Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 26 de janeiro de 2013

Dilma encontrou seu ovo de Colombo - por Saul Leblon!


Dilma encontrou seu ovo de Colombo - por Saul Leblon, da Carta Maior, 25/01/2013



Um país sobressaltado pelo alarme de colapsos iminentes compõe a tônica das manchetes nos últimos meses. 

O conjunto evoca um ritual de extrema-unção econômica diariamente renovado em torno de um país aos cacos.

A vigília das carpideiras contrasta com o diagnóstico de sinal predominantemente oposto emitido do exterior.

O saldo vai além das palavras. 

Ele se traduz em cifras convencionalmente associadas à credibilidade no potencial econômico de uma nação. 

A sigla do termômetro é IEDI – Investimento Estrangeiro Direto.

A anemia dessa variável costuma ser evocada nas sentenças dos tribunais ortodoxos como a síntese dos pecados da 'macroeconomia populista'. 

A seca de capitais na Argentina, de Cristina Kirchner, por exemplo. Seria uma prova da afronta capital.

Desde que o país impôs um desconto de 70% aos credores externos em 2003, o investimento estrangeiro despencou.

De nada adiantou a economia provar o acerto da destinação de recursos a um sistema produtivo que cresceu 7,5 %, em média, na década seguinte. 

O mercado carimbou o risco-país num patamar 100% superior ao atribuído à Espanha, eviscerada no açougue neoliberal.

O comportamento inverso do capital estrangeiro em relação ao Brasil não tem merecido melhor sorte na mídia.

Ao contrário de ontem, hoje o jornalismo dominante adota critérios próprios para espetar o risco-Brasil.

A pendência entre um olhar e outro acumulou no ano passado a fantástica diferença de US$ 65,3 bi. 

Foi esse o volume do investimento produtivo que ingressou no país em 2012, à revelia das advertências estampadas nas manchetes.

O destaque maior, no entanto, contemplou a fuga do dinheiro especulativo, efetivamente registrada no mesmo período. 

Mas não pela alegada ' incerteza' cravada na ladainha conservadora. 

Desde meados de 2012, o governo elevou o imposto (IOF) sobre o dinheiro 'visitante' e promoveu uma desvalorização cambial da ordem de 30%. 

Cortou em cinco pontos o juro básico, desestimulando operações especulativas de arbitragem (que tomam dinheiro a juro negativo lá fora para aplicar a taxas mais elevadas aqui).

Reverter a espiral que asfixia a industrialização brasileira num torniquete de muitas voltas era o objetivo.

Custos financeiros elevados a inibir a aplicação produtiva, em benefício da obsessão rentista, é uma dessas voltas. Câmbio desfavorável, a penalizar exportações e incentivar importações, outra. (A lerdeza na alavanca do investimento estatal, a desencorajar adicionalmente o setor privado, formaria uma terceira volta, ainda não atacada.)

O passeio do capital que enxerga nações como um pasto de engorda rápida, para desfrute em regime de “self-service”, com acesso livre e custo baixo, foi prejudicado no Brasil.

Fundos especulativos especializados em ações de emergentes reduziram a fatia do país em sua carteira: de 16,7%, em fins de 2009, para 11,6%, em novembro de 2012.

O noticiário econômico reagiu comme il faut: sirenes de alarme soaram logo cedo. 

Plantonistas adestrados nos think tanks da finança global ocupariam uma página inteira na Folha. Alerta máximo: o Brasil está perdendo espaço nos fundos de 'investimento' (os especulativos).

E para o México. O amigável fruto desregulado do Nafta. 

O mesmo México que se notabilizou, conforme estudo da Cepal de 2012, por ter sido o único grande país da América Latina – ao lado da pequena Honduras – a registrar um avanço da fome e da miséria na última década.

Nas entranhas do 'tigre' mexicano, o miserê 'evoluiu' de 12,6% para 13,3%; na 'desvirtuada' Argentina, recuou de 34,9% para 5,7%; e retrocedeu de 37,5% para 20,9% no Brasil de Lula.

Nem mesmo um comunicado elogioso da ONU levou o saldo favorável do investimento estrangeiro no país ao espaço nobre das manchetes.

Algumas chamadas desperdiçadas pelo usucapião do alarmismo:

a) 'Brasil recebe mais capital produtivo que Europa e Japão';

b) 'Brasil é o 4º destino do investimento no mundo' (é também a terceiro prioridade mundial das empresas, conforme a Price Watherhouse);

c) 'Fluxo de investimento cai 18% no mundo; apenas 2% no Brasil' 

d) 'Só EUA, China e Hong Kong superam Brasil em investimento estrangeiro'.

e) 'Brasil recebe mais investimentos do que toda a África'

A ausência desses destaques indica que a Presidente Dilma dará um passo importante na retomada do crescimento se o que fez na última 5ª feira, ao falar em rede nacional sobre a questão elétrica, refletir um novo entendimento do seu governo. 

A oposição que politiza até o serviço de meteorologia acusou o golpe.
Manchetes, colunas e editoriais ressentidos bradaram contra 'a politização da questão tarifária'.

A reclamação procede. 

Mas peca pela incoerência.

Quando oculta a confiança internacional no país e exacerba a incerteza intrínseca ao cálculo econômico, o conservadorismo sabe o que está fazendo.

Está fazendo política econômica. 

Admite implicitamente o que nega seu credo nos mercados racionais e autorreguláveis. Ou seja, que a macroeconomia reúne técnicas úteis à direita e à esquerda. 

Mas o amálgama final é político.

O amálgama da coalizão conservadora é indisfarçável: impedir a retomada do crescimento brasileiro; disso depende sua volta ao poder.

Corroer o grau de confiança nas iniciativas do governo é o atalho mais curto. As incertezas bloqueiam as decisões de investimento.

É política econômica. Ecoada com zeloso alarmismo por editores, colunistas e convertidos de orelhada e holerite.

O saldo desse braço de ferro decidirá a luta pelo poder em 2014. 

Decidirá se haverá mais ou menos empregos; mais ou menos inflação; mais ou menos receita fiscal; mais ou menos recursos para erguer escolas, construir estradas, multiplicar creches, implantar serviços dignos de saúde.

O pêndulo oscila diante de um calendário curto.

O investimento brasileiro patina há cinco trimestres.

Possivelmente, fechou 2012 com desempenho negativo.

Liberações de financiamento do BNDES ao setor produtivo, no entanto, cresceram 12% no ano passado. 

Consultas para empréstimos em 2013 saltaram 60%.

São consultas. 

Dependem de um empurrão para se materializar em fábricas, vagas, salários e oferta anti-inflacionária.

O empurrão não virá dos sinais contraditórios do mercado, ordenados pela coerência editorial conservadora.

O governo Dilma descobriu seu ovo de Colombo na semana que passou.

Inspirou confiança quando saltou o lacre da mídia dominante e falou direto à Nação.

De forma assertiva e clara liquidou a queda de braço em torno da questão tarifária. Escancarou os interesses insuflados na 'emergência elétrica'.

Fez política econômica. 

Um presidente que encontra seu ovo de Colombo não pode mais desperdiçá-lo. Tem obrigação de multiplicá-los. 

No caso, trata-se de um ingrediente decisivo.

Dilma vai precisar de dúzias dele na receita de 2014. 
Postado por Saul Leblon

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