Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 9 de junho de 2013

O que a pesquisa Datafolha sobre o governo Dilma manipulou e o que ela escondeu! - por Daniel Menezes!

O que a pesquisa Datafolha contra Dilma não mostrou e o que inventou - por Daniel Menezes, da Carta Potiguar


Pesquisa Datafolha não perguntou aos eleitores se eles aprovam ou desaprovam o governo Dilma? Tudo indica que sim, mas este dado não foi divulgado. Porque será, hein?

Pesquisa Datafolha mistura avaliar com aprovar e fzz 'o samba da pesquisa doida'.

Há várias maneiras de manipular uma pesquisa de opinião (enviesar perguntas, concentrar a aplicação em determinados grupos sociais ou regionais, etc). 
Mas é preciso também ficar atento ao modo como os números são seletivamente apresentados pela imprensa. É que a manchete e a “análise” acabam por levar o leitor a uma compreensão diferente do que está posto pelos dados. 
Nesse sentido, a sondagem publicada hoje pela Folha, em que a aprovação do governo Dilma cai 8 pontos, é significativa.
Alguns apontamentos:
01 – A pergunta de escala (ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo) não é a mais indicada para medir “aprovação”. Ela serve para “avaliar”. 
Por que ressaltar a diferença? Ora, porque o cidadão pode não está, circunstancialmente gostando do desempenho do governo, mas pode aprovar a presidente. A questão não é só de nomenclatura. 
Avaliar é diferente de aprovar. 
Veja que a confusão conceitual leva a conclusão jornalística de que Dilma está menos “popular” (texto da Folha se encontra depois das minhas ponderações).
Exemplo concreto de como a diferença é importante: Fernando Henrique, durante a sua reeleição, tinha a gestão mal “avaliada”. No entanto, sua popularidade como aquele que seria supostamente o mais capaz para enfrentar a crise de 1998 fez com ele lograsse êxito em sua jornada.
02 – No infográfico do levantamento é possível perceber que dos 8% em queda, 6% saíram do “bom e ótimo” e passaram para o “regular”. Esse movimento é típico do cidadão que assim raciocina: “estou desconfiado em relação a X fatores – daí a queda na avaliação –, mas ainda estou suscetível a aprovar o governo”.
O pequeno revés não pode ser desconsiderado. 
Entretanto, está claro que o eleitor não saiu de sua zona de conforto e ainda elegeria, se a eleição fosse hoje, a candidata do PT.
03 – O levantamento deveria aliar a pergunta de avaliação (ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo) com a de aprovação (aprova ou não aprova). Desse modo, saberíamos se a queda foi de avaliação e/ou de popularidade.
Minha sensação? Penso ser improvável que a pergunta não tenha sido feita. Ninguém aplica uma pesquisa de tamanha magnitude sem empreender um levantamento sobre diferentes aspectos e enfoques, como foi o caso, conforme dados demonstrados sobre percepção do cidadão em relação a outros cenários, corrida eleitoral, etc.
Alias, os jornais tendem a não publicar aquilo que não “consideram” relevante. Quando faço levantamentos, sempre entrego a pesquisa integralmente e é o periódico quem seleciona o que vai entrar na reportagem. 
A linha ideológica do jornal dá o viés de como as estatísticas serão demonstradas. E pelo modo como a Folha sistematicamente pinta o Brasil como sinônimo de caos, acredito que os números bons foram deixados de lado.
As manchetes negativas imperam. Quando algo bom ocorre, o fato positivo é sempre contrabalançado com um “mas” e um evento desabonador depois – exemplo: Brasil melhora nisso, mas isso, isso e aquilo nos mantêm na pior posição e tal…
04 – Diz a Folha: “A presidente perdeu (“)popularidade(“) entre homens e mulheres, em todas as regiões do país, em todas as faixas de renda e em todas as faixas etárias, segundo o Datafolha”.
Qual é a base de tais afirmações (terroristas)?! 
Para isso ocorrer, seria necessário que todas as submudanças regionais, de sexo e de renda ocorressem para além da margem de erro em comparação a um contexto anterior. E é improvável que isso tenha acontecido, dado o revés de 8% (subamostras têm margem de erro maior). É uma fala jogada ao vento sem nenhum embasamento técnico mínimo.
Tanto é que nenhum número foi exposto.
05 – O texto diz ainda: “Os números do Datafolha indicam que a deterioração da imagem de Dilma é um reflexo do aumento do pessimismo dos brasileiros com a situação econômica do país e mostram que a população está mais preocupada com a inflação e o desemprego”.
Acho que estou sendo repetitivo, mas é inevitável: qual a base de tais afirmações?! 
Até acredito na inflação como argumento (a matéria demonstra um dado concreto quanto a inflação), mas não estamos em período de “pleno emprego” e “renda acima da inflação”?!
O que fundamenta análise tão perspicaz?!
AUSÊNCIA DE RIGOR CONCEITUAL
Produzo o meu doutorado sobre o impacto, grosso modo, de pesquisas de opinião e eleitoral. E impressiona o modo descuidado com que o Instituto Datafolha constrói conceitos empregados nas suas sondagens. O assunto é preocupante, pois uma simples palavra trocada/mal situada pode alterar a maneira como o respondente atribuirá uma sentença.
Exemplo prático:
Você é a favor da homossexualidade?
Ou
Você é a favor do homossexualismo?
Em estudo recente, o DataFolha aplicou a segunda indagação. Ora, a noção “homossexualismo”, ao contrário de “homossexualidade”, tem carga valorativa negativa e carrega o estigma de ter sido utilizada no passado como enquadramento patológico das relações homo-afetivas, algo que a Organização Mundial de Saúde já rechaçou.
Em que pese o erro gritante, a Folha de S.Paulo mobilizou alguns colunistas a se prestarem ao vergonhoso papel de defender o uso do abolido termo médico.
CIRCUITO DE LEGITIMAÇÃO
Na década de 1970, o sociólogo Pierre Bourdieu já tinha “cantado a pedra” – a imprensa forma a opinião, repetindo-a pelos mais diferentes caminhos e aspectos (vide o terrorismo contemporâneo no que tange o tema inflação, tecendo comparações esdrúxulas entre o período anterior ao controle inflacionário e o atual) e, ao término, aplica uma pesquisa mostrando a suposta novidade – a “opinião pública existe e tem medo da inflação”.
É por essas e outras que o estatístico americano George Gallup também denominava a pesquisa de opinião como “método de manipulação da opinião pública”.
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