Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Brasil condiciona ajuda à Europa a mais poder no FMI!

Brasil condiciona ajuda à Europa a mais poder no FMI - 26/02/2012 - da Agência Brasil


Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os países em desenvolvimento poderiam prover mais recursos para ajudar os países da zona do euro em dificuldades, mas desde que ganhem como contrapartida mais poder dentro do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os comentários de Mantega foram feitos durante um encontro de ministros das Finanças do G20 na Cidade do México.

O ministro também pediu que os países da própria zona do euro contribuam mais com seus próprios fundos para a ajuda. "Os países emergentes somente ajudarão sob duas condições: primeiro que eles (os países da zona do euro) reforcem sua rede de proteção (o fundo europeu de ajuda aos países em dificuldades) e segundo, que a reforma do FMI seja implementada".

"Eu vejo a maioria dos países compartilhando opiniões semelhantes de que os europeus têm que fortalecer seu fundo de proteção", acrescentou.

Outros ministros presentes no encontro no México também manifestaram o desejo de que as nações europeias destinem mais fundos para o Fundo Europeu de Estabilização Financeira, o fundo criado no ano passado para ajudar os países da região com dificuldades para pagar suas dívidas.

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, afirmou que as nações da zona do euro avaliarão no mês que vem a possibilidade de aumentar o tamanho do fundo.

George Osbourne, ministro das Finanças da Grã-Bretanha, país que não faz parte da zona do euro, fez cobranças parecidas às de Mantega.

"Estamos preparados a considerar (aumentar) os recursos do FMI, mas apenas depois de vermos a cor do dinheiro da zona do euro, que ainda não vimos", disse.

"Apesar de haver muitas coisas a discutir nesta conferência do G20, não acho que veremos nenhum recurso a mais prometido aqui, porque os próprios países da zona do euro não se comprometeram com recursos adicionais. Esse problema vai ser claramente estabelecido aqui no México", disse Osbourne.

link:
  
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-02-26/brasil-condiciona-ajuda-europa-mais-poder-no-fmi

Boris Casoy, a separação de poderes, Lula, o câncer e Eliana Tranchesi! - por Marcos Doniseti!

Boris Casoy, a separação de poderes, Lula, o câncer e Eliana Tranchesi! - por Marcos Doniseti!



Nesta semana, o 'jornalista' Boris Casoy acusou o governo do presidente Lula de ter contribuído para o câncer de pulmão que matou a ex-proprietária da Daslu, Eliana Tranchesi, empresária que foi condenada pela Justiça Federal a 94 anos e meio de prisão devido à prática de vários crimes, incluindo formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica.

Com isso, Casoy mostra que é totalmente desinformado sobre questões de saúde e de medicina, pois o câncer de pulmão não pode ser provocado e nem agravado por ações de outras pessoas.

Não se desenvolve câncer de pulmão em função de bruxaria ou de macumba de qualquer espécie, mas devido ao tabagismo (que é a causa de 90% dos casos) e a outros fatores, incluindo os ambientais e os genéticos.

Aliás, o próprio ex-presidente Lula enfrenta, neste momento, uma luta contra um câncer de laringe, fato este que Boris também pareceu igrnorar em seu comentário. E se usarmos o mesmo 'raciocínio' (se é que um comentário tão estúpido pode ser considerado como tal) de Boris, então poderemos dizer que o tumor de laringe que atingiu Lula foi provocado pelas violentas críticas e ataques que a Grande Mídia (incluindo o próprio Boris) desferiu contra o ex-presidente ao longo de todos estes anos, certo? 

Ao fazer um comentário tão ridículo, pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que Boris Casoy praticou charlatanismo. Afinal, o que é que ele entende de Medicina? Nada. E sobre as causas do câncer? Nada também. Então, como é que ele pode fazer um comentário tão esdrúxulo se ele não é nenhum especialista em casos de câncer e desconhece tudo sobre as causas do mesmo? Ao que me consta, os especialistas em câncer são os Oncologistas e não os Jornalistas.

Mas, parece que Boris Casoy ainda não teve tempo suficiente, em sua longa vida, para diferenciar a Oncologia de Jornalismo.

Além disso, Boris Casoy destila todo o seu preconceito contra o governo Lula, que saiu da presidência da República com 87% de aprovação popular, mesmo tendo contra si toda a Grande Mídia do país, que lhe fez oposição cerrada e virulenta durante todos os seus 8 anos de mandato, fato este que o suposto jornalista faz questão de ignorar.

Em seu patético comentário, Boris também fala sobre o caso do 'Mensalão', cuja existência foi negada pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson quando este apresentou a sua defesa à Justiça.

Porém, novamente, Boris Casoy parece que não tomou conhecimento deste fato.

Vá ser desinformado, assim, lá na Cochinchina!

Além disso, a Justiça Federal, que é separada e independente do Poder Executivo, fato este que parece ser totalmente ignorado por Boris Casoy, deu à Eliana Tranchesi o tratamento que ela fez por merecer pelos crimes, extremamente graves, que cometeu, e que gerou imensos prejuízos, de milhões de Reais, para os cofres públicos.

Foi a Justiça Federal que condenou Eliana Tranchesi e não o governo Lula. Foi a Justiça que mandou prender Eliana Tranchesi e os demais integrantes da organização criminosa da qual ela fazia parte e não o governo Lula.

E quem foi que disse que Eliana Tranchesi fazia parte de uma organização criminosa? A Justiça. Não foi eu, não, viu, Boris Casoy!

Outra informação importante que Boris Casoy parece ignorar é que, no Brasil, o presidente da República não comanda o Poder Judiciário, apenas o Poder Executivo.


Porém, em seu comentário, patético e ridículo, Boris Casoy parece ter se esquecido desse detalhe tão importante. Parece que ele nunca ouviu falar de uma coisa chamada separação de Poderes, que vigora no Brasil desde o início do período Republicano. 

Além disso, os R$ 500 milhões de Reais que foram sonegados pela empresa de Eliana Tranchesi fazem muita falta para a educação, saúde, saneamento básico, segurança, moradia, enfim, foram recursos que poderiam ter sido investidos nestes setores, mas não o foram, devido aos crimes cometidos por essa empresária que violou inúmeras leis brasileiras, fato este que a levou a ser condenada, justamente, pela Justiça Federal brasileira a 94 anos e meio de prisão. 

O comentário de Boris foi tão patético que o espirro que ele deu, logo depois desse comentário abjeto e repugnante, deve ter acontecido para que o seu organismo pudesse expulsar as bactérias produzidas pelo mesmo. Nem o organismo do próprio Boris aguentou tamanha asneira dita por ele.

Portanto, dizer que o governo Lula contribuiu para a doença que matou dona Eliana Tranchesi, como o fez Boris Casoy, não passa de uma afirmação totalmente ridícula e que não merece ser levada à sério. Isso é charlatanismo. Nada além disso.

Ao defender Eliana Tranchesi, sonegadora de impostos, integrante de organização criminosa e que foi condenada pela Justiça, dizendo que ela foi uma 'vítima' do governo Lula e que isso contribuiu para o agravamento do seu câncer, Casoy mostrou que seu compromisso com a informação correta e precisa é nenhum.

O que ele faz pode-se comparar com muitas coisas. Com jornalismo, não. 


Links:

Roberto Jefferson nega a existência do Mensalão:

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/09/13/jefferson-agora-nega-o-mensalao-o-pig-vai-chorar/

Boris Casoy diz que o governo Lula ajudou a matar a dona da Daslu:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gzh3xzDeNn0

Eliana Tranchesi é condenada a 94 anos e meio de prisão pela Justiça Federal:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/03/26/ult5772u3388.jhtm

As causas do câncer de pulmão:

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?64

A Oncologia:

http://www.oncoguia.com.br/site/interna.php?cat=2&id=474&menu=2

Valor sonegado pela Daslu chega a R$ 500 milhões:

 http://veja.abril.com.br/noticia/economia/estado-ainda-nao-viu-a-cor-do-dinheiro-da-daslu

Robert Fisk: “O assassino de Hama, Síria, 1982... vive em Mayfair, Londres!

Robert Fisk: “O assassino de Hama, Síria, 1982... vive em Mayfair, Londres!” - do The Independent, via Rede CastorPhoto


25/2/2012, Robert Fisk, The Independent, UK – 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
Entreouvido na Vila Vudu:
 
 
O jornalismo-que-há já é golpe e arapuca ideológica tão complexa, que prendeu até os melhores jornalistas. 
 
 
Fisk, por exemplo, nesse artigo, mostra-se jornalista excepcional: localizou o comandante de um episódio da guerra entre sunitas e alawitas, na Síria, que é diariamente execrado pela imprensa inglesa (e por toda a imprensa-empresa em todo o mundo, de onde passou para a lista dos excecramentos oficiais de todos os jornalistas-de-repetição e seus leitores-de-repetição em todo o mundo). 
 
 
E descobriu que aquele assassino vive em Londres, protegido pelo Estado e em perfeita segurança. É um grande feito jornalístico: o jornalista parou de repetir opiniões de outros jornalistas e foi ao mundo e fez uma grande descoberta. Mas não conseguiu sequer anunciá-la na manchete (o título acima foi criado pelos tradutores. O original diz “A nova Guerra Fria já começou na Síria”, título que parece ter sido escolhido exatamente para esconder a grande descoberta jornalística do jornalista). 
 
 
Se é verdade que todas as guerras são o mesmo idêntico horror, é também clara verdade que “o massacre de Hama, 1982” não é considerado, de fato, sequer, crime grave (ou o “autor” do massacre não seria hóspede prestigiado do estado britânico ou, então, o estado britânico tem o mau hábito, jamais noticiado pela imprensa-empresa, de hospedar, prestigiadíssimos, também assassinos histórico-seriais).
 
 
O jornalismo liberal, pressuposto “sem lado”, já começa a devorar até seus melhores filhos.
É boa notícia.
Robert Fisk
Se o Irã obtiver capacidade para produzir armas nucleares, “Acho que outras nações em todo o Oriente Médio quererão desenvolver armas nucleares”. 
 
A declaração bombástica de nosso amado secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, é uma das suas mais estúpidas declarações em todos os tempos. Hague parece passar a maior parte do tempo fingindo ser algum de seus vários personagens; por isso não sei exatamente qual das personas de Hague falava, quando o secretário Hague fez aquela declaração.
 
Erro número um, claro, é o Hague-de-Hague não ver que, de fato, já há outra “nação” no Oriente Médio que já tem, de fato, várias centenas de armas nucleares e os necessários mísseis para dispará-las. Chama-se Israel. Mas, vejam vocês, o Hague-de-Hague não fala sobre isso. Será que não sabia? É claro que sabia. O que quis dizer, vejam só, foi que se o Irã insistir em produzir uma arma nuclear, estados árabes – estados muçulmanos – também vão querer produzir arma nuclear. E que isso não pode acontecer. A ideia, claro, de que o Irã poderia estar fabricando armas nucleares porque Israel tem centenas de armas nucleares jamais passou pela cabeça do Hague-de-Hague.
 
Ora! Como país que vende bilhões de pounds em armamento militar às nações árabes do Golfo – sob o pretexto de que elas têm de defender-se contra planos para invadi-las que o Irã não tem – a Grã-Bretanha absolutamente não está em posição que justifique alertar alguém contra a proliferação de armas na região. Visitei as feiras de armas do Golfo, onde os britânicos exibem filmes alarmantes sobre “nação inimiga” que ameaça os árabes – sempre o Irã, claro – e a absoluta necessidade de aqueles amigos árabes comprarem a maior quantidade de armas que lhes são oferecidas à venda pela empresa British Aerospace e os demais mercadores da morte.
 
Há também o assassino histórico-serial, na conversa do Hague-de-Hague. Ele alerta contra “a mais grave rodada de proliferação nuclear desde a invenção das armas nucleares”, que pode gerar “a ameaça de uma nova Guerra Fria no Oriente Médio” e que seria “um desastre nos negócios mundiais”. Vamos com calma. Sei que o Hague-de-Hague tem assento na sala do trono de Balfour e Eden – os dois pseudo-especialistas em Oriente Médio – mas o Hague-de-Hague precisava criar essa salada histórica assim tão grosseira? Claro que a mais grave rodada de proliferação nuclear desde a invenção da bomba atômica aconteceu quando Índia e Paquistão compraram a bomba, sendo que o Paquistão regurgita aos borbotões gente da al-Qaeda, Talibã nativos e agentes de muito suspeita inteligência secreta.
 
Ainda bem que o Hague-de-Hague lembrou-se de garantir que “não favorecemos qualquer ideia de atacar o Irã nesse momento”. Talvez noutra hora. Ou talvez depois da queda do presidente Assad, se cair, o que privará o Irã de seu único – e valioso – aliado no Oriente Médio. Suspeito que esse seja o único interesse de muitos dos que fazem chover gritos e tiros contra Assad. Livrem-se de Assad e terão amputado parte do coração do Irã. Embora nada garanta que só isso baste para convencer Ahmadinejad a transformar suas usinas atômicas em fábricas de potinhos de alimento para bebês. Porque esse é o xis da questão. 
 
Bashar al-Assad e senhora
As já altas vozes que clamam pela partida de Assad sobem ainda mais de tom cada vez que se recusam a envolver-se, elas mesmas, militarmente, no golpe para derrubar Assad. Quanto mais prometem não “repetir a OTAN-na-Líbia” na Síria – cada vez que dizem que não pode haver “zonas aéreas de exclusão” na Síria – mais zangados e furiosos eles mostram-se contra Assad. 
 
 
Por que Assad não parte logo para a aposentadoria na Turquia, acaba o teatro de uma vez por todas, e pára de nos criar problemas, fuzilando o próprio país, matando civis – enquanto nós nos comportamos tão bem, assistindo a tudo inocentemente, no fundo da cocheira?
 
Desnecessário dizer que o Hague-de-Hague mente sobre a Síria, quando, diz ele, não favorece “qualquer ideia de atacar o Irã nesse momento”. Essa é a grande mentira, no que diz o secretário do Exterior. 
 
 
Ele acertou ao denunciar o assassinato de Marie Colvin essa semana – eu a vi, nos dias finais, alegres, da revolução egípcia, andando, como sempre, na direção de onde vinha a fumaça das granadas de gás lacrimogêneo. 
 
 
Mas há centenas de outros mortos, gente inocente, que estão sendo também assassinados, sem que se ouça nem sinal de protesto do Hague-de-Hague. E muitos desses estão sendo assassinados pela oposição armada contra Assad; o assassinato de alawitas por sunitas está virando horrenda rotina na Síria, do mesmo modo que o massacre de civis pelas bombas do exército sírio tornou-se também rotina nessa guerra terrível.
 
Não, não, muito obrigado! Os britânicos não se envolverão na Síria. Porque a nova Guerra Fria na região, contra a qual agora Hague deblatera, começou na disputa pela Síria, não pelo Irã. Os russos alinham-se ali contra os britânicos, em apoio a Assad; e denunciam os britânicos. É completo mistério o que Putin espera conseguir, depois que Assad for substituído. Nem alguma “nova” Síria será necessariamente a democracia pró-ocidente que o Hague-de-Hague e outros gostariam de ver.
 
Os sírios, afinal, nunca esquecerão o modo como Grã-Bretanha e EUA aprovaram em silêncio o infinitamente mais terrível massacre de 10 mil sírios muçulmanos sunitas em Hama, em 1982. Aliás, hoje acontece o 30º aniversário daquele massacre perpetrado pelas Brigadas de Defesa comandadas por Rifaat, tio de Bashar al-Assad.
 
Rifaat al-Assad
Pois aí está! Como o Hague-de-Hague, Rifaat também é fantasma de duas caras. Longe de ter sido julgado e condenado como o assassino de Hama – expressão que ele rejeita furiosamente – Rifaat vive hoje vida de  gentleman aposentado, cercado de amigos, em alto estilo e sob alta proteção, bem ao lado da mesa de trabalho do Hague-de-Hague. Pois é. 
 
 
Se o Hague-de-Hague sair do prédio do Foreign Office, virar à esquerda e andar pela Horseguards Parade, é possível que encontre Rifaat em pessoa, que vive – e onde mais seria? – em Mayfair, centro de Londres. Aí está. Que terrível desastre seria esse encontro, nos negócios mundiais, não é mesmo?!
 
 






Pepe Escobar: “A Georgia não sai da cabeça deles”!

Pepe Escobar: “A Georgia não sai da cabeça deles” - do Asia Times Online, via Rede CastorPhoto,


27/5/2004, Pepe Escobar, Asia Times Online
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu
HOMENAGEM DOS TRADUTORES:
 
Em Pepe Escobar: “Obama anda mesmo cantando o blues?” (23/2/2012, Asia Times Online e em português), o autor, em artigo sobre Obama, arremedo de bluezeiro-em-chefe, relembra uma série de artigos que publicou em 2004, em tour pela terra do blues, acompanhando George W. Bush, então em campanha pela reeleição. 
 
 
Selecionamos para traduzir um desses artigos, que talvez faça um interessante contraponto à sessão de blues na Casa Branca de Obama: do blues da Georgia, para o blues de Chicago, talvez? Ou: muda o blues, mas os EUA nunca mudam, por mais que se metam a querer changes, changes, changes nos regimes dos outros? Seja como for, lá se vão sete anos, de reeleição em reeleição e, mudança importante, nenhuma, por lá.
Aqui fica essa tradução, como nossa homenagem a Pepe Escobar, o mais importante jornalista brasileiro ativo no planeta, não por acaso jornalista e brasileiro que não tem nenhuma espécie de conexão – além da distância cada vez maior que o separa deles – com os jornalões do Grupo GAFE (Globo-Abril-Folha-Estadão).
Pepe Escobar
 
SAVANNAH, Geórgia Cool, calma, contida em seu charme neoclássico e colonial de muitas árvores, recusando-se a ser reduzida à condição de parque temático do Velho Sul, Savannah é tida, nos círculos das elites europeias, como a mais bela cidade dos EUA. 
 
 
Aqui, no primeiro acampamento na Georgia, a 13ª e última colônia americana, o general William Tecumseh Sherman, ao final da Guerra Civil, ofereceu seus “40 acres e uma mula” a todos os escravos negros libertos. Aqui, Flannery O'Connor escreveu obras primas. 
 
 
Aqui, Forrest Gump sentou-se num filme – num banco em Chippewa Square –, cantarolando que “a vida é como caixa de chocolates: você nunca sabe o que vai achar” (contem essa aos neoconservadores em Washington). E em duas semanas, o grande circo da cúpula do Grupo dos 8 (G8) das nações mais industrializadas aportará em Savannah com todo seu poder. 
 
Savannah está terrivelmente preocupada. A reunião propriamente dita acontecerá a 120km daqui, em local ermo e isolado, na Sea Island, mas o grosso do exército de lambe-botas, diplomatas, jornalistas e da segurança estará circulando entre as magníficas mansões e praças manicuradas de Savannah. Dan Flynn, chefe de Polícia, não quer que a sóbria e pitoresca cidade de 130 mil habitantes seja convertida em “zona de guerra”: haverá protestos no Forsyth Park, copiado da Place de la Concorde em Paris e próximo do centro historico. 
 
 
Lojistas locais temerosos estão “exagerando nas reações”, segundo Flynn, e querem fechar todas as lojas e escritórios do centro. Muitos querem fechar logo também o assunto do Iraque. Na pensão da Sra. Wilkes, monumento histórico à culinária do sul, quem entrar ouve a opinião da proprietária, que ela oferece sem ironia: “Dia 30 de junho, devemos declarar vitória, trazer os soldados para casa, aposentar alguns do Pentágono e deixar que o canal Fox News conte ao mundo que vencemos.”
Tarde da noite, nas estradas vicinais no interior da Georgia, a caminho de Dublin, o único negócio que convida a entrar é o negócio da igreja. Não são raros os cartazes de “Apoiamos nossos soldados”. A retórica dos “agentes do mal” do presidente George W Bush encontra amplo eco entre os frequentadores das igrejas. Só uma, tarde da noite, na Highway 80, vê problema em Bush pôr grande parte do mundo num degrau inferior, no plano moral, abaixo dos EUA, convertendo “nossas boas ações” contra a al-Qaeda, numa cruzada moral contra o mundo islâmico. 
Savannah é muito intimamente associada à sua base do Exército dos EUA, Fort Stewart. Ali, recentemente, o sargento Camilo Mejia foi julgado numa Corte Marcial e condenado, como desertor – sentença com a qual muitos concordam, em Savannah. Mejia é nicaraguense, portador de green-card (licença para trabalhar nos EUA, para estrangeiros), que se alistou no exército para aprender mais sobre a sociedade norte-americana. A guerra no Iraque horrorizou-o. 
 
 
E ele ofereceu-se para depor no Congresso sobre a tortura de prisioneiros que presenciou em Al Assad, em maio passado, meses antes de eclodir o escândalo de Abu Ghraib. Todd Ensign, diretor do grupo Citizen Soldier [soldado-cidadão], de ativistas antiguerra, que apóia o pessoal militar, está indignado: “Julgaram Camilo por ter-se recusado a voltar ao Iraque, porque não quer torturar gente. E estão julgando o cabo Jeremy Sivits, porque torturou.”
 
 
Super-Rangers dentro da Casa (Branca)
 
 
A Georgia não sai da cabeça de George W Bush – e não é o canto de Ray Charles. Mês passado, no luxo do Lodge Ritz-Carlton, Reynolds Plantation, a 75 minutos, rumo sul, de Atlanta, Bush posou de superstar para 300 convidados, individualmente os mais poderosos dos EUA, inclusive os donos de terra e empreendedores imobiliários da família Reynolds da Georgia. 
 
 
Os convidados dispensaram os 81 buracos para golfe, um SPA imperial e muita pescaria, canoagem e ski no plácido lago Oconee, para sentar num salão de conferências e ouvir Bush. É o pessoal que paga pelo grosso da multimilionária campanha de reeleição (US$200 milhões até aqui, e aumentando): são conhecidos como Pioneiros [orig. Pioneers] (os que arrecadam mais de $100 mil dólares); Rangers (até $200 mil) e agora também os Super-Rangers (os que até 15 de agosto conseguirem arrecadar $250 mil ou mais). 
 
Pioneiros, Rangers e Super-Rangers são nada mais nada menos que os proprietários virtuais dos EUA, se Bush for reeleito: encarnação de um processo eleitoral totalmente mercantilizado. Vários são recompensados com postos no governo federal. Suas empresas ou multinacionais ganham gordos contratos federais que valem bilhões de dólares e, claro, beneficiam-se de leis ultra camaradas – especialmente sobre energia e poluição. 
 
Segundo o grupo Texans for Public Justice, há, até agora, 630 superdoadores pró-Bush. Quase 20%, do círculo das finanças; 18% são advogados e lobbyistas. Quase 25% estão empregados no governo Bush (dentre os quais 24 embaixadores e dois membros do Gabinete). 
 
 
Em 2002, segundo pesquisas do grupo, mais de $3,5 bilhões em contratos federais foram entregues a 101 empresas: entre elas, havia 123 Pioneiros ou Rangers. Um total de 146 superdoadores de campanha de Bush estiveram envolvidos em escândalos empresariais ou ajudaram empresas envolvidas em escândalos – no Texas (o escândalo Enron) –, ou em Wall Street, ou relacionados a poluição ou a questões de saúde pública. Os Super-Rangers só foram criados na reunião do Ritz-Carlton, mas já são 25. 
 
Bush já estivera na Georgia, há mais de uma semana, acompanhado do Maquiavel Republicano, Karl Rove. Permaneceram ali por apenas quatro horas, primeiro num condomínio cercado em Atlanta, onde Bush participou de uma recepção nos jardins da casa de Robert Nardelli, presidente executivo da empresa Home Depot; na sequência, Bush foi convidado de honra de um jantar (convite a $25 mil por cabeça; no cardápio, carne, batata e legumes).
Agora, Savannah espera ansiosamente que Bush exponha as linhas de sua “clara estratégia” para o Iraque. Líderes mundiais, inclusive os aliados declarados, como o britânico Tony Blair e o japonês Junichiro Koizumi, e aliados muito relutantes, como Jacques Chirac da França, Gerhard Schroeder da Alemanha e Vladimir Putin da Rússia, que lá estarão com Bush, na Georgia, para o encontro do G8, dias 8-10 de junho, também esperam ansiosíssimos: não estão absolutamente convencidos da clareza da “clara estratégia” segundo a qual o governo Bush insiste em dizer que luta pela democracia no Iraque, ao mesmo tempo em que mantém lá 130 mil soldados entrincheirados que tudo controlam, contra a vontade da absoluta maioria do “povo iraquiano”. 
 
O que Bush dirá aos seus pares, sobre Muqtada al-Sadr? Fontes xiitas na cidade santa de Najaf informam a Asia Times Online que o recentemente caído em desgraça Ahmed Chalabi tentará voltar a Najaf para instalar-se como mediador entre o movimento Sadrista e os EUA. Com a credibilidade abaixo de zero na rua iraquiana, difícil que algum xiita confie nele. Mas Chalabi é operador esperto e confia nas alianças que ligam seu Congresso Nacional Iraquiano e xiitas e curdos. 
 
As fontes em Najaf destacam que, no momento, nenhum xiita pode ser visto como aliado de Washington contra Muqtada. O jogo, portanto, não visa a que os xiitas escolham entre Muqtada e o moderado Grande Aiatolá Ali al-Sistani. Trata-se é de escolher entre Muqtada e o pró-cônsul Paul Bremer. 
 
Bush e o Pentágono simplesmente não podem admitir que os Sadristas já tenham alcançado vitória desse tipo. Seja já mártir ou não – os EUA continuam a procurá-lo “vivo ou morto” – as forças de Muqtada continuarão lutando até o fim da ocupação. A guerra de resistência contra os EUA, depois da “entrega”, dia 30 de junho, será seguida por alguma espécie de guerra civil para detonar qualquer um que o enviado especial da ONU Lakhdar Brahimi instale como novo pró-cônsul disfarçado. Afinal, no longo prazo, dizem as fontes em Najaf, uma teocracia xiita iraquiana – que não reproduza o modelo Khomeini – é extremamente possível. 
 
Não era exatamente o que o vice-secretário da Defesa e há muito tempo arquiteto da guerra Paul Wolfowitz tinha em mente. Além do mais, Chalabi, homem “deles” (dos neoconservadores), pode revelar-se um Frankenstein. Se não acabar na cadeia, Chalabi com certeza concorrerá às eleições em janeiro próximo, como nacionalista iraquiano, com plataforma de oposição virulenta à ocupação norte-americana. 
 
Sempre pode piorar 
Outros membros do G8 perguntarão a Bush: As coisas ainda podem piorar no Iraque? Podem. Abu Ghraib pode ser examinado como mais um efeito perverso da obsessão dos EUA com sexo e pornografia – uma indústria de mais de $10 bilhões anuais – misturada com a proliferação de reality shows, nos quais qualquer idiota tem seus 15 minutos de fama à Andy Warhol, inclusive torturadores amadores. 
Sim, pode piorar. Os serviços de inteligência britânicos, franceses, russos e japoneses, todos eles, sabem que a segurança no Iraque é total desastre. O processo de reconstrução foi virtualmente interrompido. O escândalo de superfaturamento pela Halliburton teima em não sumir de cena. E num fascinante cruzamento de cinema e política, o amargo documentário anti-Bush de Michael Moore, “Fahrenheit 9/11” acaba de tornar-se o primeiro documentário, em quase meio século, a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes. 
 
“O senhor lembra de alguns erros que tenha cometido como presidente?” A pergunta foi feita a Bush, em sua última conferência de imprensa, em abril. Miraculosamente, não lhe ocorreu erro algum digno de nota. Na Georgia, Chirac, Schroeder ou Putin podem atrever-se a repetir a mesma pergunta, no privado. Pouco provável que obtenham resposta. 
 
O que nos deixa com Juan Cole, professor de história da universidade de Michigan e dos maiores especialistas em Iraque, nos EUA: 
 
“Outro dia, eu disse que achava que Bush estava empurrando a Europa na direção da esquerda, com suas políticas. Acho que também está empurrando o mundo xiita na direção da direita radical. Temo que meus netos ainda estarão pagando pelo torvelinho que George W Bush está semeando na cidade do Imã Hussein [referência ao bombardeio, com F-16s, contra Karbala]. No início de abril, concluí que Bush perdeu o Iraque. Só até agora, já perdeu também todo o mundo muçulmano”. 
 
Daqui a duas semanas, Bush pode já ter perdido também o resto do mundo. Quem sabe Forrest Gump possa ajudar.


Nota da redecastorphoto:Assistam a seguir vídeo que talvez tenha inspirado o TITULO, em inglês, deste artigo como HOMENAGEM ao pessoal da Vila Vudu e especialmente ao Pepe Escobar:


Link:

http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/02/pepe-escobar-georgia-nao-sai-da-cabeca.html
 

Brasil cresce e atrai imigrantes gregos qualificados!

A Odisseia brasileira - da CartaCapital

Com o país no quinto ano seguido de recessão, 1 milhão de desempregados para uma população de 11 milhões de habitantes, os gregos procuram oportunidades além-mar. Trata-se de uma nova onda em um país cuja história é marcada pela emigração. Desta vez, a novidade é que a maioria é de técnicos altamente qualificados, alguns com pós-graduação nos principais centros universitários do planeta. Em sintonia com a crise e ao contrário de seus predecessores, eles elegem os BRIC como destino final, em vez de Londres, Roma ou Nova York.

Foi assim com Elena Lazarou, no Brasil desde março de 2010. “Em 2009, eu dividia minhas atividades entre a Inglaterra e a Grécia, terminava meu pós-doutorado na Universidade de Cambridge e trabalhava em meu país como consultora. Foi quando surgiu a oportunidade de fazer um concurso para ser professora de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro”, conta ela, com sotaque do português de Portugal.

Horizonte

Aos 32 anos, Lazarou ilustra bem a nova geração de emigrantes gregos. Em geral, são jovens entre 25 e 34 anos, com formação no exterior e domínio de dois ou mais idiomas, além do grego. Com o sonho interditado em casa, a alternativa foi buscá-lo em outros cantos.

Hoje professora do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil na FGV, Lazarou encontrava-se em Atenas em uma sinuca profissional. “Os pesquisadores estavam muito inseguros em relação ao futuro. Havia dificuldade na renovação de contratos com o governo, com indícios de que os salários começariam a atrasar.”

A percepção no exterior de que o Brasil vai bem tem atraído a atenção dos candidatos a deixar a Grécia. “Quando cheguei, era difícil encontrar gregos na minha situação de emigrante, mas isso foi mudando e agora é diferente, já conheço vários. A maioria com experiência internacional, informada, que acompanha o que acontece no mundo.”

A “saída brasileira”, claro, não é totalmente tranquila. “As pessoas entram em contato para saber mais sobre o Brasil. E percebo que elas estão preocupadas, por exemplo, com a segurança por aqui”, diz a professora, que, entre outros temas, estuda o fenômeno da migração.

Ainda que o Brasil ganhe relevância, a Austrália, diz a especialista, segue com a maior comunidade grega de expatriados, núcleo formado a partir dos anos 1940, quando uma leva considerável aportou também por aqui, no período de devastação da Segunda Guerra Mundial. Mais recentemente, o apoio do governo australiano, interessado em atrair cérebros, inflou ainda mais as estatísticas.

Com experiência em grandes eventos esportivos, o economista especializado em Tecnologia da Informação Angelos Dorizas conheceu o País em 2006. Diante da decadência econômica grega, veio de armas e bagagens em dezembro de 2010 – antes disso, passou 18 meses no Rio, trabalhando na organização dos Jogos Pan-Americanos. “Quando meu contrato foi encerrado, voltei para a Europa e fui morar em Barcelona.

Em 2010, após participar da organização dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura, decidi vir para o Brasil para trabalhar como consultor de Tecnologia da Informação”, diz Dorizas, morador de Porto Alegre. “As possibilidades de empregos em meu país já eram ruins, e pioraram muito nos últimos anos. Os mais informados já previam dificuldades, sabiam que as coisas iriam piorar. A entrada da Grécia na Zona do Euro foi uma ilusão que agora acabou.”

Foi a mesma falta de perspectiva que levou Dimitri Arapoglou, de 30 anos, a decidir sair da Grécia. Formado em gestão de Turismo na Inglaterra, Arapoglou está há três meses no País, mas já domina o português. “Me dediquei muito. Antes de chegar ao Brasil já falava grego, francês, italiano, inglês e espanhol. As coisas ficaram difíceis na Grécia, não dá mais para encontrar um trabalho decente.”

Arapoglou manifesta indignação com os rumos de sua terra. “O governo tem baixado medidas muito duras. Nossos pais apostaram na nossa educação e agora, para a maioria de nós, é quase impossível achar um trabalho decente.

Nos últimos dois anos e meio, as coisas mudaram radicalmente por lá.”

Presidente da Coletividade Helênica de São Paulo, uma ONG que reúne emigrantes e seus descendentes, Stavros Kyriópoulos afirma que cresceu muito o número de gregos interessados em vir para o Brasil, ainda que as estatísticas recentes sejam escassas. “Todos os dias recebo e-mails de gente querendo informações sobre a situação aqui.”

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Em Brasília, não há números que reflitam esse movimento. No Ministério do Trabalho, por exemplo, entre os estrangeiros que entraram com pedidos formais para trabalhar no País nos últimos anos, os principais são norte-americanos, alemães, ingleses e chineses. Na informalidade, destacam-se bolivianos, paraguaios e, desde 2010, haitianos.

Comparada com outras colônias, a comunidade grega no Brasil não é relevante. Segundo a jornalista Vassiliki Constantinidou, entre gregos e descendentes, a população helênica seria de cerca de 40 mil indivíduos espalhados pelo território nacional, com presença mais forte em São Paulo.

Autora do livro Os Guardiões das Lembranças, Memória e História dos Imigrantes Gregos no Brasil, Constantinidou informa que a última onda de imigrantes gregos para o País deu-se no pós-Segunda Guerra Mundial, quando a Grécia também entrou em colapso por causa de uma guerra civil. “Não existe um levantamento exato, porque muitos entraram no Brasil com passaportes de outros países, como a Turquia. Mas estima-se que, nos anos 1940, tenham chegado cerca de 16 mil gregos.”

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 http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-odisseia-brasileira/

Quem tem medo de Serra?- por Zé Dirceu!

Quem tem medo de Serra?- por Zé Dirceu, 25-02-2012
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José Serra
O ex-governador José Serra (PSDB) esteve na noite de quinta-feira passada com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para lhe dizer, finalmente, que é grande a chance de entrar na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A notícia chegou à imprensa na noite de sexta-feira, virou rastilho de pólvora e rapidamente ganhou as manchetes dos jornais deste final de semana.

Mas, afinal, quem tem medo do Serra? A novela serrista continua e os problemas crescem ao seu redor. Andará o PSD de mãos dadas com o DEM em São Paulo, numa coligação para apoiar Serra? Como ficarão os partidos agora aliados ao prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD): PC do B, PSB e PR? Apoiarão Serra e o projeto tucano de manter São Paulo a qualquer custo e preço?

Quem disse que Serra é o melhor candidato para disputar novamente a prefeitura, depois da derrota de 2010 e do isolamento a que foi submetido pela cúpula tucana? Se Serra não serve para ser presidente do Brasil, porque serviria para ser prefeito de São Paulo? Finalmente, quem assegura que Alckmin vai apoiar Serra? E quem unirá os pedaços do PSDB após o trauma de prévias que não acontecerão - ou que serão um simulacro para tentar consagrar Serra como o salvador da pátria tucana?

O PT é que não tem porque temer Serra que já o derrotamos duas vezes para presidente.
Foto Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

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http://www.zedirceu.com.br//index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=1&Itemid=106

Arrecadação de impostos é suficiente para bancar investimentos- por Zé Dirceu!

Arrecadação suficiente para investimentos- por Zé Dirceu, do seu blog, Publicado em 25-Fev-2012

Pela primeira vez, a arrecadação de impostos pela União em 12 meses superou a marca de R$ 1 trilhão. O recorde foi obtido entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2012, período em que a Receita Federal apurou R$ 1,005 trilhão. Janeiro foi também um mês histórico para a arrecadação de tributos federais. Houve um crescimento nominal de 12,6% sobre janeiro de 2011.

A arrecadação de tributos federais em janeiro também bateu recorde histórico mensal e somou R$ 102,579  bi. O resultado é 12,64% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, pelos dados da Receita Federal. Chamam atenção as contribuições previdenciárias ao INSS: o primeiro mês de 2012 registrou R$ 23,693 bi, com alta real de 7,23% sobre janeiro de 2011.

Outras fontes, como royalties de petróleo, também crescem. Em janeiro somaram R$ 5,555 bi, um aumento de 34,6% sobre o mesmo mês do ano passado. Já o IOF, que foi elevado pelo governo como forma de controlar o excesso de capital que entra no país, registrou alta de 16,5% na arrecadação mensal.

Receitas extraordinárias

A tendência de maior arrecadação é reforçada, também, pelas chamadas “receitas extraordinárias”, que em janeiro, somaram R$ 4,5 bi. Entre elas, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de bebidas e veículos;  Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em derivativos financeiros; além de antecipação de ajuste de Imposto de Renda (IR) e contribuições previdenciárias das empresas, relativas ao último trimestre de 2011.

Avaliando todos esses números, acredito que a arrecadação acompanhe o crescimento econômico e seja resultado, ainda, das medidas adotadas pelo governo. Entre elas, o aumento de IOF, uma maior fiscalização por parte da Receita, um crescimento das importações...

Em 2012 a União deve arrecadar entre 4,5% e 5% a mais, calcula o governo. É uma taxa menor que os tradicionais 10% ao ano de crescimento registrados no passado. Mas tudo isso, de maneira geral, está dentro do esperado. Menor crescimento, menor arrecadação. Ainda assim, suficiente para garantir os investimentos, gastos sociais e superávit, enquanto a taxa Selic não cai mais ainda.

Previdência

Chama a atenção o crescimento da arrecadação da Previdência com o crescimento do emprego e, agora, do salário mínimo, que contribui para manter o déficit em queda.

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Grande Mídia dos EUA adota posição única e apóia guerra contra o Irã!

Paul Craig Roberts: Silenciar os críticos - do Vermelho

Em 2010, o FBI invadiu a casa de ativistas pela paz em vários estados e apreendeu bens pessoais, no que chamou (e tendo orquestrado falsos “grupos terroristas”) de investigação de “atividades relacionadas com o apoio ao terrorismo”.

Paul Craig Roberts*

Os que protestavam contra a guerra foram intimados a depor perante um júri, enquanto a acusação fabricava o argumento de que a oposição às guerras de agressão de Washington representa apoiar e encobrir terroristas. O objetivo destas buscas e intimações era refrear e desmobilizar o movimento anti-guerra.

Na semana passada, de uma assentada, os últimos dois críticos do imperialismo de Washington / Tel Aviv foram eliminados dos grandes meios de comunicação social. O popular programa de Andrew Napolitano, Freedom Watch, foi cancelado pelo canal Fox, e Pat Buchanan foi despedido da MSNBC. Ambos especialistas tinham muitos espectadores e eram apreciados por falarem com franqueza.

Muitos suspeitam de que Israel usou a sua influência junto dos anunciantes da TV para silenciar os que criticam os esforços do governo israelita para levar Washington para a guerra com o Irã. A questão é que a voz dos grandes meios de comunicação é agora uniforme. Os norte-americanos ouvem uma voz, uma mensagem, e a mensagem é propaganda. A dissidência é tolerada apenas em assuntos como, por exemplo, saber se os cuidados de saúde a cargo dos empregadores deverão incluir contraceptivos. Os direitos constitucionais foram substituídos por direitos a preservativos grátis.

Os média ocidentais demonizam aqueles a quem Washington aponta o dedo. As mentiras chovem para justificar a agressão de Washington: os Talibã são misturados com a Al-Qaeda, Sadam Hussein tem armas de destruição massiva, Kadhafi é um terrorista e, ainda pior, dava Viagra aos seus soldados para que violassem as mulheres líbias.

O Presidente Obama e membros do Congresso, ao lado de Tel Aviv, continuam a afirmar que o Irã está a construir uma arma nuclear, apesar de terem sido publicamente desmentidos pelo Secretário de Estado da Defesa dos EUA, Leon Panetta, e pelo relatório dos Serviços Secretos da CIA.


 De acordo com relatórios noticiosos, o chefe do Pentágono, Leon Panetta, disse aos membros da Câmara dos Representantes, a 16 de Fevereiro, que “Teerã não tomou uma decisão quanto a prosseguir com o desenvolvimento de uma arma nuclear” (ver aqui).

No entanto, em Washington, os fatos não contam. Apenas os interesses materiais de poderosos grupos de interesse têm importância.

Neste momento, o ministério da verdade [1] norte-americano divide o seu tempo entre mentiras relativas ao Irã e à Síria. Houve recentemente algumas explosões na longínqua Tailândia e o Irã foi responsabilizado por isso. Em outubro passado, o FBI anunciou a descoberta de uma conspiração iraniana para pagar a um vendedor de carros usados mexicano que teria contratado traficantes de droga mexicanos para matar o embaixador da Arábia Saudita nos EUA.

O imbecil que falava pela Casa Branca afirmou acreditar nesta inacreditável conspiração e declarou ter “fortes evidências”, mas nenhuma foi divulgada. O objetivo do anúncio desta conspiração foi justificar as sanções de Obama, que representam um embargo (um ato de guerra) contra o Irã pelo desenvolvimento de energia atômica.

Como um dos signatários do Tratado de Não-proliferação Nuclear, o Irã tem o direito de desenvolver energia nuclear. Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estão permanentemente no Irã e nunca reportaram qualquer desvio de material nuclear para um programa de armas.

Por outras palavras, de acordo com os relatórios da AIEA, o relatório dos Serviços Secretos e o atual Secretário de Estado da Defesa, não há evidência de que o Irão tenha armas nucleares ou de que esteja a fabricá-las. No entanto, Obama impôs sanções ao Irã quando a própria CIA e o seu próprio Secretário de Estado da Defesa, em simultâneo com a AIEA, reportaram que não existe base para as sanções.

A ideia de que os EUA são uma democracia, não tendo, em absoluto, uma imprensa que funcione como um observador atento é risível. Mas os média não se estão a rir. Estão a mentir. Tal como o Governo, cada vez que os grandes meios de comunicação abrem a boca ou escrevem uma palavra, estão a mentir. De fato, os grandes senhores corporativos pagam aos seus empregados para mentir. É esse o seu trabalho. Se disserem a verdade, passam à história, como foi o caso de Buchanan e Napolitano e Helen Thomas.

O ministério da verdade chama “manifestantes pacíficos brutalizados pelo exército de Assad” ao que são, na verdade, rebeldes armados e financiados por Washington. Washington fomentou uma guerra civil. Reclama a intenção de salvar o povo sírio, vítima de opressão e maus-tratos, de Assad, tanto quanto salvou o povo Líbio, vítima de opressão e maus-tratos, de Kadhafi. Hoje, a Líbia “libertada” é uma imagem do seu passado, aterrorizada por milícias em confronto. Graças a Obama, mais um país foi destruído.

Os relatórios de atrocidades cometidas contra civis sírios pelo exército poderão ser verdadeiros, mas provêm dos rebeldes que querem a intervenção do Ocidente para subirem ao poder. Além disso, em que diferem estas baixas civis das infligidas à civis no Bahrein pelo seu governo, apoiado pelos EUA, e cujo exército foi reforçado com tropas da Arábia Saudita? Não se ouvem protestos na imprensa ocidental quando Washington fecha os olhos às atrocidades cometidas pelos seus estados fantoches.

Em que diferem as atrocidades sírias, se forem reais, das atrocidades de Washington no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, no Iêmen, na Líbia, a Somália, em Abu Ghraib, na Prisão de Guantánamo, e em prisões secretas da CIA? Porque se mantém o ministério da verdade norte-americano em silêncio em relação a estas violações massivas dos direitos humanos e sem precedentes?

Recordem-se também os relatórios das atrocidades sérvias no Kosovo que Washington e a Alemanha usaram para justificar o bombardeamento de civis sérvios pela NATO e EUA, incluindo o consulado chinês, considerado outro dano colateral.

Treze anos mais tarde, um destacado programa de TV alemão revelou que as fotografias que despoletaram a campanha de atrocidades foram mal interpretadas e não eram fotografias de atrocidades cometidas por sérvios, mas de separatistas albaneses mortos num tiroteio entre albaneses e sérvios. As baixas sérvias não foram reveladas. (ver aqui)

O problema no conhecimento da verdade é que os media ocidentais mentem continuamente. Nas raras instâncias em que as mentiras são corrigidas, isso acontece sempre muito depois dos acontecimentos terem tido lugar e, portanto, os crimes permitidos pelos média já estão consumados.

Washington pôs a Síria em causa perante os seus fantoches da Liga Árabe, com o objetivo de isolar perante os seus congêneres, para melhor poder atacá-la. Assad evitou que Washington pusesse a Síria no caminho da destruição quando marcou um referendo nacional para 26 de Fevereiro por uma nova constituição que possa alargar a perspectiva de poder para além do Partido Baath (o partido de Assad).

Poderíamos pensar que, se Washington e o seu ministério da verdade realmente quisessem a democracia na Síria, Washington apoiaria este gesto de boa vontade por parte do partido do poder e aprovaria o referendo. Mas Washington não quer um estado democrático. Quer um estado fantoche.

A sua resposta é de que o covarde Assad enganou Washington dando passos em direção à democracia na Síria antes que Washington conseguisse esmagá-la e instalar um fantoche. Eis a resposta de Obama às medidas de Assad pela democracia: “É na verdade risível; é gozar com a revolução síria”, disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney a bordo do Air Force One.


Obama, os neoconservadores e Tel Aviv estão realmente contrariados. Se Washington e Tel Aviv conseguirem descobrir como contornar a Rússia e a China e derrubar Assad, irão julgá-lo como criminoso de guerra por propor um referendo democrático.

Assad era oftalmologista na Inglaterra até que o seu pai morreu e ele foi chamado para chefiar o conturbado governo sírio. Washington e Tel Aviv demonizaram Assad por recusar ser seu fantoche.

Outro ponto nevrálgico é a base naval russa em Tartus. Em Washington estão desesperados para expulsar os russos da sua única base no Mediterrâneo, para fazer deste um lago norte-americano. Washington, inculcada com visões neoconservadoras de domínio mundial, quer o seu próprio mare nostrum [2]

Se a União Soviética ainda existisse, os planos de Washington para Tartus seriam suicidas. Mas a Rússia é política e militarmente mais fraca que a União Soviética. Washington infiltrou-se na Rússia com organizações não-governamentais que trabalham contra os interesses da Rússia e irão perturbar as próximas eleições. Além disso, as “revoluções coloridas” [3] financiadas por Washington fizeram do que eram partes da antiga União Soviética estados fantoches de Washington. Washington não espera que a Rússia, esvaziada de ideologia comunista, prima o botão nuclear. Deste modo, a Rússia está lá para tirar proveito.

A China representa um problema mais difícil. O plano de Washington é cortar-lhe o acesso a fontes independentes de energia. O investimento chinês em petróleo no leste da Líbia é a razão pela qual Kadhafi foi derrubado e o petróleo é uma das razões fundamentais por que Washington aponta agora para o Irã. A China tem grandes investimentos em petróleo no Irã e vai buscar 20% do seu petróleo ao Irã. Vedar-lhe este acesso, ou converter o Irã num estado fantoche de Washington, ameaça 20% da economia chinesa.

A Rússia e a China levam tempo a aprender. No entanto, quando Washington e os seus fantoches na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fizeram um uso abusivo da resolução da Organizações das Nações Unidas (ONU) relativamente à zona de exclusão área na Líbia infringindo-a e transformando-a numa agressão militar contra as forças armadas líbias, que tinham todo o direito de reprimir uma rebelião apoiada pela CIA, a Rússia e a China finalmente perceberam que não podem confiar em Washington.

Desta vez, a Rússia e a China não caíram na armadilha de Washington. O seu veto no Conselho de Segurança da ONU impediu um ataque militar à Síria. Agora Washington e Tel Aviv (nem sempre é claro quem é o fantoche e quem o manipula) têm de decidir se irão prosseguir face à oposição russa e chinesa.

Os riscos para Washington multiplicaram-se. Se Washington prosseguir, a mensagem que é transmitida à Rússia e à china é que, a seguir ao Irã, chegará a sua vez. Portanto, a Rússia e a China, ambas dispondo de armas nucleares, provavelmente irão pôr o pé na linha traçada sobre o Irão. Se os loucos militaristas em Washington e Tel Aviv, com a fúria arrogante que lhes corre forte nas veias, ignorarem a oposição russa e chinesa, o risco de um confronto perigoso aumenta.

Por que razão os média norte-americanos não questionam estes riscos? Vale a pena rebentar o planeta para impedir o Irã de ter um programa de energia nuclear ou mesmo uma arma nuclear? Pensará Washington que a China ignora que aquela aponta para as suas fontes de energia? Pensará que a Rússia ignora que está a ser cercada de bases militares hostis?


Que interesses estão sendo servidos pelas guerras infinitas de Washington, que custam tantos trilhões de dólares? Certamente não os interesses de 50 milhões de norte-americanos que não têm acesso a cuidados de saúde, nem os 1 500 000 crianças sem abrigo, que vivem em carros, quartos de motéis abandonados, cidades de acampamentos e coletores de águas dos temporais no subsolo de Las Vegas, enquanto enormes somas de dinheiros públicos são usados para resgatar bancos e esbanjados em guerras pela hegemonia mundial (ver aqui).

Os EUA não têm imprensa e televisão independentes. Tem prostitutas mediáticas [4] pagas pelas mentiras que proferem. O Governo dos EUA, na prossecução dos seus fins imorais, obteve o estatuto do governo mais corrupto da história da humanidade. E, no entanto, Obama discursa como se Washington fosse a fonte da moral do homem.

O Governo dos EUA não representa os norte-americanos, representa uns poucos interesses especiais e um poder estrangeiro. Os cidadãos dos EUA não contam, e certamente não contam os do Afeganistão, Iraque, Líbia, Somália, Iêmen e Paquistão. Washington encara a verdade, a justiça e a misericórdia como valores risíveis. O dinheiro, o poder, a hegemonia, são tudo o que conta para Washington, a cidade sobre a colina, a luz das nações, o exemplo para o mundo.

Notas da tradução:

[1] Trata-se de um dos ministérios do governo imaginado por George Orwell em 1984, que se ocupa de fabricar a verdade histórica conforme as conveniências políticas do momento.


[2] Os Romanos chamavam Mare Nostrum ao Mediterrâneo.


[3] “Revoluções coloridas”: muitos meios de comunicação social têm assim designado uma série de manifestações políticas no que foi território da URSS, depois CEI, supostamente contra governos e líderes “tiranos”, acusados de serem “ditadores”, etc., desde começos da década de 2000.


[4] No original: “presstitutes”

*Paul Craig Roberts estadunidense, economista e cronista. Já foi editor e colunista do Wall Street Journal.

Fonte: O Diário.Info


Link:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=176512&id_secao=9