Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

terça-feira, 31 de julho de 2012

Mercosul se reúne para ratificar adesão da Venezuela como membro-pleno!

Mercosul se reúne para ratificar adesão da Venezuela como membro-pleno - do Opera Mundi

Hugo Chávez chega a Brasília para confirmar a adesão ao bloco depois de seis anos de espera
 

Agência Efe

Presidente do Brasil, Dilma Roussef, recebe o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Brasília aonde participam da reunião do Mercosul

Com exceção do Paraguai, suspenso após o golpe sofrido pelo ex-presidente Fernando Lugo, os demais sócios do Mercosul reúnem-se nesta terça-feira (31/07) em Brasília para oficializar a entrada da Venezuela como membro-pleno do bloco. A cúpula extraordinária foi convocada para ratificar a decisão tomada pelos presidentes de Brasil, Argentina e Uruguai no final de junho e contará com a presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul, assinado em 2006, já foi ratificado por Brasil, Argentina e Uruguai, e faltava apenas a aprovação do Senado paraguaio para que entrasse em vigor.

O impeachment sofrido pelo ex-presidente Fernando Lugo em junho, em um processo que durou apenas dois dias, foi considerado ilegítimo pelo países vizinhos do Mercosul por não ter proporcionado amplo direito de defesa a Lugo.

Invocando a cláusula democrática do Mercosul, o Paraguai foi suspenso pelos demais membros do bloco pelo menos até abril de 2013, quando devem ser realizadas novas eleições. Com a suspensão do Paraguai, os outros três sócios decidiram ratificar a adesão venezuelana.

Para o ex-diplomata Samuel Pinheiro Guimarães, que foi Secretário-Geral do Itamaraty e, até junho, Alto Representante Geral do Mercosul, a decisão de incorporar a Venezuela agora foi “altamente positiva, oportuna e correta”. Além de destacar o forte crescimento do comércio do Mercosul com a Venezuela nos últimos anos, ele lembra que a Venezuela é um país muito rico em recursos naturais, que está construindo sua infraestrutra e diversificando sua economia, e que por isso apresenta “oportunidades extraordinárias na área econômica e na área política”.

O professor de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília), Alcides Vaz, embora também destaque a importância comercial da entrada da Venezuela, avalia que a formalização desse ingresso sem o aval do Paraguai terá um custo para a imagem o Mercosul.
 
Fortalecimento do bloco

Para Vaz, a entrada da Venezuela é mais um passo importante para consolidar o Mercosul como o principal bloco comercial sul-americano. “Hoje, é uma construção bem menos grandiloquente que o inicialmente planejado, mas, se houver no futuro algum acordo comercial mais profundo envolvendo toda a América do Sul, certamente terá o Mercosul como base”, disse.

A presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC (Federação das Indústrias de Santa Catarina), Maria Teresa Bustamante, também avalia positivamente, do ponto de vista comercial, a adesão da Venezuela. “É bem-vindo, é um país com grau de industrialização reduzido e um grande mercado para a indústria brasileira, o que é facilitado pela proximidade do pólo industrial de Manaus. Não vai ser uma panacéia de vendas, mas é certamente um ganho”, disse.

Agência Efe

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, caminha no aeroporto antes de embarcar para o Brasil

“A entrada da Venezuela ao Mercosul é uma política de Estado dos membros do bloco e visa o fortalecimento do acordo regional no longo prazo”, afirma o coordenador de Ciências Políticas e Relações Internacionais da UCAM (Universidade Cândido Mendes), Paulo Afonso Velasco. “Não se pode considerar apenas o Chávez, independentemente da avaliação que se faça dele como presidente”. O professor destaca que a Venezuela tem também uma importância política estratégica, por ser uma entrada do Mercosul para o Caribe, uma região importante onde o Brasil já tem embaixadas em todos os países.

Com a Venezuela, o Mercosul contará com 270 milhões de habitantes (70% da população da América do Sul), um PIB de US$ 3,3 trilhões (83,2% do PIB sul-americano) e um território de 12,7 milhões de km² (72% da área da América do Sul). Em 1990, o intercâmbio entre os membros do bloco era de US$ 4,1 bilhões, valor que chegou a US$ 105 bilhões em 2011, sem contar a Venezuela.

Posição do Paraguai

Para Alcides Vaz, a adesão da Venezuela será um fato consumado que o Paraguai terá de aceitar. Ele disse não acreditar numa radicalização que levasse o país a deixar o Mercosul por conta da adesão da Venezuela sem a sua aprovação. “Isso seria muito custoso para o Paraguai, eles dependem muito do Mercosul. Há um mal estar com a situação, mas acredito que, colocando na balança, eles verão que teriam muito a perder saindo”, afirma.

Velasco concorda. “Eles teriam de abrir mão de muitas vantagens no curto prazo, tanto no acesso aos mercados brasileiro e argentino quanto em relação aos investimentos em infraestrutura que recebem do FOCEM (Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul), e os benefícios de uma eventual saída do Mercosul são mais incertos e só de longo prazo”, avalia.

Link:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/23355/mercosul+se+reune+para+ratificar+adesao+da+venezuela+como+membro-pleno.shtml

A falácia da intervenção “humanitária” na Síria!

A falácia da intervenção “humanitária” na Síria - do Vermelho

A questão internacional central, e também o principal embate da encruzilhada síria, está na perigosa articulação do conceito de “intervenção humanitária”. O intelectual e escritor belga Jean Bricmont, em recente fala na Unesco, chama a atenção para o que rotulou de “noção falaciosa de guerra humanitária”, e denuncia um condicionamento ideológico proveniente das mídias, que segundo ele visam a tornar uma intervenção militar na Síria aceitável aos olhos da opinião pública mundial. O artigo é de Larissa Ramina.

A Síria enfrenta, há mais de um ano, uma onda de contestações em relação ao regime de Bashar Al Assad. No último mês de abril, foi decretado um cessar-fogo conforme o plano de paz elaborado pelo emissário especial da ONU e da Liga Árabe, e ex-Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan. Mais de 300 observadores da ONU foram enviados ao país, mas as hostilidades perduram. No momento, apenas a metade desse número permanece, em razão da absoluta falta de segurança.

A Missão de Observação da ONU na Síria, como a força é conhecida oficialmente, consiste em 300 observadores militares desarmados acompanhados por cerca de 100 funcionários civis de apoio. Foi implantada para supervisionar o cessar-fogo, que tem sido fortemente desrespeitado, e em meados de junho parou de realizar patrulhas diante da intensificação dos combates. No dia 20 de julho, o Conselho de Segurança da ONU votou pela extensão do mandato da missão por 30 dias, embora a escalada da violência tenha impossibilitado a permanência dos observadores no país.

O conflito na Síria desafia em várias frentes. No terreno, violentos combates resultaram no número astronômico de 14000 mortos desde o início da luta armada, segundo observadores internacionais. Na frente diplomática, os partidários de uma ação mais severa contra o regime de Bachar Al Assad, diga-se uma intervenção militar justificada na defesa dos direitos humanos, opõe-se aos aliados do regime, Rússia em primeiro lugar e China, que há poucos dias reiteraram no Conselho de Segurança da ONU sua oposição a qualquer intervenção militar, temendo uma reedição do cenário líbio.

Os Estados Membros da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS), que reagrupa entre outros países a China e a Rússia, além de terem se pronunciado contra qualquer possibilidade de intervenção militar na Síria, também condenaram qualquer imposição relativa à mudança de regime no país, e também quaisquer sanções unilaterais, insistindo na necessidade de fazer cessar toda a violência, seja qual for sua origem, encorajando o lançamento de um amplo diálogo nacional com base na independência, integridade territorial e soberania da Síria. 

Assim, exaltaram os esforços da ONU com vistas a encontrar uma solução política para a crise, que estaria no interesse tanto da população síria quanto da comunidade internacional, entendida como a comunidade de todos os países, ocidentais e não ocidentais.

Claro está que a questão internacional central, e também o principal embate da encruzilhada síria, está na perigosa articulação do conceito de “intervenção humanitária”. O intelectual e escritor belga Jean Bricmont, em recente fala na Unesco, chama a atenção para o que rotulou de “noção falaciosa de guerra humanitária”, e denuncia um condicionamento ideológico proveniente das mídias, que segundo ele visam a tornar uma intervenção militar na Síria aceitável aos olhos da opinião pública mundial.

Para embasar sua tese, Bricmont constata que historicamente, todas as guerras foram sempre justificadas em intenções altruístas, como o cristianismo e sua missão civilizadora, o fardo do “homem branco”, Hitler e a defesa contra o bolchevismo, depois a luta contra o terror, e hoje a chamada guerra pelos direitos humanos, intitulada de “ingerência humanitária”. 

Nessa seara, o escritor desenvolve uma crítica exemplificando com a hipótese de que, se a Rússia promovesse uma ingerência humanitária na Síria, ou no Bahrein, estar-se-ia diante da possibilidade concreta de uma terceira guerra mundial, já que as potências ocidentais, inequivocamente, não aceitariam que potências não ocidentais tentassem intervir no Oriente Médio.

A paz mundial, ressalta, depende da ordem internacional construída após a Segunda Grande Guerra, que por sua vez assenta-se sobre o respeito da soberania nacional dos Estados. Foi a ingerência da Alemanha na Tchecoslováquia, relembra, depois na Polônia, em nome da defesa das minorias, que desencadeou aquele conflito mundial, sorte de pretexto que também foi utilizado na carnificina do Kosovo e no Iraque em relação aos curdos.

A ideia central é que a política intervencionista das grandes potências, embora esteja sempre lastreada em motivos nobres, consiste em uma violação total da ordem internacional estabelecida em 1945 com a criação da Organização das Nações Unidas, e não afasta o risco de conduzir a uma nova grande guerra.

Por outro lado, Bricmont constata que o mundo seria melhor se o Ocidente optasse por uma política de paz, ao invés de investir seus recursos em armamentos e equipamentos militares em geral. Essa política de paz deveria ter como pilares a cooperação e o diálogo interestatal amplo, incluindo toda a comunidade internacional, e logo Rússia, China, Irã e Síria. 

No entanto, as mídias dificultam enormemente essa possibilidade, em razão do que rotula de “bombardeamento midiático”. Em sua leitura Barack Obama, por exemplo, mesmo estando em desacordo com a política de Netanyahou, nada pode frente ao doutrinamento da mídia; ao passo que é extraordinário que a Europa em crise agonizante pretenda ditar a Rússia o que fazer, quando esta tem a aliança da China, representa o movimento dos não-alinhados na questão síria, e é aliada do Irã.

O intelectual belga relembra que por ocasião da guerra na Líbia, praticamente não havia desacordo nas classes políticas em relação à intervenção militar, cenário que se repete hoje na Síria. O debate, segundo ele, tornou-se quase impossível em razão do que chamou de “arcos reflexos”, que vêm doutrinando várias gerações, e que estariam na ideia dos “novos Hitlers” e na culpabilização pelo Holocausto. 

Bricmont toma todo o cuidado de explicar que não se trata, em hipótese alguma, de negar o Holocausto, nem de menosprezá-lo enquanto acontecimento trágico e abominável, mas de criticar a forma como tem sido explorado politicamente, por meio da manipulação de variadas situações com base nos argumentos dos novos Hitlers ou dos novos Holocaustos, para justificar o emprego da violência em prol de interesses econômicos. Essa matriz ideológica impediria qualquer debate sério acerca da realidade do mundo contemporâneo, seja no campo da esquerda ou da direita.

Faltaria, portanto, a reflexão sobre a própria essência da militarização, dos conflitos que se perpetuam, e sobre o tipo de contribuição que aportam à defesa dos direitos humanos. Bricmont critica ferozmente aqueles que se utilizam da ideologia dos direitos humanos como um pretexto para a guerra, quando ele mesmo tende a ver naquela ideologia uma verdadeira causa sui generis para a guerra, porque empresta ao Ocidente uma ilusão de grandiosidade que ele não tem mais desde o processo descolonizatório e a articulação das potências emergentes. Lamenta, ainda, não saber se a Síria será agredida militarmente, muito embora os rebeldes estejam sendo intensamente armados de forma a criar o caos naquele país por tempo indeterminado.

A posição de Bricmont, e que deveria ser partilhada, é por princípio contrária a qualquer hipótese de “ingerência humanitária” e, portanto, independente de relação com regimes políticos específicos, como o regime de Bashar Al Assad. Também não se caracteriza como uma bandeira de esquerda, de direita, ou de centro. 

Logo, não é relevante discutir quem está pró ou contra Assad, ou os níveis de crueldade impetrados pelo governo sírio, até mesmo porque organizações internacionais como a Human Rights Watch vem denunciando a violação dos direitos humanos por todas as partes do conflito, incluindo a oposição armada síria. 

Trata-se, ao contrário, de sustentar uma política global pacífica, antagônica a qualquer sorte de violência e aplicável em todas as frentes, incluindo Palestina, Irã, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela, Líbia, Síria. Não se trata, portanto, da questão síria em particular.

No Brasil, Dilma Rousseff insiste em soluções diplomáticas para o conflito na Síria, apoiando-se em exemplos de iniciativas fracassadas de construção da paz, como as intervenções militares externas no Afeganistão e no Iraque. Cite-se que recentemente, europeus e norte-americanos decidiram pela expulsão dos representantes diplomáticos sírios de suas capitais em represália ao massacre de Houla, que deixou 108 mortos. 

O Brasil retirou seus diplomatas do país, mas manteve relações diplomáticas. A presidência brasileira defende que se edifique um consenso, uma posição comum no Conselho de Segurança da ONU, comum no sentido da construção conjunta, de todas as nações do planeta, de um caminho em que a paz seja articulada por meios diplomáticos multilaterais efetivos, e não militares. Na Síria ou em qualquer outra parte do planeta.

(*) Larissa Ramina, Doutora em Direito Internacional pela USP, Professora Substituta de Direito Internacional da UFPR, Professora do Programa de Mestrado em Direitos Fundamentais e Democracia da UniBrasil.

Link:

Pepe Escobar: “Bem-vindos à Primavera Curda”!

Pepe Escobar: “Bem-vindos à Primavera Curda” - do Vermelho

A política externa turca, codificada pelo ministro de Relações Exteriores Ahmet Davutoglu foi conhecida pelo apelido “zero problemas com nossos vizinhos”. Quando a Turquia começou a clamar por mudança de regime na Síria, aquela política virou “um vasto problema com um de nossos vizinhos” (apesar de o próprio Davutoglu ter admitido publicamente que a mudança de regime falhara).

Por Pepe Escobar, no Asia Times Online


Agora, em mais uma reviravolta, a tal política já está virando “todo e qualquer problema, os mais variados, com dois de nossos vizinhos”. Entra em cena – inevitavelmente – o tabu mãe de todos os tabus de Ancara: a questão curda.

Ancara costumava caçar e bombardear rotineiramente os guerrilheiros curdos do PKK que passavam de Anatólia para o Curdistão iraquiano. Atualmente, talvez se esteja posicionando para fazer o mesmo no Curdistão sírio.

O primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdogan foi à televisão turca, de faca nos dentes: “Não permitiremos que um grupo terrorista estabeleça acampamentos no norte da Síria e ameace a Turquia.”

Referia-se ao Partido Democrático Curdo Sírio [orig. Syrian Kurdish Democratic Party (PYD)] – afiliado ao PKK; depois de negociação silenciosa com o regime de Assad em Damasco, o Partido Democrático Curdo Sírio controla áreas-chaves no nordeste da Síria.

Assim sendo, Ancara pode garantir logística a dezenas de milhares de “rebeldes” da OTAN da Síria – entre os quais se incluem magotes de “insurgentes” árabes sunitas linha-duríssima, antigamente chamados “terroristas”; mas, se os curdos sírios – que integram a oposição síria – demonstrarem alguma independência, eles imediatamente voltam a ser considerados “terroristas”.

Tudo sobredeterminado pelo pesadelo de curtíssimo prazo que assola Ancara: a possibilidade de criar-se um Curdistão sírio semiautônomo muito intimamente ligado ao Curdistão iraquiano.

Siga o petróleo!

Relatório do Instituto Palme, sueco [1], mostra a que parece ser a melhor radiografia da hiper fragmentada oposição síria. Os “rebeldes” são controlados pelo Conselho Nacional Sírio [orig. Syrian National Council (SNC), de exilados que vivem fora da Síria e suas milícias de mil cabeças, feito a Hidra, as mais de 100 gangues que constituem o Exército Sírio Livre ‘Que de Livre Pouco Tem’ [orig. Not Exactly Free Syrian Army (FSA)].

Mas há também muitos outros partidos, inclusive socialistas, marxistas, nacionalistas seculares, islamistas, o Conselho Nacional Curdo [orig. Kurdish National Council (KNC)] – coalizão de 11 partidos muito próximo do governo curdo iraquiano; e o Partido Democrático Curdo Sírio.

O Conselho Nacional Curdo e o Partido Democrático Curdo Sírio podem discordar em praticamente tudo, mas concordam quanto ao essencial: a guerra civil na Síria não pode invadir o Curdistão sírio. Afinal de contas, os curdos não são nem pró-Assad nem pró-oposição; eles só se interessam pelo que tenha a ver diretamente com os curdos. O acordo foi selado sob o patrocínio de outros curdos – os primos curdos iraquianos. E o acordo explica por que os curdos estão de fato no controle – pleno controle – de um enclave curdo no nordeste da Síria.

No que tenha a ver com a paranoia turca, há uma longa e sinuosa estrada [*] que leva de uma área semiautônoma a um Curdistão independente onde se reúnam os curdos sírios e iraquianos – para nem mencionar, no longo prazo, também os curdos turcos. Caso é que metade de um possível futuro Curdistão independente seria de fato turco. O pesadelo em andamento em Ancara é que quanto mais os Curdistões iraquiano e sírio aproximam-se da Turquia, mais aumentam o barulho e a agitação entre os curdos turcos em Anatólia.

As prioridades divergem: o objetivo chave dos curdos iraquianos é tornarem-se independentes de Bagdá (há quantidades gigantes de petróleo em solo curdo iraquiano). Mas os curdos sírios não têm petróleo algum. Não ter petróleo implica, para o que conta, não ter função, papel a desempenhar nem importância regional alguma, no Oleogasodutostão.

Tudo isso tem a ver, principalmente, com dois oleogasodutos estratégicos, de Kirkuk a Ceyhan – negócio tratado diretamente entre Ancara e os curdos iraquianos e que, em tese, ignorou Bagdá.

Não, não foi bem assim. Como Bagdá deixou bem claro, esses oleogasodutos só poderão começar a operar depois de paga a fatia devida ao governo central, que paga 95% do orçamento do Curdistão iraquiano.

“Quero ver seus documentos de IT (Identidade Terrorista)”

O presidente do Curdistão iraquiano Massoud Barzani disse à al-Jazeera [2] que sim – estão treinando os curdos sírios que desertaram do Exército Sírio para defender o enclave de facto. Foi Barzani quem supervisionou o negócio chave selado em Irbil dia 11 de julho, que levou as forças de Assad a retirar-se do Curdistão sírio.

As cidades que a mídia está chamando de “cidades libertadas” [3] são agora “conjuntamente governadas” pelo Partido Democrático Curdo Sírio e o Conselho Nacional Curdo. Formaram o que é conhecido agora como um Corpo Supremo Curdo.

Ninguém conseguirá jamais subestimar a capacidade dos curdos para atirar no próprio pé (e para outros lados). Portanto, é fácil entender que esse frenesi transnacional curdo aterroriza completamente não poucas almas em Istambul e Ancara. Esse comentarista [4] do diário turco Hurriyet disse bem: “os árabes estão combatendo; os curdos estão vencendo.” A Primavera Curda está ao alcance da mão. E já chega às fronteiras da Turquia.

Davutoglu poderia ter previsto: quando uma ex-política externa de “problemas zero” passa a dar abrigo a uma oposição armada que combate governo vizinho, só poderia dar confusão.

Sobretudo quando você começa a sentir ganas de matar “terroristas” que vivem em território vizinho – mesmo que seus aliados ocidentais os vejam como “combatentes da liberdade”. E, ao mesmo tempo, você apoia ativamente jihadis salafistas – ex-terroristas, atuais insurgentes – que cruzam livremente, para lá e para cá, por suas fronteiras.

Um Erdogan cada dia menos consistente e mais errático, invocou um “direito natural” [5] de combater “terroristas”. Mas, antes, o terrorista tem de mostrar o IT (documento de Identidade Terrorista): se for terrorista sunita árabe, passa livremente; se for curdo, leva chumbo.

Notas de rodapé

 
[1] Uppsala, Sweden, May 2012, Olof Palm International Center: “Divided They Stand –An Overview of Syria’s Political Opposition Factions” 


[2] 23/7/2012, Al-Jazeera, Jane Arraf, em: “Iraqi Kurds train their Syrian brethren”
 

[3] 26/7/2012, Kurd Net, “Iraq's Kurdistan Peshmerga forces will be called into Syria when needed, PYD Leader says”.
 

[4]. 27/7/2012, Hurriyet Daily News, Ertugrul Özkök em:“The Arab Spring has transformed into the Kurdish Spring”.
 

[5]. 27/7/2012, Hurriyet Daily News, Dogan News Agency em: “PM declares Syria intervention a ‘natural right’”.

Fonte Redecastorphoto. Traduzido pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu



Link:


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=189824&id_secao=9

Serviço Secreto de FHC monitorou militantes antineoliberalismo!

Serviço Secreto de FHC monitorou militantes antineoliberalismo - da Carta Maior

Documentos sigilosos do governo FHC, já desclassificados, indicam que militantes e políticos de esquerda, do Brasil e do exterior, foram monitorados pelo serviço secreto quando participavam de atividades antineoliberalismo. “Me assusta saber que um governo tido como democrático tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos pacíficos, que não representavam nenhuma ameaça à segurança nacional”, afirmou à Carta Maior o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Brasília - Documentos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional, indicam que militantes e políticos de esquerda que participavam de seminários, encontros e fóruns contra o neoliberalismo foram monitorados pela Subsecretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), o órgão que substituiu o Serviço Nacional de Inteligência (SNI), em 1990, até a criação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em 1999.

Como a maioria dos documentos desclassificados são os de nível reservado e se referem apenas ao período 1995-1999, não é possível precisar o grau deste monitoramento. Pela nova Lei de Acesso à Informação, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em maio, os documentos reservados são liberados decorridos cinco anos, os secretos, 15 e os ultrassecretos, os mais importantes, somente após 25 anos. Mas o acervo já disponível deixa clara a linha de atuação do serviço.

Há registros que fazem referências explícitas às informações colhidas em revistas e jornais, prática tida como recorrente no serviço que perdera status e orçamento após o fim da ditadura. Mas outros revelam espionagem direta. O seminário “Neoliberalismo e soberania”, por exemplo, promovido pela Associação Cultural José Marti, a Casa da Amizade Brasil-Cuba, no Rio de Janeiro, de 5 a 9 de setembro de 1999, foi integralmente gravado em 12 fitas cassetes, entregues ao escritório central da SAE.

Chiapas

Em julho de 1996, o serviço deu especial atenção à realização, em Chiapas, no México, do Encontro Internacional pela Humanidade e contra o Neoliberalismo. “A significativa presença internacional de ativistas de esquerda transforma a região em novo polo de atração revolucionária latinoamericana”, dizia o documento produzido pelo escritório central da SAE. Os relatórios também contêm pautas de discussões, análise de conjuntura e listas de participantes brasileiros.

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, figura nesta lista. “Me assusta muito saber que um governo tido como democrático tutelou de forma ilegal pessoas que participavam de eventos absolutamente pacíficos, que não representavam nenhuma ameaça à segurança nacional”, afirmou à Carta Maior. Na época secretário nacional de Comunicação do PT, o ministro disse recordar-se que não divulgara sua participação no evento. “É possível até que a SAE tenha contado com o apoio de algum serviço secreto de outro país”, acrescentou.

Mesmo fazendo a ressalva de que tais procedimentos poderiam não ser de total conhecimento do presidente à época e que as informações sobre a natureza do trabalho da SAE no período ainda estão incompletas, o ministro avalia que a simples menção do nome de uma pessoa que participou de um evento democrático em documentos oficiais do serviço secreto é uma prática condenável. “O que a gente espera do serviço secreto de um governo democrático é que ele esteja atuando para defender as fronteiras do país, evitar ameaças externas, e não para monitorar pessoas que estavam lutando pelo aprimoramento da democracia”, acrescentou.

O coordenador do Projeto Memória e Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Gilney Viana, na época deputado federal pelo PT, foi outro fichado por participar do evento em Chiapas. Ex-preso político da ditadura por dez anos, ele sabia que seus passos foram ostensivamente seguidos pelos agentes secretos até a extinção do SNI, mas ficou chocado ao saber que continuou a ser alvo durante um governo democrático. “Eu até compreenderia que os Estados Unidos estivessem monitorando o evento de Chiapas, mas o serviço secreto brasileiro realmente me surpreendeu”, disse.

Belém

O II Encontro pela Humanidade e contra o Neoliberalismo mereceu atenção redobrada por ter sido realizado em território brasileiro. Mesmo as etapas preparatórias do evento, que ocorreu em Belém (PA), de 6 a 11 de dezembro de 1999, estão registradas na SAE. Um relatório antecipa a mensagem do subcomandante Marcos, do Exécito Zapatista para Libertação Nacional do México, para o evento. Há relações de participantes e descrição dos assuntos debatidos nas etapas preparatórias de pelo menos Belém, Salvador, Brasília e Macapá.

O lançamento do evento, patrocinado pela prefeitura de Belém, também foi documentado. No relatório da SAE, há a informação de que os organizadores queriam incrementar a geração de recursos por meio da venda de objetos com a logomarca do evento, a realização de shows com artistas locais bem como com as inscrições. Entre os participantes do II Encontro, estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a filósofa Marilena Chauí, o sociólogo Chico de Oliveira e o ex-governador do Rio Leonel Brizola, além dos escritores José Saramago e Luiz Fernando Veríssimo.

Foro de São Paulo

Considerado à época o principal organismo aglutinador de partidos e entidades de esquerda do continente, o Foro de São Paulo, criado em 1990 pelo PT com o apoio do então presidente cubano Fidel Castro, também teve suas atividades amplamente monitoradas. A 6ª edição, realizada em El Salvador, em julho de 1996, está registrada em relatório sobre as atividades internacionalistas do PT.

A 7ª edição, que aconteceu em Porto Alegre (RS), em 1997, foi ainda mais espionada. O pacote de documentos realtivos ao evento inclui relatórios setoriais produzidos pelos grupos de trabalho, lista completa de presenças e até fotos dos participantes. São citadas lideranças de esquerda, nacionais e internacionais. Entre os brasileiros, o ministro Gilberto de Carvalho, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro e o deputado estadual gaúcho, Raul Pont (PT).

Em relatório específico, a SAE observou que, durante o evento, o então ex-prefeito da capital gaúcha Tarso Genro havia lançado o livro “O orçamento participativo – a experiência de Porto Alegre”, escrito em parceria com o então secretário de formação do PT, Ubiratan de Souza, classificado como “ex-militante da VPR”.

Os relatórios relativos à 8ª edição, que ocorreu no México, em 1999, registraram as presenças de vários brasileiros, como o atual líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do hoje assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Grupo do México

O 4º Encontro do Grupo do México, realizado em Santiago, no Chile, nos dias 10 e 11 de maio de 1997, foi registrado pela SAE em relatório como o “marco do surgimento de uma política que transcende a esquerda”. De acordo com o serviço secreto brasileiro, “o Grupo do México é formado por representantes de partidos de centro-esquerda e teve sua origem a partir do PNUD, com o objetivo de buscar a construção de um projeto econômico para a América Latina, alternativo aos padrões neoliberais”.

Na documentação, estão descritos os principais pontos de unidade entre os presentes e há uma lista com os nomes dos brasileiros presentes. Entre eles, o ex-presidente Lula, seus ex-ministros petistas José Dirceu e Mangabeira Unger, o ex-governador do Rio, Leonel Brizola (PDT), os ex-deputados Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) e Zaire Resende (PMDB-MG), além de Marco Aurélio Garcia e Tarso Genro, entre outros.

Attac no Brasil

O diretor-presidente da Carta Maior, Joaquim Palhares, também foi citado em documentos da SAE, principalmente por ter sido, em 1996, ao lado do ativista Chico Whitaker, um dos fundadores no Brasil da Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos (Attac), criada na França, com o objetivo de instituir um imposto sobre transações financeiras internacionais. “Muitos militantes de esquerda ainda tinham a impressão de estarem sendo monitorados mesmo após a ditadura. Mesmo assim, a confirmação desta prática causa indignação”, afirma.

Crítica contundente da ciranda financeira de capitais voláteis alimentada pelo neoliberalismo, a Attac foi preocupação constante para a SAE. A visita ao Brasil do presidente internacional a entidade, o ativista francês e diretor do jornal Le Monde Diplomatique, Bernardo Cassen, entre 1 a 5 de março de 1999, foi acompanhada com atenção. Os relatórios do serviço informam que Cassen proferiu palestras em cinco capitais brasileiras (Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), nas quais apresentava os objetivos da organização, traçava o histórico da crise econômica mundial, defendia a adoção da chamada Taxa Tobin para a taxação do capital especulativo internacional e exortava as plateias a lutarem contra o projeto neoliberal.

Nos documentos produzidos, também constavam os nomes dos militantes identificados nas plateias de Cassen. Do escritório da SAE em Belo Horizonte, por exemplo, chegou o informe das participações de Lula, então presidente do PT, do coordenador do MST, João Pedro Stédile, do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, do geógrafo Milton Santos e do cientista político Cezar Benjamin, entre outros. Os ex-presidente Lula tinha suas atividades relatadas pela SAE, tanto pela sua militância antineoliberalismo como por ser o principal adversário político de FHC.

Viagens a Cuba

Mesmo com o fim da guerra fria e da ditadura, as viagens de brasileiros a Cuba continuaram a ser alvo de preocupação do serviço secreto. Principalmente quando se cruzavam com a luta antineoliberal. De 21 de julho a 21 de agosto de 1996, foi realizado, em Cuba, o curso de formação sindical “Neoliberalismo e Globalização da Economia”. Informes registram a participação de brasileiros, entre eles os sindicalistas Adriano Torquato, Francisco Nascimento Araújo, José Nunes Passos e Nonato César.

Há relatório de alerta para a realização em Cuba, em 1997, do Seminário Internacional sobre o Neoliberalismo, promovido pela Federação Mundial da Juventude Democrática, com a presença de militantes do MR8. No relatório pós-evento, está relatada a participação de 1,2 mil trabalhadores de 453 organizações sindicais, políticas e acadêmicas de 63 países. Do Brasil, participaram cerca de 300 sindicalistas, incluindo representantes da CUT. Há menção detalhada dos participantes. Um informe exclusivo apontava, por exemplo, o embarque de dois vereadores de Montes Claros (MG): Aldair Fagundes (PT) e Lipa Xavier (PCdoB).

Outro informe alertava que a edição seguinte seria realizada no Brasil, em 1999. O evento, organizado pela CUT, no Rio de Janeiro, de 1 a 3 de setembro de 1999, também foi documentado pelo serviço, que apresentou os textos integrais da declaração da Federação Sindical Internacional, do discurso do delegado de Cuba, Pedro Ross Leal, do delegado da França, Freddy Huck, e a proposta da CUT, entre outros.

Atividades internacionais do MST

Em 1996, a SAE acompanhou a participação integrantes do MST no seminário “Crisis del Neoliberalismo Y Vigências de las Utopias em La America Latina”, na Argentina, entre os dias 8 e 13 de outubro. Antes do embarque dos militantes sem-terra, um informe produzido pelo escritório central já alertava sobre a viagem.

Também em 1996, o serviço registrou a participação do coordenador do MST, João Pedro Stédile, no seminário América Livre, em Buenos Aires, com Emir Sader e Frei Betto.

Atividades rotineiras

Sader é citado também por sua participação em eventos comuns, como o lançamento do livro “O século do crime”, dos jornalistas José Arbex Junior e Cláudio Tognolli, em São Paulo, no dia 7 de agosto de 1996. Conforme o relatório da SAE, os autores “enfatizaram que a proliferação e o crescimento das máfias foram estimulados pela era neoliberal”.

O mesmo ocorreu com o deputado estadual gaúcho Raul Pont (PT), monitorado tanto quando participava de eventos internacionais, como o Foro de São Paulo, quanto em atividades rotineiras. A SAE registrou, por exemplo, que em novembro de 1995, quando era vice-prefeito de Porto Alegre, Pont foi recebido por papeleiros da Associação Profetas da Ecologia, na companhia do teólogo Leonardo Boff. “Eu me lembro vagamente que visitei essa cooperativa, que tinha o apoio da prefeitura e realizava um trabalho pioneiro em reciclagem de lixo”, relatou à Carta Maior.

De acordo com o relatório da SAE, o registro do evento se deu porque Boff relacionava os problemas ambientais do planeta à adoção crescente do modelo neoliberal. “Esta foi uma das atividades mais pacíficas de que já participei. Não havia nada que indicasse perigo ao governo da época. É difícil acreditar que esse tipo de coisa ocorria no governo do príncipe da sociologia”, disse.

Estudos sobre a doutrina

Um documento produzido em 1997 pelo escritório central da SAE justifica a importância dada ao tema neoliberalismo. Conforme a interpretação dos arapongas oficiais, o neoliberalismo é a teoria econômica criada após a segunda guerra como anteparo a expansão do comunismo no mundo. Teve a Inglaterra e os EUA como seus principais defensores e caracteriza-se, basicamente, pelo livre comércio, austeridade nas contas públicas, privatização, crescimento do sistema financeiro e fortalecimento do mercado.

Os agentes da SAE se debruçavam também sobre obras relativas ao tema produzidas por intelectuais de esquerda. O professor da Universidade de Nova York, James Petras, que já tinha suas atividades monitoradas pelo SNI desde a ditadura, recebeu atenção especial.

O livro “Latin American: The left strikes”, sobre a atuação das esquerdas latinoamericanas em contraposição ao neoliberalismo e à globalização, liderados pelos Estados Unidos, foi objetivo de relatório específico, principalmente porque destacava que as esquerdas latinoamericanas já haviam encontrado uma nova e eficiente forma de atuação. Os exemplos citados na obra são o MST, no Brasil, os Zapatistas, no México, as organizações camponesas, no Paraguai, e os plantadores de coca, na Bolívia e na Colômbia. Todos eles movimentos monitorados pelo sistema.

Em 1999, a SAE voltou a dividir com todo o sistema de inteligência o conteúdo de um outro livro de Petras, o recém lançado “Neoliberalismo, América Latina, Estados Unidos e Europa”. Um documento produzido pelo escritório do Rio de Janeiro resumiu os capítulos da obra e ainda relatou atividades correlatas promovidas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Antes disso, o serviço secreto registrou a visita de Petras ao Brasil para o lançamento da obra, ocorrido em 20 de maio de 1999, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

(*) Colaborou na pesquisa histórica Rafael Santos

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CPMI do Cachoeira convocará jornalista da 'Veja' para depor!

CPMI do Cachoeira convocará jornalista da Veja para depor

Nesta segunda, juiz que investiga o caso Cachoeira acusou a mulher do contraventor de tentar chantageá-lo com base em dossiê produzido pelo diretor da sucursal da Veja em Brasília, Policarpo Junior. “Com os acontecimentos de hoje, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa. Discutiremos a convocação na primeira reunião da CPMI”, disse à Carta Maior o vice-presidente da Comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Brasília - O diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, o jornalista Policarpo Junior, será convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investiga os crimes cometidos pela organização criminosa chefiada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. “Com os acontecimentos de hoje, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa. Já iremos discutir a convocação na primeira reunião da CPMI”, afirmou à Carta Maior o vice-presidente da Comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Nesta segunda (30), a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, foi detida sob a acusação de tentar chantagear o juiz da 11ª Vara Federal de Goiânia, Alderico Rocha Santos, com base em dossiê produzido por Policarpo Junior, no qual o magistrado apareceria ao lado de políticos e empresários. O juiz relatou a chantagem ao Ministério Público Federal (MPF), que pediu a prisão da mulher do contraventor. Andressa foi detida pela Polícia Federal (PF) e liberada após firmar compromisso de pagar fiança.

“Isso demonstra que esta organização criminosa está ativa, buscando corromper e constranger autoridades públicas. E que Andressa não é apenas esposa de Cachoeira, mas um membro atuante desta quadrilha, que precisa ser desarticulada”, disse o vice-presidente da CPMI. Segundo ele, a acusada está convocada para depor na CPMI no dia 7. Já Policarpo, ainda terá data agendada.

Indústria de dossiês

Desde o início dos trabalhos da CPMI do Cachoeira, são muitas as denúncias que indicam relações entre a revista Veja e a organização criminosa, que seriam intermediadas por Policarpo. Confira algumas:

As ligações entre Cachoeira, escolas chinesas em Goiás e Veja

Cachoeira: “O Policarpo, ele confia muito em mim, viu?”

Os encontros entre Policarpo, da Veja, e os homens de Cachoeira

Jornalista da Veja favoreceu Cachoeira em depoimento de 2005

Link:

domingo, 29 de julho de 2012

Pepe Escobar: “Sangue sírio risca nova linha na areia”!

Pepe Escobar: “Sangue sírio risca nova linha na areia” - do Vermelho

Era uma vez, no começo do século passado, riscou-se uma linha na areia, de Acra a Kirkuk. Duas potências coloniais – Reino Unido e França – desdenhosamente dividiram entre elas o Oriente Médio; tudo, ao norte da linha, era da França; tudo, ao sul, do Reino Unido.

Por Pepe Escobar, no Asia Times Online


Muitos golpes – e tragédias concêntricas – depois, uma nova linha está sendo riscada na areia, por Arábia Saudita e Catar. Tudo, entre Síria e Iraque, é deles. Pode-se falar do retorno do reprimido; agora, integrados ao composto Conselho de Cooperação do Golfo-Organização do Tratado do Atlântico Norte (CCGOTAN), amancebaram-se com os ex-patrões colonialistas.

Golpe a golpe


Não importa o que diga a imprensa-empresa ocidental militarizada, o jogo não está acabado na Síria – ainda não. Ao contrário: o jogo sectário está só começando.

É o Afeganistão dos anos 1980, tudo outra vez. As mais de 100 gangues pesadamente armadas que se matam em guerra civil na Síria só fazem aumentar, cevadas com dinheiro do CCG que lhes compram RPGs no mercado negro. Magotes de jihads salafistas estão entrando na Síria – vindos não só do Iraque, mas também do Kuwait, Argélia, Tunísia e Paquistão, respondendo às conclamações iradas de seus imãs. Sequestro, estupro e morticínio generalizado de civis favoráveis ao regime de Assad estão convertidos em lei da terra.

Para vingar-se, caçam cristãos. [1] Expulsam exilados iraquianos que viviam em Damasco, sobretudo os de Sayyida Zainab, bairro predominantemente xiita, cujo nome é homenagem à neta do Profeta Maomé enterrada na bela mesquita local. A BBC, diga-se a favor dela, afinal decidiu cobrir a história. [2]

Há execuções sumárias: o vice-ministro do Interior do Iraque Adnan al-Assadi disse à AFP que guardas de fronteira iraquianos viram o Exército Sírio Livre [orig. Free Syrian Army (FSA)] ocupar um posto de fronteira e imediatamente “executar 22 soldados sírios ante os olhos de soldados iraquianos”.

O posto de passagem de fronteira em Bab al-Hawa, entre Síria e Turquia, foi invadido por nada menos que 150 autodenominados mujaedim [3] de várias nacionalidades – vindos de Argélia, Egito, Arábia Saudita, Tunísia, Emirados Árabes Unidos, Tchetchênia e até da França, que proclamam a própria afiliação à Al-Qaeda no Maghreb Islâmico [orig. Al-Qaeda in the Islamic Maghreb (AQIM)].

Queimaram vários caminhões turcos. Filmaram o próprio vídeo de propaganda.

Não há como entender a dinâmica síria sem saber que praticamente nenhum dos comandantes do Exército Sírio Livre é sírio: quase todos são sunitas iraquianos. O ESL só conseguiu capturar a passagem de fronteira em Abu Kamal entre Síria e Iraque, porque toda a área é controlada por tribos sunitas que fazem oposição visceral ao governo de Al-Maliki em Bagdá. O livre fluxo de mujaedins, de jihads linha duríssima e de armas, entre o Iraque e a Síria, está agora plenamente, completamente, totalmente estabelecido.

A ideia da Liga Árabe – que age como porta-voz em traje completo do CCGOTAN – de oferecer exílio a Bashar al-Assad é tão ridícula quanto a CIA ser encarregada de decidir quais os grupos de mujaedins e jihadi que podem ter acesso às armas financiadas pelos sauditas e pelo Catar.

À primeira vista, talvez não tenha passado de piada sem graça. Afinal, a oferta de exílio foi feita por aqueles exemplares paradigmáticos de democracia, a Casa de Saud e o Catar, que mandam na Liga Árabe e estão financiando a jihad e os mujaedim anti-Síria.

Mas Bagdá condenou publicamente a oferta de exílio. Os desenvolvimentos – de fato, aconteceu no mesmo dia – foram dignos do Coringa (aquele, o arqui-inimigo do Batman): uma onda de bombas antixiitas no Iraque, com mais de 100 mortos, cuja autoria foi reivindicada pelo Estado Islâmico do Iraque, franquia local da Al-Qaida. O porta-voz Abu Bakr al-Baghdadi ordenou energicamente que as tribos sunitas em Anbar e Nineveh unam-se à jihad e derrubem o governo “infiel”, em Bagdá.

O infindável vai-e-vem de mujaedim/jihadi entre Síria e Iraque está mais do que confirmado por Izzat al-Shahbandar, alto membro do Parlamento do Iraque e assessor próximo do Primeiro-Ministro al-Maliki. Bagdá tem até listas atualizadas. Esse trânsito só faz deflagrar discursos cada vez mais frenéticos, em fala cada vez mais orwelliana, como aponta a página de internet Moon of Alabama [Lua sobre o Alabama]. [4]

Mujaedins e jihadis ativos no Iraque chamam-se agora “insurgentes iraquianos”. E mujaedim e jihadis ativos na Síria continuam a ser os “rebeldes sírios” de sempre. Todos foram rebaixados: perderam o título de “terroristas”. Seguindo essa lógica, o atirador Batman-do-Colorado pode também ser apresentado como um “insurgente”.

Sigam o dinheiro

No pé em que estão as coisas, os romanticizados “rebeldes” sírios plus os neo “insurgentes” (ex-“terroristas”) não podem vencer o exército sírio – nem se os sauditas e qataris fizerem chover sobre eles cataratas de dinheiro e armas.

Nem há qualquer sinal de que o regime esteja considerando a possibilidade de retirada rumo às montanhas alawitas no norte da Síria, como sugerido num blog de discussão sobre política externa. Afinal de contas, os “rebeldes” não controlam nem um palmo de território.

De garantido, só quem lucrará mais com a progressiva balcanização da Síria. A Casa de Saud e o Catar adorariam ver a guerra civil exportada para o Iraque e o Líbano: nos seus rasos cálculos estratégicos, daí nasceriam regimes sunitas amigos (deles).

Por isso, contem com muito dinheiro saudita e qatari comprando todo e qualquer apparatchik bem relacionado que encontrem no regime sírio – mesmo no caso de a burguesia sunita urbana ainda não ter abandonado o barco.

E, com a guerra civil alastrando-se, um tsunami de armas continuará a inundar a Jordânia, o Líbano, o Iraque e, claro, a Turquia, e chegarão às mãos de todas as griffes, uniformes e fantasias de gangues armadas, inclusive aos curdos – e a mais de uma faceta da já descartada Turquia neo-otomana que assiste, impotente, ao esmagamento dos estados-nação que foram riscados na areia, naquela linha colonial dos anos 1920s.

Estrategicamente, sempre será guerra por procuração: na essência, é Arábia Saudita versus Irã. A Casa de Saud (que financia islamistas fanáticos de linha duríssima de todas as cores) versus o Catar (que apoia a Fraternidade Muçulmana “deles”). Mas, sobretudo, é CCG-OTAN-EUA versus Irã.

Os motivos de Israel vão bem além da sanha sectária de sauditas e qataris. O primeiro-ministro de Israel “Bibi” Netanyahu acaba de desenterrar um Bushismo: definiu Irã-Síria-Hezbollah como um “eixo do mal”. O sonho de longo prazo de Telavive é claro: que Washington, com governo Obama ou sem, detone o tal “eixo”.

Ter claro um objetivo de longo prazo não impediu o absoluto enlouquecimento do ministro da Defesa de Israel: pôs-se a especular sobre uma invasão à Síria que se explica(ria) porque a Síria estar(ia) repassando mísseis antiaéreos e até armas químicas ao Hezbollah.

Washington, por sua vez, adoraria por no governo em Damasco um regime-fantoche sunita, no mínimo; para turbinar o cerco ao Irã – sem aumentar demais o pânico existencial de Israel.

Mas o que se faz passar por “poder esperto” [orig. “smart power”] nada é, além de delírio-desejante & autoglorificação. Na nota [5], abaixo, os que se interessem encontrarão informação sobre o que há na cabeça de alguns funcionários do governo dos EUA que trabalham a favor de Israel e planejam hoje o que eles mesmos chamam de “Síria pós-Assad”.

Entra em cena um neo-Bane*

Apesar do muito dinheiro já gasto na produção, a jihad da OTAN – associada à Al-Qaida, afiliados e periguetes adjuntas – ainda não conseguiu mudar regime algum na Síria. Não haverá sanções do Conselho de Segurança da ONU, como Pequim e Moscou já disseram (e mostraram) três vezes. Por isso, vai e vem, sempre aparece algum Plano B. O mais recente parece copiado do Manual usado no Iraque: Damasco usou armas químicas em ataque contra civis. Não sobreviveu sequer até o “noticiário” de TV do dia seguinte.

O presidente Vladimir Putin da Rússia já disse: mudança de regime é anátema, especialmente por uma razão que praticamente ninguém percebe no ocidente – jihadis nas portas de Damasco implica que estariam a uma pedrada do Cáucaso, a possível nova pérola do letal colar planejado para desestabilizar a Rússia muçulmana.

A volta do chicote, enquanto isso, está pronta a ferir novamente, como a Medusa. Os, para todos os efeitos práticos, esquadrões da morte, de mujaedim/jihadi do CCGOTAN, adorariam deixar sangrar a Síria até a morte, por cem cortes sectários – sobre a areia e especialmente nas cidades. Está aberta a temporada de caça: caçam-se alawitas, mas também cristãos (10% da população).

Uma política externa que privilegie os jihadis sunitas (antes chamados de “terroristas”), na criação de um estado “democrático” no Oriente Médio é ideia que parece brotada da cabeça de Bane – bandidão que é a soma de Hannibal Lecter com Darth Vader, e estrela de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), último capítulo da trilogia de Batman. Ah, sim, nós o criamos. Aos melhores falta qualquer convicção. Os piores estão tomados de paixão intensa. Enquanto isso, um super-homem sunita jihadi mascarado rasteja rumo a Damasco, onde nascerá.

Notas de rodapé:
[1] 9/6/2012, Vatican Inside, em: Syria’s ultimatum to Christians: “Leave Qusayr”


 

[2] 20/6/2012, BBC, Rami Ruhayem em: Syria crisis: Iraqis flee “sectarian violence” in Damascus
 

[3] 22/7/2012, Al-Arabiya, “Syrian rebel forces occupy second border post with Turkey”
 

[4] 23/7/2012, Moon of Alabama, em: Policy Change: “Terrorists” Are Now “Insurgents” [Mudança de política: Os “terroristas” viraram “insurgentes”]. É a mais impressionante retradução orwelliana que jamais se viu. Durante anos, as expressões “Al-Qaeda” e “grupo terrorista” foram usadas praticamente como sinônimas.Mas agora, sob comando do governo Obama, o New York Times reescreveu o Manual da Redação: “Al-Qaeda” designa agora uma espécie de “insurgência neutra”.
 

[5] 20/7/2012, The Cable, Josh Rogin em: “Inside the quiet effort to plan for a post-Assad Syria”: “Planejando a Síria pós-Assad”. Ao longo dos últimos seis meses, 40 altos representantes de vários grupos de oposição da Síria têm-se reunido discretamente na Alemanha, sob coordenação do US Institute of Peace (USIP), para planejar o que deve ser um governo sírio pós-Assad.

O projeto, do qual não participam funcionários do governo dos EUA, mas que é parcialmente pago pelo Departamento de Estado começa a ganhar importância, agora que a espiral de violência alastra-se pela Síria e evanescem as últimas esperanças de que se possa alcançar transição pacífica de poder na mudança de regime. (...) O grupo assessorou os funcionários do governo também nas reuniões dos “Amigos da Síria”, em Istambul, mês passado. O projeto é chamado “O dia seguinte: apoio à transição democrática na Síria”.

*Bane é um dos super arqui inimigos de “Batman”, que teve vida curta, num seriado de 1994, e sumiu para sempre. Mas causou terrível dano ao Batman.

Fonte Redecastorphoto. Traduzido pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu


Link:

 http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=189322&id_secao=9

O Mercosul na sua segunda geração!

O Mercosul na sua segunda geração- por Jeferson Miola, da Carta Maior

A entrada da Venezuela coloca o Mercosul em um novo estágio. O bloco fica ampliado nas dimensões econômicas, comerciais, culturais e demográficas. Territorialmente, incorpora mais de 900 mil quilômetros quadrados, que é praticamente as superfícies de França e Alemanha somadas. Consolida o domínio sobre as maiores reservas energéticas, minerais, naturais e de recursos hídricos do planeta. A partir de agora, o Mercosul passa a ser a região com a maior reserva mundial de petróleo. O artigo é de Jeferson Miola.

No último 13 de julho o Governo da Venezuela formalizou na Secretaria do Mercosul o Instrumento de Ratificação do Protocolo de Adesão da República Bolivariana da Venezuela ao Mercosul, assinado em 04 de julho de 2006. Dessa forma, o país cumpre as formalidades para seu ingresso pleno no bloco, passando da condição de Membro Associado à qualidade de Estado Parte.

O ingresso da Venezuela foi aprovado pelas Presidentas Cristina Kirchner, da Argentina, Dilma Rousseff, do Brasil e pelo Presidente José Mujica, do Uruguai, na Cúpula Presidencial de 29 de junho de 2012, na cidade argentina de Mendoza.

O Mercosul nasceu num contexto histórico e político muito diferente do atual. Menem governava a Argentina, Collor o Brasil, Andrés Rodriguez o Paraguai e Alberto Lacalle presidia o Uruguai. Era o auge da fanfarra neoliberal e das promessas da globalização financeira que supostamente levariam a humanidade a um nirvana que, na verdade, se converteu num tremendo pesadelo. Em 1991, a constituição do “Mercado Comum do Sul” visava coordenar políticas macroeconômicas e de liberalização comercial no marco de uma inserção desfavorável à globalização neoliberal.

O epicentro daquele Mercosul idealizado em 1991 eram as relações comerciais e a coordenação dos interesses das mega-empresas transnacionais e dos monopólios econômicos na maximização dos lucros auferidos regionalmente para a transferência às suas matrizes, radicadas sobretudo na Europa e nos Estados Unidos.

Em 2012 este projeto de integração completou 21 anos, marcado por limites e contradições; mas, também, exibindo avanços em diversos campos. Desde 2003, a partir da assunção de governos de esquerda e progressistas na região, notadamente sob a liderança inicial de Kirchner e Lula, a fisionomia do Mercosul vem sendo transformada.

O comércio intra-bloco passou de 4,5 para 50 bilhões de dólares anuais; foi criado um Parlamento próprio; 100 milhões de dólares ao ano são aplicados pelo FOCEM [Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul] a fundo perdido na execução de investimentos sociais e de infra-estrutura para diminuir as assimetrias e disparidades entre os países; está sendo implementado um Estatuto da Cidadania, e a “integração anti-Condor” converteu as políticas de direitos humanos adotadas no MERCOSUL em paradigma mundial.

A entrada da Venezuela significa o aprofundamento desta transformação, e coloca o Mercosul em um novo estágio. O bloco fica ampliado nas dimensões econômicas, comerciais, culturais e demográficas. Territorialmente, incorpora mais de 900 mil quilômetros quadrados, que é praticamente as superfícies de França e Alemanha somadas. Consolida a jurisdição e o domínio sobre as maiores reservas energéticas, minerais, naturais e de recursos hídricos do planeta. Seguramente deverá ter maior protagonismo no jogo geopolítico internacional.

A ampliação do Mercosul naturalmente será acompanhada de dificuldades, mas também de inúmeras conveniências. Contribui para maior coesão da região, para a estabilidade democrática, para a diminuição de conflitos e aumenta a segurança e a capacidade de defesa. 

A maior integração também conforma um ambiente comunitário mais favorável à adoção de estratégias comuns de desenvolvimento, aproveitando o mercado regional de massas incrementado em 29 milhões de pessoas e um comércio intraregional de produtos manufaturados com maior valor agregado. A partir de agora, o Mercosul passa a ser a região do globo com a maior reserva mundial de petróleo, adquirindo maior poder de influência na definição das políticas energéticas no mundo.

Desde a assinatura do Tratado de Assunção em 1991, dois acontecimentos marcaram uma inflexão geopolítica e estratégica do Mercosul numa perspectiva pós-neoliberal. O primeiro deles foi o sepultamento, em 2005, da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, que representava uma perigosa ameaça à soberania, ao desenvolvimento e à independência dos países do hemisfério. 

O segundo acontecimento marcante está se dando justo neste momento, com o ingresso pleno da Venezuela no Bloco, inaugurando o que se poderia considerar como a segunda geração do MERCOSUL e do processo de integração regional.

A América do Sul foi historicamente prejudicada pelas grandes potências - especialmente pelos Estados Unidos - que preferem nosso rico e promissor continente dividido – ou desunido – a um continente integrado e capaz de construir soberanamente seu destino. Esta realidade faz compreender as razões do conservadorismo que combate - por vezes de forma irascível - o ingresso da Venezuela no Mercosul e o fortalecimento dos laços regionais de amizade, de harmonia e de integração.

O crescimento do Mercosul poderá ser fator de estímulo para o ingresso de outros países nesta comunidade, que já examina com o Equador as condições para sua adesão. A unidade regional, que já é física devido à contiguidade territorial, poderá assumir características de uma integração mais avançada, abrangendo tanto aspectos comerciais e econômicos, como sociais, culturais e políticos. 

Isto propiciará um melhor posicionamento estratégico e geopolítico da região no mundo, o que será benéfico para cada país individualmente e para o conjunto das nações no enfrentamento dos problemas e na defesa de interesses que são comuns a elas.

O Mercosul altivo e motorizando o fortalecimento da América do Sul é a melhor contribuição que o continente pode dar à paz e à igualdade no mundo. Constitui uma resposta eficiente à prolongada crise do capitalismo mundial, protegendo as conquistas sociais e econômicas logradas na última década pelos atuais Governos da região dos avanços da sanha neoliberal que na Europa trata do desmonte do Estado de Bem-Estar social em nome da austeridade fiscal e da proteção dos interesses da especulação financeira.

(*) Exerce a função de Diretor da Secretaria do MERCOSUL em Montevidéu. Este texto expressa opiniões de caráter pessoal que não devem ser consideradas como sendo da Instituição.

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A expansão da classe C no Brasil! (Marcelo Neri no programa 'Conta Corrente')!

Cresce adesão pela federalização dos crimes e extinção da PM!

Cresce adesão pela federalização dos crimes e extinção da PM

Mais de 300 pessoas se aglomeraram no MP Federal exigindo mudanças na conduta da segurança pública em São Paulo, bem como a construção de uma campanha que pressione o poder público e conscientize a sociedade sobre a problemática da violência estatal. Precisamos acabar com essa roleta russa que pode estourar na cabeça de qualquer pessoa”, disse Daniela Skromov, do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública

São Paulo - “É o melhor exercicio da democracia representativa, tantas pessoas e entidades reunidas para um mesmo fim. Precisamos acabar com essa roleta russa que pode estourar na cabeça de qualquer pessoa”, disse Daniela Skromov, do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública, no inicio da Audiencia Pública que ocorreu no último dia 26, acerca do extermínio de jovens que vem ocorrendo no estado de São Paulo desde maio. Estima-se que 200 mortes já ocorreram neste período. Mais de 300 pessoas se aglomeraram no Ministério Público Federal exigindo mudanças efetivas na atual conduta da segurança pública na capital, bem como a construção de uma campanha que pressione o poder público e conscientize a sociedade sobre a problemática da violência estatal.

Matheus Beraldi, procurador da República, criticou a atual conjuntura da polícia e apontou para a necessidade de uma ação concreta contra os crimes cometidos pela PM. “É preciso afastar imediatamente o comando da Polícia Militar. A estrutura ideológica da policia é de reforçamento da violência, criam-se assassinos incontroláveis, o ‘praça’ se tornou uma maquina de matar descontrolada”, afirmou.

“Nós temos em São Paulo 31 Pinheirinhos, porque temos 31 subprefeituras e 62 coronéis militares na ativa. É preciso eliminar a militarização da administração pública. É preciso extinguir a policia militar, é preciso extinguir todas as polícias”, afirmou Maurício Ribeiro Lopez, promotor de Justiça do Estado de São Paulo. Em média 600 homicídios são cometidos pela polícia por ano no estado, sem contar as cifras ocultas - casos não contabilizados. As execuções cometidas pela polícia não são computadas como homicídios, e sim como "mortes em confronto", registrada como “resistência seguida de morte”.

Os casos envolvendo a polícia, em sua maioria, não são apurados de maneira efetiva. As cenas do crime são frequentemente alteradas pelos próprios PMs, através do “kit vela”, que consiste em uma série de objetos como armas frias e drogas para justificar as mortes ocorridas, por meio da criminalização da vítima. As investigações são arquivadas rapidamente e sem a possibilidade da familia ou outras instâncias recorrerem. Na própria estrutura policial existem mecanismos autoritários que levam ao arquivamento do processo sem a devida perícia.

“A segurança pública é um direito humano. Foi uma recomendação da ONU acabar com a Polícia Militar”, afirmou Rose Nogueira à Carta Maior. “A polícia sai do quartel com uma doutrina de guerra na cabeça, o outro é sempre o inimigo, que tem que ser eliminado, e a estrutura recompensa o abuso de violencia. É a impunidade que permite isso. O Brasil não teve justiça de transição efetiva após o periodo ditatorial, precisamos desvendar o que aconteceu na ditadura. Hoje temos o mesmo modelo, com nomes diferentes”, continuou Rose, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP.

O coronal Paes de Lira da PM indagou a legitimidade da audiência. Segundo ele, ao ser chamada no calor dos acontecimentos é “tendenciosa e está contaminada ideologicamente”. No final do evento, ao ser questionado por um integrante do Movimento Mães de Maio acerca das mortes de seus familiares pela polícia, questionou o motivo da pergunta dizendo que “todos vamos morrer um dia”.

Durante a audiência, o coronel da PM jogou luz às conquistas obtidas pela polícia ao longo de sua história centenária. “O hall de serviços prestado pela polícia militar, em nada justifica as atrocidades cometidas recentemente”, rebateu Beraldi, procurador do Estado.

“A segurança pública não deve ser reformulada, ela deve ser extinta, é um modelo opressor e exterminador”, afirmou Débora Silva Maria, do Movimento Mães de Maio, que também apontou para a perseguição aos jornalistas que vem denunciando os crimes cometidos pela PM. “Não podemos aceitar que a liberdade de imprensa seja atacada dessa maneira, que a policia continue como na ditadura a dizer o que o jornalista pode dizer ou não”, completou Rose Nogueira.

Ao fim da audiência propostas e encaminhamentos foram levantados, como a unificação e desmilitarização das polícias, independência na perícia técnica (hoje vinculada à policia civil), transparência nos dados, proteção efetiva aos denunciantes policiais, entre outros. A federalização dos crimes foi apresentado como uma das principais medidas em conjunto com o fim da resistência seguida de morte.


Link:

 http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20624

'Veja' e o photoshop de um tempo histórico!

MENSALÃO: O PHOTOSHOP DE UM TEMPO HISTÓRICO - da Carta Maior

Quando Serra ataca blogs críticos, classificando-os de 'sujos', ou se refere  ao PT como um partido que usa métodos nazistas, e 'Veja' faz do photoshop seu principal argumento 'jornalístico' na demonização de lideranças adversárias --como na capa da edição desta semana, com o ex-ministro José Dirceu-- , o objetivo  é infantilizar o discernimento da sociedade, quebrar seu senso crítico em relação a valores e interesses que de outro modo figurariam como suspeitos, ou  mesmo intragáveis, ao imaginário social. 


A infantilização da política é a tradução 'popularesca' da judicialização, o recurso  extremo de um tempo em que  projetos e referências históricas do conservadorismo foram tragados pela conflagração entre os seus interesses e as urgências da sociedade humana --entre elas a urgência financeira e ambiental. 

Órfãos da crise do Estado mínimo, açoitados diariamente pelo noticiário econômico, soterrados nos escombros das finanças desreguladas, aqui e alhures, que argumento lhes resta, além do photoshop dos fatos na tentativa, algo derrisória, de ainda vender peixe podre como iguaria inexcedível?  

Ao reduzir a crise da economia e da sociedade a um tanquinho de areia, a direita brasileira quer garantir o seu recreio  nas próximas semanas, fantasiando a hora do lanche à conveniência das eleições municipais, com a esperada ajuda de alguns bedéis togados.

Pode ser que atinja seu objetivo no estrito espaço do faz de conta judicial ao qual deseja circunscrever a história. 

Mas o mundo real, que o photoshop tenta desesperadamente congelar, esse já ruiu (LEIA MAIS AQUI)
(Carta Maior; Domingo/29/07/2012)

"Folha" reconhece que não há provas da existência do 'Mensalão'!

PHA - Folha inocenta Dirceu - do Conversa Afiada, 29/07/2012

Como diz a Folha no pé do editorial: o julgamento tem que ser feito fora dos autos.


Imagem enviada pelo amigo navegante Marco Antonio Borges

Saiu em editorial da Folha (*) com a suposta intenção de condenar o Dirceu:

À espera do mensalão


(…)

Evidências colhidas em sete anos de investigações, entretanto, não seriam suficientes, aos olhos de alguns especialistas, para caracterizar a ilicitude em duas questões centrais: a finalidade do esquema e a natureza dos recursos.

Não há nos autos elementos que sustentem de forma inequívoca a noção de que o objetivo do mensalão era comprar respaldo no Congresso. Sem a demonstração de que os pagamentos foram oferecidos em troca de apoio parlamentar, perdem alguma força as acusações de corrupção.

Quanto ao dinheiro, o STF precisará se pronunciar sobre sua origem, se pública ou privada. Comprovar o desvio de recursos públicos é pré-requisito para algumas acusações de lavagem de dinheiro, por exemplo.



PHA - Navalha
(…)

Navalha
Logo, não há como condenar o Dirceu – e muitos outros.

Como diz a Folha no pé do editorial: o julgamento tem que ser feito fora dos autos.

Tem que ser político.

Ou, como diz o editorialista, um julgamento para ficar na História.

Que História ?

A escrita pelo Otavinho ?

Ou a que o Mauricio Dias e o Leandro Fortes escreveram sobre o mensalão tucano, com a adição de um assasinato.


Em tempo:
essa montagem do Marco Antonio Borges é um barato, não?


Links:

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/07/29/folha-inocenta-dirceu/

Editorial da 'Folha':

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1127657-editorial-a-espera-do-mensalao.shtml


Meu Comentário!

Se não há nada, nos autos do processo, que prove a existência do ‘Mensalão’ (fato este que é reconhecido pela 'Folha' em seu editorial), então porque se promove essa farsa com este patético julgamento, que tem, claramente, um caráter reacionário e macarthista?

Até a ‘Folha’ já descobriu, e como já diz o Mino Carta há muitos anos, que não há nada que prove a existência do tal do ‘Mensalão’.

Esse julgamento do inexistente Mensalão é desonesto, canalha, macarthista, e tem uma natureza nazi-fascista. 

Ele é tão sério quanto os processos e julgamentos da Ditadura Militar, que torturava barbaramente os prisioneiros, para obrigá-los a confessar atos que jamais haviam cometido.

A diferença é que, hoje, a tortura é promovida pela Grande Mídia reacionária e golpista (afinal, ela apoiou todos os Golpes de Estado que aconteceram na América Latina nos últimos 10 anos), que promove uma brutal pressão sobre o STF para que o mesmo condene os réus, mesmo que não haja nenhuma prova que sustente as acusações feitas contra os mesmos. 


Hitler, Mussolini e Pinochet devem estar vibrando com a atuação dessa Grande Mídia retrógrada e fascista que temos no Brasil.

As quatro mortes da estudante paulista que virou guerrilheira!

As quatro mortes da estudante paulista que virou guerrilheira - do Vermelho

“Na cabine, o comandante sente o cano do revólver em sua nuca, e ouve a ordem: Vamos para Cuba. Mas, antes, pare em Santiago e carregue o avião com a maior quantidade possível de combustível.” O trecho narra o sequestro de um avião em Buenos Aires, feito pela Ação Libertadora Nacional (ALN), liderada por Carlos Marighella. A bordo, com uma bomba no colo, Maria Augusta Thomaz, a estudante que se engajou na luta armada contra a ditadura civil-militar no país.

Por Deborah Moreira, do
Vermelho





Usando codinomes como Renata, Sofia e Marcia, Maria Augusta Thomaz abandonou a carreira de filósofa e uma vida inteira para ingressar em um grupo de guerrilheiros que partiram para a ilha de Fidel para passar por um treinamento militar, juntamente com camaradas que dispensam apresentações como Franklin Martins e José Dirceu, que assina o prefácio da obra “Luta Armada/ALN-Molipo, As Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz”, do jornalista e sociólogo Renato Dias, que tem uma forte ligação com a biografada.

O “thriller político”, como define o autor, será lançado no sábado (28), no Memorial da Resistência, em São Paulo, a partir das 10h. Mas, começou a ser pensando muito antes, há 32 anos, quando Renato leu uma notícia no jornal sobre uma bela jovem, morena, de olhos verdes, cabelos longos, magra, que depois de ter participado de ações contra a ditadura desde 1968, foi assassinada aos 25 anos, e suas ossadas, enterradas secretamente numa fazenda em Goiás, tinham sido roubadas, juntamente com os restos mortais de Marcio Beck Machado, seu companheiro e também integrante da ALN.

Antes da sessão de autógrafos, durante o lançamento, está previsto um debate sobre Molipo & ditadura civil e militar (1964-1985) com o economista Pedro Rocha Filho e José Dirceu.

Em entrevista ao Vermelho, Renato revela o momento exato que despertou para a história de Maria Augusta e toda sua busca pela verdade por traz dos relatos colhidos ao longo dos anos, como se quisesse desvendar sua própria história e de sua família, que também vive o drama de ter perdido alguém tão querido e seu corpo jamais ter sido encontrado.

Renato é irmão de Marcos Antônio Dias Baptista, aluno do Colégio Lyceu de Goiânia, membro da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (Var-Palmares), mesma organização política e militar da presidenta Dilma Rousseff, e que desapareceu em maio de 1970, aos 15 anos, sendo o desaparecido político mais jovem.

Em Cuba, depois do sequestro do avião, em 4 de novembro de 1969, Maria Augusta foi uma das integrantes da dissidência da ALN, o Movimento de Libertação Popular (Molipo), retornando clandestinamente para o Brasil. Em 1973, depois de diversas ações de guerrilha na área urbana, vai para zona rural brasileira, tida como estratégica para a revolução pretendida pelo grupo. Em 17 de maio daquele ano, é morta. Após 7 anos, o jornalista Antônio Carlos Fon descobriu o crime e estava prestes a denunciá-lo publicamente quando as ossadas desapareceram.

Apesar das dificuldades, Fon aponta para um dos suspeitos da morte do casal, Marcus Antônio de Brito Fleury, então diretor Regional da Polícia Federal, naquele estado. Meses antes (1980), o mesmo Marcus Antônio de Brito Fleury já tinha sido apontado pela assistente social Maria de Campos Baptista como responsável pela prisão ilegal, tortura, morte e desaparecimento do corpo de seu filho e irmão de Renato.

A mãe de Marcos Antônio morreu em 15 de fevereiro de 2006 lutando pelo esclarecimento de sua morte. Agora, Renato Dias tem esperança de que todas essas perdas sejam apuradas na Comissão da Verdade. Acompanhe a íntegra da entrevista:










O jornalista Renato Dias/divulgação



Vermelho: Quando e como foi que você teve a ideia de fazer um livro sobre a Maria Augusta Thomaz?
 
Renato Dias: Ela nasceu na cidade de Leme, região de Campinas, no interior paulista. Quando era estudante mudou-se para a capital, onde acabou tendo contato com a revolução política e cultural da época, participando da luta política em 1968, quando ingressou na ALN, adotou estratégia de luta armada contra a ditadura civil e militar, participou do sequestro do avião da Varig, em Buenos Aires, que a levou para Cuba, onde participou de um treinamento civil-militar, juntamente com outros como José Dirceu e Franklin Martins.

Ajudou a fundar a Molipo, dissidência da ALN. Voltou clandestinamente para o país, onde realizou ações armadas. Em 1973, mudou-se para Goiás, porque o projeto original da ALN e do Molipo era deflagrar a guerrilha rural, quando foi assassinada na fazenda Rio Doce, em Rio Verde, Goiás. 

Suas ossadas e as de seu companheiro, Marcio Beck Machado, foram sequestradas, em 1980. E essa notícia foi publicada no jornal Diário da Manhã, quando eu tinha 12 anos. Gostava de ler o caderno de esportes, mas fiquei impactado com a notícia e com sua foto, que é a foto da capa do livro.

Vermelho: Que é linda, né?

 
RD: Uma mulher linda, morta aos 25 anos de idade. E eu tenho um irmão que é desaparecido político, o mais jovem desaparecido político do país. Aos 15 anos, Marcos Antônio Dias Baptista, que era da VAR-Palmares, mesma organização que participou a nossa presidenta Dilma Rousseff. 


Então, essa é uma história que marcou minha família. Naquela época já faziam 10 anos que ele havia desaparecido, em maio de 1970. Nunca entregaram os restos mortais dele. Ai fiquei com aquela imagem na minha cabeça, da Maria Augusta. 

Mais tarde, fui fazer jornalismo e retornei ao tema nas minhas produções jornalísticas. Em 1993, tive acesso a um documento reservado do Exército que confirmava oficialmente a morte da Maria Augusta Thomaz e do Marcio Beck, e, em 1995, eu pensei: preciso escrever a história dessa mulher.

Vasculhei uns arquivos do Dops[Delegacia de Ordem Política e Social] em São Paulo, ai fui lá, fui ao arquivo da Unicamp. Fui em Rio Verde, onde foi aberto inquérito para apurar a morte dela e o sumiço das ossadas. O advogado que representava a sua família era o Luiz Eduardo Greenhalgh, que faz o posfácio do livro, inclusive. 


O prefácio é de José Dirceu, porque ele fez treinamento com ela de guerrilha em cuba. Levantei uma documentação extensa. Mas, em 1996, minha irmã foi fazer uma limpeza na casa e não sabia o que era e acabou jogando fora toda a papelada que juntei. Acabei paralisando o projeto, que só foi retomado em 2005. Voltei ao arquivo do Dops de São Paulo, no arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, onde está guardado o acervo do projeto Brasil Nunca Mais, onde estão os processos da Maria Augusta do Marcio Beck. 

No total, são mais de um milhão de página, todos os processos da justiça militar contra ativistas políticos na época da ditadura civil-militar, organizado pelo Dom Paulo Evaristo Arns, reverendo Jaime Wright e por advogados como Sigmariga Seixas e Luiz Eduardo Greenhalgh, com redação do Paulo Vanucchi e Ricardo Kotscho.

E aí comecei a fazer uma série de entrevistas de pessoas que conviveram com ela, com membros da ALN e do Molipo, chegando a falar com 170 pessoas. Agora, em 2012, 32 anos depois do primeiro contato com a história, o livro fica pronto. Foi em agosto de 1980 que saiu essa reportagem.


Vermelho: E você contou com apoio de alguém? E como foi recebida a ideia de fazer o livro pelos entrevistados?

RD:
Não tive apoio, fiz tudo sozinho. E todos receberam a ideia muito bem, me abasteceram de informações, documentos exclusivos, porque a história do Molipo é uma histórica trágica e nunca foi contada como merece.

Dos 28 integrantes quase todos foram assassinados pela ditadura militar. Um dos poucos sobreviventes é o José Dirceu. É uma história trágica da esquerda brasileira. Formou-se originalmente em Cuba, veio para o Brasil, incorporou mais alguns militantes aqui, mas do grupo original quase todos foram assassinados. É um fato que ainda precisa ser passado a limpo, ainda mais agora em tempos de Comissão da Verdade.

Vermelho:
Você acha que a história de Maria Augusta tem chance de ser levada para a Comissão da Verdade?

RD: Já conversei com um membro da comissão, o Paulo Fonteles, falei com o vice-presidente da Comissão Nacional de Anistia, Edmar Oliveira, do PCdoB, e a expectativa é que esse caso seja reaberto, que as circunstâncias sejam esclarecidas, que os responsáveis sejam apontados.

Vermelho: Já fez algum pedido oficial a Comissão?

RD:
Ainda não, mas vou mandar. E tem um detalhe que é importante. Um dos principais suspeitos de ter participado da morte da Maria Augusta Thomaz e do Marcio Beck foi o então diretor regional da Polícia Federal de Goiás, Marcus Antônio de Brito Fleury. Ele teria perdido uma carteira de identidade na operação que resultou na morte dos dois. Isso consta em um depoimento no inquérito que foi aberto em 1980 com o sequestro das ossadas. E Esse Marco Antônio de Brito Fleury é o principal suspeito de ter participado da prisão ilegal, tortura, morte e desaparecimento do corpo do meu irmão, Marcos Antônio Dias Batista. Então, esse é o elo que existe entre essas duas histórias.

Vermelho: E o que foi feito desse sujeito?

RD: Esse cara morreu no dia 3 de março deste ano, acho que com um problema do coração. E o primeiro jornal que deu isso, o único que denunciou naquela época, foi o Tribuna Operária, que era do PCdoB. O jornalista Francisco Messias entrevistou minha mãe, em 1980, que contou a história do envolvimento do Marcus Fleury [na morte do irmão], porque ele era o todo poderoso da ditadura em Goiás, de 1964 a 1985, participando de cargos de expressão como secretário de governo, diretor regional da policia federal, superintendente regional do Dops. Mas, ele não era parente do Sergio Paranhos Fleury não. A semelhança não passa do sobrenome e, claro, do ofício.

Vermelho:
Quais recursos de pesquisa você utilizou para o livro? A nova Lei de Acesso chegou a ajudar na busca pelos documentos?

RD:
Não. Eu já tinha feito quase toda a pesquisa quando passou a vigorar a nova lei. Mas busquei muita informação nos arquivos de jornais, como o sequestro do avião, que ela participou com uma bomba no colo e, desta operação, tem um sobrevivente que mora em São Paulo, o Luís de Araújo, com que falei também. Então foi a partir desses recortes, desses documentos. Uma coisa puxava a outra, conversava com um que dizia que fulano tá vivo, e ai eu ia atrás. Por isso que levou um tempo para montar o quebra-cabeça.

Vermelho:
E você encontrou pessoas envolvidas que compõem até hoje uma opinião pública importante, como Franklin Martins e Frei Betto?

RD: Sim, eles participaram dessa história. O Frei Betto, por exemplo, estava no Sul do Brasil, deu guarida para o Joaquim Câmara Ferreira, que planejava e participaria da operação do sequestro do avião da Varig. Poucos dias depois, ele foi preso e ficou anos na prisão. E também deu guarida para o Marcio Beck Machado.

Eles precisavam fugir do Brasil, onde naquela ocasião havia acontecido o sequestro do embaixador americano[Charles Burke Elbrick], quando se desencadeou uma repressão violenta, mataram o Mariguella, ai boa parte precisou sair do Brasil. E muitos usaram a ponte que o Frei Betto tinha com os dominicanos para fugir pelo Sul, como o Marcio Beck. A Maria Augusta oi por outro caminho, mas acabou chegando lá em Buenos Aires.

Vermelho:
O que foi mais difícil?

RD:
A princípio foi encontrar as pessoas e obter algumas colaborações. E também houve dificuldades financeiras para publicar o livro, que só saiu por conta da Lei de Incentivo de Goiânia. Tentei publicar por uma editora nacional, mas não encontrei nenhuma que se interessou, não sei se por achar que esse é um tema superado. Mas, de fato, é difícil encontrar uma editora que esteja disposta a apostar em um projeto com esse perfil. Então só foi possível contar essa história no formato de livro a partir de lei de incentivo.

Vermelho: Você compara a trajetória de Maria Augusta com a de Olga Benário?

RD:
Sim. São duas histórias espetaculares e trágicas. Ambas trocaram de identidade, assumiram a luta contra a ditadura, participaram da luta armada contra o regime militar, foram assassinada de maneira cruel. [Olga Benário era militante comunista alemã e foi morta em 23 de abril de 1942, após ser deportada do Brasil, no governo Vargas, para um campo de extermínio, por ter origem judaica.]

Vermelho:
E porque esse título, as Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz?

RD:
Considero que houve quatro mortes da personagem. A primeira quando ela decide entrar para a luta armada e deixa de ser Maria Augusta Thomaz e assume codinomes, ora Renata, ora Sofia, ora Márcia.

A segunda morte, que é seu assassinato em 17 de maio de 1973, na fazenda Rio Doce, em Rio Verde, estado de Goiás.

A terceira foi em 31 de julho de 1980, quando as ossadas dela são sequestradas numa verdadeira operação limpeza para apagar os vestígios do crime que estava prestes a ser denunciado pela imprensa. E a quarta morte, foi quando as famílias dos desaparecidos políticos tiveram o direito de receber uma certidão de óbito, expedidas pela União, com a Lei 9.140.

Serviço:

Livro: Luta Armada/ALN –Molipo As Quatro Mortes de Maria Augusa Thomaz
Autor: Renato Dias
Design: Carlos Sena
Número de páginas: 240
Preço sugerido: R$ 50,00
Contato do autor: renatodias67@gmail.com





Link:


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=189694&id_secao=1

Dilma cobra manutenção de empregos no setor automobilístico!

Dilma cobra manutenção de empregos no setor automobilístico - da Carta Capital

 A presidenta Dilma Rousseff cobrou nesta sexta-feira 27, em Londres, os empresários do setor automobilístico a contrapartida à redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis e a desoneração do tributo aos eletrodomésticos da linha branca e móveis.

O governo federal quer a garantia de empregos nas montadoras em meio à crise da General Motors (GM), que anunciou o plano de demissões na montadora em São José dos Campos (SP).
Segundo Dilma, o governo faz estudos para promover uma série de desonerações, mas espera o retorno dos incentivos fiscais e financeiros.

“Damos incentivo para garantir emprego e eles precisam saber que é por esse único motivo”, disse antes de almoçar com atletas brasileiros na capital inglesa.

Na última semana, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos pede a interferência do governo para evitar demissões na GM. Após isso, a direção da montadora foi chamada a dar explicações no Ministério da Fazenda.

Em maio, o governo federal reduziu o IPI para os carros até 31 de agosto, mas condicionou a medida à manutenção do nível de empregos no setor. A GM, no entanto, alega que o compromisso era com a manutenção do nível de emprego. Isso estaria ocorrendo em São Caetano, em Gravataí (RS), e para a futura fábrica de motores de Joinville (SC).

A presidenta também declarou ser impossível que o Brasil não sofra os impactos da crise econômica internacional, que afeta a Europa e os Estados Unidos. Mas ressaltou que a economia do Brasil, mesmo sob dificuldades, registrou crescimento e segue nesta tendência, incluindo o equivalente à população “de uma Argentina” na classe média. “O Brasil não é uma ilha. Todos os países do Brics [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] estão sendo afetados.”

Dilma acrescentou também que os principais desafios do governo são “saúde e educação”. Segundo ela, as cobranças da população aumentaram a partir do momento que mais pessoas conquistaram melhorias salariais e qualidade de vida. A mandatária ainda reiterou que o governo se esforça para garantir “o caminho da estabilidade com a inflação sob controle”, reforçando o discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, no evento Global Investment Conference, também em Londres. Segundo o chefe do BC, a economia brasileira “está pronta” para crescer 4%, em bases anuais, no segundo semestre de 2012.

Com informações Agência Brasil.

Link:

http://www.cartacapital.com.br/economia/dilma-cobra-manutencao-de-empregos-no-setor-automobilistico/