Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Porque Antonio Palocci e Henrique Meirelles são dois injustiçados! - por Marcos Doniseti!

Porque Antonio Palocci e Henrique Meirelles são 
dois injustiçados! - por Marcos Doniseti!

Palocci e Meirelles fizeram um trabalho fundamental de recuperação da economia brasileira durante o governo Lula. 
Nas últimas décadas, a economia brasileira passou por inúmeras dificuldades, que somente a partir do governo Lula foram superadas.
O governo Collor, por exemplo, afundou o Brasil na maior recessão da sua história. E entre outros absurdos, ele mais do que dobrou a taxa de desemprego, confiscou o dinheiro até da poupança e da conta corrente (levando muitas pessoas ao suicídio), provocou a maior recessão da história do país, com o PIB caindo mais de 4% em 1990 e reduziu o poder de compra dos salários em cerca de 40%. 
O processo de empobrecimento da população em seu governo foi tão significativo que muitas famílias de classe média tiveram, na época, que transferir seus filhos das escolas particulares para as escolas públicas, pois não conseguiam mais pagar as mensalidades. 
Quanto ao governo FHC, ele recebeu do governo Itamar Franco um país cuja economia crescia mais de 5% ao ano, com as contas públicas e externas equilibradas, com superávit comercial de mais de US$ 10 bilhões anuais, com os salários crescendo e o desemprego em queda. 
Mesmo tendo todas as condições para fazer um bom governo, pois recebia o país com a 'casa arrumada', FHC perdeu inúmeras oportunidades de fazer algo de positivo pelo Brasil.
Assim, em seu governo ele tentou colocar em prática políticas que provassem que a sua versão da 'Teoria da Dependência' estava correta. 
Resumidamente, tal 'teoria' diz que mesmo um país que faça parte da periferia do Capitalismo Globalizado poderia conseguir se desenvolver, caso copiasse (como todos os bons alunos fazem) as mesmas políticas que teriam sido responsáveis pelo desenvolvimento dos países ditos desenvolvidos: EUA, Alemanha, França, etc.
Logo, para FHC,  bastava copiar o modelo supostamente 'liberal' dos países ricos e o Brasil conseguiria se desenvolver. 
Assim, FHC preferiu aprofundar o processo de dependência do Brasil em relação aos EUA, deu um Golpe de Estado 'branco' para aprovar a reeleição (com a famosa compra de votos) a fim de concluir a sua obra e , desta maneira, conseguiu jogar fora os avanços que haviam começado no governo de Itamar.
Resultado: 
1) A dívida pública e o déficit público dispararam, pois não havia nenhuma política de controle de gastos públicos;
2) As privatizações prejudicaram o país, principalmente com o racionamento de energia elétrica, o aumento da remessa de lucros para o exterior (pois grande parte das estatais foram vendidas para empresas dos EUA, França, Espanha, etc) e com a demissão de mais de 700 mil trabalhadores qualificados das empresas que foram vendidas, a preço de banana, ao setor privado;
3) O déficit externo e a dívida externa dispararam devido à supervalorização do Real e aos altíssimos juros externos, pois era muito mais barato pégar dinheiro emprestado nos EUA, na Europa, etc, do que no Brasil;
4)  O aumento brutal da dívida externa e do déficit externo assustaram credores e investidores externos. Estes já estavam muito preocupados devido às crises anteriores do México, em 1994-1995, e dos países da periferia asiática (Malásia, Filipinas, Tailândia, Indonésia, Coréia do Sul ) que afundaram na crise em 1997-1998 e quando viram que o Brasil tinha indicadores econômicos e financeiros muito ruins, eles não pensaram duas vezes e tiraram o seu capital rapidamente do Brasil, principalmente no segundo semestre de 1998. 
Com isso, as reservas internacionais líquidas do Brasil viraram pó em poucos meses, terminando o governo FHC em apenas US$ 16 bilhões;
5) Com essa crise, a taxa Selic chegou a inacreditáveis 45% ao ano e o Plano Real, criação do governo Itamar  Franco (afinal, ele foi lançado em 01/07/1994, quando Itamar era o presidente da República), foi para o beleléu no 2o. semestre de 1998. 
Com tudo isso, a economia brasileira estagnou, o número de desempregados cresceu mais de 120%, grande parte da indústria quebrou com a abertura irresponsável da economia (acelerada pela supervalorização cambial) e o nível de emprego na indústria brasileira despencou 31% em seu governo. 
Quanto à Antonio Palocci e Henrique Meirelles, eles foram bem conservadores, principalmente nos quesitos inflação e contas públicas, nos três primeiros anos de governo Lula.
Mas o fato concreto é que eles conseguiram tirar o Brasil da falência em que FHC o havia deixado.
Palocci e Meirelles conseguiram iniciar um processo de redução da dívida pública, do déficit externo e do déficit público. A inflação, que chegou a atingir cerca de 30% anualizados no último trimestre de 2002, foi reduzida, terminando 2006 com uma inflação de apenas 3,1% ao ano. A taxa Selic também começou a ser reduzida já no segundo semestre de 2003. O país recuperou prestígio no exterior e, assim, o risco-país começou a cair e os investidores externos voltaram a acreditar no país. A cotação do dólar, que havia disparado em 2002, chegando a quase R$ 4,00, voltou a cair em 2003. E o dólar caiu tanto que obrigou o Banco Central a comprar quantidades crescentes de dólares no mercado, a fim de evitar uma valorização ainda maior do Real. 
Era o preço que o país pagava pelo sucesso. 
Mas o crescimento expressivo das reservas internacionais, que chegaram a US$ 205 bilhões em 2008, criou um colchão de liquidez que foi fundamental, depois, para que o governo Lula pudesse combater, e com grande sucesso, os efeitos da gigantesca crise financeira que se abateu, inicialmente, sobre o sistema financeiro dos EUA e, posteriormente, o da União Europeia. E a crise foi tão grave que as duas maiores economias mundiais ainda estão longe de se recuperar plenamente da mesma. Muito pelo contrário.
Todo esse trabalho desenvolvido quando Antonio Palocci e Henrique Meirelles comandavam a economia brasileira foi extremamente importante para o país, pois eles acabaram criando as condições para que se iniciasse a retomada do crescimento econômico, para o lançamento do PAC, para a ampliação dos programas sociais (Bolsa-Família, Luz Para Todos, etc), para a adoção de políticas de aumento real do salário mínimo, de geração de empregos com carteira assinada e para o lançamento do Minha Casa Minha Vida. 
Este conjunto de políticas é a principal responsável pela melhoria da distribuição de renda que tivemos a partir do governo Lula e que, agora, tem continuidade no governo Dilma. 

Afinal, como seria promover a melhoria das condições de vida dos assalariados e dos mais pobres com uma inflação descontrolada, com as contas públicas e externas desequilibradas e com o país dependendo do FMI para continuar honrando com os seus compromissos internacionais? 

Sem chance.
Assim, Palocci e Meirelles foram dois dos principais pedreiros que criaram os alicerces das políticas pró-crescimento e de distribuição de renda que o governo Lula adotou e que intensificou a partir de 2006, em especial. 
Por isso, considero que as críticas das quais eles são, frequentemente, vítimas são profundamente injustas. Eles foram muito importantes naquele momento específico da história brasileira, em que era fundamental recuperar a credibilidade, a capacidade de investimento do Estado brasileiro e restaurar a estabilidade da economia. 
E foi exatamente isso que Palocci e Meirelles fizeram. Quando o país precisou deles, ambos se saíram muito bem. 
Por isso entendo que Brasil e o seu povo tem uma dívida com Palocci e Meirelles e, portanto, reconhecer a importância do trabalho desenvolvido pelos dois é o mínimo que se pode fazer. 
Valeu, Palocci!
Valeu, Meirelles! 

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