Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 19 de outubro de 2013

Rafael Patto - O leilão de Libra e o (quase) triunfo da desinformação!

Rafael Patto - O leilão de Libra e o (quase) triunfo da 

desinformação!





Acho que a lição mais importante que o governo deve tirar de toda essa falsa-


polêmica que tem se produzido em torno do leilão do campo de Libra, marcado para 

depois de amanhã, é a de que é urgente democratizar o acesso aos meios de 

comunicação nesse país. 



As meias-verdades circulam com toda a facilidade desse mundo, desinformando e 


induzindo a população ao engano, ao passo em que o governo não fornece de 

maneira satisfatória a esse debate os dados, os argumentos, as conclusões de 

estudos que sustentam sua visão e justificam sua escolha pelo leilão.



Os principais argumentos contrários ao leilão são frágeis, muito frágeis, além de 


contraditórios.



Frágil ao alegar que o leilão de libra atenta contra a nossa soberania porque o pré-sal, 


segundo a visão dos que afirmam isso, seria ofertado a multinacionais ao invés de 

ser entregue à Petrobras. Primeiramente, é bom que se diga, a Petrobras é uma 

empresa de capital aberto. Estatal, mas de capital aberto. Não vamos nos iludir. Achar 

que o simples fato de a Petrobras explorar sozinha os campos do pré-sal asseguraria 

ao país, à União (ou ao povo brasileiro, como queira) o domínio absoluto do lucro 

dessa atividade é de uma ingenuidade lastimável. Sendo a Petrobras uma empresa 

de capital aberto, para onde esse lucro tenderia a ser canalizado? Para a bolsa de 

valores. Quer dizer, o dinheiro do petróleo sairia diretamente daqui, do fundo do 

nosso oceano, para o bolso dos acionistas da Bovespa, Wall Street etc. etc.



E o que impede que isso aconteça? Regras. Regras claras. A legislação do país que 


trata dessa matéria. O Marco Regulatório do Pré-sal.



Esse Marco Regulatório, elaborado, votado e promulgado durante o governo Lula 


(com Dilma na Casa Civil) é que reserva cotas à União, isto é, assegura que parte do 

petróleo que ainda será extraído seja de propriedade pública, do povo brasileiro, e 

não de acionistas. 



É esse Marco Regulatório também que prevê a participação da Petrobras em todos 

os consórcios que se constituam para atuar nessa empreitada extraordinariamente 

grandiosa da exploração do pré-sal. Ou seja, a Estatal brasileira se fará onipresente e 

será OBRIGATORIAMENTE operadora exclusiva desse negócio gigantesco. 



Teria sido isso, aliás, que afugentou algumas petroleiras que concorreriam nesse 

leilão. É que elas queriam disputar para serem, elas mesmas, as operadoras. Nesse 

caso sim, se o edital do leilão previsse essa possibilidade aí sim o interesse nacional 

seria afetado. 



Mas como o Marco Regulatório do Pré-sal impõe a Petrobras como operadora, temos 

a garantia de que não seremos passados para trás. (A título de comparação, durante 

algum tempo na Argentina, antes da YPF ser reestatizada pela Presidenta Cristina 

Kirchner, as petroleiras internacionais eram operadoras da exploração que elas 

mesmas faziam. E o que ocorria? Elas extraíam, por exemplo, mil barris de petróleo 

por dia e registravam apenas 400. O governo deixava de receber royalties de 600 

barris (números aleatórios e meramente ilustrativos).



Daí eu me pergunto: o que querem os que ficam tentando melar o leilão de Libra? 


Postergar esse importantíssimo evento para tentar realizá-lo futuramente, quem sabe, 

num contexto reformulado que melhor atenda aos interesses das petroleiras 

internacionais no lugar dos do nosso país? Tentar flexibilizar o Marco Regulatório do 

Pré-sal para contemplar as vontades da British Petroleum e da Exxon, que não 

quiseram "brincar" dessa vez, para depois elas virem e jogarem um outro jogo com 

as regras que lhes convenham?



Tudo isso me parece revelador da inconsistência e da fragilidade dos argumentos 


daqueles que defendem a suspensão desse leilão.



Já a contradição se manifesta de uma forma quase patética. Um dos críticos do leilão, 


o professor Ildo Sauer, que foi diretor da Petrobras no governo Lula e hoje debandou 

para a canoa furada da Blablarina Silva, reconhece que a Petrobras não teria dinheiro 

em caixa para arcar com a astronômica despesa das operações do pré-sal e, por 

essa razão, sugere que esse dinheiro seja obtido por meio de empréstimos junto ao 

setor financeiro. Ora, o leilão será feito exatamente para atrair parcerias. Petroleiras 

virão se somar à Petrobras nesse empreendimento. Haverá um grande aporte de 

recursos porque, afinal de contas, é para isso que esse leilão está sendo organizado. 



Essas petroleiras interessadas em participar da exploração do campo de Libra 

injetarão recursos na condição de parceiras da Petrobras, e mais: com a Petrobras 

sendo a operadora, isto é, as outras estarão sob a supervisão da Petrobras.



Segundo os críticos do leilão, isso não pode. É ruim para o país. O que deveria ser 

feito é a Petrobras se encalacrar em dívida e depois pagar os juros dos banqueiros 

com o dinheiro proveniente dos lucros obtidos com o petróleo extraído. Quer dizer: 

aporte com empresas do mesmo segmento não pode, mas com banco pode??? 



Alguém entende a lógica desse raciocínio??? Com o leilão o que acontecerá é uma 

espécie de empréstimo sem juros: haverá entrada de recursos e essa injeção de 

"ânimo" não será feita como empréstimo, mas sim como parceria, isto é, as empresas 

correrão o risco também. Sem o leilão, o que se sugere é que a Petrobras contraia 

empréstimos, se endivide e corra sozinha todos os riscos. Onde é que as pessoas 

enxergam interesse nacional aí???



Não é a exclusividade da Petrobras que atende ao interesse nacional e assegura a 

nossa soberania. O que atende ao interesse nacional é a saúde financeira do 

empreendimento e sua sustentabilidade. Só assim o dinheiro que se produzir poderá 

chegar aonde deve chegar: na saúde e educação públicas. Além disso, como já foi 

dito, a Petrobras é uma empresa de capital aberto. O que assegura a nossa soberania 

são as amarrações legais que estabelecem as regras dessa exploração e partilha dos 

lucros. Essa amarração está feita pelo Marco Regulatório do Pré-sal, e esse Marco 

Regulatório está sendo aplicado ao leilão. Pronto.



Tudo isso exposto, retomo o tópico inicial deste texto: que fique a lição para o 


governo. É preciso urgente democratizar o acesso aos meios de comunicação, pois, 

enquanto a mídia desse país estiver sob domínio exclusivo dos que jogam contra o 

patrimônio, teremos mais desinformação e tumulto de idéias do que informação e 

esclarecimento. O Marco Regulatório das Comunicações é tão fundamental à nossa 

soberania e à nossa democracia quanto o Marco Regulatório do Pré-sal. Não 

podemos continuar descuidando disso.


Link:

https://www.facebook.com/rafael.patto.1?fref=ts



Nenhum comentário: