bara'as (a tribo da esposa de Gaddafi, Farkash al-Haddad al-Bara'as). Os conflitos entre as forças do governo de Gaddafi e outras tribos – as tribos Zawiya e Toubou - começaram entre 2006 e 2008, no oasis de Kufra, localizado no sudeste da Libia, 950 quilômetros ao sul de Benghasi, perto da fronteira com o Egito, Sudão Chad.

Benghasi, onde a rebelião começou, está na Cirenaica, antiga província romana (Pentapolis) e tradicionalmente separatista, na parte oriental da Líbia. Misurata é a única cidade na Tripolitânia, oeste da Líbia, que habita a tribo Warfallah, o maior grupo tribal, dividido em 52 sub-tribos, com cerca de um milhão pessoas.

Essa tribo foi levada para a Líbia, no século XI, pelos Fatimidas, por motivos políticos. A ela está aliada a tribo Az-Zintan, que habita as montanhas ocidentais, entre as cidades bérberes, Jado, Yefren e Kabaw. E essas tribos romperam com o governo de Gaddafi, insurgiram-se e sustentam a rebelião. Não há indício de que houve estímulo direto do estrangeiro quando ela começou. Porém, em seguida, seguramente, houve participação externa, contrabandeando armamentos para os rebeldes em Benghazi. O contrabando continua.

Mas a rebelião conta com o apoio do Grupo de Combate Islâmico, cujos membros estão estreitamente ligados a Bin Laden e podem tentar a tomada do governo, com a queda de Gaddafi. Tudo indica que a oposição à ditadura de Gaddafi está mais alinhada com a al’Qaida.

Sob o comando de Abu Yahya Al- Libi, os jhadistas do Grupo Islâmico de Combate (Al-Jama'ah al-Islamiyah al-Muqatilah bi-Libia) já tinham se levantado contra o regime em 1990 e o centro da rebelião, atualmente, são as cidades de Benghazi e Darnah, onde eles se haviam concentrado e ocorrerem os levantes em 1990.

Muitos islamistas radicais, exilado por Gaddafi, estão a voltar, entrando pelas fronteiras de Mali, Egito e outras. Os rebeldes, saudados pelos americanos como freedom fighters, não são, certamente, democratas. Um estudo da Academia Militar dos Estados Unidos, em 2007, indicou que do leste da Líbia saiu uma grande contribuição para a al-Qaeda no Iraque. Em tais circunstâncias, tudo pode acontecer na Líbia, com a prevalência e a desordem política, pior do que no Iraque e no Afeganistão.

Os Estados Unidos, França e Inglaterra não têm como controlar a situação. A razão pela qual esses países estão apoiar os rebeldes islamistas não está muito clara. O mais provável é que queiram legitimar a doutrina da intervenção humanitária, tal como ocorreu no Kosovo e Sierra Leoa. Há uma contradição de inexplicável de interesses em jogo.

E não sem razão o ex-presidente Bill Clinton, ao visitar o Brasil, em 25 de março, declarou, a respeito do que os Estados Unidos, França e Inglaterra estão a fazer na Líbia.: "Vai ser mais difícil construir estabilidade nesses países do que foi para derrubar a velha ordem. Então agora acho que estão atirando em uma incerteza".

Carta Maior: E quanto à resolução aprovada pela ONU, qual sua opinião?


Moniz Bandeira: A resolução aprovada Conselho de Segurança viola a própria carta das Nações Unidas. O art. 2, do Cap. I, estabelece que “nenhuma disposição da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervir em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado, ou obrigará os membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta; este princípio, porém, não prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do capítulo VII”.

E o art. 42 do Capítulo VII dispõe que, se o Conselho de Segurança, considerar que “as medidas previstas no artigo 41 seriam ou demonstraram ser inadequadas (interrupção completa ou parcial das relações econômicas, dos meios de comunicação ferroviários, marítimos, aéreos, postais, telegráficos, radio-elétricos, ou de outra qualquer espécie, e o rompimento das relações diplomáticas), poderá levar a efeito, por meio de forças aéreas, navais ou terrestres, a ação que julgar necessária para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. Tal ação poderá compreender demonstrações, bloqueios e outras operações, por parte das forças aéreas, navais ou terrestres dos membros das Nações Unidas”.

Está bem claro que as operações militares aéreas, navais ou terrestres dos membros das Nações Unidas só poderão ocorrer caso sejam necessárias “para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais”. O que ocorria na Líbia era uma questão interna, não ameaçava a paz e a segurança internacionais. O ataque a um país soberano é uma guerra. Não há nenhuma força multilateral. E os Estados Unidos, França e Inglaterra foram além de estabelecer uma no-fly zone para proteger civis. Como proteger civis, matando civis com mísseis lançados contra as cidades da Líbia? É o que continua a acontecer no Iraque, Afeganistão e Paquistão. Os civis são os mais sacrificados.

No Afeganistão, somente em 2009, foram mortos por bombardeios cerca de 2.412 , 14% mais do que em 2008. Entre 2005 e 2008, as forças dos Estados Unidos e outras da OTAN mataram entre 2.699 e 3.273. No Iraque, calcula-se que, de 2003, quando a guerra começou, até 2007 mais de um milhão de civis foram mortos. E calcula-se que cerca de 700 civis foram pelos bombardeios americanos desde 2006. Segundo o Conflict Monitoring Center (CMC), em Islamabad, somente em 2011 mais de 2.000 pessoas foram mortas, a maioria das quais inocentes civis.

Na realidade, na Líbia, Estados Unidos, França a Inglaterra estão a participar da guerra civil, apoiando os rebeldes, como a Alemanha nazista fez durante a guerra civil na Espanha (1936-1939), quando bombardearam não apenas Guernica, mas diversas outras cidades, estreando seus bombardeiros Junkers Ju 52 e Heinkel He 111, bem como os caças Messerschmitt e Junkers Ju 87, que destruíram 386 aviões dos republicanos.

Os navios de guerra dos Estados Unidos e da Inglaterra já lançaram contra a Libia, para a destruir as defesas de Gaddafi, cerca de 124 mísseis de cruzeiro. Cada um custa US1 milhão e o novo modelo US$ 2 milhões. No primeiro dia da Operation Odyssey Dawn os gastos dos Estados Unidos apenas com mísseis chegaram a US$ 100 milhões.

Carta Maior: Neste cenário, não é fácil precisar quais os objetivos dos Estados Unidos, França e Inglaterra no ataque às forças de Gaddafi, ajudando os rebeldes...

Moniz Bandeira – Os objetivos não estão claros. A guerra foi praticamente iniciada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Supõe-se que ele deseja evitar que uma guerra civil na Líbia provoque um grande fluxo de refugiados para o sul da França. Mas há outras hipóteses. Tanto na França como nos Estados Unidos, cujos presidentes estão muito desgastados, bem como na Inglaterra, motivos eleitorais provavelmente influíram na decisão de deflagrar a guerra. O petróleo, aparentemente, não foi um fator decisivo.

A França somente importa 5,63% do petróleo da Líbia, mas, possivelmente, deseja assegurar para seu abastecimento, durante o século XXI, as vastas reservas lá existentes, estimadas em 41 bilhões de barris, conquanto representem menos de 2% das reservas mundiais.

Os países que mais importam o óleo da Líbia são Itália, entre 18,9% e 22%; China, 10,4%; Alemanha, entre 7,8 e 9,7. Porém, as operações na Líbia, de onde só importa 0,6% de petróleo, poderão custar para os Estados Unidos um montante entre US$ 400 milhões e US$ 800 milhões, de acordo com o Center for Strategic and Budgetary Assessments, enquanto os gastos no Afeganistão já ultrapassam US$377 bilhões.

Calcula-se que a guerra contra a Líbia custará para os Estados Unidos US$ 1 bilhão por semana. E o Pentágono necessita este ano de mais US$ 708 bilhões, incluindo U$ 159 para as guerra no Iraque e Afeganistão. Entrementes, em março, o déficit orçamentário atingiu o montante recorde de US$ 222,5 bilhões.

E o Departamento do calcula que através dos cinco meses do ano fiscal de 2011 o déficit cumulativo seja de U$ 641, bilhões. Entretanto, pelo menos 50.000 americanos carecem de recursos básicos de saúde, e cerca de 50.000 morrem em conseqüência, todos os anos.

No Reino Unido, ao mesmo tempo em que corta das despesas públicas £95 bilhões, a pretexto de reduzir, e cria um milhão de desempregados, o governo conservador de David Cameron gasta em torno de £3 por dia, com as operações aéreas contra as forças de Gaddafi. A missão de uma aeronave custa por hora £35.000 e £50.000. O total diário é £200.000 por avião. Estima-se que o custo para os contribuintes inglêses alcançará £100 milhões dentro de seis semanas.

Os mísseis Tomahawk, comprados dos Estados Unidos, custam £500,000 cada e os mísseis Storm Shadow custam £800,000 cada. A manutenção do submarino HMS Triumph, que dispara os mísseis contra a Líbia, custa cerca de £200,000 por dia. E aí os custos disparam.

Carta Maior: O presidente dos EUA, Barack Obama autorizou o início dos bombardeios contra a Líbia durante sua visita ao Brasil. Qual sua avaliação sobre essa visita e, de um modo mais geral, sobre a política externa do governo Obama. Houve alguma mudança significativa em relação aquela praticada pelo governo Bush?

Moniz Bandeira: O que está por trás de do presidente Barack Obama é o mesmo Complexo Industrial-Militar que sustentou o presidente Georgeo W. Bush. Ele deu continuidade às guerras no Afeganistão e no Iraque, onde ainda mantém cerca de 40 mil soldados, além dos mercenários (contractors) das private military company (PMC), como a Halliburton, Blackwater e outras. E não contente em continuar as guerras no Afeganistão e no Iraque, deu início a uma terceira, na Líbia.

E aí tudo indica que a decisão inicial, após conversar com o presidente Sarkozy, foi tomada pela secretária de Estado, Hilary Clinton, e Obama simplesmente autorizou. Na realidade, ela se sobrepõe ao presidente Obama e é quem está efetivamente conduzindo a política internacional dos Estados Unidos, de modo a atender aos setores mais conservadores do Partido Democrata e aumentar sua popularidade, para candidatar-se outra vez à presidência dos Estados Unidos.

Quanto à visita do presidente Obama ao Brasil, não representou qualquer mudança na política externa dos Estados Unidos nem nas relações com o Brasil. Foi uma visita protocolar, ele nada pôde nem tinha o que oferecer ao Brasil, cuja diretriz de política externa a presidente Dilma Roussef essencialmente mantém.

O voto em favor de um delegado da ONU para verificar a questão dos direitos humanos na Irã é um fato isolado e não representa uma alteração fundamental na posição do Brasil.

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