Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 29 de maio de 2011

Barcelona 3 x 1 Manchester United - Liga dos Campeões - 28/05/2011

Por Copa, ministro exime Corinthians e alfineta governo de SP!

Por Copa, ministro exime Corinthians e alfineta governo de SP

EDUARDO OHATA

Um dia após São Paulo ser oficialmente excluída da Copa das Confederações-2013, evento-teste para a Copa de 2014, o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., voltou a criticar a preparação paulista para o Mundial. Porém, repartiu a culpa em torno do que chamou de inércia adminstrativa do Estado

O ministro Orlando Silva Jr., que chegou de cadeira de rodas, devido a uma torção no tornozelo

"A responsabilidade é das autoridades. É um erro achar que o Corinthians deve assumir essa responsabilidade", disse ele durante o Fórum Nacional do Esporte, neste sábado, em um hotel de São Paulo.

"A ausência de São Paulo na Copa das Confederações é um anúncio grave. É um sinal de que a cidade está aquém da demanda da Fifa. É lamentável. São Paulo tem que acordar e preparar um estádio", completou.

"O limite para São Paulo mostrar o que pretende em 2014 será julho, quando as autoridades da Fifa estarão por aqui. Até lá, a cidade precisa demonstrar que tem interesse em participar da Copa do Mundo", finalizou Silva Jr.

O ministro, porém, declarou estar sentindo "um pouco mais de vontade" do governador Geraldo Alckmin em relação aos antecessores.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/922345-por-copa-ministro-exime-corinthians-e-alfineta-governo-de-sp.shtml

Ferguson diz que Barcelona deixou o Manchester atônito!


Ferguson diz que Barcelona deixou o Manchester atônito

DA EFE, EM LONDRES

Derrotado pelo placar de 3 a 1 comandando o Manchester United na final da Copa dos Campeões, disputada neste sábado, no estádio de Wembley, o técnico Alex Ferguson exaltou a força do Barcelona e afirmou que o adversário é uma das maiores equipes de todos os tempos e o melhor que já viu jogar.

"Em minha carreira como técnico, diria que sim, é o melhor [time] que conheço. Todo mundo sabe disso, e eu aceito. Ninguém nos deu uma surra assim, e por isso mereceram a vitória", declarou o treinador, que admitiu que o Manchester sucumbiu à troca de passes do adversário.

"Fizemos a melhor preparação que poderíamos e nos esforçamos ao máximo. Estivemos perto do nível deles, mas as trocas de passes nos deixaram atônitos", acrescentou Ferguson.

No entanto, o escocês fez um alerta a o Barça, dizendo que é difícil para um time se manter no topo por muito tempo: "As grandes equipes têm ciclo, e o ciclo em que eles estão eles é o melhor. É difícil saber quanto tempo durará, mas eles estão aproveitando o momento".

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/922377-ferguson-diz-que-barcelona-deixou-o-manchester-atonito.shtml

Depois de Madri, Atenas - por Antonio Martins!

Depois de Madri, Atenas - por Antonio Martins

Como a rebelião dos jovens espanhóis está se espalhando pela Grécia. Por que ela tem mais chances de sacudir país

Ao fundo da vasta praça, destaca-se uma enorme faixa, cuja mensagem pode ser lida a dezenas de metros. Pintada nas três cores espanholas, ela provoca: Estamos despiertos! Que hora es? Ya es hora de que se vayan. À sua frente, 20 mil jovens. Dizem que já basta, é o momento de tomar as ruas e ocupar as praças. Bem formados, capazes e intensamente conectados com o mundo, não se conformam com a vida insípida e medíocre oferecida pelo sistema,. Exigem que cesse o ataque os direitos, que os banqueiros e políticos parem de enriquecer às custas de todos. Querem inventar uma nova democracia.

É noite de quarta-feira, 25 de maio. Mas não é a Puerta del Sol, em Madri, e sim a Praça Syntagma (da Constituição), centro de Atenas. A ocupação foi tramada em poucas horas. Durante o dia, funcionários do FMI estiveram na capital, mantendo contatos com autoridades gregas. Anunciaram que as privatizações devem começar imediatamente e o governo precisa criar novos impostos. É a condição para que a Grécia receba mais um empréstimo de 12 bilhões de euros – que serão consumidos em poucos meses, em novos pagamentos de juros aos magnatas do sistema financeiro. Do contrário, o caos.

Em resposta, a convocação para ocupar a praça espalhou-se em horas pelo Facebook (veja fotos, em uma das páginas) e Twitter (#greekrevolution). Inspirados pelos indignados espanhóis, os jovens chamaram-se (em tradução para o inglês) the indignants of Syntagma Square. Mas além de Atenas, foram ocupados pontos centrais de Tessalonica, Patra, Larissa, Volos e Hania. Não houve acampamento: a multidão dissolveu-se na madrugada, mas o protesto foi reconvocado para as 18h desta quinta-feira (há cinco horas de diferença entre Brasília e Atenas) e já recomeçou – apesar da forte chuva. É possível acompanhar pela internet: aqui.

Grandes manifestações têm sido comuns na Grécia há um ano, desde que começaram a ser aplicadas as medidas “de austeridade”. Mas há características distintas, agora. A convocação não foi feita pelos partidos à esquerda, pelos sindicatos ou pelos coletivos anarquistas (que são fortes no país). Nas redes sociais, muitas mensagens declaram a opção pela não-violência. Um comentário no Facebook sustenta: “o governo sabe como lidar com os protestos convocados pela esquerda tradicional, mas está embaraçado conosco”.

É cedo para ser tão otimista, mas a situação é, de fato, mais delicada para o poder que na própria Espanha. Também a Grécia é governada por um Partido Socialista. Também lá, o governo curvou-se ao corte de direitos e desmonte dos serviços públicos “exigidos” pelo FMI e União Europeia (UE). Mas em Atenas, está claro que tal concessão leva apenas a novos sacrifícios, numa espiral empobrecedora cujo fundo ninguém conhece.

Como mostra texto de Luís Nagao em Outras Palavras, FMI e UE ofereceram, há exatos doze meses, um empréstimo de 110 bilhões de dólares à Grécia. Exigiram, como contrapartida, rebaixamento de salários, aumento da idade mínima para aposentadoria, redução dos benefícios, aumento de impostos.

O governo seguiu finalmente a receita. Os recursos foram rapidamente consumidos e o país está de novo à beira do abismo. A maior parte da população condena a penúria inútil. Mas o sistema político tradicional não parece oferecer rota de escape. Nem “socialistas”, nem a oposição conservadora são capazes de imaginar, para a Grécia, um cenário distinto do proposto pelas instituições financeiras. Os partidos de esquerda denunciam com vigor o capital, mas não avançam para a formulação de alternativas concretas. O impasse desconcerta a opinião pública.

Os jovens que se auto-convocaram poderão ir além? Seria possível desenhar, em resposta à crise grega, um conjunto de medidas claro, rapidamente exequível, e de fácil popularização? Neste caso, ele teria mais chances de conquistar a maioria da sociedade que as respostas anteriores? São perguntas ainda sem resposta.

De qualquer forma, duas coisas parecem claras. A Europa, que almeja nomear o próximo diretor do FMI é a região do mundo em que se praticam as piores políticas econômicas – e, por isso, a mais afundada em crise [leia nossa análise]. Porém, como notou há dias Pep Velenzuela, nosso correspondente em Barcelona, os jovens espanhóis traçaram uma linha na areia. Qualquer nova tentativa de impor ataque aos direitos sociais será recebida com povo nas ruas e praças tomadas.

Link:

http://www.outraspalavras.net/2011/05/26/depois-de-madri-atenas/

PSDB sepulta serrismo; novo líder, Aécio aposta em 'artigo de FHC'!

PSDB sepulta serrismo; novo líder, Aécio aposta em 'artigo de FHC'

Convenção tucana elege comando simpático à candidatura Aécio-2014 e, contra a vontade de José Serra, acomoda derrotado em 2010 em cargo inoperante. Segundo aliado, Aécio adotará linha do 'artigo de FHC', que prega que oposição esqueça 'povão', busque 'nova classe média' e não abra mão do 'moralismo', explorado no 'caso Palocci'. Escanteado, Serra apela para ser lembrado: 'contem comigo'.

André Barrocal

BRASÍLIA - “Contem comigo para qualquer problema, para qualquer necessidade de presença, eu estarei lá. Sou um ativista político desde minha juventude. Estou nessa luta há muitas décadas e, se deus quiser, permanecerei nela durante muitas décadas ainda (….) Antes de ser um oficial da política, eu sou um soldado.”

Com estas palavras - um apelo para não ser ignorado -, José Serra, ex-governador de São Paulo, terminou sua participação na convenção nacional que o PSDB realizou neste sábado (28/05) para eleger uma nova direção. Derrotado duas vezes ao tentar virar presidente da República, o discurso de Serra encerrou mais um fracasso.

A convenção destinava-se justamente a sepultar a hegemonia serrista e paulista no tucanato. Ao mesmo tempo, buscava evitar um racha no ninho, o que exigirá do PSDB tonificar uma instância partidária inoperante nos últimos tempos, o Conselho Político, em cuja direção, a contra-gosto e com muita resistência, Serra foi assentado.

Daqui para frente e de olho na sucessão da presidenta petista Dilma Rousseff em 2014, os tucanos entregam-se à liderança do senador Aécio Neves (MG), cuja missão será reiventar um partido e um ideário derrotados mais vezes do que Serra na luta pela Presidência da República.

“Não podemos ter dois comandos. Sairemos daqui com um comando só”, dizia, ao chegar à convenção, o líder da bancada adversária de Dilma na Câmara dos Deputados, Paulo Abi-Ackel (PSDB), aliado mineiro do senador mineiro. E qual será o discurso, a linha do partido daqui em diante, com Aécio à frente? “Ah, é o artigo do Fernando Henrique”, contou Abi-Ackel.

Linha FHC: classe média e moralismo
O deputado referia-se a um texto polêmico publicado numa revista no início de abril, no qual ex-presidente esforça-se para salvar o PSDB e a oposição em geral da falta de rumos. Nele, FHC diz que “uma oposição que perde três disputas presidenciais não pode se acomodar com a falta de autocrítica”. E defende, entre outras coisas, que os adversários de Dilma não devem “disputar com o PT influência sobre os 'movimentos sociais' ou o 'povão'”, mas, sim, buscar a “nova classe média”.

Para o sociólogo, os tucanos precisam explorar as redes sociais, a mídia tradicional e as universidades para discursar a favor de mais saúde, educação, ecologia, direitos humanos, enfim, por um “papel crescente do estado”, o que não estaria em “contradição com economia mercado”. Mas, ressalva FHC, sem deixar de lado o núcleo das campanhas tucanas perdedoras em 2006 e 2010, porque “seria erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso 'moralista' é coisa de elite à moda da antiga UDN”.

Pois não faltou, na convenção tucana, a retórica 'moralista' pregada pelo ex-presidente, graças à enrascada em que se encontra o chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci, por conta de seu enriquecimento à base de consultorias. “Devemos sair às ruas, de cabeça erguida, e dizer: 'somos sérios, somos éticos e sabemos fazer'”, disse na convenção o desde já presidenciável Aécio Neves.

“Crise ética”, foi a definição do caso Palocci dada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Escândalo”, chamou FHC. “Águas da corrupção”, classificou o presidente reeleito do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).

Não foi exatamente a opinião manifestada por um deputado cassado que compareceu à festa tucana mesmo sem ter carteirinha do PSDB. Para o presidente do PTB, Roberto Jefferson, não há motivo para CPI do Palocci. Nem mesmo para fazer comparações com o “mensalão”, cuja suposta existência o deputado denunciou depois que um aliado dele empregado nos Correios, Mauricio Marinho, fora gravado recebendo propina.

'Aécio presidente!'
Ao chegar à convenção, Jefferson parecia um pop-star, posando para fotos com militantes tucanos, que também se entretiam com músicas à espera do início do encontro. "Brasil, urgente, Aécio presidente!”, era uma delas. “Brasil, urgente, Perillo presidente!”, dizia outra, aludindo ao governador de Goiás, Marconi Perillo. Até um genérico “1, 2, 3, 4, 5, mil, queremos um tucano presidente do Brasil!”.

NInguém gritava “Serra presidente”, evidência de que o ex-governador paulista é página virada no partido, mesmo com os mais de 40 milhões de votos obtidos na última eleição.

O capital político de Serra serviu, no entanto, para impedir que ele fosse escanteado por completo do novo comando tucano. Os tucanos contam com algum tipo de colaboração dele na próxima eleição. Daí que o encontro deste sábado começou com mais de duas horas de atraso. Desde a véspera, a elite tucana tentava encontrar uma composição dos dirigentes que garantisse a hegemonia de Aécio, mas que permitisse ao menos dar um prêmio de consoloção a Serra.

Os três cargos mais importantes da estrutura partidária ficaram com simpatizantes ou aliados declarados de Aécio. O presidente Sérgio Guerra, que pelas costas já fez referências desabonadoras a Serra, reelegeu-se. A secretaria-geral terá o deputado mineiro Rodrigo de Castro, abertamente apoiador de Aécio. E o comando do Instituto Teotônio Vilela, órgão formulador dos tucanos, foi entregue ao ex-senador Tasso Jereissatti (CE), que até hoje guarda rancor contra Serra pela disputa de ambos pela candidatura presidencial tucana em 2002.

Para Serra, restou controlar o Conselho Político, que os tucanos dizem que vão tentar revitalizar daqui para frente.

Além do objetivo de superar o serrismo e, ao mesmo tempo, esconder os problemas internos atrás da retórica de “unidade”, o PSDB usou a convenção para tentar enfrentar a sensação de fragilidade dos adversários do governo dentro do Congresso. É a menor bancada oposicionista desde o fim da ditadura militar. Valeu até apelar para um suposto fenômeno mundial. “Há controvérsias sobre o enfraquecimento da oposição. A oposição não está fragilizada só no Brasil”, disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

Link:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17845

Época supera Veja em imundície e quer matar Dilma - por Brizola Neto!

Época supera Veja em imundície e quer matar Dilma - por Brizola Neto

Alertado por um leitor, fui ver a capa da Época, na qual uma foto da presidenta, de olhos fechados, é usada para ilustrar uma matéria sobre uma suposta gravidade de seus problemas de saúde.

É sordidamente mórbida.

Registra que os seus médicos dizem que ela “apresenta ótimo estado de saude”, mas a partir daí tece uma teia mal-intencionada e imunda sobre os problemas que ela apresentou e os outros que tem, normais para uma mulher da sua idade.

O hipotireoidismo, por exemplo, é problema comuníssimo entre as mulheres de mais idade. É por isso que todo médico pede a eles, sempre, o exame de TSH. E o hormônio T4 – Synthroid, Puran, Levoid, Euthyrox e outros – tomado em jejum, é a mais básica terapêutica, usada por anos e anos por milhões de mulheres do mundo inteiro.

A revista publica uma lista imbecil de “medicamentos” que a presidente tomava, em sua recuperação de uma pneumonia, listando tudo, até Novalgina, Fluimicil e Atrovent (usado em inalação até por crianças), e chegando ao cúmulo de citar “bicarbonato de sódio – contra aftas”.

Diz que o toldo que abrigou Dilma de uma chuva, em Salvador, ” lembrava uma bolha de plástico”.

Meu Deus, o que esperavam que fizessem com uma mulher que se recuperava de um pricípio de pneumonia? Que lhe jogassem um balde de água gelada por cima?

Essa é a “ética” dos nossos grandes meios de comunicação. Não precisam de fatos, basta construírem versões, erguendo grandes mentiras sobre minúsculas verdades.

Esses é que pretendem ser os “fiscais do poder”.

Que imundície!

Link:

http://www.tijolaco.com/epoca-supera-veja-em-imundicie-e-quer-matar-dilma/

sábado, 28 de maio de 2011

Serra sofre derrota esmagadora no PSDB!

O CREPÚSCULO DO 'GRANDE GESTOR': SERRA SOFRE ESMAGADORA DERROTA

O candidato da derrota conservadora em 2002 e 2010, ex-governador José Serra, sofreu neste sábado mais um revés esmagador.

Na luta pelo comando do partido e pela vaga a pré-candidato da legenda em 2014, Serra foi tratorado pelo grupo rival de Aécio Neves.

Antes da convenção, Serra exigia 'respeito' aos 'seus' 44 milhões de votos. Na prática, significava impor o seu nome e o de serristas à presidência do Instituto Teotonio Vilela e à presidência do partido, para os quais foram eleitos seus desafetos, Tasso Jereissati e Sergio Guerra.

Depois de perder todas para Aécio, ganhou como prêmio-consolação a honorável presidência do Conselho Político do PSDB, o que significa exatamente nada.

Nesse colegiado, Serra será uma rainha da Inglaterra: dos seis membros, quatro estão alinhados no propósito de cortar pela raiz o impulso desagregador que identificam no serrismo (FHC, Guerra, o próprio Aécio e Geraldo Alckmin); o outro integrante, Marconi Perilo, é um ser irrelevante.

Restam a Serra as lágrimas do seu dispositivo midiático, sobretudo de SP --igualmente derrotado na convenção-- que tentou vender ao país um catalisador de ódios e desafetos a sua imagem e semelhança, como sendo o político 'mais preparado' para suceder a Lula.

Tentará agora, desesperadamente, preservar algum espaço institucional vendendo-o como o melhor candidato a prefeito de São Paulo. A ver.

(Carta Maior; Domingo, 29/05/ 2011)

Messi: Copa do Mundo precisa mais dele que o contrário!


Sem pressa para definir o lugar de Messi na história. Vamos desfrutar - por Leonardo Bertozzi

Haverá muito tempo para a história se encarregar de registrar o lugar de Lionel Messi entre os grandes do futebol. Se hoje, aos 23 anos, seu nome já é citado ao lado dos maiores gênios que o esporte já viu, imagine o que ainda pode acontecer daqui em diante. Porque não sabemos se ele já alcançou seu auge.

Seus números crescem em progressão assustadora. 38 gols na temporada 2008/09. 47 em 2009/10. Termina a temporada 2010/11 com 53 gols. Nas três campanhas ele foi artilheiro da Champions League.

Títulos? Já são quinze. Três da Champions, um Mundial de Clubes, cinco ligas espanholas. Quatro Supercopas europeias e uma espanhola, além de uma Copa do Rei.

Mas não são apenas os números a exaltar Lionel Messi. São os lances de seu imenso repertório. Bem mais que o gol de fora da área na final contra o Manchester United. Também a "caneta" em Vidic. E a arrancada por entre os marcadores antes do aliviante 3 a 1 de Villa.

Não cola mais a desculpa de que Messi tem seus momentos de genialidade em um desequilibrado Campeonato Espanhol. Ele faz a qualquer hora. Contra qualquer um.

Na última atuação tão impressionante de um time em uma final de Champions, o Barcelona estava do lado oposto: os 4 a 0 do Milan de Capello em 1994. Se não copiou o placar, copiou a autoridade do time rossonero naquela noite. Talvez tenha até superado, graças ao argentino.

Pep Guardiola afirmou que Messi é o melhor jogador que já viu, e não acredita que verá um melhor. "Temos grandes jogadores, mas ele faz a diferença, e sem ele não teríamos esse algo mais em qualidade. Ele é único", descreveu o treinador na coletiva pós-jogo.

É difícil atribuir a Messi uma posição. Não é apenas meia, não é apenas atacante. Não é centroavante, apesar de ser goleador. É como Cruyff no magistral Ajax tricampeão europeu no início dos anos 70, um dos melhores intérpretes do que se chamou "futebol total". Ou como Hidegkuti na fenomenal Hungria da década de 50.

Na história da Copa dos Campeões, nomes como Di Stéfano, Van Basten e Zidane já merecem a companhia de Messi no rol dos maiorais.

O que Messi ainda pode alcançar? As glórias com a seleção argentina. Em julho, terá uma Copa América em seu país, onde poucas vezes atuou como profissional. Pode ser o protagonista do título que acabaria com um jejum de 18 anos para a Albiceleste. E em 2014, no Brasil, terá a oportunidade de se transformar de gênio em lenda.

Tudo isso o tempo dirá. Mas Messi, cada dia mais, dá a sensação de que a Copa do Mundo precisa mais dele do que o contrário.

Link:

http://espn.estadao.com.br/leonardobertozzi

Messi - Todos os 53 Gols na temporada 2010/2011 pelo Barcelona Campeão Espanhol e Europeu!

Mauro Beting: Messi é mais que um gênio e Barcelona é mais que um clube!


Mauro Beting: Messi é mais que um gênio e Barcelona é mais que um clube!

Barcelona 3 x 1 Manchester United - por Mauro Beting!

Messi é mais que um gênio, Barcelona é mais que um clube agora tetracampeão europeu. O mosaico da torcida blaugrana “We Love Football” não é só um lema, é admiração recíproca. Eles amam o futebol espetacular desse time como a bola é apaixonada pela equipe de Iniesta, Xavi e Guardiola. Um time que há 185 jogos seguidos tem mais posse de bola que qualquer rival. Uma equipe que não tem adversário nos últimos 40 anos no futebol mundial.

O United até então invicto (como na final de Roma, em 2009) foi melhor nos primeiros 10 minutos – como há dois anos, marcando à frente. Depois, com o recuo natural, e pela posse absurda do Barça, as bolas voltaram aos seus lugares. O Barça de sempre, com Messi saindo mais da área, Pedro à esquerda, Villa na direita, e Mascherano marcando o isolado Chicharito (pelo desconforto muscular que deixou Puyol no banco). Rooney era o meia-atacante do 4-4-1-1 de Ferguson, travando Busquets. Valencia fechava para seguir Iniesta, Park corria atrás de Daniel Alves e, às vezes, à frente de Messi, Giggs cercava Xavi. Carrick deveria bloquear o argentino, dando um pé a Ferdinand e Vidic.

No papel, ótimo. Na prática, o Barça foi tecendo as conexões, estabelecendo seus intermináveis e intricados conduítes, e o gol era questão de Xavi (livre) achar Pedro (ainda mais livre) e abrir o placar, aos 26. Aos 33, belo (e irregular) gol de Rooney empatou um jogo que já era catalão. E ficaria ainda mais na segunda etapa.

Valdés não fez uma defesa difícil. Van der Sar, em sua despedida de brilhante carreira, fez três. Mas talvez pudesse fazer algo mais quando Messi, aos 8, recebeu livre, limpou à frente de Vidic, e desempatou. Doze gols em 12 jogos da Liga. Mais um golaço dos sete titulares da base barcelonista, responsável por 70% dos gols da equipe em 2010-11.

O terceiro, de Villa, aos 23, nasceu da enésima sucessão de dribles de Messi, e um golaço no ângulo do United. Para a festa merecida em que, até para erguer o troféu, o Barcelona passou a bola a um companheiro. O capitão Puyol deixou que Abidal, operado em março de um tumor no fígado, erguesse o terceiro título europeu deste século ao melhor time do mundo desde 2001 – sem discussão. Ao maior time da história barcelonista – idem.

E, insisto, como a bola insiste em se insinuar para Messi, a melhor equipe que vi desde 1972, quando era garoto, e passei a ver e amar futebol.

Não por acaso, um time com gente que se adora e é amada pela bola desde que jogavam de meninos, na cantera de La Masia, casa dos niños do Barcelona tetracampeão europeu.

Para o bem do futebol, depois de uma final onde o grande vencedor foi o próprio esporte, que venha o Santos de Neymar e Ganso, no Mundial do Japão.

Link:

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2011/05/28/barcelna-3-x-1-manchester-united/

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Espetáculo surrealista - por Gilles Lapouge!

Espetáculo surrealista - Gilles Lapouge – O Estado de S.Paulo

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, abriu com grande pompa a Cúpula do G-8, as oito nações mais ricas do planeta, em Deauville, belo e elegante balneário turístico na costa da Normandia. Há dois séculos, Napoleão III adorava frequentá-lo, e sua mulher, Eugénie de Montijo, ali se banhava de maiô guarnecido de grandes saias.

Sarkozy tem motivos para se rejubilar. Normalmente, um outro francês estaria presente nessa cúpula do G-8, Dominique Strauss-Kahn (DSK), o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja presença teria com certeza eclipsado a de Sarkozy.

Mas DSK, depois de uma vertigem inexplicável, teve a ideia, há 10 dias, de violentar uma jovem negra em sua suíte no Hotel Sofitel em Nova York. Num instante, DSK caiu na sarjeta como um boneco desengonçado. Ele desapareceu das telas. E Sarkozy reina sozinho, grandioso e eterno sobre a cúpula do G-8, sobre o “planeta dos ricos”.

Esse “planeta dos ricos” tem uma aparência curiosa. Entre os oito ricos, há seis pobres, depois de excluídos a Rússia e o Canadá.

Examinemos esses pobres: a dívida pública do Japão é de 200% de seu Produto Interno Bruto (PIB), belo desempenho, e seu déficit orçamentário de 10% do PIB. Os Estados Unidos, comprovado colosso, tem uma dívida interna da ordem de 90% do seu PIB e um déficit orçamentário de 9%. Para a Alemanha, essas cifras são de 83% e 3,3%. Para a Inglaterra, 80% e 10%. Na Itália, a dívida pública se avizinha de 119% do PIB e o déficit orçamentário de 4,6%. Na França, as duas cifras são 82% e 7%.

Desastre, portanto. E ainda mais surpreendente quando se comparam esses balanços ridículos com os de países que não fazem parte do clube dos ricos, aqueles chamados de “emergentes” (China, Índia, Brasil, África do Sul) cujas finanças estão mais sadias que as dos países do Norte.

Um exemplo: as reservas cambiais da China somam US$ 3 trilhões. Esses US$ 3 trilhões estão investidos, aliás, em grande parte, em bônus do Tesouro americano.

Deauville é, portanto, um espetáculo surrealista. À mesa dos oito ricos se banqueteiam e peroram oito “mendigos”, enquanto no serviço, no subterrâneo, estão os verdadeiros ricos, a China e países do Sul, que não têm acesso ao banquete.

Estamos num mundo da ilusão, do discurso, da mentira. Os “ricos” fazem como se estivessem no ano de 1920 ou de 1950 quando o resto do planeta morria de fome.

Os oito países de Deauville lembram aristocratas decaídos que continuam a viajar nos carros suntuosos do Orient Express quando, na realidade, mal têm com que pagar uma velha charrete puxada por um burro cambaio.

Mas os países ricos não perderam a pose. Eles seguem em frente com seu número de prestidigitação. Eles são tão bons oradores que os outros, os dito “pobres”, ainda os escutam.

O caso do Fundo Monetário Internacional é, desse ponto de vista, notável. Eis um organismo internacional criado em 1954 e confiado em seguida aos “ricos” que são tão mais inteligentes, para manter o equilíbrio financeiro mundial e ajudar os “países pobres” – os países do Sul – a fecharem suas contas orçamentárias, a pagarem suas dívidas, etc.

Hoje, porém, que os “ricos” estão “pobres”, seria lógico que a direção do FMI não coubesse aos europeus, como ocorre há 60 anos em nome de uma tradição não escrita, mas aos novos países ricos, aos emergentes.

E o que acreditam que ocorrerá? Acham que o FMI vai para um indiano, um mexicano, um ruictro? Absolutamente. Ele retornará a um europeu (quase certamente à ministra das Finanças da França, Christine Lagarde). Por quê? Como vou saber?

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK


Link:

http://blogdofavre.ig.com.br/2011/05/espetaculo-surrealista/

quinta-feira, 26 de maio de 2011

José Simão: CPI quer dizer Comissão de Perguntas Imbecis!

JOSÉ SIMÃO: Sarney cancela o fim do mundo!

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Estão adiando tanto a data do fim do mundo que vai acabar sediado no Brasil, no estádio do Corinthians
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BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

"Após 11 anos do crime, Pimenta Neves é preso." Mas JÁ? Pra que essa pressa toda?
E o Rubinho sumiu! "Procura-se tartaruga perdida, grande estima, com a família há 18 anos. Gratifica-se bem!" Quem tava tomando conta da tartaruga, o Suplicy?

E o Corinthians quer contratar novo técnico: o Palófi! Assim já começa com 20 pontos a mais.

E esta da Folha: "Sexo oral dá câncer na boca". Como disse uma amiga minha: "Por que não avisaram isso ontem?". Sexo oral dá câncer na boca! Errado. Sexo oral dá cãibra na boca! Rarará! No máximo pode dar LER: lesão por esforço repetitivo! E sabe como se fala sexo oral em Minas? Chupar um queijo! Rarará!

Não dá pra fazer mais nada: beber dá ressaca e cirrose, transar dá Aids e churrasco dá colesterol. Viver dá câncer!

E o fim do mundo? E aquele monte de americano panaca esperando o fim do mundo? Que não veio! Diz que foi o Sarney que cancelou o evento: "Como fim do mundo? Eu ainda tenho 50 mandatos pra cumprir". E estão adiando tanto essa data do fim do mundo que vai acabar sendo sediado no Brasil, no estádio do Corinthians.

E o discurso do Obama? Folha: "Obama quer Estado palestino com as fronteiras de 1967!". "Piauí Herald": "Obama quer Suzana Vieira com o traçado de 1967". Quando ela ainda tinha 82 anos.

Sensacionalista: "Após plano de paz para a Palestina, Obama tem nova missão: quer que o Serra dê um abraço no Fernando Henrique". Rarará!

E eu já sei o que vão perguntar pro Palófi na CPI: "Como o senhor conseguiu multiplicar tudo por 20? Nós também queremos!". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E por que eu sou contra a CPI? CPI quer dizer Comissão de Perguntas Imbecis. Na última CPI um deputado perguntou: "Qual o seu modess operandi'?". O meu modess operandi é o Sempre Livre!

E outra pergunta que eles gostam de fazer: "O senhor leu a "Veja" esta semana?". Rarará! Quem gosta de CPI é telejornal!

E adorei esta: "Ministro tunisiano para a juventude anuncia demissão pelo Twitter". Mas é o ministro perfeito pra juventude. Não pode pedir demissão! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza.

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2605201102.htm

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Boa percepção escolar melhora o desempenho, diz Brian Perkins!

Boa percepção escolar melhora o desempenho

DIRETOR DE ESCOLA DE FORMAÇÃO DE EDUCADORES NOS EUA DEFENDE COMUNICAÇÃO E CONFIANÇA COMO PILARES DO APRENDIZADO

MARIA CRISTINA FRIAS - COLUNISTA DA FOLHA

Quanto melhor a percepção de alunos e professores com relação ao ambiente escolar, melhor seu desempenho acadêmico.

Esse é o principal resultado de pesquisas do professor Brian K. Perkins, do Teachers College, da Universidade Columbia, de Nova York, nos EUA, considerado um dos maiores estudiosos do impacto do clima escolar no aprendizado.

Entre as maiores queixas de alunos e profissionais está o bullying (provocação e intimidação no ambiente escolar). Para ele, o melhor modo de enfrentar o problema é promover fóruns de discussão sobre o tema.

Perkins defende também uma política de tolerância zero para agressões.

Para conseguir o envolvimento dos pais com a escola, o especialista sugere que se criem condições para que professores visitem as famílias dos alunos.

Perkins, que também dirige o programa Urban Education Leadership, de Columbia, deu palestra sobre o tema a diretores da rede pública estadual de São Paulo, na semana passada, a convite da Fundação Lemann.

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Folha.

Folha - Qual a correlação entre ambiente escolar e os resultados dos alunos?

Brian Perkins - Notamos que alunos com percepção positiva do ambiente escolar eram estatisticamente correlacionados a resultados melhores em testes. O mesmo quando indagamos professores. Quando estudantes têm boa percepção, sua performance é melhor.


Quais são maiores reclamações nas escolas dos EUA?


Há três maiores. A primeira é bullying. Estudantes sentem que acontece frequentemente, de um jeito variado. Não é só violência física, mas também psicológica. Há também essa nova dimensão do bullying cibernético, quando alunos ameaçando e são atacados pela internet, pelas redes sociais.

A segunda preocupação nas salas de aula refere-se a expectativas de sucesso acadêmico. Estudantes de determinadas raças ou classes sociais são em alguns casos tratados melhor do que os que não são desses grupos.

Expectativas de que você como estudante tem de ter um bom desempenho ou, em alguns casos, quando eles dizem "não esperamos que você tenha bom desempenho".

E a terceira é a dimensão que chamo de confiança, respeito e cuidado. Se o aluno se sente respeitado e o professor se sente respeitado. Se há confiança entre professores e alunos, professores e diretores, pais e diretores.


Como criar esse ambiente baseado em confiança?

Acontece ao criar um fórum. Você não só espera que as pessoas saibam que podem acreditar em você. Elas têm de conhecer você como indivíduo confiável, baseadas na experiência. Não é só falando. É também fazendo. Algumas pessoas pensam que podem falar de um jeito e agir de outro. Mas você deveria viver o que você fala.

O que o sr. sugere? A professora deve ter um momento para conversar...

Certamente, deve haver um fórum. Pode não ser todo o dia, pode ser uma vez por semana. Você estabelece o tempo em que essa conversa ocorre. Às vezes são cinco minutos no final da aula. Ou feedbacks por escrito.

Distribuo papéis: digam uma coisa que foi bem e uma que não foi bem em nossa aula hoje. E aí eu tenho a chance de olhar e fazer ajustes.

Se alguma coisa aparece, que eu acho que foi importante e mencionada por muita gente, tenho a oportunidade de, no dia seguinte, esclarecer, de me desculpar.

E quando faz esse tipo de coisa, as pessoas começam a confiar. Porque eles acreditam que você está ouvindo e que você é um participante, que você não é uma pessoa na frente da sala e que esse é o seu reino. Que eles são participantes valiosos também.

Isso se constrói ao longo do tempo e, em alguns casos, têm de ser todos os dias. Na universidade, faço todos os dias. Às vezes, dizem "hoje foi um dia terrível", "isso não funcionou" e, outras vezes, "eu adorei nosso exercício".

Levo tudo em consideração. Em alguns dias, não há nada que possa fazer diferente. Mas comunicar é importante e não leva muito tempo. Minha recomendação é que construa experiências que permitam às pessoas confiar em você, a conhecê-lo e a respeitá-lo. Não acredite que isso acontece apenas porque estamos na sala juntos. Faça de propósito.

Professores mais rigorosos ou mais liberais, quem, em geral, têm mais problemas com bullying? Eles têm um papel?

O bullying acontece independentemente de o professor ser severo ou não. Alunos vão encontrar um jeito de fazê-lo se esse for o seu estilo, fazem de outras maneiras em outros lugares e horários.

Estou convencido de que 90% do mau comportamento dos alunos é resultado de um mau programa de ensino.

Se estou em frente da classe e uso metodologias que são envolventes, que fazem os alunos ouvirem, se os mantenho entusiasmados com o que estamos fazendo e se isso é relevante para eles, sobra menos tempo...

Mas se o que estou falando faz você dormir, ficar entediado, você fica procurando coisas com que se envolver...

Vi escolas no Rio onde os alunos estavam animados fazendo matemática. Fiquei olhando e era por causa do que o professor estava fazendo. E como o dia estava estruturado: o professor usando só alguns minutos para dar informações novas e deixando os alunos trabalharem em pequenos grupos e conversar e ensinar uns aos outros.

Você tem melhores resultados quando as pessoas se sentem confortáveis, abertas a aprender. Controlar a situação não é ter as pessoas sentadas quietas, mas sim tê-las envolvidas.

Quando entro em uma classe onde as pessoas estão olhando quietas para o professor, não considero essa uma boa experiência de aprendizagem. Não somos robôs e não aprendemos só ouvindo.

Seres humanos aprendem fazendo. Aprendemos língua ouvindo, falando e escrevendo. Os bons professores introduzem a informação e dizem "pratiquem".

Posso ir de aluno em aluno e fazer perguntas, "você fez um erro aqui, me explique como você pensou isso". Enquanto pergunto, há alunos que entenderam e ajudam outros a seu lado.

Já vi estudantes que trabalham tão bem quanto qualquer professor, explicando como fazer. E eles aprofundam seu conhecimento ao ensinar.

Sobre o caso na escola de Realengo, no Rio, onde um ex-aluno matou estudantes, é possível dizer algo sobre o papel do bullying?

Pelo que li, era um ex-aluno infeliz com sua experiência na escola. Mas não foi diferente do que ocorreu nos Estados Unidos. Tivemos uma meia dúzia de assassinatos em escolas. Não se pode atribuir sempre a culpa à escola, mas é importante minimizar as más experiências nesse ambiente.

Tornou-se uma tendência atribuir tudo a bullying no Brasil...

Aconteceu o mesmo nos EUA. Mas, realmente, penso que, também aqui no Brasil, até que isso acontecesse, ninguém prestava atenção. Foi certamente uma "chamada para acordar".

"Até agora, nós só assumimos que bullying era parte da escola e que isso acontecia. Mas agora estamos pensando que talvez tenhamos de pensar atenção a seu impacto."

Alunos estão mais sensíveis hoje ou o bullying está mesmo pior nas escolas, até em razão do uso da internet?

Sempre existiu, não sei se está pior. É difícil afirmar porque nem todos os casos são informados. Muitos não são detectados. Se você presta atenção e deixa os alunos desde pequenos saberem o que não é um comportamento aceitável, você tem menos problemas.

Qual o papel dos diretores?

Devem ter menos papel administrativo e entrar mais nas salas de aula. Comunicar aos professores que o bullying não é aceitável.

É preciso ter instruções claras precisas de como lidar com bullying. É preciso ter uma política de não tolerância. E tem de haver uma conversa específica sobre o que é ou não intencional.

"Como você reage quando é com você? Como você administra o processo?" Com ambos, além da pessoa que faz. "Por que você está fazendo isso?" Existe algo a ser processado aqui.

Não apenas punição. A punição pode ocorrer, mas leve a pessoa a refletir sobre o que ocorre. Porque normalmente essas atitudes são sintomas de questões psicológicas.

Tem de haver discussão e programas para se aprender habilidades sociais, assim como aprendemos habilidades matemáticas.

Como fazer com alunos que vão à escola apenas como um evento social?


Não há uma única resposta para isso.

Quando estabelecido que há crianças em perigo social, temos que imaginar como especializar ou oferecer a elas uma experiência de educação diferente. Não disse menos experiência, mas uma experiência diferente.

Mas entendemos que algumas crianças têm o conceito de que educação não é importante. A abordagem que temos usado diz que é preciso reconhecer que os direitos à educação de um não podem se sobrepor ao direito dos outros.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2305201123.htm

Ascensão islâmica preocupa o secularismo tunisiano!

Ascensão islâmica preocupa o secularismo tunisiano - Por SCOTT SAYARE

TÚNIS - Acusados de subversivos ou terroristas, eles sofreram o peso principal da repressão no reinado do ditador tunisiano -vinte anos de tortura, prisão e exílio.

Mas, desde a fuga do ditador em questão, o presidente Zine el Abidine Ben Ali, em janeiro, os islâmicos do Partido Ennahda, antes proscrito, emergiram da obscuridade e se firmaram como possivelmente a força mais poderosa na Tunísia pós-revolucionária.

Apesar de reiteradas declarações de sua tolerância e moderação, sua ascensão desencadeou rumores de ataques contra artistas e mulheres sem véu. Com eleições cruciais marcadas para 24 de julho, a popularidade e a força organizacional do Ennahda são motivos de preocupação crescente para muitos ativistas e políticos, que temem que a revolução secular neste Estado moderado -a revolta que desencadeou a primavera árabe- possam levar ao surgimento de um governo islâmico conservador.

Analistas políticos enxergam a Tunísia como indicador de tendências dos fatos de influência mais ampla que estão por vir no Egito, onde a Irmandade Muçulmana vem suscitando receios semelhantes.

"Como vocês imaginam que possamos resistir ao Ennahda?" indagou um exasperado estrategista da Aliança Republicana, um partido secular. "O Ennahda está preparado para qualquer coisa."

O estrategista defende o adiamento das eleições. "O dia 24 de julho é um favor ao Ennahda", disse. "É suicídio." Com o Ennahda no poder, "isto viraria um Irã."

O Ennahda diz que esses receios são infundados. "Desejamos uma sociedade livre, aberta e moderada, onde os cidadãos tenham direitos iguais", disse Abdallah Zouari, um porta-voz do partido, que, segundo ele, pede direitos iguais para homens e mulheres, muçulmanos e não muçulmanos.

"Não estamos de acordo com os secularistas que querem forçar outros ao secularismo", disse Zouari, "do mesmo modo como somos contrários aos salafistas que objetivam forçar outros ao islamismo."

As pesquisas de opinião sugerem que o Ennahda -o nome significa "renascimento" em árabe- tenha apoio maior dos eleitores que qualquer outro dos cerca de 60 partidos políticos. A eleição de julho criará assembleia encarregada de reescrever a Constituição.

As desconfianças em relação ao partido permanecem amplas. "Eles estão falando em novilíngua, e todo o mundo sabe disso", disse Ibrahim Letaief, apresentador de um programa da rádio Mosaique FM. Para ele, o Ennahda só vem abrandando seu discurso para conseguir mais votos.

Dos 10,6 milhões de habitantes do país, 98% são muçulmanos. A religião é ensinada nas escolas. Mas líderes religiosos nunca exerceram papéis no governo.

Habib Bourguiba, o pai da independência tunisiana e primeiro presidente, foi um secularista ferrenho que proibiu a poligamia, legalizou o aborto e tomou suco de laranja na TV durante o jejum do Ramadã a fim de afrontar os fiéis.

O Ennahda prometeu manter as reformas sociais de Bourguiba, tendo votado em favor de uma regra que requer números iguais de homens e mulheres nas listas de candidatos eleitorais de julho. Líderes do partido comparam o Ennahda ao tolerante partido islâmico que governa a Turquia.

Outros grupos islâmicos tunisianos rejeitam o Ennahda por ser excessivamente secular, e muitos analistas veem o partido como sendo nitidamente moderado.

Mesmo assim, o Ennahda teme que muitos tunisianos tenham renunciado "à identidade árabe-muçulmana", disse Zouari. O partido é forte no interior pobre da Tunísia, fato que constitui um reflexo do abismo cultural que separa a "elite extremamente ocidentalizada" em Túnis e outras cidades costeiras -muitos membros da elite viviam muito bem sob Ben Ali- do restante do país, disse Kader Abderrahim, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas em Paris.

"A questão", disse Abderrahim, é se a elite "está disposta a aceitar que exista uma parte da população que vive de maneira diferente e tem outras convicções." A estabilidade política "não existirá sem os islâmicos", disse ele.

Nour Ayari, 19, disse que votará no Ennahda. Ayari, que vende caixas de prata de casamento na barraca de sua família no bazar Blaghjia, trajava um diáfano "hijab" branco -véu proibido por Ben Ali, mas legalizado após sua partida. Hoje, as mulheres também podem aparecer de véu em fotos oficiais. "É graças ao partido", disse ela, aludindo ao Ennahda.

Ayari rejeitou os receios de que o partido possa estar ocultando intenções fundamentalistas por trás de uma fachada moderada. "Por que eles quereriam mudar seu discurso depois?", questionou. Para ela, os adversários do Ennahda ainda possuem "um reflexo de medo" instilado durante o regime de Ben Ali. Abderrahim, o pesquisador, descreveu isso como "paranoia".

Com reportagem de David D. Kirkpatrick, do Cairo

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2305201105.htm

Lucro de empresas abertas cresce 41,5% no primeiro trimestre!

Lucro de empresas abertas cresce 41,5% no primeiro trimestre - da Folha.com

Levantamento da consultoria Economática com 307 empresas de capital aberto no Brasil aponta que o lucro somado dessas empresas cresceu 41,5% entre o primeiro trimestre de 2010 e o mesmo período neste ano.

No mesmo período, a inflação acumulada é de 12% (IGP-M). Porém, sem os resultados da mineradora Vale e da estatal petrolífera Petrobras, a taxa de crescimento cai para 13,6%.

Enquanto a mineradora mais que triplicou (292%) o seu lucro entre os dois trimestres, que atingiu R$ 11,29 bilhões, a petrolífera viu seus ganhos aumentarem 42,2% no mesmo período, ao apurar um resultado líquido de R$ 10,98 bilhões. As cifras combinadas responderam por aproximadamente 43% do lucro total da amostra de empresas verificada pela Economática.

As 307 companhias de capital aberto examinadas pela Economática tiveram um lucro somado de R$ 51,887 bilhões no primeiro trimestre deste ano, ante R$ 36,662 bilhões.

Para esse levantamento, a consultoria examinou os números disponíveis no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/919550-lucro-de-empresas-abertas-cresce-415-no-primeiro-trimestre.shtml

Superávit comercial cresce 86% no acumulado de 2011!

Balança comercial tem saldo de US$ 286 mi na 3ª semana de maio - da Folha.com

A balança comercial brasileira registrou superavit de US$ 286 milhões na terceira semana de maio e acumula US$ 2,74 bilhão no mês.

O resultado foi divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento e compreende o período que vai de 16 de maio ao dia 22. O saldo comercial é resultado da diferença entre exportações e importações.

No acumulado do ano, o superavit chega a US$ 7,77 bilhões. Na comparação do acumulado do ano, 2011 registra um resultado 86% superior ao resultado de 2010 (US$ 4,18 bilhões).

Na segunda semana de maio, as vendas brasileiras ao mercado externo foram da ordem de US$ 5,20 bilhões, com média diária de US$ 1,04 bilhão. Enquanto as importações chegaram a US$ 4,92 bilhões, com média diária de US$ 984 milhões.

No acumulado do ano, as exportações foram de US$ 87,67 bilhões e as importações chegaram a US$ 79,89 bilhões.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/919513-balanca-comercial-tem-saldo-de-us-286-mi-na-3-semana-de-maio.shtml

Cientistas estão otimistas na busca pela vida extraterrestre!

Cientistas estão otimistas na busca pela vida extraterrestre - Por GUY GUGLIOTTA

Para quem procura vida em outros mundos, a água em sua forma líquida talvez seja o principal indicador. A vida tal qual a conhecemos na Terra se baseia em água e carbono. E, se os organismos podem prosperar aqui em ambientes desagradáveis -gêiseres, profundezas abissais, resíduos tóxicos, água quente demais, fria demais, ácida demais ou alcalina demais-, por que não lá fora?

Os cientistas por anos consideraram a água líquida uma raridade no Sistema Solar, pois, aparentemente, só a Terra parecia ter os atributos físicos necessários, exceto talvez Europa, uma lua gelada de Júpiter, que, provavelmente, oculta um oceano subterrâneo.

Os últimos 20 anos de exploração espacial, no entanto, têm causado o que o astrobiólogo David Grinspoon chama de mudança de mentalidade. Agora, parece que a gravidade, a geologia, a radioatividade e substâncias químicas anticongelantes, como sal e amônia, deram a muitos mundos "hostis" a capacidade de reunirem condições de temperatura e pressão compatíveis com a existência de água líquida. E as pesquisas na Terra mostram que, se há água, pode haver vida.

Em Marte e em Vênus, nas luas Encélado e Titã, de Saturno, e até mesmo em dois asteróides remotos, os pesquisadores já demonstraram que a presença de água líquida é possível e até provável.

"A vida baseada em água e carbono funciona bem", disse Grinspoon. "Isso não significa que seja o único jeito, mas é o que conhecemos, e isso nos dá algo para procurar." Encontrar água no espaço na forma de gelo nunca foi problema. O hidrogênio é o elemento mais comum no Sistema Solar, e o oxigênio não fica muito atrás.

Já a água líquida é outra questão. O calor do Sol derrete o gelo, mas, no vácuo espacial, não há praticamente nada que mantenha as moléculas aquecidas unidas, fazendo com que elas dispersem imediatamente como vapor. É um processo chamado sublimação.

O gelo, por outro lado, sobrevive a temperaturas baixíssimas, e os detritos espaciais que vagam nos confins gélidos além de Netuno são a maior fonte de água no Sistema Solar. Essas bolas de neve suja entram novamente, na forma de cometas, no sistema planetário. Quando chegam mais perto do Sol, o gelo começa a sublimar, dando aos cometas a sua peculiar cauda de poeira e vapor de água.

Muitos cientistas consideram que grande parte do gelo no âmbito interno do Sistema Solar veio de cometas. Na Terra, os impactos dos cometas no início da história planetária podem ter fornecido essa matéria-prima, e o Sol e a pressão atmosférica teriam se encarregado do resto.

Mas outros mundos intrigam os cientistas. Eles foram capazes de estudar de perto as forças das marés, por meio de sobrevoos da sonda Cassini, da Nasa, sobre Encélado. Em 2005, a Cassini descobriu que essa lua, com um diâmetro de 480 km, expele grãos de gelo a partir de fissuras na sua região polar sul. Os grãos eram a "poeira" que forma o anel E de Saturno, e os cientistas suspeitam que as partículas vieram de uma fonte líquida sob a superfície.

"Eu não diria que é certo, mas eu daria 80% a 90%", disse John Spencer, cientista do Instituto de Pesquisas do Sudoeste, em Boulder, Colorado. "As coisas podem ser mais estranhas do que imaginamos, mas, basicamente, suspeito que tenhamos um oceano."

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2305201114.htm

Mercado reduz previsão de inflação pela 3ª semana, aponta Focus!

Mercado reduz previsão de inflação pela 3ª semana, aponta Focus - da Folha.com

O mercado reduziu pela terceira vez consecutiva a previsão para a inflação oficial neste ano --o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)--, passando de 6,31%, na semana passada, para 6,27% nesta segunda-feira. Para 2012, a projeção de inflação se manteve inalterada em 5%.

As informações são do boletim Focus divulgado pelo BC nesta segunda-feira.

A projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) se manteve em 4%. Para 2012, a previsão foi reduzida de 4,20%, na semana passada, para 4,10%.

A previsão de preço para o dólar para este se manteve em R$ 1,62, enquanto para 2012 continua em R$ 1,70.

Já a expectativa do mercado para a taxa básica de juros (Selic) também foi mantida em 12,5% para este ano, e para 2012 permaneceu em 12,25%.

O boletim Focus é elaborado pelo Banco Central a partir de consultas feitas a uma centena de instituições financeiras. Ele expressa, semanalmente, como o mercado percebe o comportamento da economia.

META

O centro da meta inflacionária do BC é de 4,5%. No último resultado do IPCA, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no dia 6, o índice ultrapassou levemente o teto da meta, de 6,5%, chegando a 6,51% no acumulado dos últimos 12 meses. Com a marca, a inflação acumulada no período é a mais alta desde julho de 2005, quando os preços subiram 6,57%.

Link:


http://www1.folha.uol.com.br/poder/919464-mercado-reduz-previsao-de-inflacao-pela-3-semana-aponta-focus.shtml

Na Irlanda, sucesso econômico é triste lembrança!

Na Irlanda, sucesso econômico é triste lembrança

"É como comprar bilhete da loteria do inferno", diz irlandês - Por LIZ ALDERMAN

DROGHEDA, Irlanda - Brian e Rose Condra estão entre centenas de milhares de irlandeses que, nos últimos anos, começaram a se aproximar dos seus vizinhos europeus e, eventualmente, ultrapassaram muitos deles. Mas hoje, depois de uma queda surpreendente alimentada por colapso bancário, a economia voltou para onde estava em 2005, antes que a bolha habitacional provocasse crescimento frenético.

"Os últimos vários anos de crescimento na Irlanda foram apagados", disse Constantin Gurdgiev, um economista do Trinity College em Dublin.

Para muitos irlandeses, é como se o boom nunca tivesse acontecido. E alguns daqueles que flutuaram durante os bons tempos se veem escorregando ainda mais para trás.
"É como se tivéssemos comprado um bilhete da loteria do inferno", disse Condra, que só tem dois pares de sapatos, segundo ele, para conseguir suprir as necessidades dos filhos.

Beneficiando-se dos anos de baixas taxas de juros que se seguiram à criação da zona do euro em 1999, a Irlanda desfrutou de um dos maiores surtos de crescimento da Europa.

Mas desde então, a atividade econômica por pessoa ajustada pela inflação caiu cerca de 18%.

Como parte do esforço da Irlanda para pagar sua imensa dívida e socorrer os bancos, os salários dos Condra em seus empregos públicos como funcionários de hospitais foram cortados em 20% em dois anos. Além disso, o Banco Central, pela primeira vez em três anos, está aumentando as taxas de juros, o que elevará os custos dos empréstimos feitos sobre as hipotecas existentes. Isso assusta ainda mais os Condra.

"Agora, estamos aterrorizados por não conseguirmos pagar nossa hipoteca e termos de mudar para moradias sociais", disse Brian. Até as pessoas que têm boas rendas estão convencidas de que a Irlanda vai enfrentar anos de dificuldades econômicas. E, com o desemprego em 14,7%, milhares de jovens irlandeses continuam deixando o país.

Há sugestões de renovação. As exportações de empresas multinacionais, como Intel, Pfizer e fabricantes menores, estão aumentando, enquanto os salários se tornam mais competitivos e ajudam a reduzir os custos de produção.

Surgiram sinais de uma recuperação do setor imobiliário, com os compradores procurando os últimos leilões para adquirir propriedades em moratória.

A empresa de exportação de farmacêuticos genéricos EirGen Pharma, de Patsy Carney, tem prosperado. Ele manteve os 40 empregados de sua fábrica em Waterford e pretende contratar mais 60 pessoas.

No entanto, reconhece aquilo que o colapso representou para os irlandeses. "Você vê em todo lugar, todo mundo desempregado, e não há nada aparecendo", ele disse.
O maior temor é que o crescimento e os empregos não voltem tão rapidamente quanto se prometeu. Os eleitores irados demitiram o governo em março, fazendo da Irlanda o primeiro membro do clube do euro a punir seus líderes pela condução da economia.

Mas Enda Kenny, o novo primeiro-ministro, tem poucas opções a não ser seguir o plano de austeridade, que o Fundo Monetário Internacional reconhece que está retardando a recuperação. O fundo reduziu sua previsão de crescimento para 2011 de 0,9% para 0,5%.

Dois anos atrás, o salário mensal de Brian Condra como porteiro de um hospital em Dublin era de 1.200 euros. Ele e sua mulher conseguiram começar a economizar para a educação de seus filhos e fizeram seu primeiro empréstimo para comprar uma pequena casa geminada, de tijolos.

Suas fortunas mudaram subitamente, porém, quando os bancos da Irlanda faliram, e o governo decidiu que os contribuintes pagariam a conta, o que representa mais de 10 mil euros por pessoa.

Hoje, Condra ganha 240 euros a menos por mês, e a renda de sua mulher caiu depois que ela reduziu suas horas de trabalho para cortar as despesas com cuidadores das crianças.
A austeridade é dura, mas o maior temor de Condra "é que meus filhos sejam apanhados em uma armadilha de pobreza".

A 45 minutos de percurso de carro, em um confortável subúrbio de classe média de Dublin, Killian e Teresa O'Connell sentem-se gratos por sua posição mais estável. Ele é gerente de projeto de informática em uma corretora de ações de Dublin e foi poupado quando seu empregador demitiu 20% do pessoal.

Apesar dos cortes nos salários e dos aumentos dos impostos desde então, o casal foi prudente e até planeja ampliar sua casa para acomodar quatro meninos em rápido crescimento.

"Se você ainda tem um emprego, está bem -pode sobreviver", disse Teresa O'Connell, que parou de trabalhar para cuidar dos filhos de dois a 11 anos de idade.

Ninguém que os O'Connell conheçam perdeu o emprego ou vai pedir falência. Quase todo mundo que os Condra conhecem, por outro lado, está atrasado com a hipoteca.

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2305201109.htm

Crise grega aumenta número de sem-teto em 25%

Crise fiscal arrasa a psique grega

Desespero toma conta enquanto empregos e receita desaparecem - Por LANDON THOMAS Jr.

Atenas

Com o rosto contorcido de ansiedade, Anargyros D. contou como perdeu tudo depois do colapso econômico grego -a fábrica de processamento de alimentos fundada por seu pai 30 anos atrás, a casa, o carro, o Rolex, o orgulho e agora, segundo ele, a vontade de viver.

"Muitas vezes, pensei em pegar o carro do meu pai e atirá-lo contra um muro", ele disse. Encurvado e trêmulo, ele esteve recentemente no escritório da Klimaka, uma organização de serviços sociais que ajuda o número crescente de profissionais gregos sem moradia e deprimidos que perderam os empregos e a dignidade.

"Nós éramos os que ajudavam os outros na Grécia", ele disse. "Agora, estamos pedindo ajuda."

Faz um ano que a Grécia evitou a falência, quando a Europa e o Fundo Monetário Internacional lhe forneceram uma ajuda de 110 bilhões de euros (US$ 155 bilhões). O desespero dos gregos como Anargyros D. reflete um nível de sofrimento mais profundo do que alguém poderia prever aqui.

Os economistas estão projetando uma contração de 4% do Produto Interno Bruto neste ano. A produção de cimento caiu 60% desde 2006. A produção de aço caiu em alguns casos mais de 80% nos últimos dois anos. Os analistas dizem que cerca de 250 mil empregos no setor privado serão cortados até o fim do ano, elevando o índice de desemprego a mais de 15%.

Com as manchetes gritando sobre o rebaixamento da nota de crédito, os gregos, em pânico, estão tirando seu dinheiro dos bancos. A Grécia perdeu 40 bilhões de euros em depósitos no ano passado, e os banqueiros dizem que os saques aumentaram recentemente.

Essas dificuldades, mais uma vez, fizeram da Grécia um assunto urgente para a zona do euro, de 17 países, cujos ministros das Finanças se reuniram em 16 de maio para falar sobre a crise da dívida. A discussão era se a Grécia receberia mais uma rodada de empréstimos de até 60 bilhões de euros, e quais novos cortes orçamentários serão exigidos em troca. Os ministros europeus pediram que a Grécia inicie um programa de privatização antes de receber mais ajuda.

A prisão em 14 de maio de Dominique Strauss-Kahn, o chefe do FMI, acusado de agressão sexual, poderá criar nova incerteza sobre um pedido de mais austeridade.

Strauss-Kahn, geralmente, favorecia uma abordagem menos onerosa e, como renunciou ao cargo, é possível que se imponham as condições mais duras preferidas pela Alemanha.

Mas, enquanto o debate sobre como consertar a economia grega se desenrolou em público, as maneiras como essa crise está rasgando o tecido social do país são menos conhecidas.

Assistentes sociais e autoridades municipais de Atenas relatam um aumento de 25% no número de sem-teto. No principal "sopão" de Atenas, aparecem 3.500 pessoas por dia contra cerca de cem por dia há dez anos. A idade média dos que os procuram hoje é de 47 anos contra 60 dois anos atrás, aumentando as evidências de que os que sofrem hoje são ex-profissionais. O desemprego para homens de 30 a 60 anos disparou de 4% para 10% desde o início da crise em 2008.

Aris Violatzis, conselheiro de Anargyros D. na Klimaka, diz que as ligações para sua linha de ajuda a suicidas aumentaram para 30 por dia, o dobro de dois anos atrás. "Não podemos imaginar isso", disse Violatzis. "Este é um país em choque emocional."

As evidências do choque são abundantes em Atenas. Em uma segunda-feira recente, uma mulher bem vestida remexia o lixo diante de hotéis cinco-estrelas. Ao anoitecer, a polícia antimotins disparou gás lacrimogêneo contra manifestantes.

Operários da construção demitidos estão vivendo em mansões abandonadas. Um guarda de segurança desempregado disse que passou o último ano dormindo em seu velho carro. E um chef treinado na melhor escola de culinária de Atenas dormiu em bancos de parques durante 18 meses depois que seu emprego no restaurante foi eliminado.

O governo não reconhece os sem-teto como uma categoria social, diz Anta Alamanu, que dirige um abrigo com financiamento privado para a Klimaka, o grupo de serviços sociais. Por isso, não há abrigos para sem-teto mantidos pelo governo.

Quando Kostas DeLazaris, 47, perdeu seu emprego em turismo em Corfu, em 2007, entrou para uma firma de construção em Atenas, mas perdeu esse emprego dez meses atrás quando a indústria da construção estagnou. Hoje, ele dorme no chão em uma casa abandonada, juntamente com duas mulheres gregas e uma família de imigrantes de Bangladesh. "Sinto-me traído", disse. "Eu pago meus impostos. Fazia parte das massas e estou nas ruas agora." Ele ri diante da ideia de um novo acordo com a Europa. "Haverá um terremoto, e sangue será derramado".

De fato, alguns analistas afirmam que uma explosão social está se formando, alimentada pela divisão entre o setor privado duramente atingido e uma força de trabalho pública de cerca de 1 milhão que não experimentou um desemprego significativo.

Crescem as críticas ao premiê George A. Papandreou. Um plano para levantar 50 bilhões de euros até 2015 privatizando empresa pública de energia e trens foi uma decepção. Essas empresas, ainda intocadas pelas reformas, abrigam poderosos sindicatos que, por sua vez, protegem o que alguns consideram milhares de trabalhadores excedentes.

Papandreou abriu profissões fechadas e reformou os sistemas de previdência do país, e muitos gregos o apoiam. Mas os críticos dizem que ele pode estar evitando opções difíceis, acreditando que a Grécia será salva por um novo pacote de ajuda europeu.

Mas não está claro se essa ajuda vai levantar Anargyros D. de sua decepção. Aos 41 anos, ele vive da pensão mensal do seu pai de 962 euros, que foi reduzida de 1.500 euros há um ano. "Tudo estava cor-de-rosa", ele afirmou. "Então, os bancos nos tiraram simplesmente tudo."

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2305201101.htm

Stephen Hawking: O físico mais famoso do mundo!

O cientista mais famoso do mundo - Por CLAUDIA DREIFUS

TEMPE, Arizona - Como Einstein, ele é tão famoso por sua história quanto por sua ciência. Aos 21 anos, o físico britânico Stephen Hawking foi diagnosticado com a esclerose lateral amiotrófica (ELA), a doença de Lou Gehrig, que é geralmente fatal em cinco anos. Mas Hawking sobreviveu e brilhou. Na década de 1960, ele usou a matemática para explicar as propriedades dos buracos negros. Em 1973, aplicou a teoria geral da relatividade, de Einstein, aos princípios da mecânica quântica. E demonstrou que buracos negros não eram completamente negros e que podiam emitir radiação.

Em 1988, Hawking tentou explicar o que sabia sobre o universo ao público leigo em "Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros". O livro vendeu mais de 10 milhões de exemplares.

Hoje, Hawking, 69, é diretor de pesquisas do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge. Ele está quase todo paralisado. Com um músculo da bochecha, ele envia sinais para um sensor nos seus óculos e, assim, escolhe entre as palavras que passam piscando numa tela ligada à sua cadeira de rodas.

O computador fala essas palavras em uma voz metálica familiar para a legião de fãs de Hawking.

Hawking viajou aos EUA no mês passado para um festival de ciências patrocinado pelo Projeto Origens, da Universidade Estadual do Arizona.

Em sua palestra, "Minha Breve História", ele falou das alegrias da descoberta científica. "Eu não a compararia ao sexo", disse ele, "mas dura mais tempo". A plateia urrou. Na tarde seguinte, Hawking concedeu uma rara entrevista. Uma semana antes, dez perguntas haviam sido enviadas a sua filha, Lucy, 40. Para não cansar o pai, que ficou mais fraco após uma doença quase fatal dois anos atrás, Lucy leu as perguntas para ele ao longo dos dias.

Durante nosso encontro, o físico reproduziu suas respostas. Apenas um diálogo, no final, foi espontâneo.

P. O que é um dia típico para o sr.?

R. Eu me levanto cedo todas as manhãs e vou para o meu escritório onde trabalho com meus colegas e alunos da Universidade de Cambridge. Por e-mail, posso me comunicar com cientistas do mundo todo. Obviamente, por causa da minha deficiência, eu preciso de assistência. Mas eu sempre tentei superar as limitações da minha condição e levar a vida mais completa possível. Eu viajei o mundo, da Antártida à gravidade zero [pausa]. Talvez um dia, eu vá ao espaço.

P. Há especialistas em ELA que insistem que o sr. talvez não sofra dessa doença. Dizem que o senhor evoluiu bem demais. Como reage a esse tipo de especulação?

R. Talvez eu não tenha o tipo mais comum de doença neurológica motora, que normalmente mata em dois ou três anos. Certamente, contribuíram os fatos de eu ter um emprego e de ter sido tão bem cuidado. Eu não tenho muitas coisas positivas a dizer sobre a doença neurológica motora. Mas ela me ensinou a não ter pena de mim, pois há quem esteja pior, e a continuar fazendo o que eu ainda consigo. Estou mais feliz agora do que antes de desenvolver o transtorno.

P. Sobre o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o supercolisor na Suíça, havia uma enorme expectativa quando ele foi inaugurado. O sr. está frustrado com ele?

R. É muito cedo para saber o que o LHC vai revelar. Ele levará dois anos para alcançar a potência máxima. Quando isso ocorrer, vai trabalhar com energias cinco vezes superiores a de aceleradores de partículas anteriores. Podemos intuir o que ele vai revelar, mas quando abrimos uma nova gama de observações, descobrimos, muitas vezes, o que não esperávamos. É aí que a física se torna realmente emocionante, pois estamos aprendendo algo novo sobre o universo.

P. Embora o sr. evite expor suas crenças políticas muito abertamente, o sr. entrou no debate sobre a saúde pública aqui nos EUA no ano passado. Por que fez isso?

R. Entrei no debate sobre a saúde em resposta a uma declaração na imprensa [...] de que o Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha teria me matado se eu fosse um cidadão britânico. [...] Sou britânico, vivo em Cambridge, e o Serviço Nacional de Saúde dedica ótimos cuidados a mim há mais de 40 anos.

P. Os cientistas do Fermilab, recentemente, anunciaram algo que um dos nossos repórteres descreveu como "um solavanco suspeito nos dados deles, que podem evidenciar uma nova partícula elementar ou mesmo, dizem alguns, uma nova força da natureza". O que o sr. pensou ao ouviu falar a respeito?

R. É muito cedo para ter certeza. Se isso nos ajudar a entender o universo, seria algo bom. Mas, em primeiro lugar, o resultado precisa ser confirmado por outros aceleradores de partículas.

P. A palestra que o sr. fez aqui em Tempe, "Minha Breve História", foi muito pessoal. O sr. queria deixar um registro para que as pessoas saibam quem o sr. é?

R. [Após cinco minutos] Espero que minha experiência ajude outras pessoas. geoff robins/agence france-presse-getty images Stephen Hawking disse que doença o ensinou a fazer o que ainda consegue, sem ter pena de si.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2305201112.htm

domingo, 22 de maio de 2011

Bresser Pereira: Acordo para o desenvolvimento!

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - Acordo para o desenvolvimento

Uma nação só é forte quando obtém acordo entre empresários, servidores e trabalhadores

Há sinais de que está se formando no Brasil uma coalizão política desenvolvimentista constituída por empresários industriais, trabalhadores e profissionais do setor público. Um acordo político dessa natureza é fundamental para o desenvolvimento econômico, porque este implica sempre a transferência de mão de obra para setores com valor adicionado per capita cada vez maior.

O tema central de meus estudos foi sempre o desenvolvimento ou o progresso; foi a busca pelas sociedades modernas dos grandes objetivos políticos que elas definiram historicamente para si próprias: segurança, bem-estar econômico, liberdade, igualdade e proteção do ambiente.

Esses objetivos nem sempre são coerentes uns com os outros, mas existe uma sinergia básica entre eles que faz com que os países mais desenvolvidos economicamente -aqueles que garantem a seu povo maior bem-estar econômico- tendam a ser também os que mais se aproximam dos outros quatro objetivos. Há exceções, mas países do norte da Europa são a melhor comprovação desse fato.

O desenvolvimento econômico não é, portanto, o único objetivo político das sociedades modernas, mas é seu objetivo mais estratégico.

Nesses estudos aprendi também que o fator político fundamental por trás de todos os países que se desenvolvem vigorosamente e realizam o "catching up", ou alcançamento, é uma nação forte ou coesa, que se mostre capaz de constituir um Estado capaz e um mercado eficiente: um Estado que lhe sirva de instrumento principal na busca de seus cinco objetivos políticos e um mercado livre e bem regulado, que premie as inovações dos empresários e os esforços dos trabalhadores e dos profissionais.

Ora, uma nação só é forte quando é capaz de tecer um grande acordo social entre empresários industriais, profissionais públicos e os trabalhadores.

Um acordo que defina de maneira informal uma estratégia nacional de desenvolvimento. E que crie oportunidades de investimento lucrativo para os empresários, ao mesmo tempo em que promove no médio prazo o aumento dos salários. Porque é o aumento do investimento, e, em consequência, da poupança que promove o crescimento.

Para que esse pacto político faça sentido, há um pressuposto e duas condições. O pressuposto é o de que o investimento será tanto maior quanto maiores forem as oportunidades de investimento lucrativas, que, por sua vez, serão tanto maiores quanto mais o país conseguir neutralizar a tendência à sobreapreciação cíclica da taxa de câmbio e exportar bens manufaturados.

A primeira condição é "externa": que essa coalizão política derrote politicamente a coalizão alternativa formada principalmente por rentistas e pelos interesses estrangeiros, para que parte de suas rendas possam ser transferidas para os lucros das empresas produtivas. A segunda é "interna": que os trabalhadores aceitem uma redução provisória de seus salários, porque a necessária desvalorização inicial do câmbio tem essa consequência.

A notícia de que a Fiesp, duas centrais sindicais e os dois grandes sindicatos estão em fase adiantada de negociação de um grande acordo pró-indústria ("Valor Econômico", 20.mai.2011) é uma indicação de que, afinal, uma grande coalizão desenvolvimentista está se constituindo no Brasil. Resta saber se esta coalizão terá apoio político na sociedade, serão criadas mais oportunidades de investimento e o país voltará a crescer aceleradamente como o fez entre 1930 e 1980, ou se nós continuaremos reféns do rentismo e dos conselhos vindos do Norte.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2205201109.htm

Kissinger explica China-potência ante ansiedade americana!

Kissinger explica China-potência ante ansiedade americana

INTERLOCUTOR DE MAO, ELE EXPLICA ASCENSÃO CHINESA E SUGERE COMO EVITAR CONFLITO

RAUL JUSTE LORES - EDITOR DE MERCADO

O governo chinês precisa "criar" a cada ano 24 milhões de empregos, 7 milhões deles para recém-formados, para evitar uma turbulência social de multidões.

"Por isso a valorização do yuan, que afetaria a indústria exportadora chinesa, não é tão simples assim".

Em tempos de ansiedade com a ascensão chinesa nos círculos empresariais e políticos americanos, o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger esmiúça 200 anos de história recente do país em "On China" [sobre a China], livro lançado na última terça nos EUA.

E ainda sugere um plano de relacionamento entre as superpotências que evite um futuro conflito bélico, como o ocorrido há um século entre a então emergente Alemanha e a superpotência da época, o Reino Unido.

Kissinger insinua um G2 de fato. "A relação de EUA e China é elemento central para a busca por paz e bem-estar globais", descreve.

Sua experiência pessoal é única. 50 viagens nos últimos 40 anos, incluídos banquetes com gerações de lideranças comunistas. Em 1971, Henry Kissinger visitou secretamente Pequim, no início do restabelecimento de relações entre EUA e China. Deixou o Air Force One no Paquistão e fez um pinga-pinga aéreo entre Bancoc e o destino final.

Ele despistou a imprensa -o público americano e a liderança comunista abortariam a reaproximação se qualquer informação vazasse em plena Guerra Fria.

No mundo pós-WikiLeaks, Kissinger faz uma defesa do secretismo necessário à diplomacia e do pensamento de longo prazo.

Aos 87 anos, o ex-secretário de Estado americano combate a ignorância em relação à nova superpotência, fazendo um paralelo entre as excepcionalidades americana e chinesa.

Fala que ambos os países têm empreendedorismo único, patriotismo arraigado e sentimento de grandeza em relação ao resto do mundo.

Mas, argumenta, enquanto americanos têm uma atitude missionária, de espalhar seus valores e ideais ao mundo, os chineses nunca demonstraram esse interesse, apesar de se verem como uma civilização superior, com papel central no mundo (o nome do país em chinês é ZhongGuo, o País do Meio).

"Nem sempre concordo com os chineses, mas é importante entender a perspectiva deles", escreve.

TESTA NO CHÃO

Até meados do século 19, a China só tinha relações diplomáticas com a Rússia e se referia a qualquer povo fora do império como "bárbaro".

Até em comunicações oficiais com o Reino Unido os nobres britânicos eram chamados de bárbaros.

Visitantes estrangeiros deviam se prostrar três vezes diante do imperador, "filho dos Céus" na Terra, encostando a testa no chão, e pagar tributos.

O isolamento chinês de quase 5.000 anos é descrito fartamente no livro. Sinólogos reclamam que Kissinger traz pouca novidade para quem já estudou muito a China. Mesmo os encontros de Kissinger com Mao Tse-tung e Chou En-lai foram descritos em obras anteriores.

Aos recém-chegados no mundo China, o livro é uma minuciosa introdução ao país e a suas idiossincrasias.

Como o autor trabalha de consultor no eixo Washington-Pequim, suas críticas à discutível ética do capitalismo chinês são brandas.

Ao contrário de biografias recentes, que ao demonizar Mao não conseguem explicar a fascinação que despertou em milhões, Kissinger diz que Mao deixou a China unificada como não fora por séculos e que eliminou vestígios do regime agrário imperial, "permitindo as reformas posteriores, jamais pretendidas pelo grande timoneiro".

No epílogo, ele trata do temor americano à desafiante e autoritária China. Kissinger admite que falta um inimigo comum a uni-los hoje (na Guerra Fria, a ameaça soviética aproximou Nixon e Mao), mas sugere criar uma Comunidade do Pacífico, que ambas as potências teriam interesse em estabilizar e desenvolver, como EUA e Europa na Otan do século 20.


ON CHINA
AUTOR Henry Kissinger
EDITORA Penguin Press
QUANTO US$ 19,80 (R$ 31,87) na Amazon (589 págs.)
AVALIAÇÃO Ótimo

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2205201108.htm

S&P rebaixa perspectiva dos ratings da Itália para negativa!

S&P rebaixa perspectiva dos ratings da Itália para negativa

"A perspectiva atual de crescimento da Itália é fraca", ressalta a agência de classificação de risco - AE | 20/05/2011

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a perspectiva dos ratings da dívida soberana da Itália de "estável" para "negativa". Os ratings foram mantidos, o da dívida de longo prazo em A+ e o da dívida de curto prazo em A1+. O rating de transferências e conversibilidade foi mantido em AAA.

"Em nossa opinião, a perspectiva atual de crescimento da Itália é fraca e o compromisso com reformas para fomentar a produtividade parece estar falhando, e um impasse político potencial poderia contribuir para uma derrapada fiscal. Como resultado, acreditamos que a perspectiva de a Itália reduzir sua dívida governamental diminuiu", disse a analista de crédito Eileen Zhang.

Segundo a S&P, a perspectiva negativa para os ratings reflete "a visão de riscos principalmente negativos para o plano de redução da dívida do governo no período de 2011 a 2014 e implica uma probabilidade de 1 para 3 de que os ratings possam ser rebaixados nos próximos 24 meses. Em nossa opinião, os riscos negativos vão derivar primariamente de um crescimento mais fraco do que nossa premissa atual de um crescimento médio do PIB de 1,3% ao ano ao longo do período de 2011 a 2014". As informações são da Dow Jones.

Link:

http://economia.ig.com.br/sp+rebaixa+perspectiva+dos+ratings+da+italia+para+negativa/n1596968931495.html

"Swastika" é retrato arrasador sobre a ascensão do nazismo!

"Swastika" é retrato arrasador sobre a ascensão do nazismo

Filme de Philippe Mora lançado em 1973 traz imagens impressionantes sobre a intimidade de Adolph Hitler

ANDRÉ BARCINSKI - CRÍTICO DA FOLHA

Uma imagem vale mesmo por mil palavras? A julgar por "Swastika", o documentário quase silencioso do francês Philippe Mora, sobre a ascensão e queda de Adolph Hitler (1889-1945), a resposta é "sim".

Inteiramente produzido com imagens de arquivo, sem locução e usando apenas som ambiente (diálogos entre oficiais nazistas foram revelados por leitura labial e adicionados ao filme na pós-produção), "Swastika" é um documento impressionante sobre a forma arrasadora com que o nazismo conquistou a Alemanha.

Quando "Swastika" foi exibido no festival de Cannes, em 1973, uma briga começou na plateia, causando a interrupção da sessão.

Parte do público acusava o filme de "humanizar" a figura de Hitler, que era mostrado em filmes caseiros, brincando com crianças.

O filme acabou banido na Alemanha e só foi lançado no país em 2010, 37 anos depois.

De fato, as imagens da intimidade do nazista são impressionantes. Não só pelo ineditismo, mas pela estranheza de ver Hitler fora dos comícios desfiles militares.

Em uma entrevista recente, Mora, que é judeu e cujo pai foi uma figura importante da resistência francesa, disse: "Se você pensa em Hitler como um ser de outro planeta ou um demônio sobrenatural, você não conseguirá perceber quando um outro Hitler surgir".

Por meio de uma montagem eficiente, o diretor mostra como a população alemã abraçou o nazismo e as consequências trágicas disso.

Mas o grande trunfo do filme são mesmo as imagens de Hitler em sua casa de campo, filmadas por sua companheira, Eva Braun.

Mora teve uma pista de que essas imagens existiam quando entrevistou Albert Speer, o arquiteto nazista e confidente de Hitler. Speer mostrou a Mora alguns filmes caseiros, em que Eva Braun aparecia com uma câmera 16 mm nas mãos.

Em 1972, Mora encontrou os filmes caseiros de Eva Braun, havia quase 30 anos esquecidos num arquivo militar americano.

SWASTIKA
DISTRIBUIÇÃO Classicline
QUANTO R$ 29,60, em média
CLASSIFICAÇÃO 16 anos
AVALIAÇÃO ótimo

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2205201123.htm

Carros campeões de venda perdem espaço no Brasil!

Carros campeões de venda perdem espaço no Brasil

Os seis principais modelos fabricados pelas quatro grandes montadoras brasileiras - Gol, Palio, Corsa, Celta, Uno e Fiesta - respondiam por 57% das vendas de automóveis no País em 2004, ano em que o mercado interno começou a crescer e não parou mais

AE | 22/05/2011

Os seis principais modelos fabricados pelas quatro grandes montadoras brasileiras - Gol, Palio, Corsa, Celta, Uno e Fiesta - respondiam por 57% das vendas de automóveis no País em 2004, ano em que o mercado interno começou a crescer e não parou mais. Este ano, quando novo recorde é esperado, os modelos seguem na lista dos mais vendidos, mas a participação conjunta caiu para 36% de janeiro a abril.

Nesse intervalo, houve uma enxurrada de lançamentos, o poder aquisitivo do brasileiro melhorou, o câmbio favoreceu as importações e uma leva de novas marcas chegou ao Brasil. No início, disputavam nichos de mercado com pouca participação das marcas nacionais. Agora, começam a atacar seu principal segmento de atuação, o de carros populares, e também os de hatches pequenos e médios.

"É a primeira vez, desde a abertura às importações, em 1990, que as quatro maiores fabricantes enfrentam essa concorrência", afirma Sérgio Habib, presidente do Grupo SHC, responsável pela importação dos chineses J3 e J3 Turin, da marca JAC.

No mês passado começou a ser vendido o Chery QQ, compacto chinês de R$ 22.990. Antes, o mais barato no País era o Uno Mille, a R$ 23.220. Além do preço, o importado tem itens que não estão disponíveis no modelo da Fiat, alguns deles nem como opcionais: freios ABS, airbag, vidro elétrico, som, ar-condicionado e direção elétrica.

Para o consultor de mercado da CSM Worldwide, Fernando Trujillo, "o consumidor mudou seu comportamento e hoje, além do preço acessível, busca carros com maior conteúdo". Os importados estão atendendo a essa demanda.

Segundo a imprensa especializada, que testou o QQ, o compacto deixa a desejar em segurança e acabamento. As vendas ainda são pequenas: menos de 300 unidades até agora. Mas, se a trajetória do modelo seguir a de outros carros asiáticos, a disputa pelo consumidor pode ser acirrada.

Mais vendido

Segundo a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), o coreano Hyundai i30 2.0 é atualmente o hatch médio mais vendido no Brasil. Foram 13 mil unidades nos primeiros quatro meses do ano, ante 9,7 mil do Punto, da Fiat, feito em Minas Gerais, e 8,5 mil do Focus, da Ford, fabricado na Argentina. Na lista dos sedãs grandes, onde só tem importados, os dois mais vendidos este ano também são da Hyundai: o Azera e o Sonata, com 2,8 mil e 2 mil unidades cada.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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http://economia.ig.com.br/carros+campeoes+de+venda+perdem+espaco+no+brasil/n1596970825822.html

Colonialismo, Strauss-Kahn e Fundo Monetário Internacional!

Colonialismo, Strauss-Kahn e Fundo Monetário Internacional - por MOISÉS NAÍM, da Folha de S.Paulo

As notícias recentes relacionadas ao FMI carregam um mau cheiro colonialista.
Não me refiro ao fato de um francês rico e poderoso que era o chefe do FMI ser acusado de tentar violentar uma jovem camareira africana em seu hotel de luxo.

O que aconteceu ali nós não sabemos, e é preciso esperar antes de declarar Dominique Strauss-Kahn culpado. Mas o que não se fez esperar foram os desagradáveis refluxos coloniais que procuram impor um europeu como seu sucessor.

Segundo essa visão, apenas um europeu pode estar no comando do FMI, uma instituição que pertence a 187 países. Essa proposta discrimina "apenas" os outros 93% da humanidade.

É insólito que uma organização que obriga os governos que lhe pedem empréstimos a adotar princípios de transparência, eficiência e meritocracia escolha seu líder por meio de um processo que viola as normas que ela própria prega. Isto acontece porque, em 1944, EUA e Europa acordaram que o chefe do FMI sempre seria um europeu, enquanto o do Banco Mundial seria americano.

Esse pacto é hoje tão obsoleto quanto inaceitável. E em 2009 os líderes do G20, cujos países representam 80% da economia mundial e dois terços da população do planeta, prometeram que os chefes dessas instituições seriam escolhidos por meio de processo "aberto, transparente e baseado no mérito".

O fato de que estes não tenham sempre sido os critérios, e que hoje ainda não o sejam, é ultrajante. Mas é mais ultrajante ainda ver os planos de seguir assegurando o cargo a um europeu.

Didier Reynders, ministro belga das Finanças, afirmou que "seria preferível que nós [os europeus] continuássemos a ocupar esses cargos no futuro". Angela Merkel aceita que alguém dos países emergentes possa ser chefe do FMI ... "no médio prazo".

Por enquanto, ela quer um europeu no cargo. Não é por acaso, portanto, que Christine Lagarde já apareça como favorita entre todos os candidatos. Além de competente, ela é francesa. Seria bom se Lagarde fosse medida em um processo aberto, contra candidatos de outras regiões.

Mas aqueles que defendem a necessidade de um europeu no FMI não querem que seu candidato compita em um processo aberto a todos -querem que ele seja coroado pelo resto do mundo.

Influentes colunistas europeus defendem que o papel crítico desempenhado pelo FMI no resgate financeiro da Europa requer que seu chefe conheça bem o continente e tenha vínculos profundos com sua classe política.

É curioso que esse critério nunca apareceu quando Ásia e América Latina tiveram suas respectivas crises econômicas e o FMI estava sob o comando de um francês ou um alemão.

Wolfgang Munchau se indaga no "Financial Times" "se, por mais competente que seja, o presidente do banco central mexicano, por exemplo, seria capaz de cumprir essa função com eficácia (...). O trabalho estará muito centrado sobre os problemas europeus, o que o obrigará a bater de cabeça em reuniões de ministros das Finanças e persuadir chefes de governo obstinados".

Munchau supõe que os políticos europeus sejam mais relutantes que seus colegas latino-americanos ou asiáticos a impor as medidas econômicas impopulares que inevitavelmente acompanham os resgates do FMI. Isso não é certo.

O argumento poderia ser invertido para demonstrar que quem teria as melhores condições para ajudar a Europa em suas circunstâncias atuais seria um economista competente brasileiro, turco ou tailandês que já passou pela experiência de administrar com êxito uma crise semelhante em seu país.

Também é verdade que, embora os problemas agora estejam na Europa, os que estão por vir se originarão em países emergentes.

Finalmente, há o detalhe de que, enquanto o peso da Europa na economia mundial vem caindo, o de países como China, Índia e Brasil está em ascensão. Como justificar que as novas potências emergentes, cuja influência sobre a saúde econômica do mundo já é determinante, não possam ter acesso aos cargos mais altos do governo financeiro internacional?

Não sei o que me surpreende mais: a questão óbvia de que a nacionalidade não deve definir quem pode dirigir o FMI ou o fato de esse critério errado ter tantos defensores.

É óbvio que o cargo deve estar aberto a todos os candidatos qualificados, de qualquer parte do mundo, e que o processo de seleção precisa ser transparente, baseado exclusivamente nos méritos pessoais dos candidatos.

E não seria má ideia pedir aos candidatos que, ao serem eleitos, prometam ficar no cargo até acabar o mandato.

Os últimos três chefes do FMI -todos europeus- renunciaram antes do fim.

MOISÉS NAÍM é associado sênior do Carnegie Endowment for International Peace, em Washington.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2205201114.htm

Palocci e as escolhas de Dilma - por Rodrigo Vianna!

Palocci e as escolhas de Dilma - por Rodrigo Vianna

A denúncia contra Palocci parece consistente. Ah, mas a “Folha” quer desgastar a Dilma… E daí? O fato ocorreu ou não?

Ah, mas a denúncia foi vazada por “ruralistas” interessados em enfraquecer o ministro. E daí, de novo? É só quando os poderosos divergem que essas coisas vêm à tona…

Sim, Palocci (contradição do mundo real?!) cumpria nesse caso um papel positivo: negociava duramente com os ruralistas da base governista, para que aceitassem um Código Florestal menos retrógrado do que o proposto por Aldo Rebelo.

Por isso, criticar Palocci agora – dizem alguns apoiadores de Dilma – é fazer “o jogo da direita”. Será?

Aliás, se o caso surgiu como “fogo amigo” de dentro da base governista, por conta da votação do Código Florestal, a essa altura parece ter ganho dinâmica própria. Os jornais já relacionam o enriquecimento de Palocci à campanha de Dilma. Vale a pena manter um ministro que traz esse grau de instabilidade ao governo?

Quem acompanhou os bastidores da campanha eleitoral de 2010 sabe qual foi a opção de Dilma e do núcleo dirigente do PT no primeiro turno: tentaram ganhar a eleição só com o programa de TV e a popularidade do Lula. A idéia era ganhar sem fazer política. No primeiro turno, foi assim: campanha controlada pelo marqueteiro e pelos 3 porquinhos (Palocci, Dutra e Zé Eduardo).

Quem fez política foi o Serra. Politizou pela direita: trouxe aborto e religião para a campanha. Com isso, empurrou milhões de votos pra Marina, e levou a eleição pro segundo turno. Aí, a ficha no PT caiu. Dilma e o núcleo da campanha finalmente compreenderam o que já estávamos vendo na internet há semanas: o terrorismo conservador. Dilma deixou os conselhos do marqueteiro de lado, teve coragem de ir pra cima no debate da “Band” (primeiro domingo do segundo turno): pendurou no pescoço do Serra a história do aborto (a mulher de Serra tinha dito que Dilma gostava de “matar crancinhas”), falou em Paulo Preto, reanimou a militância.

Se Dilma tivesse insistido no figurino do primeiro turno, poderia ter perdido a eleição. Pesquisas internas, pouco antes do debate da Band, davam apenas 4 pontos de diferença sobre Serra no início do segundo turno. Foi a realidade que levou Dilma a mudar de figurino.

Pois bem. Passada a eleição, Dilma montou o ministério e começou a governar. Como? Com o figurino idêntico ao usado no primeiro turno da eleição: sem política, longe dos movimentos sociais, procurando agradar o “mercado” e a “velha mídia”. Foi uma escolha.

Palocci tem a ver com isso. Coordenou a campanha. Ele quer um governo moderadíssimo, que não assuste a turma a quem dá “consultoria”.

Logo no início do governo, estava claro que Dilma procurava ocupar um espaço mais ao centro. Lula tinha (e tem) apoio da esquerda tradicional, dos movimentos sociais, do povão que saiu da miséria. Dilma foi em direção à classe média que lê a “Veja”. Com Palocci à frente. Palocci é amigo da “Veja” e da “Globo”. Palocci é blindado na “Globo”. Perguntem ao Azenha o que aconteceu na Globo quando ele tentou fazer uma reportagem sobre o irmão do Palocci, 5 anos atrás…

Renato Rovai publicou em seu blog um texto que mostra a repercussão desastrosa – para o governo – do caso Palocci nas redes sociais. Como aconteceu na eleição, com o aborto e a onda consevadora: primeiro os temas batem na internet, depois chegam às ruas.

Assim como ocorreu na eleição, Dilma talvez perceba que o figurino palocciano não garantirá estabilidade ao governo. Com quem ela vai contar quando enfrentar crise séria? Com a família Marinho? Com os banqueiros?

Dilma segue com popularidade alta. Mas o caso Palocci mostra os limites do governo. E os riscos que ela corre diante da primeira crise mais grave. Pode faltar base social…

Mas, seja qual for a escolha de Dilma (ela a essa altura parece mais próxima de optar por um acerto “por cima”, com os que mandam nas finanças e nas comunicações do Brasil), é inaceitável que o governo vote o novo Código Florestal sob chantagem dos ruralistas.

O governo está sob pressão dos ruralistas, que dizem nos bastidores: “a oposição pode maneirar com o Palocci, desde que passe o Código Florestal que nós queremos!”

O texto vai a votação na terça.

Hoje, o governo Dilma corre o seguinte risco: aceitar a chantagem dos ruralistas pra salvar Palocci e… não conseguir salvar Palocci. Seria um desastre.http://www.blogger.com/img/blank.gif

Dilma precisa fazer uma escolha agora. Semelhante à que ela fez naquele debate na “Band”, no início do segundo turno. A quem ela pretende agradar? À turma do Palocci, ou à turma que foi à rua e garantiu a vitória dela enfrentando a onda conservadora que Serra trouxe para o debate?

A oposição está enfraquecida. O lulismo é forte e dominante no país. Mas o governo Dilma parece frágil. Equação estranha. É preciso aproximar o governo Dilma do lulismo. Dilma ganhou por causa disso. Vai governar, de verdade, se estiver alinhada ao lulismo.

Leia outros textos de Palavra Minha

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http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/palocci-e-as-escolhas-de-dilma.html#more-8142

Diferença de competitividade abala euro!

Diferença de competitividade abala euro - por CLAUDIA ANTUNES - da Folha de S.Paulo

Países mais atingidos pela crise foram os com deficit nas contas externas, devido ao desequilíbrio no comércio

Potência exportadora, Alemanha se beneficiou devido à fragilidade dos demais países-membros da união monetária

A diferença de competitividade entre os países que compartilham o euro é um espectro que continuará a rondar a Europa, mesmo na hipótese improvável de sucesso dos planos de ajuste adotados em consequência da crise de 2008.

A advertência tem sido feita tanto por um liberal como Martin Wolf, colunista do "Financial Times", quanto pelo social-democrata Heiner Flassbeck, que era vice-ministro das Finanças alemão quando o euro foi implantado, em 1999.

Ambos contrariam a visão da ultracompetitiva Alemanha, maior economia europeia e segundo maior exportador mundial, que tem superavit com a maioria dos parceiros de bloco.

Berlim aponta a frouxidão dos vizinhos com os gastos públicos como a raiz da instabilidade na união monetária -embora esse seja um problema conjuntural na maioria dos casos.

"Se o diagnóstico é errado, você faz coisas malucas. Não é possível estabilizar as contas de um país apenas com corte de gastos", disse à Folha Flassbeck, hoje diretor da Unctad (conferência da ONU para o comércio e o desenvolvimento).

O sintoma do desequilíbrio competitivo na zona do euro são as discrepâncias nos saldos da conta corrente -balanço do dinheiro que entra e sai de um país.

Como a moeda única europeia impede a intervenção dos governos no câmbio para estimular exportações, países menos avançados como Grécia, Portugal e Espanha passaram a acumular deficits comerciais e, em consequência, nas suas contas correntes.

Esse saldo negativo -indicativo de que precisam de financiamento externo para cumprir seus pagamentos- os deixou mais frágeis na hora da crise. "Quando o dinheiro escasseia, fica mais difícil para quem tem deficit", explica Celso Toledo, da consultoria LCA.

INFLAÇÃO

Flassbeck diz que a solução em longo prazo é um movimento coordenado de aumentos salariais maiores na Alemanha, para estimular o consumo interno, e menores nas economias deficitárias da zona do euro.

É o oposto do que aconteceu nos últimos anos, quando os alemães tiveram reajustes abaixo do crescimento de sua produtividade e os cidadãos do sul da Europa, acima dele.
"É preciso esse ajuste de competitividade para que em dez anos as contas correntes estejam equilibradas. Hoje, até a França está em risco nessa área."

Para o ex-vice-ministro, falta aos europeus um entendimento claro do que é uma união monetária.

"Não se trata de ter os mesmo dias de férias, como disse Angela Merkel [a chanceler alemã], mas de ter a mesma inflação. A da Alemanha esteve baixa e a grega, muito alta. A união monetária pede que você ajuste o custo do trabalho à produtividade nacional para que a meta [de 2% ao ano] possa ser atingida por todos os países."

No prazo mais imediato, Celso Toledo chama a atenção para o fato de que não há uniformidade entre as economias europeias com deficit externo.

"Uma consegue responder melhor que a outra. A Grécia, que chegou a falsificar suas contas, e Portugal, com baixo crescimento crônico, já eram ruins antes da crise.

Irlanda e Espanha cresciam mais do que a média europeia e nunca tiveram problema fiscal muito agudo.".

Link:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2205201113.htm


Meu Comentário!

Vocês já leram o texto da Claudia Antunes, publicado hoje na 'Folha', e que reproduzi acima? Ótimo.

Então, agora sugiro que leiam o que eu escrevi aqui no blog, a respeito do assunto, no link abaixo, no dia 23 de Abril deste ano:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/04/como-alemanha-reunificada-destruiu-com.html

Obs: Qualquer semelhança não é mera coincidência...