Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 30 de setembro de 2012

Oferta de emprego reduz número de domésticas no país!

Oferta de emprego reduz número de domésticas no país

Ocupação, que sempre liderou o ranking do mercado de trabalho feminino, agora aparece em terceiro lugar 
 
Por: Thais Leitão, da Agência Brasil
Publicado em 29/09/2012


Brasília – O aquecimento do mercado de trabalho, com queda nas taxas de desemprego, também está provocando mudanças no tipo de ocupação das brasileiras.

Com mais ofertas de emprego em atividades variadas e melhores níveis de qualificação, elas vão assumindo, aos poucos, novas funções e, pela primeira vez, o trabalho doméstico deixou de ser a primeira opção para garantir o sustento próprio e da família entre as mulheres no país, segundo levantamento realizado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República.

Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, o estudo revela que o contingente de faxineiras, babás, cozinheiras e responsáveis por serviços gerais nos domicílios perdeu espaço para outras ocupações.

A pesquisa foi apresentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na semana passada e demonstrou que as comerciárias assumiram a liderança do ranking das atividades desempenhadas pelas mulheres, empregando 7 milhões de brasileiras (17,6% da força de trabalho feminina do país). Em segundo lugar estão as trabalhadoras em educação, saúde e serviço social.

As empregadas domésticas, que sempre vinham no topo da lista como categoria que mais emprega mulheres no Brasil, aparecem em terceiro lugar. Essa categoria caiu de 6,7 milhões, há três anos, para 6,2 milhões no ano passado, correspondendo a 15,7% do total das trabalhadoras. Em 2009, o percentual de domésticas entre as trabalhadoras era 17%.

A coordenadora dos programas de educação e cultura da SPM, Hildete Pereira, explicou que esse movimento já poderia ter ocorrido na Pnad 2009, principalmente em função da maior qualificação das mulheres e da diversificação do mercado de trabalho. Porém, com a crise financeira internacional em 2008, o comércio se viu obrigado a enxugar as contratações. Ela acredita que a migração para outras atividades representa um ganho importante em termos de condições de trabalho para essas mulheres.

“A sociedade não vê o trabalho doméstico como vê o de uma comerciária, por exemplo. Embora a categoria tenha registrado conquistas importantes, muitas trabalhadoras domésticas ainda sofrem jornadas de trabalho extremamente altas e não têm carteira assinada”, avaliou.

 Pró-trabalhador

A queda no número de domésticas no Brasil caracteriza a busca por um trabalho com maior proteção social, já que direitos reconhecidos para as demais categorias de trabalhadores não fazem parte do cotidiano dessa classe. Para o professor e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Fernando de Holanda Barbosa Filho, a ocupação de novas funções pelas mulheres no mercado de trabalho reflete um momento que classifica como “pró-trabalhador”.

“Com a ampliação na oferta de empregos, o trabalhador tem mais poder de barganha do que o empregador. Com o desemprego alto, o empregador impõe as regras, mas com o desemprego baixo, o empregado consegue uma posição melhor, uma remuneração melhor e até negociar suas condições de trabalho. Essa migração das mulheres para outros setores é um reflexo positivo de uma economia com desemprego em baixa e salário em alta”, avaliou.


Entre os direitos negados às empregadas domésticas atualmente na legislação brasileira estão a definição da jornada de trabalho, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o seguro-desemprego, o benefício por acidente de trabalho, o adicional por trabalho noturno, a hora extra e o salário-família.
Barbosa filho ressaltou que, economicamente, trata-se de um movimento positivo. Em outras épocas, quando a economia dava indícios de menor dinamismo, essas mesmas trabalhadoras poderiam não estar satisfeitas com suas posições no mercado, mas não tinham muitas opções de conquistar outros postos. “Vemos menos pessoas querendo trabalhar como empregados domésticos e conseguindo”, explicou.

Barbosa Filho defende, no entanto, que a universalização da educação, que contribui para o aumento da escolaridade média do brasileiro, seja um fator importante de migração para outras áreas profissionais. “Tanto é que vemos muitas filhas de empregadas domésticas que já não seguem a profissão de suas mães e conquistam outras colocações no mercado de trabalho”, argumentou.

A paraibana Vandoclecie Rodrigues, de 24 anos, trabalha há dois anos como babá. Com o ensino médio completo, ela garante que ficará na profissão por pouco tempo, só até juntar o dinheiro necessário para cursar uma faculdade. Segundo ela, a mãe, que é empregada doméstica, é sua maior incentivadora. “Meu sonho é fazer faculdade na área de saúde e trabalhar em um grande hospital, talvez cuidando de crianças. Estou juntando dinheiro e daqui a uns anos acho que consigo”, disse.

Casos como o de Vandoclecie devem se tornar cada vez mais comuns no Brasil, na opinião de Barbosa Filho. Essa tendência é observada em países onde ocorre o aumento da renda da população em geral, provocando escassez e a consequente elevação dos custos do trabalho doméstico.

“Não acho que vai acabar esse tipo de trabalho no Brasil, mas quem for assumir essa atividade vai exigir salários cada vez mais elevados para abandonar as outras ofertas de emprego. Nos Estados Unidos, ele ainda existe, só que é muito caro e só os ricos conseguem pagar por esse tipo de funcionário”, exemplificou.

“O que deve acontecer no Brasil, gradativamente, é que a classe média ou vai ter que comprometer uma parte substancial da sua renda para ter uma empregada doméstica ou abrir mão do serviço e viver em uma casa ‘mais eletrônica’”, avaliou.

Link:

 http://www.redebrasilatual.com.br/temas/trabalho/2012/09/oferta-de-emprego-reduz-numero-de-domesticas-no-pais

Lula: é hora de buscar o voto de casa em casa!


LULA: É HORA DE BUSCAR O VOTO DE CASA EM CASA - da Carta Maior

"(Serra) foi para o governo do estado, ficou três anos; se mandou para  tentar ser presidente. Levou uma chulada. (agora) ele deve estar desesperado; não tem mais idade; não tem... para ser presidente. Não  chega lá...Quer voltar agora para São Paulo como se São Paulo fosse um cabide de emprego. Ora, meu . Deus do céu, pede aposentadoria; a aposentadoria que é melhor. Requer uma pensão, qualquer coisa, mas não a prefeitura; 

(nesta última semana) peçam votos para Haddad de casa em casa, de igreja em igreja, de loja em loja; 

(ele vai governar para os pobres) Todo mundo precisa de prefeito. Agora, rico não precisa de prefeito nem de presidente, nem do governador. Quem precisa é o povo mais humilde, mais pobre;

 (cuidado com o golpismo) " a elite política brasileira não brinca em serviço. Eles não gostam de ouvir quando eu falo; ficam nervosos. Mas o fato é que em 2005, tentaram dar o golpe no meu governo. 

Tentaram, como tentaram,  e deram, no João Goulart; como tentaram, no Juscelino; e levaram o Getúlio (Vargas) à morte..." (Lula em comícios com Haddad e Marta, na zona leste, em São Paulo, neste sábado).


(Carta Maior; Domingo/30/09/2012)

Dilma reafirma princípios da diplomacia lulista e defende multilateralismo

Dilma reafirma princípios da diplomacia lulista e defende multilateralismo - do Opera Mundi

Em discurso na ONU, a presidente defendeu a posição de Mercosul e Unasul na crise política do Paraguai
 

Agência Efe

Para a presidente, a revolta dos muçulmanos está ligada ao ressentimento com políticas coloniais e neocoloniais

Desde que Dilma Rousseff assumiu a Presidência, em janeiro de 2011, os holofotes da opinião pública mundial passaram a brilhar com menor intensidade para o Brasil. Mais discreta que o antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira mulher a governar o país não tem feito tantos discursos sobre política externa. Tal fato dificulta a formulação da resposta para a seguinte pergunta: a diplomacia de Dilma difere ou é uma continuidade da de Lula?

No discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU deste ano, nesta terça-feira (25/09), Dilma abordou temas recorrentes nas declarações de Lula, quando este ainda era presidente. Críticas à forma como a União Europeia tem conduzido a crise econômica, argumentação em favor de uma reforma “urgente” do Conselho de Segurança da ONU, elogios às políticas de Mercosul e Unasul, defesa da criação do estado Palestino...

Algumas palavras pronunciadas hoje pela representante brasileira poderiam inclusive ser confundidas com as ditas por Lula. “Não haverá resposta eficaz à crise enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países e os organismos multilaterais como o G-20, o FMI e o Banco Mundial”, afirmou Dilma.

Ainda em 2003, em sua primeira participação como presidente na ONU, foi a vez de Lula dizer: “Percebo nos meus interlocutores forte preocupação com a defesa e o fortalecimento do multilateralismo. (...) As tragédias do Iraque e do Oriente Médio só encontrarão solução num quadro multilateral. (...) Pode-se talvez vencer uma guerra isoladamente. Mas não se pode construir a paz duradoura sem o concurso de todos.”

A defesa do multilateralismo, assim, aparece como linha central da diplomacia dos dois governos. Mais do que representar uma continuidade em relação a Lula, porém, Dilma também reafirmou dois princípios vigentes na política externa brasileira em toda a segunda metade do século XX: o desenvolvimento nacional e a não-intervenção em outros territórios.

Princípios históricos

Como antídoto à crise econômica mundial, a presidente recomendou incentivos ao crescimento e citou por diversas vezes os investimentos brasileiros em infra-estrutura, colocando em destaque a questão do desenvolvimento nacional.

Sobre a Síria, Dilma defendeu o diálogo por meio do mediador internacional da ONU para o país, o argelino Lakhdar Brahimi. A negociação já é vista com ressalvas por boa parte dos membros do Conselho de Segurança e a intervenção militar só não foi aprovada por insistência de China e Rússia.

“A Síria produz um drama humanitário de grandes proporções no seu território e em seus vizinhos. (...)Não há solução militar para a crise síria. A diplomacia e o diálogo são não só a melhor, mas, creio, a única opção.”

Com o posicionamento, sem se adequar aos interesses dos Estados Unidos e das principais potências europeias, o Brasil mantém sua defesa intransigente do princípio da não-intervenção.

Agência Efe

Dilma Rousseff defendeu o multilateralismo em seu discusdo de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas

As cutucadas nos países considerados mais poderosos do mundo não pararam por aí. A revolta dos últimos dias contra o filme “A Inocência dos Muçulmanos” foi definida como uma “marca do ressentimento histórico com as políticas coloniais e neocoloniais”.

Por fim, há que se destacar também a posição de Dilma sobre a América Latina. Mesmo sem citar diretamente o golpe que tirou o presidente Fernando Lugo do poder no Paraguai, em junho passado, a mandatária mostrou a que veio.

“Nossa região é um bom exemplo para o mundo. O Estado de Direito que conquistamos com a superação dos regimes autoritários que marcaram o nosso continente está sendo preservado e fortalecido. Para nós, a democracia não é um patrimônio imune a assaltos, temos sido firmes, - Mercosul e Unasul - quando necessário, para evitar retrocessos, porque consideramos integração e democracia princípios inseparáveis.”

Em relação à Cuba, a presidente elogiou os avanços do modelo econômico do país caribenho e definiu o embargo imposto pelos Estados Unidos como o principal obstáculo ao desenvolvimento do país dos Castro. Ao destacar a necessidade de cooperação para com o "país-irmão", a chefe de Estado reafirma outra demanda histórica da diplomacia brasileira.

Dilma Rousseff, assim, optou por seguir, ao menos em parte, o caminho deixado por Lula. A análise da coincidência entre as políticas externas, no entanto, só poderá ser concluída ao final do mandato de Dilma. Até pela escassez de discursos da atual presidente sobre diplomacia, sua segunda participação na abertura da Assembleia-Geral da ONU serviu para mostrar que o Brasil continuará sugerindo alternativas para os principais problemas da geopolítica mundial, como tem ocorrido desde 2003. Resta saber se seremos ouvidos.
  
Link:

Escola das Américas traduz política externa dos EUA,!

Escola das Américas traduz política externa dos EUA, diz fundador do SOA Watch

A organização gerou "muitos violadores de direitos humanos em seus próprios países, denuncia Roy Bourgeois
 

Em 16 de novembro de 1989, militares ligados às brigadas especiais contrainsurgentes do Exército salvadorenho cercaram e invadiram as instalações da UCA (Universidade Centro-americana) de San Salvador, massacrando seis padres jesuítas e duas mulheres.

Segundo as investigações realizadas depois da assinatura dos Acordos de Paz em El Salvador (1992), os principais responsável por esse massacre, assim como pelo assassinato do Monsenhor Oscar Amulfo Romero (1980) e das quatro freiras norte-americanas da ordem Maryknoll (1980) e por um sem-número de outros trágicos acontecimentos em toda América Latina, se formaram na famosa Escola das Américas (School of the Americas – SOA, na sigla em inglês).

Giorgio Trucchi/Opera Mundi
A partir de 1990, como reação a esse grave acontecimento, dezenas de milhares de cidadãos norte-americanos se juntaram e fundaram o Observatório da Escola das Américas (SOA Watch), tendo como principal objetivo o fechamento definitivo desta escola de “assassinos, torturadores e golpistas”, disse a Opera Mundi o padre e fundador dessa organização, Roy Bourgeois (À ESQUERDA).

Cerca de 180 membros do movimento foram presos por se solidarizarem com os prejudicados pela Escola das Américas. O padre Bourgeois passou mais de quatro anos na cadeia por exigir o fim desta instituição.

Fundada em 1946 no Panamá para treinar soltados latino-americanos em técnicas de guerra e contrainsurgência e trasferida para Fort Benning, Georgia, em 1984, a SOA, hoje rebatizada de WHINSEC (Instituto de Cooperação e Segurança do Hemisfério Ocidental, em inglês Western Hemisphere Institute for Security Cooperation), treinou mais de 64 mil soldados, “muitos dos quais se tornaram destacados violadores de direitos humanos em seus próprios países”, destaca o padre.

Segundo Bourgeois, essa escola representa a máxima expressão da política externa norte-americana, e continua tendo um papel muito importante na estratégia de reposicionamento dos Estados Unidos na América Latina e na remilitarização da América Central num contexto de combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado.

Opera Mundi: Como o senhor descreveria a Escola das Américas?

Roy Bourgeois: Como uma escola de assassinos, torturadores e golpistas, que lamentavelmente é muito bem conhecida em toda América Latina. Ali foram treinados mais de 60 mil soldados, a metade deles colombianos. Por mais de 20 anos, acompanhamos a trajetória desses graduados e encontramos centenas de conexões com as mais graves atrocidades cometidas na América Latina durante as ditaduras militares das décadas passadas. Além disso, é um claro símbolo da política externa do meu país [Estados Unidos].

OM: De que maneira representa a política externa dos Estados Unidos?

RB: Os Estados Unidos estão acostumados a se expandir em um continente que consideram seu e fazem isso estendendo suas forças e sua influência para controlar qualquer tipo de processo progressista ou de esquerda na América Latina. Neste sentido, a Escola das Américas sempre foi parte dessa estratégia. Não é por acaso que as tentativas de golpe de Estado feitas nos últimos anos na Venezuela (2002), em Honduras (2009) e no Equador (2010) tenham sido lideradas por pessoas formadas na SOA.

 
OM: Há ligações com interesses econômicos, além de políticos e estratégicos, na região?

RB: Claro que há. O Pentágono diz que ali ensinam a democracia e a defesa dos direitos humanos, o que é absurdo e tristemente ridículo. O papel da SOA continua sendo a defesa dos interesses econômicos dos Estados Unidos e de suas multinacionais na América Latina, em fusão com as oligarquias locais.

Por sorte, os povos estão acordando, estão se organizando e se unindo, e estão dizendo ao império que ele já não pode vir a estes países como faziam os “conquistadores” para explorar seus recursos e seus povos. Já há seis países – Venezuela, Bolívia, Argentina, Equador, Uruguai e Nicarágua – que disseram que não vão mais enviar soldados para a Fort Benning. A decisão que o presidente nicaraguense, Daniel Ortega, acaba de tomar, vai ser um exemplo para o resto da região centro-americana.

OM: Como esta situação que o senhor está descrevendo se relaciona com a luta contra o tráfico impulsionada pelos Estados Unidos na América Central?

RB: O processo de remilitarização que está acontecendo na região e a violência que ele acarretou nos preocupa. É parte da mesma dinâmica de controle e de reposicionamento estratégico dos Estados Unidos porque nunca vão parar até deter qualquer processo latino-americano de independência.

Vimos isso recentemente com o golpe de Estado em Honduras e com as tentativas falidas cometidas contra governos pertencentes à Alba (Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América).

OM: Como continuarão nesta luta para o fim da SOA?

RB: A cada ano são gastos mais de 30 milhões de dólares de nossos impostos para financiar a SOA enquanto cortam o orçamento da educação. As pessoas continuam se juntando na luta e já estamos vendo resultados importantes. Há dezenas de congressistas que assinaram uma petição para o fechamento definitivo. Esperamos que, à medida que mais países latino-americanos se juntarem à iniciativa, mais congressistas se sentirão estimulados a dar esse passo.

OM: O senhor, assim como muitas outras pessoas, já foi preso por levar esta luta adiante...

RB: E vamos continuar fazendo, trabalhando para conscientizar as pessoas e os governos. Conseguir o fechamento deste “monstro” seria algo extraordinário. Desde já convidamos a todas as pessoas que queiram participar de um ato em frente às instalações da Fort Benning em 16 e 17 de novembro.

Link:
 http://operamundi.uol.com.br/conteudo/entrevistas/24559/escola+das+americas+traduz+politica+externa+dos+eua+diz+fundador+do+soa+watch.shtml


Proposta de Russomanno para transportes prejudica quem mora longe do centro, diz Haddad!

Haddad afirma que é preciso levar São Paulo à 'era de Lula e Dilma' - por João Peres, da Rede Brasil Atual, 30/09/2012

Candidato do PT afirma que Russomanno deveria 'ter a humildade' de admitir que errou ao propor mudança no Bilhete Único; na zona leste, Lula lembra abertura da Copa e mudança de perspectiva


Haddad afirma que é preciso levar São Paulo à 'era de Lula e Dilma'
Haddad prometeu colaborar para abrir uma nova unidade da Unifesp na capital (Foto: Paulo Pinto. Campanha Haddad) 
 
São Paulo – O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (28) durante comício em São Miguel Paulista, na zona leste, que é preciso trazer à cidade “a era do Lula e da Dilma”. No quinto comício de uma série de sete que se encerra na segunda, Haddad ocupou menos tempo com críticas aos principais adversários, José Serra (PSDB) e Celso Russomanno (PRB), mas deixou claras as maiores divergências com cada um.

A respeito do tucano, Haddad lembrou que a rusga política, da qual o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), foi herdeiro, impediu que a cidade recebesse os recursos do governo federal, maiores depois das gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Lula combinou com o Kassab de trazer uma universidade federal. Há três anos esperamos o terreno ser desapropriado pela prefeitura. Quando for prefeito, vamos desapropriar este terreno”, exemplificou. “Estamos em uma cidade que poderia estar vivendo a era do Lula e da Dilma. Mas São Paulo foi na contramão com Serra e Kassab.”

Para Haddad, “não tem cabimento” que a maior cidade do mundo apresente indicadores sociais tão preocupantes. Presente ao comício, o sucessor dele no Ministério da Educação, Aloizio Mercadante, garantiu que as gestões Serra-Kassab dispensaram recursos federais para a construção de 172 creches, que resultariam na abertura de 35 mil vagas.

“Isso porque temos gente que não entende que campanha, quando acabou, acabou”, afirmou. “Para que o governo Dilma possa trabalhar com a prefeitura de São Paulo temos só um caminho, que é eleger Fernando Haddad no segundo turno. Depende de vocês.”

Durante o discurso, o candidato do PT voltou a abordar uma questão frequentemente utilizada em sua propaganda no rádio e na televisão: a proposta de Celso Russomanno de cobrar passagem de ônibus mais cara de quem utiliza o transporte público por mais quilômetros. “Esta ideia do Russomanno está totalmente errada”, disse. “A hora que o empresário for contratar, vai dar preferência para quem mora perto ou quem mora longe? É justo? Não tem sentido. Ele deveria ter a humildade de reconhecer o erro.”

Avanços

“Estou aqui para dizer a vocês que a gente não tem o direito de errar nas eleições”, avisou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à plateia. Ele enumerou aquilo que vê como uma série de melhorias que promoveu na vida dos brasileiros durante seus dois mandatos, como a redução de filas no INSS, o aumento do poder de compra e as oportunidades criadas para o ingresso de pobres nas universidades.

 “Quem imaginava que algum dia a gente ia trazer a abertura da Copa do Mundo para a zona leste?”, indagou o petista, em referência ao estádio Itaquerão, que está sendo erguido no extremo-leste da cidade e que vai abrigar, além do torneio internacional, as partidas do Corinthians.

Comício com Dilma

A campanha petista anunciou para segunda-feira, às 17h, a realização de comício com a presença da presidenta da República. Além dela, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará do evento, que será realizado na Cohab José Bonifácio, na zona leste da cidade.
 
Para Lula, a ex-prefeita Marta Suplicy não foi reeleita em 2004, quando acabou derrotada por Serra, porque ousou priorizar os projetos voltados à população de baixa renda. “Nós queremos continuar governando para os pobres. Não queremos que os pobres continuem pobres. Queremos que os pobres avancem.”

Também presente ao comício, a hoje ministra da Cultura afirmou que Serra “não entende da cidade” e Russomanno não tem plano de governo, questão bastante explorada na última semana pela campanha petista. “Haddad é o único que tem plano de governo com começo, meio e fim”, afirmou,
acrescentando que o ex-ministro da Educação tem capacidade de trazer à cidade os investimentos federais deixados de lado por Kassab. “Eles não querem nada do governo federal. Nós queremos tudo.”

Haddad somou a esta leitura a de que Serra e o atual prefeito paralisaram os trabalhos iniciados por Marta Suplicy devido a rivalidades políticas, prejudicando a população. Na visão do petista, a simples aplicação daquilo que havia sido planejado na gestão anterior de seu partido seria suficiente para que a cidade se encontrasse em uma situação melhor.

Link:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2012/09/haddad-afirma-que-e-preciso-levar-sao-paulo-a-era-de-lula-e-dilma

André Singer: 'O lulismo não é um monopólio do PT'!

André Singer: 'O lulismo não é um monopólio do PT' - por Ricardo Galhardo, do iG São Paulo, 30/09/2012

Ao iG, ex-porta-voz da Presidência afirma que outras forças políticas se realinharam em torno do fenômeno, guiados por ações como Bolsa Família e aumento do salário mínimo



No recém-lançado Os sentidos do lulismo – reforma gradual e pacto conservador  (Companhia das Letras), o cientista político e jornalista André Singer defende a tese de que as políticas sociais e de distribuição de renda do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva criaram um grande bloco de eleitores que impôs uma nova agenda ao País. 


Isso teria levado todas as demais forças políticas, inclusive a oposição, a se realinharem em torno de ações como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo.


Por um lado isso ajudou a diminuir o fosso social que separa ricos e pobres no Brasil. Por outro, obrigou Lula a firmar um pacto com setores mais conservadores da sociedade e a se afastar de bandeiras históricas da fundação do PT. À conjunção destas posições naturalmente antagônicas, Singer batizou de lulismo.


Além de pesquisar com rigor científico o fenômeno do lulismo, o autor foi espectador privilegiado de todo o processo, na condição de porta-voz da Presidência da República durante o primeiro mandato de Lula.


Em entrevista concedida ao iG em sua sala na Universidade de São Paulo (USP), Singer disse que o petismo foi engolido pelo lulismo, que o fenômeno ainda deve durar por pelo menos mais uma década e pode ser apropriado por outras forças políticas. Leiz abaixo os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil
André Singer, na época em que era porta-voz da Presidência, durante o governo do ex-presidente Lula


iG – Quais as diferenças entre lulismo e petismo?


André Singer - Originalmente o petismo foi organizado em torno daquilo que eu chamo de espírito do Sion ( colégio paulistano onde o PT foi fundado, em 1980 ) que marcou o partido durante os 20 primeiros anos.


A marca fundamental daquele momento é o radicalismo. O PT se assumiu como partido radical dentro de uma cultura política que sempre foi avessa a isso.


O Brasil tem uma longa tradição de conciliação. Portanto a grande novidade do PT foi ter assumido uma postura abertamente radical. Existem alguns exemplos de como esse radicalismo se traduziu em ação: a decisão de não votar no Tancredo Neves no colégio eleitoral em 1985, nem na Constituinte, em 1988.


Mas talvez o exemplo mais radical foi ao recusar o apoio gratuito que o Ulysses Guimarães ofereceu em nome do PMDB quando Lula tinha condições de vencer Collor no segundo turno da eleição presidencial de 1989. 

 
O petismo trazia até 2002 essa marca e o lulismo surgiu a partir de uma mudança dessa definição radical no primeiro e segundo mandatos de Lula, mandatos precedidos por uma campanha com espírito de conciliação que pode ser visto na Carta ao Povo Brasileiro, que tem compromissos de fundo com o capital, ou na escolha de uma aliança com o Partido Liberal que já no nome trazia uma ideologia contrária à do PT e na decisão de colocar como vice um grande empresário brasileiro.


José Alencar acabou se revelando um homem extraordinário mas sua escolha é cheia de significados. Aí começa a história do lulismo, que tem a ver com um pacto que chamo de pacto conservador, já sinalizado na campanha de 2002 e que, de fato, foi cumprido.


iG – Qual é a novidade neste modelo?


Singer - Se minha argumentação parasse aqui ela ficaria manca porque não se trata apenas de um pacto conservador. Na medida em que o mandato foi se cumprindo houve uma combinação surpreendente deste pacto conservador com medidas de combate à pobreza e redução da desigualdade. Isso caracteriza uma política econômica que não é propriamente conservadora. É uma coisa nova. Essa combinação de elementos contrários é o que eu chamo de lulismo.


iG – O lulismo engoliu o petismo?


Singer – Dentro do PT, sim. O que chamo de espírito do Sion continua presente no PT e não é irrelevante. Ainda existem alas no partido que pensam em relação à postura original do PT. Não sei quantificar. É uma parcela significativa do partido, mas que deixou de ser predominante. A direção do PT foi em direção ao lulismo. O lulismo virou o programa real do partido.


iG – O lulismo é um monopólio do PT ou pode ser apropriado por outras forças políticas?


Singer – Não é um monopólio do PT. Em 2006 houve um realinhamento eleitoral e os realinhamentos têm a característica de impor uma nova agenda. Isso obrigou a própria oposição a se deslocar em direção a esta nova agenda e a agenda que está fixada é a de combate à pobreza, tanto que em 2010 Serra propôs dobrar os benefícios do Bolsa Família. E isso não foi só retórica.


Quando se forma uma nova maioria dotada de estabilidade –e minha hipótese é que isso é uma coisa de longa duração— todas as forças são obrigadas a de algum modo se rearrumar para fazer frente a esta nova agenda. Essa apropriação do lulismo é típica do realinhamento.


iG – Se o lulismo é um pacto conservador o que explica a reação contrária de setores da elite brasileira?


Singer – Pacto necessariamente implica um acordo entre diferentes, entre forças que têm conflitos. Pacto não significa resolver estes conflitos mas encontrar um modo de viver com eles. Isso implica tensões, separações e oscilações dentro dele. Quando se fala em pacto está reconhecido que existe o conflito.


Essa reação tem duas facetas diferentes. A primeira é que a luta de classes continua existindo e se expressa na forte divergência que existe sobre a política econômica que está o tempo todo em jogo. Maior ou menor autonomia do Banco Central? Maior ou menor taxa de juros? Maior ou menor gasto público? E assim por diante. Há decisões extremamente relevantes sendo tomadas o tempo todo que envolvem burguesia e proletariado. Então o conflito central continua de pé e é arbitrado pelo governo que ora pende para um lado, ora para o outro.


De alguma maneira, com a mudança do PT, este conflito que era evidente e se expressava no confronto entre esquerda e direita, recuou para o fundo da cena. Ele ainda existe mas é mais difícil de perceber. O outro aspecto é que a política de combate à pobreza e redução da desigualdade provocou uma forte reação da classe média tradicional.

Agência Estado
Singer admite que o lulismo engoliu o petismo


iG – É uma reação ideológica?


Singer - Isso tem um aspecto ideológico mas também material. Há uma diferença entre o grande capital, que está olhando para as grandes linhas de política econômica e pressionando numa ou noutra direção, e o que eu tenho chamado de base de massa do grande capital que é a classe média tradicional.


Esta parcela está mobilizada por um sentimento de rejeição às políticas sociais que permitiram a mudança no padrão de vida dos setores de baixa e baixíssima renda. 


Tem um aspecto material nisso porque você pode perceber desde a redução na oferta de mão de obra para trabalho doméstico até a maior presença de pessoas que antes tinham baixa renda em lugares como aeroportos, que antes eram exclusivos dessa classe média tradicional.


Isso tem um efeito real na vida deste setor. Por outro lado, parte destes programas sociais foi feita com dinheiro dos impostos. Como o imposto é pago em parte pela classe média, o raciocínio é de que este recurso tem saído do bolso das pessoas que não têm gostado de ver este movimento de chegada de mais gente nos seus espaços. Parece ser algo como uma espécie de crença de que é normal que haja privilégios.


iG – Isso pode levar a confrontos e radicalização?


Singer – Não sei dizer no plano da sociedade. No plano político, observo que há uma espécie de blindagem desse conflito que está posto e determina uma polarização partidária. 


Apesar dos efeitos do realinhamento que obrigaram a própria oposição a se deslocar em direção a uma certa agenda, PT e PSDB continuam representando polos diferentes na política brasileira. Ainda há uma polarização por causa dessas bases sociais tão diferentes que estão confrontadas.


No entanto, passamos por um período prolongado de ausência de radicalização política, uma espécie de paz política. Isso porque o lulismo tem como um de seus componentes não ser mobilizador. A mobilização produziria radicalização e confronto.


Como o lulismo é um modelo de mudança dentro da ordem, até com um reforço da ordem, ele não é e não pode ser mobilizador. Isso faz com que o conflito não tenha uma expressão política partidária, eleitoral, institucional. A tal ponto que há uma grande frustração da classe média tradicional porque não há um partido político que expresse essa carga de hostilidade. Imagino que haja até uma frustração de certa forma contida. Mas no que depender do modelo lulista isso vai continuar.


iG – Para algumas pessoas, a oposição mais agressiva ao lulismo está fora dos partidos. O PT, por exemplo, aponta a imprensa. Há espaço para surgimento de um partido que represente os setores contrários ao lulismo?


Singer – Em relação à mídia sempre é preciso lembrar que a garantia absoluta de liberdade de expressão e de imprensa é uma conquista democrática. Não existe democracia sem isso e, portanto, quaisquer que sejam as opiniões que a imprensa tenha, elas precisam ser aceitas dentro funcionamento normal da democracia.


Isto posto é preciso dizer, sem criar fantasmas, que de fato tem havido uma certa desarticulação da oposição, que não consegue encontrar um discurso eleitoralmente eficiente para se relacionar com o lulismo, e neste contexto a imprensa às vezes cumpre o papel de fazer um tipo de crítica mais constante e às vezes até mais articulada e definida ao governo.


Então poderia se dizer que sim, a imprensa às vezes cumpre o papel de oposição. Mas não acho que tenha espaço para um novo partido. Infelizmente o quadro partidário brasileiro está pouco definido e isso não é bom para a democracia. É uma indefinição que começou com a aliança entre PSDB e PFL em 1994 e continua com as alianças que o PT fez com o PL e depois outros partidos da direita a partir de 2002.



iG – A questão ética e o julgamento do mensalão são ameaças ao lulismo?


Singer – Provavelmente, dependendo do resultado, o julgamento terá impacto sobre toda a política brasileira, inclusive sobre o lulismo. Já a questão ética é uma dimensão de uma certa maneira separada porque ela tem a ver com o patrimonialismo e atravessa a política brasileira de A a Z. Quando fui escrever o livro pensei neste problema e concluí que este é um universo à parte. Não sou a pessoa habilitada para falar nisso porque na minha pesquisa me concentrei na questão da igualdade até porque fomos até pouco tempo o país mais desigual do mundo. Estou, na verdade, tentando justificar uma não resposta.


iG – Quando o modelo do lulismo vai se esgotar?


Singer – Não há como prever mas a tese é de um realinhamento de longo prazo. O lulismo já tem 10 anos. Talvez mais 10 anos.


iG – O lulismo é uma espécie de camisa de força, no sentido de que o sistema eleitoral assimilou o modelo e hoje o replica em todos os locais a instâncias?
Singer – Se você quiser usar a expressão camisa de força é até correto. Mas ela precisa ser compreendida como efeito do realinhamento. É isso que eu chamo de imposição de uma agenda. Não tem como sair dela porque eleitoralmente se constituiu uma maioria. É por isso que houve essa migração de políticos do DEM para o PSD. É para ficar numa posição que não seja antagônica a esta maioria. Se um político antagonizar com a maioria vai perder logo de cara porque fica com a minoria.


Mas dentro disso que você chamou de camisa de força vejo um aspecto positivo porque em um país tão desigual quanto o Brasil o fato de ter se formado uma maioria que obrigue seja quem for o governo a fazer política para reduzir a desigualdade é muito importante. A gente precisa olhar para o aspecto grande. Superar este abismo social é o desafio que está posto para o Brasil.


O fato de que todos os competidores que têm aspirações majoritárias se sintam constrangidos --e você usou a expressão camisa de força-- a atender essa agenda, eu não acho ruim.


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Paulo Kliass: Quais são essas "vozes" da nova classe média?

Paulo Kliass: Quais são essas "vozes" da nova classe média? - da Carta Maior, via Vermelho

A Presidência da República está colocando em marcha uma delicada operação política, que pode trazer consequências perigosas para a análise e a compreensão de nossa realidade social e econômica. Tudo começou com o anúncio, por parte da Secretaria de Assuntos Estratégicas (SAE), do lançamento de um novo programa, considerado prioritário no âmbito do governo. Foi batizado com o nome de “As Vozes da Classe Média”.


Em tese, nada demais a chamar atenção, não é mesmo? Afinal, esse tema da classe média tem ocupado as páginas dos grandes jornais de forma crescente, ao longo dos últimos tempos. No entanto, vale a pena chamar a atenção para alguns elementos do entorno desse programa em especial e do simbolismo político envolvido com o fato. 

O atual titular da SAE é o dirigente do PMDB/RJ, Wellington Moreira Franco, que substituiu o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães desde o início do mandato da Presidenta Dilma. 

O órgão mais importante de sua pasta, porém, é o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), que era presidido desde 2007 pelo economista Marcio Pochmann, professor da Unicamp e pesquisador crítico das correntes mais conservadoras dos vários campos das ciências sociais. Sob tais condições, o ministro carioca pouco conseguia influenciar na política interna do instituto.

As mudanças na direção do Ipea: de Pochmann a Neri

Convencido a disputar a prefeitura de Campinas pelo PT, Pochmann pediu demissão do cargo e Dilma optou há poucos dias pela nomeação definitiva de outro economista: Marcelo Neri, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ). 


Com esse passo, a avaliação reinante nos corredores do poder é que o conservadorismo tem todas as possibilidades de retornar às áreas dirigentes do Ipea. Independentemente de sua competência técnica e suas qualidades profissionais, o novo presidente do órgão representa grupos e correntes ligados à ortodoxia econômica e à ressonância de todo o pensamento neoliberal em solo tupiniquim. Afinal, as posições da FGV são mais do que conhecidas nesse domínio.

O lançamento do novo programa “Vozes da Classe Média” é a perfeita expressão política de mais um movimento de mudança no interior do governo. Neri é um estudioso da questão da distribuição de renda e coordenou recentemente uma publicação chamada “A nova classe média – o lado brilhante da base da pirâmide”, onde todo o foco reside nessa suposta nova composição de classe social em nossas terras. 


Do ponto de vista político, o trabalho articulado pelo pesquisador da fundação carioca cai como sopa no mel para os dirigentes políticos governistas. Tanto que a própria Presidenta fez referência pública ao autor, em um evento no Rio de Janeiro, ainda em abril passado, elogiando e recomendando a leitura da obra. 

Bingo: o recado político estava dado, para quem quisesse ouvir. Talvez tampouco seja mera coincidência o fato do PT não ter lançado candidato a prefeito no Rio de Janeiro e do governo federal apoiar o peemedebista Eduardo Paes, sempre ao lado do governador Sérgio Cabral, também do PMDB e muito prestigiado pelo núcleo duro de Dilma. O círculo se fecha.

Já Pochmann, havia lançado um livro com interpretação bastante diferente desse oficialismo chapa branca. A Editora Boitempo publicou há pouco a obra “Qual classe média?”, que chama a atenção logo de início pelo ponto de interrogação no próprio título. 


Como estudioso sério e crítico, o ex-presidente do IPEA lança uma série de indagações a respeito da suposta unanimidade em torno desse “novo” conceito de classe média. E demonstra que não se pode confundir a inegável melhoria nas condições de renda na base da sociedade com a transformação em sua estrutura de classes sociais. 

Com a devida vênia de nossa Presidenta, eu recomendaria também a leitura do livro de Pochmann. No entanto, por se tratar de um estudo que não compartilha desse clima de oba-oba ufanista e irresponsável, ele não é tão útil nem funcional para alavancagem da política governamental no varejo e no cotidiano. Afinal, a honestidade intelectual exige alguns “poréns” e algumas observações de reparo metodológico. Xi, lá vem o chato do Paulo Kliass outra vez... Pois é, são os ossos do ofício!

“Voices of the poor” e “Vozes da classe média”: do Banco Mundial à SAE

Em sua apresentação oficial, está dito que o programa “Vozes da classe média” pretende servir como parâmetro para a elaboração de políticas públicas pelo governo federal. Talvez não seja por outra simples coincidência que ele tenha recebido esse nome. 


Na verdade, trata-se de uma quase versão para o português de um conhecido programa do Banco Mundial lançado lá em 2000, na virada do milênio, que é chamado de “Voices of the poor” (Vozes dos pobres). Era uma tentativa de ouvir e estudar o fenômeno da pobreza ao redor do mundo, incluindo países como Brasil, Etiópia, Índia, Indonésia, Uzbequistão, entre outros. 

Mas para além desse vício de paternidade, o caminho que o governo pretende adotar agora contém graves equívocos metodológicos. Como a idéia é sempre elogiar o suposto sucesso da política de melhoria das condições da população da base da pirâmide, entra em marcha um verdadeiro “vale-tudo” no sentido de organizar, rearranjar e espremer os números e os dados estatísticos. O objetivo é oferecer resultados convincentes e belas conclusões. Tudo perfeito e adequado para o recheio do discurso oficial, a ser faturado politicamente.

Parte-se de um fato inegável: ao longo dos últimos anos, a política de transferência de renda (via programas como Bolsa Família) e a política de valorização do salário mínimo foram o carro chefe de uma transformação significativa nas condições da população mais pobre em nosso País. Com elas vieram também a ampliação dos benefícios concedidos pela previdência social, a melhoria das condições no mercado de trabalho e o acesso ao crédito. 


No entanto, também é amplamente reconhecido que a política econômica desse período continuou a favorecer e beneficiar as camadas mais ricas de nossa sociedade, por meio da política de juros elevadíssimos (que só começou a mudar no último ano), das isenções fiscais, das desonerações tributárias, da ampliação da privatização e toda a sorte de benesses dirigidas ao capital em geral e ao setor financeiro em particular.

Assim, apesar de ter ocorrido uma melhoria na distribuição na base da sociedade, o restrito topo da pirâmide foi ainda muito mais beneficiado. E como os níveis da desigualdade e de concentração são muito elevados, o aspecto significativo seria analisar o que ocorreu com os 0,5% mais ricos na comparação com os 99,5% restantes. Se pegarmos faixas amplas com os 10% ou 20% das famílias com maior renda, estaremos misturando alhos com bugalhos e as conclusões serão, obviamente, apressadas e equivocadas. 


Isso porque os dados utilizados vêm da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, onde apenas uma pequena amostra do total das famílias responde a um extenso questionário de forma voluntária. Com isso, os domicílios familiares de renda mais elevada tendem a subestimar as informações fornecidas a respeito dos valores e das fontes de seu rendimento efetivo.

Os números do programa e as conclusões equivocadas

De acordo, com o programa “Vozes da classe média”, os limites para fazer parte desse novo recorte de “classe” são os seguintes: de R$ 291 a R$1.091 como renda mensal familiar per capita. Dessa forma, as conclusões são uma maravilha! Mais de 50% da população brasileira estão nesse perfil – um total superior a 100 milhões de pessoas. Então, vamos lá verificar – na realidade concreta da vida real - quem está enquadrado dentro dessa inovadora definição de “nova classe média” e quem já está recebendo uma renda tão elevada que está até acima desse nível, passa a fazer parte das elites, da classe alta.

Consideremos o caso de um jovem casal, sem filhos. Um dos cônjuges recebe um salário mínimo e o outro está desempregado. Sua renda mensal é de R$ 620, o que nos permite concluir uma renda per capita de R$ 310 a cada 30 dias. Imaginemos ainda que seus vizinhos sejam um casal com 2 filhos, onde os pais trabalham e recebem cada um deles salário mínimo também. A renda mensal da família é de R$ 1.240, com uma renda per capita de R$ 310, como no caso anterior. 


Vejam que ambas as famílias são integrantes da “nova classe média”, pois estão acima do patamar mínimo de R$ 291, o que lhes permitiria a chave de acesso ao paraíso do consumo, segundo as capas das revistas semanais penduradas nas bancas de jornal. Pouco se fala a respeito da qualidade dos serviços públicos que recebem, como saúde, educação, saneamento, transporte público, etc. O que importa é a renda auferida.

Cabe ao leitor optar: o estabelecimento arbitrário desses valores seria ato de ingenuidade ou de maldade? Afinal, não é lá muito difícil contabilizar os níveis de despesa mensal dessas unidades familiares: o transporte coletivo numa grande cidade; o aluguel de moradia em péssimas condições; as contas de água, luz e telefone celular; o gás para cozinha; as compras de cesta básica e seus complementos; etc. 


Ora, o retrato é de uma sobrevivência nesse nível básico, que não permite quase nenhuma capacidade de poupança, nem o usufruto das boas condições de vida. Quem teria a coragem de afirmar que esses indivíduos seriam integrantes da “nova classe média”? Em sentido oposto, Pochmann nos oferece uma interessante reflexão a respeito do fenômeno, na apresentação de seu livro:

“O adicional de ocupados na base da pirâmide social reforçou o contingente da classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média. Talvez não seja bem um mero equívoco conceitual, mas expressão da disputa que se instala em torno da concepção e condução das políticas públicas atuais.”

Por outro lado, tão ou mais impressionantes são as conseqüências da definição casuística do limite superior para o enquadramento em “nova classe média”. Imaginemos outra vez a situação de um casal típico de assalariados, com um filho. Ele acabou de conseguir um emprego numa empresa automobilística no ABC e recebe o piso da categoria. Ela é empregada de um banco e também recebe o piso salarial assegurado pelos acordos dos sindicatos com a Fenaban. 


A renda mensal do trio familiar supera R$ 3.300, com um equivalente per capita superior aos R$ 1.091 do programa oficial do governo. Dessa forma, a conclusão é assustadora: pasmem, mas essa família de trabalhadores não seria mais integrante da “nova classe média”. Em função dessa “estupenda” remuneração mensal, eles já teriam sido alçados à condição da elite, fazem parte das classes altas da sociedade brasileira! Uma loucura, para dizer o mínimo!

Trabalhadores ou classe média?

As políticas desenvolvidas ao longo da última década contribuíram para a melhoria das condições de vida da maioria da população. No entanto, o elevado grau de desigualdade social e econômica nos coloca ainda entre os países mais injustos do planeta. Assim, não se “acaba com a pobreza” da noite para o dia, apenas com uma canetada, estabelecendo um limite arbitrário de renda de forma injustificada. O caminho é longo e passa pelo aprofundamento das políticas de distribuição de renda. Não será por força dos limites quantitativos constantes de um eventual Decreto que o Brasil amanhecerá menos pobre ou menos injusto.

Reconhecer as significativas transformações ocorridas com a população de menor renda em nosso País ao longo dos últimos 10 anos não nos permite tentar avançar na deturpação dos dados da realidade. Não se pode ser conivente com a utilização política e eleitoral de informações viesadas, com o fim exclusivo de propiciar análises encomendadas para usufruto do governo de plantão. 


Renda do capital ainda é renda do capital, assim como renda do trabalho continua sendo renda trabalho. Por mais que a remuneração mensal dos despossuídos tenha evoluído, o conceito de classes sociais e seus conflitos de interesses continuam valendo para a análise do modo capitalista de produção.


* Paulo Kliass é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.


Link:

 http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=194990

sábado, 29 de setembro de 2012

Serra facts agora se tornou estratégia de marketing do candidato - por Renato Rovai!

Serra facts agora se tornou estratégia de marketing do candidato - por Renato Rovai, do seu blog

Não tenho mais a menor dúvida de que as bizarrices de Serra fazem parte de uma nova estratégia do seu marketing para dialogar com a enorme rejeição do candidato.


Serra chuta a bola e o sapato voa, a eleitora jovem lhe tasca um beijo na boca e ele reage com humor.

Serra é um tiozinho legal, entenderam?

Isso não é novo. Jânio Quadros colocava talco no paletó para imitar caspa, usava sapatos trocados e comia sanduíches de mortadela antes subir nos palanques pra chamar a atenção dos fotógrafos.

Quem também abusou dessa estratégia foi César Maia quando foi prefeito do Rio. Isso, inclusive, lhe rendeu o apelido de prefeito maluquinho. Entre outras coisas, Maia entrou num açougue e pediu sorvetes.

César Maia é hoje consultor político e especialista em análise de pesquisas. Sou capaz de oferecer meus últimos cabelos para pesquisa cientifica se ele não estiver por detrás dessa nova investida de Serra.

Na rede, quando Serra comete essas bizarrices seu índice de negativos despenca nos monitoramentos. 

As pessoas se divertem com ele, mas não o atacam.

O eleitorado duro de Serra não se incomoda com isso. Aqueles que não gostam dele, no entanto, passam a vê-lo como alguém mais humano.

É uma tentativa desesperada de humanizá-lo. E pode não dar certo.

Mas para quem está na situação de Serra e tem o perfil que ele tem, vale qualquer coisa.

Serra facts que começou como algo da rede para ridicularizá-lo foi incorporado pelo seu marketing.

Link:

http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2012/09/29/serra-facts-agora-se-tornou-estrategia-de-marketing-do-candidato/

Serra ataca repórter e distorce RBA para justificar antipatia por imprensa livre!

Serra ataca repórter e distorce RBA para justificar antipatia por imprensa livre

Publicado em 28/09/2012 - da Rede Brasil Atual


São Paulo – O candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, inventou sua versão para explicar a própria truculência contra repórter da Rede Brasil Atual durante cobertura de agenda de campanha hoje (27) na Mooca, região central de São Paulo. Como se não houvesse áudio e vídeo a desmenti-lo, o tucano emitiu um comunicado culpando o PT e a CUT por ter chamado de “sem-vergonha” um profissional jornalístico.

Em nota intitulada  “PT envia repórter para tumultuar coletiva de Serra”, o candidato atribui o fato a uma “nova, e lamentável, estratégia eleitoral” petista. Quando perguntado sobre uma proposta para o ensino técnico, o candidato recorreu a uma antiga estratégia de questionar o veículo de comunicação ao qual pertence o repórter. A depender daquilo que ouve, o tucano segue ou não em sua explanação. Em 2010, quando foi derrotado na disputa pela Presidência da República, ele pediu desculpas por ter interpelado um profissional da Rede Globo. 

Hoje, ao saber que se tratava de um profissional da RBA, fez um gesto de desdém e ameaçou encerrar a entrevista. Após responder a mais uma pergunta, foi questionado por um profissional do programa televisivo CQC, da Band, sobre não ter um plano de governo às vésperas das eleições. O candidato negou que não tenha um projeto de administração, afirmando que exibe suas ideias na televisão e no rádio, e deu a conversa por encerrada. O repórter da RBA perguntou, então, se Serra só responde “perguntas favoráveis à sua campanha”, o que irritou o tucano: “Eu não respondo pergunta de sem-vergonha. É só isso.”

“Serra tem o hábito de responder apenas ao que lhe agrada, mas parece ter dificuldade de lidar com a liberdade de imprensa. É uma postura autoritária. Se é despreparado para ouvir críticas, revela nessas situações seu desapreço pela democracia e pela liberdade de imprensa”, afirmou o diretor da RBA, Paulo Salvador.

Horas depois, ao notar a repercussão negativa do caso, o tucano emitiu nota na qual acusa o profissional de adotar “tom agressivo”. A quem queira tirar os próprias conclusões, nosso áudio abaixo há de ajudar. “Antes de entrar no carro, o candidato ainda foi xingado pelo jornalista da CUT”, diz o comunicado do PSDB. Novamente, convida-se a conhecer o áudio ou, a quem deseje formar opinião a partir de uma terceira fonte de informação, o vídeo divulgado pelo portal R7.  Como se constatará com facilidade, o repórter não ofendeu ninguém. Pelo contrário, foi ofendido.

“O uso de supostos repórteres para provocar adversários ou, por outro lado, tentar promover o candidato Fernando Haddad não é inédito nesta eleição. Na última quarta-feira (26), após caminhada de Haddad por Santana, na zona Norte, um rapaz a serviço do PT se misturou aos jornalistas presentes e passou a simular perguntas claramente favoráveis ao candidato. O episódio risível foi registrado pela imprensa”, segue a nota do tucano, que está desde já convidado a visitar esta redação e conferir os registros profissionais de todos no Ministério do Trabalho e Emprego.

Duvidar de profissionalismo, aliás, é no mínimo estranho para alguém que se recusa, desde o início do processo eleitoral, a divulgar a agenda de campanha a veículos de imprensa que não lhe soem agradáveis. O chefe de comunicação do tucano, Fábio Portela, refutou todos os pedidos apresentados.

De lá para cá, ele não permite que os compromissos diários do candidato sejam divulgados, como fez hoje, o que vem impedindo a cobertura jornalística nos mesmos moldes daquilo que se faz com as atividades de Celso Russomanno (PRB) e Fernando Haddad (PT).

 Na nota, o tucano classifica a RBA como um “órgão de propaganda sindical e partidária”.

“A Editora Gráfica Atitude, responsável pela Rede Brasil Atual, é uma empresa privada que presta serviços de comunicação e pratica jornalismo”, afirma Paulo Salvador.

A editora, assinala o diretor, foi criada com o intuito de proporcionar acesso a informação aos trabalhadores representados por cerca de 50 entidades sindicais que apoiam o projeto.

"O projeto inclui veículos rádio, jornal impresso, a Revista do Brasil, além do portal. Nosso projeto editorial não está associado a partidos, mas à defesa da democracia e da cidadania. E nosso conteúdo é movido a jornalismo."

link:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2012/09/serra-ataca-reporter-e-distorce-rba-para-justificar-antipatia-por-imprensa-livre

Marcelo Neri: Renda real dos 10% mais pobres cresceu 91,2% entre 2001-2011!


Pnad confirma “década inclusiva” e relativiza resultados fracos do PIB, avalia presidente do Ipea

25/09/2012 - Gilberto Costa  - Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2011) confirmam que a primeira década do século 21 no Brasil foi “inclusiva” do ponto de vista social, com robusta diminuição da desigualdade e redução da pobreza, na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O período guarda os melhores resultados desde quando o país produz estatísticas sobre distribuição de renda. “O Brasil está hoje no menor nível de desigualdade da história documentada”, disse o economista Marcelo Neri, recém-empossado presidente do Ipea. Segundo ele, o índice de Gini (indicador que mede a desigualdade) foi 0,527 em 2011 - o menor desde 1960 (0,535) - quanto mais próximo de zero menor é a desigualdade.

Segundo Neri, a redução tem a ver com o crescimento da renda per capita nos diferentes estratos sociais. Entre 2001 e 2011, o crescimento real da renda dos 10% mais pobres foi 91,2%. Enquanto os 10% mais ricos, o crescimento foi 16,6%. Na opinião de Neri, a melhoria da renda na base da pirâmide relativiza o tímido desempenho das contas nacionais (medido pelo Produto Interno Bruto – PIB).

Desde 2003, a Pnad aponta que a economia brasileira cresceu 40,7% (acumulado), enquanto a taxa do PIB foi 27,7% (acumulado). O primeiro dado mede a situação dos domicílios, o segundo indicador faz o somatório da riqueza produzida no país. “O que é mais importante?”, pergunta Neri ao avaliar que apesar dos “colegas macroeconomistas não estarem muito satisfeitos, mas quando a gente olha para o bolso das pessoas nota-se um crescimento chinês na base”, comparou.

A frase de Neri repete o raciocínio da presidenta Dilma Rousseff, que após a divulgação de projeção do Banco Central (em julho) de baixo crescimento do PIB este ano, disse que não é com esse indicador que se deve medir uma nação. “Porque uma grande nação, ela deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e para seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto, é a capacidade do país, do governo e da sociedade de proteger o que é o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e adolescentes, ” disse a presidenta na ocasião.

Na opinião de Neri, os programas sociais estão bem focados e beneficiando os mais “pobres dos pobres”. Nas contas do Ipea, as transferências do Programa Bolsa Família são responsáveis por 13% da redução da desigualdade. De acordo com ele, o efeito é que a renda cresce mais entre os menos escolarizados, os pretos e pardos, as crianças de até 4 anos, a população do Nordeste e os residentes em áreas rurais – historicamente os setores mais pobres da sociedade brasileira.

Apesar dos bons resultados, a análise do Ipea sobre a Pnad (2011) mostra que a renda está crescendo nos setores econômicos que contratam mão de obra de forma precária e agregam pouco valor à economia, como a agricultura (86%) e as atividades domésticas (62,4%). Outro dado preocupante é que cerca de 35% da diminuição da desigualdade se devem aos repasses feitos pelo governo (além do Bolsa Família, aposentadorias, pensões e benefícios de prestação continuada). Essas transferências estão sujeitas à política fiscal (que pode ser restritiva para que as contas públicas tenham superávit).

Para Marcelo Neri, as transferências são necessárias. “Não dá para o Brasil crescer deixando 70% do país para trás”. Ele pondera que, apesar da dependência das políticas sociais, 58% da queda da desigualdade são causadas pela renda do trabalho, em especial do emprego formal (que dobrou desde 2004) - o que permite sustentabilidade para a queda da desigualdade. “O trunfo é o trabalho. Tem colchão e o mercado está aquecido”, disse, ao lembrar que as pessoas formalmente empregadas têm direito ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego e aviso prévio.

Edição: Carolina Pimentel
 
Link:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-25/pnad-confirma-%E2%80%9Cdecada-inclusiva%E2%80%9D-e-relativiza-resultados-fracos-do-pib-avalia-presidente-do-ipea

França: orçamento socialista taxa mais ricos e empresas!

França: orçamento socialista taxa mais ricos e empresas - da Carta Maior

O presidente François Hollande apresentou um projeto de orçamento para 2013 marcado por um nível de arrocho jamais visto nos últimos 30 anos e por um aumento dos impostos que, globalmente, recairá sobre os bolsos das famílias de maior renda e das empresas com maiores lucros. O primeiro orçamento socialista modifica o que foi realizado até agora pela direita: dois terços das arrecadações virão do aumento dos impostos para os ricos e as empresas, o que implica o fim de numerosas isenções fiscais. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.

Paris - O socialismo francês acaba de formatar uma versão inédita da disciplina orçamentária: o rigor à esquerda. O presidente François Hollande apresentou ao Conselho de Ministros um projeto de orçamento para 2013 marcado por um nível de arrocho jamais visto nos últimos 30 anos e por um aumento dos impostos que, globalmente, recairá sobre os bolsos das famílias de maior renda e das empresas com maiores lucros.

No total, esse plano qualificado como “orçamento de combate” se articula em torno da arrecadação de 20 bilhões de euros de novos impostos e de 10 bilhões cortados em gastos administrativos. Os 20 bilhões serão pagos, em partes iguais, 10 bilhões os mais ricos e 10 bilhões as empresas mais lucrativas. A essa soma deve-se agregar ainda outros 2,5 bilhões de euros que serão cortados do seguro social.

No total, se se adicionarem os objetivos deste orçamento mais as medidas votadas em julho passado, o Executivo aposta em obter uma arrecadação suplementar de 40 bilhões de euros. O objetivo não é social, mas orçamentário: trata-se de levar o déficit atual, 4,5% em 2012, para 3% em 2013. A meta, no entanto, se apoia em um cálculo de crescimento de 0,8%, uma variável que os economistas julgam demasiado otimista e tão incerta quanto um número de loteria.

O certo é que, após dez anos de governos de direita e de orçamentos conservadores que decapitaram as classes médias e populares, François Hollande elaborou o primeiro orçamento da esquerda. Não há, cabe dizer, nenhuma reorientação substancial. Trata-se sempre de reduzir a dívida e os déficits, mas sem sancionar aqueles que antes pagavam a conta nem desmantelar o pouco que resta do Estado de Bem-Estar.

O Executivo assegurou que os mais de 24 bilhões que serão arrecadados com os novos impostos virão “unicamente de um em cada dez cidadãos e das maiores empresas”. O cálculo está longe de ser verossímil. O primeiro ministro francês, Jean-Marc Ayrault, assegurou quinta-feira que “90% dos franceses, as classes médias e populares, não pagarão mais impostos. O esforço recairá sobre os 10% que têm mais renda e, entre estes, sobre o 1% mais ricos”.

No entanto, a França sabe hoje que todo mundo terminará pagando algo, ainda que desta vez a redistribuição do esforço será mais equitativa porque rompe com a política da vítima única tão comum quando a direita está no poder. 

A demonstração em cifras mostra que o Executivo socialista apontou suas calculadoras para as pessoas que tem maiores recursos: as pessoas que têm ganhos equivalentes a 150 mil euros (1%, o que equivale a 50 mil contribuintes) pagarão muito mais impostos do que antes. 

A partir de 250 mil euros os impostos aumentam exponencialmente. A isso se soma uma taxa de 3% que sobe para 4% para quem ganha na casa do meio milhão de euros. As 1.500 pessoas que ganham esta soma pagarão uma taxa excepcional de 75%.

Antes que fosse divulgado o projeto de orçamento para 2013, os empresários franceses lançaram uma ofensiva e questionaram a filosofia da reforma fiscal. O organismo que agrupa o patronato, o MEDEF, vem dizendo que a chave está tanto na redução do gasto público quanto nos custos necessários para manter um posto de trabalho.

A situação da França é complexa. Há hoje mais de 3 milhões de desempregados e um crescimento que está estagnado. François Hollande deve, ao mesmo tempo, cumprir suas promessas de justiça social sem perder de vista a dívida e o déficit. O contexto, porém, é adverso. O Instituto Nacional de Estatística (INSEE) revelou esta semana que durante o segundo trimestre de 2012 a economia teve um crescimento nulo. 

O ex-presidente liberal Nicolas Sarkozy saiu em maio passado, mas deixou uma dívida colossal. Nos cinco anos de seu mandato, a dívida passou de 64% do PIB para 91%. François Hollande disse nesta sexta-feira que o país teve “600 bilhões de dívida suplementar durante o último quinquênio. Eu me comprometo a que, no final de meu mandato, não haja nenhum euro a mais”.

A dívida da França tem repercussões enormes. Segundo explicou o governo, o que se cortará e o que se arrecadará no ano que vem servirá apenas para pagar os juros dos empréstimos contraídos, a saber, cerca de 46 bilhões de euros. 

A missão de François Hollande se parece com a de um desses filmes norteamericanos onde o herói tem que fazer um monte de proezas impossíveis para sobreviver e seguir sendo herói: o chefe de Estado tem que acalmar os mercados, a Alemanha e a Comissão Europeia, zelosa guardiã dos interesses liberais; ao mesmo tempo, Hollande deve corrigir o caminho traçado pela direita que governou durante a última década e manter vivo o moribundo Estado de Bem-Estar. E como se isso não fosse o bastante, também precisa ser fiel aos compromissos de igualdade, justiça e solidariedade.

O primeiro orçamento socialista modifica o que foi realizado até agora pela direita: dois terços das arrecadações virão do aumento dos impostos para os ricos e as empresas, o que implica o fim de numerosas isenções fiscais aprovadas pela direita para essa categoria. O terço final sai dos cortes nos gastos administrativos. 

Com exceção dos ministérios da Educação, Justiça e Segurança, todos os demais entraram no regime de cortes. 

Os socialistas estão produzindo um novo filme: “Os caçadores das arcas vazias”. Por enquanto a conta será paga pelos ricos. No entanto, só se conheceu o primeiro capítulo de uma produção que pode trazer muitas surpresas. Os fundos não saem do nada e é muito possível que, de alguma forma, todo mundo termine pagando algo.

Tradução: Katarina Peixoto

Link:

As aves de rapina aplaudem a Espanha moribunda- por Eric Nepomuceno!

As aves de rapina aplaudem a Espanha moribunda- por Eric Nepomuceno, da Carta Maior

Lá fora, nas ruas e nas praças, todos parecem saber o que não sabe Mariano Rajoy, não sabe seu governo, não sabem os defensores dessa política suicida aplicada a ferro e fogo com o pseudônimo de austeridade e o aplauso dos matadores do futuro: que quanto mais de aplica essa receita, mais se mata o enfermo. Que enquanto se salvam bancos e especuladores, num ciclo tão vicioso como obsceno, enterram-se gerações. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Na tarde da sexta-feira 28 de setembro o Banco da Espanha – o Banco Central dos espanhóis – apresentou o relatório de uma auditoria feita por uma empresa norte-americana sobre a situação bancária do país. O relatório indica o volume de dinheiro necessário para salvar os bancos espanhóis: 53 bilhões e 745 milhões de euros.

A auditoria foi encomendada pela União Européia, pelo Banco Central Europeu e pelo FMI, que são os que ditam a política econômica do país. Alguns bancos terão de receber dinheiro urgentemente para não virar purê, outros não escaparão de ser diretamente liquidados.

Um dia antes – a quinta-feira, 27 de setembro – o governo de Mariano Rajoy havia divulgado sua proposta de orçamento enviada ao Congresso. Aumento de impostos, novos cortes, mais medidas restritivas. Os cortes chegam à casa dos 38 bilhões de euros, que serão destinados a pagar os juros escorchantes cobrados pelos compradores de títulos públicos espanhóis. Quanto às outras medidas, algumas foram tão restritivas que altos funcionários da Comissão Europeia se disseram surpresos, já que são mais ferozes do que as impostas pelo organismo ao governo espanhol.

As duas notícias – novos cortes drásticos no orçamento e mais bilhões para salvar bancos quebrados – receberam aplausos entusiasmados da Comissão Europeia, do Eurogrupo, do Banco Central Europeu, do FMI. Todos disseram, em uníssono, que são passos importantes para conter o déficit do governo e sobretudo para o reforço, a viabilidade e a confiança no setor bancário do país. 

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, chegou a expressar sua satisfação ao constatar que as necessidades da banca espanhola são inferiores aos 60 bilhões de euros. É que o Eurogrupo havia previsto 100 bilhões, e a urgência ficou bem abaixo desse valor. Há, diz ele, uma cômoda margem de segurança.

Houve ainda cumprimentos entusiasmados do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, o FMI, que disse que as necessidades da banca espanhola serão atendidas para que seja construído um sistema financeiro mais sólido, que irá ajudar a reativar o crédito e apoiar o crescimento.

Não encontrei menção alguma a outros dados que essas notícias irão provocar. Por exemplo: o desemprego, que ronda a casa dos 25% e é o maior da Europa, poderá chegar facilmente a 27% da mão de obra no ano que vem. A retração do PIB, que segundo o governo deverá ser de 0,5%, seguramente será o triplo. 

As exigências da Comissão Europeia continuarão pressionando por novas medidas, a começar pela flexibilização das leis trabalhistas, que contribuam para afundar ainda mais o país no pantanal em que já se encontra. As manifestações populares deixarão, cada vez mais, de serem de protesto, para serem de ira.

É assombrosa a inépcia do governo espanhol, é assombrosa a frieza com que os que realmente mandam nos rumos do país tratam números e dinheiros como se tudo se resumisse numa contabilidade estrita cujo único objetivo é salvar os bancos.

Será que ninguém vê o que acontece nas ruas do país? Nas casas do país? Nas famílias do país? Será que ninguém vê o que acontece com quem tem menos de 30 anos e padece um desemprego que chega a 50% da população dessa faixa etária?

É impossível que não vejam. É impossível semelhante estupidez diante de uma realidade cristalina, de um quadro tão nítido.

O que era um furacão monetário de ventos ruins se transformou numa crise econômica que se transformou numa crise social que se transformou numa crise política que se transformou numa crise institucional – nessa velocidade, sem vírgula alguma de respiro. Agora, a Catalunha, região mais rica do país, com um PIB superior ao de Portugal, resolve se dar ares de grandeza e torna a falar, desta vez em voz alta, em declarar sua autodeterminação, que é uma maneira sutil de dizer independência.

Que país é capaz de enfrentar, de uma vez só, tantas crises desse tamanho? O sistema bancário está em crise, a fuga de capitais anda na casa de bilhões de euros, as contas públicas estão em estado crítico, o governo é governado do exterior e desprezado pela população. 

O estado de bem-estar social é, cada vez mais, de profundo mal-estar. Pouca gente se considera representada pelos políticos, há uma atmosfera espessa, pesada, carregada de fúria. Essa atmosfera rescende a cravo de defunto, a vela de velório ao lado do leito onde um país moribundo agoniza. E lá fora, nas praças e nas ruas, o que se vê é uma imensa multidão de olhos atônitos por não compreender como é que o país se empantanou tanto, de olhos irados por não compreender como é que deixaram a Espanha se transformar no que se transformou.

Lá fora, nas ruas e nas praças, todos parecem saber o que não sabe Rajoy, não sabe seu governo, não sabem os defensores dessa política suicida aplicada a ferro e fogo com o pseudônimo de austeridade e o aplauso dos matadores do futuro: que quanto mais de aplica essa receita, mais se mata o enfermo. Que enquanto se salvam bancos e especuladores, num ciclo tão vicioso como obsceno, enterram-se gerações. 

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Marilena Chaui: Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie!

Marilena Chaui: Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie - por Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual, 29/09/2012

Em debate sobre conservadorismo em São Paulo, filósofa também diz que a maneira como o STF julga o 'mensalão' coloca em questão a República
Marilena Chaui: Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie
Para Marilena Chaui, é preciso derrotar as forças que impedem o avanço da cidadania (Foto: Ivone Perez) 
 
São Paulo – Os candidatos Celso Russomanno (PRB) e José Serra (PSDB) representam duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania, segundo definiu a filósofa Marilena Chaui em debate realizado ontem (28) à noite para discutir "A Política Conservadora na Cidade de São Paulo”. 

O debate ocorreu no comitê da educadora Selma Rocha, candidata a vereadora pelo PT. Russomanno e Serra são os principais adversários do petista Fernando Haddad na disputa pela prefeitura.

Segundo Chaui, Russomanno simboliza “a forma mais deletéria do populismo, porque é o populismo de extrema direita” de uma cidade “conservadora, excludente e violenta”, enquanto Serra encarnaria “um dos elementos de selvageria e barbárie do estado e da cidade de São Paulo”. 

Ela define o candidato do PRB como herdeiro do populismo tradicional de São Paulo, na linhagem de Ademar de Barros e Jânio Quadros. O primeiro foi governador de 1947 a 1951 e de 1963 a 1966. O segundo, governador de 1955 a 1959 e prefeito da capital duas vezes (1953 a 1955 e 1986 a 1989), além de presidente da República por sete meses (de janeiro a agosto de 1961).

Por outro lado, diz Chaui, o candidato tucano representa o que ela chama de projeto hegemônico de PMDB e PSDB, há 30 anos dominando o estado. 

“Começou com Montoro, depois Quércia, Fleury, o Covas e o Alckmin. É muito tempo. É curioso que se trata de um partido que chama o PT de totalitário. Eles estão há 30 anos no poder. Se isso é totalitarismo, totalitários são eles”, diz a professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. 

Para ela, quem se compromete com a cidadania deve entender a gravidade do momento político: “Não podemos admitir nem a conservação no poder dos responsáveis pela barbárie, nem a retomada do processo característico também desta cidade protofascista, que é ter à sua frente figuras do populismo de extrema-direita. É nossa tarefa política, enquanto cidadãos, fazer com que cada um, ao nosso lado, compreenda isso”.

Marilena Chaui considera “uma tarefa libertária” a superação do entrave à cidadania representado pelas duas forças políticas que dominam uma “cidade na qual a violência, seja real, seja imaginada, é a forma da relação social e das relações entre as pessoas – para que a cidade se reconheça numa possibilidade nova”. 

Candidatos "novos"

Na sua fala, ela disse ser preciso desfazer a confusão provocada pela ideia de que Russomanno e Fernando Haddad (PT) são os dois candidatos novos na eleição paulistana. 
“Tenho insistido em mostrar que, em primeiro lugar, não se pode confundir um rosto que não está identificado ao universo da política com o novo. Mas em segundo lugar, é preciso localizar Russomanno nessa vertente antiga enraizada na cidade de São Paulo, que é a posição política conservadora, autoritária, do populismo de extrema direita”. 

Para Marilena, o ex-governador Paulo Maluf, cujo partido (PP) está aliado ao PT não eleições paulistanas, não se enquadra na tradição política representada por Russomanno, mas na do “grande administrador”, que ela identifica com Prestes Maia (prefeito de São Paulo de maio de 1938 a novembro de 1945) e Faria Lima (prefeito de 1965 a 1969). “Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro.”

Para a filósofa, as forças políticas conservadoras transformaram São Paulo em uma cidade que “opera um processo contínuo de expulsão da classe trabalhadora, das classes populares, de qualquer centro no qual o poder público tenha feito intervenção de melhorias urbanas. Se tiver asfalto, luz, água, esgoto, semáforo, você pode contar que a exclusão já está a caminho. E no lugar dela [classe popular] você tem os espigões, essa verticalização absolutamente desgovernada. Nós estamos aqui para propor a ruptura com essas tradições, com essas políticas conservadoras, com o que está sedimentado e nos sufoca, dia a dia”. 

Sobre a realidade eleitoral caracterizada hoje pela fuga dos votos tradicionais do PT, das zonas leste e sul da capital, para Celso Russomanno, Marilena Chaui disse à RBA que acha “possível virar isso”. Para ela, é preciso “mostrar à periferia o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e todas as políticas sociais que não foram implantadas e que deixam a periferia ao deus-dará”. Em outras palavras, politizar a campanha de Fernando Haddad, o que “acontecerá no segundo turno”, acredita.

Julgamento do mensalão “coloca em questão a República”

No debate, Marilena Chaui falou também sobre o “mensalão”. “Não há dúvida de que ao lado de todas essas questões estruturais, históricas, há um dado de conjuntura que opera na rejeição popular (ao PT). Não na classe média, mas no nível popular, foi a grande operação em torno do ‘mensalão’ que produziu esse resultado [rejeição popular]”, acredita. 

Ela criticou o imprensa na cobertura do caso. “Se a gente pega a mídia brasileira, em particular a mídia paulista, houve dois grandes crimes contra a humanidade: Auschwitz e o ‘mensalão’”, afirmou, em referência ao campo de concentração localizado no sul da Polônia que foi um dos maiores símbolos do nazismo. Para ela, o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) na atual conjuntura foi “uma armação para coincidir com as eleições”.

De acordo com ela, se a República é constituída de três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, a atuação do STF ultrapassou o limite: “o fato de que o poder Judiciário faça isso coloca em questão o que é a República. Alguém tem que erguer a voz e dizer que o Judiciário está fazendo com que a gente ponha em questão se este país é ou não uma República”.

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