Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 7 de julho de 2013

A 'Veja', o Bolsa Família, a Ditadura Militar e o direito de voto! - por Marcos Doniseti!

A 'Veja', o Bolsa Família, a Ditadura Militar e o direito de voto! - por Marcos Doniseti!

Quem apoiou essas coisas tenebrosas, não deveria poder atuar politicamente num regime democrático. 

O panfleto patético e fascista chamado 'Veja' disse, em seu exemplar defecado, digo, publicado neste final de semana, que as pessoas que recebem o Bolsa-Família não  deveriam poder votar, ficando excluídas do processo político e eleitoral brasileiro, pois o voto delas seria um tipo de 'voto de cabresto', que seria dado a quem criou e implementou o programa, principalmente ao presidente Lula, ao PT e à lideranças políticas apoiados por estes últimos. 

Vejam o que a 'distinta publicação da família Civita' (ironic mode...) sugeriu que fosse perguntado num eventual plebiscito a ser realizado no Brasil:

"9) Você concorda que quem recebe dinheiro do governo federal poderia ter o direito de se declarar impedido de votar por óbvio conflito de interesses?
(Nota do 247: o alvo, explicitado por Veja na reportagem, são os 13 milhões de beneficiários do Bolsa-Família, que “poderão levar em o benefício em conta na hora de votar”)".
E notem que a 'Veja' defende tal absurdo mesmo sabendo que o programa Bolsa-Família é elogiado por inúmeras entidades e organizações internacionais poderosas e influentes, como são os casos da ONU, do Banco Mundial e do FMI. E muitos outros países (cerca de 40) já adotaram programas sociais semelhantes ou mesmo inspirados no Bolsa-Família, que é considerado como um exemplo para o mundo até mesmo pelo respeitado jornal liberal-conservador ianque "The New York Times". 

E mesmo assim a 'Veja' quer proibir os beneficiários do Bolsa-Família de fazer uso do direito de votar, o que é totalmente inconstitucional e anti-democrático, sem dúvida alguma, embora os reacionários iletrados e neofascistas que comandam essa ridícula publicação saibam muito bem disso. 

Além disso, se adotarmos a mesma linha de raciocínio da família Civita, proprietária da Editora Abril e da 'Veja', então a classe média brasileira também deveria ser proibida de votar, pois ela se beneficia de vários abatimentos no momento de declarar e de pagar o Imposto de Renda. 

A classe média paga menos IR graças ao abatimento de despesas com saúde privada, educação privada, previdência privada, com dependentes, etc, caracterizando um verdadeiro 'Bolsa Família' para esse segmento bastante numeroso da sociedade brasileira. 

Logo, a classe média também deveria ser proibida de votar.

Grande parte da população brasileira também se beneficiou, nos últimos anos, em especial durante os governos Lula e Dilma, de isenção de impostos para comprar automóveis, móveis, produtos da chamada 'linha branca' (geladeira, fogão, etc), computadores, entre outros bens de consumo. 

Logo, tais pessoas também deveriam ser proibidas de votar. 

Bancos estão entre os segmentos da sociedade que mais recebem dinheiro público, via juros e amortizações da dívida pública. Logo, os banqueiros também deveriam ser proibidos de votar.
E os beneficiários do programa 'Minha Casa, Minha Vida', também deveriam ser proibidos de votar, pois para viabilizar o mesmo o governo federal reduziu juros, impostos e criou subsídios, a fim de tornar possível que famílias de menor renda pudessem ter condições de comprar uma casa própria. E segundo os dados mais recentes, mais de 1,2 milhão de famílias já foram beneficiadas pelo programa, que puderam comprar a sua tão sonhada casa própria. 

Desta maneira, tais pessoas também deveriam ser proibidas de votar.

Com relação aos empresários privados (inclusive, muitas multinacionais), eles também deveriam ser proibidos de votar, pois já há várias décadas se beneficiam com isenções fiscais e também com empréstimos em condições bastante favoráveis, como aqueles que são concedidos pelo BNDES, que cobra juros reduzidos (a TJLP é de apenas 5% ao ano) e concede longos prazos de pagamento para as empresas que tomam os empréstimos do banco (ESTATAL, não se pode esquecer). 

Segundo dados do próprio BNDES, 64% dos empréstimos concedidos pelo banco estatal nos últimos anos se destinaram à grandes empresas nacionais e multinacionais. 

A Editora Abril, a Globo, a Folha e o Estadão, por exemplo, foram beneficiadas com empréstimos fornecidos pelo BNDES em várias oportunidades (a Globocabo recebeu um empréstimo do BNDES no valor de R$ 284 milhões em 2002, durante o governo FHC) ou então recebem bilhões de Reais anualmente sob a forma de propaganda e de publicidade feitas pelos governantes brasileiros e pelas empresas estatais, de todas as esferas (federal, estadual e municipal). 

A indústria automobilística instalada no país, integralmente controlada pelo capital externo (Volks, Fiat, GM, Ford, Toyota, Renault, Peugeot-Citroen, Kia Motos, Hyundai, etc), foi uma das que mais recebeu empréstimos do banco de fomento brasileiro. Em Julho de 2012, por exemplo, o BNDES liberou um empréstimo no valor de R$ 342 milhões para a Volks alemã produzir, no Brasil, o chamado 'Fusca do século 21'.

E como a 'Veja' diz que quem é beneficiado com o recebimento de recursos públicos não deve ter o direito de votar, então os donos da Mídia brasileira e os grandes empresários privados que atuam no país também deveriam ser proibidos de participar das eleições. 

E os banqueiros brasileiros também deveriam ser proibidos de votar, pois os mesmos recebem mais de R$ 200 bilhões anualmente do Estado brasileiro, sob a forma de pagamento de juros da dívida pública. Nos últimos 12 meses (terminados em Maio de 2013), o Estado brasileiro usou recursos equivalentes a 4,83% do PIB para poder pagar os juros da dívida pública.

E quem recebe tanto dinheiro, assim, do Estado brasileiro também não deveria ter o direito de votar. 


O agronegócio brasileiro recebeu mais de R$ 106 bilhões em empréstimos do governo para a safra 2012-2013. Assim, os seus integrantes também deveriam ser proibidos de votar. 

E os membros do chamado agronegócio brasileiro também deveriam ser proibidos de votar, pois sem os empréstimos com juros subsidiados e em condições favoráveis de pagamento que são oferecidos anualmente pelo governo brasileiro, via Banco do Brasil, eles não teriam como produzir um grão sequer de arroz, feijão, soja, etc. Na safra 2012-2013, o valor total dos empréstimos feitos para a agricultura empresarial ultrapassaram os R$ 106 bilhões. 

Portanto, os grandes empresários agrícolas também deveriam ser proibidos de votar. 

Agora, com tantas restrições, assim, quem é que terá direito de voto no Brasil?

Ninguém, é claro, pois se usarmos o mesmo critério que se aplica aos beneficiários do Bolsa-Família, nenhum brasileiro terá o direito de votar, inclusive os proprietários dos veículos de comunicação, que recebem bilhões de Reais anualmente sob a forma de propaganda e publicidade oficiais e estatais. 

Então, como todos os segmentos da sociedade brasileira, em maior ou menor grau, tem acesso aos recursos públicos, não vejo como se possa usar tal critério para definir quem deveria ter o direito de votar no Brasil, pois se essa ideia fosse colocada em prática o direito de voto deixaria de existir em nosso país. Ninguém mais poderia votar. 

Ninguém!

Distribuição dos recursos gastos pelo governo federal com propaganda nas emissoras de TV em 2012. A Rede Globo foi a maior beneficiária. Logo, a família Marinho não deveria ter o direito de votar, segundo o raciocínio de "Veja". 

Então, seguindo a mesma lógica que está por trás desta 'sensacional' proposta defendida pela reacionária publicação neo-fascista tupiniquim (a "Veja", é claro), venho aqui defender o uso de um critério distinto para reconhecer quem deveria ou não ter o direito de votar no Brasil.

E esse critério deveria ser a posição das pessoas, empresas e dos mais variados segmentos da população em relação à Ditadura Militar de 1964-1985. 

Assim, os grupos empresariais de comunicação de grande porte (Globo, Abril, Folha, Estadão) que apoiaram a Ditadura Militar deveriam ser proibidos de funcionar, pois agora o Brasil é uma Democracia (com defeitos e limitações, mas é uma Democracia). 

E no caso de grupos e classes sociais que também apoiaram entusiasticamente a Ditadura Militar (como foram os casos da Fiesp, Febraban, latifundiários, multinacionais, Igreja Católica, classe média, intelectuais, etc), eles também não deveriam poder atuar politicamente em um regime democrático.

E não podemos esquecer que esses mesmos grupos empresarias de mídia apoiaram o Golpe de 64 e se beneficiaram com a Ditadura Militar, à qual deram uma aprovação entusiástica, inclusive com editoriais. 


Afinal, quem apóia Ditaduras é porque não dá valor nenhum para a Democracia, certo? 

Assim, defendo que a atuação política no Brasil deveria estar restrita às pessoas, movimentos sociais, lideranças, partidos políticos e setores da sociedade brasileira que lutaram contra a Ditadura Militar. 

Afinal, é como dizem: Pau que bate em Chico, bate em Francisco, certo?


Obs: Tributação poderia definir o valor do voto no Brasil, não é mesmo? 



Outra possibilidade é a de que o voto fosse proporcional à tributação que os mais variados segmentos da população sofrem no Brasil. Como a tabela acima, elaborada pelo IPEA, demonstra claramente, as famílias mais pobres são muito mais tributados do que a classe média e do que os mais ricos. 

Vejam que as famílias que ganham até 2 salários mínimos, que são justamente as mais pobres, tem 53,9% da sua renda comprometida com o pagamento de impostos e tributos em geral. Entre as famílias com renda situada entre 10 e 15 salários mínimos, o percentual de tributação é bem menor, alcançando os 33,7%. 

E enquanto os brasileiros mais pobres tem que trabalhar 197 dias para pagar os impostos, esse número cai para 106 dias entre aqueles que ganham mais de 30 salários mínimos mensais. 

Logo, o voto dos mais pobres deveria valer mais do que a dos mais abastados, não é mesmo?


Links:

"Veja" defende seu plebiscito e diz que quem recebe dinheiro público não deveria ter o direito de votar:

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/107692/Veja-prop%C3%B5e-seu-plebiscicto-e-mostra-seu-radicalismo.htm

Presidente do Banco Mundial elogia o Bolsa Família:


FMI: Bolsa Família é exemplo para o mundo:


Secretário-Geral da ONU elogia o Fome Zero e o Bolsa-Família:


The New York Times: Sucesso do Bolsa Família é exemplo para o mundo e já está presente em 40 países:


Paulo Kliass: 64% dos empréstimos concedidos pelo BNDES foram para grandes empresas nacionais e multinacionais:


BNDES libera R$ 342 milhões para a Volks produzir o 'Fusca do século 21' no Brasil:


Vejam 10 itens que podem ser abatidos do Imposto de Renda:


BNDES emprestou R$ 284 milhões para a Globocabo em 2002:


Pagamento de juros da Dívida Pública consumiu 4,8% do PIB nos últimos 12 meses:


Redução de IPI para automóveis, móveis, linha branca:


Desembolsos do BNDES cresceram 12% e atingiram os R$ 156 bilhões em 2012:


Empréstimos para a agricultura empresarial ultrapassaram os R$ 106 bilhões entre 2012-2013:


Minha Casa Minha Vida já entregou mais de 1,2 milhão de casas:

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