Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Ressurge a Democracia!": Editorial do jornal “O Globo” de 2 de abril de 1964, celebrando o Golpe Militar!

Editorial do jornal “O Globo” de 2 de abril de 1964, celebrando o Golpe Militar!



“Ressurge a Democracia”

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”

Link:
http://acertodecontas.blog.br/politica/editorial-do-jornal-o-globo-de-2-de-abril-de-1964-celebrando-o-golpe-militar/

Goulart poderia tornar o Brasil socialista? - por Carlos Fico!

Goulart poderia tornar o Brasil socialista? - por Carlos Fico

Na última enquete do Brasil Recente, perguntamos se havia o risco de o Brasil se tornar socialista em 1964: o golpe foi “preventivo” ou a alegação foi apenas uma desculpa para derrubar Goulart? Para a ampla maioria (76%), isso foi um mero pretexto.

De fato, a retórica anticomunista já era antiga no Brasil em 1964. Ela se tornou mais agressiva depois dos levantes comunistas de novembro de 1935. Naquela época, a existência de células comunistas nos quartéis e a presença no Brasil de membros do komintern deram concretude ao discurso anticomunista, que perduraria mesmo depois, quando as iniciativas comunistas debilitaram-se.

A referência à chamada “intentona comunista” de 1935 esteve presente em todo o regime militar. Na verdade, as comemorações do Exército sobre a derrota dos levantes de 1935 mantiveram-se até o governo de Fernando Henrique Cardoso, assim como a celebração do golpe de 1964 só foi desautorizada meses atrás, pela atual presidente Dilma Rousseff.

Goulart não era comunista e, na verdade, poucos o acusavam disso. Entretanto, muitos pensavam que o presidente pretendia perpetuar-se no poder além do prazo constitucional, o que seria um golpe. Após isso, por sua suposta fragilidade política, Goulart acabaria controlado pelos comunistas. Esta era a versão, por exemplo, que a embaixada dos EUA sustentava em seus documentos.

Assim, o golpe de 1964 teria sido um “contragolpe preventivo”, para evitar o “golpe” de Goulart. Curiosamente, esta tese é defendida tanto pelo coronel Jarbas Passarinho – ministro de Costa e Silva, da junta militar, de Médici e de Figueiredo que aprovou o AI-5 com a famosa frase “às favas os escrúpulos de consciência” –, quanto pelo historiador Jacob Gorender – fundador do PCBR – para o qual os golpistas tinham sobradas razões para agir “antes que o caldo entornasse”.

A tese é difícil de sustentar pelo menos por duas razões.

Em primeiro lugar, ela é anacrônica, já que especula sobre algo que não aconteceu: o golpe foi dado, efetivamente, não por Goulart, mas pelos militares e pela elite política civil com o apoio da imprensa, da classe média, da igreja católica e outros setores.

Em segundo lugar, não existem evidências empíricas indiscutíveis de que Goulart estivesse planejando um golpe. Ele fez alguns discursos radicais a partir de 1963, bem como Brizola, seu cunhado, que falava em ultrapassar o Congresso em favor das reformas de base. Isso é muito pouco.

O argumento de Gorender é mais sofisticado: entre 1960-1964, o Brasil teria assistido ao “ponto mais alto das lutas dos trabalhadores brasileiros neste século” e, entre 1963 e 1964, teria havido uma aglutinação das forças que configurou uma “situação pré-revolucionária”.

Entretanto, nem a dinâmica social (marcada, de fato, por muitas greves e atividade político-sindical), nem o fermento revolucionário foram capazes de impedir o golpe da direita: não houve resistência alguma. Se as coisas estivessem tão inflamadas, poderia ter havido uma reação da parte dos trabalhadores, dos estudantes ou de qualquer outro setor da esquerda, mas não houve nada.

A idéia do “contragolpe preventivo” serve para justificar o golpe de 64.

Goulart foi deposto porque introduziu na agenda política temas como a reforma agrária, a habitação popular, o analfabetismo e a reforma universitária.

Ele deu a impressão de fomentar conquistas populares demasiado amplas que, aos olhos de setores da elite, poderiam levar à radicalização da democracia.

No contexto da Guerra Fria e sob o influxo do anticomunismo, isso pareceu intolerável.

Link:
http://www.brasilrecente.com/2011/08/goulart-poderia-tornar-o-brasil.html

Por que a redução da taxa Selic e a elevação do superávit primário são positivas para o país! - por Marcos Doniseti!

Por que a redução da taxa Selic e a elevação do superávit primário são positivas para o país! - por Marcos Doniseti!


Se a elevação do superávit primário vier acompanhado, de fato, da redução da taxa Selic, isso será bom para o país. Explicando melhor:

1) Com um superávit primário maior será possível reduzir a dívida pública em relação ao PIB e, daí torna-se viável uma redução maior da taxa Selic, que remunera cerca de 1/3 da dívida pública interna. Com uma dívida pública menor, a credibilidade do Estado aumenta e o mesmo poderá pagar juros menores pela dívida pública, pois a mesma estará em processo de queda.

Afinal, como a própria 'Carta Maior' reconhece, é justamente o fato do Estado brasileiro ter uma dívida pública tão elevada que dá ao sistema financeiro o poder de influenciar e de determinar, mesmo que parcialmente, a política econômica pelos diferentes governos do país (na esfera federal, estadual e municipal), que dependem dos empréstimos junto ao setor privado para financiar os seus gastos

2) Com a redução da relação dívida/PIB e com a redução da taxa Selic, o Estado brasileiro gastará menos, como proporção do PIB e do Orçamento público, com o serviço da dívida pública interna (que representa 90% da dívida pública total).
3) Reduzindo-se os gastos com o serviço da dívida pública (juros e amortizações), será possível elevar a parcela do Orçamento destinado aos investimentos públicos em área social e para a infra-estrutura, em especial.

4) Uma taxa Selic real menor também implicará na redução da entrada de capital estrangeiro (dólares) de curto prazo para o país, pois a diferença entre os juros reais praticados no Brasil e os juros reais praticados em outros países será menor.

Assim, o Brasil não será mais tão atrativo para os especuladores internacionais como acontece hoje. E isso também irá contribuir para manter a cotação do dólar sob controle, o que beneficiará a indústria nacional. Afinal, com menos dólares entrando no país, ficará mais fácil para o governo federal controlar a cotação da moeda americana.

5) Um controle maior sobre a cotação do dólar estimulará os investimentos produtivos no país, pois aumentará o poder de competição da produção nacional com a importada.

Assim, a adoção simultânea destas duas medidas (ou seja, a elevação do superávit primário e a redução da taxa Selic) trará ótimos resultados para o país.

Portanto, é mais do que correta a adoção destas medidas por parte do governo Dilma.

Carta Maior: Como reduzir os juros sem arrochar o investimento público brasileiro?

CARTA MAIOR: COMO REDUZIR OS JUROS SEM ARROCHAR O INVESTIMENTO PÚBLICO BRASILEIRO?

O Copom define hoje um novo divisor na política de juros do país.

A expectativa é de uma interrupção no ciclo de alta que elevou a taxa em 1,75 pontos desde o final do ano passado.

A taxa de juro brasileira, 12,5%, é o mais alta do mundo; descontada a inflação corresponde a um custo real de 6,2%.

Na zona do euro e nos EUA a taxa real é zero ou negativa.

A rigor nem a esquerda, nem a direita conseguem explica a razão ‘técnica' para esse nível estratosférico que marca um dos principais preços da economia.

Grosso modo, o poder rentista de fixar esse custo recorde encontra lastro na incapacidade do Estado de financiar as políticas públicas com base na receita de impostos, sem recorrer à empréstimos junto ao mercado.

A dívida pública cresceu a tal ponto que constitui hoje um fator autônomo de desequilíbrio orçamentário. Ela é superior a R$ 1,5 trilhão; consome o equivalente a 6% do PIB ao ano com o pagamento dos juros; deu aos rentistas a oportunidade de capturar uma fatia expressiva da arrecadação de impostos.

Criou-se assim uma classe de acionistas Estado, que exigem a sua cota anual de dividendos, com sacrifício dos investimentos.

Em torno do pagamento dos juros criou-se uma enorme estrutura de condicionamento das políticas públicas que mobiliza um lobby rentista composto de braços que vão da academia aos partidos, das consultorias locais às agencias de risco internacionais.

A mídia conservadora é , ao mesmo tempo, sua agencia de relações públicas e bunker de chantagem política. A eficácia desse aparato em determinar os rumos da política econômica, em prontidão permanente contra iniciativas de redução dos juros, está expressa nas taxas recordes vigentes no país. A questão crucial é saber se, e como, o Estado brasileiro poderia reduzir essa dependência. Aqui os caminhos de bifurcam claramente.

O conservadorismo tem um diagnóstico conhecido: o desequilíbrio está na sociedade e no Estado, não no rentismo. Para reequilibrar a equação, é preciso, primeiro, lipoaspirar um aparelho público corrupto e ineficiente e disciplinar uma sociedade perdulária, que deve pagar pelo que demanda.

Privatizar e terceirizar políticas públicas, reduzir o aparelho do Estado ao mínimo, eis o caminho para comprimir a carga fiscal e assim liberar recursos nas mãos dos mercados, que se encarregariam de conduzir o desenvolvimento.

A idéia de que o Estado brasileiro é um aspirador insaciável de impostos é controversa.

Um dado resume todos os demais: o ex-ministro Adib Jatene conta, por exemplo, que ao cruzar dados com o Imposto de Renda comprovou-se que dos 100 maiores contribuintes da extinta CPMF, 62 nunca haviam recolhido IR no país. Empresas como a Vale do Rio Doce, com exportações de U$ 28 bi em 2010, pagam apenas 2% de royalties. Proporcionalmente, bancos pagam menos IR que os assalariados.

São sintomas de um buraco negro oposto à voragem fiscal alardeada. Sem afrontá-lo será difícil conciliar desenvolvimento justo, equilíbrio fiscal e juro baixo.

(Carta Maior; 4º feira, 31/08/ 2011)

Link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm

Meu Comentário!


Por que a redução da taxa Selic e a elevação do superávit primário são medidas positivas para o país! - por Marcos Doniseti!


Se a elevação do superávit primário vier acompanhado, de fato, da redução da taxa Selic, isso será bom para o país. Explicando melhor:


1) Com um superávit primário maior será possível reduzir a dívida pública em relação ao PIB e, daí torna-se viável uma redução maior da taxa Selic, que remunera cerca de 1/3 da dívida pública interna. Com uma dívida pública menor, a credibilidade do Estado aumenta e o mesmo poderá pagar juros menores pela dívida pública, pois a mesma estará em processo de queda.


Afinal, como a própria 'Carta Maior' reconhece, é justamente o fato do Estado brasileiro ter uma dívida pública tão elevada que dá ao sistema financeiro o poder de influenciar e de determinar, mesmo que parcialmente, a política econômica pelos diferentes governos do país (na esfera federal, estadual e municipal), que dependem dos empréstimos junto ao setor privado para financiar os seus gastos


2) Com a redução da relação dívida/PIB e com a redução da taxa Selic, o Estado brasileiro gastará menos, como proporção do PIB e do Orçamento público, com o serviço da dívida pública interna (que representa 90% da dívida pública total).


3) Reduzindo-se os gastos com o serviço da dívida pública (juros e amortizações), será possível elevar a parcela do Orçamento destinado aos investimentos públicos em área social e para a infra-estrutura, em especial.


4) Uma taxa Selic real menor também implicará na redução da entrada de capital estrangeiro (dólares) de curto prazo para o país, pois a diferença entre os juros reais praticados no Brasil e os juros reais praticados em outros países será menor.


Assim, o Brasil não será mais tão atrativo  para os especuladores internacionais como acontece hoje. E isso também irá contribuir para manter a cotação do dólar sob controle, o que beneficiará a indústria nacional. Afinal, com menos dólares entrando no país, ficará mais fácil para o governo federal controlar a cotação da moeda americana.


5) Um controle maior sobre a cotação do dólar estimulará os investimentos produtivos no país, pois aumentará o poder de competição da produção nacional com a importada.


Assim, a adoção simultânea destas duas medidas (ou seja, a elevação do superávit primário e a redução da taxa Selic) trará ótimos resultados para o país.


Portanto, é mais do que correta a adoção destas medidas por parte do governo Dilma.

China quer construir ferrovia de R$ 10 bi de Cuiabá a Santarém!

China quer construir ferrovia de R$ 10 bi de Cuiabá a Santarém


Linha férrea ajudará a escoar soja do Mato Grosso para a Ásia e trará importados para o centro-sul do País

Danilo Fariello, iG Brasília  - 31/08/2011

China quer construir ferrovia de R$ 10 bi de Cuiabá a Santarém

Linha férrea ajudará a escoar soja do Mato Grosso para a Ásia e trará importados para o centro-sul do País

Chega neste sábado a Cuiabá, capital de Mato Grosso, uma comitiva de engenheiros, geólogos e economistas da companhia estatal China National Machinery Corporation (CMC). Eles querem levantar informações em campo para, após esse reconhecimento, instalar uma nova ferrovia entre Cuiabá (MT) a Santarém (PA). A obra, uma continuação da Ferronorte, tem valor estimado em R$ 10 bilhões.

Uma intenção do grupo chinês é construir a linha férrea para tornar mais ágil e eficiente o escoamento da soja - entre outros produtos - de cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, no norte do Mato Grosso. Hoje esse trajeto é feito pela rodovia BR-163, que passa pelas mesmas cidades.

De Santarém, a produção parte de navio direto para a China, explica o secretário-extraordinário de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes de Mato Grosso, Francisco Vuolo.

Outra intenção dos chineses seria também usar a ferrovia como um canal de acesso mais barato para trazer importados aos mercados do Centro-Sul do país. Compõem a comitiva chinesa também funcionários da agência de promoção de exportações e investimentos do país, a Asian Trade & Investments (ATI).
Linha de 2 mil quilômetros

De acordo com Vuolo, a obra terá uma extensão de quase 2 mil quilômetros, o que, pelo custo médio das últimas ferrovias feitas no Brasil, poderia ter um orçamento estimado em até R$ 10 bilhões. Mas o valor vai variar muito conforme o estudo do relevo, que será feito pelos chineses durante a viagem – a construção de pontes ou túneis encarece muito a obra.

Esse trecho da Ferronorte, entre outros, era concedido à América Latina Logística (ALL) até o ano passado, mas a concessão foi devolvida ao governo federal por falta de interesse da companhia. Por isso, já existem estudos preliminares para a instalação do empreendimento.

Segundo Vuolo, os chineses da CMC poderão vir a construir esse ramal da Ferronorte em forma de Parceria Público-Privada (PPP) ou algum outro modelo de concessão. A estatal, que já assinou protocolo de intenções para fazer a obra, possui mais de 90 mil quilômetros de ferrovias já instalados na China e em outros países, diz Vuolo.

Vuolo explica que, inicialmente, os chineses tendem a construir a ferrovia nas proximidades da BR-163, porque a construção nesses arredores – a chamada “faixa de domínio” – ofereceria maior facilidade para conseguir licenças ambientais.

Governo deve ser chamado a dar apoio

A expedição foi acertada pelo governador do Estado, Silval Barbosa, em viagem à China no início deste ano. Até cem pessoas – entre elas 14 chineses – vão sair de Cuiabá no sábado para uma viagem de três dias. Entre os passageiros, estarão também profissionais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O projeto da ferrovia não está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e, a princípio, poderia ser um projeto 100% privado. No entanto, espera-se que os chineses queiram apoio financeiro do governo brasileiro para instalar a ferrovia, como ocorre no caso da fábrica da Foxconn, no Estado de São Paulo.

Futuramente, o governo do Estado de Mato Grosso espera que a ferrovia criada pelos chineses também possa se conectar à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) em Sorriso (MT) e que o ramal da Ferronorte ainda concedido, que vai de Rondonópolis (MT) a Cuiabá, seja concluído. Essas duas linhas se conectam à ferrovia Norte-Sul, que corta o País e, em breve, chegará aos portos mais relevantes do Brasil.

Link:
http://economia.ig.com.br/empresas/infraestrutura/china+quer+construir+ferrovia+de+r+10+bi+de+cuiaba+a+santarem/n1597186139774.html

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Dilma receberá Camila Vallejo, líder estudantil do Chile!

Dilma receberá Camila Vallejo, líder estudantil do Chile

A líder estudantil chilena Camila Vallejo, 23 anos, será recebida, amanhã às 13h, pela presidenta Dilma Rousseff.


Antes participa da marcha dos estudantes promovida pela UNE, depois, vai à reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a convite da presidente Manuela d´Ávila (PCdoB-RS), e encontra o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS).

A quem interessar possa: Camila terá pouco tempo para fotos. Sempre elogiada por sua beleza, a corajosa estudante volta ao Chile à noite porque na quinta-feira terá encontro com o presidente de seu país, Sebastian Piñera.

Link:

http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2011/08/30/dilma-recebera-camila-vallejo-lider-estudantil-do-chile/

Polícia Federal já está no caso Veja/Hotel Naoum - por Conceição Lemes!

Polícia Federal já está no caso Veja/Hotel Naoum - por Conceição Lemes, do Viomundo

O principal cenário da “denúncia” da Veja desse final desse final de semana é o Hotel Naoum, em Brasília. Nele, segundo a revista, José Dirceu tem um “gabinete” instalado, onde “o ex-ministro recebe autoridades da República para, entre outras atividades, conspirar contra o governo Dilma.”

A matéria traz uma sequência de dez fotos tiradas do andar em que fica o apartamento de José Dirceu. Numa delas, aparece o próprio. Nas demais, ministros, deputados, senadores que lá estiveram. Por isso, entrevistei há pouco Rogério Tonatto, gerente geral do hotel.
Viomundo — No seu ramo de negócio, privacidade é vital. A do Naoum, porém, foi quebrada com a reportagem da Veja. O senhor não teme que, por isso, clientes deixem de se hospedar no seu hotel?

Rogério Tonatto — Eu não acredito, não, porque todo mundo conhece a nossa respeitabilidade. O hotel tem 22 anos, é considerado o melhor da cidade. É o hotel que mais recebeu comitivas oficiais em todo o país, da Princesa Diana a Fidel Castro. São mais de 150 comitivas oficiais.
O que foi feito aqui é uma coisa criminosa, que a gente repudia. Nós estamos realmente chocados, pois temos uma história muito forte com a cidade. Não vamos deixar que episódio isolado como esse abale o nome do hotel.

Viomundo – Acha mesmo que não vai ter repercussão na sua clientela? As fotos exibidas na Veja demonstram que a privacidade do seu cliente está em risco.
Rogério Tonatto – A privacidade de clientes está sob risco em qualquer lugar do mundo. O que fizeram no hotel é um crime. Aliás, muitos clientes têm-nos ligado para prestar solidariedade, dizendo que o hotel não merece isso.
Viomundo – O senhor sabe como foram feitas as imagens?
Rogério Tonatto — A gente não sabe ainda com certeza, pois a questão está sob investigação. A nossa suspeita é de que essa câmera foi plantada. Achamos que não saíram do circuito interno do hotel.

Viomundo — Não saíram mesmo do circuito interno?

Rogério Tonatto — Nós estamos investigando. Mas tudo indica que não. Até porque a maioria dos nossos funcionários tem muito tempo de casa, são pessoas comprometidas com o hotel. Eu sinceramente não acredito que possa ter saído de forma inconseqüente do hotel. Nisso, a gente está bem tranqüilo.

Já falamos com todos os funcionários, a começar pelo pessoal de segurança. Está todo mundo muito chateado, muito perplexo. São pessoas que têm um carinho muito grande pelo empreendimento. Você não tem noção do que a gente realmente está passando…

Viomundo – É possível dizer com 100% de certeza que as fotos não foram tiradas do seu sistema de segurança?

Rogério Tonatto – Neste instante, não tenho condições de precisar 100%. A principal hipótese é a de que uma câmera tenha sido plantada no hotel. A gente trabalha mais com essa hipótese.

Viomundo – A sua equipe tem condições de avaliar se as imagens saíram ou não do circuito interno, não tem?

Rogério Tonatto – Tem, sim, e já detectaram algumas diferenças em relação às fotos publicadas. Por exemplo, são horas diferenciadas em relação às presenças das pessoas citadas. Mas isso a Polícia Civil de Brasília e a Polícia Federal estão apurando. Agora, é precipitado eu falar mais coisas. Não quero atrapalhar a investigação. O que eu posso dizer é que vamos apurar todo esse delito até o final.

Viomundo — Tem ideia de quem teria filmado o andar do apartamento do ex-ministro José Dirceu?

Rogério Tonatto — Não temos a menor ideia. Sabemos que um repórter esteve lá, que tentou invadir um dos apartamentos. Prontamente nosso staff não deixou. É um staff bem preparado, conseguiu detectar a tentativa de invasão. Demos queixa na polícia. Enfim, tomamos todas as medidas que medidas que tem de ser adotadas nessas circunstâncias.

Esse é um caso que tem de ser apurado pela polícia especializada, porque a gente não compartilha com esse tipo de conduta, independentemente de quem seja o cliente.

Viomundo – O senhor disse que a Polícia Federal está apurando o caso…

Rogério Tonatto — A Polícia Federal foi acionada, está tomando providências, já está no caso, assim como a Polícia Civil. Elas já estão no encalço de quem cometeu esse crime. Nós estamos trabalhando em todas as frentes para que ele seja solucionado o mais rapidamente possível.

Viomundo — Que medidas o hotel vai tomar em relação à Veja?

Rogério Tonatto – Amanhã às 9 horas da manhã já temos uma reunião agendada com os nossos advogados. Neste momento, não tenho condições de dizer se a gente a vai processar a Veja. Não sou competente na área, preciso de orientação jurídica sobre as medidas a serem tomadas.

Viomundo – Quem vai pagar os prejuízos do hotel, já que a imagem dele foi manchada?

Rogério Tonatto — Nós estamos realmente indignados e preocupados com tudo isso. Mas uma coisa garanto: alguém vai pagar. Não sei lhe precisar quem neste momento, mas alguém vai pagar. Vamos tomar todas as medidas para que esse episódio não fique impune. Nós estamos muito seguros da nossa importância. E o hotel não merece um espetáculo criminoso como este.

PS do Viomundo: Alguns leitores perguntaram a mim, Conceição Lemes, nos comentários, sobre a Polícia Federal já ter sido acionada no caso do Hotel Naoum, já que o gerente do hotel teria dado informação diferente a outro site. A minha entrevista com o senhor Rogério Tonatto foi feita no domingo, no final da tarde. Ela está gravada. Nela, além de dizer que a PF tinha sido acionada, Tonatto afirma que ela já estava no caso.

Link:

http://www.viomundo.com.br/entrevistas/a-policia-federal-ja-esta-no-caso-da-vejahotel-naoum.html

Vicentinho ganha direito de resposta na revista Veja!

Vicentinho ganha direito de resposta na revista Veja - do Vermelho


O deputado Vicentinho (PT-SP) encaminhou, nesta segunda-feira (30), resposta à matéria intitulada “Terror e Poder”, publicada no dia 11 de abril, no site da revista Veja. A matéria liga sua imagem a organizações terroristas e foi motivo de ação judicial movida e ganha pelo deputado. A decisão da Justiça contra a revista foi proferida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, no último dia 22.

“A Procuradoria da Câmara dos Deputados entrou com duas ações na justiça: direito de resposta e indenização por danos morais. A decisão da justiça não é uma vitória minha, mas do PT que foi atingido na reportagem”, afirmou.

Segundo decisão do juiz Enilton Alves Fernandes, a resposta deve ser publicada na edição da revista Veja “imediatamente à intimação da ré, com o igual destaque concedido àquela matéria, na mesma seção, com fonte idêntica, devendo o requerente limitar-se a fazer afirmações objetivas, vedando-se a emissão de opiniões depreciativas ou acusações ao requerido”.

Para o caso de descumprimento da obrigação, foi fixada pena de multa diária de R$2 mil.

Fonte: Informes PT

Link:
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=6&id_noticia=162790

A defesa irrestrita da educação pública na Argentina!

A defesa irrestrita da educação pública na Argentina


Hoje, a educação pública argentina é paradigmática na América Latina. Em 2004, o ex-presidente Néstor Kirchner definiu que a educação pública não era um gasto, mas sim “um instrumento transformador”. Esta decisão política foi fundamental para priorizar a possibilidade de igualdade e oportunidade para todos e um acesso a uma educação de qualidade. A partir daquele momento, o Estado argentino passou a realizar significativos investimentos na área, passando de 3% do PIB, em 2003, para 6%, hoje. Deste total, 1% é destinado às universidades.

Francisco Luque - Correspondente da Carta Maior em Buenos Aires

“A educação pública deve ser defendida”, assinala enfática a doutora Olga Ciencia, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, enquanto observa pela televisão a gigantesca marcha convocada por estudantes chilenas, motivada pela crise estrutural na educação chilena.

Os estudantes argentinos entendem de mobilizações em defesa da educação. No ano passado, um “estudiantazo” de secundaristas e universitários paralisou suas atividades por três meses. O protesto foi contra a má gestão do setor e a demora nos trabalhos de melhoria da infraestrutura de algumas escolas. Finalmente, o governo de Buenos Aires cedeu ante as demandas dos estudantes.

Para Ignacio Kostzer, presidente da Federação de Estudantes da Universidade de Buenos Aires (FUBA), no último período, a Argentina conseguiu resistir em melhores condições ao avanço neoliberal privatizador e mercantil sobre o sistema educacional. Ele sabe, porém, que a batalha não está ganha e que o sistema educacional não está isento às pressões do mercado. Mas indiscutivelmente não sofreu a derrota ideológica e cultural que sofreram os estudantes chilenos.

“O movimento popular argentino, dentro do qual se destaca especialmente o movimento estudantil, teve a capacidade de resistir mesmo nas piores condições às investidas privatizadoras contra a educação. Seja em relação às tentativas explícitas de privatizar, como ocorreu com as universidades nos anos 90, por meio das políticas de Carlos Menem e Fernando de la Rúa, seja quanto às formas relativamente “indiretas” de avançar na direção da lógica de mercado, como ocorre hoje. A defesa da gratuidade e do acesso universal tem sido reivindicações prioritárias do movimento popular na Argentina”, sustenta.

Afirma ainda que o nível de publicidade ou de elitismo do sistema educacional reflete necessariamente uma correlação de forças políticas e sociais em luta. É no terreno político onde se resolve a disputa entre os que entendem a educação como um negócio (um dos que mais movimenta dinheiro no mundo) e os que a concebem como um direito humano básico e universal. Essa disputa está presente tanto na Argentina como no Chile, ainda que estas sejam, sem dúvida, duas realidades qualitativamente distintas.

Hoje, a educação pública argentina é paradigmática na América Latina. Assegura a todos os habitantes do país – e, nos últimos anos, a uma quantidade importante de estudantes latino-americanos – o exercício efetivo de seu direito a aprender, mediante a igualdade de oportunidades e possibilidades, sem discriminação alguma. Todos os organismos correspondentes garantem o princípio da gratuidade nos serviços públicos, em todos os níveis e regimes especiais, mediante identificação nos respectivos orçamentos educacionais, e um sistema de uniformes para alunos(as) em condições socioeconômicas desfavoráveis.

Em 2004, o ex-presidente Néstor Kirchner definiu que a educação pública não era um gasto, mas sim “um instrumento transformador”. Esta decisão política foi fundamental para priorizar a possibilidade de igualdade e oportunidade para todos e um acesso a uma educação de qualidade.

A partir daquele momento, o Estado argentino passou a realizar significativos investimentos na área, passando de 3% do PIB, em 2003, para 6%. Deste total, 1% é destinado às universidades. Segundo anunciou a presidenta Cristina Fernández, o objetivo é subir para 6,49% em 2012.

Os estudantes argentinos sabem que esta luta é também latino-americana. A FUBA esteve presente e apoiou a mobilização estudantil chilena. Entendem que, em todo o continente, a defesa da Educação pública, gratuita e de qualidade constitui um ponto central para qualquer programa de espírito transformador, democrático e emancipatório.

Ignazio Kostzer sustenta que o continente tem uma história muito em rica em experiências de educação popular e alternativa. De Simón Rodríguez a Paulo Freire, passando pelos programas de alfabetização da revolução cubana, etc. “A América Latina tem muito para contrapor ao sistema educacional liberal hegemônico. Entendendo que o processo educacional não é formado por alunos ignorantes que recebem a luz do conhecimento pelo professor, mas que há também valores em jogo neste processo dialógico entre pessoas, apontamos na direção da construção de uma educação que ensine a aprender, que ensine a exercer a dignidade e a democracia, a solidariedade e a soberania popular.

“Sabemos bem que as reformas educacionais estão sempre ligadas às reformas sociais mais gerais. Não há educação para a mudança social isolada dos processos político emancipatórios. É por isso que entendemos que parte da defesa da educação pública na América Latina, tem a ver com o desenvolvimento e a consolidação dos processos de mudança de nosso continente. Justiça e igualdade para todos os povos de nossa Pátria Grande”.

Tradução: Katarina Peixoto

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Juros, agora, devem baixar - por Brizola Neto!

Juros, agora, devem baixar - por  Brizola Neto, do Tijolaço


Se, em 2008, a tão apregoada “autonomia” do Banco Central levou-nos ao hoje unanimemente reconhecido atraso na oportunidade de baixar a taxa de juros, que só ocorreu depois de muita pressão do Governo – e até do próprio Lula – sobre Henrique Meirelles, parece que, desta vez, o alinhamento entre a política econômica do Governo e a política monetária do BC vai permitir um processo mais rápido de resposta ao agravamento da crise mundial.

O anúncio feito hoje de que o Governo ampliará a meta de superávit fiscal em cerca de R$ 10 bilhões é sinal disso.

Na verdade, este aumento da meta é um certo “pleonasmo”, porque ninguém duvida que o superávit real será mesmo bem maior que os antes previstos R$ 81 bilhões, dos quais 80% já tinham sido cumpridos até julho.

Mas serviu como uma espécie de “aviso prévio” ao mercado financeiro de que as taxas de juros vão baixar e já não é fora de dúvida que isso possa – embora seja difícil assegurar – já na próxima reunião do Conselho de Política Econômica, depois de amanhã.

A queda nos preços internacionais, que já começa a ser sentida, embora não de maneira violenta, vai reduzir as pressões inflacionarias internas, o grande argumento para manter altas as taxas de juros.

Baixar os juros não é apenas benéfico para a aceleração da economia. É, também, um castigo para os que lucram com a arbitragem das taxas altas que obtém aqui e as taxas baixas com que captam dinheiro fora. E um alívio para as próprias contas governamentais, que se beneficiam de uma redução nos imensos valores de juros que paga pelos títulos do Tesouro Nacional.

E, portanto, uma perda para os que ganham com estas taxas.

Dá para entender porque eles gostam tanto de criar pressões por aumentos de preço e, sobretudo, por fazer com que a sociedade se intimide com a quimera da volta da inflação.

A razão é uma só, antiga como a Sé de Braga: isso faz com que ganhem dinheiro.

Obvio que a inflação é sempre um inimigo a combater, mas ela tem sido usada pelos neoliberais como um tigre de papel, que nos faz aceitar uma política de juros que sangra o país.

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Democracia em ruínas: relatos da Grécia em tempos de crise!

Democracia em ruínas: relatos da Grécia em tempos de crise - por Fabíola Munhoz, da Carta Maior


"Você vê hoje nas maiores cidades da Grécia muita gente consumindo. Mas, essas pessoas são de fora, de países que estão em melhor situação. O povo grego já não sai tanto de casa, guarda dinheiro para se precaver dos efeitos da crise financeira”, contou Christina Pelopida, jovem moradora de um pequeno povoado grego. Ela admitiu que a qualidade de vida da população ainda não sofreu grandes modificações. “As decisões que os políticos estão tomando agora, essas sim nos afetarão. E não estamos de acordo. O povo grego já não confia nos seus representantes, afirmou.”
Num momento em que a atual democracia se põe a perigo por políticas socioeconômicas submetidas aos efeitos da crise financeira, eis que chego a Grécia, o local onde o termo que dá nome a esse regime político se cunhou e se criou, com base em ideias de liberdade e participação cidadã.

Assim que desembarquei em terras gregas, no último dia 14 de agosto, pude conhecer a segunda maior cidade do país, chamada Thessaloniki que, embora bem menor que a capital, é reconhecida como local de relevância econômica pela atividade turística que mantém, apesar da recessão hoje alastrada pelas nações periféricas da zona do euro.

Isso pude constatar nos bares e restaurantes charmosos que esse município acolhedor, de grande beleza natural e arquitetônica, oferece. Os estabelecimentos estavam sempre cheio de pessoas elegantes, educadas e bem-humoradas que, em nada, davam sinais reveladores de qualquer rastro deixado pelo estouro da bolha consumista iniciado em 2008.

Por outro lado, pelas ruas, via-se vez ou outra algum imigrante africano vendendo bolsas e pulseiras. Rachid, originário da Jamaica, que pretendia juntar dinheiro para voltar a seu país, com a venda do artesanato que produzia a partir de lãs coloridas, era só um exemplo.

Também contrastavam com o bom nível de vida observado na limpeza e na organização do entorno, alguns pedintes de todas as idades, que se acercavam aos bares para pedir qualquer trocado, apelando à caridade alheia com olhos de abandono ou apresentações musicais, como era o caso de um menino com cerca de dez anos de idade, que tocava uma música tipicamente grega num pequeno acordeão.

Além disso, embora com uma presença considerável de pessoas dispostas à diversão e ao gozo das boas coisas da vida, para as quais se exige dinheiro, Thessaloniki era demasiadamente tranqüila para um local turístico, em pleno verão do hemisfério Norte. Isso, especialmente quando se compara tal cenário ao de cidades, como Barcelona e Roma, onde mesmo agora, fim de férias europeias, falta espaço para tanto visitante.

Talvez a explicação para essa relativa diminuição do interesse turístico pela Grécia se deva ao receio de que possíveis greves afetem a oferta de serviços públicos do país, como o de transportes, desde que, em 29 de junho deste ano, o Congresso grego aprovou medidas de austeridade orçamentária exigidas por Parlamento Europeu, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI), em contrapartida à concessão da quinta parte de um plano de resgate financeiro à economia helênica, no valor de 12 bilhões de euros.

Em tal ocasião, a Praça Sintagma, ponto de manifestações populares por sua localização estratégica, à frente do Parlamento grego, encheu-se de pessoas contrárias a essas medidas exigidas pelo comando da União Europeia. A ratificação do novo plano, que previa aumento de impostos, limite de gastos sociais e privatização de empresas públicas, foi acompanhada de choques violentos entre manifestantes e Polícia, que repercutiram na mídia internacional, com um saldo de 148 feridos.

Nos dias seguintes ao embate, jornais anunciaram que, tanto o governo grego, como representantes do setor industrial da Grécia expressavam temor de que os distúrbios e greves recentes pudessem afetar as atividades turísticas no país. Fazia conexões mentais entre essas notícias e as imagens observadas em Thessalonik, durante a viagem de trem que me levaria dessa cidade a Atenas, quando tive o prazer de conhecer Christina Pelopida, jovem moradora de um pequeno povoado grego, que trabalha na capital e disse estar prestes a terminar seus estudos para tornar-se policial.

"Você vê hoje nas maiores cidades da Grécia muita gente consumindo. Mas, essas pessoas são de fora, de países que estão em melhor situação. O povo grego já não sai tanto de casa, guarda dinheiro para se precaver dos efeitos da crise financeira”, contou. No entanto, ela admitiu que a qualidade de vida da população ainda não sofreu grandes modificações e que a crise sobre a qual tanto se fala hoje não é sentida concretamente, mas apenas temida, diante das informações divulgadas pela mídia que justificam os recortes sociais postos em prática pelo governo grego.

“As decisões que os políticos estão tomando agora, essas sim nos afetarão. E não estamos de acordo. O povo grego já não confia nos seus representantes”, afirmou Christina, pedindo que eu tomasse cuidado, caso passasse pela Praça Sintagma de Atenas, onde, segundo ela, são comuns as situações de conflito e violência.

Porém, quando, de fato, pus os pés diante do Parlamento helênico, no início da tarde do dia 16 de agosto, só encontrei muita calmaria. Nem sinal do acampamento de jovens montado na praça mais importante de Atenas durante a última semana do mês de junho. Tampouco se viam cartazes com mensagens de indignação, e menos ainda se percebia a presença de qualquer aglomerado de manifestantes.

Notava-se, somente, a existência de dois policiais observando o entorno, de um canto da praça, enquanto alguns cidadãos dispersos, se reuniam pelos bancos com o semblante despretensioso de quem discute um tema banal ou simplesmente aguarda a passagem do tempo, distraindo-se com a movimentação da rua. Aquele ambiente causou certa dose de estranhamento a mim, acostumada que estava a receber informações sobre o impacto avassalador da crise financeira na Grécia e o descontentamento da população do país diante desse cenário.

Também desencaixado me parecia o volume de produtos e consumidores, visíveis no centro antigo de Atenas, enquanto na região próxima à estação de metrô Omonia, chegava-se a ver pessoas se prostituindo ou dormindo pelas ruas. Por todos os bares e restaurantes existentes na zona adstrita à famosa Acrópole, que eram muitos e estavam sempre lotados, continuava o espetáculo já observado em Thessalonik, de imigrantes e gregos vendendo badulaques ou mendigando.

Após tudo isso constatar, voltei no dia 17 de agosto, pela noite, à Praça Sintagma. Foi então que observei a realização de uma Assembleia de cidadãos, aos moldes das reuniões populares organizadas pelo 15-M espanhol.

Dezenas de pessoas ocupavam o local pacificamente, sentadas em círculo, com um microfone no centro. Ali, a cada instante, um cidadão diferente tomava a palavra para expor suas reclamações e pontos de vista, ouvidos com atenção e silêncio pelos demais presentes. Ao lado, três policiais observavam a reunião com tranqüilidade e discrição, até porque não havia ali o mínimo motivo para justificar qualquer postura diferente.

No dia seguinte, parti de Atenas rumo a Barcelona, onde me deparei com a Praça Catalunha, segundo símbolo da efervescência do movimento 15-M, depois da Porta do Sol, em Madri, interditada em grande parte do seu espaço, para reformas, segundo um cartaz exposto no seu centro. Em época de cortes sociais devido à crise, muito estranho que haja dinheiro para obras numa praça que, aos olhos dos transeuntes, parecia muito bem conservada.

É nesse cenário de entraves à mobilização popular que hoje (30/8) o Parlamento espanhol analisa uma proposta de reforma constitucional que prevê a limitação do déficit orçamentário do país a até 0,40% do PIB. O Parlamento Europeu elogiou a medida, enquanto equipes da União Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, desde o início da semana passada, examinam as contas gregas para acompanhar o cumprimento das medidas de saneamento da economia do país.

Do resultado da avaliação depende a liberação de uma ajuda de 8 bilhões de euros à Grécia, a sexta parte do primeiro plano de resgate ao país no valor total de 110 bilhões de euros. Segundo a Agência de Notícias EFE, os analistas do bloco do euro vão conferir o progresso de Atenas na redução do déficit, o andamento dos processos de privatização, a reestruturação do sistema bancário e financeiro helênico, os cortes e fusões de entidades públicas nacionais, e as reformas vinculadas com a administração e o Estado. Essa análise estava prevista para terminar formalmente ontem (29/8), mas o resultado, se já existe, ainda não foi divulgado.
Há o risco de que a conclusão dessa auditoria se apresente como outro argumento de pressão para novos recortes de direitos sociais e manutenção do povo grego como refém dos interesses de instituições financeiras, que atualmente são as únicas a decidir os rumos de populações inteiras, num continente que se crê regido por democracia.

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México: retrato de um país desamparado - por Eric Nepomuceno!

México: retrato de um país desamparado - por Eric Nepomuceno, da Carta Maior


Em 2012 haverá eleições presidenciais no México. E todos apostam na volta do PRI. O fim do regime de partido único foi breve, foi frágil, foi decepcionante. E, com Calderón, deixa um rastro de pelo menos 40 mil mortos, numa espiral de violência sem fim. O que aconteceu em Monterrey foi muito mais do que um acerto de contas entre os cartéis do narcotráfico e os controladores de cassinos que se negam a se deixar extorquir. Foi um retrato cruel e sangrento do cotidiano vivido por um país desamparado.
Monterrey está a uns 900 quilômetros ao norte da Cidade do México, e a 200 da fronteira com o Texas. É a capital do estado de Nuevo León, responsável por quase 8% do PIB mexicano. Uma cidade grande, orgulhosa de sua riqueza, de seus mecenas das artes, que sempre se prezou por ser segura, moderna, confiável. Abriu museus com acervos formidáveis, lançou sofisticados jornais de circulação nacional, convocou concursos generosos para patrocinar artistas, enfim, fez de tudo para mudar sua imagem de lugar frio e preocupado apenas com dinheiro e dinheiro. Assim era a cidade que queria ser e parecer mais próxima aos Estados Unidos que ao resto do país.

Assim era até cinco anos atrás. Esse tempo acabou: de lá para cá, Monterrey entrou na dura realidade vivida pelo México desde que o presidente Felipe Calderón decidiu declarar guerra aberta contra o narcotráfico.

Na quinta-feira passada, Monterrey foi cenário de um ato de brutalidade que chocou o país inteiro. Pouco antes das quatro da tarde uns dez homens desceram de um vistoso Mini-Cooper e de duas vans vulgares e entraram no Cassino Royale, um gigantesco centro de jogatina, onde havia umas trezentas pessoas. Começaram a disparar suas metralhadoras para o alto, enquanto gritavam a todos que saíssem.

Em seguida jogaram a gasolina de vários galões sobre mesas de jogo e máquinas traga-níqueis, e puseram fogo. A ação durou menos de três minutos, e foi feita com total desfaçatez: todos sabiam que estavam sendo filmados. Resultado: 53 mortos, dos quais 42 eram mulheres. Sete dos mortos foram calcinados. Os outros morreram asfixiados ou pisoteados. As saídas de emergência estavam trancadas com cadeado.

Ninguém acredita que seja possível debelar o prejuízo causado por esse atentado no governo do presidente Felipe Calderón. Na verdade, o México não agüenta mais tanta violência. E, pior, não vê saída.

Como resposta ao que chamou de ato terrorista, Calderón decretou luto oficial e nacional de três dias. Em seguida, lançou uma dura acusação contra os Estados Unidos. Disse o que todo mundo sabe: o México trava uma luta inglória, e nesse teatro macabro o país entra com os mortos e o vizinho entra com os consumidores de drogas. Afirmou que enquanto as autoridades dos Estados Unidos não conseguirem controlar o consumo em seu território, nada do que o México fizer terá resultado.

Num tom surpreendente, Calderón disse, em sua mensagem dirigida ao governo e ao Congresso dos Estados Unidos, que “vocês também são responsáveis”. E foi além: “Se estão decididos e resignados a consumir drogas, procurem alternativas de mercado que acabem com os estratosféricos lucros dos criminosos, ou estabeleçam pontos de acesso diferentes da fronteira com o México, porque esta situação não pode continuar”.

É um beco sem saída, e Calderón sabe disso.

Assim que assumiu a presidência depois de uma eleição polêmica – a diferença sobre o candidato de esquerda foi inferior a 2% dos votos apurados, e isso, num país que tem a fraude por tradição eleitoral, fez dele um presidente frágil de saída – Calderón tentou se legitimar lançando uma guerra total contra os cartéis das drogas que, com o desmantelamento dos grandes grupos colombianos na década de 90, passaram a ser os maiores fornecedores para o maior mercado do mundo, o dos Estados Unidos (85% da cocaína e da heroína consumidas no vizinho passa pelo México).

Volta e meia, quando criticado pela violência desmedida, Calderón esgrime números sonoros da quantidade de armas e drogas apreendidas. Só não diz que o volume que entra em território norte-americano continua crescendo, na base de 5% ao ano.

Por onde quer que se olhe, o que se vê no México é um misto de indignação com a violência sem fim, e de frustração sem remédio com o governo. Calderón fez de tudo para se legitimar e, ao mesmo tempo, não desagradar os Estados Unidos. Em vão.

Foi o segundo presidente eleito pelo PAN – Partido de Ação Nacional – depois de mais de meio século de poder nas mãos do PRI, o Partido Revolucionário Institucional, transformado em modelo de corrupção, abuso e impunidade.

Em 2012 haverá eleições presidenciais no México. E todos apostam na volta do PRI. O fim do regime de partido único foi breve, foi frágil, foi decepcionante. E, com Calderón, deixa um rastro de pelo menos 40 mil mortos, numa espiral de violência sem fim. O que aconteceu em Monterrey foi muito mais do que um acerto de contas entre os cartéis do narcotráfico e os controladores de cassinos que se negam a se deixar extorquir. Foi um retrato cruel e sangrento do cotidiano vivido por um país desamparado.

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Sobre a Líbia e a Síria - por Tariq Ramadan!

Sobre a Líbia e a Síria - por Tariq Ramadan, na Carta Maior!


A Líbia foi controlada por um ditador imprevisível e pode permanecer sob controle de uma pseudo-democracia não transparente. Nossa alegria de ver tombar o ditador não deve cegar nossa prudência quanto ao que está sendo preparado para a Líbia. Nosso dever moral é estar ao lado daqueles que reivindicam a liberdade sob um regime democrático que exerça um controle total sobre as riquezas do país. Na Líbia, a partida está longe de ter acabado. Na Síria, ela não terminou tampouco.

O regime de Kadafi está desmoronando. Ninguém sabe exatamente quando nem em que estado – vivo ou morto – ele será encontrado. Mas o jogo terminou. A Líbia está virando uma página sombria de sua história recente. O regime líbio era brutal e impiedoso com seus opositores. Tortura e execuções sumárias refletiram a excentricidade, a loucura, assim como a inteligência de Kadafi. O povo líbio estava sedento de liberdade e seguiu os passos dos tunisianos e dos egípcios. Devemos homenagear sua coragem, seu engajamento e sua determinação. Ninguém teria imaginado que Kadafi deixaria o poder antes de sua morte, pois seu comportamento era tão imprevisível que ele reprimia e matava sem se preocupar muito com as consequências. O fim de seu regime foi mais fácil que o previsto.

No entanto, é preciso destacar algumas questões essenciais.

Contrariamente à Tunísia e ao Egito e suas mobilizações não violentas, na Líbia o movimento de massa se transformou em guerra civil total com armas pesadas utilizadas pelos dois lados. A OTAN, que inicialmente justificou seu engajamento em nome da proteção dos civis, ajudou os rebeldes a ganhar combates e avançar no terreno. Nós sabemos que agentes norteamericanos e europeus aconselharam a oposição no plano militar quanto a melhor estratégia a adotar para derrotar Kadafi e seus filhos.

Isso ocorreu depois que a França, seguida por trinta países, reconheceu oficialmente o Conselho Nacional de Transição enquanto representante legítimo do novo Estado líbio. Esse Conselho, presidido por antigos membros do regime, anunciou por três vezes, de modo errôneo, que tinha prendido os filhos de Kadafi. Sendo assim, a questão é a seguinte: como se pode depositar confiança tão rapidamente em um Conselho tão curioso quando todos os sinais mostram que se trata de um grupo de pessoas e de visões muito contraditórias?

É possível, efetivamente, que noites sombrias tenham ficado para trás, mas quem pode prever dias ensolarados no futuro? A Líbia é um país rico e estratégico. A intervenção estrangeira não aconteceu por acaso. Quem controlará sua riqueza e como ela será utilizada e/ou repartida entre as companhias petroleiras transnacionais ocidentais (que tomarão o lugar, por exemplo, do governo chinês, que tinha contratos com a Líbia e se opôs à guerra)? Podemos esperar um processo democrático verdadeiro e transparente? Nada é menos certo e não há nada garantido, pois segue difícil de avaliar o nível de autonomia das forças de oposição.

A Líbia foi controlada por um ditador imprevisível e pode permanecer sob controle de uma pseudo-democracia não transparente. Nossa alegria de ver tombar o ditador não deve cegar nossa prudência quanto ao que está sendo preparado para a Líbia. Nosso dever moral é estar ao lado daqueles que reivindicam a liberdade sob um regime democrático que exerça um controle total sobre as riquezas do país. Na Líbia, a partida está longe de ter acabado.

Na Síria, ela não terminou tampouco. Mais de 2.500 pessoas já foram mortas pelo regime de Bachar al-Assad, que está mostrando sua verdadeira face. Entre as vítimas, estão adolescentes, mulheres e mesmo refugiados palestinos. Ao impedir os meios de comunicação internacionais de cobrir os protestos e reprimindo a palavra, o regime pensava que seria capaz de reprimir em silêncio.

Sem aliados ocidentais, sem a OTAN, sem a “comunidade internacional” e sem armas, os sírios continuam a dizer “não desistiremos!”, e dia após dia eles se manifestam e protestam. Dia após dia eles são mortos, com as mãos desprovidas de armas e o peito aberto inocente na frente.

Não devemos ser ingênuos quando ao movimento de oposição: há uma estranha mistura de forças e interesses políticos (como aqueles que se reuniram na Turquia a fim de organizar e coordenar a resistência).

Contudo, é nosso dever moral, igualmente, dizer aos governos ocidentais para que parem de apoiar a democracia apenas de boca e de demorar seis meses antes de pedir para Bachar al-Assad partir. Seis meses de conversa fiada, sem nenhum resultado. Teria sido possível isolar o país de maneira eficaz sem usar a opção militar. Os poderes ocidentais não fizeram nada enquanto ouvia-se o presidente venezuelano Hugo Chávez chamar Bachar al-Assad de “um humanista, um irmão”.

Nós devemos prestar homenagem à coragem dos sírios, nossos irmãos e irmãs em humanidade. Seu movimento não violento prevalecerá, mas outros sírios morrerão nesta caminhada. O movimento de não violência sírio demanda aos muçulmanos, neste mês do Ramadã, orar no dia 28 de agosto pelos desaparecidos e pelos mortos. Oremos e nos juntemos com outras pessoas dotadas de consciência, crentes ou não crentes, lembrando a sorte de pessoas inocentes que lutam por sua liberdade e por sua dignidade. Sejamos dignos enquanto seres humanos manifestando nosso apoio à dignidade de seus mortos.

(*) Suíço de origem egípcia, Tariq Ramadan é doutor em Literatura, Filosofia e Estudos Islâmicos. Há vários anos, dedica-se ao debate sobre as relações do islamismo com a Europa e o mundo. Atualmente é professor de estudos islâmicos na Universidade de Oxford, na Universidade Doshisha (Japão) e na Lokahi Foundation (Londres). Também é presidente da organização “European Muslim Network” (EMN), sediada em Bruxelas. (Artigo disponível na página do autor: www.tariqramadan.com)

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

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Renato Rovai: Veja, Marilena Chaui e o verdadeiro crime organizado

Renato Rovai: Veja, Marilena Chaui e o verdadeiro crime organizado
30 de agosto de 2011 às 12:11

A Fórum que fechamos na noite de ontem por ser comemorativa dos 10 anos da publicação vai trazer as 10 entrevistas mais importantes da história da revista. Entre elas, uma da filósofa Marilena Chaui concedida em 2006, pouco antes da reeleição do presidente Lula.

Num dado momento a entrevista com Chaui se direciona para a questão da violência, da segurança, da criminalidade e a filósofa faz a seguinte ponderação:

“A minha tendência é fazer uma análise da estrutura autoritária hierárquica da sociedade e desvendar em cada aspecto da sociedade brasileira o exercício da violência. Você tem o racismo, o machismo, o preconceito de classe, o preconceito religioso, todas as formas de preconceito, a enorme desigualdade econômica, a exclusão social, política e cultural. Se vier a analisar cada um desses aspectos, vai ver que eles têm como mola propulsora e como núcleo estrutural a violência.”

E depois segue seu discurso indo ainda mais diretamente ao ponto:

“Crime organizado mesmo é aquele do fabricante de armamento, do fabricante da droga, do cara que mora no Morumbi num palácio com guarda na porta e cachorro latindo. Esse é o crime organizado. O crime organizado é o Bush, são as companhias de petróleo, são as companhias de fabricação de arma, isso é o crime organizado. (..) E muito bem organizado, tanto que não é chamado de “crime”.

Ao abrir a Veja desta semana a primeira coisa que me veio à mente foi a entrevista de Chaui.

Qual é o papel da revista Veja na sociedade brasileira? Qual o segmento da sociedade que ela organiza? Quais são os valores que ela defende? Como ela se relaciona com os movimentos que defendem direitos? Que tipo de contribuição ela tem dado ao jornalismo? Que tipo de contribuição ela tem dado para diminuir o crime, o preconceito, a violência…

A revista Veja se tornou um produto organizador de um pensamento de linha autoritária e com contornos fascistas. Organizador de uma visão de mundo onde o vale tudo permite não só instalar câmeras espiãs em corredores de hotéis, como fazer qualquer outra coisa em nome de atingir os objetivos do grupo que representa.

O que Veja faz hoje não tem nada a ver com um jornalismo de direita. Não é também a necessária “voz do contraditório” que fortalece o processo democrático.

O que Veja faz hoje é próprio de grupos organizados. E de grupos que se organizam com interesses bastante cristalinos, cujo fim é a captura do Estado e o amordaçamento da sociedade.

Não basta mais apenas denunciar o jornalismo esgoto de Veja. É preciso impedir que ele se reproduza. É preciso agir da mesma forma como a sociedade inglesa fez com as organizações Murdoch.

A se provar que Veja usou de artifícios criminosos para em tese fazer jornalismo, é hora de exigir na Justiça que o panfleto dos Civita tenha o mesmo destino do News of the World.

Antes que o esquema de Veja sequestre o processo democrático que é tão caro à sociedade brasileira.

Link:
http://www.revistaforum.com.br/blog/2011/08/30/veja-marilena-chaui-e-o-verdadeiro-crime-organizado/

Professor deve trabalhar por amor, não por dinheiro, diz Cid!

Professor deve trabalhar por amor, não por dinheiro, diz Cid


Governador do Ceará critica professores da rede estadual, em greve há 24 dias, e diz que quem quer dinheiro deve procurar outra atividade

Daniel Aderaldo, iG Ceará  - 29/08/2011 21:07

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), mandou um recado nesta segunda-feira (29) para os professores da rede estadual de ensino em greve há 24 dias - eles querem aumento de salário. Para ele, quem desenvolve atividade pública deve colocar o amor pelo que faz na frente do retorno financeiro. “Quem entra em atividade pública deve entrar por amor, não por dinheiro”, disse o governador.

A afirmação já havia sido atribuída a Cid Gomes por professores que participaram de uma negociação pelo fim da greve. Há uma semana o governador teria dito. “Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado".

“ Quem está atrás de riqueza, de dinheiro, deve procurar outro setor e não a vida pública"

A imprensa pediu um “tira-teima” e Cid disse praticamente a mesma coisa, mas de uma forma mais branda.
“Isso é uma opinião minha que governador, prefeito, presidente, deputado, senador, vereador, médico, professor e policial devem entrar, ter como motivação para entrar na vida pública, amor e espírito público”, declarou. "Quem está atrás de riqueza, de dinheiro, deve procurar outro setor e não a vida pública”, completou.

O Sindicato dos Professores do Ceará (Apeoc) diz que o governo do Ceará não cumpre a Lei Federal do Piso e o plano de cargos e carreiras dos professores. A categoria quer a aplicação do piso para os profissionais de nível médio, graduados e pós-graduados.

Link:
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/ce/professor+deve+trabalhar+por+amor+nao+por+dinheiro+diz+cid/n1597184673225.html

Meu Comentário!

Que tal pagar o salário do Cid Gomes com amor, em vez de dinheiro?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Rede da Legalidade está de novo no ar! - por PHA!

PHA: A Rede da Legalidade está de novo no ar! - Publicado em 29/08/2011 - do Conversa Afiada


A partir de hoje, no Palácio Piratini, às 17 horas, começa em Porto Alegre a Semana dos 50 anos da Rede da Legalidade.

Nesta terça-feira, às 18h, no Memorial da Assembléia Legislativa, Brizola Neto e este ansioso blogueiro participarão do debate “Democracia e Liberdade de Imprensa”.

Este ansioso blogueiro defenderá duas teses.

Primeiro, que a maior homenagem à Resistência sem paralelo de Brizola contra o Golpe (é o mesmo de sempre) é lutar pela Ley de Medios.

Segundo, ele tratará da censura hoje: pela via via judicial.

Leia o texto de Neuza Cabarro, no site ‘50 Anos da Legalidade’:

Movimento da Legalidade e o Estado Livre

por Neuza Canabarro (*)

Brizola, Governador do Estado do Rio Grande do Sul, convencido que se tratava de um golpe de Estado, iniciou o mais importante movimento de resistência democrática do século XX, para garantir que Jango, vice-presidente da República, fosse empossado presidente.

Hoje, cinquenta anos se passaram e temos a lucidez de poder rememorar os fatos que assistimos as interpretações que ouvimos, muitas pró-movimento e outras contra, acusando Brizola de incendiário e de prejudicar ao cunhado Jango.

O desatino dos ministros militares do ex-presidente Jânio Quadros empurrou-os para o abismo da intolerância ao colocarem as Forças Armadas de prontidão no Brasil e o mais terrível, determinarem que Jango, ao regressar da viagem oficial a China, fosse preso no desembarque, em qualquer aeroporto do País.

A Rádio Guaíba, integrada a aproximadamente 100 emissoras de rádio, transmitia, diretamente do Palácio Piratini, dia e noite informações dos acontecimentos do Movimento da Legalidade com pronunciamentos de Brizola e do Marechal Teixeira Lott, alcançando uma mobilização extraordinária para a época.

As redes sociais, hoje tão badaladas, na realidade foram inauguradas por Leonel de Moura Brizola. Tiveram neste Movimento a grande constatação de sua eficácia na conscientização popular e engajamento para lutar na defesa do cumprimento da Constituição Federal do Brasil.

O mais fantástico é que Jânio e Jango foram eleitos por forças políticas diferentes, e por que não dizer antagônicas, enquanto Jânio representava a direita, o conservadorismo, as elites retrógadas, Jango era a esquerda com sua proposta progressista, as reformas de base, as grandes transformações.

Há meio século o eleitor tinha o direito de escolher o candidato a presidência e também de votar no vice. Atualmente é um retrocesso no processo democrático, aceitar quem não foi votado ser investido no cargo em caso de vacância.

O Movimento da Legalidade sem dúvida alguma, assume hoje uma dimensão maior pela visão, coragem e discernimento de Brizola ao empunhar a bandeira da defesa dos direitos constitucionais de Jango.

Acredito que as comemorações cumprem um importante papel na formação de gerações que não conhecem ou tem uma idéia distorcida da realidade deste episódio.

Reafirmo a convicção da necessidade de recuperação dos valores morais, éticos e principalmente da utopia e sonho de um estado livre, forte e igualitário.

(*) Conselheira do CDES-RS

Programação

29/08

Lançamento do site e foto-livro

Data: 29/08

Local: Palácio Piratini

Ato de celebração dos 50 anos da Legalidade

Data: 29/08 17:00

Local: Palácio Piratini

Debate com jornalistas

Data: 29/08 18:00

Local: Palácio Piratini

30/08

Debate “Democracia e Liberdade de Imprensa”

Data: 30/08 18:00

Local: Memorial da Assembleia

31/08

Sessão Comemorativa

Data: 31/08 14:00

Local: Plenario Assembleia Legislativa

Abertura da exposição

Data: 31/08 16:00

Local: Assembleia Legislativa

Debate sobre a Legalidade

Data: 31/08 18:00

Local: Memorial do Legislativo

01/09

Debate

Data: 01/09 19:00

Local: Plenário do Memorial do Legislativo

02/09

Abertura da exposição de documentos e fotografias

Data: 02/09

Local: Memorial do Rio Grande do Sul

03/09

Debate A Cadeia da Legalidade

Data: 03/09 14:30

Local: Sala A2B2 da CCMQ

Exibição de filme

Data: 03/09 19:00

Local: CCMQ

Musical Legalidade

Data: 03/09 20:00

Local: Palácio Piratini

04/09

Exibição de filme

Data: 04/09 19:00

Local: CCMQ

Musical Legalidade

Data: 04/09 20:00

Local: Palácio Piratini

05/09

Inauguração do Memorial

Data: 05/09

Local: Palácio Piratini

Link:
http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/08/29/a-rede-da-legalidade-esta-de-novo-no-ar/

Para onde vão as multidões? - por Gilberto Maringoni, da Carta Maior!

Para onde vão as multidões? - por Gilberto Maringoni, da Carta Maior!


Protestos no Oriente Médio, na Europa e no Chile têm como motivação principal a disputa por quem paga a conta da crise mundial. Mas as generalizações param por aí. Há especificidades importantes em cada país.

Acima de tudo é preciso atentar para o sentido das manifestações.

O ano de 2011 pode ficar marcado como aquele em que as multidões voltaram às ruas de forma vigorosa em diversas partes do mundo. O ano começou com o levante na Tunísia, que derrubou o presidente Ben Ali, passou pelas maciças concentrações na praça Tahrir, que culminaram com a queda de Hosni Mubarak e espalharam-se pela Argélia, Iêmen, Bahrein, Kwait e alcançaram Israel. A Líbia não entra na conta, pois o aspecto dominante na queda de Kadafi não foram inquietações internas, mas a invasão da OTAN. Milhões também se mobilizaram na Grécia, Espanha, Islândia, Portugal e Inglaterra. No Chile, após mais de dois meses de enormes protestos, os trabalhadores se uniram aos estudantes e deflagraram uma inédita greve geral, com a participação de diversas categorias profissionais.

Desde 1968 o mundo não assistia uma onda de levantes e marchas populares de tamanha envergadura. Ao mesmo tempo, apesar da proximidade no tempo, é difícil falar em “onda global” de protestos. Avaliar que imensos contingentes decidiram “votar com os pés”, numa expressão de Lênin, em protesto contra a “globalização neoliberal” é uma generalização de pouca valia.

Em última instância tudo pode ser debitado no grande cesto da crise internacional, da pauperização acelerada da população e da submissão dos governos ao chamado “mercado”.
No entanto, mais do que nunca, olhar para os detalhes é fundamental. Até porque os países atingidos são muito distintos entre si.



Periferia e centro

As reações populares atingiram a periferia e o centro do sistema.

Há diferenças mesmo entre os países do Oriente Médio.

O Egito (84 milhões de habitantes, PIB de US$ 579 bilhões, PIB per capita de US$ 7,2 mil e 101º. no IDH-ONU) e a Tunísia (10,5 milhões de habitantes, PIB de US$ 53,2 bilhões, PIB per capita de US$ 5 mil e 81º.no IDH-ONU) são países pobres, com alta concentração de renda e socialmente instáveis.

A Espanha (47 milhões de habitantes, PIB de US$ 1,48 trilhões, PIB per capita US$ 32 mil, 20º. no IDH ONU) e a Inglaterra (51 milhões de habitantes, PIB de US$ 2,27 trilhões, PIB per capita US$ 39,5 mil e 28º no IDH ONU) representam o chamado “mundo rico”.

Israel (7,5 milhões de habitantes, PIB US$ 210 bilhões, PIB per capita de US$ 28 mil e 15º no IDH ONU) e Grécia (12 milhões de habitantes, PIB de US$ 310 bilhões, PIB per capita de US$ 27 mil e 22º no IDH ONU) apresentam formalmente indicadores próximos aos da Europa Ocidental.

Todos os dados têm por fonte o FMI

(http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2011/01/weodata/download.aspx) e a ONU

(http://hdr.undp.org/en/media/HDR_2010_PT_Tables_reprint.pdf).

Na Tunísia e no Egito, o empobrecimento das maiorias, com altíssimas taxas de desemprego, foi rapidamente associado às antigas ditaduras locais. Na Grécia, o alvo visível foi o Parlamento. Na Espanha, aconteceu o fenômeno mais preocupante: após gigantescas manifestações que se arrastaram por várias semanas nas grandes cidades, a direita venceu as eleições municipais de 22 de maio. O Partido Popular obteve 37,58% dos votos contra 27,81% dos votos do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de José Luiz Zapatero. 33,7% dos eleitores não foram votar, o que equivale a cerca de 11 milhões de pessoas. Madri, entre outras, agora está nas mãos de conservadores que não escondem suas simpatias pela ditadura franquista (1938-75). Vários ativistas fizeram campanha pelo direito de não votar, como forma de protesto.

No caso inglês, os protestos aconteceram em regiões pobres da capital e de grandes cidades, com forte concentração de imigrantes. Ali o quadro se configura como uma grande catarse social diante de uma situação de precarização prolongada.

Forças organizadas

Nas ditaduras do Oriente Médio, os longos anos de repressão impediram o surgimento de forças populares organizadas de grande envergadura.

Expressão disso é que a formidável ebulição da praça Tahrir não apresentava lideranças claras. Um dos que buscou, sem sucesso, ficar a cavaleiro da situação foi o diplomata Mohamed El Baradei, de regresso ao país depois de três décadas no exterior. Como o Facebook foi um dos meios de comunicação dos rebeldes, chamaram até o representante local da rede social para falar à multidão. Entre outras organizações, a Irmandade Muçulmana foi acusada de estar por trás de tudo. Nenhum dos três atores parecia representar uma síntese orgânica da rebelião. Mesmo assim, multidões voltaram à praça nas últimas semanas.

O caso egípcio e o espanhol foram saudados por alguns como exemplo de mobilização horizontal, sem burocracias partidárias ou sindicais a tirar proveito da situação. O que parece ser uma vantagem tem se afigurado como problema. O viés contra a política institucional, no caso espanhol é claro. O desgaste dos partidos políticos – imersos em financiamentos milionários de campanha que atrelam governos cada vez mais a interesses privados – afasta o debate de alternativas reais às disputas sociais.

Socialismo conservador

O que seria um hipotético partido de esquerda, o PSOE, aplica desde os anos 1980 as medidas ultraliberais na Espanha com maior afinco que a direita tradicional. Daí o desalento e o afastamento da juventude em relação à política institucional. Várias das demandas clamam por uma democracia direta, acima de partidos e organizações tradicionais. Nunca parece ter sido tão grande a distância entre as ruas e o poder político, formalmente democrático.

Apesar do viés preocupante, não há dúvidas que as mobilizações têm representado enorme alento em um continente tomado por governos de direita e socialmente regressivos.

Uma lógica política institucionalizada só é mudada em casos extremos de rupturas por forças que se sobreponham ao status quo. Apesar da palavra “revolução” ter sido usada à exaustão para classificar os eventos árabes e europeus, não parece haver nada lá que se aproxime de algo dessa magnitude.

Diferencial chileno

O caso chileno parece ter certa distinção em relação aos anteriores. Isso se dá não apenas pela impressionante envergadura das atividades, mas por seu grau de organização. Não se trata mais de jornadas estudantis, mas de uma onda de protestos que passou a envolver a maioria dos trabalhadores urbanos, com forte apoio da opinião pública. A expressão disso foi a greve geral de 24 e 25 de agosto.

Na cabeça das agitações estão a Federação de Estudantes do Chile (Fech) e entidades do funcionalismo público (dirigidas majoritariamente pelo Partido Comunista) e a Central Unitária dos Trabalhadores (hegemonizada pelo Partido Socialista). Vale notar que a CUT sofreu, nos últimos anos, um processo de divisões e defecções por conta de seu apoio aos governos da Concertação (aliança PS-Democracia Cristã), que dirigiu o país entre 1990 e 2010 e deixou intocadas as estruturas econômicas da ditadura pinochetista (1973-89). A adesão da Central às manifestações, demandando mudanças na legislação trabalhista da ditadura, é também uma forma de superar seus desgastes.

O que era inicialmente um protesto contra altas taxas das universidades, todas particulares, se transformou em demanda contra a privatização dos serviços públicos e contra a crescente desigualdade social. Com 17 milhões de habitantes, PIB de US$ 162 bilhões, PIB per capita de US$ 9,5 mil e 44º lugar no IDH da ONU, o Chile é um dos que apresenta menor investimento público em saúde (2,2%) na América do Sul. O desemprego atingiu o pico de 9,7% em 2009.

Nada indica que o Chile fará uma revolução a partir das manifestações. A marca distintiva é que elas parecem concentrar suas energias nas organizações existentes e consegue potencializar a força dos protestos.

Limites do espontaneísmo

É sempre bom lembrar a história brasileira dos anos 1980-90 para ver as possibilidades da organização política e social e os limites das manifestações espontâneas e com demandas vagas, saudadas por alguns como “democráticas” e “não burocráticas”.

O Brasil dos anos 1980 assistiu às maiores mobilizações de massa de sua história. O movimento estudantil, as greves operárias e as Diretas Já geraram saldos organizativos que se materializaram na construção de partidos de esquerda – PT incluído – entidades democráticas – UNE, CUT, MST entre outras – e mudanças sensíveis expressas na Constituição de 1988. Não se discute aqui o transformismo conservador vivido por parcela desses organismos nos anos recentes. Havia demandas claras por democracia e conquista de direitos sociais, em boa medida vitoriosas.

No início da década seguinte, multidões voltaram às ruas. Dessa vez, o alvo eram os desmandos do governo Collor. A voz das ruas falou mais alto e o presidente teve de renunciar em 2 de outubro de 1992. No dia seguinte, houve eleições municipais em todo o país. Em São Paulo, a população deu vitória ao candidato da direita, Paulo Maluf, que enfrentava Eduardo Suplicy, do PT, agremiação que estivera à frente dos protestos. Guardadas as proporções, Collor e Maluf eram expressões do mesmo projeto político.

Os resultados eleitorais ainda suscitam polêmicas. Mas no centro estava o fato de a campanha contra Collor foi realizada com base num moralismo anticorrupção que, embora indignasse a população, não deixou saldos políticos. Sobre o projeto ultraliberal do governo, quase nada foi dito.

No Oriente Médio governos foram derrubados e na Europa os indignados podem voltar a marchar. Tomara que a disputa entre no decisivo terreno da política.

Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

Link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5175

Emir Sader: De céticos a cínicos - da Carta Maior!

Emir Sader: De céticos a cínicos - da Carta Maior!


O ceticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cômodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.

Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis.

Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria.

Na realidade o ceticismo se revela, rapidamente, na realidade, ser um cinismo, em que tanto faz como tanto fez, uma justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está. Ainda mais que o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego.

Seu discurso é que o mundo está cada vez pior , à beira da catástrofe ecológica, tudo desmorona e outros cataclismos. Concitam a essa visão pessimista, ao ceticismo e a somar-se à inercia, que permite que os poderosos sigam dominando, os exploradores sigam explorando, os enganadores – como eles – sigam enganando.

Por mais que digam que tudo está pior, que o século passado foi um horror – como se o mundo estivesse melhor no século XIX -, que nada vale a pena, não podem analisar a realidade em concreto. Para não ir mais longe, basta tomar a América Latina – tema sobre o qual a ignorância dessa gente é especialmente acentuada.

Impossível não considerar que o século XX foi o mais importante da sua história, o primeira em que a região começou a ser protagonista da sua historia.

De economias agro exportadoras, se avançou para economias industrializadas em vários países, para a urbanização , para a construção de sistemas públicos de educação e de saúde, para o desenvolvimento do movimento operário e dos direitos dos trabalhadores.
Mas bastaria concentrar-nos no período recente, no mundo atual, para nos darmos conta de que as sociedades latino-americanas – o continente mais desigual do mundo – ou pelo menos a maioria delas, avançaram muito na superação das desigualdades e da miséria. Ainda mais em contraste com os países do centro do capitalismo, referência central para os cético-cínicos, que giram em falso em torno de políticas que a América Latina já superou.

As populações da Venezuela, da Bolívia, do Equador, estão vivendo muito melhor do que antes dos governos de Hugo Chavez, de Evo Morales e de Rafael Correa. A Argentina dos Kirdhcner esta’ muito melhor do que com Menem. O Brasil de Lula e de Dilma esta’ muito melhor do que com FHC.

Mas o ceticismo-cinismo desconhece a realidade concreta, não conhece a história. É pura ideologia, estado de ânimo, que dá cobertura aos poderosos, lado que escolheram, ao optar por deixar o mundo como ele está.

Trata de passar sentimentos de angustia diante dos problemas do mundo, mas é apenas uma isca para fazer passar melhor seu compromisso com que o mundo não mude, continue igual. Até porque a vida está bem boa para eles que comem da mão dos ricos e poderosos.

Ser otimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal.

Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim.

Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas e que triunfam as alternativas que conseguem superar esse ceticismo-cinismo que joga água no moinho de deixar tudo como está, pela ação consciente, organizada, solidária dos homens e mulheres concretamente existentes.

Postado por Emir Sader

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http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=740

PHA: Dirceu vai processar a Veja. E o Zé Cardozo?

PHA: Dirceu vai processar a Veja. E o Zé Cardozo?


Publicado em 27/08/2011

Na foto do Bessinha, o detrito de maré baixa

Este ansioso blogueiro recebeu a informação de que o ex-Ministro José Dirceu vai processar a Veja, o detrito de maré baixa, nesta segunda feira.

Veja tentou invadir o apartamento dele, num hotel em Brasília.

Este ansioso blogueiro há três semanas recebe de graça, em casa, um exemplar do detrito.

Desta vez, em lugar de jogar fora, abriu, para ver a reportagem em questão.

A “reportagem” não tem um fiapo de informação.

É só opinião.

E pior: a “prova” do crime são imagens tiradas da câmera de segurança do hotel, postada no corredor que leva ao apartamento de Dirceu.

Este ansioso blogueiro também costuma se hospedar nesse hotel, quando é obrigado ao suplício de pernoitar em Brasília.

E ligou para lá.

Não conseguiu, como queria, falar com o Supervisor.

Falou com simpática funcionária da recepção.

Perguntei se a Veja teve ou terá acesso às imagens de quem entra no meu apartamento.

Se essas imagens são públicas.

Ela respondeu que não.

Isso precisará ficar claro numa investigação policial, que acompanhe o processo movido pelo ex-Ministro José Dirceu.

A Veja já foi longe demais.

Está na sobrevida.

Vamos ver o que tem a dizer o notável Ministro da Justiça, o Zé Cardozo.

Vote no Sim e no Não: Zé Cardozo vai se coçar, vai investigar a Veja ?

Em tempo: são obras da Veja:
- Inventar que as FARCs financiavam ou eram financiadas pelo Lula, o que a própria embaixada americana, no WikiLeaks, desmentiu;

- Numa obra a quatro mãos, um jornalista de nome Marcio Aith e Daniel Dantas produziram uma reportagem que revelava as contas secretas do Presidente Lula e do Ministro da Justiça em paraísos fiscais;
- Denunciou o áudio do grampo sem áudio, com que o ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo e o ex-ministro Nelson Johnbim (o da babá eletrônica) derrubaram o ínclito delegado Paulo Lacerda da ABIN (para gáudio de certo banqueiro condenado).

Em tempo 2: o sr. Rogério Tonato, gerente do hotel Naoum, telefonou para este ansioso blogueiro às 20h40 deste sábado e informou que já consultou os advogados do hotel para estudar como processar a revista Veja. Ele informou que o hotel existe há 22 anos e que isso jamais aconteceu.

Paulo Henrique Amorim

Link:
http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/08/27/dirceu-vai-processar-a-veja-e-o-ze-cardozo/

Carta Maior: Novo motor da crise: Bancos da Europa terão que obter 4 trilhões de Euros até 2014!

NOVO MOTOR DA CRISE: BANCOS DA EUROPA TERÃO QUE OBTER 4 TRILHÕES DE EUROS ATÉ 2014
'A banca do euro precisa ser recapitalizada', alertou Christine Lagarde, diretora-geral do FMI na reunião conjunta do Fed com BCs de todo o mundo, na semana passada.

Esse é o novo motor da crise.

Nos próximos três anos, segundo o Financial Times, a banca da UE terá que obter fundos da ordem de 4 trilhões de euros para garantir a liquidez de suas carteiras.

A perspectva desse encontro com a hora da verdade move a fuga de fundos de investimentos que tem reduzido sua exposição na zona do euro elevando o custo de rolagem de passivos de bancos e governos.

Falta coordenação e estratégia para deter esse processo. E essa é uma dimensão da crise sistemica: ela dissolve e anula as próprias instituições ordenadoras da hegemonia financeira na atual etapa do capitalismo.

Nesse salve-se quem puder errático e selvagem, alguns países dificilmente escaparão de um imprevisto.

A dívida do setor privado espanhol, por exemplo, mediada pelos bancos, equivale a devastadores 170% do PIB. Zapatero tenta deter o tsunami prometendo arrocho fiscal eterno aos mercados, incorporando princípio ortodoxo à Constituição do país.

Conseguiu unir operários e indignados contra o governo do PSOE a pouco mais de dois meses das eleições a sua sucessão.

(Carta Maior; 2º feira, 29/08/ 2011)

domingo, 28 de agosto de 2011

Área social tem 15% do PIB mas custa pouco para ser administrada!

Área social tem 15% do PIB mas custa pouco para ser administrada - da Carta Maior

Investimentos federais na área social atingiram R$ 566 bi em 2010 e, pela segunda vez seguida, superaram 15% do PIB. Do total, só 10% foram para pagar os servidores públicos que tocam a área. “É impressionante como o complexo social brasileiro é barato", diz especialista. Alta de R$ 37 bi no ano passado levou gasto social a R$ 2 tri no acumulado do segundo governo Lula, mas perdeu para o incremento do superávit primário.

BRASÍLIA – A Constituição de 1988 arquitetou uma rede de proteção social que atingiu hoje dimensão equivalente a 15% do produto interno bruto (PIB). Em termos relativos, porém, custaria pouco para ser administrada. Dos R$ 566 bilhões investidos no social pelo governo federal em 2010, só 10% foram para pagar salários de funcionários federais que trabalham na área.

“É impressionante como o complexo social brasileiro é barato, em função da diversidade de ações promovidas pelos servidores públicos, como o combate à pobreza, a oferta de educação e o acesso ao Sistema Único de Saúde”, diz o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão de Castro. “Qual empresa privada gasta menos do que isso?”.

Além de barata, a máquina também seria eficiente, de acordo com estudo do Ipea divulgado na última quinta-feira (25/08). A execução média do orçamento de onze áreas diferentes classificadas como “social” (saúde, educação, previdência e assististência, por exemplo) foi de 97%. A execução orçamentária geral em 2010, incluindo a parte social, foi de 89%, diz o estudo.

No ano passado, o gasto social federal foi R$ 37,5 bilhões (ou 7,2%) maior do que em 2009. O aumento tem algumas explicações. As principais: reajuste do salário mínimo e do Bolsa Família; avanço do programa de construção de casas; e fim da aplicação, na educação, do mecanismo que permite ao governo desviar verba carimbada para outros fins, como juros da dívida.

No ano passado, o pagamento de juros da dívida pelo governo federal cresceu um pouco mais do que os gastos na área social. O chamado superávit primário feito apenas pelo governo federal, sem contar estados e municípios, subiu R$ 39,5 bilhões, na comparação com 2009, fechando em R$ 78,9 bilhões.

O motivo para o superávit ter tido uma variação superior à verificada na área social foi a crise financeira mundial de 2008/2009. Naquela ocasião, o governo reduziu o superávit para injetar mais dinheiro na economia real, com o objetivo de estimulá-la. Assim, de 2008 para 2009, o gasto na área social ganhou R$ 55 bilhões, enquanto o pagamento de juros perdeu R$ 32 bilhões.

“Os percentuais apontam para a manutenção do ritmo acelerado de incremento dos investimentos na área social, embora em ritmo um pouco inferior ao registrado de 2008 para 2009, quando o aumento dos gastos sociais foi considerado uma estratégia de enfrentamento da crise econômica mundial”, disse Abrahão de Castro.

Apesar de a área social ter tido R$ 37,5 bilhões a mais em 2010, o crescimento da economia, de 7,5%, uma das maiores taxas dos últimos tempos, levou a uma pequena perda de espaço relativo, como proporção do PIB. Em 2009, os gastos sociais federais representaram 15,8% do PIB. Em 2010, 15,4%.

No acumulado do segundo mandato do ex-presidente Lula, o investimento social foi de R$ 2 trilhões, de acordo com os dados do estudo do Ipea.


Link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18340