Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mantega segue roteiro e prevê PIB melhor no 2o. semestre!

Mantega segue roteiro e prevê PIB melhor no segundo semestre - da Rede Brasil Atual, 31/08/2012

Ministro da Fazenda afirma que investimentos demoram mais a recuperar ritmo e presidente do Banco Central vê 'recuperação gradual' da atividade econômica 
 

Mantega segue roteiro e prevê PIB melhor no segundo semestre
Mantega considera que o resultado do segundo trimestre teve forte influência da crise internacional (Foto: José Cruz. Agência Brasil) 
 
São Paulo – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve hoje (31) o discurso das últimas semanas ao comentar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2012, com crescimento de 0,4% frente ao primeiro trimestre. Ele acredita que o número revela a recuperação gradual da economia e uma aceleração ao longo dos próximos meses.

"Esse número que estamos vendo hoje é um número que estamos olhando pelo retrovisor. Está ficando para trás esse resultado. De qualquer forma é bom, comparado ao primeiro trimestre. Não é excepcional, mas é o prenúncio de resultados melhores que virão no segundo semestre”, disse durante entrevista coletiva em São Paulo. "O terceiro e quarto trimestres serão ainda melhores que o segundo, que foi fortemente influenciado pela crise internacional que não melhorou e afetou o desempenho dos países emergentes".

Na comparação com o segundo trimestre de 2011, o PIB cresceu 0,5%, totalizando R$ 1,1 trilhão. No acumulado de 12 meses, a expansão foi 1,2 %. No primeiro semestre, o PIB apresentou aumento de 0,6%.

Por setores, a maior alta foi registrada na agropecuária, com crescimento de 4,9%, ao passo que o setor de serviços avançou 0,7%. O resultado da indústria, com queda de 2,5%, foi influenciado principalmente nos segmentos de transformação (-2,5%), extrativa mineral (-2,3%) e construção civil (-0,7%).

Mas, para o ministro, este resultado também não é motivo para preocupação porque o governo já adotou medidas para incentivar o setor. “Acredito numa recuperação da indústria”, afirmou. “A redução do IPI está surtindo efeito e deverá ser anunciada uma venda recorde do setor automobilístico”, adiantou.

Já a taxa de investimento ficou em 17,9% do PIB, inferior à taxa obtida no mesmo período do ano passado, de 18,8%. Para o ministro, esta é uma demonstração de alguns setores produtivos demoram mais a retomar os aportes, mas não haverá problema nos próximos meses.

Na mesma linha, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado nesta sexta-feira confirma a "recuperação gradual" da atividade econômica no primeiro semestre. "A demanda doméstica continuou sendo o principal suporte da economia, com o consumo das famílias sendo estimulado pela expansão moderada do crédito, pela geração de empregos e de renda", comentou, em nota.

O presidente do BC ainda afirmou que os sólidos fundamentos e um mercado interno robusto são um diferencial da economia nacional. "Dessa forma, mesmo diante do complexo ambiente internacional, as perspectivas apontam intensificação do ritmo de atividade ao longo deste segundo semestre e do próximo ano."

Link:
 
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2012/08/mantega-segue-roteiro-e-preve-pib-melhor-no-segundo-semestre

Indústria está confiante na recuperação apesar de queda no PIB do setor!

Indústria está confiante na recuperação apesar de queda no PIB do setor

31/08/2012 - Yara Aquino- Repórter da Agência Brasil

Brasília – Apesar da queda de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB) da indústria no segundo trimestre, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, está confiante na recuperação do setor no segundo semestre. A expectativa, segundo ele, é que no próximo ano a indústria cresça em torno de 4% a 4,5%.

Segundo Andrade, entre o final do ano passado e início deste ano o setor sofreu com os efeitos da crise europeia e com problemas de competitividade, mas fatores como as medidas tomadas pelo governo começam a surtir efeito.

“Estamos nos recuperando por diversos motivos: as políticas adotadas pelo governo, a queda dos estoques das empresas, tudo isso está fazendo com que a indústria se recupere, tanto que ainda não está havendo demissões nos setores por causa dessas expectativas de melhoria no segundo semestre. 

Por exemplo, a desoneração da mão de obra deu efeito nas empresas a partir de setembro, então, tudo isso vai contribuindo para que o ambiente melhore”, disse Andrade ao chegar ao Palácio do Planalto para se reunir com a presidenta Dilma Rousseff.

O dado do PIB da indústria foi divulgado hoje (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB geral, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, cresceu 0,4% no segundo trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. O setor que registrou maior expansão foi o agropecuário com 4,9%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2011, o PIB cresceu 0,5%. No acumulado de 12 meses, a expansão foi 1,2 %. No primeiro semestre, o PIB apresentou aumento de 0,6%.
 
Edição: Talita Cavalcante

Link:

 

Policarpo, da Veja, era funcionário de Cachoeira, diz mulher do contraventor!

Policarpo, da Veja, era funcionário de Cachoeira, diz mulher do contraventor - da Rede Brasil Atual, publicado em 31/08/2012

Revelação está em documento de juiz que denunciou tentativa de extorsão para tirar o bicheiro da cadeia 

Policarpo, da Veja, era funcionário de Cachoeira, diz mulher do contraventor
Andressa Mendonça, mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, complica ainda mais a revista Veja (Jose Cruz/ABr) 
 
São Paulo - O jornalista Policarpo Jr., diretor da revista Veja em Brasília, trabalhava também de maneira remunerada para o contraventor Carlos Cachoeira, segundo teria afirmado a mulher do bicheiro, Andressa Mendonça, ao juiz federal Alderico Rocha. A informação, obtida pela TV Record, foi publicada hoje (31) no site da emissora, o R7.

Andressa teria revelado a ocupação oculta de Policarpo em sua visita à sede da Justiça Federal em Goiânia, em julho, quando tentou chantagear Rocha para que esteve mandasse soltar o marido, preso desde fevereiro em consequência das operações Monte Carlo e Vegas, da Polícia Federal.

O conteúdo do diálogo entre Rocha e Andressa está em ofício encaminhado pelo próprio juiz ao Ministério Público Federal. “A sra. Andressa falou que seu marido Carlos Augusto tem como empregado o jornalista Policarpo Jr., vinculado à revista Veja, e que este teria montado um dossiê contra a minha pessoa”, diz trecho do documento.

O juiz falou ao R7 e teria confirmado as informações.

“Ela me perguntou se eu conhecia Policarpo, jornalista da Veja. Eu disse que não conhecia não, mas já tinha ouvido falar. Então ela disse assim: Sabia que ele trabalhou durante certo tempo para meu marido, Carlinhos? Durante um tempo o Carlinhos pagou ele para que fizesse uns serviços”.

Segundo o juiz, diante da negativa dele em conhecer ou saber mais sobre o jornalista, Andressa o ameaçou.

“Ela disse que agora o jornalista estava encarregado de montar um dossiê contra a minha pessoa e contra a senadora Katia Abreu (PSD-TO) que teria destratado ele [Cachoeira] na CPI. Que tinha fotos minhas entrando num avião de um amigo de infância e outras fotos e que isso tudo seria capa da revista Veja a mando de Carlinhos”.

Neste momento, Andressa teria escrito em um bilhete três nomes de pessoas ligadas ao juiz que teriam sido fotografadas com ele: Luís Pires, Maranhense e Marcelo Miranda.

Marcelo Miranda é ex-governador do Tocantins e teve o mandato cassado em setembro de 2009 por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2006, Maranhense é um fazendeiro da região do Tocantins e Pará, e Luís Pires seria um amigo de infância do juiz e supostamente responderia a processo por trabalho escravo.

Esta semana, a perícia da PF confirmou que a letra no bilhete entregue ao juiz Alderico Rocha é de Andressa. Com a confirmação de que a letra é mesmo da mulher que ficou conhecida como Musa da CPI, a PF deve encaminhar um relatório ao Ministério Público Federal, que fica responsável por uma possível denúncia ou pelo arquivamento do processo.

Link:

 

Afinal, porque a rejeição a Serra cresceu tanto? - por Marcos Doniseti!

Afinal, porque a rejeição a Serra cresceu tanto? - por Marcos Doniseti!


Muito se tem escrito a respeito do rápido aumento da rejeição do candidato do PSDB, José Serra, à prefeitura de São Paulo. 

Entendo que há uma razão muito forte para que isso tenha acontecido e esta é a elevada desaprovação do governo Kassab. 

A mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada no dia 30 de Agosto, mostra o prefeito de São Paulo como o mais impopular prefeito das capitais brasileiras, ao lado do prefeito do Recife (João da Costa, do PT, que teve a sua candidatura à reeleição vetada pelo partido). 

E na capital pernambucana o candidato petista à prefeitura (Humberto Costa, Senador e ex-ministro da Saúde do governo Lula) também enfrenta grandes dificuldades para conseguir vencer a eleição e está empatado com o candidato do PSB, Geraldo Júlio, apoiado pelo extremamente popular governador Eduardo Campos. Até outro dia Geraldo Júlio tinha cerca de 6% nas pesquisas.

Em São Paulo, segundo o Datafolha, Kassab tem apenas 24% de ótimo/bom, contra 36% de ruim/péssimo. 

Qual a razão dessa elevada desaprovação do governo Kassab?

Entendo que o motivo principal disso é que, neste segundo mandato, a cidade foi literalmente abandonada por Kassab. 

O prefeito paulistano (ex-vice de Serra e pelo qual foi apoiado quando se reelegeu) deu prioridade para a criação do seu partido, o PSD, e pouco tempo dedicou à gestão e ao governo da cidade.

E o resultado é que, neste segundo mandato, Kassab não fez NADA de relevante na cidade. 


E quando digo NADA, é NADA mesmo! Não se conhece uma única obra ou projeto significativo da prefeitura paulistana que tenha sido desenvolvido neste segundo mandato. No primeiro mandato, Kassab ainda fez algumas coisas.

É verdade que quase todas as obras e projetos que Kassab colocou em prática em seu primeiro mandato foram iniciados e desenvolvidos no governo da Marta, mas o atual prefeito paulistano, ao menos, dava continuidade e finalizava os projetos e obras que a ex-prefeita petista iniciara. 


Cito vários exemplos disso que afirmo:

1) A construção de CEUs (Centros Educacionais Unificados): Marta fez 24 CEUs e Kassab fez 21, mas todos eles foram feitos em seu primeiro mandato. No segundo governo ele não fez nenhum. Escolas de ensino fundamental e creches também não saíram do papel.

2) A reestruturação do sistema de transporte coletivo, feito pelo governo Marta, que incluía a renovação da frota de ônibus da cidade, com milhares de novos ônibus, foi concluído por Kassab em seu primeiro governo. Mas no segundo ele simplesmente não fez coisa alguma no setor.  


3) Na área da saúde, Marta começou a construção do hospital Cidade Tiradentes e no seu primeiro mandato, Kassab o concluiu, colocando-o em funcionamento. O mesmo vale para um outro hospital, o de M'Boi Mirim, cuja licitação foi feita por Marta e que Kassab construiu.

Então, mesmo com muitas das obras e projetos tendo sido iniciados pelo governo de Marta, Kassab deu continuidade aos mesmos e, daí, teve o que mostrar quando se candidatou à reeleição. E por isso derrotou a própria Marta na eleição de 2008. 


Assim, Kassab se apropriou de tudo o que Marta havia feito e usou isso para derrotá-la na eleição.

Mas, no segundo mandato, as realizações de Kassab sumiram, simplesmente desapareceram.


Kassab não fez NADA de relevante em nenhuma área (educação, saúde, transporte, moradia, saneamento básico) em seu segundo governo. O que ele planejou ficou só no papel.

Exemplos: Kassab prometeu construir 5 corredores exclusivos de ônibus e não fez nenhum. Nenhum novo CEU foi construído. Embora tivesse prometido construir 3 novos hospitais, Kassab também não fez nenhum. 

Então, o segundo mandato de Kassab foi infinitamente pior do que o primeiro. Ao final deste, ainda havia o que mostrar em termos de obras e de realizações, mesmo que grande parte delas não tivessem sido iniciadas pelo seu governo, mas no de Marta. 


Até em função disso, em Outubro de 2008, quando foi reeleito, o governo Kassab era considerado ótimo/bom por 59% e reprovado por apenas 15% dos paulistanos (dados do Datafolha).

Mas ao final deste segundo mandato, depois de quatro anos, o que Kassab tem para mostrar? O PSD. Mais nada.

Essencialmente, é isso que explica a piora sensível da avaliação do governo Kassab nos dois últimos anos, em especial.

E é claro que esse forte desgaste da gestão de Kassab atingiu em cheio à imagem de Serra.

Afinal, quem escolheu Kassab para ser seu vice e o deixou no comando da prefeitura, como o seu sucessor, foi o próprio Serra. 


Agora, o que ocorreu para que essa piora da imagem de Kassab fosse tão grande? E surge a dúvida: como é que o governo de Kassab se deteriorou tanto do ponto de vista administrativo no seu segundo mandato?

Isso tem, a meu ver, duas explicações:

1) Kassab é um brilhante articulador político (conseguiu viabilizar o PSD em pouquíssimo tempo, dando penetração nacional ao partido) mas é um péssimo gestor. Kassab não entende lhufas de administração pública (e, com certeza, nem de administração privada);

2) Se Kassab é um péssimo gestor, como explicar as suas realizações no primeiro mandato? Uma resposta para isso é que não era preciso inventar nada. Bastava dar continuidade ao que Marta já havia feito.

Mas penso que pode haver uma outra razão, que foi a saída do secretário Alexandre de Moraes no final do primeiro mandato de Kassab. Para quem não sabe, ele era uma espécie de 'Dilma' do Kassab, ou seja, o responsável por tirar programas, projetos e obras do papel e colocá-los em prática. 


Coincidentemente, foi depois da demissão dele (ver link abaixo), em Junho de 2010, que o governo Kassab degenerou no aspecto administrativo. Ele era, na prática, o gestor, o administrador da cidade. Isso dava liberdade para Kassab se preocupar com outras coisas. Após a saída de Alexandre de Moraes, nenhum outro secretário acumulou tanto poder e demonstrou a mesma capacidade de iniciativa que ele tinha.

Assim, mesmo nadando em dinheiro (no final de 2011 a prefeitura tinha R$ 10 bilhões guardados ou aplicados no mercado financeiro), o segundo governo Kassab foi um zero à esquerda, não fazendo absolutamente nada de relevante na cidade. Nada.

Com isso, a situação da cidade e a qualidade de vida dos paulistanos piorou muito, em todos os aspectos.

Afinal, a população da capital paulista aumenta em 100 mil pessoas anualmente, ou seja, cresce quase uma Diadema a cada 4 anos. 


Sem a realização de qualquer investimento relevante nos serviços públicos (transportes, educação, saúde) da capital é claro que a qualidade de vida dos paulistanos despencou e Kassab, corretamente, passou a ser mal avaliado pela população.

E essa péssima avaliação da gestão de Kassab pelos paulistanos que, agora, torna-se fatal para a candidatura de Serra, dado o fato de que Kassab é o seu herdeiro político. Simplesmente não há como desvincular Serra de Kassab. Seria como dizer que Lula não tem nada a ver com o governo Dilma, o que é um absurdo total.

Imaginem se, por exemplo, a presidenta Dilma estivesse fazendo um péssimo governo e a popularidade dela estivesse no chão. É claro que isso afetaria, negativamente, a imagem de Lula e o prestígio dele também despencaria. 


É isso o que acontece com Serra. A péssima gestão de Kassab atingiu em cheio a imagem e o prestígio do ex-governador de São Paulo. E é claro que o fato de Serra ter abandonado a prefeitura de SP apenas 15 meses depois de ter tomado posse, sem também ter feito qualquer coisa de relevante na cidade, serve para agravar ainda mais a situação do candidato tucano à prefeitura da capital paulista nesta eleição. 

E é evidente que se Kassab tivesse feito um ótimo segundo mandato e a sua popularidade estivesse nas alturas, é mais do que óbvio que Serra ganharia essa eleição sem maiores dificuldades. Ele poderia fazer como o presidente Lula que, agora, colhe os frutos pelo fato de ter escolhido uma sucessora, Dilma, que faz um governo muito bem avaliado pela população, alcançando um índice de aprovação pessoal de quase 76% segundo a mais recente pesquisa CNT-Sensus. Dilma é tão popular que se a eleição presidencial fosse hoje ela teria 75% dos votos válidos, contra apenas 25% de Aécio.

Agora, após o início da campanha eleitoral no rádio e na TV, muitas pessoas se lembraram de que foi Serra o responsável por deixar Kassab em seu lugar e que este fez um segundo mandato horroroso. Então, é claro que a impopularidade de Kassab acaba sendo, automaticamente, sendo transferida para Serra.

Outros fatores podem até influir na crescente rejeição dos paulistanos à candidatura de Serra, mas entendo que eles são secundários. 


O que pesa, mesmo, para valer, é o péssimo segundo mandato de Kassab e o fato de que ele somente se tornou prefeito porque Serra abandonou a cidade para ser governador do estado. 


O fato concreto é que os paulistanos se cansaram de serem abandonados, primeiro por Serra, para se eleger governador e, depois, pelo próprio Kassab, que abandonou a cidade e percorreu o Brasil inteiro para criar o PSD.

E agora, os mesmos paulistanos que foram abandonados pela dupla Serra-Kassab dão o troco no candidato do PSDB, rejeitando a sua candidatura. 


Portanto, pode-se perfeitamente concluir que tanto Serra, quanto Kassab, apenas estão colhendo os frutos (amargos) dos erros que cometeram nos últimos anos. 


Links:

Por que Serra é tão rejeitado? - Eduardo Guimarães:

http://www.blogdacidadania.com.br/2012/08/ninguem-explicou-direito-ainda-o-baque-eleitoral-de-jose-serra/

Outubro de 2008: Aprovação a Kassab  chega a 59%, diz Datafolha:

http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=823

Março de 2010: Datafolha mostra que reprovação a Kassab chega a 34%:

http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=955

Março de 2011: Reprovação de Kassab chega a 43%, diz Datafolha:

http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/pesquisa-datafolha-mostra-que-reprovacao-a-administracao-kassab-chega-a-43-20110321.html

Agosto de 2012: Datafolha - Reprovação de Kassab chega a 36%:

http://odia.ig.com.br/portal/brasil/eleicoes2012/kassab-tem-menor-nota-entre-seis-capitais-brasileiras-diz-datafolha-1.482913

Alexandre de Moraes sai do governo Kassab:


http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,cai-alexandre-de-moraes-o-supersecretario-de-kassab,563103,0.htm

Aprovação do governo Dilma passa de 56%; aprovação pessoal de Dilma ultrapassa 75%:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-08-03/cntsensus-aumenta-em-sete-pontos-aprovacao-do-governo-dilma

Quem tem medo da verdade? - por Emir Sader!

Quem tem medo da verdade? - por Emir Sader, do seu blog, na Carta Maior



O mais importante processo da história brasileira está sendo levado adiante pela Comissão da Verdade, independente de que seja apenas uma condenação moral e política da ditadura e de todos e tudo que esteve vinculado a ela.

Foi um momento crucial na história do país, em que se escolhia entre a democracia e a ditadura. Triunfou a ditadura, pela força das armas, incitada pelo governo dos EUA, pela direita brasileira, pelo grande empresariado do país, praticamente pela totalidade da mídia da época (exceção da Última Hora), pela Igreja católica.

O país agora, finalmente, passa a limpo aquele período brutal da história brasileira, com a Comissão da Verdade. A mídia, os partidos da direita, militares, se sentem incômodos com a ação da Comissão, porque pretendiam enterrar da memória nacional aquele período e sua participação vergonhosa nele.

O discurso sobre o julgamento atual do STF serve também para encobrir aquele período e a atuação da Comissão da Verdade. Daí os epítetos como se esse julgamento tocasse nos fundamentos da história brasileira e não o sobre a ditadura.

A ditadura não apenas mudou os rumos da história brasileira do ponto de vista político. Ela bloqueou o processo de democratização social e econômica e acentuou ainda mais as desigualdades. Alem das brutais ações repressivas, logo nos primeiros dias foram decretadas intervenções em todos os sindicatos e o arrocho salarial – tão essenciais à ditadura quanto a repressão física.

O grande empresariado nacional e internacional foi diretamente beneficiário do regime ditatorial, aumentou exponencialmente seus lucros com o arrocho e a repressão aos sindicatos, intensificou a super exploração dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, empresas da mídia, com a Globo à frente, impuseram seu monopólio durante o período ditatorial.

A ação da Comissao da Verdade é escondida pela velha mídia, ela mesma temerosa que as investigações revelam suas estreitas e promíscuas relações com a ditadura militar. Quando finalmente a Comissão da Verdade enunciar suas conclusões sobre o golpe e a ditadura miliar, não haverá nada da parafernália de hoje em relação ao processo do STF: nem transmissão direta, nem cadeias nacionais, nem entrevista com as vítimas e os familiares das vítimas da ditadura.

O medo que eles têm da verdade da Comissão da Verdade, por si só, é confissão de culpa da velha mídia, dos partidos da direita e de militares ligados à ditadura.

Postado por Emir Sader

Link:

 http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=1076

Desemprego na zona do euro atingiu 11,3% em julho!

Desemprego na zona do euro atingiu 11,3% em julho - do Vermelho

 A taxa de desemprego nos 17 países que adotam a moeda única na Europa, a zona do euro, atingiu 11,3% em julho. Nos demais dez países da União Europeia, a taxa ficou em 10,4%.


A avaliação é do Eurostat (Escritório Europeu de Estatísticas). A estimativa é que dos 25,5 milhões de desempregados na União Europeia, 18 milhões vivam em países da zona do euro. Cerca de 5,4 milhões são trabalhadores com menos de 25 anos.

A Espanha lidera os países com o maior registro de desempregados, com 25,1%, depois vem a Grécia com 23,1%. As menores taxas foram registradas na Áustria (4,5%), nos Países Baixos (5,3%) e na Alemanha e em Luxemburgo, ambos com 5,5%.

A Europa vive um momento delicado sob efeito da crise econômica internacional. Os países que mais sofrem são os que estão na zona do euro que anunciaram a adoção de um plano de austeridade, que inclui cortes de gastos públicos, elevação de impostos e eliminação de vagas de trabalho no setor público.

Fonte: Agência Brasil


Link:

 http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=192661&id_secao=2

Economia cresce 1,2% nos últimos 12 meses, aponta IBGE!

Economia cresce 1,2% nos últimos 12 meses, aponta IBGE-  do Vermelho

O Produto Interno Bruto (PIB) do país ficou em 1,2% no acumulado dos últimos quatro trimestres, quando comparado com os quatro trimestres imediatamente anteriores.


Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos 12 meses o setor de serviços foi o que apresentou melhor desempenho, com crescimento de 1,6%, seguido da atividade agropecuária (1,5%). A indústria fechou os últimos 12 meses em queda de menos 0,4%.

Pela ótica da demanda, a despesa de consumo das famílias cresceu 2,5%, seguida pela despesa de consumo da administração pública (2,2%). A formação bruta de capital fixo, por sua vez, variou negativamente em 0,3%.

No âmbito do setor externo, tanto as exportações de bens e serviços quanto as importações apresentaram crescimento de 2,8% e 5,0%, respectivamente.

Fonte: Agência Brasil


Link:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=192648&id_secao=2

Meu Comentário!

Mesmo com a pior crise mundial desde a década de 1930, o Brasil continua crescendo. E dizer que nos tempos do governo FHC bastava a Tailândia entrar em crise para o Brasil afundar.

Valeu, Lula! Valeu, Dilma!

Julgamento no STF: Por que o povo não dá a mínima! - por Saul Leblon!

Buffet farto, orquestra afinada e pista vazia - por Saul Leblon, da Carta Maior

Há certo gosto de decepção no ar. O conservadorismo que durante meses, anos, cultivou o julgamento do chamado mensalão como uma espécie de terceiro turno sanitário, capaz de redimir revezes acumulados desde 2002 no ambiente hostil do voto, de repente percebe-se algo solitário na festa feita para arrebanhar multidões.

Como assim se os melhores buffets da praça foram contratados; a orquestra ensaiou cinco anos a fio e o repertório foi escolhido a dedo?

Por que então a pista está vazia?

Pouca dúvida pode haver, estamos diante de um evento de coordenação profissional.

O timming político coincide exatamente com o calendário eleitoral de 2012; a similitude e a precedência comprovadas do PSDB na mesma e disseminada prática de caixa 2 de campanha --nem por isso virtuosa--, e que ora distingue e demoniza o PT nas manchetes e sentenças, foi enterrada no silêncio obsequioso da mídia.

Celebridades togadas não sonegam seu caudaloso verbo à tarefa de singularizar o que é idêntico.Tudo caminha dentro do figurino previsto, costurado com o afinco das superproduções, o que falta então?

Apenas o essencial: a alegria do povo.

A população brasileira não tem ilusões. Ninguém enxerga querubins no ambiente nebuloso da luta política. Consciente ou intuitiva, ela sabe a seu modo que a política brasileira não é o que deveria ser: o espaço dos que não tem nenhum outro espaço na economia e na sociedade.

A distância em relação ao ambiente autofestivo da mídia condensa essa sabedoria em diferentes versões.

Privatizada pelo financiamento de campanha a cargo dos mercados, a política foi colonizada pelos mercadores. Afastada do cidadão pelo fosso cravado entre a vontade da urna e o definhamento do voto no sistema representativo, a política é encarada exatamente como ela é: um matrimônio litigioso entre a esperança e a decepção.

O PT do qual se cobra aquilo que não se pratica em muitos círculos - à direita e à esquerda - é protagonista dessa ambiguidade; personagem e cronista dos seus limites, possibilidades e distorções.

Que tenha aderido à lógica corrosiva do financiamento eleitoral vinculado ao caixa 2 das empresas e , ao mesmo tempo, protagonizado um ciclo de governo que faz do Brasil hoje o país menos desigual de sua história (de obscena injustiça social), ilustra a complexidade desse jogo pouco afeito a vereditos binários.

Essa ambiguidade não escapa ao discernimento racional ou intuitivo da sociedade.

Se por um lado semeia degenerações clientelistas e apostas recorrentes nos out-siders que se apresentam como entes 'acima dos partidos', ao mesmo tempo é uma vacina de descrença profilática em relação a encenações de retidão como a que se assiste agora.

A repulsa epidêmica dos eleitores de São Paulo a um dos patrocinadores desse rega-bofe, do qual se imaginava o principal beneficiário, é sintomática do distanciamento que amarela o riso de vitória espetado nos cronistas convidados a animar o evento.

O baixo custo eleitoral do julgamento em curso no STF, contudo, não deve ensejar alívio ou indiferença na frente progressista da qual o PT é um polo central.

O julgamento do chamado 'mensalão' por certo omite o principal e demoniza o secundário. Ao ocultar a dimensão sistêmica a qual o PT aderiu para chegar ao poder, sanciona o linchamento de um partido democrático, uma vez que desautoriza seu principal argumento de defesa.

A meia-verdade atribuída aos réus do PT pelos togados e promotores está entranhada na omissão grotesca da história de que se ressentem suas sentenças pretensiosamente técnicas, envelopadas em liturgia mistificadora.

A pouca ou nenhuma influência eleitoral desse engenhoso ardil que elegeu a ausência de provas como a principal prova condenatória diz o bastante sobre o alcance da hipocrisia vendida como marco zero da moralidade pública pelos vulgarizadores midiáticos.

Não é esse porém o acerto de contas com o qual terá que se enfrentar o PT.

Após uma década no governo federal, o partido, seus intelectuais, lideranças e aliados nos movimentos sociais tem um encontro marcado com o imperativo da renovação.

O legado inegociável das conquistas acumuladas nesses dez anos entrou na casa dos brasileiros mais humildes, sentou-se à mesa, integrou-se à família. Ganhou aderência no imaginário social.

Não é preciso desconhecer os erros e equívocos para admitir que essa década mudou a pauta da política; alterou a face da cidadania; redefiniu as fronteiras do mercado e da produção.Deu ao Brasil uma presença mundial que nunca teve.

Com todas as limitações sabidas, criou-se uma nova referência histórica no campo popular em que antes só avultava a figura de Getúlio Vargas.

Lula personifica essa novidade que a população entende, identifica e respeita.

E que o enredo do 'mensalão' gostaria de sepultar.

Não está em jogo abdicar do divisor conquistado, mas sim ultrapassá-lo. Avulta que o percurso concluído abriu flancos, sugou agendas, talhou cicatrizes e escavou revezes de esgotamento, dos quais o julgamento em curso no STF é um exemplo ostensivo. Todavia não o principal.

Existe uma moldura histórica mais ampla a saturar esse ciclo.

O colapso da ordem neoliberal, os riscos intrínsecos espetados na desordem financeira e ambiental em curso no planeta --suas ameaças às conquistas brasileiras-- formam um condensado de culminâncias que pede desassombro na renovação da agenda da democracia e do desenvolvimento para ser afrontado.

O caminho não será trilhado, menos ainda liderado, por forças e partidos incapazes de incluir na bússola do trajeto o ponteiro da autocrítica política e de um aggiornamento organizativo coerente com a renovação cobrada pela história.

O carro de som da direita faz barulho por onde passa nesse momento. Mas isso não muda a qualidade da mercadoria que apregoa.

O que o alarido dos decibéis busca vender, na verdade, é o velho pote de iogurte vencido e rançoso, cuja versão eleitoral em São Paulo tem 43% de rejeição popular.

A resposta da frente progressista à qual o PT se insere não pode ser a mera denúncia da propaganda enganosa.

Urge esquadrejar revezes e resoluções para renovar o próprio estoque de metas e métodos requeridos pelo passo seguinte da história.
Postado por Saul Leblon

Link:
 http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1075

Serra promete cumprir o mandato de Prefeito por 4 anos!

Aceitas duas primeiras denúncias contra agentes da ditadura!

Aceitas duas primeiras denúncias contra agentes da ditadura - da Rede Brasil Atual

Major Lívio Augusto Maciel e Sebastião Rodrigues Moura, o Curió, são os primeiros que podem sofrer condenação penal; procurador afirma que sucesso na argumentação era 'questão de tempo' 
 
Por: João Peres e Tadeu Breda, da Rede Brasil Atual 

Publicado em 30/08/2012, 19:15 - Última atualização às 19:41

São Paulo – A juíza Nair Cristina Corado Pimenta de Castro fez história ao receber, em um só dia, as duas primeiras denúncias no âmbito penal contra agentes da ditadura brasileira (1964-85).

Por decisão da titular da 2ª Vara Federal em Marabá, no Pará, terão sequência as ações contra o major da reserva Lívio Augusto Maciel, conhecido como doutor Asdrúbal, e o coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió.

São duas decisões de caráter diferente. No caso de Curió, trata-se de uma reavaliação da negativa apresentada anteriormente pelo juiz federal João César Otoni de Matos, que, ao substituir Nair Pimenta de Castro, resolveu barrar a ação com base no longo tempo de ocorrência dos fatos e em função de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada em 2010, de dizer que a Lei de Anistia, aprovada em 1979, dá guarida a torturadores.

Agora, a juíza aceitou a argumentação do Ministério Público Federal (MPF) e decidiu dar sequência ao caso pelo sequestro de cinco militantes entre janeiro e setembro de 1974. Maria Célia Corrêa (Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (Piauí) e Telma Regina Cordeira Corrêa (Lia) foram levados às bases militares comandadas por Curió.

O teor da argumentação da juíza no caso do major Lívio Augusto Maciel ainda não é conhecido. O militar foi denunciado rapto de  Divino Ferreira de Sousa, o Nunes, visto pela última vez em 1973. Segundo as apurações, o combatante foi emboscado em 14 de outubro daquele ano pelas tropas comandadas por Lício. Os três guerrilheiros que acompanhavam o militantes foram mortos no mesmo momento, e ele foi levado com vida para a base militar da Casa Azul, em Marabá, no Pará.

“Hoje é um dia importante porque são as primeiras decisões positivas e nós imaginamos que é um caminho que será consolidado”, afirmou, por telefone, o procurador regional da República em São Paulo Marlon Weichert, um dos integrantes do Grupo de Justiça de Transição do MPF, responsável pelas duas ações. “A gente sabia que era uma questão de tempo para que o Judiciário começasse a fazer uma reflexão mais aprofundada desses aspectos. As denúncias até agora oferecidas adotam uma tese defendida pelo Supremo Tribunal Federal. Não há nenhuma inovação no pedido.”

A juíza acolheu a argumentação anterior do STF de que sequestros são crimes continuados, que não cessam enquanto não se apresenta o corpo, não se comprova a morte ou se coloca a vítima em liberdade. Os ministros da máxima Corte se valeram desta visão por duas vezes ao julgar pedidos de extradição apresentados pela Argentina em casos de colaboradores da ditadura naquele país (1976-83).

"Era a grande brecha que estávamos esperando pra realização de justiça no Brasil", manifestou a diretora do Centro de Justiça e Direito Internacional (Cejil), Beatriz Affonso. "A gente entende que essa decisão de aceitar a denúncia criminal vai trazer nao só a possibilidade de responsabilizar os envolvidos no crime da ditadura, como a realização da verdade juidicial. Ao longo dos processos, essa verdade, que é tão controversa, vai poder ser esclarecida judicialmente, com todas as garantias que a democracia oferece, direito ao contraditório e à defesa."

Agora, a magistrada aponta que a investigação penal sobre os crimes é um direito das famílias das vítimas e pode, inclusive, levar à certeza sobre a morte dos militantes. “Se dúvidas há, e sendo elas calçadas em investigação precedente, a recepção da denúncia conta em favor da sociedade”, indicou na decisão sobre Curió. “Há, e isso é decisivo para o que se analisa, informações de que haveriam pessoas que, dadas como mortas, viveriam sob nova identidade, sendo-lhes defeso revelar-se por receio de serem justiçados”

Nair Pimenta de Castro foi, inclusive, além da argumentação do STF nos casos de extradição e afirmou que a Lei de Anistia, aprovada em 1979 pelo Congresso ainda sob ditadura, não pode, neste caso, valer como impeditivo para apurações sobre os fatos do passado. “Na hipótese dos autos, entretanto, está-se diante de algo que não passou, de evento que, em tese, não ficou no passado, antes perdura até que os indícios de sua permanência sejam suplantados por elementos evidenciadores de sua cessação”, disse.

Avanços e recuos

"É um processo sem volta, disso eu tenho certeza", afirmou Beatriz Affonso. "Outros casos vão chegar, uns serão rejeitados, outros aceitos. mas é uma mudança cultural que só vai ocorrer por meio desses processos." Antes disso, além da primeira recusa ao caso de Curió, o Judiciário havia rejeitado a abertura de ação contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi, um dos principais órgãos da repressão, e o delegado da Polícia Civil Dirceu Gravina, ainda na ativa, pelo sequestro do líder sindical Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, desaparecido desde 1971.

Este mês, porém, Ustra sofreu um revés com a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo de reconhecê-lo como torturador e responsável pelas ações criminosas ocorridas no DOI-Codi. A ação movida pela família Teles não resulta em condenação penal, mas abre caminho para que novas denúncias sejam apresentadas contra o coronel da reserva.

Antes disso, o juiz Guilherme Dazem Madeira havia aceito pela primeira vez a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos ao determinar que fosse alterada a causa da morte do militante João Batista Drumond, assassinado em 1976.

A Corte, integrante da Organização dos Estados Americanos (OEA), condenou o Brasil no caso Gomes Lund, relativo à Guerrilha do Araguaia, e determinou que a Lei de Anistia deixasse de servir como empecilho para investigar e punir os crimes cometidos por agentes do Estado. ““Isso confirma o que a gente vinha defendendo, de que num primeiro momento a decisão da Corte provocaria certa resistência, mas conforme isso se aprofunde vai passar a ser aceito como uma questão corriqueira, esse diálogo entre o Direito internacional e o Direito interno”, observa o procurador Marlon Weichert.

Link:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/08/aceitas-primeiras-denuncias-contra-agentes-da-ditadura

Meu Comentário!

Não se esqueçam: O STF é o mesmo tribunal que absolveu todos os torturados e assassinados da Ditadura Militar. Como um tribunal desses pode ser levado à sério??

Ibope: Haddad sobe para 16% e empata com Serra (20%)! Russomano lidera com 31%!

Ibope: Haddad sobe para 16% e empata com Serra (20%)! Russomano lidera com 31%! - por Marcos Doniseti, com informações do blog do Noblat e do G1

O blog do Noblat publicou a seguinte notícia agora há pouco:

"Saiu do forno a mais recente pesquisa do Ibope a ser publicada amanhã pelo jornal O Estado de São Paulo. O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo caiu cinco pontos em relação à pesquisa anterior. Fernando Haddad, do PT, subiu. Os dois estão tecnicamente empatados. Russomanno segue na frente.".

Bastou uma semana de campanha no rádio e na TV para o Haddad conseguir empatar com o Serra? Mas até outro dia mesmo o Serra tinha 30% e o Haddad não passava da faixa de 6% a 8%?

Daí, quando eu digo que o povo não liga a mínima para aquele circo esdrúxulo montado no STF em Brasília e que está muito mais preocupado em melhorar de vida, e com os problemas reais que enfrenta em sua vida, como o metrô superlotado, com as creches inexistentes e com os três hospitais que o Kassab prometeu fazer e não fez, ainda tem pessoas que duvidam de mim.

Aliás, estou convencido de que se saírem por aí perguntando às pessoas o que é STF, muitos irão pensar que é alguma marca de roupa ou de sapato.



O portal G1 já divulgou o resultado da pesquisa, que foi o seguinte (entre parêntesis coloquei o resultado da pesquisa Ibope anterior, feita no dia 16 de Agosto):

Russomano          31% (26%);
Serra                    20% (26%);
Haddad                16% (9%);
Chalita                   5% (5%);
Soninha                  4% (5%);
Paulinho                 1% (5%);
Outros                     1%;
Brancos-Nulos      12%;
Não Sabe                 9%.

O Ibope simulou um segundo turno entre Russomano e Serra. E o resultado foi Russomano 51% X 27% Serra, ou seja, um massacre para o candidato do PRB.

Segundo o Ibope, Serra é rejeitado por 34% dos eleitores, Haddad por 13% e Russomano por 8%.

Obs:  Uma pergunta: Qual o primeiro instituto de pesquisa que irá registrar a ultrapassagem de Serra pelo Haddad, hein? Datafolha? Vox Populi? Ibope?

No ritmo de crescimento do Haddad, 1 p.p. diário, ele passará o Serra em mais 3 ou 4 dias, no máximo.
 
No fundo, o que está acontecendo agora é que o povo de São Paulo está dizendo um grande e rotundo não a quem lhe virou as costas, a dupla Serra-Kassab.

Serra abandonou a prefeitura depois de apenas 15 meses de mandato. E Kassab priorizou a criação do PSD, deixando a cidade às moscas.

Com isso, a vida do paulistano virou um caos. Afinal, cadê o seu prefeito? O que ele fez de importante? Como ele cuidou da cidade? Não cuidou e, com isso, ela virou um caos.

A resposta para esse abandono está sendo dada agora.

Serra e Kassab abandonaram a cidade e o seu povo e este, agora, lhe dá o troco. 
Links:

http://g1.globo.com/sao-paulo/eleicoes/2012/noticia/2012/08/russomanno-tem-31-serra-20-e-haddad-16-diz-ibope.html

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=ibope-haddad-empata-com-serra&cod_Post=463028&a=111

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Salário Mínimo subirá para R$ 670,95 em 2013! Aumento será de 7,9%!

Salário mínimo em 2013 será R$ 670,95, determina Ministério do Planejamento

30/08/2012 - Luciene Cruz, Stênio Ribeiro e Wellton Máximo
Repórteres da Agência Brasil

Brasília – O Ministério do Planejamento fixou em R$ 670,95 o valor do salário mínimo a partir de janeiro de 2013. Essa é a proposta que o governo federal incluiu no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) enviado hoje (30) ao Congresso Nacional. O novo valor é 7,9% maior que os R$ 622 pagos atualmente.

A Ploa traz a previsão de gastos do governo para o próximo ano. O novo valor do mínimo passa a ser pago a partir de fevereiro, referente ao mês de janeiro. O reajuste inclui a variação de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 e a estimativa de que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) previsto para o ano de 5%.

A estimativa do governo é que cada R$ 1 de avanço no mínimo gere despesas de R$ 308 milhões ao governo. Com isso, o aumento de R$ 48 concedido pelo governo causará impacto de cerca de R$ 15,1 bilhões aos cofres públicos.

O INPC é o índice utilizado nas negociações salariais dos sindicatos e faz parte do acordo de evolução do salário mínimo fechado entre governo e centrais sindicais.

Edição: Fábio Massalli

Link:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-08-30/salario-minimo-em-2013-sera-r-67095-determina-ministerio-do-planejamento

Juros para as famílias alcançam menor nível registrado pelo Banco Central!

Juros para as famílias alcançam menor nível registrado pelo Banco Central - 30/08/2012 - Kelly Oliveira - Repórter da Agência Brasil


Brasília – As famílias pagaram taxa média de juros de 36,2% ao ano, em julho deste ano, o nível mais baixo da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 1994. Em relação a junho, houve redução de 0,3 ponto percentual.

No caso das empresas, o recuo foi 0,2 ponto percentual de junho para julho, chegando a 23,6% ao ano. Com isso, a taxa média geral, de pessoas físicas e jurídicas, caiu 0,4 ponto percentual, alcançando patamar de 30,7% ao ano.

O spread (diferença entre a taxa de captação de recursos pelos bancos e a cobrada dos clientes) para pessoas físicas também caiu 0,1 ponto percentual no mesmo período, ficando em 28,4 pontos percentuais. Para as empresas, houve alta de 0,1 ponto percentual para 16 pontos percentuais.

A inadimplência, considerados atrasos superiores a 90 dias, apresentou leve alta de 0,1 ponto percentual para as famílias e ficou em 7,9%, em julho. No caso das empresas, o indicador ficou estável em 4%.

Edição: Carolina Pimentel

Link:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-08-30/juros-para-familias-alcancam-menor-nivel-registrado-pelo-banco-central

Dieese: 96,5% dos reajustes salariais no 1º semestre ficaram acima da inflação!

Dieese: 96,5% dos reajustes salariais no 1º semestre ficaram acima da inflação - Publicado em 30/08/2012 - Por: Eduardo Maretti


São Paulo – O Dieese apresentou hoje (30) o balanço das negociações dos reajustes salariais do primeiro semestre de 2012. De acordo com os números, 96,5% dos 370 reajustes analisados no estudo ficaram acima da inflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE. Como 3% dos casos tiveram reajustes iguais aos da inflação medida no período, apenas 0,5% do total ficou abaixo do índice.

O coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre, ressaltou que os resultados do semestre são melhores do que os de 2010, que registrou o maior crescimento do PIB desde 1996. Naquele ano, o total de reajustes salariais superiores ao INPC chegou a 88,1%, contra os 96,5% dos primeiros seis meses de 2012, ano em que o PIB deve crescer em torno de apenas 2% (o crescimento em 2010 foi de 7,5%, o maior dos últimos 25 anos).

O que mostra, segundo ele, que a expansão do PIB não é o fator determinante do bom desempenho dos reajustes: inflação baixa, estabilidade do mercado de trabalho, crescimento da massa salarial, que influencia as vendas, são outros fatores da equação.

“Nunca tivemos, como de 2004 para cá, na democracia brasileira recente, um período que combinasse democracia, participação institucional da sociedade de maneira tripartite, inflação estável e crescimento econômico”, diz Silvestre. “Todos esses fatores, aliados às lutas sindicais, têm proporcionado os ganhos reais dos trabalhadores.”

No setor industrial, 98,2% dos reajustes resultaram em ganhos reais para os trabalhadores. Com desempenho quase igual, o comércio chegou a 98,1%. Um pouco abaixo está o setor de serviços, com 94,2% dos reajustes acima da inflação.

Dos 370 reajustes da pesquisa, 38,1% (141) são da região Sudeste e 25,9% (96) da região Sul. O Nordeste aparece no estudo com 21,1% (78) do total analisado, o Centro Oeste, com 8,6% (32), e o Norte, com 6,2% (23%).

Link:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2012/08/dieese-96-5-dos-reajustes-salariais-no-primeiro-semestre-ficaram-acima-da-inflacao

Meu Comentário!

Com um governo como o de Dilma, que propicia este tipo de melhoria, porque é que o povo brasileiro irá querer mudar o rumo do país?

Valeu, Lula!  Valeu, Dilma!

Propostas de governo: Russomanno usa tom generalista e não mostra a que veio!

Propostas de governo: Russomanno usa tom generalista e não mostra a que veio! - Por: Thalita Pires, da Rede Brasil Atual

Propostas de governo: Russomanno usa tom generalista e não mostra a que veio
Documento faz pouco para esclarecer ao eleitor qual o rumo que a cidade tomará caso Russomano seja eleito (Reprodução) 
 
A pesquisa de intenção de voto divulgada ontem pelo Datafolha mostrou que Celso Russomanno, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRB, mantém a liderança da disputa com 31% dos votos.

Um desempenho tão robusto chama a atenção.

Por isso, resolvi entrar em contato com a campanha de Russomano para saber se haverá o lançamento de um documento com as propostas do candidato.

A resposta foi que está em confecção um projeto de governo, sem data para ser lançado. Como o prazo para o lançamento do plojeto de governo é até a data da posse, é possível que esse documento não fique pronto até as eleições.

Para efeito de avaliação das propostas, a candidatura disponibiliza este documento no site. Sendo assim, resolvi ler suas propostas, ainda que não estejam completamente desenvolvidas.

É triste constatar que o líder das pesquisas não conta com nenhum projeto urbanístico para São Paulo. Aliás, não é possível detectar nem um fundinho de projeto político de uma maneira geral, pelo menos não da maneira como as suas propostas foram apresentadas. O candidato defende que São Paulo deve ter capacidade de gestão, como se tudo se resumisse a questões técnicas, e não políticas.

Com isso não quero dizer que as questões práticas sejam pouco importantes. Russomanno apresenta ideias ótimas, como fazer com que toda a frota de ônibus seja acesível, ampliar a estrutura da combalida CET, aumentar o número de pontos para a reciclagem de lixo e reurbanizar favelas. Mas falta arcabouço político para dar sentido a esse conjunto de propostas.

Simplesmente não há o que comentar: lendo o documento, não sei o que o candidato pensa sobre o adensamento populacional da periferia, sobre a verticalização sem adensamento que acontece nos bairros centrais, como Lapa, Vila Leopoldina e Mooca ou sobre a estrutura fundiária da cidade. Normalmente, a ausência desse tipo de avaliação já é a resposta: quem não se importa com isso está satisfeito com a maneira como a cidade funciona.

A avaliação proposta a proposta também não é muito alvissareira. Várias delas são bastante abrangentes e, por isso mesmo, inócuas. Alguns exemplos:

- Viabilizar estudos para implantação do veiculo leve sobre trilhos: é ótimo, mas não significa nada;

- Implementar uma nova estratégia para destinação racional dos resíduos na cidade, aplicando os recursos de créditos de carbono: que nova estratégia seria essa? Para onde iriam os recursos?

- Criar condições para regularização de terrenos populares e interferir na urbanização local: o que significa "terrenos populares"? Ficam em quais regiões? Como será a intervenção na urbanização local?

Esses são apenas três exemplos de propostas com palavras bonitas que significam pouca coisa.

É pouco, muito pouco para o candidato que lidera a corrida eleitoral.

Até o projeto do Paulinho da Força, que tem 2% dos votos, tem muito mais consistência e propostas.

Tomara que o prometido projeto de governo de Russomanno fique pronto antes das eleições, a tempo de esclarecer qual o projeto do candidato para a cidade.

Link:

http://www.redebrasilatual.com.br/blog/desafiosurbanos/propostas-de-governo-russomano-usa-tom-generalista-e-nao-mostra-a-que-veio

Marilena Chauí: Desnudando os donos do poder global!

Marilena Chauí: Desnudando os donos do poder global!

PHA, do Conversa Afiada

Num evento em defesa da liberdade de expressão e por uma Ley de Medios, realizado no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, nessa segunda feira, a professora Marilena Chauí fez uma palestra antológica.

I. Democracia e autoritarismo social

Estamos acostumados a aceitar a definição liberal da democracia como regime da lei e da ordem para a garantia das liberdades individuais. 


Visto que o pensamento e a prática liberais identificam a liberdade com a ausência de obstáculos à competição, essa definição da democracia significa, em primeiro lugar, que a liberdade se reduz à competição econômica da chamada “livre iniciativa” e à competição política entre partidos que disputam eleições; em segundo, que embora a democracia apareça justificada como “valor” ou como “bem”, é encarada, de fato, pelo critério da eficácia, medida no plano do poder executivo pela atividade de uma elite de técnicos competentes aos quais cabe a direção do Estado. 

A democracia é, assim, reduzida a um regime político eficaz, baseado na idéia de cidadania organizada em partidos políticos, e se manifesta no processo eleitoral de escolha dos representantes, na rotatividade dos governantes e nas soluções técnicas para os problemas econômicos e sociais.
 

Ora, há, na prática democrática e nas idéias democráticas, uma profundidade e uma verdade muito maiores e superiores ao que liberalismo percebe e deixa perceber.

Podemos, em traços breves e gerais, caracterizar a democracia ultrapassando a simples idéia de um regime político identificado à forma do governo, tomando-a como forma geral de uma sociedade e, assim, considerá-la:


1. forma sócio-política definida pelo princípio da isonomia ( igualdade dos cidadãos perante a lei) e da isegoria (direito de todos para expor  em público suas opiniões, vê-las discutidas, aceitas ou recusadas em público), tendo como base a afirmação de que todos são iguais porque livres, isto é, ninguém está sob o poder de um outro porque todos obedecem às mesmas leis das quais todos são autores (autores diretamente, numa democracia participativa; indiretamente, numa democracia representativa). Donde o maior problema da democracia numa sociedade de classes ser o da manutenção de seus princípios – igualdade e liberdade – sob os efeitos da desigualdade real;


2. forma política na qual, ao contrário de todas as outras, o conflito é considerado legítimo e necessário, buscando mediações institucionais para que possa exprimir-se. A democracia não é o regime do consenso, mas do trabalho dos e sobre os conflitos. Donde uma outra dificuldade democrática nas sociedades de classes: como operar com os conflitos quando estes possuem a forma da contradição e não a da mera oposição?


3. forma sócio-política que busca enfrentar as dificuldades acima apontadas conciliando o princípio da igualdade e da liberdade e a existência real das desigualdades, bem como o princípio da legitimidade do conflito e a existência de contradições materiais introduzindo, para isso, a idéia dos direitos ( econômicos, sociais, políticos e culturais). 


Graças aos direitos, os desiguais conquistam a igualdade, entrando no espaço político para reivindicar a participação nos direitos existentes e sobretudo para criar novos direitos. Estes são novos não simplesmente porque não existiam anteriormente, mas porque são diferentes daqueles que existem, uma vez que fazem surgir, como cidadãos, novos sujeitos políticos que os afirmaram e os fizeram ser reconhecidos por toda a sociedade. 

4. graças à idéia e à prática da criação de direitos, a democracia não define a liberdade apenas pela ausência de obstáculos externos à ação, mas a define pela autonomia, isto é, pela capacidade dos sujeitos sociais e políticos darem a si mesmos suas próprias normas e regras de ação.


Passa-se, portanto, de uma definição negativa da liberdade – o não obstáculo ou o não-constrangimento externo – a uma definição positiva – dar a si mesmo suas regras e normas de ação. A liberdade possibilita aos cidadãos instituir contra-poderes sociais por meio dos quais interferem diretamente no poder por meio de reivindicações e controle das ações estatais.
 

5. pela criação dos direitos, a democracia surge como o único regime político realmente aberto às mudanças temporais, uma vez que faz surgir o novo como parte de sua existência e, conseqüentemente, a temporalidade é constitutiva de seu modo de ser, de maneira que a democracia é a sociedade verdadeiramente histórica, isto é, aberta ao tempo, ao possível, às transformações e ao novo. 

Com efeito, pela criação de novos direitos e pela existência dos contra-poderes sociais, a sociedade democrática não está fixada numa forma para sempre determinada, pois não cessa de trabalhar suas divisões e diferenças internas, de orientar-se pela possibilidade objetiva de alterar-se pela própria práxis;  

6. única forma sócio-política na qual o caráter popular do poder e das lutas tende a evidenciar-se nas sociedades de classes, na medida em que os direitos só ampliam seu alcance ou só surgem como novos pela ação das classes populares contra a cristalização jurídico-política que favorece a classe dominante. 


Em outras palavras, a marca da democracia moderna, permitindo sua passagem de democracia liberal á democracia social, encontra-se no fato de que somente as classes populares e os excluídos (as “minorias”) reivindicam direitos e criam novos direitos;

7. forma política na qual a distinção entre o poder e o governante é garantida não só pela presença de leis e pela divisão de várias esferas de autoridade, mas também pela existência das eleições, pois estas ( contrariamente do que afirma a ciência política) não significam  mera “alternância no poder”, mas assinalam que o poder está sempre vazio, que seu detentor é a sociedade e que o governante apenas o ocupa por haver recebido um mandato temporário para isto. 


Em outras palavras, os sujeitos políticos não são simples votantes, mas eleitores. Eleger significa não só exercer o poder, mas manifestar a origem do poder, repondo o princípio afirmado pelos romanos quando inventaram a política: eleger é “dar a alguém aquilo que se possui, porque ninguém pode dar o que não tem”, isto é, eleger é afirmar-se soberano para escolher ocupantes temporários do governo.

Dizemos, então, que uma sociedade — e não um simples regime de governo — é democrática quando, além de eleições, partidos políticos, divisão dos três poderes da república, respeito à vontade da maioria e da minoria, institui algo mais profundo, que é condição do próprio regime político, ou seja, quando institui direitos e que essa instituição é uma criação social, de tal maneira que a atividade democrática social realiza-se como uma contra-poder social que determina, dirige, controla e modifica a ação estatal e o poder dos governantes.


Se esses são os principais traços da sociedade democrática, podemos avaliar as enormes dificuldades para instituir a democracia no Brasil. De fato, a sociedade brasileira é estruturalmente violenta, hierárquica, vertical, autoritária e oligárquica e o Estado é patrimonialista e cartorial, organizado segundo a lógica clientelista e burocrática. 


O clientelismo bloqueia a prática democrática da representação  — o representante não é visto como portador de um mandato dos representados, mas como provedor de favores aos eleitores. 

A burocracia bloqueia a democratização do Estado porque não é uma organização do trabalho e sim uma forma de poder fundada em três princípios opostos aos democráticos: a hierarquia, oposta à igualdade; o segredo, oposto ao direito à informação; e a rotina de procedimentos, oposta à abertura temporal da ação política.

Além disso, social e economicamente nossa sociedade está polarizada entre a carência absoluta das camadas populares e o privilégio absoluto das camadas dominantes e dirigentes, bloqueando a instituição e a consolidação da democracia.


Um privilégio é, por definição, algo particular que não pode generalizar-se nem universalizar-se sem deixar de ser privilégio. Uma carência é uma falta também particular ou específica que se exprime numa demanda também particular ou específica, não conseguindo generalizar-se nem universalizar-se. 

Um direito, ao contrário de carências e privilégios, não é particular e específico, mas geral e universal,  seja porque é o mesmo e válido para todos os indivíduos, grupos e classes sociais, seja porque embora diferenciado é reconhecido por todos (como é caso dos chamados direitos das minorias). 

Assim, a polarização econômico-social entre a carência e o privilégio ergue-se como obstáculo à instituição de direitos, definidora da democracia. 

A esses obstáculos, podemos acrescentar ainda aquele decorrente do neoliberalismo, qual seja o encolhimento do espaço público e o alargamento do espaço privado. Economicamente, trata-se da  eliminação de direitos econômicos, sociais e políticos garantidos pelo poder público, em proveito dos interesses privados da classe dominante, isto é, em proveito do  capital; a economia e a política neoliberais são a decisão de destinar os fundos públicos aos investimentos do capital e de cortar os investimentos públicos destinados aos direitos sociais, transformando-os em serviços definidos pela lógica do mercado, isto é, a privatização dos direitos transformados em serviços, privatização que aumenta a cisão social entre a carência e o privilégio, aumentando todas formas de exclusão. 


Politicamente o encolhimento do público e o alargamento do privado colocam em evidência o bloqueio a um direito democrático fundamental sem o qual a cidadania, entendida como participação social, política e cultural é impossível, qual seja, o direito à informação.

II. Os meios de comunicação como exercício de poder


Podemos focalizar o exercício do poder pelos meios de comunicação de massa sob dois aspectos principais: o econômico e o ideológico.


Do ponto de vista econômico, os meios de comunicação fazem parte da indústria cultural. 


Indústria porque são empresas privadas operando no mercado e que, hoje, sob a ação da chamada globalização, passa por profundas mudanças estruturais, “num processo nunca visto de fusões e aquisições, companhias globais ganharam posições de domínio na mídia.”, como diz o jornalista Caio Túlio Costa. A

lém da forte concentração (os oligopólios beiram o monopólio), também é significativa a presença, no setor das comunicações, de empresas que não tinham vínculos com ele nem tradição nessa área. O porte dos investimentos e a perspectiva de lucros jamais vistos levaram grupos proprietários de bancos, indústria metalúrgica, indústria elétrica e eletrônica, fabricantes de armamentos e aviões de combate, indústria de telecomunicações a adquirir, mundo afora, jornais, revistas, serviços de telefonia, rádios e televisões, portais de internet, satélites, etc.. 

No caso do Brasil, o poderio econômico dos meios é inseparável da forma oligárquica do poder do Estado, produzindo um dos fenômenos mais contrários à democracia, qual seja, o que Alberto Dines chamou de “coronelismo eletrônico”, isto é, a forma privatizada das concessões públicas de canais de rádio e televisão, concedidos a parlamentares e lobbies privados, de tal maneira que aqueles que deveriam fiscalizar as concessões públicas se tornam concessionários privados, apropriando-se de um bem público para manter privilégios, monopolizando a comunicação e a informação. 


Esse privilégio é um poder político que se ergue contra dois direitos democráticos essenciais: a isonomia (a igualdade perante a lei) e a isegoria (o direito à palavra ou o igual direito de todos de expressar-se em público e ter suas opiniões publicamente discutidas e avaliadas). 

Numa palavra, a cidadania democrática exige que os cidadãos estejam informados para que possam opinar e intervir politicamente e isso lhes é roubado pelo poder econômico dos meios de comunicação. 

A isonomia e a isegoria são também ameaçadas e destruídas pelo poder ideológico dos meios de comunicação. De fato, do ponto de vista ideológico, a mídia exerce o poder sob a forma do denominamos a ideologia da competência, cuja peculiaridade está em seu modo de aparecer sob a forma anônima e impessoal do discurso do conhecimento, e cuja eficácia social, política e cultural está fundada na crença na racionalidade técnico-científica. 


A ideologia da competência pode ser resumida da seguinte maneira: não é qualquer um que pode em qualquer lugar e em qualquer ocasião dizer qualquer coisa a qualquer outro. O discurso competente determina de antemão quem tem o direito de falar e quem deve ouvir, assim como pré-determina os lugares e as circunstâncias em que é permitido falar e ouvir, e define previamente a forma e o conteúdo do que deve ser dito e precisa ser ouvido. 


Essas distinções têm como fundamento uma distinção principal, aquela que divide socialmente os detentores de um saber ou de um conhecimento (científico, técnico, religioso, político, artístico), que podem falar e têm o direito de mandar e comandar, e os desprovidos de saber, que devem ouvir e obedecer. 

Numa palavra, a ideologia da competência institui a divisão social entre os competentes, que sabem e por isso mandam, e os incompetentes, que não sabem e por isso obedecem.

Enquanto discurso do conhecimento, essa ideologia opera com a figura do especialista. Os meios de comunicação não só se alimentam dessa figura, mas não cessam de institui-la como sujeito da comunicação. 


O especialista competente é aquele que, no rádio, na TV, na revista, no jornal ou no multimídia, divulga saberes, falando das últimas descobertas da ciência ou nos ensinando a agir, pensar, sentir e viver. 

O especialista competente nos ensina a bem fazer sexo, jardinagem, culinária, educação das crianças, decoração da casa, boas maneiras, uso de roupas apropriadas em horas e locais apropriados, como amar Jesus e ganhar o céu, meditação espiritual, como ter um corpo juvenil e saudável, como ganhar dinheiro e subir na vida.  

O principal especialista, porém, não se confunde com nenhum dos anteriores, mas é uma espécie de síntese, construída a partir das figuras precedentes: é aquele que explica e interpreta as notícias e os acontecimentos econômicos, sociais, políticos, culturais, religiosos e esportivos, aquele que devassa, eleva e rebaixa entrevistados, zomba, premia e pune calouros  — em suma, o chamado “formador de opinião” e o “comunicador”.

Ideologicamente, o poder da comunicação de massa não é um simples inculcação de valores e idéias, pois, dizendo-nos o que devemos pensar, sentir, falar e fazer, o especialista, o formador de opinião e o comunicados nos dizem que nada sabemos e por isso seu poder se realiza como manipulação e intimidação social e cultural.


Um dos aspectos mais terríveis desse duplo poder dos meios de comunicação se manifesta nos procedimentos midiáticos de produção da culpa e condenação sumária dos indivíduos, por meio de um instrumento psicológico profundo: a suspeição, que pressupõe a presunção de culpa. 


Ao se referir ao período do Terror, durante a Revolução Francesa,  Hegel considerou que uma de suas marcas essenciais é afirmar que, por princípio, todos são suspeitos e que os suspeitos são culpados antes de qualquer prova. 

Ao praticar o terror, a mídia fere dois direitos constitucionais democráticos, instituídos pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 (Revolução Francesa) e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, quais sejam: a presunção de inocência (ninguém pode ser considerado culpado antes da prova da culpa) e a retratação pública dos atingidos por danos físicos, psíquicos e morais, isto é, atingidos pela infâmia, pela injúria e pela calúnia. 

É para assegurar esses dois direitos que as sociedades democráticas exigem leis para regulação dos meios de comunicação, pois essa regulação é condição da liberdade e da igualdade que definem a sociedade democrática.

III. 


Faz parte da vida da grande maioria da população brasileira ser espectadora de um tipo de programa de televisão no qual a intimidade das pessoas é o objeto central do espetáculo: programas de auditório, de entrevistas e de debates com adultos, jovens e crianças contando suas preferências pessoais desde o sexo até o brinquedo, da culinária ao vestuário, da leitura à religiosidade, do ato de escrever ou encenar uma peça teatral, de compor uma música ou um balé até os hábitos de lazer e cuidados corporais.  


As ondas sonoras do rádio e as transmissões televisivas tornam-se cada vez mais consultórios sentimental, sexual, gastronômico, geriátrico, ginecológico, culinário, de cuidados com o corpo (ginástica, cosméticos, vestuário, medicamentos), de jardinagem, carpintaria, bastidores da criação artística, literária e da vida doméstica. 


Há programas de entrevista no rádio e na televisão que ou simulam uma cena doméstica – um almoço, um jantar – ou se realizam nas casas dos entrevistados durante o café da manhã, o almoço ou o jantar, nos quais a casa é exibida, os hábitos cotidianos são descritos e comentados, álbuns de família ou a própria são mostrados ao vivo e em cores. 

Os entrevistados e debatedores, os competidores dos torneios de auditório, os que aparecem nos noticiários, todos são convidados e mesmo instados com vigor a que falem de suas preferências, indo desde sabores de sorvete até partidos políticos, desde livros e filmes até hábitos sociais. 

Não é casual que os noticiários, no rádio e na televisão, ao promoverem entrevistas em que a notícia é intercalada com a fala dos direta ou indiretamente envolvidos no fato, tenham sempre repórteres indagando a alguém: “o que você sentiu/sente com isso?” ou “o que você achou/acha disso?” ou “você gosta? não gosta disso?”. Não se pergunta aos entrevistados o que pensam ou o que julgam dos acontecimentos, mas o que sentem, o que acham, se lhes agrada ou desagrada. 

Também tornou-se um hábito nacional jornais e revistas especializarem-se cada vez mais em telefonemas a “personalidades” indagando-lhes sobre o que estão lendo no momento, que filme foram ver na última semana, que roupa usam para dormir, qual a lembrança infantil mais querida que guardam na memória, que música preferiam aos 15 anos de idade, o que sentiram diante de uma catástrofe nuclear ou ecológica, ou diante de um genocídio ou de um resultado eleitoral, qual o sabor do sorvete preferido, qual o restaurante predileto, qual o perfume desejado. 


Os assuntos se equivalem, todos são questão de gosto ou preferência, todos se reduzem à igual banalidade do “gosto” ou “não gosto”, do “achei ótimo” ou “achei horrível”.

Todos esses fatos nos conduzem a uma conclusão: a mídia está imersa na cultura do narcisismo.
 

Como observa Christopher Lash, em A Cultura do Narcisismo, os mass media tornaram irrelevantes as categorias da verdade e da falsidade substituindo-as pelas noções de credibilidade ou plausibilidade e confiabilidade – para que algo seja aceito como real basta que apareça como crível ou plausível, ou como oferecido por alguém confiável.

Os fatos cedem lugar a declarações de “personalidades autorizadas”, que não transmitem informações, mas preferências e estas se convertem imediatamente em propaganda. Como escreve Lash, “sabendo que um público cultivado é ávido por fatos e cultiva a ilusão de estar bem informado, o propagandista moderno evita slogans grandiloqüentes e se atém a ‘fatos’, dando a ilusão de que a propaganda é informação”. 

Qual a base de apoio da credibilidade e da confiabilidade? A resposta encontra-se num outro ponto comum aos programas de auditório, às entrevistas, aos debates, às indagações telefônicas de rádios, revistas e jornais, aos comerciais de propaganda. Trata-se do apelo à intimidade, à personalidade, à vida privada como suporte e garantia da ordem pública. 


Em outras palavras, os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada, abolindo-se a diferença entre espaço público e espaço privado. Assim, as relações interpessoais, as relações intersubjetivas e as relações grupais aparecem com a função de ocultar ou de dissimular as relações sociais enquanto sociais e as relações políticas enquanto políticas, uma vez que a marca das relações sociais e políticas é serem determinadas pelas instituições sociais e políticas, ou seja, são relações mediatas, diferentemente das relações pessoais, que são imediatas, isto é, definidas pelo relacionamento direto entre pessoas e por isso mesmo nelas os sentimentos, as emoções, as preferências e os gostos têm um papel decisivo. 

As relações sociais e políticas, que são mediações referentes a interesses e a direitos regulados pelas instituições, pela divisão social das classes e pela separação entre o social e o poder político, perdem sua especificidade e passam a operar sob a aparência da vida privada, portanto, referidas a preferências, sentimentos, emoções, gostos, agrado e aversão. 

Não é casual, mas uma conseqüência necessária dessa privatização do social e do político, a destruição de uma categoria essencial das democracias, qual seja a da opinião pública. 


Esta, em seus inícios (desde a Revolução Francesa de 1789), era definida como a expressão, no espaço público, de uma reflexão individual ou coletiva sobre uma questão controvertida e concernente ao interesse ou ao direito de uma classe social, de um grupo ou mesmo da maioria. 

A opinião pública era um juízo emitido em público sobre uma questão relativa à vida política, era uma reflexão feita em público e por isso definia-se como uso público da razão e como direito à liberdade de pensamento e de expressão. 

É sintomático que, hoje, se fale em “sondagem de opinião”. Com efeito, a palavra sondagem indica que não se procura a expressão pública racional de interesses ou direitos e sim que se vai buscar um fundo silencioso, um fundo não formulado e não refletido, isto é, que se procura fazer vir à tona o não-pensado, que existe sob a forma de sentimentos e emoções, de preferências, gostos, aversões e predileções, como se os fatos e os acontecimentos da vida social e política pudessem vir a se exprimir pelos sentimentos pessoais. Em lugar de opinião pública, tem-se a manifestação pública de sentimentos.


Nada mais constrangedor e, ao mesmo tempo, nada mais esclarecedor do que os instantes em que o noticiário coloca nas ondas sonoras ou na tela os participantes de um acontecimento falando de seus sentimentos, enquanto locutores explicam e interpretam o que se passa, como se os participantes fossem incapazes de pensar e de emitir juízo sobre aquilo de que foram testemunhas diretas e partes envolvidas. 


Constrangedor, porque o rádio e a televisão declaram tacitamente a incompetência dos participantes e envolvidos para compreender e explicar fatos e acontecimentos de que são protagonistas. 

Esclarecedor, porque esse procedimento permite, no instante mesmo em que se dão, criar a versão do fato e do acontecimento como se fossem o próprio fato e o próprio acontecimento. Assim, uma partilha é claramente estabelecida: os participantes “sentem”, portanto, não sabem nem compreendem (não pensam); em contrapartida, o locutor pensa, portanto, sabe e, graças ao seu saber, explica o acontecimento.
 

É possível perceber três deslocamentos sofridos pela idéia e prática da opinião pública: o primeiro, como salientamos, é a substituição da idéia de uso público da razão para exprimir interesses e direitos de um indivíduo, um grupo ou uma classe social pela idéia de expressão em público de sentimentos, emoções, gostos e preferências individuais; o segundo, como também observamos, é a substituição do direito de cada um e de todos de opinar em público pelo poder de alguns para exercer esse direito, surgindo, assim, a curiosa expressão “formador de opinião”, aplicada a intelectuais, artistas e jornalistas; o terceiro, que ainda não havíamos mencionado, decorre de uma mudança na relação entre s vários meios de comunicação sob os efeitos das tecnologias eletrônica e digital e da formação de oligopólios midiáticos globalizados (alguns autores afirmam que o século XXI começou com a existência de 10 ou 12 conglomerados de mass media de alcance global). 

Esse terceiro deslocamento se refere à forma de ocupação do espaço da opinião pública pelos profissionais dos meios de comunicação. Esses deslocamentos explicam algo curioso, ocorrido durante as sondagens de intenção de voto nas eleições presidenciais de 2006: diante dos resultados, uma jornalista do jornal O Globo  escreveu que o povo estava contra a opinião pública! 

O caso mais interessante é, sem dúvida, o do jornalismo impresso. Em tempos passados, cabia aos jornais a tarefa noticiosa e um jornal era fundamentalmente um órgão de notícias. Sem dúvida, um jornal possuía opiniões e as exprimia: isso era feito, de um lado, pelos editorais e por artigos de não-jornalistas, e, de outro, pelo modo de apresentação da notícia (escolha das manchetes e do “olho”, determinação da página em que deveria aparecer e na vizinhança de quais outras, do tamanho do texto, da presença ou ausência de fotos, etc.). 


Ora, com os meios eletrônicos e digitais e a televisão, os fatos tendem a ser noticiados enquanto estão ocorrendo, de maneira que a função noticiosa do jornal é prejudicada, pois a notícia impressa é posterior à sua transmissão pelos meios eletrônicos e pela televisão. Ou na linguagem mais costumeira dos meios de comunicação: no mercado de notícias, o jornalismo impresso vem perdendo competitividade (alguns chamam a isso de progresso; outros, de racionalidade inexorável do mercado!).

O resultado dessa situação foi duplo: de um lado, a notícia é apresentada de forma mínima, rápida e, freqüentemente, inexata – o modelo conhecido como News Letter – e, de outro, deu-se a passagem gradual do jornal como órgão de notícias a órgão de opinião, ou seja, os jornalistas comentam e interpretam as notícias, opinando sobre elas. Gradualmente desaparece uma figura essencial do jornalismo: o jornalismo investigativo, que cede lugar ao jornalismo assertivo ou opinativo. 


Os jornalista passam, assim, o ocupar o lugar que, tradicionalmente, cabia a grupos e classes sociais e a partidos políticos e, além disso, sua opinião não fica restrita ao meio impresso, mas passa a servir como material para os noticiários de rádio e televisão, ou seja, nesses noticiários, a notícia é interpretada e avaliada graças à referência às colunas dos jornais. 

Os deslocamentos mencionados e, particularmente, este último, têm conseqüências graves sob dois aspectos principais: 


1) uma vez que o jornalista concentra poderes e forma a opinião pública, pode sentir-se tentado a ir além disso e criar a própria realidade, isto é, sua opinião passa a ter o valor de um fato e a ser tomada como um acontecimento real ;
 

2) os efeitos da concentração do poder econômico midiático. Os meios de comunicação tradicionais (jornal, rádio, cinema, televisão) sempre foram propriedade privada de indivíduos e grupos, não podendo deixar de exprimir seus interesses particulares ou privados, ainda que isso sempre tenha imposto problemas e limitações à liberdade de expressão, que fundamenta a idéia de opinião pública. 

Hoje, porém, os  conglomerados de alcance global controlam não só os meios tradicionais, mas também os novos meios eletrônicos e digitais, e avaliam em termos de custo-benefício as vantagens e desvantagens do jornalismo escrito ou da imprensa, podendo liquidá-la, se não acompanhar os ares do tempo. 

Esses dois aspectos incidem diretamente sobre a transformação da verdade e da falsidade em questão de credibilidade e  plausibilidade.  Rápido, barato, inexato, partidarista, mescla de informações aleatoriamente obtidas e pouco confiáveis, não investigativo, opinativo ou assertivo, detentor da credibilidade e da plausibilidade, o jornalismo se tornou protagonista da destruição da opinião pública.
 

De fato, a desinformação é o principal resultado da maioria dos noticiários nos jornais, no rádio e na televisão, pois, de modo geral, as notícias são apresentadas de maneira a impedir que se possa localizá-la no espaço e no tempo. 

Ausência de referência espacial ou atopia: as diferenças próprias do espaço percebido (perto, longe, alto, baixo, grande, pequeno) são apagadas; o aparelho de rádio e a tela da televisão tornam-se o único espaço real. 


As distâncias e proximidades, as diferenças geográficas e territoriais são ignoradas, de tal modo que algo acontecido na China, na Índia, nos Estados Unidos ou em Campina Grande apareça igualmente próximo e igualmente distante. 

Ausência de referência temporal ou acronia: os acontecimentos são relatados como se não tivessem causas passadas nem efeitos futuros; surgem como pontos puramente atuais ou presentes, sem continuidade no tempo, sem origem e sem conseqüências; existem enquanto forem objetos de transmissão e deixam de existir se não forem transmitidos. 


Têm a existência de um espetáculo e só permanecem na consciência dos ouvintes e espectadores enquanto permanecer o espetáculo de sua transmissão.
 

Como operam efetivamente os noticiários?

Em primeiro lugar, estabelecem diferenças no conteúdo e na forma das notícias de acordo com o horário da transmissão e o público, rumando para o sensacionalismo e o popularesco nos noticiários diurnos e do início da noite e buscando sofisticação e aumento de fatos nos noticiários de fim de noite. 


Em segundo, por seleção das notícias, omitindo aquelas que possam desagradar o patrocinador ou os poderes estabelecidos. 

Em terceiro, pela construção deliberada e sistemática de uma ordem apaziguadora: em seqüência, apresentam, no início, notícias locais, com ênfase nas ocorrências policiais, sinalizando o sentimento de perigo; a seguir, entram as notícias regionais, com ênfase em crises e conflitos políticos e sociais, sinalizando novamente o perigo; passam às notícias internacionais, com ênfase em guerras e cataclismos (maremoto, terremoto, enchentes, furacões), ainda uma vez sinalizando perigo; mas concluem com as notícias nacionais, enfatizando as idéias de ordem e segurança, encarregadas de desfazer o medo produzido pelas demais notícias. 

E, nos finais de semana, terminam com notícias de eventos artísticos ou sobre animais (nascimento de um ursinho, fuga e retorno de um animal em cativeiro, proteção a espécies ameaçadas de extinção), de maneira a produzir o sentimento de bem-estar no espectador pacificado, sabedor de que, apesar dos pesares, o mundo vai bem, obrigado.

Paradoxalmente, rádio e televisão podem oferecer-nos o mundo inteiro num instante, mas o fazem de tal maneira que o mundo real desaparece, restando apenas retalhos fragmentados de uma realidade desprovida de raiz no espaço e no  tempo. Como desconhecemos as determinações econômico-territoriais (geográficas, geopolíticas, etc.) e como ignoramos os antecedentes temporais e as conseqüências dos fatos noticiados,  não podemos compreender seu verdadeiro significado. 


Essa situação se agrava com a TV a cabo, com emissoras dedicadas exclusivamente a notícias, durante 24 horas, colocando num mesmo espaço e num mesmo tempo  (ou seja, na tela) informações de procedência, conteúdo e significado completamente diferentes, mas que se tornam homogêneas pelo modo de sua transmissão. O paradoxo está em que há uma verdadeira saturação de informação, mas, ao fim, nada sabemos, depois de termos tido a ilusão de que fomos informados sobre tudo. 

Se não dispomos de recursos que nos permitam avaliar a realidade e a veracidade das imagens transmitidas, somos persuadidos de que efetivamente vemos o mundo quando vemos a TV ou quando navegamos pela internet. Entretanto, como o que vemos são as imagens escolhidas, selecionadas, editadas, comentadas e interpretadas pelo transmissor das notícias, então é preciso reconhecer que a TV é o mundo ou que a internet é o mundo. 


A multimídia potencializa o fenômeno da indistinção entre as mensagens e  entre os conteúdos. Como todas as mensagens estão integradas num mesmo padrão cognitivo e sensorial, uma vez que educação, notícias e espetáculos são fornecidos pelo mesmo meio, os conteúdos se misturam e se tornam indiscerníveis. 


No sistema de comunicação multimídia  a própria realidade fica totalmente imersa em uma composição de imagens virtuais num mundo irreal, no qual as aparências não apenas se encontram na tela comunicadora da experiência, mas se transformam em experiência. Todas as mensagens de todos os tipos são incluídas no meio por que fica tão abrangente, tão diversificado, tão maleável, que absorve no mesmo texto ou no mesmo espaço/tempo toda a experiência humana, passada, presente e futura, como num ponto único do universo.

Se, portanto, levarmos em consideração o monopólio da informação pelas empresas de comunicação de massa, podemos considerar, do ponto de vista da ação política, as redes sociais como ação democratizadora tanto por quebrar esse monopólio, assegurando a produção e a circulação livres da informação, como também por promover acontecimentos políticos de afirmação do direito democrático à participação. 


No entanto, os usuários das redes sociais não possuem autonomia em sua ação e isto sob dois aspectos: em primeiro lugar, não possuem o domínio tecnológico da ferramenta que empregam e, em segundo, não detêm qualquer poder sobre a ferramenta empregada, pois este poder é uma estrutura altamente concentrada, a Internet Protocol, com dez servidores nos Estados Unidos e dois no Japão, nos quais estão alojados todos os endereços eletrônicos mundiais, de maneira que, se tais servidores decidirem se desligar, desaparece toda a internet; além disso, a gerência da internet é feita por uma empresa norte-americana em articulação com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, isto é, gere o cadastro da internet mundial. 

Assim, sob o aspecto maravilhosamente criativo e anárquico das redes sociais em ação política ocultam-se o controle e a vigilância sobre seus usuários em escala planetária, isto é, sobre toda a massa de informação do planeta.
 

Na perspectiva da democracia, a questão que se coloca, portanto, é saber quem detêm o controle dessa massa cósmica de informações.  Ou seja, o problema é saber quem tem a gestão de toda a massa de informações que controla a sociedade, quem utiliza essas informações, como e para que as utiliza, sobretudo quando se leva em consideração um fato técnico, que define a operação da informática, qual seja, a concentração e centralização da informação, pois  tecnicamente, os sistemas informáticos operam em rede, isto é, com a centralização dos dados e a produção de novos dados pela combinação dos já coletados.
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Link:

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/08/30/chaui-pig-produz-culpas-e-condena-sumariamente/