Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Modelo de austeridade de Merkel está em crise na Europa!

Modelo de austeridade de Merkel está em crise na Europa - da Carta Maior

As eleições na França e na Grécia, a queda do governo holandês e romeno, a recessão no Reino Unido, na Espanha e na Bélgica são sinais de um modelo econômico contra as cordas. Na reta final da campanha presidencial francesa, Angela Merkel se converteu na melhor aliada do candidato socialista François Hollande. A chanceler alemã rechaçou energicamente a proposta de Hollande de renegociar o pacto fiscal. "A Alemanha não decide o destino da Europa", respondeu Hollande. O artigo é de Marcelo Justo, direto de Londres.

Londres - A austeridade está em crise. As eleições na França e na Grécia, a queda do governo holandês e romeno, a recessão no Reino Unido, na Espanha e na Bélgica são sinais de um modelo econômico contra as cordas. 

Até o ultra-ortodoxo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, assinalou que o ajuste necessita de um plano para o crescimento. Em uma tentativa de parar uma bola de neve política antes que ela se torne incontrolável, a chanceler alemã Angela Merkel, principal impulsionadora pan-europeia do ajuste, acaba de anunciar que está sendo preparada uma “agenda de crescimento” para a cúpula de chefes de Estado e de governo europeus que ocorre em junho.

A agenda pode ser mais um exercício de relações públicas do que uma mudança significativa do rumo adotado desde que estourou a crise grega em 2010. Na última semana da campanha presidencial francesa, Angela Merkel se converteu na melhor aliada do candidato socialista François Hollande. 

A chanceler alemã rechaçou energicamente a proposta de Hollande de renegociar o pacto fiscal assinado no final do ano passado por 25 dos 27 membros da União Europeia (UE). 

Em um país com forte orgulho nacional, a declaração de Merkel foi como um maná celestial para o candidato socialista. “A Alemanha não decide o destino da Europa”, disse Hollande à televisão francesa.

Com essa turbulência no eixo franco-alemão, pilar da eurozona, governos conservadores, mas com a corda no pescoço, como o de Mariano Rajoy na Espanha, ou o do tecnocrata Mario Monti, na Italia, começam a se inclinar mais na direção da Hollande do que da intransigência de Merkel. Com um desemprego recorde (24,4%, mais de 5 milhões e meio de pessoas) e uma nova crise bancária em gestação, o respaldo eleitoral que Rajoy obteve nas eleições de novembro está se evaporando a uma velocidade supersônica. 

A contínua mensagem de austeridade da União Europeia, que não esperou que terminassem as celebrações de sua vitória, é contraproducente. Além de colocar em dúvida a vontade política de levar adiante o ajuste, evapora a possibilidade de falar de crescimento.

No último trimestre do ano passado, a eurozona entrou tecnicamente em recessão e a projeção é que 2012 será um ano de crescimento econômico negativo. A camisa de força do euro não ajuda, mas estar fora da eurozona tampouco é uma garantia. 

O caso britânico é um exemplo. A economia começava a emergir da crise de 2008 graças ao programa de estímulo econômico trabalhista que a coalizão de Cameron reverteu ao tomar o poder em maio de 2010. O respirador keynesiano sustentou a frágil recuperação até princípios do ano passado, mas a partir de então, as demissões, o aumento de impostos e os congelamentos salariais começaram a erodir toda possibilidade de crescimento.

Na última quarta-feira, os dados oficiais confirmaram que tecnicamente o Reino Unido entrou em recessão. O déficit fiscal baixou de 11% em 2010 para 8,3% no ano passado, mas em março, começou a se desenhar a tendência contrária: com a queda da arrecadação fiscal, o governo está começando a pedir emprestado mais do que havia planejado.

Enquanto isso, a Europa começa a fazer água politicamente por todas as partes. Na Romênia o governo caiu na sexta-feira quando a oposição capitalizou uma onda de protestos populares contra o ajuste. Na República Checa, o governo de centro-direita de Petr Necas está nas cordas pelo mesmo motivo. 

Na Grécia, há cada vez mais indicações de que as eleições do próximo fim de semana deixarão um parlamento fragmentado com crescente presença de um partido de ultradireita que propõe minar as fronteiras para evitar uma invasão e uma importante presença de forças de esquerda: o rechaço à austeridade será muito amplo. A eleição grega deveria preparar o caminho para os fundos da União Europeia: o parlamento grego não aprovar o plano seria como desconectar o respirador artificial que mantém a Grécia no euro.

Em todos os países está aparecendo essa tendência favorável à políticos fora do establishment à direita e à esquerda. A importante votação de Marie Le Pen (17,9%) e do ex-trotskista Jean-Luc Melenchon (11%) no primeiro turno francês é um exemplo disso. Nas eleições municipais da Itália de 6 e 7 de maio, uma recente pesquisa deu 7,5% das intenções de voto ao humorista Iuseppe “Beppe” Grillo. 

No Reino Unido, a última pesquisa mostra a pior perda de apoio do primeiro ministro David Cameron em oito anos e um importante aumento de apoio ao antieuropeísmo do Partido do Reino Unido. Na Áustria, o partido de extrema-direita Liberdade encontra-se na crista da onda da popularidade graças a sua política antiimigratória. Outro partido de direita que também se denomina Liberdade provocou a queda do governo na Holanda. Com as nuvens econômicas que dominam o horizonte, pode-se dizer que o baile apenas começou.

Tradução: Katarina Peixoto

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Voto da classe operária migrou do PC para Frente Nacional, diz analista!

Voto da classe operária migrou do PC para Frente Nacional, diz analista - do Opera Mundi

Apesar do crescimento de Jean-Luc Mélenchon, ainda falta muito para esquerda recuperar espaço da década de 1960
 

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O sociólogo Michel Simon, professor honorário da Universidade de Lille 1, estuda desde 1962 as relações entre a classe operária e a política.

Nesta entrevista ao Opera Mundi, ele explica que em quase cinquenta anos o operariado francês passou de um alto percentual de eleitores do Partido Comunista para uma preferência marcada pela extrema-direita. Uma tendência que, segundo ele, poderá sofrer mudanças nessas eleições, com a notável progressão do candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon.
Segundo o especialista, a frustração com o governo Sarkozy fez boa parte dos eleitores das camadas mais populares simplesmente ignorarem o jogo eleitoral, caindo nos braços do discurso antipolítico da extrema-direita representada por Marine Le Pen, da Frente Nacional.

Leia mais:

Distante dos favoritos, voto popular oscila entre esquerda e extrema direita na França
* * *
Quais são as características do voto operário?

O grupo operário continua a ser importante, eles são seis milhões de pessoas e cerca de 23% da população ativa. Esse grupo nunca foi homogêneo do ponto de vista político. Em 1962, se 43% dos operários inscritos nas listas eleitorais votavam na esquerda, dos quais 28% no Partido Comunista, em compensação 31% votavam na direita. De acordo com os dados de que dispomos, o Partido Comunista nunca teve a maioria absoluta dos votos dos operários.

Como o voto operário evoluiu na França nas últimas décadas?

As pesquisas que realizei com Guy Michelat desde 1962 permitem distinguir três grandes etapas.

Entre 1978 e 1985, o Partido Comunista perde grande parte de seus eleitores para o Partido Socialista. Nas eleições presidenciais de 1988, após dois anos de governo Chirac, o alinhamento à esquerda dos operários é o mais elevado que já tivemos.

A segunda ruptura foi nas eleições legislativas de 1993. Desta vez é o voto de esquerda que desaba, devido à redução do voto socialista e ao aumento da abstenção. Desde então, o voto de esquerda dos operários tende a ser cada vez mais parecido com os dos outros assalariados. Um outro aspecto das eleições de 1993 é a ascensão da Frente Nacional na classe operária, em detrimento da direita tradicional.

A terceira etapa é a eleição presidencial de 2007, na qual a participação é muito alta. A direita progride em todas as categorias sociais, inclusive entre os operários. Se as reticências dos operários em votar na direita não desapareceram, elas diminuíram consideravelmente. Em conclusão, o voto operário se deslocou para a direita do espectro político.

Não que os operários tenham se tornado a força decisiva sobre a qual se apóia Nicolas Sarkozy, mas porque tendo partido de um alto percentual de votos à esquerda, eles hoje votam às vezes menos à esquerda que os executivos e as profissões intelectuais superiores, as profissões intermediárias e os empregados.

Qual é o contexto no qual Marine Le Pen alcançou tanto sucesso junto ao eleitorado operário?

Em nosso estudo de junho de 2010, constatamos um aumento espetacular do sentimento de viver pior do que antes e de um antiliberalismo com conotações anticapitalistas. Também registramos uma rejeição veemente em relação aos políticos e ao próprio sistema político. Esse conjunto de atitudes afeta todas as categorias sociais, inclusive os executivos e as profissões intelectuais superiores.

Mas ele é mais comum nas categorias populares e no grupo dos operários. Foi nesse contexto que a Frente Nacional conseguiu captar uma parte do amargor, da revolta e do sentimento de abandono. É interessante notar que a Frente Nacional prospera essencialmente na França operária, nas regiões Leste e Nordeste do país, as mais atingidas pelas transferências de indústrias e o desemprego.
 
O que seduz os operários no discurso da Frente Nacional?

Historicamente, Jean-Marie Le Pen focalizou seu discurso de forma essencial na xenofobia e no racismo, e até mesmo no negacionismo. Ao mesmo tempo, ele relacionava todas as dificuldades – desemprego, insegurança etc – à “invasão” da França pelos estrangeiros, com isso exonerando a reduzida oligarquia que controla a economia e se apropria de uma parte crescente dos frutos.

Reconhecemos aí uma síntese ideológica que já se mostrou eficaz em outros tempos, no momento da conquista do poder por Mussolini e sobretudo por Hitler. Marine Le Pen tentou incorporar mais os temas do poder aquisitivo e da injustiça social.

Pode-se dizer que os atuais simpatizantes da Frente Nacional têm pontos em comum com a esquerda, representada por Jean-Luc Mélenchon ?

Dizer que os eleitores de Le Pen, incluindo os operários, são anticapitalistas é uma pura lenda. Eles são apenas um pouco menos favoráveis ao liberalismo econômico que os eleitores da direita clássica, e não são menos hostis aos movimentos sociais que questionam a ordem estabelecida. Nisso eles estão no extremo oposto dos simpatizantes da Frente de Esquerda.

Os dois grupos compartilham certas preocupações sociais e a rejeição do atual sistema político. Mas no que diz respeito às causas e às soluções, a oposição é total. Quando se classificam os grupos de simpatizantes ou eleitores em ordem crescente de xenofobia e autoritarismo, no nível mais baixo estão os simpatizantes da Frente de Esquerda, seguidos de perto pelos do PS e, no nível mais elevado, os simpatizantes de Sarkozy e, de maneira ainda mais maciça, da Frente Nacional.

Sem uma grande hostilidade aos imigrantes, a simpatia pela Frente Nacional é marginal ou nula.

O que há de novo nesta campanha eleitoral?

Entre os operários, havíamos constatado uma tendência a se colocar fora do jogo político e se abster de votar e, quando votavam, a escolher sobretudo Marine Le Pen. Certos observadores haviam concluído que existe uma vocação das classes populares de ir para os extremos, e sobretudo a extrema-direita.

Atualmente, a irrupção da Frente de Esquerda e de seu candidato constitui uma das principais novidades desta campanha.

No início, Jean-Luc Mélenchon estava muito melhor colocado nas categorias superiores e sobretudo intermediárias que entre os operários. Mas é nesta última categoria que ele parece estar registrando seus progressos mais nítidos, disputando o terreno da Frente Nacional, que no entanto conserva uma forte preferência entre eles.

Há certa inversão de tendência que faz pensar que entramos em uma nova fase desde 2008. Será preciso esperar o dia 22 de abril para avaliar a pertinência dessa hipótese e medir o tamanho das evoluções. Mas, de qualquer maneira, nunca retornaremos à situação dos anos 1960.

Link:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/entrevistas/21292/voto+da+classe+operaria+migrou+do+pc+para+frente+nacional+diz+analista.shtml

Serra deu R$ 34 milhões à Editora Abril!

Serra deu R$ 34 milhões à Editora Abril- por Altamiro Borges

Do portal R7:
Um levantamento feito junto ao Diário Oficial do Estado de São Paulo mostra que o ex-governador José Serra, quando ocupava o cargo, pagou cerca de R$ 34 milhões ao longo de um ano ao Grupo Abril, responsável pela publicação da revista Veja.


A pesquisa feita pelo jornalista Altamiro Borges em 2010, no jornal Correio do Brasil, revela que o dinheiro era transferido do governo paulista para o grupo por causa da assinaturas de revistas.

Parte do dinheiro foi destinado para a compra de cerca de 25% da tiragem da Nova Escola e injetou alguns milhões nos cofres de Roberto Civita, o empresário que controla a Editora Abril.

Além disso, na época, o tucano também apresentou proposta curricular que obrigava a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições do Guia do Estudante, outra publicação do grupo.

Depois de vários contatos, o R7 aguardava o retorno prometido pelos assessores do ex-governador.

Caso Cachoeira e a Veja

Nesta semana, gravações feitas pela Polícia Federal, à qual o R7 teve acesso, mostraram que Cláudio Abreu , ex-diretor da Delta Construções, deu orientações a um dos redatores-chefes da revista Veja, Policarpo Júnior, para produção de uma reportagem sobre Agnelo Queiroz (PT-DF).

Dias antes, foi publicada uma denúncia sobre a atuação do governador na operação Caixa de Pandora, que derrubou o antecessor e rival José Arruda (ex-DEM). Aparentemente, o grupo de Cachoeira tentava abastecer a revista com informações que interessavam a seus negócios.

Entre o dia 29 e 30 de janeiro, membros do grupo discutiram a repercussão da matéria e usaram a história para pressionar o governo pelo cumprimento de uma promessa não identificada pelo inquérito da PF.

Recentemente, Serra, atual pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, anunciou o jornalista Fábio Portela, ex-editor de Brasil da revista Veja, como coordenador de imprensa de sua campanha.
 




PSDB e o seu 'núcleo sindical' mobilizado pelos patrões!

  1º DE MAIO: A GÊNESE DO PELEGUISMO  - da Carta Maior

"Cada patrão mandou dez funcionários para cá. A gente tem que ficar até o fim [do evento] e levar o comprovante de que veio, para não descontar o dia de trabalho" .

A confidência foi feita por um dos participantes do primeiro congresso do "núcleo sindical" do PSDB, realizado em São Paulo, na última sexta-feira, conforme relato da Folha (28-04).

Uma espécie de avant-première do 1º de Maio, o encontro liberou caciques tucanos para o feriadão prolongado com a consciência do dever cumprido. A lotação proletária foi assegurada pelo engajamento natural das bases: donos de construtoras e empreiteiras que prestam serviços ao Estado convocaram seus trabalhadores à luta, com direito a sanduíche de queijo, suco, biscoito e maçã.

Mediante comprovante de comparecimento, a militância teria  o  dia abonado trocando o saco de cimento pela faiscante oratória tucana. Cada empresa foi convocada a encaminhar pelos menos dez operários ao meeting. 

Serra nem gaguejou ao afirmar aos presentes que a relação do PSDB com sindicatos 'não é novidade'; em seguida, pediu apoio à candidatura a prefeito de SP.

"Temos nossa primeira tarefa: mobilizar nossos sindicalistas para a campanha eleitoral deste ano", disse o ex-governador com indisfarçável mal humor diante do rival  Aécio Neves (leia mais aqui : 'Por que Serra está nervoso?').

Alckmin foi de longe o mais combativo; sapecou um  'companheiros e companheiras' na saudação e arrematou com a frase cuja autenticidade sintetiza a de todo o evento: "O PSDB é um partido que dá prevalência ao trabalho sobre o capital".
(Carta Maior; 2ª feira/30/04/2012)

Documentos revelam que Kadafi teria financiado campanha de Sarkozy em 2007!

Documentos revelam que Kadafi teria financiado campanha de Sarkozy em 2007 - do Opera Mundi

O presidente francês chamou as suspeitas de "infâmia" e acusou o adversário François Hollande de ter plantado a denúncia

O site francês de notícias Mediapart publicou neste sábado (28/04) um documento assinado por uma antiga autoridade líbia que indica que o governo de Muamar Kadafi havia aceitado, em 2006, financiar em cerca de "50 milhões de euros" a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2007.

Kadafi foi assassinado em outubro de 2011 durante a tomada de sua cidade natal, Sirte, no norte da Líbia, meses após uma coalizão liderada pela França, com participação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ter dado apoio militar e financeiro a oposicionistas líbios.
No documento, redigido em árabe, Mussa Kussa, ex-chefe de inteligência externa da Líbia, fala de um "acordo de princípio" para "apoiar a campanha eleitoral do candidato às eleições presidenciais, Nicolas Sarkozy, pela quantia de cinquenta milhões de euros".  O presidente francês e candidato à reeleição chamou neste domingo (29/04) de "infâmia" as acusações e disse que foram elaboradas "pela oficina de amigos ricos de François Hollande", seu adversário nas eleições.

"Quando penso que existem jornalistas que se atrevem a dar crédito ao que disse o filho de Kadafi e seus serviços secretos (...) É uma vergonha que me façam essa pergunta", disse. "A guerra na Líbia durou oito meses. Quem lutou nessa guerra? Quem liderava a coalizão para derrubar Kadafi? A França... Talvez eu tenha sido o motor para isso", continuou.

Traduzido do árabe pela Mediapart,  o documento mostra que Kussa confirma um "acordo de princípio" relativo a "instruções transmitidas pelo gabinete de representação do comitê popular general relativas à aprovação do apoio à campanha eleitoral do candidato às eleições presidenciais, Nicolas Sarkozy, com uma quantia de cinquenta milhões de euros". Kussa foi ministro das Relações Exteriores de Kadafi, antes de desertar e ir para a Europa.

Kussa acrescenta que esse acordo ocorreu depois do "da reunião realizada em 6/10/2006, da qual participaram, do nosso lado, o diretor dos serviços de informação líbios (Abdullah Senussi) e o presidente do Fundo Líbio de Investimentos Africanos (Bashir Saleh), e, do lado francês, o senhor Brice Hortefeux e o senhor Ziad Takieddine".

Amigo próximo de Sarkozy, Hortefeux foi ministro de 2007 a 2011, tendo ocupado principalmente a pasta do Interior. O advogado do empresário franco-libanês Ziad Takieddine, citado pela Mediapart, afirmou que seu cliente "não estava presente na reunião indicada no documento", mas que "acredita que esse documento seja confiável, tendo em vista a data e as pessoas citadas".

* Com informações da Agência France Presse, RFI e Efe

Link:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/21516/documentos+revelam+que+kadafi+teria+financiado+campanha+de+sarkozy+em+2007.shtml

Direita neoliberal troglodita foi contra a criação do 13o. Salário!

O neoliberal não é liberal. E menos ainda é novo - por Fernando Brito, do Tijolaço



Uma notinha, na seção “Há 50 anos” do jornal O Globo, que não escapou ao ao olhar atentíssimo do  amigo Ápio Gomes, mostra com,o não há nada de novo na cantilena de que os direitos sociais dos trabalhadores inviabilizam a competitividade das empresas brasileiras.

Há 50 anos, portanto, o Congresso aprovava e o presidente trabalhista João Goulart sancionava um benefício que se incorporou á vida brasileira e não provocou nenhum “desastre” como previa Eugênio Gudin, então a fina flor do reacionarismo econômico de então.

Como os que arranjaram a cobertura dos militares para derrubar Jango do Ministério do Trabalho, em 1953,  por defender a elevação do salário mínimo, esta gente acha, há muito mais do que 50 anos, que o problema da economia é mesmo o trabalhador.

Se bobear, até a Princesa Isabel entra na  lista dos “populistas”.

Link:
 
http://www.tijolaco.com/o-neoliberal-nao-e-liberal-e-menos-ainda-e-novo/

O efeito dominó da crise na Europa - por Zé Dirceu!

O efeito dominó da crise na Europa - por Zé Dirceu
Publicado em 28-Abr-2012
 
Agora que a crise política decorrente da econômica e social fustigou a Romênia e derrubou seu governo, o que se constata é que a turbulência não poupa ninguém. Países europeus ricos e pobres  entraram todos no mesmo barco e navegam em mares revoltos na mesma situação.E a direita corre sérios risco de ser varrida d governos no Velho Continente.

Esta semana escrevi aqui que nada indica que Nicolas Sarkozy consiga reverter o favoritismo de François Hollande, do PS e continue presidente depois da eleição de domingo que vem; e que o britânico de David Cameron, com a Inglaterra mergulhada em recessão pode ir contando os dias para ir pegando o caminho de casa.

Mostre, também, que os dias do governo Mário Conti na Itália, já estão contados; e que Mariano Rajoy, na Espanha, apenas seis meses após tomar posse também degringolou nas pesquisas e nada indica que seu governo tenha futuro.

Na Espanha, aliás, anuncia-se agora  no fim de semana que a taxa de desemprego é o dobro da taxa na zona do euro. Pior, os jovens com idades entre 16 e 24 anos são os mais afetados, com uma taxa de desemprego de 52,01%, ainda mais alta que os 48,6% registrados no trimestre anterior.

A Espanha supera, assim, em muitos pontos a média de desemprego da UE, que é de 10,2% - 10,8% nos países da zona do euro -, segundo os últimos dados do escritório de estatística europeu, a Eurostat, divulgados dia 2 deste mês. Na Europa, o país é seguido pela Grécia, onde o desemprego é de 21%, e Portugal, que tem índice de 15%.

Leiam, também, o post abaixo, sobre a crise na Europa. 


Mais um governo europeu é derrubado pelo sisma econômico - por Zé Dirceu
Publicado em 28-Abr-2012
 
Mais um governo balançou, balançou e caiu no Velho continente,vítima da crise econômica que não melhora nem acaba nunca. Só que agora no lado dos pobres: na Romênia, o 2º mais pobre país da Europa.

Nesta 6ª feira o líder da oposição de esquerda em Bucareste, Victor Ponta, o mais jovem deputado do país (39) foi nomeado primeiro-ministro pelo presidente Traian Basescu, após a queda de um governo de centro-direita que havia sido empossado há apenas dois meses.

Victor Ponta terá 10 dias para formar um novo governo a ser aprovado pelo Parlamento. Seu mandato de transição durará até novembro, quando a Romênia terá eleições parlamentares. A União Liberal Social (USL), uma pequena e frágil aliança de esquerda, tem mais de 50% de apoio nas pesquisas de opinião e deve ganhar essa eleição parlamentar no final do ano.

A queda do gabinete na Romênia,junto com a de outro governo de direita ocorrida esta semana, o da Holanda, mais a situação de instabilidade do governo da República Tcheca realça a insatisfação do povo europeu com o aperto nas contas até mesmo em países que não fazem parte da zona do euro assolada em dívidas.

A Romênia, por exemplo, cortou salários e elevou o imposto sobre vendas para colocar a economia em bases mais sólidas, mas estes planos de austeridade terminaram como um obstáculo para a recuperação econômica e o  governo caiu.

Link:

http://www.zedirceu.com.br//index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=1&Itemid=106

Chávez ganharia eleição com 66% dos votos, revela pesquisa!

Chávez ganharia eleição com 66% dos votos, revela pesquisa - do Opera Mundi

O atual presidente venezuelano enfrentará o governador de Miranda, Henrique Capriles, em outubro desse ano

O presidente venezuelano Hugo Chávez ganharia as eleições de 7 de outubro com 66% dos votos válidos, em um cenário polarizado, indicam os resultados da pesquisa do Centro de Medição e Interpretação de Dados Estatísticos 50.1 (CMIDE 50.1), realizada de 9 a 15 de abril em todo o país, anunciou neste domingo (29/04) o jornalista José Vicente Rangel.

Segundo a sondagem , Chávez tem a intenção de voto de 57,3% do universo pesquisado, contra 25,8% de Henrique Capriles; 16,9% responderam que não sabem. Ao todo, 1.300 acima de 18 anos foram entrevistadas no país.

Diante da pergunta "Você crê que Henrique Capriles ganhará as eleições em 7 de outubro?", 70,7% afirmam que não creem, contra apenas 17,7%; 11,6% dizem que não sabem. Já a questão sobre quem acredita que, como presidente da República, garantiria a paz e a estabilidade no país, Chávez figura com 72,8% e Capriles com 18,7%, ao tempo em que 8,5% dizem que não sabem.

Sobre a gestão do atual governo, 79,5% qualificam como positiva (muito boa, boa, regular a boa) e 18,2% consideram negativa, enquanto que 2,3% não sabem.

Segundo Rangel, 39% dos que manifestam intenção de voto em Capriles não acreditam que ele ganhará as eleições. Outro dado relevante é que 89% dos que manifestam a intenção de voto a favor de Chávez nos chamados estratos A e B creem que o chefe de Estado é garantia de paz e estabilidade no país.

Na faixa etária entre 25 e 49 anos, (segmento que representa 55% da categoria de 18 anos ou mais) 78,6% crê que Chávez é maior garantia de paz e estabilidade.
* Com informações da Agência Venezuelana de Notícias e Prensa Latina

Link:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/21526/chavez+ganharia+eleicao+com+66%25+dos+votos+revela+pesquisa.shtml

sábado, 28 de abril de 2012

A íntegra do inquérito contra Demóstenes!

A íntegra do inquérito contra Demóstenes! 


Site 'brasil 247' (http://brasil247.com/) divulga a íntegra do documento com diálogos reveladores sobre a parceria entre o bicheiro, o senador, governos e veículos do dispositivo midiátitco demotucano, sobretudo a revista 'VEJA' 
Provas explícitas de conluio e conspiração contra lideranças do PT 

Argentina em festa:  150 mil pessoas  festejam com Cristina Kirchner a renacionalização da YPF  em Buenos Aires e lembram os 9 anos da morte de Nestor Kirchner 

Vitória ruralista: o código de um grupo contra toda a sociedade (leia mais aqui) 

Espanha afogada em desemprego: país tem recorde de 5,6 milhões de desempregados e o governo do PP anuncia mais impostos para cumprir as metas de arrocho fiscal**  

Urnas  X austeridade: recessão e crise social implodem o euro e criam um apartheid entre a prosperidade germânica e a periferia** 

Três pesquisas dão vitória a Hollande em 6 de maio, com 55% dos votos** Sarkozy esfarela nos braços da extrema-direita. 



Links:

  
Íntegra do Inquérito contra Demóstenes Torres, 'o Santo Ético' da Direitalha neonazista tupiniquim:
 
http://brasil247.com/
 
http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1&home=S
 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

De volta pra casa: economia atrai brasileiros do exterior!

De volta pra casa: economia atrai brasileiros do exterior - do Vermelho

O despenho da economia do Brasil diante da crise financeira que teve início em 2008 trouxe de volta brasileiros que moravam fora do país. A constatação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta sexta-feira (27) os dados consolidados do Censo 2010. Muitos estrangeiros também optaram pelo país que sediará a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016.




De olho no Brasil: Mais da metade das pessoas que retornaram ao país, em 2010, são brasileiros / foto: passagensaereas.com


A pesquisa do IBGE mostra que, em 2010, 286,5 mil “imigrantes internacionais” (onde se enquadra estrangeiros e brasileiros que chegam ao Brasil), que tinham passado os últimos cinco anos fora do país, voltaram. Isso representa um crescimento de 86,7% em relação aos dados de 2000, quando o total desses imigrantes foi de 143,6 mil.

Da população que chegou no país em 2010, os brasileiros representaram mais da metade, com 174,6 mil pessoas(65%). É o dobro do retorno identificado na pesquisa anterior (87,9 mil).

Novas correntes de imigração


O coordenador da pesquisa, Luiz Antônio Oliveira, explica que a situação econômica do Brasil e as dificuldades financeiras de outros países impulsionaram a volta de brasileiros e a formação de "correntes novas de migração".

"Há uma situação difícil no Japão e sobretudo na Europa, mas por outro lado oportunidades mais claras no Brasil", analisou Oliveira.

De acordo com o levantamento do instituto, os principais destinos dos imigrantes no Brasil em 2010 foram São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

Já a origem de quem veio ao país, as principais foram os Estados Unidos (51,9 mil imigrantes), o Japão (41,4 mil), o Paraguai (24,7 mil) e Portugal (21,4 mil). Na década anterior, o Paraguai e o Japão apareciam antes dos norte-americanos, seguidos pela Argentina e pela Bolívia.

Com Agência Brasil

Link:

 http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=181895&id_secao=1

Marcio Pochmann: Há uma nova classe média surgindo no Brasil?

Há uma nova classe média surgindo no Brasil? - da Carta Maior

Em novo livro, Marcio Pochmann sustenta que o resgate da condição de pobreza e o aumento do padrão de consumo não tiram por si só a maioria da população emergente da classe trabalhadora. Para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é preciso a politização classista desse fenômeno para aprofundar a transformação da estrutura social, sem a qual a massa popular em emergência ganha um caráter predominantemente mercadológico, individualista e conformista sobre a natureza e a dinâmica das mudanças socioeconômicas no Brasil.

São Paulo - O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann está lançando, pela Boitempo, um estudo sobre a mobilidade na base da pirâmide social brasileira durante o início do século XXI. Nova classe média? analisa as recentes transformações na sociedade e refuta a idéia de surgimento de uma nova classe no País, muito menos a de uma nova classe média.

O resgate da condição de pobreza e o aumento do padrão de consumo, afirma Pochmann, não tiram a maioria da população emergente da classe trabalhadora. Para ele é preciso a politização classista do fenômeno para aprofundar a transformação da estrutura social, sem a qual a massa popular em emergência ganha um caráter predominantemente mercadológico, individualista e conformista sobre a natureza e a dinâmica das mudanças socioeconômicas no Brasil.

Pochmann faz nesse livro “uma reflexão sobre transformações recentes ocorridas no país, com a volta do crescimento econômico, e as características das ocupações e das relações de trabalho na base da pirâmide social. E em cada um dos capítulos, defende pontos de vistas que não são consensuais entre os especialistas, o que torna ainda mais importante a sua leitura”, afirma José Dari Krein, professor do Instituto de Economia da Unicamp e autor do texto de orelha.

Em contraposição à visão predominante, que busca explicar o atual processo pela emergência de uma nova classe média, o livro mostra que, apesar dos avanços recentes, a dinâmica das ocupações e do rendimento requer algo mais do que a inserção das pessoas no mercado de consumo.

A análise dos dados mais recentes mostra que a melhora dos indicadores na distribuição da renda do trabalho e de seu aumento na participação da riqueza gerada concentra-se, fundamentalmente, na base da pirâmide social, o que revela também os seus limites.

O economista aponta que no Brasil as ocupações formais cresceram fortemente durante a primeira década de 2000, especialmente nos setores que têm uma remuneração muito próxima ao salário mínimo: 94% das vagas criadas entre 2004 e 2010 foram de até 1,5 salário mínimo. Juntamente com as políticas de apoio às rendas na base da pirâmide social brasileira, como elevação do valor real do salário mínimo e massificação da transferência de renda, houve o fortalecimento das classes populares assentadas no trabalho.

“O adicional de ocupados na base da pirâmide social reforçou o contingente da classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média. Talvez não seja bem um mero equívoco conceitual, mas expressão da disputa que se instala em torno da concepção e condução das políticas públicas atuais”, sugere Pochmann na apresentação do livro.

Nesse sentido, o autor aponta o fortalecimento dos planos privados de saúde, educação, assistência e previdência, entre outros, como consequência de uma reorientação das políticas públicas para a perspectiva fundamentalmente mercantil, baseada na interpretação da classe média (nova). Com isso, recoloca-se a necessidade de construir serviços públicos de qualidades e de uma efetiva estruturação do mercado de trabalho (emprego de qualidade e protegido) em nosso país, aspectos decisivos para enfrentar a precariedade no setor.

Trecho da apresentação
“Mesmo com o contido nível educacional e a limitada experiência profissional, as novas ocupações de serviços, absorvedoras de enormes massas humanas resgatadas da condição de pobreza, permitem inegável ascensão social, embora ainda distante de qualquer configuração que não a da classe trabalhadora. Seja pelo nível de rendimento, seja pelo tipo de ocupação, seja pelo perfil e atributos pessoais, o grosso da população emergente não se encaixa em critérios sérios e objetivos que possam ser claramente identificados como classe média.

Associam-se, sim, às características gerais das classes populares, que, por elevar o rendimento, ampliam imediatamente o padrão de consumo. Não há, nesse sentido, qualquer novidade, pois se trata de um fenômeno comum, uma vez que trabalhador não poupa, e sim gasta tudo o que ganha. Em grande medida, o segmento das classes populares em emergência apresenta-se despolitizado, individualista e aparentemente racional à medida que busca estabelecer a sociabilidade capitalista.

(...) Percebe-se sinteticamente que a despolitizadora emergência de segmentos novos na base da pirâmide social resulta do despreparo de instituições democráticas atualmente existentes para envolver e canalizar ações de interesses para a classe trabalhadora ampliada. Isto é, o escasso papel estratégico e renovado do sindicalismo, das associações estudantis e de bairros, das comunidades e base, dos partidos políticos, entre outros.”


Sobre o autor

Desde 2007 Marcio Pochmann preside o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em 2012 deixará a instituição para disputar a prefeitura de Campinas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições municipais. Professor licenciado do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é também pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia da mesma instituição e autor de vários livros, entre os quais O emprego na globalização: a nova divisão internacional do trabalho e os caminhos que o Brasil escolheu (Boitempo Editorial, 2001). 

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Pesquisa aponta vantagem de 10 pontos para Hollande sobre Sarkozy!

Pesquisa aponta vantagem de 10 pontos para Hollande sobre Sarkozy - do Vermelho

O social-democrata do Partido Socialista François Hollande seria eleito o sétimo presidente da Quinta República na França caso o segundo turno da eleição, marcado para o dia 6 de maio, fosse nesta sexta-feira (27).

De acordo com pesquisa do instituto TNS Sofres, o social-democrata obteria 55% dos votos, contra 45% do atual chefe de Estado e candidato à reeleição, o direitista Nicolas Sarkozy, do União por um Movimento Popular (UMP).

O resultado mantém a diferença de dez pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado entre os dias 18 e 19 de abril.

Transferência de votos


Segundo a enquete, 51% dos eleitores que votaram na fascista Marine Le Pen (Frente Nacional, extrema-direita) no primeiro turno devem optar por Sarkozy, contra apenas 16% no social-democrata; já 33% se absteriam ou votariam branco ou nulo. Marine obteve 17,9% dos votos no primeiro turno.

Em compensação, 82% dos eleitores do candidato da Frente de Esquerda Jean-Luc Mélenchon, quarto colocado com 11,11%, optariam por Hollande, contra 6% por Sarkozy (12% não teriam preferência).

Entre os eleitores de François Bayrou (9,1% no primeiro turno), 39% votariam por Sarkozy e 32% por Hollande; 29% pretendem se abster, votar branco ou nulo.

Na pesquisa, 27% dos entrevistados não manifestou intenção alguma de votar, dois pontos a mais do que o registrado na última semana. Em relação à certeza das opiniões, 81% das pessoas abordadas afirmaram estar certas de suas escolhas, contra 14% que se disseram abertas. Outros 5% “não tem opinião”.

A pesquisa foi realizada por telefone e consultou mil pessoas. No primeiro turno, Hollande venceu Sarkozy por 28,63% contra 27,02%. Nenhum instituto de pesquisa colocou, até agora, Sarkozy em uma desvantagem inferior a oito pontos percentuais.

Com informações do Operamundi


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http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=181829&id_secao=9

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ruralistas dão motivos para Dilma vetar mudanças no Código Florestal!


Ruralistas dão motivos para Dilma vetar mudanças no Código Florestal - Vinicius Mansur, da Carta Maior

Rompendo acordo com governo, ruralistas lideram aprovação do Código Florestal na Câmara, ampliando retrocessos do texto elaborado no Senado. A presidenta Dilma ainda não se manifestou, mas possui uma lista de motivos para utilizar sua prerrogativa de veto: o rompimento do acordo por parte dos ruralistas, seus compromissos de campanha de não aprovar nada que aumente o desmatamento e promova a anistia de desmatadores e a pressão internacional às vésperas da Rio+20. A reportagem é de Vinicius Mansur.

Brasília - Por 274 votos a favor, 189 contrários e 2 abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (25), o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) que modifica o Código Florestal, impondo sérios retrocessos à legislação ambiental brasileira.

O resultado foi uma derrota para o governo federal que defendia a aprovação na íntegra do texto definido pelo Senado, no final do ano passado, ao qual considerava fruto de um acordo com os representantes do agronegócio no parlamento. Reiteradas falas do governo anunciaram que o texto dos senadores não era o ideal, mas o possível de ser alcançado pela mediação dos interesses presentes no Congresso Nacional. 

A bancada ruralista na Câmara, entretanto, manteve-se fiel apenas ao seu programa e incorporou mais de vinte alterações ao texto do Senado, que já representava um retrocesso na legislação ambiental para organizações sociais diversas, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Via Campesina, ONGs como Greenpeace, SOS Mata Atlântica e Instituto Socioambiental, entre outras.

A expectativa destas organizações é de que a presidenta Dilma Roussef vete as mudanças para proteger o Código Florestal. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse na terça-feira (24) que a presidenta vetaria o texto, caso ele fosse aprovado com as alterações propostas por Piau. 

De tudo que foi apresentado pelo relator, apenas uma proposta não vingou. Mas, por força do regimento interno e não da vontade de Piau ou da maioria do plenário. A proposta que retirava a necessidade de recomposição de 15 metros da mata ciliar de rios com até 10 metros de largura foi recusada por se tratar de um texto já aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado nos turnos anteriores de tramitação.

A presidenta Dilma ainda não se manifestou, mas possui uma lista de motivos para utilizar sua prerrogativa de veto: o rompimento do acordo por parte dos ruralistas, seus compromissos de campanha de não aprovar nada que aumente o desmatamento e promova a anistia de desmatadores e a pressão internacional às vésperas da Rio+20.

Gozando de popularidade recorde, tendo em mãos um projeto cuja antipatia da população é comprovada por pesquisas de opinião e contando com apoio de setores expressivos da imprensa, de movimentos e organizações sociais, da ciência e da religião, a presidenta tem um amplo ambiente favorável para enfrentar a decisão de numerosos deputados e o desgaste político que dele pode ser oriundo.

Paulo Piau chegou a desafiar o governo no primeiro dia de votação. "Se vetar, nós derrubamos o veto", disse, acompanhado pelo líder do PMDB e futuro presidente da Câmara em 2013, Henrique Eduardo Alves (RN).

A Constituição permite à Dilma vetar dispositivos - artigos, incisos ou alíneas – inteiros, e não partes deles, ou o texto completo. Para tal, ela terá 48 horas, contadas a partir do recebimento do projeto aprovado na Câmara, para comunicar o presidente do Congresso Nacional, o senador José Sarney (PMDB-AP), justificando as razões do veto. A decisão presidencial poderá ser derrubada pela maioria absoluta, metade mais um, de cada Casa, ou seja, por 257 deputados e 41 senadores. E aí reside o maior perigo para o governo em caso de veto. Na Câmara, os ruralistas comprovaram que sua proposta é majoritária. Restaria saber como se comportariam os senadores neste novo cenário. A apreciação de vetos presidenciais são realizadas por meio de voto secreto.

Mudanças 
Entre as novas mudanças aprovadas no Código Florestal está a retirada da obrigação de divulgar na internet os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro cartográfico dos imóveis rurais que facilita o monitoramento das produções agropecuárias e a fiscalização de desmatamentos. Assim como excluíram o artigo que exigia a adesão de produtores ao CAR em até cinco anos para o acesso ao crédito agrícola.

O Ibama não poderá bloquear a emissão de documento de controle de origem da madeira de estados não integrados a um sistema nacional de dados.
Os estados da Amazônia Legal com mais de 65% do território ocupado por unidades de conservação pública ou terras indígenas poderão diminuir a reserva legal em propriedades em até 50%.

Foi derrubada a obrigatoriedade de recompor 30 metros de mata em torno de olhos nascentes de água nas áreas de preservação permanente ocupadas por atividades rurais consolidadas até 22 de julho de 2008. Foi retirada ainda do texto a regra de recomposição de vegetação nativa em imóveis de agricultura familiar e naqueles com até quatro módulos em torno de rios com mais de 10 metros de largura.

Também foi retirada a definição de pousio, período sem uso do solo para sua recuperação, que permitia a interrupção de, no máximo, cinco anos de até 25% da área produtiva da propriedade. Com isso, áreas ilegalmente desmatadas há mais de uma década, mas hoje com florestas em recuperação serão automaticamente consideradas como produtivas e, assim, poderão ser legalmente desmatadas. Como também retirou-se o conceito de área abandonada, prejudica-se a reforma agrária, pois já não haverá terras subutilizadas por especuladores, mas apenas áreas “em descanso”.

Também foi retirado do texto a necessidade de os planos diretores dos municípios, ou suas leis de uso do solo, observarem os limites gerais de áreas de preservação permanente (APPs) em torno de rios, lagos e outras formações sujeitas a proteção em áreas urbanas e regiões metropolitanas. Também foi aprovado o destaque que não considera apicuns e salgados como APP.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr


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PF diz que Perillo recebeu dinheiro de Cachoeira!


PF diz que Perillo recebeu dinheiro de Cachoeira - do Vermelho


O inquérito da Polícia Federal na Operação Monte Carlo indica que intermediários do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, entregaram "grande quantidade de dinheiro" para o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), no Palácio das Esmeraldas, sede do Poder Executivo local.


Gravações telefônicas realizadas pela PF no dia 10 de junho do ano passado flagraram o contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, informando ao chefe que estava enviando, via dois assessores, uma caixa de computador "com aquele negócio" para ser entregue no Palácio.

Tratava-se de dinheiro, segundo trecho de relatório da PF intitulado "Entrega de dinheiro no Palácio do Governo de Goiás". O agente responsável pela análise observa que era preciso cruzar as informações com dados da movimentação financeira da quadrilha. "Provável grande quantidade de $", escreve o policial no relatório, ao qual o Estado teve acesso.

De acordo com as investigações, os dois auxiliares de Cachoeira que combinaram a entrega do dinheiro são Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como braço direito para assuntos financeiros da quadrilha, e o ex-vereador do PSDB de Goiânia Wladimir Garcez Henrique – ambos presos em fevereiro. As gravações telefônicas da PF mostram que Gleyb buscou o dinheiro com Geovani e se encontrou com Wladimir, que já estava esperando no Palácio das Esmeraldas. Todos os passos dos auxiliares eram monitorados por Cachoeira.

Perillo negou, por meio de sua assessoria, que tenha recebido dinheiro do grupo de Cachoeira. Ele classificou o assunto de "esdrúxulo" e assegurou que o encontro nunca ocorreu. "O governador nunca tratou, no Palácio, de assuntos que não fossem de interesse do governo. Ele rechaça com toda a veemência qualquer afirmação em contrário."



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Murdoch expõe relações entre mídia e poder na Inglaterra!


Murdoch expõe relações entre mídia e poder na Inglaterra - por Marcelo Justo, da Carta Maior

Testemunhos do magnata australiano Ruppert Murdoch e de seu filho James Murdoch perante a Comissão Leveson estão fazendo novos estragos no governo de David Cameron e ameaçam derrubar ministro da Cultura, Jeremy Hunt, por suspeita de tráfico de influência no negócio envolvendo a compra da BSkyB pela News Corporation, do grupo Murdoch. Robert Jay, da Comissão, insina possibilidade de um pacto fáustico dos conservadores com o grupo em troca do apoio de Murdoch nas eleições de 2010.

Londres - Os dias de comparecimento do magnata multimidiático australiano Ruppert Murdoch e de seu filho James diante da Comissão Leveson estão começando a deixar um rastro de vítimas. O testemunho de James na terça-feira e a publicação dos email’s que trocou com seu lobista Frederic Micel pela aquisição do pacote acionário da BSkyB, provocaram a saída, quarta-feira ao meio-dia, de Adam Smith, assessor especial do ministro da Cultura Jeremy Hunt, que por sua vez foi jogado contra as cordas.

No parlamento, o líder da oposição Ed Miliband exigiu a renúncia do ministro Hunt por sua proximidade com os Murdoch quando devia ser um “juiz imparcial do interesse público” sobre o tema da ameaça que podia representar para a liberdade de imprensa a compra de todo pacote acionário da BSkyB pela News Corp. Hunt negou que tenha feito algo “inapropriado” e assegurou que não manteve nenhum contato direto com os Murdoch: sua permanência no cargo está por um fio.

Em suas mensagens a James Murdoch, o lobista cita Hunt diretamente ao falar do informe da agência reguladora de comunicação, Ofcom, sobre o tema. “Hunt pediu-me novamente que encontrássemos todos os erros legais que pudéssemos detectar no informe da Ofcom e que propuséssemos algumas soluções fortes e de impacto. Está disposto a se reunir na próxima terça ou quarta para discutir nossa apresentação”, escreve Frederic ao filho de Murdoch.

De modo mais claro ainda, no dia prévio ao anúncio que Hunt faria informando a decisão do governo sobre o negócio, Frederic assegura que o ministro da Cultura havia passado a ele informação direta sobre seus planos. “Consegui informação sobre os planos para amanhã (o que é absolutamente ilegal!). Muitos problemas legais, Hunt está tratando de obter uma versão favorável a nós”, disse Frederic.

A lupa da comissão não se deteve no ministro. Em seu testemunho, James Murdoch reconheceu que o primeiro ministro David Cameron havia discutido o tema da aquisição da BSkyB com ele durante um almoço natalino em 2010, na casa de Rebekah Brooks, ex-diretora da News International, o braço britânico da corporação midiática de Murdoch. O primeiro ministro havia admitido seu almoço com Murdoch, mas, em mais de uma oportunidade, negou-se a informar o teor da conversa. Em suas perguntas, o responsável pela Comissão Leveson, Robert Jay, insinuou a possibilidade de um pacto fáustico dos conservadores com o grupo em troca do apoio de Murdoch nas eleições de 2010: a acusação é potencialmente devastadora.

O apoio do “The Sun” aos conservadores foi tornado público e anunciado na primeira página do tabloide, mas James Murdoch negou que tivesse adotado essa posição em troca de favores do governo em temas como o da BSkyB ou do corte orçamentário na BBC, a “besta negra” do grupo Murdoch. Ruppert Murdoch fez o mesmo em seu testemunho nesta quarta-feira. O magnata australiano reconheceu seus frequentes encontros com os governos de Margaret Thatcher (1979-90), Tony Blair (1997-2007), Gordon Brown (2007-2010) e a atual coalizão conservadora-liberal democrata. Mas negou que, em algum caso, tenha trocado informação por apoio político. 

Neste sentido, o mais explícito que disse foi que o ex-primeiro ministro trabalhista Gordon Brown declarou guerra a News International logo depois que o tabloide “The Sun” retirou o apoio ao trabalhismo e começou a respaldar o então líder da oposição David Cameron. Em uma declaração posterior, Brown negou que este diálogo tenha ocorrido e exigiu uma retificação de Murdoch que, nesta quinta-feira, prossegue com seu testemunho.

Tradução: Katarina Peixoto


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Pepe Escobar: “O horror, o horror”!


Pepe Escobar: “O horror, o horror” [1]


16/3/2012, Pepe Escobar, Al-Jazeera, Qatar
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“Temos de matá-los... Temos de incinerá-los. Porco a porco... vaca a vaca... vila a vila... exército a exército.”
Coronel Kurtz [Marlon Brando], emApocalypse Now, de Francis Ford Coppola (1979)

Um soldado dos EUA massacrou 16 civis (mulheres, velhos e crianças) no Afeganistão. 
Foi o momento “Mi-Lai” no Afeganistão, segundo Pepe Escobar. (Foto EPA)


Hong Kong 
– Começou muito antes de um matador solitário, sargento do Exército dos EUA, casado e pai de dois filhos, andar até um vilarejo em Panjwayi, sudoeste da cidade de Kandahar e, “supostamente” num surto psicótico, ter assassinado 16 civis.


Foi o momento Haditha do Afeganistão [2] – como no Iraque; ou o momento Mi-Lai, como no Vietnã [3].

Pepe Escobar
Já estava em formação, crescendo, desde os bombardeios seriais com aviões-robôs, os drones, contra festas de casamento tribais; desde os “raidsaéreos” seriais secretos das Forças Especiais dos EUA; desde os assassinatos seriais secretos das “equipes de matadores”, em 2010; desde o ritual de urinação sobre cadáveres de afegãos, por “nossos rapazes em uniforme”; até, a ofensa mais recente e não menos importante, da queima de exemplares de livros sagrados em Bagram. Será que... “Missão cumprida”?


Segundo a mais recente pesquisa Post/ABC – feita antes do massacre de Kandahar – 55% dos norte-amerianos desejam o fim da guerra do Afeganistão [4].


O presidente Barack Obama dos EUA repetiu que, depois de dez anos de guerra que custou, por baixo, $400 bilhões, o “papel de combate” das tropas da OTAN terminará em 2014. Segundo Obama, Washington só quer garantir que “a al-Qaeda não esteja operante e haja suficiente estabilidade para que não haja lá uma terra de ninguém”. [5]


A Al-Qaeda não está “operante” por lá, faz muito tempo; só há um punhado de instrutores norte-americanos, e não estão “lá”, mas nos Waziristões, nas áreas tribais paquistanesas.


E quanto à “estabilidade”, esqueçam. As “forças de segurança afegãs” que teoricamente assumirão o comando em 2014, ou talvez antes, são nada, estão destroçadas. A taxa de analfabetismo é de espantosos 80%. Pelo menos 25% desertam. O estupro de crianças é endêmico. Mas de 50% dos soldados afegãos vivem permanentemente chapados de haxixe, de esteroides.




O nível de desconfiança entre afegãos e norte-americanos é cósmico. Segundo estudo de 2011, que o Pentágono classificou como secreto, depois de ter vazado para o Wall Street Journal  [6] – os militares norte-americanos veem os afegãos como covardes corruptos; e os afegãos veem os militares norte-americanos como covardes intrometidos.


Considere o momento Saigon-1975, seja agora seja em 2014, e os fatos em campo são sempre os mesmos: instabilidade suficiente para sacudir os pilares do Hindu Kush.


Dê cara ou dê coroa na Contrainsurgência... Ganhei!


O Afeganistão sempre foi uma tragédia trespassada pela farsa. Considerem as 83 restrições originais da OTAN nas regras de engajamento, que levaram, por exemplo, a um surto de soldados franceses mortos em 2008, porque a França, pressionada pelos EUA, parou de pagar aos Talibã por proteção; ou imaginem Berlim dizendo que a coisa não é guerra, só “missão humanitária”.


As batalhas internas – diferente do que se via no Vietnã – já são legendárias. Como os Contrainsurgentistas – a gangue da contrainsurgência, apoiada pelo chefe do Pentágono Bob Gates – investidos numa “nova missão” e sob “nova liderança militar”, vencendo a aposta contra a estratégia “ContraterrorismoPlus” (CT-PLUS), ou “Contrainsurgenterrorismo”, do vice-presidente Joe Biden, de menos soldados em campo e trabalhando no contraterrorismo.


O vencedor, como todos lembrarão, foi o general-rockstar Stanley McChrystal, que dizia que o plano Biden levaria ao “Caos-zistão”, por acaso palavra que dava título a uma análise sigilosa da CIA.


Stanley McChrystal – porta-voz do Pentágono em março de 2003, durante a invasão do Iraque – queria muito mudar a cultura da OTAN e do Exército dos EUA no Afeganistão. Queria destruir a cultura “atire-primeiro-e-faça-voar-aquela-merda” e evoluir para “proteção à população civil”. Em suas próprias palavras, aquela “munição ar-terra” e “fogo indireto” contra casas de famílias afegãs “só eram autorizadas som condições muito limitadas e bem claras”.


Venceu – protegido pelo escudo de general-rockstar – mas só por um rápido momento.


Tudo isso, com o Departamento de Estado, a DEA e o FBI avisando sobre os terríveis contrabandistas de drogas e cesta sortida de bandidagem; e, do lado oposto, a CIA e o Pentágono elogiando a mesma rapaziada, que seria fonte de informações de inteligência “da boa”, que sempre venceria.


E tudo era plenamente justificado por um bando de relutantes guerreiros/falcões liberais, em postos como o Center for a New American Security [Centro para uma Nova Segurança Americana] – abarrotado de jornalistas “respeitáveis”.


Hamid Karzai venceu as eleições afegãs mediante fraude gigantesca. Seu meio-irmão Ahmed Wali Karzai – então chefe de conselho provincial em Kandahar – vivia livre para manter azeitado seu massivo negócio de drogas, e fazia pouco caso das eleições (“o povo nessa região não entende disso”).


Quem se importava, se o governo afegão em Kabul era/é de fato um sindicato do crime? Comandantes locais “leais” – “os nossos filhos da puta” – recebiam dinheiro cada vez mais farto e até mantinham dedicadas Forças Especiais como assessores e conselheiros pessoais, deles e dos respectivos esquadrões da morte.


McChrystal, diga-se a seu favor, admitiu que os soviéticos nos anos 1980s fizeram várias coisas certas (por exemplo, construir estradas, promover governo central, garantir educação igual para meninos e meninas, modernizar o país).


Mas eles também fizeram muitas coisas terrivelmente erradas, como varrer a terra à bomba e matar 1,5 milhão de afegãos. Se os planejadores do Pentágono tivessem pelo menos presença de espírito e lessem Afgantsy: The Russians in Afghanistan 1970-89 (Profile Books), escrito pelo ex-embaixador britânico Rodric Braithwaite, a partir de várias ricas fontes russas, da KGB à Fundação Gorbachev; da internet ao livro espetacular do falecido general Alexander Lyakhovsky.


Você tem direito de ser mal informado


O Pentágono jamais aceitará a retirada em 2014: caminha da direção absolutamente oposta à sua própria doutrina da Dominação de Pleno Espectro, que depende das muitas bases no Afeganistão para monitorar/ controlar/ infernizar concorrentes estratégicos – Rússia e China.


A saída será farsa. O Pentágono transferirá suas operações especiais para a CIA; tornar-se-ão “espiões”, em vez de “soldados em campo” [7].


O que significará, essencialmente, uma extensão ad infinitum do Programa Fênix no Vietnã, que se encarregou do assassinato premeditado [“targeted killing”] de mais de 20 mil “suspeitos” de apoiar o vietcong.


E isso nos leva ao atual diretor da CIA, o midiático general David Petraeus e sua cria –o COIN field manual FM 3-24 [Manual de campo MC 3-24 da Contrainsurgência], resposta do Pentágono ao Casamento do Céu com o Inferno [Marriage of Heaven and Hell] de William Blake, como casamento da contrainsurgência com a guerra ao terror. E isso, mesmo depois de um estudo da RAND de 2008, intitulado Como terminam os grupos terroristas [How Terrorist Groups End], ter insistido em que o único modo de derrotar grupos terroristas é mediante boa velha operação de aplicação da lei.


A matança de afegãos tensiona as relações com os EUA 


Petraeus não dá a mínima bola. Afinal, suas “operações de informação” – massiva manipulação da mídia, combinada com massiva distribuição das proverbiais malas cheias de dólares americanos – ganhou a “sua” e de George W Bush “avançada” [surge] no Iraque.


Os orgulhosos pashtuns foram osso muito mais duro de roer que os xeiques sunitas no deserto. Tornaram-se tão “sem tecnologia” – fabricando dezenas de milhares de bombas caseiras com fertilizante, madeira e munição mofada – que de fato neutralizaram, a ponto de inutilizar, nas estradas e trilhas, a alta tecnologia de morte dos EUA, o que levou à infinidade de matérias nos jornais sobre “considerável aumento na atividade de Dispositivos Explosivos Improvisados [Improvised Explosive Devices, IEDs]”.


Desde a posse de Obama, o Pentágono vem jogando extra-sujo para conseguir a exata guerra que sempre quiseram fazer no Afeganistão.


Conseguiram. Petraeus entrou em modo “progresso”, todos os dias e noites na mídia, ininterruptamente. As populações locais estar-se-iam “tornando mais receptivas” aos soldados dos EUA, apesar de a National Intelligence Estimate (NIE) – que manifesta o saber acumulado de 17 agências de inteligência dos EUA – ter continuado sombria.


Petraeus fez o que faz melhor: remixou a NIE. Jamais admitiu que a guerra prosseguiria para além de 2014. Disparou ataques aéreos, lançou número astronômico de ataques com helicópteros Apache e Kiowa, triplicou o número deraids noturnos da Forças Especiais, autorizou uma minioperação “Choque e Pavor”, bombardeou até a pulverização [8] a cidade de Tarok Kolache no sul do Afeganistão.


Depois de mais um massacre norte-americano em fevereiro de 2011 na província Kunar, que deixou 64 civis mortos, Petraeus ainda teve o atrevimento de acusar os afegãos de queimarem as próprias crianças [9] para apresentá-las como dano colateral. Bom para ele. Naquele momento, suas relações com Obama estavam até melhorando.


O governo Obama está, de fato, convencido de que a “avançada” de Obama, liderada por Petraeus e agendada para terminar em setembro, “estabilizou” o Afeganistão, pelo menos na região conhecida como “comando regional leste”; é o que Petraeus chama de “o suficientemente bom afegão”.


A maior parte do país, de fato, alcançou o “suficientemente bom talibã”, mas quem se preocupa com isso? Quando a queimar bebês, será apresentado pelos mais cínicos, talvez, como traço do excepcionalismo americano. Basta lembrar o Abrigo Amiriya, em Bagdá, dia 13/2/1991, quando nada menos que 408 crianças e as mães foram queimadas vivas pelos EUA.


Nunca mais o olharei nos olhos...


Como não lembrar o inimitável Dennis Hopper, na pele do fotojornalista psicodélico em Apocalypse Now, falando sobre o coronel Kurtz/Marlon Brando: “É um guerreiro-poeta no sentido clássico...” [10]


“Guerreiro-poeta” McChrystal estava convencido de que o Afeganistão não era o Vietnã; no Vietnã os EUA combatiam uma “insurgência popular”, mas não no Afeganistão (errado: as muitas tendências emaranhadas por trás da fachada “Talibã” foram-se tornando mais populares, na direta proporção do desastre de Karzai, para nem dizer que, no Vietnã, a conversa oficial do Pentágono pela mídia era a de que o vietcong nunca fora popular).


Generais, afinal, não têm surtos de assassinatos ao estilo Kurtz. Petraeus foi promovido, para lançar a Guerra Clandestina & Co., na CIA. Depois de demitido, na sequência de um “perfil” publicado na revista Rolling Stone – que droga derockstar é esse? – McChrystal terminou por ser reabilitado pela Casa Branca.


Deu aulas em Yale, entrou para o ramo da consultoria, está fazendo fortuna no circuito das conferências – destilando sabedoria sobre “liderança” e o Oriente Médio Expandido – e Obama nomeou-o conselheiro não remunerado de famílias de militares.


McChrystal vê o Afeganistão preso “em alguma espécie de pesadelo pós-apocalíptico”. “O horror... O horror...” de Conrad é perene. A lição chave que o Pentágono aprendeu do Vietnã foi encaixotar o horror, vedar a caixa e voluptuosamente, abraçar-se a ela.


Portanto, não surpreende que McChrystal não consiga ver que olha como o coronel Kurtz remixado – enquanto Petraeus foi o mais metódico, mas não menos mortal, Capitão Willard.


Diferente do Vietnã, contudo, dessa vez não haverá um Coppola para ganhar a guerra para Hollywood. Mas muitos Homens Ocos [11] continuarão no Pentágono.



Notas dos tradutores

[1]  É expressão que aparece em Joseph Conrad, O Coração das Trevas (1902), num fragmento no qual fala “o criminoso” falando do seu crime (aqui traduzido, tradução de trabalho):

“Eu estava fascinado. Foi como se o véu se abrisse. Vi naquele rosto de marfim a expressão do orgulho obscuro, de poder cruel, de terror profundo – de um desespero intenso e sem esperança. Teria visto a vida passar ante os olhos, cada detalhe de desejo, tentação, rendição, naquele momento de conhecimento completo? Ante alguma imagem, soluçou um suspiro, alguma coisa que via – soluçou duas vezes, soluço sem ar: O horror! O horror!” 

Expressão semelhante (horror... horror... o horror tem face.) aparece em Apocalypse Now(1979), adaptação do romance de Conrad para o cinema, mas em contexto interpretativo diferente, como se vê e ouve:


... na cena antológica em que Kurz/Brando fala longamente. O nome do personagem de Coppola/Brando [Coronel Kurz], é quase o mesmo do personagem de Conrad [Kurtz], e o deslocamento da trama, do Congo colonial, em Conrad, para a guerra do Vietnã, em Coppola, muda a chave interpretativa.
Além disso, uma frase do romance de Conrad, sobre a morte de Kurz (Mistah Kurtz-he dead / A penny for the Old Guy [‘Sêo  Kurtz ‘tá morto / Um tostão, pelo coitado]) aparece na epígrafe do poema de T.S. Eliot (The Hollow Men [Os homens ocos], de 1925), citado adiante nesse artigo cheio de ecos e ressonâncias difíceis de traduzir (ver nota 11).

[2] O “massacre de Haditha” aconteceu dia 19/11/2005, na cidade de Haditha, na província de Al Anbar, no Iraque, onde um grupo de Marines dos EUA matou 24 civis iraquianos (várias mulheres e crianças) desarmados.

[3] O “massacre de May Lai” aconteceu dia 16/3/1968 (há exatos, ontem, 54 anos! Será que a matança nunca acabará?!), no Vietnã do Sul, onde soldados norte-americanos assassinaram quase 500 civis desarmados.


[5]  Ver também, sobre as declarações de Obama, 11/3/2012, MK Bhadrakumar, “Quando a visita esquece de ir embora...”.  
[6] 17/6/2011, Wall Street Journal, em: “Report Sees Danger in Local Allies”. 
[7] 26/1/2012, Stars and Stripes, em: “Bin Laden raid commander seeks global expansion of special ops”.
  


[10] Pode-se ver/ouvir em: “Words and wisdom

[11] The Hollow Men [Os homens ocos], poema de T.S.Eliot, 1925 (em inglês)

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