Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PT conquista 635 prefeituras em todo o País!


Eleições 2012: PT conquista 635 prefeituras em todo o País
(Imagem: Cesar Ogata)

Partido aumentou 14% o número de cidades governadas em relação à eleição de 2008


A Secretaria Nacional de Organização divulgou o balanço dos resultados do PT nas eleições municipais de 2012.
O PT conquistou 635 prefeituras nos dois turnos da votação e manteve o seu crescimento constante. De acordo com o levantamento, em comparação às eleições de 2008 o Partido ampliou em 14%  o número de prefeituras.
O PT recebeu 17.264.643 votos para prefeito, que é a maior votação de um partido nas eleições deste ano.
Entre as cidades com mais de 150 mil eleitores, o PT venceu em 21 cidades, sendo quatro capitais (São Paulo, Goiânia, João Pessoa e Rio Branco). Nestas 21 cidades estão hoje 16,1 milhões de eleitores.
De acordo com a SORG, o Partido manteve a sua força nos grandes centros e aumenta a sua capacidade ao eleger mais prefeitos e prefeitas nos pequenos e médios municípios. Foram eleitos 264 prefeituras em cidades de 10 a 50 mil eleitores e 298 em cidades de até 10 mil eleitores.

(Geraldo Ferreira – Portal do PT, com informações da SORG/PT_

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Ministério da Justiça acusa governo Alckmin de mentir sobre ajuda em segurança!


Ministério da Justiça acusa governo Alckmin de mentir sobre ajuda em segurança - da Rede Brasil Atual, 31/10/2012

Em nota, governo federal diz que ofereceu cooperação no setor, desmentindo versão de secretário de São Paulo, e classifica como 'inaceitável' a visão de que a violência decorre de problemas nas fronteiras
São Paulo – O Ministério da Justiça rebateu, em nota, a versão do governo de São Paulo sobre o oferecimento de ajuda para combater a questão da violência no estado. Em comunicado emitido ontem (30), a pasta lamentou que a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) divulgue a versão de que a onda de crimes dos últimos meses é culpa da administração federal. 
“É inaceitável, além de inverídica, a afirmação de que a elevação da violência em São Paulo deriva do descontrole nas fronteiras. O Plano Estratégico de Fronteiras, lançado em junho de 2011, sob coordenação da Vice-Presidência da República, tem resultados positivos mensuráveis”, diz o ministério.
O comunicado ressalta em especial o desmentido à versão do secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, de que o governo federal não ofereceu ajuda efetiva para combater a violência em São Paulo. 
“Em diversas oportunidades o governo federal ofereceu apoio ao governo do estado de São Paulo na área de segurança pública. Essa proposta foi reiterada, inclusive, em reunião do Ministro da Justiça com o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, em junho deste ano, em que questões da área de inteligência policial foram debatidas”, aponta a nota, que acrescenta que a proposta de apoio foi feita nos mesmos moldes da oferecida a Rio de Janeiro e Alagoas, com um plano de combate conjunto ao crime organizado. 
“Para que não exista qualquer dúvida sobre a proposta apresentada ao governo do Estado, o Ministro da Justiça encaminha nesta terça-feira (30) ofício ao governador Geraldo Alckmin em que manifesta, mais uma vez, a intenção de que seja pactuado um plano integrado de segurança pública”, continua o Ministério da Justiça.
Na última semana, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Ferreira Pinto afirmou que recebeu apenas uma “visita protocolar” do ministro José Eduardo Cardozo e que na ocasião o governo estadual solicitou recursos federais. 
"Em nenhum momento se falou em preocupação da presidente Dilma ou do governo federal com a situação de São Paulo. A relação que temos com o Ministério da Justiça é de cooperação técnica", disse o secretário. “A segurança pública é do Estado. Somos parceiros do governo federal em várias áreas, a Polícia Federal e a polícia do Estado dialogam e trabalham em intercâmbio, mas a prerrogativa da segurança no Estado é nossa. Temos completo controle da situação.”
A nota do Ministério da Justiça aborda também esta questão ao afirmar que o governo federal não é “mero repassador de recursos financeiros” para custeio do setor. “O orçamento do Estado de São Paulo é um dos maiores do país e, por isso, a proposta de apoio federal sempre foi feita na perspectiva da elaboração de um plano integrado de ações, com uma matriz de responsabilidades recíprocas definidas”, conclui o comunicado.
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PT avança de duas para nove cidades em reduto de Alckmin!


PT avança de duas para nove cidades em reduto de Alckmin - por Raimundo Oliveira, a Rede Brasil Atual, 31/10/2012

Entre as conquistas petistas no Vale do Paraíba está São José dos Campos, até então vitrine tucana na região

São Paulo – Além de derrotar José Serra na capital paulista, o PT obteve importante resultado na briga direta com outro tucano de peso, o governador Geraldo Alckmin, no Vale do Paraíba. Localizado no sudeste do estado, o berço político e reduto de Alckmin viu os petistas crescerem de duas para nove prefeituras.
O PT reelegeu os prefeitos de Jacareí, Hamilton Ribeiro Mota, e de Santo Antonio do Pinhal, Clodomiro Correia Toledo Júnior, e conquistou sete novas cidades, entre elas São José dos Campos, até então a principal vitrine tucana na região. Destas, quatro eram governadas pelo PSDB.
Os tucanos, porém, permanecem com o maior número de prefeitos entre os 41 municípios do Vale: passou de 12 eleitos em 2008 para 14 agora. Um 15º eleito, Francisco Carlos Moreira, em Guaratinguetá, foi impugnado pelo Tribunal Regional Eleitoral. O PSDB corre risco também em Taubaté, onde o Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação dos votos que elegeram o tucano José Bernardo Ortiz Júnior (PSDB), devido a denúncias de corrupção na Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão do governo estadual comandado por seu pai, José Bernardo Ortiz.
Fachada de modernidade
Para o deputado estadual Marco Aurélio de Souza (PT), responsável pela maioria das costuras políticas que levaram a vitória de petistas, o poder eleitoral de Alckmin ainda é forte na região, mas isso, na opinião dele, se dá mais pela liderança do governador do que pela força do PSDB. 
“O governador em si ainda consegue manter na região uma fachada de modernidade, diferente do que aconteceu com o José Serra em São Paulo na disputa com Fernando Haddad (PT), mas o partido dele vem perdendo poder e espaço para novas lideranças do PT. Em Ubatuba e em Cachoeira Paulista, por exemplo, os prefeitos eleitos agora já haviam se candidatado outras vezes”, disse.
O deputado acredita que o reflexo desse avanço nas eleições de 2014 vai depender do desempenho dos prefeitos até lá. “É um desafio, já que na maioria destas cidades os eleitores estão descontentes com administrações tucanas e têm uma grande expectativa em relação ao governo petista. Os novos prefeitos terão que, na metade do tempo de mandato, convencer os eleitores destes municípios”, disse.
Ontem, em entrevista ao portal Terra, Geraldo Alckmin minimizou o crescimento do PT no Vale do Paraíba e disse que os tucanos ainda são majoritários entre as cidades da região. O governador lembrou que, mesmo com a derrota em São José e com a reeleição de Mota em Jacareí, terceira maior cidade do Vale, o PSDB vai governar Taubaté, a segunda maior, e Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena, Caçapava e Caraguatatuba, as seguintes no ranking. O avanço petista no Vale foi apontado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, em entrevista coletiva ontem, como um dos trunfos do partido na disputa com os tucanos pelo governo de São Paulo em 2014.

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PT avança no estado de São Paulo - por Rodrigo Vianna!


PT avança no estado de São Paulo - por Rodrigo Vianna, 

do Escrevinhador

A preocupação dos tucanos está na cara... E nos números.


No momento em que Serra fazia o discurso “admitindo” a derrota eleitoral, domingo à noite, chamava atenção o olhar – entre atônito e preocupado – de muitos daqueles que o circundavam, ali incluídos o governador Alckmin e o senador Aloysio Nunes Ferreira. Os tucanos de São Paulo, de fato, têm motivos para preocupação. E isso não apenas pela derrota humilhante de Serra na capital – enfrentando um petista que jamais concorrera a um cargo eletivo.

Este Escrevinhador teve acesso ao documento interno do PT paulista, com a avaliação política e a “Análise Numérica das Eleições de 2012″ em todo o Estado de São Paulo. A primeira parte do documento, claro, está dominada pelo tom de otimismo – natural num partido que acaba de conquistar a maior cidade brasileira. Vale a pena prestar mais atenção na segunda parte do documento, com a análise numérica. Vejamos:

* o PT passará a administrar, em 2013, cidades com um total de 18,6 milhões de pessoas – ou 45,1% da população paulista; o segundo partido nesse quesito será o PSDB, com 19,1% da população total; o PMDB (que parece se consolidar como um aliado dos petistas) terá 8,2% e é o terceiro;

* essa vantagem ampla petista se explica, claro, pela vitória na capital (o que mostra a importância da estratégia adotada por Lula, centrando esforços na candidatura Haddad); mas, mesmo excluindo-se a capital, o PT seria o partido com maior número de eleitores sob sua administração (24,6% do total em São Paulo), contra 19,1% para os tucanos;

* o PT vai administrar 6 das 7 cidades com mais de 500 mil habitantes no Estado; nas cidades com menos de 200 mil habitantes, o PT passa a disputar o segundo lugar com o PMDB, e o PSDB é ainda o partido hegemônico;

* o PT foi também o partido com o maior número de votos para vereadores no Estado – 13,8% do total, com o PSDB em segundo (13,5%) e o PMDB em terceiro (7,6%).

Vale ressaltar que, além de ter vencido na capital, o PT manteve seu domínio na Grande São Paulo -conquistando os importantes municípios de Guarulhos (quarta administração consecutiva), São Bernardo do Campo, Santo André, Osasco e Mauá. Estamos falando de cidades muito grandes, mais populosas do que várias capitais de Estado. O partido de Lula teve uma derrota inesperada em Diadema, para um jovem candidato do PV – aparentemente, sem grandes ligações com o tucanato.

O PT também avançou no Vale do Paraíba - terra natal do governador tucano. O Partido dos Trabalhadores vai governar nove municípios na região, com destaque para São José dos Campos, principal polo regional, e Jacareí onde os petistas conseguiram o quarto mandato sucessivo.

Na região de Campinas, vale destacar a vitória do PCdoB (em aliança com o PT) em Jundiaíe a boa performance de Marcio Pochman – que obteve quase 40% dos votos campineiros. Ali os tucanos tiveram que se “travestir” de “socialistas” para impedir a vitória petista.

Isso tudo mostra que o PT está forte como nunca para disputar o governo paulista em 2014. Mas a vitória só virá com amplas alianças ao centro. Os números mostram que a aproximação com o PMDB é fundamental: o PT é forte nas grandes cidades, relativamente forte nas cidades médias. Nos pequenos municípios, só o PMDB pode equilibrar o jogo com os tucanos em São Paulo.

Mais que isso: o PT já transformou o PMDB em aliado preferencial. Dos 645 municípios paulistas, o PT participou de 212 coligações vitoriosas. Desse total:

- o PT tinha o cabeça-de-chapa em 68;

- o PMDB tinha o cabeça-de-chapa em 31;

- o PTB tinha o cabeça-de-chapa em 18. 

Em Bauru, por exemplo, o PT apoiou o PMDB – que venceu a eleição, impondo uma grave derrota aos tucanos.
Em 2014, o PT também deve buscar apoio do PSD de Kassab – inimigo de Alckmin. O apoio petista foi fundamental para a vitória do PSD em Ribeirão Preto – derrotando o ex-líder do PSDB na Câmara Federal.

Nas grandes cidades paulistas, Alckmin conseguiu vitórias importantes em Sorocaba, São Carlos, Taubaté, Franca, Santos, Piraciba e Campinas (nessa última, para vencer, deu apoio ao candidato do PSB). Mas os números são claros: o PSDB encolheu, e a crise na Segurança Pública também enfraquece a imagem do governador tucano.

“O PT foi eleito em 2008 para governar 17,4% da população paulista e o PSDB 17,8%. Já a partir de 2013, o PT governará 45,2%, quase metade da população do estado e o PSDB, 19,4%”, diz Edinho Silva, presidente do PT paulista. Ele lembra que ”PSDB e DEM perderam juntos, entre 2008 e 2012, 61 prefeituras”.

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Pochmann também aposta em renovação, mas ainda não define futuro político!


Pochmann também aposta em renovação, mas ainda não define futuro político - por Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual, 31/10/2012
Candidato do PT derrotado nas eleições de Campinas endossa pensamento do ex-presidente Lula

São Paulo – Uma das novidades da campanha eleitoral deste ano, o economista Marcio Pochmann endossa a visão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de surgimento de outros nomes no PT e mesmo na política brasileira. A maior parte dos líderes atuais, argumenta, se formou em outro contexto político e econômico, vinda da ditadura e de um país com inflação alta. “O Brasil hoje é a sexta economia mundial, tem outra presença internacional”, observa Pochmann, que disputou a prefeitura de Campinas, no interior de São Paulo, e nos dois últimos dias tem passado pelos mesmos locais que percorreu durante a campanha, desta vez para agradecer pelos votos. O seu futuro político ainda está indefinido.

No primeiro turno, Pochmann recebeu 28,56% dos votos válidos, ante 47,6% dados a Jonas Donizette, do PSB. No segundo, ele ganhou quase 14 pontos e saltou para 42,31%, enquanto Jonas teve dez a mais e terminou com 57,69%. “Crescemos muito mais. Mas o tempo não permitiu que pudéssemos crescer mais ainda”, comenta. O candidato do PT lembra que, no início da disputa, o adversário chegou a aparecer com 79% das intenções de voto e ele com apenas 1%. Por isso, chegou a haver um debate interno sobre a conveniência de ir adiante com a candidatura.
Ele também se queixa de ataques que considera “muito sórdidos” durante a campanha, que atingiram não só a ele, como o chamado mensalão. “Todos os candidato do PT na última semana perderam intenções de voto. O tema acabou impactando de alguma maneira”, avalia. Na questão local, Pochmann acredita que o PT sofreu com os desgastes das últimas gestões na prefeitura de Campinas. O prefeito anterior, Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), perdeu o mandato, e seu vice, Demétrio Vilagra (PT), teve o mesmo destino pouco tempo depois.
Após o processo eleitoral, Pochmann espera que Campinas encerre o período de turbulência política. “Tivemos a preocupação de fazer uma campanha programática. Houve uma renovação do PT. Tudo isso estabeleceu um patrimônio novo para o partido”, avalia.
Sobre seus próximos passos, ele diz que, por enquanto, a única coisa certa é o retorno à atividade acadêmica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na rotineira bolsa de apostas pós-eleição, ele é citado como possível nome no secretariado de Fernando Haddad em São Paulo. Também se fala na necessidade de permanecer em Campinas para consolidar o processo de reestruturação do partido. Pochmann disse que ainda conversará com Lula e outros líderes petistas no estado. “Não tem nada fechado em relação a isso. Vai haver uma conversa política.”
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Queda da selic derruba gasto do governo com juros da dívida!


Queda da selic derruba gasto do governo com juros da dívida - Marcel Gomes, da Carta Maior


Segundo o relatório de política fiscal do Banco Central divulgado nesta terça-feira (30), foram gastos entre janeiro e setembro deste ano R$161,4 bilhões (4,96% do PIB), 9% a menos do que os R$ 177,5 bilhões (5,81% do PIB) despendidos no mesmo período de 2011. Porém, diante do recuo das receitas causado pela desaceleração econômica, o superávit caiu.


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Brasil: um anacronismo chamado "direita" - por Flávio Aguiar!


Brasil: um anacronismo chamado "direita" - por Flávio Aguiar, da Carta Maior

A direita brasileira, atavicamente, de certo modo até hoje segue tentando derrubar Vargas. Talvez o fantasma de que a direita deva se livrar não seja essa mescla de Lula e Vargas, mas o de Carlos Lacerda. Que, pelo menos, era um escriba e um orador brilhante. Coisa que hoje a direita carece.


"O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar."
Carlos Lacerda, em 1º. De junho de 1950, no jornal Tribuna da Imprensa.

Visto de longe (apesar da imediatez da internet, mas ela também distancia) o Brasil continua parecendo um desajuste temporal.

Antigamente, quando o Brasil era o país do futuro, ele parecia um túnel do tempo, rumando do passado (atraso) para a modernidade (progresso) mais ou menos conservadora, conforme o gosto do freguês. Ou dos donos da loja, do futuro, do poder e do Brasil. Houve aquele intervalo de um certo período milagroso da ditadura, quando esta apregoava: “agora, o futuro chegou”. E o futuro não era um sonho, era um pesadelo.

Agora as coisas estão um pouco diferentes. De algum modo, aos trancos e barrancos, o futuro, de novo, chegou. Mas desta vez chegou mesmo. O Brasil continua com suas desigualdades, com seus achaques, com seus muros da vergonha social. Mas de algum modo está avançando em melhorar a vida de seus cidadãos, em todos os sentidos. Enquanto em boa parte do resto do mundo – inclusive aqui na Europa “desenvolvida” – as sociedades marcham em sentido contrário.

Mas no Brasil há um lastro chamado direita. Que não aceita, inclusive, esse nome. Talvez seu problema começa aí: um problema de identidade, de nascença, de família, sei lá. O mote da direita brasileira continua sendo aquela famosa frase de Carlos Lacerda sobre Getúlio Vargas, proferida em 1950. 

Lacerda procurava se antecipar ao que ia acontecer: a inevitável eleição de Vargas. Eleito este, a UDN tentou, primeiro, reverter o resultado no tapetão do Tribunal, argumentando que Vargas não tivera maioria absoluta. Como a Constituição não exigia isso, não adiantou. Continuou tentando derrubá-lo, instalou um poder paralelo na Base Aérea do Galeão e outro na mídia, até seu suicídio em 1954. 

O suicídio, aparentemente, teve um efeito paradoxal. Deixou um vácuo de herança para história do Brasil. O resultado foi que, atavicamente, a direita continuou tentando derrubar Vargas. Continua, de certo modo, tentando até hoje. Em 61, por detrás da imagem de Jango, ainda pairava o fantasma daquele homem/esfinge. Em 64 idem, atrás de Brizola. Houve a famosa outra frase de FHC, depois de sua primeira eleição, sobre “o fim da era Vargas”.

Agora a direita transfere essa tara (no sentido de peso) histórica para Lula. Inconformada, olha no retrovisor e tenta ainda anular a eleição de 2002. 

Reverter a história. Faze-la enquadrar-se na sua alucinação de que é “moderna” no país do “atraso”, quando ela dá mostras seguidas de senilidade histórica. Ela, a direita, é o atraso, o retardo, e peso bruto que quer impedir o vôo do balão – o papagaio que seja – chamado Brasil.

Isso se consubstanciou nesse erro crasso da direita midiática e do candidato Serra em transformar o julgamento do processo 470, no STF, no grande trunfo político da eleição de 2012. Houe, em primeiro lugar, jum erro de timing. O tema do chamado “mensalão” tinha tudo para não se tornar relevante numa eleição de caráter municipal. Mas... havia um outro problema por trás desta escolha. É que a direita não tinha outra coisa a dizer nem propor. Mergulhada na crise histórica de identidade que se aprofunda, e no esfrangalhamento de suas cúpulas divididas pela presença de um autêntico “peso morto” como centroavante de seu time – o candidato José Serra – a direita deixou-se levar pela auto-imagem no espelho – no seu espelho, é claro: como na década de 50, a campeã da “moralidade pública” contra a “lama” – “mar de lama”, de Vargas.

Não funcionou. O disco ficou girando sozinho, sem agulha para tocar. Em S. Paulo, o que se viu, por exemplo, foi uma curiosa versão daquela teoria da “pedra n’água”, usada como a “inelutável” explicação para a “inevitável” derrota de Lula em 2006. Primeiro ela atingiria as classes e regiões mais “esclarecidas”, para se espalhar em círculos concêntricos pelas classes e regiões “mais atrasadas”. Em S. Paulo, afastados Russomano e Chalita do segundo turno, o que se viu foi a “pedra” Haddad se firmar na periferia da cidade e comer pelas bordas, ou até pelo núcleo mesmo, como no bairro de Santa Ifigência, a candidatura de José Serra onde esta deveria ter seus redutos. 

Agora, a direita, na mídia e fora dela, às vezes parte para a tentativa de reverter o resultado histórico, tentando construir uma imagem de “empate técnico”, para dizer o mínimo, onde houve uma fragorosa derrota sua. É claro que o PT tem derrotas a analisar, como em Manaus, e Belo Horizonte, para a direita, além de outras. Mas deve analisar sobretudo o significado do crescimento de seu – afinal – aliado, o PSB, como em Recife e o enredamento nas próprias pernas, como em Porto Alegre, além de outros partidos terem também análises a fazer. Mas isso seria um assunto para outro artigo.

Neste, fica o registro de que – apesar de minhas inclinações e preferências – acho que faria muito bem ao Brasil uma direita mais moderna e up to date com o mundo que ela acha que está em contato, na Europa, nos Estados Unidos ou no Japão. Há tantos exemplos que ela poderia seguir, aqui na Alemanha, por exemplo, da vetusta CDU de Angela Merkel à direção do SPD alemão, uma direção sem dúvida de centro-direita, procurando alfaiates para um corte tipo século XXI.

Ao invés de ficar aferrada a seu ideário-anos-cinqüenta, não deve se candidatar, não deve ser eleito, não deve governar. Mesmo que seja 50 anos depois, ou mais.

Talvez o fantasma de que a direita deva se livrar não seja essa mescla de Lula e Vargas, mas o de Carlos Lacerda. Que, pelo menos, era um escriba e um orador brilhante. Coisa que hoje a direita carece.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

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Quanto mais a direita cai, mais Bachelet sobe!


Quanto mais a direita cai, mais Bachelet sobe - do Vermelho

Embora não faça campanha, a ex-presidente socialista Michelle Bachelet continua liderando as pesquisas para um novo período no Palácio de La Moneda. O atual partido do Governo perdeu bastiões emblemáticos para a oposição.


BacheletA maior vencedora das eleições do Chile de domingo foi a ex-presidenta Michele Bachelet
A expressão dos líderes da direita chilena diziam tudo. Na noite de domingo (28), nas eleições municipais – consideradas a antessala das presidenciais –, haviam sido vencidos pela oposição em diversas comunas emblemáticas e, desta vez, os temores de perder o governo foram acrescidos com uma base inegável nas urnas. Os olhos vermelhos não puderam ser dissimulados.

Com essa carga nas costas, e embora surrados pelas derrotas, principalmente em Concepción, Providencia e Santiago, nesta segunda-feira (29), os presidentes dos partidos ligados ao governo de Sebastián Piñera (União Democrática Independente e Renovação Nacional) chegaram a participar de uma reunião política no Palácio de La Moneda. Na saída, o presidente da Renovação Nacional, o senador Carlos Larraín, disse que o quanto antes deve haver, com os candidatos, uma primária partidária. Isto para definir os atuais ministros que poderiam lutar pela presidência, em 2014, e por uma cadeira no Congresso. “Agora, abre-se uma verdadeira temporada política. As municipais são municipais, simples”, disse, tirando o corpo do desastre de domingo.

Em todo caso, assegurou que “agora vem um processo de lamber as feridas. Estou com o metabolismo um pouco baixo, mas fora disso não estamos diante de nenhum desastre. Ou seja, é um retrocesso eleitoral, mas não para perder a compostura”, disse meio na brincadeira e meio sério.

É que na direita o fantasma de Bachelet ganhou mais força, pois sem fazer campanha continua liderando as pesquisas para um novo período no Palácio de La Moneda. Quanto mais o governo cai, mais sobe a sua opção, por mais que ela não tenha declarado publicamente suas intenções de voltar ao Chile.

Outro fenômeno constatado no domingo foi a elevada abstenção na estreia do sistema voluntário no Chile. Simplesmente 57% não foram votar. Nesse sentido, Piñera chamou à reflexão. “Pela primeira vez tivemos inscrição automática e voluntária. A liberdade sempre significa direito, mas também deveres”, disse. Segundo diversos analistas, a elevada abstenção golpeia não apenas a direita, mas a classe política em geral, que não foi capaz de ler a realidade do país e entender as novas demandas da cidadania. Este fato, por mais que a oposição se alegre, mantém em suspenso o que ocorrerá em dois anos.

Vitórias importantes

O que está claro é que a jornada dominical trouxe várias surpresas. Uma delas ocorreu na emblemática comuna de classe média de Santiago: Ñuñoa. Nesta, a neta de Salvador Allende, Maya Fernández, derrotou Pedro Sabat, homem próximo ao regime de Pinochet e que governava há dezessete anos. Filha de Beatriz “Tati” Allende, a filha mais política do ex-presidente, recebeu a ligação de Michelle Bachelet, de Nova York, para felicitá-la pelo triunfo, como fez com as prefeitas eleitas Josefa Errázuriz (Providencia, que derrotou ao ex-militar Cristián Labbé) e Carolina Tohá (Santiago, que derrotou Pablo Zalaquett).

“A ex-presidente Bachelet me ligou. Felicitou-me. Acompanhou com muita atenção nossa campanha e eu também fui super honesta: ‘Presidente, a forma de fazer política mudou’”, destacou Errázuriz. Ela detalhou que durante o diálogo disse a Bachelet que “Providencia deu um exemplo” de como conjugar virtuosamente o papel da sociedade civil com os partidos políticos. Enquanto que Carolina Tohá (cujo pai faleceu por coerções recebidas em plena ditadura) destacou que “foi a primeira ligação que recebi. Muito contente, muito carinhosa. Nós duas estávamos felizes. Foi dessas conversas eufóricas, de maneira que não tivemos tempo de aprofundar em nada a mais do que a sua felicitação”.

Na outra vereda, o vice-presidente da Renovação Nacional, Manuel José Ossandón, insistia em atribuir a derrota aos erros próprios. “Há um ano, eu adverti sobre a calamidade que se via nos municípios. Os resultados foram ruins, apesar de muitos tratarem de justificar o injustificável (...). Eu acredito que demos um bônus para a centro-esquerda, que acredito que não o mereça porque também fizeram muito mal, porém mais do que tudo nos deram um bônus de castigo. Aqui, a Concertación não venceu, nós mesmos perdemos, e há uma tremenda responsabilidade do Governo também”, enfatizou.

O dirigente também fustigou uma das peças do partido, o ministro de Obras Públicas Laurence Golborne (conhecido pelo resgate dos mineiros). “Golberne estava fazendo sua campanha (...), não estava buscando votos para os candidatos, mas criando laços”, disse, abrindo ainda mais as feridas.


A verdade é que a queda da direita começou no ano passado com as mobilizações sociais, principalmente dos estudantes, que puseram em cheque o Governo e seus prefeitos. Frases de Zalaquett e Labbé (o primeiro ameaçou em colocar os militares na rua para frear as marchas, e o segundo acusou um colégio, tomado por mulheres, de “puteiro”) passaram da conta.

Não é tudo. Também obriga os políticos a redobrarem o esforço para entrar em sintonia com as pessoas, pois este governo prometeu mudar as coisas e dedicou-se apenas a manter o que existe. Aqui, mais do que decepção pelo voto em Piñera, há arrependimento. O mal-estar da rua se instalou nas urnas e aí sim bate forte, isto a Concertación já soube, em 2010, quando perdeu a presidência. Agora, a direita também já sabe.

Fonte: Pagina/12
Tradução: Cepat



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A força dos governos estaduais nas eleições municipais!


A força dos governos estaduais nas eleições municipais - por Vinicius Mansur, da Carta Maior


Em 16 dos 26 estados do país os partidos dos governadores são os líderes em número de prefeituras conquistadas em 2012. Dentre os outros 10 estados, em 7 os partidos dos governadores alcançaram a segunda colocação. A máquina estadual influi mais sobre os municípios menores, enquanto as capitais tem mais independência: apenas 10 dos 26 prefeitos eleitos destas cidades tiveram apoio de seus governadores.


A piracema progressista - por Saul Leblon!


A piracema progressista - por Saul Leblon, da Carta 
Maior
Vista a partir de retinas embaçadas de cansaço ou ideologia, a transformação social parece uma impossibilidade aprisionada em seus próprios termos: as coisas não mudam, se as coisas não mudarem; e se as coisas não mudarem, as coisas não mudam... 

O sistema de produção baseado na mercadoria cria e apodrece previamente as pontes das quais depende a travessia para uma sociedade justa e virtuosa. 

Diz a concepção materialista da história que o lacre da fatalidade se rompe no pulo do gato das sinapses entre condições objetivas e subjetivas. Mas a dialética dura das transformações não é uma mecânica hidráulica. Não é maquinaria lubrificada, autopropelida a toque de botão. 

A história é um labirinto de contradições, uma geringonça que emperra e se arrasta, desperdiça energia e cospe parafusos por onde passa. Para surgir um 'Lula' desse emaranhado tem que sacudir muito a estrutura. Greves, levantes, porradas, descaminhos etc. Dói. Demora. Décadas, às vezes séculos.

Uma liderança desse tipo - e aquelas ao seu redor; 'uma quadrilha', diz o vulgo conservador - constitui um patrimônio inestimável. Mesmo assim, é só o começo; fica longe do resolvido. 

A 'pureza' política pretendida por alguns juízes do STF é pouco mais que uma bobagem de tanga disfarçada de toga diante do cipoal da história.

A cada avanço, não regredir já é um feito Quarenta milhões passaram a respirar ares de consumo e cidadania após 11 anos de governos progressistas no país. É uma espécie de pré-sal de possibilidades emancipadoras. Como evitar que essa riqueza venha a se perder nesse sorvedouro de futuro escavado por júniores & virgílios ? 

Lula talvez tenha intuído o ponto de esgotamento do cardume ao final da piracema histórica impulsionada pelos grandes levantes operários do ABC paulista, nos anos 70/80. 

Ao final de uma piracema, a 'rodada' do conjunto exaurido leva uma parte à morte; outra se deixa arrastar por correntezas incontroláveis; um pedaço sucumbe a predadores ferozes. 

Lula precisava de um novo e gigantesco laboratório forrado de desafios e recursos para gerar contracorrentes, revigorar, sacudir e renovar a piracema progressista brasileira.

São Paulo tem o tamanho da alavanca necessária para fazer tudo isso e irradiar impulsos talvez tão fortes quanto aqueles derivados das assembleias históricas que dirigiu no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. 

Haddad, os intelectuais engajados, os movimentos sociais e as lideranças mais experientes do campo progressista terão que movê-la a partir de agora e pelos próximos quatro anos.

Está em jogo o próximo ciclo de mudanças da sociedade brasileira. 

Colunistas sabichões dizem que 'se isolarmos São Paulo', Lula fracassou. 

Eles não sabem do que estão falando; apenas ruminam líquidos biliares da derrota na forma de desculpas para a explícita opção pela água parada do elitismo.

Topam um Serra cercado de malafaias & telhadas. Mas abjuram a correnteza de um PT - 'sujo pela história', na sua ótica. Testam versões para abduzir a derrota esmagadora da água podre na figura do delfim decaído, José Serra , em São Paulo. 

Na Folha desta 3ª feira as rugas das noites mal dormidas recebem o pancake daquilo que se anuncia como sendo "uma onda oposicionista que mudou a cara do poder no Brasil".

A manchete traz a marca do jornalismo conservador cada vez mais ancorado em 'pegadinhas' à altura dos petizes que brincam nesse tanquinho de areia tucano. 

Desta vez, a Folha induz o leitor ao erro de considerar 'oposicionista' como de oposição ao governo federal e ao PT. Na verdade, o texto trata das reviravoltas em que prefeitos e seus candidatos foram batidos por adversários locais. 

Mas a isenção se dispensa de fornecer ao leitor o conjunto abrangente que relativiza a parte privilegiada. Aos fatos então: 

a) o PT foi o partido que fez o maior número de prefeitos (15) no segmento de cidades grandes, com 200 mil a um milhão de habitantes; 

b) o PT vai governar 25% do eleitorado nesse segmento; 

c) juntos, os partidos da base federal, PMDB, PSB e PDT, fizeram outros 20 prefeitos nessa categoria das grandes cidades; 

d) vão governar 26% desse eleitorado; 

d) no conjunto, a base federal terá sob administração mais da metade dos eleitores desses municípios.

Os colunistas da Folha exageram nas cambalhotas para induzir o leitor a 'enxergar' como foi horrível o desempenho do partido, 'se excluirmos', dizem eles, a 'vitória isolada' em SP. 

Em eleições anteriores, o esforço era para decepar o Nordeste 'atrasado' do mapa relevante da política nacional e, desse modo, rebaixar a crescente hegemonia do PT. 

Agora que o PT refluiu de fato em capitais do Norte e Nordeste (saldo esse que inspira preocupação) é a vez de desdenhar da vitória na praça paulistana, que reúne 6% da demografia nacional e 11% do PIB. 

A narrativa da vitória 'isolada', como se São Paulo fora um ponto fora da curva no deserto eleitoral petista, não é verdadeira sob quaisquer critérios.

Sozinho, o PT administrará o maior contingente de eleitores de todo o país (1/5 do total) e a maior fatia de orçamentos municipais (22%). 

A vitória em SP tampouco foi um feito solitário no estado-sede do PSDB.

Bombam a derrota em Diadema, mas além da capital, o partido manteve e reforçou o chamado cinturão vermelho. Venceu em Guarulhos, Santo André, Mauá, Jundiaí, S.José dos Campos, Osasco e São Bernardo. 

Nos próximos quatro anos, com uma eleição presidencial pelo meio, o PT governará 45% do eleitorado do Estado de SP, contra 19,3% do PSDB. 

O cardume subsiste numeroso. O que se discute é outra coisa: a qualidade, a força e a direção do impulso que irá dotá-lo de fôlego transformador nos próximos anos. É disso que se trata. E isso é muito mais sério do que as cambalhotas da razão nos tanquinhos de areia do dispositivo midiático conservador.
Postado por Saul Leblon

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