Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 17 de novembro de 2013

A falta de votos da Direita, as Esquerdas Radicais, o Golpe de 64 e os Governos Lula-Dilma - por Marcos Doniseti!

A falta de votos da Direita, as Esquerdas Radicais, o Golpe de 64 e os Governos Lula-Dilma - por Marcos Doniseti!


Lula e Dilma promoveram melhorias que beneficiaram dezenas de milhões de brasileiros, que passaram a ter emprego com carteira assinada, acesso ao crédito, ao consumo e a bens e serviços que antes nem sonhavam que poderiam usufruir.



Um dos principais argumentos usados pelos reacionários e direitistas estúpidos para justificar o Golpe de 1964, que derrubou o governo legítmo e constitucional de João Goulart, era a de que havia muita corrupção no país, que Jango estava conduzindo o Brasil para o Comunismo e que a baderna havia tomado conta do país.

Para mim, todo esse papo de 'comunismo', 'corrupção', 'baderna' é tudo conversa fiada para boi dormir. Até porque nada contribui mais para a expansão do comunismo do que a miséria da população. John Kennedy sabia disso, aliás. E por isso ele criou a 'Aliança para o Progresso'.  

Quanto à corrupção, nenhuma força política e social organizada é mais corrupta do que a Direita. Basta ver o verdadeiro festival de corrupção que tivemos durante a Ditadura Militar (1964-1985), por exemplo, para confirmar isso. 

Tivemos tanta roubalheira durante o periodo da Ditadura Militar que inúmeras obras faraônicas iniciadas pela mesma nunca ficaram prontas (9 Usinas Nucleares, Transamazônica, Ferrovia do Aço) ou somente ficaram prontas após o fim da Ditadura (exemplo: Usina Hidrelétrica de Itaipu). 


Ditadura Militar investiu cerca de US$ 30 bilhões no projeto nuclear e não conseguiu concluir nenhuma usina em 21 anos. Haja incompetência e corrupção. 

Quanto à baderna, grande parte desta foi criada pelas próprias forças golpistas. Elas criaram a baderna no país (infiltrando agentes provocadores em movimentos sociais) e depois a usaram como pretexto para o Golpe.

Qualquer semelhança com os Black Blocs e assemelhados não é mera coincidência.

Diogo Costa resumiu bem, em seu texto, quando disse que:

"O golpe de 64 foi 'preventivo', foi utilizado para barrar o avanço das forças populares que só faziam crescer, de forma ininterrupta, desde 1946. E é injustificável sob qualquer ponto de vista por onde se queira analisá-lo.".

E como seria possível, para as forças mais conservadoras, barrar esses processo cada vez mais forte de lutas populares se:

1) Não havia apoio político e nem popular suficiente para se promover um processo de Impeachment contra Jango, que era um presidente bastante popular e cujas 'Reformas de Base' tinham a simpatia de, pelo menos, 80% dos brasileiros da época?

2) Em eleições diretas, previstas para Novembro de 1965, os grandes favoritos eram JK e Jango? E depois deles vinha Brizola. Somente daí é que apareciam Lacerda, Adhemar de Barros...

Já imaginaram se Jango, mesmo não sendo candidato, decidisse apoiar JK ou mesmo Brizola? A derrota da Direita na eleição presidencial de Novembro de 1965 estava mais do que garantida, portanto. 

Aliás, já nas eleições parlamentares de 1962 (nas quais a CIA e o governo dos EUA injetaram muitos milhões de dólares para eleger políticos conservadores e direitistas) o PTB tinha sido o partido que mais crescera, elegendo quase o mesmo número de deputados federais que o PSD. 

E a UDN estava em franco processo de enfraquecimento (qualquer semelhança com o que ocorre, hoje, com o PSDB-DEM-PPS também não é mera coincidência). 

Vendo que caminhavam, inevitavelmente, para sofrer mais uma derrota fragorosa na eleição presidencial de 1965, as Direitas apelaram para o Golpe de Estado, oras.

Afinal, quem não tem voto (seja popular ou no Parlamento) apela para Golpes. 

Agora, o Golpe era inevitável? O Golpe em si, era, pois o mesmo já havia sido tentado anteriormente em 1954, 1955, 1956, 1959 e em 1961 e já tinha sido decidido e vinha sendo planejado pelo governo John Kennedy desde 1962. E após o assassinato de Kennedy o seu sucessor, Lyndon Johnson, deu sequência aos planos golpistas contra Jango.

Mas entendo que a vitória do Golpe somente se deu porque as Esquerdas Radicais da época (CGT, UNE, Ligas Camponesas, PTB Brizolista) atuaram no sentido de enfraquecer o governo Jango. E conseguiram. E foi isso que abriu caminho para a vitória do Golpe. 

Obs: Qualquer semelhança com o que o PSOL-PSTU tentam fazer, hoje, com o PT-Lula-Dilma também é não é mera coincidência. 

A diferença é que, felizmente, atualmente as Esquerdas Radicais tem uma penetração ainda reduzida junto aos movimentos sociais e aos trabalhadores e a sua expressão política e eleitoral ainda é ridícula (quando comparada com a do PT-PCdoB, por exemplo) para que possa ter maior impacto sobre os destinos do país. 

Já no período 1961-1964 essas mesmas Esquerdas Radicais vinham se fortalecendo bastante, tanto na sua influência juntos aos movimentos sociais (sindicatos, estudantes, camponeses, intelectuais), bem como também estava crescendo política e eleitoralmente. As Esquerdas Radicais daquele período, embora tivessem outro projeto de Nação (o que as Esquerdas Radicais de hoje sequer possuem, limitando-se a praticar um lacerdismo neo-udenista de quinta categoria), eram muito mais fortes e influentes na sociedade do que as atuais. 


Movimentos sociais tiveram um cresimento expressivo durante o periodo 1945-1964. O Golpe de 64 e a implantação da Ditadura Militar tiveram neles os seus principais alvos. 

Quando chegou às vésperas do Golpe, o fato é que Jango não era mais a principal liderança política e popular junto aos movimentos sociais organizados, mas ele ainda era o político progressista (Trabalhista e Nacionalista) mais popular do país. 

Mas sem uma base política própria e organizada, que fosse suficientemente forte para promover as 'Reformas de Base' de maneira legal e constitucional (que era o grande objetivo de seu governo), Jango ficou sem sustentação popular organizada que pudesse levar o seu governo a bom termo. E isso na verdade não apenas inviabilizou o projeto Janguista (promover as 'Reformas de Base' dentro do marco legal da época), como abriu caminho para a sua derrubada por forças das Direitas Golpistas. 

Aliás, pesquisas feitas na época, pelo Ibope, mostravam que a estratégia Janguista era a preferida da maioria absoluta da população brasileira. Esta apoiava as 'Refomas de Base' de forma maciça (em torno de 70% a 80% concordavam com elas), mas queriam que elas fossem feitas dentro da lei. E era exatamente isso que Jango queria. 

Porém, a estratégia das Esquerdas Radicais era outra: 'Reformas de Base na Lei ou na Marra' era o seu lema. Tal política tornou-se a preferida dos movimentos sociais organizados e dominados pelas Esquerdas Radicais (estudantil, camponês, intelectuais, sindical), mas não encontrava apoio junto à maioria da população, que discordava do processo de radicalização promovido pelas mesmas. A imensa maioria dos brasileiros apoiava a estratégia janguista (Reformas dentro da Lei). 

Assim, por exemplo, a defesa do fechamento do Congresso Nacional e a sua substituição por uma Assembleia Constituinte exclusivamente formada pelos esquerdistas e nacionalistas radicais, era a grande bandeira de luta das Esquerdas Radicais. Mas tal ideia era repudiada pela imensa maioria da população.

Daí, ficamos na seguinte situação: Um presidente da República muito popular, afinado com a vontade da maioria absoluta da população (que desejava as 'Reformas de Base'), mas que não tinha mais a liderança junto aos movimentos sociais organizados.


Reforma na Lei ou na Marra: Esse era o lema fundamental das forças esquerdistas radicais no período 1961-1964. Mas a maioria da população brasileira não concordavam. Daí, os movimentos sociais se afastaram da população, facilitando a vitória dos Golpistas em 1964.

E, simultaneamente, tínhamos movimentos sociais organizados promovendo uma estratégia de crescente radicalização em defesa das 'Reformas de Base', mas que não tinha apoio popular mínimo para levar adiante tal política. 

Com isso, entendo que surgiu uma espécie de 'vazio de poder' na República Democrática brasileira da época, com um Presidente da República popular, mas que não mais governava (suas ordens não eram mais obedecidas por vários dos seus ministros, que eram ligados às Esquerdas Radicais), e Movimentos Sociais radicalizados que haviam se tornado hegemônicos dentro das forças progressistas do período, mas que haviam se distanciado muito da vontade da maioria da população, que repudiava a radicalização defendida pelos mesmos. 

Foi nessa situação de 'vazio de poder' que as Direitas Golpistas aproveitaram erros brutais cometidos pelas Esquerdas Radicais, como a de apoiar movimentos de insubordinação dentro das Forças Armadas (o que jogou a imensa maioria da oficialidade, que era legalista até aquele momento, no braços das Direitas Golpistas) para derrubar um Presidente que não mais governava, embora fosse muito popular e estivesse afinado com a vontade da maioria dos brasileiros de sua época. 

Felizmente, hoje, as forças das Esquerdas Radicais não tem sequer uma fração mínima daquela que os grupos esquerdistas e nacionalistas radicais do período 1961-1964 possuíam. Digo felizmente porque, se isso acontecesse, não tenho a menor dúvida de que o Presidente Lula sequer teria concluído o seu primeiro mandato.

No fim das contas, foi a manutenção do apoio popular organizado (sindical, camponês, estudantil, sem-teto, LGBT, negro, mulheres, etc), junto com a simpatia pelo governo por parte da 'maioria desorganizada' da população (o subproletariado que odeia baderna e bagunça, como diz o André Singer em seu estudo 'Os Sentidos do Lulismo'), que fez a diferença em favor de Lula e que faz o mesmo, agora, em benefício do Governo Dilma. 


Embora fosse um Presidente com elevado índice de aprovação popular, Jango ficou sem movimentos sociais organizados que pudessem dar sustentação à sua política de promover as 'Reformas de Base' dento do marco legal e constitucional da época. Infelizmente.


Lembro de uma entrevista concedida pelo Tasso Jereissatti, meses após a decisão da oposição de não pedir o Impeachment de Lula (optando por fazer o governo deste 'sangrar'), na qual ele explicava o porque eles haviam feito isso (não pedir o Impeachment de Lula) e a resposta dele foi bem esclarecedora: É que não havia apoio popular, de fato, para tal iniciativa. 

E na verdade, reconhecia Tasso na entrevista, entre os mais pobres o Presidente Lula mantinha-se extremamente popular. E ele concluía que se a oposição conservadora pedisse o Impeachment de Lula, os pobres nunca os perdoariam. 

Tasso reconhecia que a oposição jamais voltaria a ganhar uma eleição (presidencial, é claro), já que os mais pobres são a maioria da população e eles ficariam com ódio pelo fato deles, oposição conservadora, derrubarem um governo que, no fim das contas, beneficiava os segmentos mais pobres da população com uma combinação de políticas de inclusão social (Bolsa Família, Luz Para Todos, ProUni), geração de empregos com carteira assinada, aumento real de salário mínimo, entre outras. 

Desde tempos imemoriais que o país não tinha um governo que olhasse para os mais pobres, e que adotasse políticas que os beneficiavam e, agora que isso acontecia, derrubavam esse governo? Isso era demais para a oposição, por mais que esta desejasse propor o Impeacment de Lula. 


Onde termina Lula e onde começa o Povo? Vá saber... O apoio decisivo dos mais pobres deu ao Presidente Lula as condições para resistir à ofensiva golpista da Direita Reacionária, se reeleger em 2006 e ainda conseguir eleger Dilma em 2010. 

Então, que a história sirva de lição e que as Esquerdas, os movimentos sociais e os partidos e lideranças progressistas brasileiras não se esqueçam de uma frase que era dita e pichada nos muros das cidades chilenas durante o governo de Salvador Allende, que era: 'Este governo pode ser uma merda, mas é meu!'. 

E penso que os governos de Lula e Dilma estão, de fato, muito, mas muito longe, mesmo, de serem 'uma merda'. 

Suas realizações na área social, por exemplo, são muito mais significativas do que as de qualquer governo brasileiro do período pós-Golpe de 64. Redução da taxa de desemprego pela metade, inflação controlada (está em 6% ao ano, em média, desde 2005), aumento do poder de compra do salário mínimo em mais de 70%, geração de 20 milhões de empregos com carteira assinada, redução da concentração de renda (medida pelo índice de Gini) para o menor patamar da história do país, são algumas das principais realizações de ambos. 

E mesmo os governos anteriores (Vargas, JK e Jango) a este, embora tenham tido realizações impressionantes na área econômica-industrial, não conseguiram promover, em momento algum, benefícios sociais tão amplos quanto os que os governo de Lula e Dilma já conseguiram. 

As leis trabalhistas da época, por exemplo, que foram uma grande e fundamental conquista dos trabalhadores (e após décadas de luta pela criação das mesmas) nunca chegaram a beneficiar a maioria absoluta dos trabalhadores, pois elas ficaram restritas aos trabalhadores urbanos, que eram uma minoria da população, visto que a maior parte dos brasileiros ainda vivia na área rural (a população urbana somente superou a rural em 1965, após o Golpe que derrubou Jango, portanto).


O ProUni já beneficiou mais de 1.700.000 estudantes que, de outra maneira, não teriam como cursar uma faculdade.
E quando o governo Jango decidiu levar adiante um processo de inclusão social e política em beneficio dos trabalhadores rurais (criando o Estatuto do Trabalhador Rural, estimulando a sindicalização dos trabalhadores do campo - o que resultou na criação de mais de 1500 sindicatos de trabalhadores rurais durante o seu governo) o mesmo foi derrubado pelos golpistas direitistas e que incluía entre os seus principais segmentos os... latifundiários, é claro. 

Então, as realizações dos governos Lula-Dilma (redução da pobreza e da miséria, melhoria da distribuição de renda, política externa soberana, fortalecimento da integração latino-americana, melhoria substancial da situação econômica e financeira do país, etc) não devem ser negligenciadas. 

Quem não valoriza o que já conquistou, e por mais que ainda tenha que ser feito no país para oferecer uma vida digna a todos os brasileiros, acaba ficando sem nada. 

Assim, a Luta Continua!

Link:

http://jornalggn.com.br/noticia/sobre-as-teses-dos-golpistas-de-64

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