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"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 15 de dezembro de 2012

Ataques contra Lula visam garantir impunidade de tucanos!


O PT errou o alvo - por Antonio Lassance, da Carta Maior


Para defender Lula, o PT concentrou seu ataque, primeiro, na índole do acusador, que todos já sabem qual é. Em seguida, partiu para cima de FHC. Ressuscitou a ideia de CPI da Privataria e aprovou, no Congresso, um convite para que o ex-presidente vá falar sobre outros escândalos. Ao fazê-lo, o PT acabou contribuindo para desviar o foco. Parece uma briga entre Lula e FHC, enquanto a oposição e sua mídia fazem um jogo estratégico para preservar seu candidato às eleições e, mais uma vez, desgastar o PT e sua presidenta. O artigo é de Antonio Lassance.



O PT não entendeu qual é o jogo das acusações contra Lula. O jogo que está em disputa é sobre quem será a bola da vez num futuro mensalão 2: o PSDB ou, mais uma vez, o PT. A rigor, dada a conclusão da Ação Penal 470, deveria ser a vez do julgamento do mensalão dito "mineiro". Deveria, mas as acusações se tornaram uma pedra no meio do caminho.

Os ataques seletivos contra Lula têm várias intenções, mas uma é especial: virar a mesa do que está na fila do julgamento do mensalão e inventar algo supostamente mais relevante a ser julgado, deixando o escândalo que envolveu os tucanos para depois, bem depois. Vários articulistas cometeram o ato falho de dizer, em seus comentários ao longo desta semana, que as denúncias feitas por Valério à Procuradoria tinham tudo para se tornar um “mensalão 2” - como se já não houvesse um “mensalão 2” à espera de julgamento: o chamado mensalão mineiro.

A expressão "mensalão mineiro" foi, em 2005, um eufemismo criado com o propósito de mitigar a associação da sigla PSDB com o escândalo que tinha como pivô a figura do mesmo Marcos Valério. Na estratégia, ficava exposta a cabeça do ex-governador de Minas e então senador (hoje deputado) Eduardo Azeredo (PSDB-MG), alvo de eventual sacrifício, preservando o partido. Se estava a um ano das eleições de 2006. A denúncia contribuiu para enfraquecer a ala mineira do partido, que tinha em Aécio Neves sua principal expressão. O problema reforçou a hegemonia mantida pela ala paulista, que se debatia entre Alckmin e Serra como opções preferenciais. Na pior das hipóteses, essa parte do mensalão seria um problema apenas para os mineiros.

Pois bem, passado o vendaval, o jogo mudou. Aécio é o candidato de consenso do PSDB. A AP 470 está nos finalmentes. O próximo caso a ser julgado, pela lógica, é exatamente o da gênese desse esquema tão duramente condenado pelo Supremo. Mas quem disse que questões dessa natureza são resolvidas pela lógica cartesiana, e não pela lógica da política?

Para defender Lula, o PT concentrou seu ataque, primeiro, na índole do acusador, que todos já sabem qual é. Em seguida, partiu para cima de FHC. Ressuscitou a ideia de CPI da Privataria e aprovou, no Congresso, um convite para que o ex-presidente vá falar sobre outros escândalos, em particular, sobre a "lista de Furnas".

Ao fazê-lo, o PT acabou contribuindo para desviar o foco. Parece uma briga entre Lula e FHC, enquanto a oposição e sua mídia fazem um jogo estratégico para preservar seu candidato às eleições presidenciais e, mais uma vez, desgastar o PT e sua presidenta.

Aliás, até agora, parece que o PT não leu a peça produzida pelo Procurador-Geral a esse respeito. O inquérito da Procuradoria (INQ 2280), que sustenta a denúncia contra Azeredo, foi apresentado, pelo mesmo Procurador e ao mesmo Supremo que julgou a AP 470, como demonstração que "retrata a mesma estrutura operacional de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e simulação de empréstimos bancários objeto da denúncia que deu causa a ação penal 470, recebida por essa Corte Suprema, e envolve basicamente as mesmas empresas do grupo de Marcos Valério e o mesmo grupo financeiro (Banco Rural)".

É a mesma coisa, com o mesmo peso. No entanto, diante da manipulação (o nome é este mesmo) que se fez contra Lula, corre-se o risco do mensalão mineiro ter outro desfecho. Pode ser guardado na gaveta. Corre o risco de ser medido com uma outra régua.

O STF começou o ano de 2012 prometendo julgar todo o processo do mensalão até setembro. Cumpriu só metade da promessa. A outra metade é a parte desmembrada, o mensalão tucano.

Pois bem, se há algo que o PT deveria fazer, bem mais importante do que convites a FHC, é pedir ao Supremo que simplesmente cumpra o que prometeu. Se não foi possível fazer tudo até setembro, que pelo menos julgue, no ano que vem, o que ainda resta de mensalão para ser julgado. De preferência, assim como fez na AP 470, com um calendário prévio a ser rigorosamente cumprido.

A melhor postura do PT, a mais clara, lúcida e eficaz, é pura e simplesmente a de exigir que as regras do jogo sejam respeitadas. Se não, é virada de mesa da pior espécie.

(*) Antonio Lassance é cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.


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http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21367

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