Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

terça-feira, 9 de julho de 2013

A crise do liberalismo no Egito (também) - por Emir Sader!

A crise do liberalismo no Egito (também) - por Emir Sader, do seu blog, na Carta Maior


Egito vive era de forte e crescente instabilidade política e que poderá desembocar numa guerra civil. 

A primavera árabe tinha começado na Tunísia e se estendeu rapidamente ao Egito, derrubando a duas ditaduras com que o “mundo livre” ocidental convivia alegremente, além de financiar substancialmente. (O Egito é o segundo na lista de “ajudas” militares dos EUA, apenas atrás de Israel e na frente da Colômbia.)

Quando Madeleine Albright, então secretaria de Estado dos EUA, pediu eleições democráticas ao então “presidente” Hosni Mubarak, ele retrucou:

– Você quer que a Irmandade Muçulmana ganhe? 

Foi suficiente para que ela mudasse de assunto.

Derrubada a “ditadura” (os governos ocidentais e a mídia passam rapidamente a chamar ex-“presidentes” de ditadores, assim que eles são derrubados), depois de algum desconcerto, para ver no que ia dar, veio a saudação pela chegada da “democracia” e da “liberdade” naquele mundo selvagem, até ali habitado por apenas uma democracia – Israel.

Realizadas as eleições, como se poderia esperar, ganhou a Irmandade Muçulmana. 
Os países ocidentais continuaram a ter acordos militares com o mesmo Exército que havia estado com Mubarak e que agora se somava à “democratização”. Nenhum apoio econômico, não era necessário. 
Segundo o receituário liberal, basta a instalação da democracia liberal para que todos os problemas de qualquer país fossem resolvidos. Porque ao lado da democracia liberal funcionaria o “livre mercado”, motor do desenvolvimento econômico, da modernização e do progresso.

De outra coisa, chamando a atenção para um impasse similar ao que havia vivido a Argélia nos anos 1990. Um governo islâmico aprovou sua Constituição islâmica, que não deixa lugar aos opositores, à diversidade e aos direitos das minorias – ou das maiorias oprimidas, como as mulheres.

Durou um ano o governo de Mursi, em meio à rejeição dos setores laicos – em grande maioria jovens e sindicalistas –, com a situação econômica e social se agravando aceleradamente. A única alternativa que o Ocidente tinha era o FMI à espreita, oferendo recursos em troca de um endurecimento brutal dos gastos estatais, a começar pelos subsídios ao petróleo e ao trigo.

Mursi sabia que seria um apertão impossível a dar em um país em acelerado processo de empobrecimento. A instabilidade política afugentava os turistas – fonte de recursos e de emprego fundamental para o país – somada à recessão europeia e à situação social degringolava, com aumento do desemprego, do desabastecimento e da inflação.

A convergência desses fatores levou às gigantescas manifestações que terminaram com a intervenção militar e a derrubada do governo de Mursi, que não tardou por se enfrentar à mobilização da Irmandade Muçulmana, denunciando a nova ditadura.

Os países ocidentais condenaram a derrubada do governo eleito por processos considerados legítimos, mas logo se somaram ao Exército – seu fiel aliado – e deram diploma de “democrático” ao governo surgido do golpe.

Na Argélia, em 1991 houve eleições abertas e triunfou uma Frente Islâmica, cuja vitória não foi reconhecida pelo Exército – lá também o verdadeiro poder – que promoveu uma das maiores chacinas que a região já conheceu, com centenas de milhares de mortos supostamente ligados aos islâmicos. Proscritos, seguiu-se o regime ditatorial de sempre, sem a força majoritária.

No Egito, nem bem o golpe se consumou, teve início a repressão aos dirigentes da Irmandade Muçulmana, fazendo prever o Exército que pediu para novas eleições seria suficiente para descabeçar a Irmandade. Caso contrário, a ilegalização – como na época de Mubarak – do movimento.

Gente correu a saudar a vitória da “verdadeira” democracia, contra a farsa do ano de governo de Mursi. Tem razões para isso, e basta citar o caráter excludente da nova Constituição. Mas desta vez a intervenção popular, apesar do seu caráter massivo, não teve força para derrubar o governo de Mursi e apelou para o Exército.
O mesmo Exército que havia estado com Mubarak e com Mursi, agora impõe diretamente seu governo. Um Exército com enormes interesses econômicos próprios – conseguiu que o governo de Mursi lhe perdoasse os crimes cometidos durante a ditadura de Mubarak e preservou seu poder total sobre o orçamento da defesa, onde chegam os milionários apoios dos EUA.

Os que apoiaram a queda de Mursi tiveram dificuldade de chamar de ditadura um regime instaurado por um golpe militar. Que, como todos, fala em nome da “salvação nacional”, da “democracia” e estipula prazos para novas eleições.

É mais uma derrota do liberalismo. 
Politicamente, porque seus mecanismos não levaram a democracia ao Egito – nem pelo governo de Mursi, nem pela mão dos militares que o derrubaram. 
Economicamente, porque o livre comércio só acentuou a crise e a miséria da população.

O problema está colocado. 
Perpetuação de novo de um regime militar – aberto ou disfarçado – ou novas eleições, com grande possibilidade de nova vitória da Irmandade Muçulmana.
Postado por Emir Sader 
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