Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 31 de dezembro de 2011

No governo FHC, BNDES emprestou R$ 284 milhões para a Rede Globo!

O BILHÃO DA GLOBO - Por Juliana Simão - da IstoÉ Dinheiro, 20/03/2002, Edição 238

 BNDES injeta recursos na maior empresa de tevê a cabo do País e desperta reações negativas


O BNDES, maior banco de fomento do País, anunciou na terça-feira 12 a operação de capitalização da Globocabo, principal empresa nacional de tevê por assinatura, que carrega uma dívida de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 514 milhões vencem já em 2002. A companhia terá um aporte de R$ 1 bilhão. Dos cofres do banco virão R$ 284 milhões. Nesse negócio, há alguns fatos que merecem ser analisados: 


• Embora tenha apenas 4,8% das ações da Globocabo, o banco decidiu oficialmente entrar com 28,4% dos recursos do aumento de capital. Só que a conta real sobe para 40,8%, pois uma parcela de R$ 305 milhões que deveria sair da Globo, maior acionista da empresa, não vem em dinheiro. Trata-se de uma manobra contábil. A Globo tinha em seu balanço esse valor contabilizado a título de expectativas de ganhos futuros da Globocabo. Foi isso o que se transferiu à operadora de tevê por assinatura.
 
• A Globocabo anunciou em 2001 um prejuízo de R$ 700 milhões. Foi a sétima perda em sete anos consecutivos. Em toda a sua história, a empresa só teve lucro em um trimestre e, mesmo assim, de R$ 1,4 milhão. No ano passado, mais uma vez, a base de clientes caiu. Passou de 1,47 milhão para 1,28 milhão.


• O BNDES não possui qualquer política de financiamento destinada a empresas de mídia. A Bandeirantes e o SBT já tentaram obter recursos e receberam a informação de que o banco não opera nesse setor. A Globocabo não é exatamente do ramo de comunicação, mas sua controladora é.


• O Brasil está há seis meses das eleições.
 
Diante dos fatos que ocorreram, as reações, naturalmente, foram negativas. A Bandeirantes escalou seu vice-presidente, Antônio Teles, para comentar a operação. “Por que o BNDES tem que socorrer uma empresa insolvente?”, indagou. “É um escárnio e um espanto que isso tenha acontecido a poucos meses das eleições”. 


Na Abril, que concorre diretamente com a Globo no mercado de tevê por assinatura, a primeira reação do presidente Roberto Civita foi a seguinte: “Se for assim, eu também quero.” O Bispo Rodrigues, coordenador da bancada evangélica na Câmara dos Deputados e dos interesses da Record, foi duro. “Por que a sociedade deve emprestar tanto dinheiro a uma empresa privada?” 


O BNDES logo tratou de defender a operação, mas deixou dúvidas. Seu presidente, Eleazar Carvalho, que um dia antes do anúncio havia dito que o banco não é “hospital de empresas”, afirmou que a injeção de recursos foi a única forma de preservar o que BNDES já investiu na Globocabo. Mas de acordo com a consultoria Economática, o valor de mercado da Globocabo é hoje de R$ 1,8 bilhão. Os 4,8% do BNDES, portanto, valeriam menos de R$ 90 milhões. 


Para preservá-los, o banco ofereceu R$ 284 milhões à Globocabo. O mercado financeiro também reagiu mal. As ações da empresa caíram 9,8% um dia depois do anúncio da operação e já acumulam um tombo de 60% em um ano. “Os indicadores da Globocabo são piores do que os das outras empresas de tevê por assinatura que atuam no Brasil”, disse à DINHEIRO Matthieu Coppet, analista do banco suíço UBS em Nova York. 


Apenas como comparação, é interessante perceber o comportamento de um outro acionista, que tem uma parcela maior do que o BNDES na Globocabo. A Microsoft, com 7,5% da empresa, já decidiu que não entrará no aumento de capital. Deixará sua participação acionária ser diluída. 


Comenta-se, no mercado financeiro, que a avaliação da Microsoft, que pertence a Bill Gates, o homem mais rico do mundo, é que a Globocabo não tem mais como prosperar. A associação só interessou enquanto se imaginou que haveria sinergias entre o negócio de tevê a cabo e a internet. 


O diretor-geral da Globocabo, Luiz Antônio Viana, diz que ainda não há uma destinação definida para o aporte de R$ 1 bilhão. Segundo ele, nem tudo será usado para pagar as dívidas. “O dinheiro não será carimbado”, afirmou. “É uma montanha de dinheiro e pretendemos comer este elefante aos bifes.”


Link:

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/10578_O+BILHAO+DA+GLOBO

A dor de cotovelo de Miriam Leitão! - por Fernando Brito!

A dor de cotovelo de Miriam Leitão - por Fernando Brito, do Tijolaço

Miriam Leitão escandaliza-se com um deficit nominal de 2,36% do PIB, mas não abria a boca quando FHC fez este déficit chegar a 14% do PIB

A coluna de Miriam Leitão hoje, em O Globo, não é, certamente, nada que deva entrar no cardápio da ceia de Ano Novo. Porque é fel puro, algo tão evidentemente odioso que entra nas raias da irracionalidade e do ridículo.

Ela desdenha da situação de solidez das contas públicas brasileiras – Brasil, vocês sabem,  é aquele país que há nove anos pedia seguidos perdões (waivers) ao FMI e onde o presidente submetia os candidatos à eleição presidencial a concordarem publicamente com uma nova estendida de pires financeiro – como se vivêssemos no paraíso e, de lá para cá, governantes irresponsáveis nos tenham atirado na caótica situação de sermos a sexta economia do mundo.

Diz, por exemplo, que o superávit primário – aquele mesmo, que ela cantou em prosa e verso por anos a fio – não é nada, o problema é o déficit nominal, que é o resultado depois do pagamento de juros. De fato, os juros altíssimos pagos pelo nosso país – embora sejam a metade do que eram sob o genial (para ela) governo Fernando Henrique – são nosso maior problema macroeconômico, mas não foi ela própria quem vociferou contra a “precipitação” do Banco Central em começar a cortar estes juros, em agosto?

A não ser para quem aposta na “roda-presa”, quando o mundo desenvolvido ostenta dívidas públicas próximo aos 100% dos PIBs nacionais achar que o Brasil, que não tem a metade deste endividamento, deva se submeter a arrochos mais severos, cortar gastos sociais e sacrificar mais seu povo. Aliás, é no mínimo desmemoriado quem critica um déficit nominal de 2,36% do PIB enquanto não se recorda que este já chegou a inacreditáveis 14% do PIB, em 1999, quando a tucanagem imperava.

E “esquece” de citar que estes juros são pagos por uma dívida que, desde FHC, o Iluminado,  caiu de mais de 56% para 37% do PIB. Ou seja, a família devia mais da metade de sua renda, agora deve pouco mais de um terço. E está pior?

Fala também da carga tributária, que era de 29% em 1995 e hoje anda pelos 35% do PIB. Esquece que este crescimento se deu justamente sob Fernando Henrique,que disse, aliás, que  “essa coisa” de reclamar da carga tributária era “choradeira”:

- Como vai ter um Estado moderno, em um país pobre, sem tributo? – disse ele em 2007.
A musa do Milênium diz ainda que são absurdos os financiamentos do BNDES, que custam ao Tesouro mais do que rendem, mas não foi capaz de uma palavra quando estes financiamentos foram turbinados para financiar a compra – quase doada – do patrimônio público.

Textos como o de hoje é que explicam aquela frase de José Serra na campanha eleitoral. Pode não ter sido gentil, mas foi precisa:

- Mas que bobagem, Miriam…

link:
http://www.tijolaco.com/a-dor-de-cotovelo-de-miriam-leitao/

Meu Comentário!


A ‘dona’ Miriam Leitão não tem moral para reclamar dos empréstimos do BNDES, pois em 2002 o banco emprestou R$ 284 milhões para a Rede Globo. Olha a notícia aqui:
 
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/asp200320024.htm

http://www.conjur.com.br/2002-mar-15/oposicao_bndes_explique_emprestimo_globo

Berlusconi responsabiliza euro por crise na Itália!

Berlusconi responsabiliza euro por crise na Itália - do Vermelho

O ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, acusou hoje (31) o euro de ser o responsável pela crise da dívida pública pela qual passa seu país, e não seu governo, que terminou em novembro com sua renúncia.
"Apesar da manobra do governo de professores, o spread continua em níveis elevados e a crise econômica continua. Fica cada vez mais evidente a vergonha de quem apontou o meu governo como a única causa desta situação", desabafou ele em mensagem divulgada à imprensa italiana.

O ex-premier acusou o euro de ser uma "moeda anômala". "Por isso a União [Europeia] deve mudar de estratégia a apontar não só para um rigor [nos gastos], mas também para o crescimento", defendeu.

Porém, Berlusconi observou que "a Europa está dividida e incapaz de decidir, e os mercados entenderam [isso.] A isso pagam, sobretudo, os italianos", criticou.

O ex-primeiro-ministro recordou que seu governo também aprovou planos de ajuste econômico. "O meu governo fez uma manobra para ter sob controle as contas públicas e lançou reformas estruturais importantes", atestou.

Ele afirmou que deixou o governo sem estar "desacreditado", mas "apenas pelo sentimento de responsabilidade e sacrifício".

Sobre seu futuro, o ex-chefe de Governo italiano garantiu que não deixará a política. "Mas continuo em campo para dar apoio a novas gerações de políticos do PDL [Povo da Liberdade] para levar o partido à vitória nas próximas eleições", assinalou.

Fonte: Ansa


Link:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=172319&id_secao=2

Bolsa Família bate recorde de gastos em 2011!

Bolsa Família bate recorde de gastos em 2011 -do Vermelho

O programa Bolsa Família teve no primeiro ano da presidente Dilma Rousseff seu maior aumento nominal desde sua criação e bateu um novo recorde.


O desembolso com o programa chegou a R$ 17,1 bilhões, contando o dinheiro usado na transferência de recursos e em sua gestão --R$ 3,2 bilhões a mais do que no ano passado.

Se descontada a inflação, o aumento foi de 15,7%, o segundo maior crescimento real desde que o Bolsa começou a ser executado, em 2004, perdendo apenas para a evolução entre 2005 e 2006.

O número de famílias que recebem dinheiro por meio do programa também cresceu e chegou a 13,3 milhões, outro recorde.

O desembolso com o programa cresce ano a ano desde que começou a ser executado, em 2004.  A ampliação deste ano tem a ver com a meta principal do governo da presidente Dilma de  erradicar a miséria extrema até 2014.

O programa intensificou seu foco nos jovens, que representam quatro em cada dez dos 16,2 milhões de brasileiros miseráveis --segundo critério estabelecido pelo governo, quem ganha até R$ 70 por mês.

O montante transferido a famílias com adolescentes recebeu reajustes de até 45% e foi ampliado: o limite dos chamados benefícios variáveis, que era de três filhos com até 15 anos, subiu para cinco filhos.

Com a segunda medida, ao menos 1,3 milhão novos beneficiários foram incluídos no Bolsa.

Além disso, as mulheres grávidas e as que amamentam bebês de até seis meses de idade passaram também a ter direito à política social.

As mudanças do Bolsa são parte das medidas do Brasil Sem Miséria, que se estrutura em outros dois eixos além da transferência de renda: melhoria do acesso a serviços públicos e inclusão produtiva --que visa encaixar os extremamente pobres no mercado de trabalho.

Balanço dos primeiros seis meses do plano divulgado neste mês indicou que algumas de suas metas já foram batidas, como a de incluir potenciais beneficiários em programas sociais do governo.

Mas um dos prihttp://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=172304&id_secao=1ncipais pontos do plano, o estabelecimento de um programa de microcrédito aos extremamente pobres, ainda está por ser executado.

O ministério afirma que discute com os bancos uma metodologia para a concessão de crédito. O objetivo é criar um formato no qual os bancos orientem o público.



Link:
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=172304&id_secao=1

União Europeia terá recessão em 2012, dizem economistas!

União Europeia terá recessão em 2012, dizem economistas - Marcelo Justo, da Carta Maior

O ano de 2011 chega ao fim com as economias da eurozona jogadas contra as cordas e com o resto da União Europeia (UE) envolvido em sérios problemas. Entre julho e setembro o crescimento médio da eurozona foi de 0,2%, enquanto que o das 27 economias da UE foi de 0,3%. Uma pesquisa da BBC realizada junto a 27 economistas britânicos e do resto da Europa, assessores do Banco da Inglaterra, revela uma opinião quase unânime: a União Europeia entrará em recessão em 2012. O artigo é de Marcelo Justo.

Uma pesquisa da BBC realizada junto a 27 economistas britânicos e do resto da Europa, assessores do Banco da Inglaterra, revela uma opinião quase unânime: a União Europeia (UE) entrará em recessão em 2012. Na pesquisa, uma quinta parte dos economistas vaticinou que a eurozona não poderá manter seus 17 membros até o fim de 2012. Segundo os especialistas, haveria entre 30 e 40% de possibilidades de a eurozona se desintegrar em seu conjunto.

O ano de 2011 chega ao fim com as economias da eurozona contra as cordas e com o resto da UE envolvido em sérios problemas. Entre julho e setembro o crescimento médio da eurozona foi de 0,2%, enquanto que o das 27 economias da UE foi de 0,3%. O efeito dominó intrazonal é um fato: a desaceleração de alguns países está arrastando outros e formando um círculo vicioso de difícil saída.

No círculo áulico do euro, os problemas alemães impactam a França e o resto dos membros, mas fora da eurozona, o Reino Unido e as outras 14 economias estão brincando com os sobressaltos do euro. Os britânicos estão hoje a um passo de sua segunda recessão em três anos e têm um nível de desemprego recorde. Seu draconiano programa de austeridade tem sido a pá para cavar a própria tumba, mas o vai-e-vem europeu está acelerando o enterro.

Em meio a este panorama, a pesquisa da BBC preocupa, mas não surpreende. Os 27 economistas consultados não têm bola de cristal, mas se olhamos para a metade cheia do copo, a pesquisa revela que 48% deles pensa que nenhum país abandonará a eurozona em 2012. Mas, se o olhar recai sobre a metade vazia do copo, 24% estima que um membro abandonará a eurozona na primeira metade do ano, enquanto que 45% prevê que isso acontecerá em um “futuro próximo”.

Em declarações a BBC, um dos entrevistados, Peter Warburton, da Consultora Economic Perspectives, assinalou que a recessão será “suave” em comparação com a de 2008. “Estamos falando da primeira metade do ano. Não será uma depressão econômica”, indicou. Warburton se situa entre os que opinam que o vaso está meio cheio. “Creio que a possibilidade de uma desintegração da eurozona é muito mais improvável do que sugere essa pesquisa. Há muitos contratos e vínculos estabelecidos que não podem ser dissolvidos da noite para o dia. Uma dissolução caótica não interessa a ninguém”, disse na entrevista a BBC.

Para além da perspectiva mais ou menos otimista com que se olhe a atual situação, não resta dúvida que a União Europeia viverá o próximo ano sob uma dupla sombra. A crise da dívida soberana que começou em princípios de 2010 com a Grécia fez metástase e a do sistema financeiro do período 2007-2008, remendada sucessivamente com grandes regates fiscais, está relevando a precariedade da costura.

Em nível de dívida soberana, a terceira economia da eurozona, a Itália, é hoje a bola da vez. A Itália tem que pagar cerca de 91 bilhões de euros de uma dívida que vence entre janeiro e abril. Os analistas consideram que os títulos italianos com juros de 7% - nível considerado crítico em termos de dívida soberana – terão sério problemas para conseguir nos mercados financeiros esta cifra ou os quase 600 bilhões de dólares de financiamento que necessitam para 2012. “Para salvar o euro do naufrágio, os mercados necessitam de uma injeção de fé nas próximas semanas. Os leilões das dívidas de Itália e Espanha serão a chave”, assinala Neil Mellor, da unidade de divisas do Banco de Nova York.

O sinal de fé pode vir do demorado Fundo Europeu para a Estabilidade Financeira que está buscando um acordo para arrecadar um escudo de fundos que o coloque a salvo dos mercados financeiros. Dados os problemas enfrentados pelos 27 membros da UE para consensuar uma solução, o veto que o Reino Unido sempre carrega na mão e as reservas do Banco Central Europeu para ajudar os estados, não está claro que o Fundo Europeu possa conseguir os recursos com a velocidade necessária para evitar uma nova crise.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Link:

O “colapso” da URSS e o escândalo da privataria russa!

“A Rússia pagou mais caro pelo fim da URSS, que pela II Guerra Mundial, diz ex-primeiro ministro Evgeni Primako - do Russia Today, via RedeCastorPhoto, traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu, 26/12/2011 
 

O “colapso” da União Soviética e o escândalo da privataria russa


 
26/12/2011, Entrevista -  Evgeny Primakov, Russia Today
Evgeny Primakov
 (“Projeto 20 anos do colapso da URSS”)
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
O ex Primeiro-Ministro russo Evgeny Primakov é um dos poucos que assistiram, por dentro dos corredores do poder em Moscou, ao desenrolar do “colapso” da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e o consequente processo de privatizações, há exatamente vinte anos. Aqui, a entrevista que concedeu há dois dias, a Russia Today

A entrevista, em russo no original, está traduzida para o inglês on time no vídeo abaixo:

Russia Today: O senhor com certeza lembra-se de que disse, uma vez, que nunca entendeu o quê impediu o presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, de usar força militar para impedir que se assinasse o tratado que determinou a dissolução da URSS, em 1991. O senhor ainda acha que a URSS deveria ter sido preservada a qualquer custo?
Evgeny Primakov: De fato, nunca pensei que fosse necessária alguma força militar. O que poderia ter sido feito – e é minha opinião, outros têm outras ideias... Mas eu penso que os policiais do distrito militar da Bielorrússia poderiam ter cercado aqueles três políticos em Belovezhskaya Pushcha [1], que lá estavam, bêbados, mal se segurando sobre as pernas, e que só pensavam em assinar logo os documentos daquele tratado, e, simplesmente, tê-los levado, no camburão, cada um para sua casa. Bastaria prendê-los, tirá-los de lá, apreender aqueles documentos e levar os bêbados para casa. Mas isso não foi o mais importante. 
O mais importante – e Gorbachev sabia que havia essa proposta, porque eu, pessoalmente, falei-lhe sobre isso, na presença de outras pessoas – é que, naquele momento, o que se deveria assinar seria um tratado econômico.
Se tivéssemos assinado um simples tratado econômico, que criasse um único espaço econômico [como depois fez a Europa e hoje a América Latina procura fazer], acho que teríamos dado o passo oportuno e necessário, naquele momento, na direção de preservar uma União Soviética aprimorada, modernizada, que, adiante, teria os meios necessários para livrar-se das partes necrosadas do seu próprio legado. 
Um dia depois de termos apresentado a ele essa ideia e esse projeto, Gorbachev fez uma declaração pública, em que disse que não acreditava que um tratado econômico devesse ser assinado antes dos demais, porque tinha certeza de que o tratado econômico poria em risco a assinatura do tratado político que ele supunha que já estivesse negociado e acertado. 

Por isso, não se chegou a considerar adequadamente a ideia de que, uma vez criada uma zona econômica comum, criar-se-iam as condições para que se desenvolvessem as importantes estruturas supranacionais indispensáveis. E elas surgiriam, seria inevitável. Por isso deveríamos ter começado por um tratado econômico. Muitos estavam já convencidos disso e dispostos a trabalhar nessa direção. Até os estados do Báltico estavam dispostos a trabalhar sobre a ideia de preservar um espaço econômico comum.

RT: Se se considera a história, todos os grandes impérios acabaram por fragmentar-se, mais cedo ou mais tarde. O senhor acredita que uma zona econômica comum bastaria para impedir a fragmentação?

EP: É claro que não bastaria. Mas teria sido passo importante para impedir a fragmentação. E é claro que não se pode comparar aquele momento e o que temos hoje, são situações completamente diferentes. Naquele momento, na União Soviética, tudo era centralizado e tudo era dirigido por um único sistema. 


Mas ninguém ganhou coisa alguma com a dissolução. Ninguém. A Rússia talvez se tenha saído melhor que os demais, porque é maior e mais forte e tinha economia mais desenvolvida. Mas no plano geral, ninguém ganhou coisa alguma. Isso é indiscutível. Hoje, as repúblicas estão convertidas em estados soberanos, que trilharam um duro caminho e já desenvolveram conexões e relações com outros estados no ocidente, e com a China, etc. O quadro hoje é completamente diferente.

Mas mesmo hoje, já se vê a importância de criar uma zona econômica comum. Se a coisa é feita adequadamente, na escala adequadamente ampla – e, de fato, a Rússia já tem acordos com a Bielorrússia e com o Cazaquistão e é possível que o Quirguistão logo se una, também –, se tudo for conduzido adequadamente, o que se está vendo é que a formação de blocos econômicos – não a dissolução dos blocos existentes – é um dos pilares indispensáveis à segurança e ao desenvolvimento locais.
RT: O senhor acha possível restaurar alguma coisa semelhante à União Soviética, com uma Comunidade Econômica Eurasiana que reúna várias das repúblicas pós-soviéticas?
EP: Não. Não penso, de modo algum, em alguma coisa semelhante à União Soviética. Nada mais, hoje, pode, sequer remotamente, ser semelhante à União Soviética, de modo algum. 
Mas a integração é uma das forças mais ativas da globalização. Isso, precisamente, é o que se vê hoje, em todo o mundo. E se nos pusermos a andar a favor dessas forças... 
Hoje, pode-se dizer que o que se vê em todo o mundo é a tendência à transnacionalização nos negócios e no comércio. E também há transnacionalização e integração dos processos no plano dos estados. Portanto, se conseguirmos andar a favor dessas tendências, para chegar aos fóruns planetários, para promover neles nossa agenda... 
A verdade é que esse tipo de movimento em nada difere do que o Ocidente está fazendo! A vantagem, no nosso caso, é que nós, desse lado do mundo, sempre teremos de nos focar mais nos interesses de cada um dos estados-membros da Comunidade Econômica Eurasiana. Acho que essa será uma grande vantagem.
RT: Como o senhor disse, é fato sabido que os problemas econômicos foram o principal fator que levou à dissolução da URSS. Hoje, se se veem EUA e União Europeia sacudidos por graves crises econômicas, deve-se esperar que a Europa ou o bloco norte-americano dividam-se, de algum modo, como a URSS dividiu-se?
EP: Não, não acho. Claro que algum impacto sério nessa direção é inevitável, no caso da Europa. Lembro de uma conversa que tive com um homem a quem respeito muito, o ex-Chanceler [Helmut] Schmidt, da Alemanha Ocidental, que está hoje com 92, 93 anos e, continua como sempre foi, muito brilhante. Ano passado, tive uma conversa interessantíssima com ele. 
Para o Chanceler Schmidt, sim, os eventos na eurozona terão, sim, um impacto. Para ele, esse impacto pode empurrar, por um lado, para integração maior de vários estados dentro da União Europeia, em termos de política exterior, defesa e outras questões. Mas, por outro lado, os mais “velhos” da União Europeia, os que estão integrados há mais tempo, os que terão de fazer concessões, serão forçados a ver com outros olhos os mais ‘novos’, os que se uniram mais recentemente à União Europeia. Haverá impacto também nessa direção.
RT: Agora, uma questão hipotética. Anos depois do colapso da URSS, a OTAN bombardeou a Iugoslávia. Sem o colapso da URSS, o senhor imagina que a OTAN teria prosseguido nas operações contra a Iugoslávia, o Afeganistão, o Iraque, a Líbia?

EP: Sobre o envolvimento da OTAN na Iugoslávia, acho que aconteceria mesmo que a URSS estivesse ainda viva, porque a Aliança agiu sem autorização do Conselho de Segurança da ONU. Mas a questão é muito mais complicada que isso. 
Nos primeiros anos depois da dissolução da URSS, ainda na primeira metade dos anos 1990s, nossa política exterior nada fazia senão mostrar apoio às posições dos EUA, seguir exatamente as pegadas dos EUA. O ministro das Relações Exteriores, ele próprio, disse o seguinte: “Precisamos desesperadamente nos incorporar ao mundo civilizado, custe o que custar. O resto é perfumaria”. Evidentemente, o ocidente via esse sentimento na Rússia pós-soviética. E esse sentimento, me parece, ainda prevalece em alguns círculos. Por isso, a OTAN age como sempre agiu, sem tomar conhecimento, nem da União Soviética nem da Rússia.
RT: Que preço a Rússia teve de pagar por essa política exterior sem espinha dorsal, quando, como o senhor disse, seguia as pegadas dos EUA?
EP: O preço foi tremendo. Em termos econômicos, a Rússia pagou mais caro pelo fim da URSS, que durante toda a II Guerra Mundial. O custo alcançou essa escala. Tremendo. Todos veríamos mais claramente o que a Rússia pagou pelo fim da URSS, se todos pudessem assistir às audiências, em Londres, dos processos em curso, aos quais respondem Boris Berezovsky e Roman Abramovich, e se todos ouvissem as histórias horrendas de como os empresários gozavam da proteção de funcionários do Kremlin.
Ou se todos conhecêssemos os detalhes dos processos de privatização, na Rússia. Se se sabe daqueles crimes, ninguém, em sã consciência, jamais dirá que o país obteve qualquer ganho, qualquer avanço, do que se fez nos anos 1990s.
RT: Uma última pergunta. A URSS promovia uma determinada ideologia. Estados fortes precisam de ideologia. O senhor acha que a Rússia, hoje, tem algum pensamento próprio?
EP: Ainda não há, articulada, coisa alguma que se aproxime do que se chama “ideia nacional”. Estamos todos trabalhando para melhorar a vida das pessoas, para que tenham vida melhor, mais segura. A situação demográfica precisa de atenção. O modelo econômico precisa de reforma geral, porque o que havia antes da crise de 2008 não servirá para o futuro. Esses desafios são evidentes. E todos eles, tomados em conjunto, manifestam a ideia nacional da Rússia.


Nota dos tradutores
[1] Belovezhskaya Pushcha é uma floresta, a última porção remanescente da floresta primeva que cobriu toda a planície europeia; a floresta foi praticamente destruída durante a II Guerra Mundial (a fronteira entre a Polônia e a Bielorrússia passa por dentro dessa floresta). Em 1944, o Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética declarou a floresta patrimônio da URSS, reciclando um projeto do czar Alexandre II, que fizera da floresta sua reserva privada de caça. Implantou-se ali, então, uma área de preservação ambiental, onde se desenvolveu projeto pioneiro de recomposição dos rebanhos de bisontes, hoje o maior do mundo.


Em 1992, a Unesco declarou a floresta Patrimônio Natural da Humanidade. Para os povos eslavos ocidentais, a floresta é ‘casa’ do Dzied Maroz, contraparte regional do “Papai Noel”. Na parte bielorrussa da floresta, fica a dasha onde foram assinados os “Acordos de Belavesha”, pelos presidentes da Ucrânia, Rússia e Bielorrússia (os “três bêbados” a que se refere Evgeny Primakov, acima) que decretaram a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Pepe Escobar: “A águia, o urso e o dragão"!

Pepe Escobar: “A águia, o urso e o dragão”- da Al Al-Jazeera, Qatar, via RedeCastorPhoto, traduzido pelo pessoal da Vila Vudu,


Pepe Escobar




















Celebremos o fim de um 2011 cheio de eventos, com uma fábula. 

Era uma vez o começo do século 21. A águia, o urso e o dragão arrancaram as luvas (forradas) e, agora, danaram a brigar, numa Nova Guerra Fria. 
 
Obama alterou o foco military dos EUAdo Oriente Médio para a Ásia em clara tentativa de “conter” a China

Quando a Guerra Fria original terminou – em teoria – no final de 1991 numa dacha na Bielorrúsia, com o urso quase em coma, a águia apropriou-se do direito do urso, de ter política exterior independente, direito que também fora cancelado. O que veio depois já era mais que claro entre 1999 e 2004 – quando a OTAN, contra todas as promessas feitas ao ex urso-mór Gorbachev, expandiu-se na direção da Europa Oriental e estados bálticos.


O urso então se pôs a pensar: e se, no final, eles roubarem todo o meu espaço de segurança e eu for deixado à míngua, geopoliticamente?

No jovem século 21, a discórdia mãe de todas as discórdias entre a águia e o urso tem a ver com os mísseis de defesa. Nem a própria águia sabe se aquela engenhoca imensamente cara algum dia servirá para alguma coisa. E mesmo que sirva, se funcionar, será financiada provavelmente por um dragão relutante que é dono, hoje, de mais de US $1,5 trilhão da dívida da águia.  

O urso tem dito e repetido que a instalação de interceptores de mísseis e radares naquela parte do mundo em que cego guia cego – a Europa – é ameaça ao mundo. A águia diz que não, não, não se preocupe, a coisa está lá só para nos proteger dos amaldiçoados bandidos persas.  

Mas o urso não se convenceu. Assim, em mensagem global de televisão, com legendas em inglês, o urso anunciou que já instalou no enclave de Caliningrado no Mar Báltico, um sistema novo de alarme que monitora mísseis lançados seja da Europa seja do Atlântico Norte. E que logo - logo pode vir também o sistema Iskander de mísseis antibalísticos.

O urso está frustrado. Diz que muitas vezes ofereceu-se para cooperar com a águia e seus seguidores, para que desenvolvessem juntos um sistema – e deu em nada. O urso insiste que a porta continua aberta para um acordo. Terão de voltar a conversar – depois da sangrenta campanha eleitoral de 2012, na Águia-lândia. Enquanto isso, o dragão observa. 

“Ora, se um cego guiar outro cego...”[1] 

Quase duas décadas depois do que o Top Urso Putin definiu como “a maior catástrofe geopolítica do século 20”, o próprio Top Urso Putin propôs uma URSS light – numa União Eurasiana, um corpo político/econômico já subscrito pelo Cazaquistão (“Leopardo das Neves”) e pela Bielorrússia, ao qual logo se unirão os ainda filhotes eurasianos Tadjiquistão e Quirguistão. 

 
Quanto ao Turcomenistão e ao Uzbequistão, estão preocupados demais com como equilibrar a pressão que sofrem dos dois, da águia e do urso. E há ainda a Ucrânia. Quem a Ucrânia escolherá: o urso, ou os cegos que guiam cegos? 

A águia quer coisa completamente diferente: uma Nova Rota da Seda que a águia controlará. A águia parece esquecer que a Rota da Seda original ligou o dragão ao Império Romano durante séculos – e jamais houve ali qualquer tipo de intromissão de forças de fora da Eurásia. 

A águia está literalmente furiosa, porque o Top Urso dos próximos seis anos (talvez 12) será, outra vez, Putin. E o urso tenta manobrar a seu favor o inexorável ímpeto do dragão, rumo ao primeiro lugar global. 

Por isso o urso está apostando num espaço econômico “de Lisboa a Vladivostok” – quer dizer: íntima cooperação com aquela turma cega, destroçada pela crise, onde cego guia cego. O problema é que os cegos são, eh, cegos, e não estão conseguindo movimentar-se ou agir como bloco.  

A águia, enquanto isso, subiu alucinadamente a aposta. Lançou o que, para todas as finalidades práticas, resume-se a cercar o dragão com uma muralha armada (“ordenei à minha equipe de segurança que dê alta prioridade à nossa presença e às nossas missões no Pacífico-asiático” [2]). 

A águia está fazendo vários movimentos que se resumem a incitar as nações que cercam o Mar do Sul da China, para que antagonizem o dragão. Ainda mais, está reposicionando inúmeros de seus brinquedos – submarinos e porta-aviões nucleares, jatos de combate – aproximando-os cada dia mais do território do dragão. O nome do jogo, segundo o Ministério de Armas Mortíferas da águia, é, precisamente, “reposicionamento”. 

O dragão, por sua vez, vê uma águia estropiada, que fala grosso tentando adiar um irreversível declínio e que, para isso, tenta intimidar, isolar ou, no mínimo sabotar, a irreversível caminhada do dragão de volta ao lugar onde esteve ao longo de 18 dos recentes 20 séculos: o trono do rei da selva.

É parada duríssima para a águia. Virtualmente todos que mantêm a coesão da Ásia entretêm conexões complexas, de longo alcance, com o dragão e com a diáspora dragônica.  
Por toda a Eurásia, pode acontecer de muitos atores já não se impressionarem muito com o império da águia, mesmo que apareça armado até os dentes. Sabem que sob as novas leis da selva, o dragão simplesmente não pode – e não será – reduzido ao status de ator coadjuvante. 

O dragão não parará de expandir-se na Ásia, América Latina, África e até nas pastagens infestadas de desemprego, onde cegos guiam cegos em plena crise.

 
Acima de tudo, só o dragão, se for excessivamente provocado, tem poder para fazer explodir o apavorante déficit da águia, degradar o crédito da águia, prender a águia num ninho de papéis podres, e causar estrago de dimensões tectônicas no sistema financeiro mundial.  

Quanto mais quente melhor [3]

 
E assim, depois de pausa de uma década – desperdiçada numa alucinada “guerra ao terror” inventada pela águia, e que, na prática, foi ataque sem limites contra terras e povos muçulmanos – a realpolitik voltou ao batente. Esqueçam aqueles jihadis esfarrapados: agora, os manda-chuvas vão acertar suas diferenças. 

A águia demorou uma década para dar-se conta de que a Ásia será o centro político e econômico de um novo mundo multipolar.

Mas a nova estratégia da águia já conseguiu transformar o urso, de cliente cordato (durante todos os anos 1990s e 2000s), em virtual inimigo. O tal “reset” de Obama é mito. O urso sabe que não há reset algum – e o dragão já sabe que, se houver reset, será reset do confronto declarado. 

Quanto mais a águia o ameaçar, mais o urso se aproximará do dragão. O urso e o dragão têm muitos laços estratégicos em todo o planeta, para que se deixem intimidar pelo massivo Império de Bases da águia, ou por sua precária “coalizão de vontades”, muitas das quais, relutantes.

O dragão, por seu lado, sabe que a Ásia não precisa dos Hellfires da águia, embora, claro, com certeza, receberia com prazer alguns dos produtos da águia, sólidos, de boa tecnologia. 
O problema é que a águia está com poucos produtos a oferecer.


Se o que se vê é o melhor que a ex-poderosa águia tem a oferecer – ou guerra contra o Islã, ou esforços para intimidar no grito, ao mesmo tempo, o urso e o dragão – não há dúvidas: eis o retrato de um império sem projeto. A Ásia não é tola: nunca aceitará o desafio para uma Nova Guerra Fria que enfraquecerá, primeiro, a própria Ásia. 

E mesmo agora, quando ainda se ouvem os ecos dos primeiros tiros de provocação para uma Nova Guerra Fria, a águia já corre o risco de perder mais um cliente: o Paquistão. 

E há a Pérsia. A águia persegue os persas desde o dia em que os persas livraram-se do procônsul da águia, o Xá, em 1979 (e, isso, depois de a águia e a pérfida Albion já terem esmagado a democracia persa, para lá impor o Xá – comparado ao qual, Saddam é um Gandhi – em 1953). A águia quer de volta todo o petróleo e o gás natural que o Xá lhe fornecia. Dizem o urso e o dragão: não dessa vez, cara águia de cabeça pelada.


Assim chegamos ao fim da fábula – mas não da disputa. Como todos deveriam ter previsto, não há moral nessa fábula. Todas as almas e mentes sensíveis devem desejar, isso sim, por mais que continuemos condenados a padecer sob o aguilhão do acaso, que essa Nova Guerra Fria nunca, nunca, esquente.


 
 
 


Notas dos tradutores

[1]  Bíblia, Mateus 15:14.
 
[2]  17/11/2011, “Barack Obama na Austrália”, em inglês.

[3] Orig. Some like it hot - Filme de 1959, dir. Billy Wilder. Quanto mais quente melhor”, em português.







Investigação sobre morte de Salvador Allende conclui: foi suicídio!


Investigação sobre morte de Salvador Allende conclui: foi suicídio - Christian Palma, da Carta Maior (no Chile)

Diferentes informes periciais e testemunhos determinaram que o líder da Unidade Popular se suicidou no ataque ao palácio de governo, quando já estava em curso o golpe militar encabeçado pelo general Augusto Pinochet. Senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente, disse que decisão do juiz Mario Carroza encerra um capítulo para a família, mas ressaltou que fica pendente a investigação dos presos desaparecidos de La Moneda, no dia 11 de setembro de 1973.

O juiz Mario Carroza encerrou definitivamente, quinta-feira, a investigação para esclarecer a morte do ex-presidente socialista Salvador Allende e o homicídio do senador Jaime Guzmán, fundador do partido de extrema-direita União Democrata Independente (UDI) e ideólogo civil do governo militar.

Segundo informações saídas do interior da polícia chilena, a investigação forense concluiu que a causa da morte de Allende foi um ferimento perfurante na cabeça ocasionado por um projétil de fogo de alta velocidade. Isso, em medicina legal, pode ser atribuído a um suicídio.

A investigação sobre a morte do ex-presidente chileno ocorreu no contexto da apresentação de 726 demandas criminais por casos de violações de direitos humanos durante a ditadura de Augusto Pinochet, que nunca tinham sido investigados pela Justiça. Neste cenário, no dia 23 de maio de 2011, o juiz Mario Carroza, juntamente com o diretor do Serviço Médico Legal, patrício Bustos, participaram da exumação dos restos de Salvador Allende no Cemitério Geral de Santiago. Uma equipe multidisciplinar de peritos chilenos e estrangeiros concluiu que Allende se suicidou.

O juiz Carroza também decidiu encerrar o caso do assassinato de Jaime Guzmán, ocorrido em 1991. Essa causa foi reaberta depois que, em uma entrevista televisiva, o ex-integrante da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR, um dos poucos grupos que enfrentou a ditadura), Mauricio Hernández Norambuena (preso no Brasil), revelou novas informações sobre como se planejou o assassinato de um dos fundadores da UDI, fato que, até hoje, incomoda a direita chilena.

Após a divulgação do resultado da investigação sobre a morte de Allende, a senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente, disse que com a decisão do juiz Mario Carroza, para sua família se encerra um capítulo e se estabelece a verdade judicial, mas ressaltou que fica pendente a investigação dos presos desaparecidos de La Moneda, no dia 11 de setembro de 1973, dia do golpe de Estado.

“Estamos totalmente tranquilos, é uma convicção que tínhamos, mas como sempre dissemos, uma coisa é nossa convicção pessoal, outra é que ela fique cientificamente determinada”, disse a senadora. “Acreditamos que, com isso, encerra-se esse capítulo no que diz respeito exclusivamente às circunstâncias da morte de meu pai. O capítulo de La Moneda não se encerra”, acrescentou.

Diferentes informes periciais e testemunhos determinaram que o líder da Unidade Popular se suicidou no ataque ao palácio de governo, quando já estava em curso o golpe militar encabeçado pelo general Augusto Pinochet.

Tradução: Katarina Peixoto

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Venezuela e Bolívia voltam a defender moeda regional!

Venezuela e Bolívia voltam a defender moeda regional - do Vermelho

O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a defender nesta quinta (31), durante a visita de Hugo Chávez à Bolívia, que a América do Sul tenha uma moeda e um sistema financeiro próprios, que não dependa do dólar, "mais cedo do que tarde".

Maduro acredita que é preciso "soluções concretas" para "barrar os obstáculos" que "a nossa própria burocracia" coloca para o desenvolvimento de programas de integração regional entre Bolívia, Cuba, Equador, Honduras, Nicarágua, Venezuela, República Dominicana, Antígua e Barbuda, e São Vicente e Granadinas.

A ideia é colocar em andamento o Sistema Único de Compensação Regional (Sucre) entre os países da Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), que nasceu a partir de uma iniciativa dos governos da Venezuela e de Cuba.

O chanceler venezuelano apresentou sua defesa em meio à visita que Chávez realiza a Cochabamba, a 500 quilômetros ao sul de La Paz, após uma viagem ao Uruguai, no marco de um giro pela América do Sul iniciado na terça-feira na Argentina.

Oito mesas de trabalho foram montadas para debater sobre temas de cooperação bilateral de caráter econômico, energético, financeiro, educativo, cultural e alimentar entre os países da América Central, Caribe e América do Sul.

Por sua vez, o ministro boliviano das Relações Exteriores, David Choquehuanca, recordou o passado em comum que une toda a América Latina, antes chamada de Abya Yala, onde não existiam "fronteiras nem bandeiras que dividiam os povos".

"Compartilhávamos tudo, tínhamos acesso ao Atlântico e ao Pacífico. Havia princípios, valores, códigos, símbolos que garantiam o equilíbrio entre os seres humanos, regiões, continentes, que hoje voltamos a levantar para trabalhar juntos", declarou Choquehuanca.

Ao inaugurar os trabalhos das mesas de negociação, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, pediu "praticidade e resultados concretos" para fortalecer os laços de amizade que não se baseiam nos "interesses, cálculos, egoísmo ou o lucro da lógica capitalista".

Chávez e seu homólogo boliviano, Evo Morales, se dirigiram para a comunidade rural de Tiquipaya, a 15 quilômetros a noroeste de Cochabamba, onde em abril do ano passado houve a Cúpula Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática.

Fonte: Ansa


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http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=150858&id_secao=7

China promete flexibilizar taxa de câmbio!

China promete flexibilizar taxa de câmbio - do Vermelho

As autoridades chinesas pretendem aumentar a flexibilidade da taxa de câmbio do yuan, anunciou o presidente do Banco Central da China, depois das críticas feitas pelo Tesouro dos Estados Unidos.
"No futuro, as flutuações da taxa de câmbio serão mais importantes", afirmou Zhu Xiaochuan, presidente do Banco Popular da China (BC), em uma entrevista à revista Caixin.

Os parceiros comerciais da China - em particular os Estados Unidos, que na terça-feira criticaram duramente o fato de o país manter sua moeda em um nível consideravelmente desvalorizado - manifestam regularmente irritação com o nível do yuan, considerado artificialmente baixo.

Atualmente, a variação do yuan é mantida em um segmento de flutuação de 0,5% acima ou abaixo do nível fixado cada dia pelo Banco Central.

As declarações de Zhu indicam que no futuro a margem de flutuação pode ser ampliada pelas autoridades, mas não tanto quanto desejam os parceiros comerciais da China, principalmente os Estados Unidos.

Com agências


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http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=172302&id_secao=2

Quando a China governa!

Quando a China governa - por Ivan Krastev, do Público, 30/12/2011

Para um europeu, nos dias de hoje, pensar sobre o futuro é perturbador. A América está militarmente sobrecarregada, politicamente polarizada e financeiramente endividada. A União Europeia parece à beira do colapso e muitos não-europeus vêem o velho continente como uma potência aposentada, que ainda consegue impressionar o mundo com as suas boas maneiras mas não com coragem ou ambição.

Inquéritos de opinião a nível mundial, realizados nos últimos três anos, indicam consistentemente que muitos estão a virar as costas ao Ocidente e – com esperança, medo ou ambos – vêem a China a avançar para o palco central. Como diz a velha piada, os optimistas estão aprender a falar chinês; os pessimistas estão aprender a utilizar uma Kalashnikov.

Enquanto um pequeno exército de especialistas afirma que a ascensão da China ao poder não devia ser assumida e que os seus alicerces económicos, políticos e demográficos são frágeis, a sabedoria convencional afirma que o poder da China está a crescer.

Muitos questionam-se como é que uma Pax Sinica [paz chinesa] mundial pode parecer: como é que a influência mundial da China se manifestaria? Como é que a hegemonia chinesa diferiria da variedade americana?

Duma maneira geral, as questões de ideologia, de economia, de história e de poder militar dominam os debates actuais na China. Mas, quando se compara o mundo americano de hoje com um possível mundo chinês de amanhã, o contraste mais marcante consiste na forma como os americanos e os chineses experimentam o mundo para além das respectivas fronteiras.

A América é uma nação de imigrantes, mas também é uma nação de pessoas que nunca emigram. Notavelmente, os americanos que vivem fora dos EUA não são chamados de emigrantes, mas sim de “expatriados”.

A América deu ao mundo a ideia de ser um “caldeirão cultural” – um instrumento de cozinha alquímica onde diversos grupos étnicos e religiosos se misturam, voluntariamente, construindo uma nova identidade americana. E muito embora os críticos possam argumentar que o “caldeirão” é um mito nacional, tem tenazmente fundamentado o imaginário colectivo da América.

Desde que os primeiros europeus se estabeleceram ali, no século XVII, as pessoas de todo o mundo têm sido atraídas para o sonho americano de um futuro melhor; o encanto da América é, em parte, a sua capacidade de transformar os outros em americanos.

Tal como um russo, agora professor universitário da Universidade de Oxford, disse: “Você pode tornar-se num americano, mas nunca se pode tornar num inglês”. Não surpreende, portanto, que a agenda mundial dos EUA seja transformadora; é a que dita as regras.

Os chineses, por outro lado, não tentaram mudar o mundo, mas sim adaptar-se a ele. As relações da China com os outros países são canalizadas através da sua diáspora e os chineses percepcionam o mundo através das suas experiências como imigrantes.

Hoje, vivem mais chineses fora da China do que franceses a viver em França e estes chineses que estão no exterior fazem parte do grande número de investidores na China. Na verdade, há apenas 20 anos, os chineses que viviam no estrangeiro produziam tanta riqueza como toda a população no interior da China. Primeiro, a diáspora chinesa teve sucesso, depois foi a própria China.

Chinatowns – comunidades, muitas vezes insulares, localizadas nas grandes cidades do mundo – são o cerne da diáspora chinesa. Como o cientista político Lucien Pye observou uma vez, "os chineses vêem tal diferença absoluta entre eles e os outros que, inconscientemente, acham natural referirem-se aos nativos dos países que os acolhem como “estrangeiros”.

Enquanto o “caldeirão cultural” americano transforma outras nacionalidades, as chinatowns ensinam os seus habitantes a adaptarem-se – a tirarem proveito das regras e dos negócios do país de acolhimento, ao mesmo tempo que permanecem separados. Enquanto os americanos levam a sua bandeira bem alto, os chineses trabalham arduamente para serem invisíveis.

As comunidades chinesas, no mundo inteiro, conseguiram tornar-se influentes nos seus países de acolhimento, sem serem ameaçadas; conseguiram ser fechadas e não transparentes, sem provocarem a ira; conseguiram ser uma ponte de ligação com a China, sem parecerem ser uma “quinta coluna”.

Como a China é de adaptação, não de transformação, é improvável que mude o mundo de forma dramática, caso venha a assumir as suas rédeas. Mas isso não significa que a China não explorará esse mundo para fins próprios.A América, pelo menos em teoria, prefere que os outros países partilhem os seus valores e ajam como americanos.

A China só pode recear um mundo onde toda a gente aja como os chineses. Deste modo, num futuro dominado pela China, os chineses não definirão as regras, mas procurarão tirar o maior proveito possível das regras que já existem.

Tradução de Deolinda Esteves/Project Syndicate

Link:
http://www.publico.pt/ProjectSyndicate/Ivan%20Krastev/quando-a-china-governa-1526924

Brasil deve aumentar produção de grãos e de carnes em mais de 80% em 40 anos!

Brasil deve aumentar produção de grãos e de carnes em mais de 80% em 40 anos

31/12/2011 - Danilo Macedo - Repórter da Agência Brasil

Brasília - Projeções do Ministério da Agricultura para os próximos 40 anos indicam que o Brasil deve aumentar sua produção atual de grãos em 88% e a de carnes em 98%. A colheita de grãos, estimada em 159 milhões de toneladas para a safra 2011/2012, deve chegar a 299,5 milhões de toneladas em 2050. A produção de carnes, que este ano totalizou 26,5 milhões de toneladas, será de 52,6 milhões de toneladas, de acordo com a previsão.

Segundo o coordenador-geral de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Garcia Gasques, o aumento da produtividade, gerado principalmente pela adoção de tecnologias e pelo melhoramento do processo de gestão e da qualificação do agricultor, é o principal fator do incremento na produção.

A taxa de aumento de produtividade da agricultura brasileira nos últimos anos atingiu uma média de 3,6%, enquanto a dos Estados Unidos, por exemplo, ficou em 1,95%.

Segundo Gasques, o crescimento na produção de grãos será acompanhado pelo aumento da área plantada, projetado em 39%. Assim, a área cultivada deve passar de 46,4 milhões de hectares para 64,5 milhões de hectares.
 
Edição: Juliana Andrade

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Sem resultados, guerra às drogas deve continuar em xeque em 2012!

Sem resultados, guerra às drogas deve continuar em xeque em 2012 - do Opera Mundi

Cresce movimento de especialistas por enfoque alternativo à repressão ao tráfico e ao consumo 
 

O relatório global das Nações Unidas sobre entorpecentes não deixa dúvidas: o uso de drogas ilícitas continua muito elevado no mundo, apesar dos esforços para combater a demanda e, principalmente, o tráfico.

A cada ano, 210 milhões de pessoas experimentam ou fazem uso regular de substâncias ilegais.

Destas, 200 mil morrem em decorrência do uso, sem contar as vítimas da repressão às drogas. Só no México foram 60 mil desde 2006.

Ao que tudo indica, a guerra às drogas está caminhando para um melancólico final. Desde 1971, quando os Estados Unidos de Richard Nixon impulsionaram o enfrentamento aos entorpecentes ilícitos, nunca foi tão evidente que o combate direto a esse consumo fracassou. Ao menos é isso que defende parte dos especialistas e políticos que discutem a questão.

Efe

Policiais da República Dominicana prestes a incinerar mais de oito toneladas de drogas apreendidas

“Em 2011, ficou claro para todo mundo que não é mal intencionado nem moralista que o nosso sistema falhou e não tem futuro. A ideia de continuar endurecendo o combate às drogas só vai aumentar o nível de violência na sociedade”, constata o jornalista Denis Russo Burgierman, autor do livro recém-lançado “O fim da guerra” (Ed. Leya).

Para ele, um marco importante é o surgimento da Comissão Global de Políticas sobre Drogas, que hoje é presida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e tem “basicamente todos os generais da guerra contra as drogas dos anos 1990, a época mais dura desse enfrentamento”, diz Russo.

Integram o grupo César Gaviria, ex-presidente da Colômbia; Ernesto Zedillo, ex-presidente do México; o Secretário de Estado americano, George Shultz, e o presidente do Federal Reserve durante o governo Reagan, Paul Volcker, e o ex-secretário geral da ONU Kofi Annan. Recentemente eles propuseram a Barack Obama repensar a legislação antidrogas. A reposta foi simplesmente “não”.

Mas o sistema está em crise. Para o advogado e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) Pedro Abramovay, a população americana já dá sinais de que a descriminalização da maconha está bem perto de ser aprovada. Por enquanto, 14 estados aprovaram o uso medicinal da droga. “Por incrível que pareça, os EUA, que lideraram todo o processo de proibicionismo no mundo, têm agora a maior chance de romper com isso”.

Abramovay, que seria o titular da Senad (Secretário de Políticas sobre Drogas) no governo Dilma Rousseff, foi demitido no início de 2011 após se pronunciar favoravelmente ao fim da prisão para pequenos traficantes.

Alternativas e experiências

A descriminalização, entretanto, não é sinônimo de solução do problema. Na Holanda, exemplo mundial de liberalização da compra de drogas, a questão da “porta dos fundos” é uma das falhas do sistema. “O que eles fizeram foi uma espécie de arranjo entre o Poder Executivo e o Judiciário. Para eles, o problema era o consumo de heroína e cocaína. Então, as drogas tidas como leves, como os cogumelos e a maconha, poderiam ser comercializadas sob determinadas regras. Só que nada estava previsto para quem vende para essas lojas. Na Holanda é proibido plantar ou importar as drogas. E daí entra a ‘porta dos fundos’, que virou uma contradição. A droga vem do tráfico”, ressalta o antropólogo Maurício Fiore, pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).


Ainda assim, esse não é o principal problema do país no que diz respeito aos famosos “coffee shops”: atualmente os turistas são o maior incômodo dos holandeses. Alemães, franceses, ingleses, americanos e, claro, brasileiros, figuram entre os que lotam Amsterdã em busca de diversão e drogas.

O “turismo da canabis” irritava parte da população holandesa e, também, provocava resistência de países vizinhos, onde a droga não é liberada, que viam em Amsterdã uma porta a entrada de entorpecentes para a União Europeia. A solução encontrada foi aprovar uma nova lei que permite o consumo exclusivo para cidadãos do país. Em 2012 ela já será aplicada nas áreas de fronteira e em 2013 chega à capital.

Efe

Polícia da Guatemala apreende mais de 100 quilos de cocaína

A Espanha tentou resolver a questão do fornecimento da maconha ao permitir a existência de cooperativas de produtores e consumidores. Existem aproximadamente 200 associações não lucrativas com esse caráter em todo o país. “As cooperativas cresceram e se espalharam. Elas não poderiam ter lucro, ou seja, vender a maconha. É um modelo apresentado como alternativa”, observa Fiore.

Por outro lado, o pesquisador admite que essa é uma situação difícil de controlar: “A maconha é a droga mais consumida das ilegais, a demanda é muito grande. E sabemos como é difícil controlar uma ONG. Nós estamos em um mundo capitalista, nem todo mundo quer participar ou discutir. Boa parte quer comprar a droga e ir para casa. Além disso, só a maconha permite a produção caseira”.

Denis Russo concorda: “Muitas dessas organizações são responsáveis, mas muitas também são picaretas, porque num clima em que não há segurança jurídica, você abre espaço para todo tipo de gente”. Há pouco tempo, alegando que alguns dos cooperados estavam envolvidos com tráfico, a polícia espanhola fez uma verdadeira devassa nessas organizações.

O exemplo de Portugal

Vizinho da Espanha, Portugal é uma referência no que diz respeito a como lidar com o usuário. O país permite que cada pessoa carregue uma quantidade suficiente para 10 dias de consumo de qualquer droga – no caso da maconha, inferior a 25 gramas; para a cocaína, 2 gramas de cocaína; e 1 grama de heroína ou anfetaminas. Caso seja abordado pelas autoridades, o usuário passará pela análise de uma junta civil que julgará se ele é ou não dependente e, se necessário, será encaminhado para o tratamento do vício.

“Esse modelo é muito melhor que o do Brasil porque os resultados dele são muito positivos. Depois da instalação desse modelo o consumo diminuiu entre os jovens. Também houve uma redução brutal de mortes relacionadas ao uso de drogas. Isso porque quando você reduz a presença do sistema penal, o sistema de saúde consegue lidar melhor com o assunto”, afirma Abramovay.

A lei foi elaborada por uma comissão de notáveis nomeada pelo governo português em 2001. “O que eles fizeram foi juntar uma comissão de especialistas, estudar a sério iniciativas do mundo inteiro e criar um sistema coerente, inteligente, racional, do século XXI, feito a partir de coisas que funcionem.

Algo fundamental em Portugal foi tirar a questão do âmbito da Justiça e passar para a Saúde, uma mudança brutal. Isso muda tudo, pois a Justiça é cega, tem que tratar todo mundo igual, e Saúde é o contrário disso: cada doença tem um remédio”, aponta Denis Russo.

O jornalista ressalta que, há uma década, as drogas eram o maior problema de Portugal. “Havia uma histeria muito parecida com a que o crack está provocando no Brasil, e hoje não consta na lista dos dez maiores problemas do país. Acabou de ter campanha eleitoral em Portugal e ninguém nem falou nesse assunto”, completa.

Além disso, a Suprema Corte portuguesa, assim como na Espanha, na Colômbia e na Argentina, considera a criminalização do porte como inconstitucional. Isso porque, segundo o direito penal, a auto-lesão não é passível de punição. “Nesse caso, a única vítima é aquela que consome a droga e o Estado não pode invadir a liberdade individual”, afirma Abramovay.

Maurício Fiore utiliza esse argumento para questionar a chamada guerra às drogas: “Ainda que suponhamos que o Estado possa interferir na liberdade individual – o que eu discordo –, vale mais a pena o custo dessa droga ou você tratar a pessoa para não a consumir? Que guerra é essa? Vamos impedir alguém de cheirar? É irracional. É uma razão entorpecida. Parece que estamos enxugando o gelo”.

Link:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/18857/sem+resultados+guerra+as+drogas+deve+continuar+em+xeque+em+2012.shtml