Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 31 de julho de 2011

Enfrentamento da crise- por Amir Khair!

Enfrentamento da crise- por Amir Khair!

O cenário internacional está em franco processo de deterioração. Diante desse cenário, o Brasil deve se defender, baseando sua força no desenvolvimento do seu mercado interno e na posição estratégica que tem nas commodities e alimentos que contribuem tanto interna quanto externamente nas exportações. O governo deve priorizar o abastecimento interno das commodities e alimentos regulando os volumes exportados para que não faltem ao consumo. O que sobrar é que deve ser destinado à exportação.

As análises conservadoras atribuem peso excessivo à ameaça da inflação. Como antídoto recai no velho chavão de que o governo está gastando em excesso, o crescimento está elevado demais e que isso obriga o Banco Central (BC) elevar a Selic para conter o excesso da demanda criada pelo governo. É a política do pé no freio da economia para conter a inflação. É sempre a mesma ladainha. O que na realidade querem é que a Selic suba para dar mais lucro financeiro aos que aplicam nos títulos do governo federal.

Isso vem se repetindo há anos e o custo dessa política de taxas de juros elevada atingiu nos últimos doze meses até maio R$ 220 bilhões (5,7% do PIB). Esse custo na média mundial é de 1,8% do PIB.

Essas análises parecem desconhecer que o que está elevando as despesas do governo são os juros e essa elevação é bem superior à própria capacidade do governo em crescer suas despesas.

Assim essas análises são totalmente desprovidas de sentido, mas por serem as mais difundidas pela mídia acabam por iludir a opinião pública para não focar a causa central dos problemas criados pelo BC e pelo mercado financeiro que são as taxas de juros Selic e taxas de juros dos bancos, as mais altas do mundo e que impedem o País de ter os recursos necessários para enfrentar os elevados déficits sociais e de infraestrutura.

Na China a taxa básica de juros equivalente à Selic é de 3% e a taxa de juros ao consumidor de 6% ao ano. Aqui, a taxa de juros média cobrada do consumidor pelos bancos foi de 46,1% em junho, ou seja, oito vezes maior do que a chinesa.

Nos empréstimos do cheque especial entre os maiores bancos em 18 de julho, segundo dados do BC, foi de 167% na Caixa Econômica Federal, 175% no Banco do Brasil, 176% no Itaú e Bradesco e 219% no Santander. Agiotagem em alto grau, inclusive nos bancos oficiais.

O governo tem o poder de limitar essas taxas de juros, mas não enfrenta o mercado financeiro e tem que dar nó em pingo d’água para conduzir a economia dentro dessas distorções que afetam o poder de compra dos consumidores e as empresas que dependem de capital de giro para viabilizarem seus negócios.

Cenário externo
O cenário internacional está em franco processo de deterioração. A dívida dos EUA, mesmo se ampliada pelo Congresso, já arranhou a imagem do país e passou a ser motivo de preocupação para todo o mundo. Os americanos viveram artificialmente um super consumo irrigado a crédito barato e, agora se encontram endividados, tendo que conter a volúpia consumista. Como 70% do PIB dos EUA dependem do consumo, a tendência é de estagnação por vários anos. Para agravar esse quadro, as despesas militares não cabem mais no orçamento americano e, quanto mais tempo permanecerem tentando impor sua hegemonia militar, com tropas espalhadas pelo mundo, pior será.

Na Europa a falta de entendimento entre o Banco Central Europeu (BCE), os governos da Alemanha e França e os bancos privados para tentar contornar a crise grega evidenciou a fragilidade da zona do euro. A tendência é permanecer estagnada a economia por vários anos e com riscos de default da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, atingindo o sistema bancário dentro e fora da zona.

Estratégia de enfrentamento da crise
Diante deste cenário, o Brasil deve se defender, baseando sua força no desenvolvimento do seu mercado interno e na posição estratégica que tem nas commodities e alimentos que contribuem tanto interna quanto externamente nas exportações.

O governo deve priorizar o abastecimento interno das commodities e alimentos regulando os volumes exportados para que não faltem ao consumo. O que sobrar é que deve ser destinado à exportação.

Quanto aos preços das commodities o governo deve assumir a posição estratégica de aproveitar as cadeias produtivas que têm no topo as commodities, para agregar valor e empregos nas empresas à jusante dessas cadeias.

No comércio exterior o melhor caminho é continuar sua política externa no rumo dos países emergentes, que apresentam crescimento econômico e defender nossas empresas da invasão de produtos importados ilegalmente por dumping e triangulação da China usando outros países para suas exportações ao Brasil.

Para tentar controlar o câmbio o governo resolveu atuar sobre o mercado futuro com medidas mais fortes e que podem reduzir a especulação com os derivativos. O CMN impôs três medidas, que poderão conter os movimentos especulativos sobre o real.

A primeira medida foi cobrar 1% de IOF quando os investidores ampliarem suas apostas na valorização do real, que excederem US$ 10 milhões. Junto, a ameaça é que o IOF pode ir até 25% se o governo achar necessário.

A segunda é exigir o registro de todas as operações com derivativos. Com isso, espera ter mais transparência e controle sobre esses negócios.
A terceira taxa em 6% de IOF os financiamentos superiores a 720 dias que forem antecipadamente resgatados.

Essas decisões, embora acertadas, não irão coibir a maior fonte de ingressos de dólares pela porta dos investimentos diretos de estrangeiros (IDE), que não pagam o IOF de 6%. O BC poderia controlar essas operações antes da internação dos dólares pelo depósito obrigatório em sua conta no exterior, só liberando cada entrada ao fluxo de caixa necessário ao investimento a ser feito no Brasil. Não o faz e, assim, os dólares que entram se transformam em reais e podem ser aplicados na Selic gerando lucros financeiros que são remetidos para a matriz estrangeira. Isso ficou evidenciado na anormal elevação do IED nos primeiros cinco meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2010. Atingiram 138% (!)

Para completar a defesa cambial do País é necessário que a Selic vá para o nível internacional rapidamente, para coibir toda e qualquer operação de carry trade (aplicação financeira que consiste em tomar dinheiro a uma taxa de juros em um país e aplica-lo em outro, onde as taxas de juros são maiores).

O controle inflacionário deve ser feito via metas de inflação, através das medidas macroprudenciais, que podem calibrar o crédito e o valor das prestações (o que a Selic não consegue), adequando o crescimento da oferta de empréstimos à evolução da massa salarial, para ter sob controle a inadimplência.

Em apoio ao controle inflacionário e melhoria do comércio exterior, o governo deve agir mais sobre as importações via impostos, preços mínimos, quantitativos máximos, como fazem os demais países para a proteção de suas empresas e/ou da população contra os preços abusivos internos.

Dilma deve por o mercado financeiro e o BC a favor da economia e da sociedade, limitando as taxas de juros e tarifas bancárias extorsivas e trazer a Selic ao nível internacional até meados de 2012.

Se a presidente assumir esse enfrentamento terá o apoio da sociedade e se livrará das amarras que até agora vem impedindo aproveitar o imenso potencial material e humano que o Brasil possui.

Felizmente, algumas iniciativas governamentais estão indo na direção desejável.

Moralização - Priorizar a gestão e enfrentar a corrupção, como as do DENIT, terá apoio da sociedade, trunfo necessário para enfrentar ameaças no Congresso, que refluem quando a mídia denuncia a corrupção. É assim, que se constrói seriedade e ponto de partida para cortar desperdícios de recursos públicos, permitindo alocá-los onde as carências são flagrantes.

Estímulo - Algumas medidas foram tomadas na direção do desenvolvimento ao deslanchar programas sociais, como a elevação dos valores do Bolsa Família, o lançamento do Brasil sem Miséria e a segunda fase do Minha Casa Minha Vida.

Pode contribuir o lançamento do "Programa de Inovação do Brasil", referente à política de desenvolvimento da competitividade, com incentivo à exportação de manufaturados e assentar os pilares da política industrial, na exigência de maior conteúdo local, agregação de valor, compras governamentais e política de defesa comercial.

Dia 9, a presidente disse que anunciará "uma boa melhorada" no Super Simples, que prevê a unificação de oito tributos - seis federais, um estadual e um municipal. Ele atinge a maioria das empresas.

São iniciativas pró-desenvolvimento, mas insuficientes para os desafios da crise internacional, que se aprofunda e poderá se estender por vários anos.

(*) Mestre em finanças públicas pela FGV e consultor

Link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18146

Carta Maior - EUA: A CRISE POLÍTICA E A NOVA ERA DA INCERTEZA

CARTA MAIOR - EUA: A CRISE POLÍTICA  E A NOVA ERA DA INCERTEZA

O capitalismo americano não vai acabar hoje, seja qual for o resultado do escrutínio fiscal no Congresso. 

Mas o episódio fixa uma nova estaca na história da crise mundial. 

Obama não se mostrou uma alternativa política aos interesses  enfeixados pela supremacia das finanças desreguladas. Ao contrário. 

A crise fiscal evidenciou a  monopolização do sistema político norte-americano por uma direita extremista, filha da madrassa neoliberal ativada nas últimas décadas.

Embebida em um laissez-faire rudimentar indissociável de uma visão de mundo belicista, que busca compensar a desordem intrínseca a sua ideologia com uma pregação moralista e religiosa de sociedade, a ortodoxia extremista coloca o mundo à mercê de uma potencia incapaz de exercer seu poder com algum equilíbrio. 

Ademais de irradiar instabilidade financeira, os EUA se transformam em fonte de insegurança política global. 

A negociação fiscal escancarou o que estava subentendido e consolidou uma dimensão  atemorizante do passo seguinte da história. 

Os países em desenvolvimento devem extrair as lições embutidas nesse episódio.

E blindar sua agenda econômica e social contra os solavancos implícitos no ciclo que se anuncia. 

(LEIA análise de Amir Khair nesta pag.) 

(Carta Maior; 2ª feira, 01/08/ 2011)

Do multiculturalismo ao fascismo!

Do multiculturalismo ao fascismo

Eduardo Bomfim *

Os atentados ocorridos na Noruega com mais de setenta mortos podem parecer algo casual, mas na realidade refletem uma tendência ao fascismo de parcelas das elites, e do capital financeiro internacional, que vão se descartando de outro discurso por eles elaborado, sintetizado na chamada doutrina do multiculturalismo.

Quando meses atrás o primeiro ministro da Grã Bretanha, David Cameron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciaram em entrevista coletiva a morte do multiculturalismo, na verdade o que estava acontecendo era uma inflexão estratégica em relação a essa agenda multicultural global desses quarenta anos de hegemonia neoliberal e da nova ordem mundial.

As teses multiculturalistas reinaram olimpicamente durante toda essa época como argumento para suprimir as fronteiras nacionais e ao mesmo tempo foram difundidas com o objetivo de desarmar, dividir, fragmentar as lutas dos povos e trabalhadores dos Países, objetivando quebrar o espírito de unidade arduamente perseguido ao longo de várias dezenas de anos.

Os exemplos mais emblemáticos de resistência dos povos têm sido as grandes lutas antiimperialistas desde o início do século 20 que enxergam na centralidade da grandeza nacional o elemento decisivo para a conquista da plena soberania, associada, em muitos casos, a projetos de transição para uma sociedade mais avançada, o socialismo.

Esse discurso sobre a extinção das fronteiras, vistas como ultrapassadas, foi disseminado como uma pretensa etapa superior da humanidade, na verdade subordinada a uma maior globalização do capital, que exclui os conceitos históricos e culturais dos Países, proporciona uma grande mobilidade internacional da força de trabalho e o aviltamento da sua remuneração.

E a esse projeto contra as nações e o mundo do trabalho o ideólogo norte-americano Francis Fukuyama adicionou a farsa sobre o “fim da História”.

Porém, a crise sistêmica capitalista, o desemprego generalizado entre as nações do primeiro mundo, os efeitos colaterais das agressões imperiais, como o terrorismo, transformou o multiculturalismo em um estorvo à nova ordem mundial. A criatura já não mais interessa aos seus criadores.

Ressurge assim uma doutrina mais eficaz à hegemonia e à acumulação sôfrega do capital financeiro internacional.

Os atentados na Noruega só revelam a ponta do iceberg. O que estamos presenciando mesmo é a proliferação de organizações neonazistas já disputando parcelas do poder na Europa, enquanto nos EUA avança a direita fundamentalista, a exemplo do Tea Party.


Link:

http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=4164&id_coluna=16

EUA: 15 milhões faliram em 4 anos!

EUA: 15 milhões faliram em 4 anos

As famílias dos Estados Unidos perderam 28% de sua riqueza durante a crise econômica, sendo que um terço delas tiveram suas economias totalmente dizimadas. E a diferença dos níveis de riqueza entre brancos e negros e hispânicos aumentou. Essas são as conclusões de uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa Pew Research Center, divulgada pelo site World Socialist.

O levantamento leva em conta estimativas realizadas entre 2005 e 2009 e aponta para um empobrecimento geral de todos os setores da população. O percentual de domicílios americanos que têm mais dívidas do que ganhos cresceu de 15% em 2005 para 20% quatro anos depois – ou seja, por volta de 15 milhões de pessoas quebraram nos Estados Unidos neste período.

Em 2009, após o ajuste para a inflação realizado pelo governo, a riqueza média dos domicílios norte-americanos caiu de 98.894 dólares em 2005 para 70 mil dólares em 2009. A queda abrupta é relacionada sobretudo com a desvalorização imobiliária do país.

Desigualdade social avança

Enquanto isso, a riqueza das famílias mais abastadas cresceu de 49% em 2005 para 56% no mesmo período. Este número indica que as minorias raciais, normalmente com menos poder aquisito, foram as mais prejudicadas. O patrimônio líquido das famílias hispânicas caiu em um escalonamento de 66%, a partir de 12.124 dólares em 2005 para 5.677 dólares em 2009. O das famílias negras caiu 53%.

O nível de desigualdade entre brancos, negros e hispânicos está agora no nível mais alto em 25 anos. A diferenciação racial é em parte atribuível à geografia. Enquanto os brancos viram os valores de suas próprias casas cairem em 18% e negros em 23%, os valores das casas dos hispânicos caiu em mais da metade.

Como era de se esperar, a queda na riqueza teve um efeito negativamente transformador na sociedade americana, contribuindo para os milhões de execuções hipotecárias e falências pessoais. Segundo dados da Realtytrac.com, havia 10 milhões de execuções hipotecárias entre 2005 e 2009, os anos abrangidos pela pesquisa.

Fonte: Carta Capital


Link:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=160136&id_secao=9

Mauro Malin: Época e IstoÉ, a marca registrada do fascismo!

Mauro Malin: Época e IstoÉ, a marca registrada do fascismo

Mauro Malin

Duas das mais importantes revistas semanais brasileiras, Época e IstoÉ, poderiam ter disputado, no fim de semana de 23–24/7, para saber quem foi capaz de errar mais na avaliação dos violentíssimos atos terroristas ocorridos na sexta-feira, dia 22, na Noruega, por um fascista local.

IstoÉ errou de cabo a rabo: simplesmente atribuiu o atentado à Al Qaeda. Ilustra a reportagem com uma foto de prédios abalados em Oslo e outra de Ayman Al-Zawahiri, sucessor de Osama Bin Laden.

A revista, como as demais, apresentou a Noruega como um cenário político idílico. Esse engano se repetiu em todas as mídias. Ou quase. Na noite de terça-feira, dia 26, Alberto Dines abriu o programa do Observatório de Imprensa na TV com um comentário que colocou em contexto histórico o ato aparentemente desvairado de Anders Behring Breivik:

“O monstro de Oslo certamente agiu sozinho, mas ele não estava nem está sozinho. Breivik faz parte de uma legião mundial de extrema direita que não nasceu agora, começou nos anos 20 do século passado e levou a humanidade à mais sangrenta guerra de todos os tempos. A ideologia de Breivik só difere do nazifascismo no acréscimo do ingrediente religioso. De resto, nada a diferencia do rancor hitlerista e fascista. Sua xenofobia é gêmea do Tea Party norte-americano. O antissocialismo que levou Breivik a atacar a sede do governo e massacrar 68 jovens conterrâneos num acampamento de verão é o mesmo que leva a direita norte-americana a travar o orçamento do país com o pretexto de que Barack Obama é socialista. A pacífica Noruega foi invadida em 1940 pelas tropas de Hitler, que lá instalaram um ditador local, chamado Quisling, cujo nome tornou-se sinônimo de colaborador do nazismo. A Segunda Guerra Mundial ainda não acabou.”

Os suspeitos habituais
A Época evitou a imagem de uma Noruega isenta de riscos, mas os atribuiu exclusivamente à hostilidade de fundamentalistas islâmicos devido à participação do país no contingente da Otan que combate o Talibã no Afeganistão e à reprodução, em jornais noruegueses, de charges dinamarquesas que, em 2005, provocaram a ira de religiosos muçulmanos.

No fim da reportagem, mencionou a hipótese de o ataque ter sido promovido pela extrema direita norueguesa, dada a nacionalidade do atirador preso, mas isso não abalou o tom geral do texto, encimado por um subtítulo onde se lia: “Um duplo atentado à [sic] bomba e a tiros, endereçado ao governo norueguês, lembra o Ocidente de que o sinistro legado de Osama Bin Laden continua à espreita.”

Presente desenraizado?
Veja esperou para dar as informações corretas, embora não tenha deixado de mencionar a hipótese de uma ação de fundamentalistas islâmicos. O que não saiu a contento foi o cenário norueguês. O clichê usado na capa da revista, “Terror no país da paz”, patenteia granítica ignorância histórica.

Por sinal, a reportagem afirma, logo no início, para criar um mote com o qual “amarra” o texto no final, que Alfred Nobel, antes de morrer, em 1896, estabeleceu que a entrega do prêmio que leva seu nome seria feita na Noruega, porque ela era “um país sem apego ao militarismo e dirigido por uma elite tolerante”.

Ocorre que em 1896 a Noruega não era um país, mas parte da Suécia (desde 1814, após uma dominação pela Dinamarca que remontava a meados do século 16). Tornar-se-ia independente em 1905 e, num plebiscito, escolheria como rei um príncipe dinamarquês. O regime é desde então essencialmente democrático, em molde parlamentarista.

O colaborador norueguês
A Noruega independente é um país pacífico, que ficou fora da Primeira Guerra Mundial e teria repetido essa escolha na Segunda se não tivesse sido invadida por Hitler. A Alemanha importava da Suécia o ferro que era escoado pelo porto norueguês de Narvik e daí pelo Mar do Norte. Hitler adiantou-se aos britânicos, que teriam invadido o país para cortar esse fluxo. O exército da Noruega resistiu dois meses aos alemães até capitular, tempo suficiente para a família real e o governo buscarem refúgio.

Forças antinazistas norueguesas impuseram ao invasor uma resistência nada desprezível, que, juntamente com a possibilidade de ataque dos Aliados, obrigou Hitler a manter no país 300 mil soldados que teriam sido preciosos em outras frentes de batalha.

O Quisling mencionado por Dines no programa de TV, Vidkun Quisling (sobrenome aportuguesado como quisling, sinônimo de quinta-coluna), foi primeiro-ministro entre 1942 e 1945, sob a égide de um “comissário civil” alemão, o nazista Josef Terboven.

Por vontade própria
O que importa aqui não é a narrativa histórica, mas sinalizar para o leitor a força que teve e tem na Noruega, como na Europa inteira, nos Estados Unidos e alhures, a extrema-direita racista, antissemita, xenófoba.

Quisling era um homem da elite norueguesa, filho de conhecido pastor luterano. Foi ministro da Guerra entre 1931 e 1933. Depois, fundou o Nasjonal Samling, agremiação nacionalista que acabaria transformada em partido nazista, com escassos votos (2% nas eleições de 1935), embora tenha chegado a 45 mil filiados sob a ocupação hitlerista. Logo após o desembarque alemão, em abril de 1940, tentou sem êxito formar um governo pró-nazista. Não foi aceito. Só em 1942 conseguiu tornar-se primeiro-ministro.

Essas informações servem para sublinhar que Quisling não foi um colaborador “forçado”, ou alguém que se deixou cooptar em nome do “mal menor”. Era nazista convicto. Uma parte da intelectualidade norueguesa simpatizava com o nazismo – como, de resto, acontecia em todos os países.

O caso mais notório foi o do escritor Knut Hamsun, autor do celebrado romance A Fome e Prêmio Nobel de Literatura em 1920. O cartaz de propaganda nazista reproduzido ao lado mostra a expectativa de entendimento entre nazistas e noruegueses “contra o bolchevismo”.

Punição radical
Quisling, acusado de corrupção, assassinatos e traição, foi julgado, condenado e executado em outubro de 1945. Segundo Tony Judt (Pós-Guerra – Uma História da Europa desde 1945), na Noruega todos os integrantes do Nasjonal Samling (ele dá o número de 55 mil) foram julgados, “além de outros 40 mil indivíduos; 17 mil homens e mulheres receberam penas de detenção e 30 sentenças de morte foram expedidas, das quais 25 levadas a cabo. Em nenhum outro local as proporções [de punição a colaboracionistas pró-nazistas] foram tão elevadas”.

Segundo algumas interpretações, punições adotadas podiam ser classificadas como retaliações. Esse rigor era tanto antinazista como anti-alemão. Não funcionou para “sepultar” o radicalismo de direita, como se deu a entender depois da guerra (minha geração cresceu com essa ideia na cabeça, até que, no Brasil, a ditadura militar, com suas indisfarçáveis inclinações fascistas, enterrou ilusões).

Teimosa erva daninha
Giogio Almiranti fundou o Movimento Social Italiano, sucessor do Partido Nacional Fascista, em 1946. Franco, o ditador espanhol, governou de 1939 até morrer, em 1975. O ditador Antônio de Oliveira Salazar morreu em 1970, mas só em 1974 Portugal se viu livre do regime por ele instaurado em 1933.

Em 1999, a revista The Economist publicou um artigo cujo título é expressivo: “Fascismo ressurgente?”. O motivo imediato era a ascensão, na Áustria – país que teve proporcionalmente o maior número de nazistas, mas não os puniu em escala comparável à da Noruega e mesmo às de outros países ocupados por Hitler −, de Jörg Haider e seu Partido da Liberdade. Haider, que morreu num acidente automobilístico em 2008, propagandeava sua admiração por algumas políticas de Hitler.

Em relação à Noruega, a The Economist assinalava o crescimento do Partido do Progresso, de Carl Hagen (cerca de 15% dos votos nas eleições daquele ano; hoje, é o segundo partido no Parlamento, com 41 cadeiras), mas não o considerava uma ameaça à democracia escandinava, “menos ainda um herdeiro da depravação de Vidkun Quisling”. Entre as características do Partido do Progresso, a revista apontava o empenho em “espremer o estado de bem-estar social” e “um sopro de agressividade anti-imigrantes”.

Armas da direita
Com o terrorista Breivik o sopro virou vendaval, voltado contra noruegueses que seriam complacentes. O Christian Science Monitor disse na quinta-feira, dia 28, que a oposição ao multiculturalismo e os sentimentos anti-imigrantes são “surpreendentemente comuns” na Noruega.

Breivik não é louco. Ele aparentemente agiu sozinho, mas, como constatou Dines, não estava nem está sozinho. Com raríssimas exceções, atentados de direita de grandes proporções ou intensa repercussão política produziram recuos da democracia nas últimas décadas.

Isso aconteceu, por exemplo, na Itália (1976, assassinato de Aldo Moro; os autores se imaginavam de esquerda radical; 1980, atentado de Bolonha) e nos Estados Unidos (1995, bomba de Oklahoma, detonada por um simpatizante da milícia, governo Clinton; 2001, Torres Gêmeas e Pentágono, governo G.W. Bush).

Teria acontecido no Brasil em 1981, truncando a reconquista democrática, se a bomba destinada ao Riocentro não tivesse explodido no colo do sargento que a portava.

A 2ª Guerra Mundial derrotou Mussolini e Hitler, mas não o fascismo, que brota e rebrota indiferente ao grau de severidade com que seus praticantes tenham sido punidos após a vitória aliada.

As revistas que noticiaram o terror em Oslo informaram, na edição do mesmo fim de semana, que a prefeitura de Wunsiedel, sul da Alemanha, decidiu destruir o túmulo do segundo homem na hierarquia nazista, Rudolf Hess, exumar seus ossos, cremá-los e jogar suas cinzas no mar, para acabar com a peregrinação de neonazistas ao cemitério onde ele estava enterrado havia quase 25 anos.

A consciência dessa desafiadora realidade está um pouco distante das redações brasileiras.

Via Observatório da Imprensa



http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2011/07/mauro-malin-epoca-e-istoe-marca.html

Fatos do PAC que a mídia omite- por Zé Dirceu!

Fatos do PAC que a mídia omite- por Zé Dirceu!


Publicado em 30-Jul-2011
 
ImageLer os jornais depois do balanço dos seis primeiros meses do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em sua segunda versão, também conhecida por PAC 2, é um exercício interessante.

A Folha de São Paulo, por exemplo, escolheu falar na diminuição do ritmo dos investimentos. Na matéria “Execução de obras do PAC cai 10% no governo Dilma”, ressalta que uma suposta crise nos Transportes estaria prejudicando os projetos classificados como prioritários pelo governo. E cita o trem-bala, e o fracasso de seu leilão.

A tese da Folha é o PAC 2 perdeu fôlego no governo Dilma Rousseff. A própria matéria cita a ministra Miriam Belchior (Planejamento), que anunciou uma execução de R$ 86,4 bilhões entre janeiro e junho. E informa que o número seria 10,8% menor que os R$ 95,7 bilhões registrados entre maio e outubro de 2010, “ano eleitoral e, tradicionalmente, de gastos maiores”.

Crise internacional e seus reflexos no Brasil

Esse é o mesmo jornal que, em seus editoriais pede insistentemente pelo controle, quando não, por cortes, dos gastos públicos. A matéria de hoje omite um fato, no mínimo, importante, para a interpretação do cenário: a crise internacional e seus graves reflexos no Brasil, que pressionam a inflação, os juros (leia mais neste blog) e o câmbio. Em certo ponto, admite, pelas palavras da ministra Miriam Belchior (Planejamento) que "é natural que, em início de governo, haja um ritmo um pouco menor".

No Estadão, o destaque é outro. Para o jornal, a “crise na área de transportes eclipsou os resultados apresentados ontem”. A sua matéria prefere focar nas novas regras – mais rígidas a partir de agora – nas licitações do PAC. As condições para a contratação das empreiteiras daqui para frente estarão feitas com base em projetos executivos da obra e não mais em projetos básicos. A medida é aplaudida por Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base, ainda que venha a atrasar em três ou quatro meses o cronograma, segundo cálculos de Maurício Muniz, secretário do PAC.

Globo dá espaço para as críticas da oposição ao PAC, que usa termos como fracasso, incapacidade e incompetência para descrever os feitos do governo. Também cita o ministro Paulo Passos (Transportes) quando afirmou que a crise política no setor teve repercussão no ritmo das obras.

O que interessa é a obra física

A imprensa, em seu balanço sobre o PAC, omite o que realmente interessa para os usuários das obras de logística e transportes. Como diz José Augusto Valente, diretor da agência T1, ao invés de olhar para a execução física da obra, mira na execução financeira (leia em Nossos Convidados). Há um intervalo natural entre a conclusão de uma parte ou de toda a obra e o seu pagamento, já que ninguém paga por serviço não executado. Na administração pública, devido à legislação existente no país, uma obra (ou parte dela) fica pronta hoje e a empresa somente receberá daqui a dois meses.

Na prática, pouco se falou já foram investidos R$ 86,4 bilhões no primeiro semestre de 2011 e que, até 2014, 74% do valor das obras serão concluídas. Ou que a lei de licitações exige só o projeto básico para a contratação das empreiteiras. As novas regras, promulgadas pelo governo para evitar aditivos nos contratos nas obras rodoviárias e ferroviárias, são resultante do zelo com que o governo quer conduzir o PAC.

O PAC 2, relativo aos projetos previstos entre 2011 e 2014, compreende investimentos próximos a um trilhão de reais. Para ser mais preciso, R$ 955 bilhões. O balanço do governo informa que até 2014 serão investidos R$ 708 bilhões, o que representa 74% do total previsto. O restante diz respeito a obras de maior duração, como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste.

Impactos diretos no PIB

Já disse aqui que os investimentos do  PAC 1 tiveram um impacto importante no PIB brasileiro, que registrou aumentos de 5% e 7%, a partir de 2007. O que possibilitou entre janeiro de 2007 e junho de 2011, a geração de 8,9 milhões empregos formais.

Agora, com o PAC 2, o desenvolvimento da infraestrutura do país segue com ritmo forte. Entre os diversos projetos, há 17 obras de aeroportos em andamento, R$ 18 bilhões investidos na mobilidade urbana de cidades com mais de 700 mil habitantes, R$ 5,2 bilhões contratados para a prevenção de desastres naturais. Também, o programa Luz para Todos já entregou 131 mil ligações neste primeiro semestre, das 813 mil ligações prometidas até 2014.
  

Link:
http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&&id=12764&Itemid=2

O terrorista louro de olhos azuis!

O terrorista louro de olhos azuis

Por Frei Betto, no sítio da Adital:

Preconceitos, como mentiras, nascem da falta de informação (ignorância) e excesso de repetição. Se pais de uma criança branca se referem em termos pejorativos a negros e indígenas, judeus e homossexuais, dificilmente a criança, quando adulta, escapará do preconceito.

A mídia usamericana incutiu no Ocidente o sofisma de que todo muçulmano é um terrorista em potencial. O que induziu o papa Bento XVI a cometer a gafe de declarar, na Alemanha, que o Islã é originariamente violento e, em sua primeira visita aos EUA, comparecer a uma sinagoga sem o cuidado de repetir o gesto numa mesquita.

Em qualquer aeroporto de países desenvolvidos um passageiro em trajes islâmicos ou cujos traços fisionômicos lembrem um saudita, com certeza será parado e meticulosamente revistado. Ali reside o perigo... alerta o preconceito infundido.

Ora, o terrorismo não foi inventado pelos fundamentalistas islâmicos. Dele foram vítimas os árabes atacados pelas Cruzadas e os 70 milhões de indígenas mortos na América Latina, no decorrer do século 16, em decorrência da colonização ibérica.

O maior atentado terrorista da história não foi a queda, em Nova York, das torres gêmeas, há 10 anos, e que causou a morte de 3 mil pessoas. Foi o praticado pelo governo dos EUA: as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Morreram 242.437 mil civis, sem contar as mortes posteriores por efeito da contaminação.

Súbito, a pacata Noruega – tão pacata que, anualmente, concede o Prêmio Nobel da Paz – vê-se palco de dois atentados terroristas que deixam dezenas de mortos e muitos feridos. A imagem bucólica do país escandinavo é apenas aparente. Tropas norueguesas também intervêm no Afeganistão e deram apoio aos EUA na guerra do Iraque.

Tão logo a notícia correu mundo, a suspeita recaiu sobre os islâmicos. O duplo atentado, no gabinete do primeiro-ministro e na ilha de Utoeya, teria sido um revide ao assassinato de Bin Laden e às caricaturas de Maomé publicadas pela imprensa escandinava. O preconceito estava entranhado na lógica ocidental.

A verdade, ao vir à tona, constrangeu os preconceituosos. O autor do hediondo crime foi o jovem norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, branco, louro, de olhos azuis, adepto da fisicultura e dono de uma fazenda de produtos orgânicos. O tipo do sujeito que jamais levantaria suspeitas na alfândega dos EUA. Ele "é dos nossos”, diriam os policiais condicionados a suspeitar de quem não tem a pele suficientemente clara nem olhos azuis ou verdes.

Democracia é diversidade de opiniões. Mas o que o Ocidente sabe do conceito de terrorismo na cabeça de um vietnamita, iraquiano ou afegão? O que pensa um líbio sujeito a ser atingido por um míssil atirado pela OTAN sobre a população civil de seu país, como denunciou o núncio apostólico em Trípoli?

Anders é um típico escandinavo. Tem a aparência de príncipe. E alma de viking. É o que a mídia e a educação deveriam se perguntar: o que estamos incutindo na cabeça das pessoas? Ambições ou valores? Preconceitos ou princípios? Egocentrismo ou ética?

O ser humano é a alma que carrega. Amy Winehouse tinha apenas 27 anos, sucesso mundial como compositora e intérprete, e uma fortuna incalculável. Nada disso a fez uma mulher feliz. O que não encontrou em si ela buscou nas drogas e no álcool. Morreu prematuramente, solitária, em casa.

O que esperar de uma sociedade em que, entre cada 10 filmes, 8 exaltam a violência; o pai abraça o filho em público e os dois são agredidos como homossexuais; o motorista de um Porsche se choca a 150km por hora com uma jovem advogada que perece no acidente e ele continua solto; o político fica indignado com o bandido que assaltou a filha dele e, no entanto, mete a mão no dinheiro público e ainda estranha ao ser demitido?

Enquanto a diferença gerar divergência permaneceremos na pré-história do projeto civilizatório verdadeiramente humano.
 



http://altamiroborges.blogspot.com/2011/07/o-terrorista-louro-de-olhos-azuis.html#more

Celso Lungaretti : Ex-torturador é chefão da Máfia do Bingo!

BAÚ DO CELSÃO: O TORTURADOR QUE VIROU BICHEIRO - por Celso Lungaretti!

Escrevi o artigo abaixo em abril/2007. Mais de quatro anos depois, continua 
tudo praticamente na mesma, com o personagem principal se mantendo 
como um dos principais chefões da jogatina ilegal em Niterói e 
sendo um grande financiador de escolas de samba.
Celso Lungaretti : EX-TORTURADOR É CHEFÃO DA MÁFIA DO BINGO

Uma de suas muitas detenções,
em 2007; acaba sempre saindo.
Mais uma vez o ex-capitão do Exército Ailton Guimarães Jorge freqüenta o noticiário policial, agora como um dos 25 contraventores cuja prisão foi pedida pela Polícia Federal, sob a acusação de explorarem jogos de azar no País, inclusive subornando membros do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, ele já havia sido condenado em 1993 por envolvimento com o jogo-do-bicho, ao lado de outros 13  banqueiros, pela juíza Denise Frossard. Sabia-se que eles todos eram responsáveis por, pelo menos, 53 mortes.

Pegaram seis anos de prisão cada, a pena máxima por formação de quadrilha. Mas, em dezembro de 1996 estavam todos de volta às ruas, beneficiados por liberdade condicional ou indultos.

Não são só os crimes atuais que fazem do  Capitão Guimarães  um personagem emblemático do que há de pior neste país. Ele é o mais notório exemplo vivo do banditismo inerente aos órgãos de repressão da ditadura militar.

A outra celebridade capaz de rivalizar com ele nesse quesito já morreu, ao que tudo indica como um  arquivo apagado  pelos próprios cúmplices: o delegado Sérgio Paranhos Fleury, em cujo benefício os militares chegaram até a criar uma lei, com o único propósito de mantê-lo fora das grades.

O Capitão Guimarães atuava na II seção (Inteligência) da PE da Vila Militar (RJ), que, como todas as equipes de torturadores da ditadura, auferia ganhos substanciais ao capturar ou matar militantes revolucionários.

Tudo que era apreendido com os resistentes e tivesse algum valor, virava butim a ser rateado entre aqueles rapinantes. Jamais cogitavam, p. ex., devolver o dinheiro aos bancos que haviam sido  expropriados  pelos guerrilheiros urbanos. Numerário, veículos, armas e até objetos de uso pessoal iam sempre para a  caixinha  do bando. De mim, até os óculos roubaram.

Havia também as vultosas recompensas oferecidas pelos empresários fascistas. Estes acertaram inclusive uma tabela com os órgãos de repressão: dirigente revolucionário preso valia tanto; integrante de  grupo de fogo, um pouco menos, e assim por diante.

Depois desta edição da Veja, a
censura no Brasil passou a ser total
Ocorre que, em novembro de 1969, como conseqüência das torturas aplicadas por Ailton Guimarães Jorge e seus comparsas, morreu o estudante Chael Charles Schreier. O episódio repercutiu pessimamente no mundo inteiro e no próprio Brasil, onde a revista Veja fez uma matéria-de-capa histórica sobre as torturas.

As Forças Armadas decidiram, então, proibir que a unidade de Inteligência de cada Arma fosse à caça por sua própria conta. 

Unificaram o combate à luta armada no quartel da PE da rua Barão de Mesquita (Tijuca), que passou a ser a sede do DOI-Codi/RJ, integrado por oficiais da II Seção do Exército, do Serviço de Informações da Aeronáutica (Sisa) e do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), mais investigadores da polícia civil.

A equipe do Ailton Guimarães Jorge, até como punição pela morte do Schreier, foi alijada desse vantajoso esquema. Então, quando cheguei preso lá, em junho de 1970, aqueles rapinantes estavam desesperados com a falta de grana.

Tinham se habituado a um padrão de vida mais elevado e já não conseguiam subsistir apenas com o soldo. Tentavam de todas as maneiras convencer seus superiores de que mereciam ser readmitidos no combate à luta armada, em vão.

Foi por isso que, em 1974, a equipe de torturadores da PE da Vila Militar envolveu-se com contrabandistas: como forma de obter a renda adicional que tanto lhe fazia falta. 

Mas, tornaram-se ambiciosos demais. Tentaram roubar dos outros bandidos uma carga particularmente valiosa, houve troca de tiros e a matéria fecal foi para o ventilador...  

O Exército instaurou um Inquérito Policial-Militar contra soldados, cabos, sargentos e quatro oficiais, inclusive o tenente Ailton Joaquim (um dos 10 piores torturadores do período, segundo o Tortura Nunca Mais) e o capitão Aílton Guimarães Jorge.

Justiça poética – As investigações foram conduzidas com o método que o Exército invariavelmente utilizava. Então, aqueles notórios torturadores acabaram conhecendo na própria pele a tortura. Houve até caso de assédio sexual à esposa de um dos acusados, por parte dos seus próprios colegas de farda!

Como o Élio Gaspari relata em A ditadura escancarada, o caso acabou, entretanto, em pizza:
"Todos os indiciados disseram em juízo que o coronel do 1PM lhes extorquira as confissões. A maioria deles sustentou que, surrados, assinaram os papéis sem lê-los. Num procedimento inédito, os oficiais do Conselho de Justiça decidiram que o processo tramitaria em segredo. Durante o julgamento a promotoria jogou a toalha, e, em maio de 1979, os 21 acusados foram absolvidos. 
O caso voltou ao STM, cinco ministros recusaram-se a relatá-lo, e, por unanimidade, confirmou-se a absolvição. 
O Superior Tribunal Militar, hoje.
Nos anos 70, inocentou a gangue da PE.
A sentença baseou-se num só argumento: ‘Tudo o que se apurou nestes autos, o foi, exclusivamente, através de confissões, declarações e depoimentos extrajudiciais, retratados e desmentidos posteriormente em juízo, sob a alegação de violências e ameaças praticadas durante o IPM'".
Ora, todos os IPMs instaurados contra os resistentes poderiam ser anulados pelos mesmíssimos motivos. Dois pesos, duas medidas.

A carreira militar do Capitão Guimarães, ficou, entretanto, comprometida. Nos quartéis, ele seria sempre visto como ovelha negra e apenas tolerado. Então, pediu baixa e foi capitanear o jogo-do-bicho, conforme narra o Gaspari:
"Coube ao bicheiro Tio Patinhas consertar a vida de Ailton Guimarães Jorge. (...) O processo do contrabando ainda tramitava (...) quando ele se transferiu formalmente para a contravenção, levando a patente por apelido e diversos colegas como colaboradores. 

Começou como gerente do banqueiro Guto, sob cujo controle estavam quatro municípios fluminenses. Um dia três visitantes misteriosos tiraram Guto de casa e sumiram com ele. (...) Tio Patinhas passou-lhe a banca. 

Em três anos o Capitão Guimarães foi de tenente a general, sentando-se no conselho dos sete grandes do bicho, redigindo as atas das reuniões, delimitando as zonas dos pequenos banqueiros. Seu território estendeu-se de Niterói ao Espírito Santo. 

Seguindo a etiqueta de legitimação social de seus pares, apadrinhou a escola de samba Unidos de Vila Isabel e virou a maior autoridade do Carnaval, presidindo a liga das escolas do Rio de Janeiro. 

Rico e famoso, adquiriu uma aparência de árvore de Natal pelas cores de suas roupas e pelo ouro de seus cordões. Tornou-se um dos mais conhecidos comandantes da contravenção carioca.
Tão desfigurado o Eremias ficou que
a repressão anunciou o morto errado
Do seu tempo da PE ficou-lhe o guarda-costas, um imenso ex-cabo que, como ele, começara no crime organizado da repressão política".
Esse cabo, Marco Antônio Povorelli, pesava 140 quilos e lutava judô. No final de 1969, ao tentar prender meu companheiro Eremias Delizoicov, que tinha apenas 18 anos, foi por ele atingido com um disparo no braço. 

Povorelli e os outros torturadores/meliantes retalharam então o Eremias com 35 tiros, tornando impossível até sua identificação (só souberam quem era pelas digitais).

Depois, em junho de 1970, unicamente por ter sabido que eu era amigo do Eremias desde a infância, ele fez questão de vingar-se em mim pelo final prematuro de sua carreira de judoca: estourou meu tímpano com um fortíssimo tapa de mão aberta. Nunca mais tive audição normal, apesar das três cirurgias por que passei.

Eram esses os ratos de esgoto dos quais a ditadura servia-se para combater os heróis e mártires da resistência.
Link:
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2011/07/anos-de-chumbo-o-torturador-que-virou.html

sábado, 30 de julho de 2011

Aos 103 anos, mulher começa a estudar no interior da Bahia!

Aos 103 anos, mulher começa a estudar no interior da Bahia

Independente, lúcida e ainda dando tragos no seu cachimbo, Dona Beduína já aprendeu a escrever o primeiro nome

Thiago Guimarães, iG Bahia | 30/07/2011 
 
A aluna mais aplicada do curso de alfabetização de adultos em São Sebastião do Passé (68 km de Salvador) não perde um dia de aula. Sob sol ou chuva, caminha 200 metros até a escola, quatro noites por semana. 
 
Enquanto conhece letras e números, divide lembranças raras: a morte do cangaceiro Lampião, Primeira Guerra Mundial, a “grande seca” de 1932 na Bahia. 
 

Foto: Thiago Guimarães/iG 
 
Maria Joviniana e a bisneta na sala de aula em São Sebastião do Passé, no interior da Bahia: "Nunca me dediquei a estudar, e não tinha escola como tem hoje".
Maria Joviniana dos Santos tem 103 anos, como atestam 19 comprovantes de votação bem gastos que faz questão de mostrar. Nasceu em 15 de julho de 1908, no Brasil que vivia o quinto governo da República, somava 20 anos sem escravidão e apenas 600 carros - importados - pelas ruas.

Dona Beduína, como é conhecida, atendeu ao chamado de uma educadora de 33 anos que, em fevereiro deste ano, passou por sua rua recrutando alunos para um programa de alfabetização do governo estadual. “É ruim ver a palavra de Deus e não saber explicar, ver uma receita médica, não saber que dia é. Eu disse: não estou fazendo nada, vamos ver se aprendo alguma coisa”, diz a centenária.

É ruim ver a palavra de Deus e não saber explicar, ver uma receita médica, não saber que dia é. Eu disse: não estou fazendo nada, vamos ver se aprendo alguma coisa"
Com lucidez e energia notáveis, dona Beduína conta que teve poucas possibilidades de estudar - chegou a cursar o extinto Mobral, programa de alfabetização do regime militar, mas a experiência durou pouco. “Nunca me dediquei a estudar, e não tinha escola como tem hoje.”

A trajetória da baiana do Recôncavo acompanhou a de São Sebastião do Passé, embora tenha nascido antes da criação oficial do município, em 1926. Viveu de fazenda em fazenda com o pai, que era caseiro, ao sabor dos resultados nas roças de mandioca, principal cultivo local. A cultura declinou diante da pecuária, o pai foi ser carroceiro em Salvador e a menina ficou com a avó, parteira, em Lameirão do Passé, distrito a 18 km da sede da cidade.

Dos tempos com a avó, Joviniana conta das mangabas - fruto cultivado há séculos pelos povos do sertão brasileiro - que catavam e reuniam em latas para vender. Havia também o coco e o óleo da piaçava, espécie nativa baiana, e a água que a avó buscava longe para as casas mais abastadas, naqueles tempos sem encanamento. “Botava água para ganhar um litro de farinha, um pedaço de carne. Disso a gente ia vivendo.”

A memória também evoca fatos históricos, como a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e os tios que se jogavam em rios para fugir dos “carros forrados com lona verde” do recrutamento “porque não tinha esse negócio de ir para a guerra”.

Canta “Salve a Princesa Isabel”, samba de 1948 de Paquito e Luis Soberano, e se lembra do jornal que estampava as cabeças cortadas do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o cangaceiro Lampião, morto em 1938. “Ele era uma boa pessoa”, diz.


Aulas em família

Na sala da escola estadual Luís Eduardo Magalhães, dona Beduína já escreve o primeiro nome. “Ela conta muitos casos. Se deixar, acho que até dá aula, mas é bastante concentrada na hora da atividade”, diz a estudante de pedagogia Francisca Ferreira, professora da turma de 20 alunos de 22 a 103 anos, a maior parte entre 50 e 60 anos.

Desisti da irmandade porque não dorme com marido, não bebe cachaça, não fuma, não come carne"
Joviniana é um dos 351 alunos em São Sebastião do Passé do Topa (Todos pela Alfabetização), programa do governo Jaques Wagner (PT). A iniciativa reflete velhos problemas da educação do País – os professores do programa, todos voluntários, ainda não receberam em 2011 a ajuda de custo mensal de R$ 250.

A Secretaria da Educação da Bahia informou que os repasses estão atrasados porque a prefeitura de São Sebastião do Passé não confirmou dados de presença dos docentes. A prefeitura disse estar providenciando as informações.

Para além das dificuldades, o exemplo da estudante centenária animou Maria da Silva dos Santos, 59 anos, que também passou a frequentar as aulas e caminha de mãos dadas com a amiga até a escola todos os dias. Outra colega é Maria Cecília dos Santos, 58 anos, uma das sete filhas de dona Beduína.

Ao todo, a matriarca teve quatro maridos (o último morreu há cerca de dez anos) e 17 filhos, dos quais 14 estão vivos, espalhados por cidades do entorno de Salvador e em São Paulo. São 92 netos, e a família já perdeu a conta dos outros descendentes.


Foto: Thiago Guimarães/iG Ampliar
Bahia é o Estado com mais brasileiros centenários: são 3.525 ao todo, segundo o censo 2010 do IBGE. Entre eles, dona Beduína
Fumo e feijão

A Bahia é o Estado com mais brasileiros centenários – são 3.525 ao todo, segundo o censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - entre eles, dona Canô, mãe do cantor e compositor Caetano Veloso.

Dona Beduína diz que ajuda a compor a estatística com muito feijão. “Como feijão ao meio-dia, à noite. É meu café.”

Joviniana também dá seus tragos de cachimbo até hoje. “Solta o catarro da garganta e desentope o ouvido”, diz. Conta que já gostou de cachaça e “muita pimenta”, mas agora só de vez em quando.

Ela afirma que até pensou em fazer parte, quando jovem, de uma irmandade, associações religiosas de caráter comunitário. “Desisti da irmandade porque não dorme com marido, não bebe cachaça, não fuma, não come carne.”

Dona Beduína vive apenas com um neto de 26 anos. Uma filha mora ao lado, mas a centenária é independente. Serve café, conversa com a reportagem e se prepara para mais uma noite de aula – o curso de alfabetização, de 360 horas, vai até o final do ano. “A gente nessa idade ficar dentro de casa é muito ruim, a doença toma conta. Vamos para ver se ainda aprendo alguma coisa.”

Link:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/aos+103+anos+mulher+comeca+a+estudar+no+interior+da+bahia/n1597107440537.html

Meu Comentário!

Esta senhora da Bahia é um verdadeiro exemplo. 

Parabéns por seu esforço e força de vontade, 'dona' Maria Joviniana.

A atitude dela prova que nunca é tarde demais para começar a estudar. Quem diz isso não passa de um preguiçoso e sem-vergonha.

Gastos com juros da dívida pública caem 40% no governo Lula e o UOL esconde! - por Marcos Doniseti!

Gastos com juros da dívida pública caem 40% no governo Lula e o UOL esconde! - por Marcos Doniseti!


Vocês notaram a malandragem (para não dizer desonestidade, mesmo) do UOL em uma notícia a respeito da dívida pública brasileira?

O site de economia do portal tinha que dar a notícia de que os gastos com juros da dívida pública brasileira foram reduzidos no governo Lula, de 8,5% do PIB em 2003 para 5,1% do PIB em 2010, acumulando uma queda de 40% em 8 anos.

Mas fazer isso seria o mesmo que elogiar o governo Lula, o que para o Tavinho Ditabranda deve ser algo inadmissível.

Então, o que os pilantras do UOL fizeram? Simples: eles misturaram a informação da redução dos gastos com juros da dívida pública brasileira com informações sobre o mesmo item de países como Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, etc.

Com isso, o UOL tentou diminuir a importância da melhoria alcançada pelo governo Lula neste aspecto fundamental da política econômica adotada durante o seu governo.

É claro que estes países, citados na matéria do UOL, tem condições melhores de financiar a sua dívida pública do que o Brasil e por vários motivos:

1) Eles são muito mais ricos do que o Brasil, com rendas per capita de cerca de US$ 45 mil dólares anuais, contra cerca de US$ 11 mil anuais do Brasil.

Em função disso, é claro que eles podem, e conseguem, obter empréstimos em condições melhores do que o Brasil. Afinal, eles são muito mais ricos do que nós.

Isso também acontece com empresas e pessoas físicas.

Se uma empresa ou pessoa muito rica for ao banco para conseguir um empréstimo, ela também conseguirá condições melhores de financiamento do que uma empresa ou pessoa muito mais pobre.

Qualquer pessoa bem informada sabe disso, menos os funcionários do UOL que escreveram tal matéria, coitados.

2) O perfil da dívida pública destes países é bem melhor do que a do Brasil.

Enquanto a dívida pública brasileira é fortemente concentrada no curtíssimo prazo (25% dos títulos públicos da dívida interna vencem em um prazo máximo de 12 meses; 90% dos títulos da dívida pública vencem em um prazo máximo de 3 anos), em países como a Itália, Alemanha, Japão, Reino Unido e EUA, os títulos públicos tem uma prazo de vencimento superior a 10 anos. Grande parte, inclusive, tem um prazo de vencimento de 30 anos.

Assim, como  o perfil da dívida pública brasileira é muito pior do que a destes países, o nosso país paga juros maiores do que os mesmos.

3) O Brasil possui uma tradição de calotes e moratórias, tando da dívida externa (1982, 1988), como na dívida interna (1990, no governo Collor, com o confisco) que os outros países citados na matéria do UOL não possuem.

E é claro que isso encarece o custo dos empréstimos quando o país retorna para o mercado nacional e internacional de crédito.

Os credores emprestam para o Brasil, sim, mas exigem juros bem maiores em função justamente dessa triste tradição tupiniquim de promover, com muita frequência, calotes e moratórias em seus credores.

Todos estes aspectos explicam porque o custo da dívida pública brasileira é superior ao dos outros países.

Mas é claro que tais informações não aparecem no texto do UOL.

Por que será, hein?

Com Dilma, PAC conclui 6% das obras e iguala melhor índice de Lula!

Com Dilma, PAC conclui 6% das obras e iguala melhor índice de Lula

Investimentos na fase 2 do Programa de Aceleração do Crescimento atingem R$ 86 bilhões, 9% do orçamento previsto até 2014. Do total, R$ 45 bi destinaram-se a obras que já ficaram prontas, 6% das inaugurações prometidas até o fim da gestão Dilma. Desembolso da parte pública 'iguala' melhor ano do PAC com Lula, segundo ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para quem fase 1 ajudou governo a 'reaprender' a fazer obras. Divulgado nesta sexta-feira (29/07), primeiro balanço do PAC 2 foi antecipado por ordem de Dilma por causa da crise no ministério dos Transportes. Pela mesma razão, presidenta já cogita retomar balanços a cada quatro meses.

BRASÍLIA – O primeiro balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na gestão Dilma Rousseff mostra a conclusão de 6% das obras prometidas até o fim do mandato dela e um ritmo de investimento do governo (parte do dinheiro é privado) próximo ao de 2010, tido como melhor ano do PAC desde seu lançamento, em 2007.

Das obras orçadas em R$ 708 bilhões que o governo diz que vai entregar até 2014, R$ 45 bilhões foram gastos, durante o primeiro semestre, em projetos que já ficaram prontos. A maior fatia foi para a construção de casas e para o setor energético.

No total, o PAC recebeu, de janeiro a junho, R$ 86 bilhões, considerando inclusive dinheiro aplicado por empresas privadas, não só pelo setor público. O orçamento geral do programa até 2014 é de R$ 955 bilhões. Uma parcela de 25% (R$ 247 bilhões) refere-se a obras que só vão terminar depois do fim do mandato de Dilma.

No semestre, o governo empenhou (primeira etapa de um pagamento efetivo) R$ 11 bilhões em recursos federais para obras do PAC. Isso equivale a 37% do que está previsto para o ano todo (R$ 27 bilhões). E pagou de fato R$ 10 bilhões, sendo R$ 8 bilhões com dinheiro do orçamento do ano passado e R$ 2 bilhões, com recursos de 2011.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29/07), durante o primeiro balanço do PAC 2 no governo Dilma Rousseff, em evento com 14, dos 37 ministros.

Nos sete meses inicias de 2010, ainda na fase 1 do PAC, os números de empenho e pagamento eram quase iguais – nos dois casos, só muda a casa depois da vírgula.

Para a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, coordenadora do PAC, a execução em 2011 pode ser considerada positiva. “O país usou estes quatro anos do PAC 1 para reaprender a fazer obras de infra-estrutura”, disse a ministra. “Agora, estamos no mesmo patamar do melhor ano do PAC. Mas queremos avançar”, completou.

Fator 'crise nos Transportes'

O primeiro balanço do PAC 2 na administração Dilma trouxe uma novidade que pode não resistir até o próximo. No início do ano, o governo havia decidido divulgar apenas dois levantamentos por ano até 2014, um por semestre. Na gestão Lula, eram três - um a cada quatro meses. O governo Dilma imaginou que seria melhor espaçar os balançar para captar melhor a evolução de obras que, às vezes, são de grande vulto.

Mas, segundo Carta Maior apurou, a presidenta está repensando a decisão por causa da recente crise no ministério dos Transportes. Hoje, está inclinada a devolver o balanço à quadrimestralidade. Não quer que o governo passe a impressão de que divulga menos balanços para esconder da opinião pública problemas em obras de transportes.

Além disso, o governo sabe que preparar balanços dos PAC é um instrumento de gestão – quando pede números aos ministérios, a coordenação do PAC está, de certa forma, exercendo um controle externo dos responsáveis pelas obras e cobrando resultados. Trazer à tona, com mais freqüência, falhas no andamento de obras seria um modo de Dilma fortalecer, perante o partido aliado (PR) que controla o ministério dos Transportes desde de 2003, a decisão dela fazer troca de cargos no setor.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2012, uma espécie de prévia do orçamento, foi aprovada pelo Congresso, em meados de julho, com a determinação de que o balanço do PAC seja semestral. O projeto original do governo mantinha a sistemática quadrimestral, mas, a pedido do próprio governo, segundo informou o relator da LDO, deputado Marcio Reinaldo Moreira (PP-MG), o Congresso alterou para seis meses. A tendência atual é que Dilma vete este dispositivo.

Também segundo Carta Maior apurou, foi por causa da crise na área dos transportes, que Dilma determinou ao ministério do Planejamento que antecipasse o primeiro balanço do PAC da gestão dela. O ministério pretendia fazê-lo em meados de agosto.

Durante a apresentação do balanço, o novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse que a crise na pasta “tem algum reflexo, mas controlável” no balanço do PAC especificamente na área dele. “Já estamos saindo da crise, fazendo os ajustes necessários”, afirmou.

Na entrevista, Passos disse ainda que a presidenta cobrou uma “revisão geral” de todos os projetos na área de transportes. Sobretudo daqueles que ainda não saíram do papel, nem foram licitados. Nestes, o ministério vai botar uma “lupa muito grande”, para corrigir falhas no nascedouro.



Link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18141

Emir Sader: Diario da Nova China (5): Com a palavra, os chineses!

Emir Sader: Diario da Nova China (5): Com a palavra, os chineses!

Extratos da imprensa chinesa:

1. No auge da crise econômica dos países centrais do capitalismo, Cameron segue a Hillary e vai à África fazer propaganda do seu modelo e falar mal da China. Levou o troco:

“Durante a primeira visita do Primeiro Ministro britânico à África, obscurecido pelos escândalos que ele vive no seu pais, ele não se esqueceu de dar uma aula para sobre a democracia ocidental e o livro comércio para os africanos na Nigéria. Ele enviou uma clara advertência aos países africanos: Não copiem o modelo chinês de desenvolvimento, que é um capitalismo autoritário, apenas uma sociedade livre pode trazer estabilidade e desenvolvimento à África. Isto é, o sistema ocidental é a única opção para os países africanos.

É comum os ocidentais pregarem sobre os “males” da China nas suas visitas à África. O sermão de Cameron foi o segundo em um mês, seguida da mesma dura leitura feita pela Secretaria de Estado dos EUA, Hillary Clinton há poucas semanas. Ambos buscavam desacreditar o modelo chinês de desenvolvimento.

É o Ocidente um modelo pelo qual devem ser medidos os méritos de um modelo de desenvolvimento? A resposta é não. Condições nacionais diferentes e a diversidade cultural determinam que não há uma medida comum para todos os sistemas sociais ou modelos de desenvolvimento.

O Ocidente, com orgulho e preconceito, gosta de louvar o seu modelo de desenvolvimento como a norma universal e desdenha qualquer outro modelo de desenvolvimento. Esta abordagem é a expressão da sua mente hegemonista e autoritária que é contrária ao espirito da democracia.

É o Ocidente realmente um modelo tão perfeito? Tendo em vista os resultados lamentáveis causados pela implementação forçada dos ajustes ocidentais nos sistemas políticos e econômicos da Africa durante os anos 1980 e 1990, ou o desastre humanitário produzido pelo bombardeios da OTAN na Libia atualmente, mesmo um breve olhar para os escândalos nos países ocidentais mostrarão como é ruim o modelo ocidental.

As crises financeiras, as crises das dívidas, os escândalos das escutas telefônicas expõem as enfermidades e os problemas do sistema ocidental, e refletem o caráter das crises financeiras e da mídias gigantes que proclamam suas ações em nome da liberdade e da democracia.

O Ocidente não tem moral para dar lições para os países em desenvolvimento. A enorme riqueza acumulada pelas nações ocidentais se baseou na exploração das colônias. Sua verdadeira intenção ao dar essas “lições” é manter os países em desenvolvimento como vassalos eternos do Ocidente.

Pode alguma nação aprender lições da experiência chinesa de desenvolvimento? Nós, honestamente, dizemos que “sim”. A China tornou-se um dos países do mundo com desenvolvimento mais rápido, um dos países mais dinâmicos, que uma fenomenal promoção da qualidade de vida do seu povo como resultado de 30 anos de desenvolvimento. E o desenvolvimento histórico da China está apenas começando. Há uma esplendida história a realizar nos próximos anos.

Isto é claro, é devido, em grande medida, ao modelo de desenvolvimento escolhido pela China e ao sistema socialista com suas características chinesas. Mesmo o próprio Cameron teve que admitir que a expansão da China propõe “um novo caminho para o desenvolvimento”. Não importa que atitude o Ocidente tome em relação à China, o desenvolvimento do país tem e continuará a ter um efeito positivo no mundo.

Atacar as relações entre a china e a África revela uma falta de confiança do Ocidente. Sua tentativa é a de desacreditar a China diante da África como um meio para salvaguardar seu controle e seu monopólio sobre a África nos planos intelectual, politico, econômico, cultural e atacar a auto consciência e o desenvolvimento autônomo da África.

Nesse sentido, Cameron, que apelou aos africanos para “sair das sombras do colonialismo”, continuou a promover o “capitalismo autoritário” do Ocidente.

A China espera que os africanos encontrem sua própria via de desenvolvimento de acordo com suas condições práticas e está feliz de compartilhar sua experiência com os países africanos.

A China não imporá de forma alguma seu modelo à África. O futuro da África está nas mãos dos próprios africanos, que é exatamente o que os países ocidentais não querem que ocorra.”

Liang Xiaoning (Especialista em estudos africanos)
ChinaDaily 29/07/2011

Postado por Emir Sader

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Obama e a grande chantagem da dívida- por Alejandro Nadal!

Obama e a grande chantagem da dívida- por Alejandro Nadal!

A direita nos Estados Unidos já conseguiu entronizar como verdade absoluta a ideia falaciosa de que a maioria da população quer apertar o cinto dos gastos excessivos de um governo gastador. Obama contribuiu para esse triunfo e entregou sua presidência aos conservadores numa bandeja de prata. Na verdade, a Casa Branca capitulou faz tempo. Sabia que o estímulo fiscal aprovado no início da administração era insuficiente e sua duração demasiadamente curta. Ao negar-se a lançar um novo pacote fiscal, Obama colocou a corda no pescoço.

A coerção é a arma política preferida em Washington. Frente à necessidade legal de elevar o teto do endividamento do governo federal, o Partido Republicano e todas as forças da direita conservadora têm ameaçado o chefe do Executivo: ou se encara realmente o problema do déficit com fortes cortes no gasto público, ou será negada a autorização para elevar o teto de endividamento.

A direita nos Estados Unidos já conseguiu entronizar como verdade absoluta a ideia falaciosa de que a maioria da população quer apertar o cinto dos gastos excessivos de um governo gastador. Obama contribuiu para esse triunfo e entregou sua presidência aos conservadores numa bandeja de prata.

Na verdade, a Casa Branca capitulou faz tempo. Sabia que o estímulo fiscal aprovado no início da administração era insuficiente e sua duração demasiadamente curta. Ao negar-se a lançar um novo pacote fiscal, Obama colocou a corda no pescoço. Quando o efeito do primeiro estímulo se esgotou, Obama foi alvo das críticas pelo fracasso de seu plano.

Prontamente, por um passe de mágica, a crise começou a ser percebida como estando relacionada mais com o mau manejo da economia sob Obama do que com os vinte anos de desregulação e abusos no setor financeiro. A discussão passou da necessidade de enquadrar o setor financeiro para a urgência de cortar o déficit.

A realidade é que é absurdo querer resolver o problema do déficit fiscal no meio de uma recessão. Há, na atualidade, um altíssimo nível de desemprego nos Estados Unidos (ao redor de 20 milhões de pessoas em situação de desemprego total ou parcial) e os salários encontram-se deprimidos. O que, em um certo momento, permitiu aos consumidores manter sua demanda foi o valor de suas casas, mas agora o preço desses ativos segue caindo. A demanda agregada desabou e as empresas não estão contratando mais trabalhadores, o que conduz a um círculo vicioso que só pode ser rompido com um estímulo fiscal. Isso permitiria incrementar a arrecadação e reduzir o déficit. O Congresso e Obama escolheram outro caminho: a única coisa que se fala em Washington é sobre a necessidade de reduzir o gasto para abater o déficit.

Na verdade, um governo pode reduzir o déficit de duas maneiras: pode aumentar suas receitas fiscais ou pode reduzir o gasto público. As pesquisas revelam que a maioria dos estadunidenses está a favor do aumento de impostos para os setores mais ricos, que se beneficiaram do modelo neoliberal durante décadas. Mas a classe política em Washington (quer dizer, os partidos Democrata e Republicano) já aceitou que incrementar a arrecadação não é o caminho para reduzir o déficit. Aqui fica demonstrado quem detém o poder real na democracia estadunidense. Em troca, os políticos em Washington preferem reduzir o gasto público, o que necessariamente provocará uma maior contração da economia desse país. Os conservadores não parecem muito preocupados com isso porque o desgaste político será de Barack Obama.

Ao invés de apresentar opções com liderança, Obama preferiu acomodar-se às prioridades dos conservadores. Em vez de enfrentar com outras opções o problema das finanças públicas, escolheu submeter-se. A verdade é que não é necessário incrementar o endividamento porque existem muitas alternativas. Além de aumentar a arrecadação, um corte no gasto militar é uma opção evidente, mas o orçamento do Pentágono aumentou todos os anos sob a administração Obama.

O mais importante teria sido uma verdadeira reforma no sistema de saúde. Hoje em dia esse sistema está integrado pela seguridade social e pelos programas Medicare e Medicaid. O gasto nestes setores é o fator mais importante no crescimento do déficit. Mas o custo do sistema de saúde deve-se ao controle dos monopólios na indústria farmacêutica e nas seguradoras. Os dados da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) revelam que o gasto no sistema social de saúde nos EUA é superior ao de países como Alemanha ou Suíça. Mas, em termos de qualidade, o serviço nos estabelecimentos estadunidenses está muito abaixo do desses países. A realidade é que o complexo farmacêutico-securitário é tão ou mais poderoso do que o complexo militar-industrial quando consideramos seu impacto nas contas públicas. A proposta em Washington para reduzir o gasto no sistema de saúde pública não passa por controlar os oligopólios. A redução será feita cortando o número de pessoas cobertas por esses serviços e piorando a qualidade dos mesmos.

A chantagem funcionou. Diz-se (em ambos os partidos) que, se não se aceitar o plano dos conservadores, sobreviria uma hecatombe. Isso teria que ser analisado com cuidado. No momento, a classe política em Washington abraçou essa argumentação porque o que interessa a ela é desmantelar os últimos vestígios do estado de bem-estar nos Estados Unidos.

Tradução: Katarina Peixoto

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A crise ideológica do capitalismo ocidental- por Joseph Stiglitz!

A crise ideológica do capitalismo ocidental- por Joseph Stiglitz!

Realmente precisamos de outro experimento custoso com ideias que fracassaram repetidamente? Não deveríamos precisar, no entanto, parece cada vez mais que teremos que suportar outro fracasso. Um fracasso na Europa ou nos Estados Unidos para voltar ao crescimento sólido seria ruim para a economia mundial. Um fracasso em ambos os lugares seria desastroso – inclusive se os principais países emergentes conseguirem um crescimento autossustentável. Lamentavelmente, a menos que prevaleçam as mentes sábias, este é o caminho para o qual o mundo se dirige.

Há apenas alguns anos atrás, uma poderosa ideologia – a crença nos mercados livres e sem restrições – levou o mundo à beira da ruína. Mesmo em seus dias de apogeu, desde o princípio dos anos oitenta até o ano de 2007, o capitalismo desregulado ao estilo estadunidense trouxe maior bem estar material só para os mais ricos no país mais rico do mundo. De fato, ao longo dos 30 anos de ascensão desta ideologia, a maioria dos estadunidenses viram suas receitas diminuir ou estancar ano após ano.

Mais do que isso, o crescimento da produção nos Estados Unidos não foi economicamente sustentável. Com tanto da receita nacional dos EUA sendo destinada para tão poucos, o crescimento só podia continuar por meio do consumo financiado por uma crescente acumulação da dívida. Eu estava entre aqueles que esperavam que, de alguma maneira a crise financeira pudesse ensinar aos estadunidenses (e a outros) uma lição acerca da necessidade de maior igualdade, uma regulação mais forte e um melhor equilíbrio entre o mercado e o governo. Desgraçadamente, isso não ocorreu. Ao contrário, um ressurgimento da economia da direita, impulsionado como sempre, por ideologia e interesses especiais, uma vez mais ameaça a economia mundial – ou, ao menos, as economias da Europa e dos EUA, onde estas ideias continuam florescendo.

Nos EUA, este ressurgimento da direita, cujos partidários, evidentemente, pretendem derrogar as leis básicas da matemática e da economia, ameaça provocar uma moratória da dívida nacional. Se o Congresso ordena gastos que superam as receitas, haverá um déficit e esse déficit deve ser financiado. Em vez de equilibrar cuidadosamente os benefícios da cada programa de gasto público com os custos de aumentar os impostos para financiar tais benefícios, a direita procura utilizar um pesado martelo – não permitir que a dívida nacional aumente, forçando os gastos a limitarem-se aos impostos.

Isso deixa aberta a interrogação sobre quais gastos terão prioridade – e se os gastos para pagar juros da dívida nacional não forem prioridade, uma moratória é inevitável. Além disso, cortar os gastos agora, em meio de uma crise em curso provocada pela ideologia de livre mercado, simples e inevitavelmente só prolongaria a recessão.

Há uma década, em meio a um período de auge econômico, os EUA enfrentavam um superávit tão grande que ameaçou eliminar a dívida nacional. Reduções de impostos insustentáveis e guerras, uma recessão importante e crescentes custos de atenção com saúde – impulsionados em parte pelo compromisso da administração de George W. Bush de outorgar às companhias farmacêuticas liberdade para a fixação de preços, inclusive com dinheiro do governo em jogo – rapidamente transformaram um enorme superávit em déficits recordes em tempos de paz.

Os remédios para o déficit dos EUA surgem imediatamente deste diagnóstico: os EUA devem trabalhar para estimular sua economia; deve-se por um fim às guerras sem sentido; controlar os custos militares e com medicamentos; aumentar impostos, ao menos para os mais ricos. Mas a direita não quer saber nada disso e está pressionando para obter ainda mais reduções de impostos para as corporações e os ricos, juntamente com os cortes de gastos em investimentos e proteção social, o que coloca o futuro da economia dos EUA em perigo e destrói o que resta do contrato social. Enquanto isso, o setor financeiro dos EUA pressiona fortemente para libertar-se das regulações, para que possa voltar às suas anteriores práticas desastrosas e despreocupadas.

Mas as coisas estão um pouco melhores na Europa. Enquanto a Grécia e outros países enfrentam crises a medicina em voga consiste simplesmente em pacotes de austeridade e privatização desgastados pelo tempo, os quais só deixarão os países que os adotarem mais pobres e vulneráveis. Esse remédio fracassou no leste da Ásia, na América Latina e em outros lugares e fracassará também na Europa. De fato, já fracassou na Irlanda, Letônia e Grécia.

Há uma alternativa: uma estratégia de crescimento econômico apoiada pela Uniçao Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional. O crescimento restauraria a confiança de que a Grécia poderia pagar suas dívidas, fazendo com que as taxas de juros baixem e deixando mais espaço fiscal para mais investimentos que propiciem o crescimento. O crescimento por si mesmo aumenta as receitas por meio dos impostos e reduz a necessidade de gastos sociais, como o pagamento de seguro desemprego, por exemplo. Além disso, a confiança que isso engendra conduz a mais crescimento ainda.

Lamentavelmente, os mercados financeiros e os economistas de direita entenderam o problema exatamente ao contrário. Eles acreditam que a austeridade produz confiança e que a confiança produz crescimento. Mas a austeridade solapa o crescimento, piorando a situação fiscal do governo ou ao menos produzindo menos melhorias que as prometidas pelos promotores da austeridade. Em ambos os casos, se solapa a confiança e uma espiral descendente é posta em marcha.

Realmente precisamos de outro experimento custoso com ideias que fracassaram repetidamente? Não deveríamos precisar, no entanto, parece cada vez mais que teremos que suportar outro fracasso. Um fracasso na Europa ou nos Estados Unidos para voltar ao crescimento sólido seria ruim para a economia mundial. Um fracasso em ambos os lugares seria desastroso – inclusive se os principais países emergentes conseguirem um crescimento autossustentável. Lamentavelmente, a menos que prevaleçam as mentes sábias, este é o caminho para o qual o mundo se dirige.

(*) Joseph Stiglitz foi Prêmio Nobel de Economia em 2001

Tradução: Katarina Peixoto


Fonte: www.sinpermiso.info

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