Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Afinal, porque o Banco Central aumentou a taxa Selic para 8% ao ano? - por Marcos Doniseti!

Afinal, porque o Banco Central aumentou a taxa Selic 

para 8% ao ano? - por Marcos Doniseti!

Tombini e Mantega: Dupla afinada em defesa de uma mesma política econômica, pró-crescimento, com distribuição de renda, controle da inflação e equilíbrio das contas públicas e externas. 

Resumindo:
O que aconteceu é que a prioridade da política econômica mudou devido à necessidade de se reduzir o déficit externo, que cresceu fortemente neste ano, chegando a 4,28% do PIB entre Janeiro e Abril. 

E para viabilizar isso é necessário manter a inflação controlada, pois teremos uma desvalorização do Real nos próximos meses a fim de estimular as exportações, reduzir as importações (que serão substituídas pela produção nacional) e diminuir os gastos de turistas brasileiros no exterior. 

E sempre que a moeda nacional se desvaloriza, surgem pressões inflacionárias. Guido Mantega e Alexandre Tombini sabem disso e decidiram se antecipar ao problema.

O que acontece é que o governo Dilma decidiu combater essas pressões inflacionárias desde já, se antecipando ao problema, num ato de prevenção.

O resto é bobagem de quem não entende coisa alguma sobre Economia!


Quem quiser saber mais a respeito do assunto, leia isso aqui, por favor:


Links:

Aumento da taxa Selic - São as contas externas, estúpido!

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2013/05/governo-dilma-aumento-da-taxa-selic-sao.html

Tombini confirma: Era do crescimento puxado pelo consumo das famílias acabou:

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2013/05/tombini-confirma-era-do-crescimento.html

Tombini confirma: Era do crescimento puxado pelo consumo das famílias acabou! Prioridades são os investimentos produtivos e as exportações! - por Marcos Doniseti!

Tombini confirma: Era do crescimento puxado pelo consumo das famílias acabou! Prioridades são os investimentos produtivos e as exportações! - por Marcos Doniseti!

Presidente do Banco Central confirma análise feita por este modesto blogueiro a respeito da mudança de rumo na política econômica do governo federal


Entrevista de Alexandre Tombini para a 'Folha' confirmou análise deste modesto blogueiro: Crescimento do país, agora, será puxado pelos investimentos produtivos e pelas exportações. 
Ontem eu publiquei aqui neste modesto blog a informação de que o aumento da taxa Selic sinalizava, claramente, uma mudança na política econômica do governo Dilma e que uma das mudanças implicaria num menor ritmo de crescimento do consumo e dos gastos das famílias e que o crescimento econômico passaria a ser puxado pelo aumento dos investimentos produtivos e das exportações. 

E hoje a 'Folha' publica uma entrevista com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, onde ele confirmou o que eu disse. Ele também comentou a respeito de mudanças na política cambial do governo para estimular as exportaçõs no seguinte trecho da entrevista:

Folha - O ministro Guido Mantega disse que a alta de dólar não preocupa, pelo contrário, é boa para as exportações. O BC tem a mesma visão?

Tombini - Esse é um processo global de valorização do dólar, vamos ver onde vai parar. O repasse do câmbio para inflação é moderado num regime de câmbio flutuante.

Notem que, claramente, Tombini disse a mesma coisa que Guido Mantega já havia afirmado nesta semana, ou seja, que o Banco Central não irá intervir no mercado de câmbio a fim de impedir uma eventual valorização do dólar (e que já começou). 

E Tombini, inclusive, minimizou os efeitos inflacionários de uma desvalorização mais forte do Real, dizendo que eles são moderados quando existe um regime de câmbio flutuante. 

Assim, há uma linha bem definida de política econômica, neste momento, e que é sustentada pela equipe econômica do governo Dilma. Esta consiste em reduzir a inflação, desestimular o consumo e os gastos das famílias, estimular os investimentos produtivos, permitir uma razoável desvalorização do Real a fim de estimular as exportações, reduzir importações e diminuir os gastos de turistas brasileiros no exterior. 

Assim, será possível reduzir fortemente o déficit nas contas externas, que cresceu significativamente no primeiro quadrimestre de 2013, atingindo os 4,28% do PIB, que é o grande objetivo do governo Dilma para este ano, sem dúvida alguma. 

Na verdade, o que Tombini está dizendo é que os efeitos inflacionários são moderados porque, se isso não se confirmar e a inflação crescer além do previsto, o BC tomará medidas para derrubá-la, intervindo no mercado de câmbio, por exemplo. 

Tombini diz isso porque, afinal, ele está 'sentado' sobre uma montanha de quase US$ 375 bilhões em reservas internacionais líquidas que poderão ser utilizadas justamente para impedir uma desvalorização muito mais forte do Real do que a prevista ou desejada pelo governo federal.

A entrevista de Tombini também demonstra que ele e o ministro Guido Mantega estão totalmente afinados em torno da política econômica. O que um fala, o outro confirma e reforça. 

Portanto, entramos numa nova fase da economia brasileira a partir de agora. 


Links:

Consumo não será mais o carro-chefe do crescimento, diz Tombini:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/05/1287581-consumo-nao-sera-mais-o-carro-chefe-do-crescimento-diz-presidente-do-banco-central.shtml

Aumento da taxa Selic - São as contas externas, estúpido! - por Marcos Doniseti!

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/05/governo-dilma-aumento-da-taxa-selic-sao.html

IGP-M aponta inflação de 0% em Maio e a Grande Mídia esconde a informação! - por Marcos Doniseti!

IGP-M aponta inflação de 0% em Maio e a Grande Mídia esconde a informação! - por Marcos Doniseti!

IGP-M acumulado em 12 meses caiu de 7,3% para 6,22%, mas essa informação também foi omitida pela Grande Mídia! 

Taxa de inflação despencou, mas a Grande Mídia esconde a informação do público a fim de desinformá-lo e fazer terrorismo a favor dos juros escorchantes. 

Uma notícia divulgada pela Grande Mídia nesta semana mostra o quanto ela adora esconder as boas notícias a respeito do país, em especial sobre a economia brasileira.


A FGV divulgou que a taxa de inflação, medida pelo IGP-M, do mês de Maio foi de 0%. 


Isso mesmo. E a Grande Mídia não deu destaque algum para essa informação. 

Porque?


Simples: É que a Grande Mídia está, há vários meses, fazendo uma campanha brutal para convencer os brasileiros de que a inflação está crescendo rapidamente e que para combatê-la é necessário que o Banco Central aumente rápida e fortemente as taxas de juros.


Afinal, a Grande Mídia e o sistema financeiro são muito próximos, tanto quanto unha e dedo. 


Os grandes grupos empresariais de comunicação do país (Globo, Veja, Folha, Estadão) participam intensamente desta campanha e com isso eles tratam de esconder da população toda e qualquer informação que vá contra os seus interesses políticos e midiáticos. 


E uma destas informações é a de que há vários meses os índices de inflação estão apontando para uma queda sensível da mesma.  


E a queda da inflação foi tão forte que chegamos a um índice de 0% para o IGP-M de Maio. 


Mas como é que essa informação foi divulgada? Em nenhum site de notícias da Internet eu vi a notícia de que a inflação de Maio tenha sido de 0%, segundo o IGP-M. 


E como eles conseguiram fazer isso? Divulgando outro número no lugar, que é o da inflação acumulada em 12 meses. E mesmo neste caso, foi escondida a informação de que essa também caiu sensivelmente. 

Então, vejamos como alguns sites divulgaram essa notícia:

1) Do R7:  Aluguel com aniversário em junho fica 6,22% mais caro

Índice que corrige a maioria dos contratos de locação fechou sem variação em maio

2) Do G1: Preço do tomate cai, e índice que reajusta aluguel fica estável em maio

Tomate ficou 14,06% mais barato para o consumidor. Em 12 meses até maio, o IGP-M acumula alta de 6,22%.



3) Do UOL: Aluguel - Inflação medida pelo IGP-M acumula alta de 6,22% em 12 meses:


http://economia.uol.com.br/noticias/infomoney/2013/05/29/aluguel-inflacao-medida-pelo-igp-m-acumula-alta-de-622-em-12-meses.htm


4) Do Estadão: Índice de reajuste do aluguel fica estável em Maio


Após a alta de 0,15% registrada em abril, o IGP-M, divulgado pela FGV, não variou neste mês


http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-brasil,indice-de-reajuste-do-aluguel-fica-estavel-em-maio,154968,0.htm

Notem que nestes quatro grandes sites de notícias NENHUM deles disse, claramente, que a inflação em Maio tinha fechado em 0%. E a maneira que eles encontraram para esconder isso foi a de dizer que a inflação tinha ficado 'estável' e a de informar a taxa de inflação anual, acumulada em 12 meses, que ficou em 6,22%. 

O que a Grande Mídia não informou, no entanto, é que até o mês anterior, Abril-2013, a inflação acumulada em 12 meses estava em 7,3%. Assim, por este critério, a taxa de inflação também teve uma queda sensível, de 7,3% para 6,22% em 12 meses. 

Mas a Grande Mídia também se 'esqueceu' de informar a população a respeito disso. 
Vejam que, até Abril deste ano, a inflação em 12 meses estava em 7,3% pelo IGP-M. Agora, em Maio, este índice caiu para 6,22%. Mas essa informação também não foi divulgada pela Grande Mídia. 


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Crescimento econômico no 1o, trimestre de 2013: Brasil ficou atrás apenas da China, Japão e Coréia do Sul! - por Marcos Doniseti!

Crescimento econômico no 1o. trimestre de 2013: Brasil 

ficou atrás apenas da China, Japão e Coréia do Sul! - por 


Marcos Doniseti!


(atualizado às 11hs00 do dia 31/05/2013)

Economia brasileira acelerou o seu ritmo de crescimento a partir do 4o. trimestre de 2012. 
Vejam algumas taxas de crescimento econômico de inúmeros países pelo mundo afora neste primeiro trimestre de 2013. Notem que o Brasil não ficou mal na comparação, não:

Crescimento Econômico no 1o. trimestre (anualizado) pelo mundo afora:
China - 7,7%;

Índia - 5%;
Japão/Coréia do Sul - 3,5%;
Brasil - 2,4%;
México - 2%;

EUA - 1,8%;
Reino Unido - 1,2%;
Alemanha - 0,4%;
França - (-) 0,8%;
Itália/Espanha - (-) 2%;
Zona do Euro - (-) 0,8%;
União Européia - (-) 0,4%;


PIB do Brasil foi o 5o. que mais cresceu no Mundo no 1o. trimestre de 2013, ficando atrás apenas da China, Índia, Japão e Coréia do Sul. 

Crescimento trimestral no período Janeiro a Março de 2013:
China - 1,6%;

Índia - 1,2%;
Japão/Coréia do Sul - 0,9%;
Brasil/EUA - 0,6%;
México - 0,5%;
Reino Unido - 0,3%;
Alemanha - 0,1%;
Holanda - (-) 0,1%;
União Européia - (-) 0,1%;
França - (-) 0,2%;
Portugal - (-) 0,3%;
Itália/Espanha - (-) 0,5%.
Economia da Zona do Euro mergulha na recessão. Região já possui mais de 19 milhões de desempregados. 
Links:

PIB no 1o. trimestre de 2013: Crescimento do Brasil é inferior apenas ao do Japão e ao da Coréia do Sul:


BRICS: Crescimento do PIB brasileiro supera o da Rússia e se iguala ao da África do Sul no 1o. trimestre de 2013:


Brasil cresce 0,6% no 1o. trimestre de 2013 (2,4% ao ano):


PIB da China cresceu 1,6% no 1o. trimestre de 2013:


Economia mundial no 1o. trimestre de 2013: EUA crescem 2,4%; China cresce 7,7% e Japão cresce 3,5%:


PIB da Zona do Euro tem queda de 0,2% no 1o. trimestre de 2013:


PIB da Coréia do Sul cresceu 0,9% no 1o. trimestre de 2013:

BC aumenta juros básicos da economia pela segunda vez seguida, para 8% ao ano!

BC aumenta juros básicos da economia pela segunda vez seguida, para 8% ao ano - da Agência Brasil, 30/05/2013

Guido Mantega e Alexandre Tombini atuam de forma conjunta de maneira a combater o déficit externo e manter a inflação sob controle. 
Por unanimidade, Copom aumentou a taxa em 0,5 ponto percentual. Comitê acredita que decisão contribuirá pra colocar a inflação em declínio

Brasília – Pela segunda vez seguida, o Banco Central (BC) reajustou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano. “O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”, informou o Copom em comunicado na quarta-feira 29.
Em abril, o Copom iniciou um novo ciclo de alta nos juros básicos, depois de quase dois anos sem aumento, e os elevou para 7,5% ao ano. Desde agosto de 2011, a taxa Selic vinha sendo reduzida sucessivamente, até atingir 7,25% ao ano em outubro de 2012, o menor nível da história. Nas três reuniões seguintes, em novembro de 2012, janeiro e março deste ano, o Copom optou por não alterar a taxa.
A taxa Selic é o principal instrumento do BC para manter a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dentro da meta estabelecida pela equipe econômica. De acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação corresponde a 4,5% (centro da meta), com margem de tolerância de dois pontos percentuais, podendo variar entre 2,5% (piso da meta) e 6,5% (teto da meta).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde julho do ano passado, o IPCA acumulado em 12 meses vem subindo. Em março, o índice acumulado chegou a 6,59% e ultrapassou o teto da meta de inflação do governo, que é 6,5%. Em abril, a inflação oficial em 12 meses recuou um pouco, para 6,49%.
Por outro lado, o aumento da taxa Selic prejudica o reaquecimento da economia, que cresceu apenas 0,9% no ano passado e ainda está sob o efeito de estímulos do governo, como desonerações e crédito barato. Hoje, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, teve alta de 0,6% de janeiro a março na comparação com o trimestre anterior. O número veio abaixo das previsões do mercado, que apostava em expansão de 0,9% no trimestre. Em 12 meses, a expansão chega a 1,2%.
Usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), a taxa Selic serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la, o Banco Central contém o excesso de demanda, que se reflete no aumento de preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle sobre a inflação.
Links:

Banco Central eleva a taxa Selic para 8% ao ano:

Governo Dilma - Aumento da taxa Selic: São as contas externas, estúpido! - por Marcos Doniseti!

Governo Dilma - Aumento da taxa Selic: São as contas externas, estúpido! - por Marcos Doniseti!

(atualizado às 20h12 do dia 30/05/2013)


Tudo indica que Mantega e Tombini devem ter começado a agir de maneira conjunta a fim de combater o déficit externo, que cresceu fortemente no 1o. quadrimestre de 2013, atingindo os 4,28% do PIB. 

Governo Dilma muda a política econômica e permite desvalorização do Real para melhorar contas externas!

O aumento da taxa Selic para 8% ao ano é uma vacina preventiva para combater inflação que poderá ser gerada por uma nova rodada de desvalorização do Real

As mais recentes decisões econômicas do governo Dilma apontam, claramente, a meu ver, para uma mudança de rota na política econômica do governo. E entendo que esta mudança ainda não foi claramente percebida pelos economistas, nem pela mídia e, logo, também pela opinião pública. 

Até recentemente a maior preocupação do governo federal era promover a retomada do crescimento econômico, depois que o Brasil teve um crescimento de meros 0,9% do PIB em 2012, embora o quarto trimestre do ano passado já apontasse para uma retomada, mostrando um crescimento trimestral de 0,6% e anualizado de 2,5%. 

Penso que essa meta, de promover a retomada do crescimento econômico, não foi, abandonada, mas a maneira como isso será alcançado foi alterada, sim. E é isso que irei procurar demonstrar neste texto. 

Antes, o governo Dilma estava preocupado em estimular os investimentos produtivos e o consumo interno, tomando uma série de medidas para atingir a estes objetivos, como a redução da taxa Selic para 7,25% ao ano, as desonerações da folha de pagamento que beneficiaram inúmeros e importantes segmentos da economia, a elevação das tarifas de importação de produtos industrializados, a redução das tarifas de energia elétrica (que tiveram uma redução média de 15,1% em Fevereiro deste ano), bem como a redução de impostos para segmentos como o de automóveis, móveis, entre outros. 

Mas os péssimos resultados das transações correntes (contas externas) do país nos primeiros quatro meses deste ano provocaram uma mudança de prioridades na política econômica do governo Dilma. O crescimento econômico perdeu, mesmo que temporariamente, a condição de problema principal a ser resolvido pelo governo Dilma e em seu lugar entrou o combate ao déficit externo. 

Neste primeiro quadrimestre de 2013, o déficit externo ficou em 4,28% do PIB, o que é muito alto. E o acumulado em 12 meses já atingiu os 3,04% do PIB. Isso significa que os números de 2013 estão bem piores do que os do ano passado. Este aumento de 2,4% para 4,28% do PIB no déficit externo representa um aumento de 78% em relação ao desempenho do ano passado. Isso significa, claramente, que está acontecendo uma rápida deterioração da situação das contas externas do país e é claro que o governo Dilma não pode ignorar o problema (este, aliás, foi o grande erro do governo FHC na política econômica... Ele foi empurrando o problema com a barriga e, como resultado, colheu 3 maxidesvalorizações durante o seu governo: em 1999, 2001 e em 2002). 


Mantega, Miriam e Tombini: Aumentos dos investimentos produtivos e crescimento das exportações deverão ser os novos sustentáculos do crescimento da economia brasileira daqui em diante. 

Mas, que fique bem claro: O Brasil ainda está longe de ser atingido por uma nova crise das contas externas, como aquelas que tivemos no governo FHC em três oportunidades (em 1998-99, 2000-01 e em 2002), e que acabaram provocando três processos de maxidesvalorização do Real, aumento da inflação, arrocho salarial, recessão, desemprego elevado, aumento da pobreza e da miséria. 

E isso acontece porque, até o ano passado, as contas externas brasileiras ainda estavam em uma situação tranquila e estável, com o déficit externo tendo ficado em apenas 2,4% do PIB e que era financiado sem maiores dificuldades. 

Além disso, temos quase US$ 375 bilhões em reservas internacionais líquidas e que poderão ser usadas pelo governo Dilma justamente para combater qualquer sinal de crise mais grave na área cambial. 

Mas o problema se agravou e é preciso combatê-lo com todas as forças, sem dúvida alguma.  Afinal, como muitos economistas dizem: 'Crise inflacionária aleija. Crise cambial mata'. 

Daí, como o governo Dilma reagiu a este novo contexto?

Simples: Permitindo que tenhamos uma maior desvalorização do Real, o que tornará as exportações brasileiras mais competitivas, desestimulará as importações (que, assim, serão parcialmente substituídas pela produção nacional) e que também deverá diminuir os gastos de turistas brasileiros no exterior. 

Com isso, a cotação do dólar chegou a R$ 2,11 nos últimos dias e tal fato ocorreu sem que o governo federal ou o Banco Central tenham tomado qualquer medida para coibir essa desvalorização do Real. 

Aliás, os gastos dos brasileiros no exterior também tiveram um crescimento expressivo nos últimos anos, o que fez com que eles superassem os US$ 22 bilhões durante todo o ano de 2012. E nos primeiros quatro meses de 2013 estes gastos já ultrapassaram os US$ 8,1 bilhões, batendo novo recorde para o período. 

Outro caso de piora nas contas externas brasileiras ocorreu na balança comercial do país, que acumulou um déficit superior a US$ 6,1 bilhões entre Janeiro e Abril deste ano, algo inédito na economia brasileira. Esta deterioração da balança comercial se deu em função de um forte aumento das importações e de uma queda das exportações, algo que não acontecia há muitos anos. 

Este rápido crescimento das importações foram impulsionadas pela manutenção do crescimento econômico do Brasil, que nos últimos anos está sendo puxado pelo aumento do consumo das famílias, bem como pelo fato de que os governos de todas as grandes economias do mundo promoveram fortíssimas maxidesvalorizações das suas moedas nos últimos anos (caso da China, EUA, UE, Zona do Euro, Japão, etc), barateando fortemente os preços de seus produtos. 

Com isso, grande parte do aumento do consumo das famílias brasileiras se deu com a aquisição de produtos (industrializados, principalmente) que são fabricados com um grande número de peças, componentes e de matérias-primas importadas. 

Assim, o crescimento do consumo pelos brasileiros, principalmente de produtos industrializados (automóveis, computadores, celulares e smartphones, tablets, produtos eletroeletrônicos, etc) se fez de maneira que o aumento da produção e a geração de empregos se dava não no Brasil, mas nas economias dos países que haviam adotado políticas agressivas de estímulo á exportação (principalmente o famigerado dumping cambial) a fim de sair da gravíssima crise econômica e social que eles enfrentam e que ainda estão distante de conseguir superar. 

Simultaneamente, as grandes economias que respondem pela maior parte das compras de produtos brasileiros passaram por um rápido processo de desaceleração do seu crescimento econômico. Este é o caso da China, por exemplo, que crescia quase 12% ao ano no 2o. trimestre de 2010 e que, agora, cresce num ritmo de 7,7% ao ano. 


O rápido crescimento da China, grande consumidora de commodities exportadas pelo Brasil, mudou a composição da pauta de exportações brasileiras. 

A  América Latina foi outra região que também passou a crescer bem menos nos últimos anos, o que agravou o quadro econômico nos países da região, como é o caso da Argentina, por exemplo, onde a aquisição de dólares pela população foi restringida pelo governo de Cristina Kirchner. E a região é, simplesmente, a que mais importa produtos industrializados brasileiros. 

Outras grandes economias mundiais passam por um quadro grave de recessão, como é o exemplo da Zona do Euro, cujo PIB caiu 0,6% em 2012 e que deverá enfrentar uma nova queda, de 0,4%, em 2013, segundo estimativas da própria Comissão Européia, ou por um processo de estagnação (EUA, Japão). 

Desta maneira, as exportações brasileiras ficaram, ao mesmo tempo, mais caras do que as dos outros países (pois a desvalorização do Real não acompanhou a das moedas dos outros países: Euro, Dólar, Iene, etc) e ainda passaram a sofrer com a a desaceleração e a retração das economias que são justamente os seus maiores mercados de exportação (China, América Latina, EUA, Zona do Euro e Japão, ou seja, o mundo inteiro). 

E com essa desaceleração da economia mundial, os preços dos principais produtos de exportação do Brasil diminuíram, notadamente os das commodities. 

Logo, criou-se uma situação na qual as importações continuaram crescendo rapidamente (pelos motivos expostos acima) e as exportações do país começaram a diminuir. E é isso que explica esse déficit comercial de US$ 6,1 bilhões que o Brasil acumulou entre Janeiro e Abril deste ano.

Somente em Maio é que tal situação começou a ser revertida, com o Brasil acumulando um superávit comercial de US$ 1,5 bilhão nas quatro primeiras semanas do mês. Com isso, o déficit comercial acumulado até o momento caiu para US$ 4,6 bilhões e o mesmo deverá ser revertido nos próximos meses, que são aqueles nos quais se concentram as exportações do agronegócio brasileiro, que é o mais competitivo do mundo e cuja produção, em 2013, baterá todos os recordes históricos, ultrapassando os 184 milhões de toneladas de grãos. 

E isso irá contribuir, é claro, para reduzir o déficit externo do país nos próximos meses. 

Porém, mesmo que isso aconteça, é necessário que o governo Dilma tome medidas para promover uma redução permanente, e não apenas temporária, do déficit externo do país. 

E é nesta situação que se compreende a decisão do Banco Central de permitir uma desvalorização mais forte do Real, bem como as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que isso é algo positivo para a economia do país. 

Afinal, uma desvalorização mais forte do Real irá estimular as exportações, promoverá uma redução das importações (com parte delas sendo substituídas pela produção nacional, gerando empregos dentro do Brasil e não no exterior) e também irá diminuir os gastos de turistas brasileiros no exterior, que atingiram um patamar inédito em 2012 e também, agora, nos primeiros meses de 2013, como já vimos aqui. 

Tudo isso ajudará, sem dúvida alguma, a manter as contas externas do país equilibradas. Porém, uma maxidesvalorização do Real, que poderia chegar a um patamar de R$ 2,20 ou mesmo R$ 2,30 por Dólar, promoveria pressões inflacionárias, daí gerando a necessidade de se elevar a taxa Selic. 


A respeito desta nova política cambial que o governo Dilma está implementando, neste momento, vejam o que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta semana quando a cotação do Dólar chegou a R$ 2,11:
1) A valorização da moeda norte-americana "não é uma preocupação para o governo e que o câmbio não será usado como ferramenta para combater a inflação";
2) "A maioria das moedas estão se desvalorizando. Não é preocupação para o governo. Havendo a desvalorização do real, ficamos mais competitivos", afirmou Mantega;
3) A flutuação da moeda, "com a menor intervenção possível" por parte do governo, resultará em um equilíbrio de mercado que é favorável ao balanço de pagamentos do Brasil".
As declarações de Guido Mantega deixam muito claro essa mudança de prioridades na política econômica do governo Dilma, com a redução do déficit externo tomando o lugar do crescimento econômico como a maior preocupação do governo federal. 

E é neste sentido que o aumento da taxa Selic desempenharia um papel importante, pois reduziria o ritmo de crescimento da economia, permitindo que a taxa de inflação ficasse dentro das metas determinadas pelo CMN (com a inflação ficando próxima ao teto, de 6,5% ao ano, pelo menos). 


Déficit externo cresceu nos últimos anos e em 2013 já ultrapassou os 4,2% do PIB no 1o. quadrimestre. Medidas do governo para combatê-lo para começaram a ser executadas. 

Embora o aumento da taxa Selic não seja a única medida que o governo pode tomar para combater a inflação, entendo que a mesma parte de um conjunto mais amplo de medidas destinadas a, prioritariamente, reduzir o déficit externo do país. 

E isso se faria ao mesmo tempo em que o governo continua agindo no sentido de promover o crescimento dos investimentos produtivos.

Com isso, o governo Dilma, caso seja bem sucedido, conseguirá atingir um objetivo que é extremamente difícil, ou seja, reequilibrar as contas externas do país, principalmente através de uma maxidesvalorização cambial, sem que isso provoque uma explosão inflacionária e gere uma recessão, o que iria aumentar o desemprego, a pobreza e a miséria no país.  

Caso esta política atinja os seus objetivos, então daqui em diante o crescimento da economia brasileira seria obtido como resultado não do aumento do consumo das famílias que é financiado (tais como as viagens dos turistas brasileiros ao exterior), em última caso, pela entrada de investimentos externos produtivos no país (que é o cenário que tivemos nos últimos anos), mas da elevação dos investimentos produtivos e do crescimento das exportações, que seria financiado, em grande parte, com recursos próprios, com capital nacional, portanto. 

E para fazer tudo isso é necessário aumentar a taxa de poupança interna brasileira, que é muito baixa, para o que uma moderada elevação da Selic poderia contribuir, neste momento, porque isso torna a Caderneta de Poupança mais atraente para a população, reduzindo o ritmo de crescimento do consumo interno. 

Mas é claro que um aumento mais consistente da taxa de poupança interna exigirá medidas muito mais fortes por parte do governo Dilma do que essa. 

Depois que conseguir resolver essas dificuldades momentâneas na área do déficit externo, o aumento consistente da taxa de poupança interna deveria ser a próxima grande prioridade do governo federal. Com isso, não dependeríamos mais tanto da atração de capitais externos para sustentar o crescimento da economia brasileira. 

E neste sentido, uma agressiva política comercial de estímulos às exportações também deveria entrar na pauta da política econômica nacional, incluindo novas rodadas de desvalorização controlada do Real e que seria praticada durante vários anos, até o que a cotação da moeda nacional tornasse a produção industrial do país novamente competitiva no cenário mundial. 

Com isso, conseguiríamos reverter o processo de desindustrialização que atingiu alguns segmentos da economia brasileira. 

Mas é claro que tudo isso não é tarefa para ser levada adiante em pouco mais de um ano e meio de governo, mas ocuparia grande parte das atenções de um segundo mandato da Presidenta Dilma. 

E Dilma deveria deixar bem claro, já durante a campanha eleitoral de 2014, que um segundo mandato dela caminharia nessa direção. 

Assim, esse aumento de 0,5% na Selic, que subiu de 7,5% para 8% ao ano nesta semana, já seria parte integrante desta nova política econômica que tem como prioridade, a partir de agora, a redução do déficit externo, cujo crescimento se deu de maneira muito rápida nos primeiros quatro meses deste ano. 

E como a redução da taxa Selic nos últimos meses ocorreu de maneira significativa, com a taxa Real de Juros caindo para algo próximo a 0% ao ano (antes deste aumento, a taxa Selic estava em 7,5%, enquanto que a inflação acumulada - pelo IPCA, estava em 6,5% ao ano), o governo Dilma tem uma certa margem de manobra nesta área. 

Aliás, no mês de Maio deste ano o IGP-M da FGV apontou inflação de... 0%. Isso mesmo. E a inflação acumulada nos últimos 12 meses, pelo IGP-M, caiu para 6,22%, abaixo do teto da meta (que é de 6,5% ao ano). 

Logo, pode-se concluir que existe uma folga para se realizar um ajuste na cotação do câmbio, promovendo-se uma desvalorização mais acentuada do Real em 2013. 

Agora, e mesmo após a elevação da taxa Selic para 8% ao ano, se descontarmos a inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses (6,49%; IPCA), a taxa REAL de juros brasileira está em 1,5% ao ano, o que ainda é uma das menores da história do país. 

Com certeza, os investimentos produtivos, que estão sendo fortemente estimulados pelo governo Dilma, proporcionam aos empresários um retorno muito maior do que esses 1,5% ao ano que se obtém ao se comprar títulos da dívida pública. 

Além disso, os índices de inflação mais recentes (IGP-M, IGP-DI) mostram uma queda sensível da taxa de inflação mensal e, caso esta queda continue, é bem possível que a Selic volte a ser reduzida, em 2014, caso as medidas para se promover a redução do déficit externo gerem os resultados esperados pelo governo federal. 


Queda do ritmo de crescimento da economia chinesa derrubou o crescimento da economia brasileira, latino-americana e mundial. 

Portanto, este ano deverá ser usado pelo governo Dilma para se levar adiante uma política econômica centralizada na necessidade de se reduzir o déficit em transações correntes, cujo rápido crescimento acendeu uma luz amarela para o Brasil, tal como afirmou o economista da UFRJ Victor Leonardo de Araujo. 

Links:
Contas externas brasileiras - Sinal amarelo:
Déficit nas contas externas chega a 4,28% do PIB no 1o. quadrimestre de 2013:
Déficit nas contas externas chega a 3% do PIB em 12 meses:
Mantega diz que desvalorização do Real ajudará a tornar exportações brasileiras mais competitivas e irá melhorar a situação do Balanço de Pagamentos:
Tarifa de energia elétrica teve redução média de 15,1% em 2013:
Cotação do Dólar atinge os R$ 2,11:
Banco Central eleva a taxa Selic para 8% ao ano:
Balança Comercial do Brasil até a 4a. semana de Maio:
Produção de grãos no Brasil irá ultrapassar os 184 milhões de toneladas em 2013:
Produção de soja do Brasil e da Argentina, somadas, já representa mais da metade da produção mundial.

Economia da Zona do Euro caiu, 0,6% em 2012 e deverá sofrer nova queda de 0,4% em 2013:
Dani Rodrik: Era do crescimento econômico acelerado acabou:
Gastos de turistas brasileiros no exterior ultrapassam US$ 8,1 bilhões no 1o. quadrimestre de 2013:
Gastos de turistas brasileiros no exterior batem recorde e ultrapassaam os US$ 22,2 bilhões em 2012:
Crescimento do PIB brasileiro ficou em 0,6% no 1o. trimestre de 2013:
Desoneração da folha de pagamento reduzirá arrecadação do governo federal em R$ 35 bilhões em 2013-2014:
Déficit em transações correntes do Brasil fechou 2012 em 2,4% do PIB:
Governo Dilma prorroga redução do IPI para automóveis até o final de 2013:
Na Zona do Euro, o número de desempregados já ultrapassou os 19 milhões. 
Reservas Internacionais Líquidas do Brasil estão em US$ 374,8 bilhões:
Desemprego na Zona do Euro cresce e atinge 12,1% em Março:

O tempo das revoluções simultâneas - Por Wanderley Guilherme dos Santos!

O tempo das revoluções simultâneas - Por Wanderley 
Guilherme dos Santos, cientista político, do O Cafezinho, 
via Blog do Nassif
Wanderley Guilherme dos Santos: Bandeiras da oposição tornaram-se obsoletas.  E 14 das 50 maiores obras do planeta estão sendo realizadas no Brasil.
A Lei de Responsabilidade Fiscal de Fernando Henrique Cardoso foi um dos últimos atos da república oligárquica brasileira, atenta à estabilidade da moeda e fiadora de contratos. Necessária, sem dúvida, mas Campos Sales, se vivo, aplaudiria de pé em nome dos oligarcas. Mas já não ficaria tão satisfeito com que o veio a seguir. 
Depois de promover drástica rearrumação nas prioridades de governo, o presidente Lula instaurou no país uma trajetória de crescimento via promoção social deixando para trás, definitivamente, a memória de Campos Sales e de seus rebentos tardios. 
Milhões de famílias secularmente atreladas às sobras do universo econômico foram a ele integradas como ativos atores e consumidores. 
Desde agora, para desgosto de alguns e expectativa de todos os demais, a história do Brasil não se fará sem o concurso participante do trabalho e das preferências desse novo agregado a que chamamos de povo.
Com Dilma Rousseff instalou-se a desordem criadora, aquela que não deixa sossegada nenhuma rotina nem contradição escondida. Não há talvez sequer um segmento da economia, dos desvãos sociais e das filigranas institucionais que não esteja sendo desafiado e submetido a transformação. 
Da assistência universal à população, reiterando e expandindo a trilha inaugurada por Lula, à reformulação dos marcos legais do crescimento econômico, à organização da concorrência, à multiplicação dos canais de troca com o exterior, ao financiamento maiúsculo da produção, aos inéditos programas de investimento submetidos à iniciativa privada, a sacudidela na identidade nacional alcança de norte a sul. A cada mês de governo parece que sucessivas bandeiras da oposição tradicional tornam-se obsoletas. Já eram.
O tempo é de revoluções simultâneas, cada qual com seu ritmo e exigências específicas, o que provoca inevitáveis desencontros de trajetos. Uma usina geradora de energia repercute na demanda por vários serviços, insumos, mão de obra, criando pressões, tensões, balbúrdias. 
Li em Carta Maior (9/4/13) que a Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção informa que, no Brasil, convivem hoje 12.600 obras em andamento e agendadas até 2016. 
Ainda segundo a mesma fonte, das 50 maiores obras em execução no planeta, 14 estão sendo realizadas no país. Claro que os leitores não serão informados pela mídia tradicional. 
A monumental transformação do país, que não precisa apenas crescer, mas descontar enorme atraso histórico, produz entrechoques das dinâmicas mais díspares, o que surge, na superfície, como desordem conjuntural. É, contudo, indicador mais do que benigno. Mas disso os leitores só são informados em reportagens e manchetes denunciando o que estaria sendo o atual desgoverno do país. Qual…
Os melhores informativos do estado geral da nação encontram-se nos portais do IBGE, do IPEA e afins. Os antigos jornalões apequenaram-se. São, hoje, nanicos.
Wanderley Guilherme dos Santos é cientista político. Ás quintas, publica a coluna Cafezinho com Wanderley Guilherme.
Link:

PIB da zona euro recuou 0,2% no primeiro trimestre!

PIB da zona euro recuou 0,2% no primeiro trimestre - do Público, 15/05/2013 


Crescimento modesto na Alemanha e recessão em França 

e Itália agravaram número


A recessão continuou a afectar a zona do euro no primeiro trimestre, com o Produto Interno Bruto a diminuir 0,2%, anunciou, nesta quarta-feira, o Eurostat, o instituto de estatísticas da União Europeia numa estimativa inicial.

Este resultado é pior do que o esperado: a maioria dos analistas consultados pela Dow Jones Newswires previam uma queda de 0,1%, depois de este ter caído 0,6% no quarto trimestre de 2012.

Mas esta previsão começou a revelar-se demasiado optimista quando, esta manhã, os gabinetes de estatística de vários países da zona euro revelaram os seus números de crescimento, que mostram uma recuperação modesta na Alemanha, com um pequeno aumento de 0,1% do PIB no primeiro trimestre. Os analistas esperavam melhor da maior economia da Europa, apontando para um crescimento de 0,3%.

Por sua vez, a França está oficialmente em recessão: o PIB da segunda maior economia da zona do euro caiu 0,2% no primeiro trimestre, após uma contração de magnitude semelhante no último trimestre de 2012.

O Produto Interno Bruto italiano caiu 0,5% nos primeiros três meses de 2013, depois de ter contraído 0,9% no último trimestre de 2012. O país está em contracção há sete trimestres consecutivos, o que faz com que esta seja a mais longa recessão desde 1970, data dos primeiros registos trimestrais.

A zona euro, que entrou em recessão no terceiro trimestre de 2012, registou assim a sua quarta queda trimestral consecutiva do PIB.

Em relação a toda a União Europeia, o PIB caiu 0,1% em relação ao trimestre anterior, segundo o Eurostat. Em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o PIB diminuiu 1,0% na zona euro e 0,7% na UE.

Enquanto isso, os Estados Unidos viram o seu PIB crescer 0,6% no primeiro trimestre de 2013, depois de um ligeiro aumento de 0,1% no quarto trimestre de 2012.

Segundo o Eurostat, o maior crescimento do PIB registou-se na Lituânia (1,3%) e Letónia (1,2). Segue-se a Hungria (0,7), o Roménia (0,5) e o Reino Unido (0,3). Com fraco ou nenhum crescimento estão, além da já referida Alemanha, a Bélgica (0,1), a Bulgária (0,1), a Polónia (0,1) e a Áustria (0,0).

Já em terreno negativo, juntando-se a Portugal, França e Itália, ficaram Chipre (-1,3%),  Estónia (-1), República Checa (-0,8), Espanha (-0,5), Holanda (-0,1) e Finlândia (-0,1). Não há dados para a Grécia.


Crise económica estende-se para o leste.


Os países da Europa Central e de Leste estão a ser gradualmente apanhados pela crise e alguns dos ex-campeões do crescimento como a Polónia e Estónia estão em desaceleração, enquanto a República Checa entra em recessão.

O produto interno bruto (PIB) na Polónia, um dos pesos pesados da região aumentou apenas 0,1% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior. Um número particularmente baixo para um país que estava em recuperação económica impulsionada pelos fundos comunitários.

A Polónia, com os seus 38 milhões de habitantes, é de longe a maior economia entre os países ex-comunistas que aderiram à UE e o único entre os 27 que continuou a crescer durante a crise que surgiu em 2008. "A economia polaca atravessa agora uma fase de desaceleração", disse Monika Kurtek, economista-chefe do Banco Pocztowy.

Ao longo de 2012, a Polónia viu o seu PIB crescer 1,9%, contra 4,5% em 2011."Esperamos uma melhoria na segunda metade do ano, desde que, no entanto, haja uma recuperação da actividade económica nos mercados que absorvem as exportações polacas", disse Ludwik Kotecki, economista-chefe do Ministério das Finanças polaco.

Fortemente dependente das exportações para os países da zona euro e da Alemanha em particular, a economia polaca poderia crescer 1,3% este ano, segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional. Uma perspectiva agora contrariada pelos números do Eurostat para a zona euro e Alemanha.

Largamente dependente da produção e exportação de automóveis, a economia checa está a afunda-se na maior recessão de sua história moderna. No primeiro trimestre, o PIB caiu 0,8%, o sexto trimestre consecutivo de declínio. "Os números do primeiro trimestre foram claramente uma decepção", disse Tomas Vlk, analista da banco Patria Finance. A maioria dos analistas esperavam uma queda de apenas 0,1%.

"A recessão da economia checa não está perto do fim, antes pelo contrário, está pior", alertou Petr Dufek, analista do banco CSOB. Membro da UE desde 2004, mas não na zona euro, a República Checa entrou em recessão no final de 2011. Em 2012, o PIB caiu 1,2%, depois de subir 1,9% em 2011.

A vizinha Eslováquia, um membro da zona euro e outro dos países cuja economia depende fortemente de produção de veículos e electrónica, desacelerou, com o PIB a subir 0,3% no primeiro trimestre quando comparado com o trimestre anterior. Ao longo de 2012, o PIB da Eslováquia cresceu 2,0%, após um aumento de 3,2% em 2011.

A Estónia, o último país que entrou na zona euro, que pulava à frente da UE com um crescimento recorde de 8,1% em 2011, começa a ver uma sobra sobre as suas perspectivas económicas. O PIB dos países bálticos caiu 1,0% no primeiro trimestre e a taxa de desemprego está a subir novamente para 10,2%, após 9,3% no último trimestre de 2012.

Numa base anual, o crescimento é de apenas 1,0% no primeiro trimestre, depois de ter crescido 3,2% em 2012.

Na Letónia, que espera aderir à zona euro em Janeiro de 2014, o crescimento desacelerou para 1,2% no primeiro trimestre, após atingir 5,6% em todo o ano passado, o melhor resultado dentro da UE.

No entanto, a "boa notícia vem da Hungria e Romênia", disseram os analistas da Capital Economics. A Hungria saiu da recessão que a atingiu em meados de 2012, com um aumento de 0,7% do PIB no primeiro trimestre de 2013 enquanto a Romênia viu o seu PIB crescer 0,5%.