Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O golpe está sendo televisionado - por Maria Luiza Quaresma Tonelli!

O golpe está sendo televisionado - por Maria Luiza 

Quaresma Tonelli, da sua página no Facebook

As SA, tropas de assalto nazistas, também faziam isso.


Acabo de ler uma entrevista com o cientista político Francis Dupuis-Déri, Professor da Universidade de Québec em Montreal (Uqam), no Canadá. Na entrevista ele responde a perguntas sobre os Black Blocs. Vamos lá.

Segundo Dupuis-Déri, Black Bloc não é um movimento; é simplesmente uma tática, um modus operandi, uma maneira de se organizar dentro de uma manifestação. Vestem-se de preto “para garantir certo anonimato” e usam a bandeira preta, símbolo do anarquismo. 


Bem, como assim “anonimato” se podem ser identificados pela roupa preta e pela bandeira símbolo do anarquismo? Se querem garantir anonimato individual e não como grupo (já que se definem como “tática”) e se a maioria dos black blocs desfilam com calma nas manifestações, como diz o entrevistado, não precisariam esconder a cara, pois não? 

Além do mais, a Constituição federal do nosso país garante a liberdade de expressão e a livre associação, mas diz que não é permitido o anonimato. É bom lembrar que não vivemos mais num Estado de exceção. 

Quanto ao surgimento dos black blocs, explica que surgiram por volta de 1980, na Alemanha Ocidental e que, como “tática”, apareceu dentro de um movimento chamado “Autonomen” (Autônomo), que organizava centenas de ocupações políticas contra energia nuclear, contra os neonazistas, etc. 


Como “tática”, os Black Blocs ganharam visibilidade por causa da cobertura midiática nas manifestações antiglobalização de Seattle, nos Estados Unidos, em 1999. E daí para frente a “tática” black bloc, se espalhou pelo ocidente por ser facilmente reproduzível. 

Segundo o cientista político, muitos Black Blocs consideram que a ideologia neoliberal e o capitalismo são responsáveis pelas desigualdades, injustiças e a destruição do planeta. Por causa disso, as pessoas estão revoltadas e consideram que já não basta se manifestar pacificamente: "é preciso perturbar e reagir quando a polícia ataca o povo". 


No que se refere à ideologia, diz que não existe “um” black bloc, mas sim “os” black blocs, que são distintos em cada manifestação e, por isso, quem mais participa desses grupos são anarquistas, anticapitalistas, feministas radicais e ecologistas. Para ele, os black blocs são geralmente compostos por indivíduos com uma “forte consciência política”. 

É verdade que a ideologia neoliberal e o capitalismo são responsáveis pelas desigualdades, injustiças e a destruição do planeta. Aliás, não há ideologia neoliberal “e” capitalismo. O neoliberalismo "é" o capitalismo elevado à enésima potência. Por isso ele é a causa das desigualdades e injustiças. E tal como fênix, sempre renasce das cinzas. 


Portanto, falar em “crise” do capitalismo é uma contradição em termos. O capitalismo é a crise. Vive de crises, sobrevive às crises e tira proveito das crises. Nesse sentido, as crises não são e nunca foram um problema para ser resolvido pela economia, mas pela política. 

Ao capitalismo interessa submeter a política ao poder econômico. Quanto menos Estado, maior a força econômica. O capitalismo rentista é um jogo planetário perverso que precisa ser vencido pela política e pelos homens de boa-fé, de boa vontade e de disposição para a luta. 

Nada mais disparatado, portanto, do que dizer que o capitalismo precisa ser “humanizado”. Trata-se de um verdadeiro nonsense. O capitalismo não existe para o homem; ele se serve do homem, trata-o como mercadoria. É regido pela lógica do lucro no reino global do mercado. 

Assim como o homem é o cerne da política, o capital é o cerne do capitalismo. Não há espaço no capitalismo para a solidariedade social. Tudo é visto pela lógica do lucro. Tirar vantagem de tudo é a palavra de ordem. 

Então, que “forte consciência política” é essa dos black blocs que acreditam na possibilidade de destruir o capitalismo quebrando símbolos capitalistas, como agências bancárias, concessionárias de automóveis, estabelecimentos comerciais em geral? Ora, símbolo é a representação de algo. Representar é tornar presente o que está ausente.

É preciso muita ingenuidade e falta de maturidade para achar que destruir agências bancárias é o mesmo que destruir o capitalismo. Ele continua lá onde está, firme e forte, e ainda lucra com o caos. Quem quiser se assegurar disso, sugiro a leitura do livro A Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo de Desastre, onde Naomi Klein descreve como as empresas aproveitam dos desastres naturais, das guerras ou outros choques culturais para avançar políticas de liberalização econômicas.

“É preciso perturbar e reagir quando a polícia ataca o povo”, diz o cientista político canadense, referindo à estratégia black bloc. Pelo que consta, todas as vezes que a polícia enfrentou os Black Blocs nas manifestações ocorridas no Brasil foi por causa de atos de vandalismo iniciados por eles. 


Onde estavam os Black Blocs quando a polícia de Geraldo Alckmin atacou o povo do Pinheirinho, tirando mais de 1.200 famílias de suas casas em pleno amanhecer de um domingo de janeiro? Delas tudo foi tirado: suas casas foram destruídas. Foram escorraçadas de suas residências praticamente com a roupa do corpo. Tiraram-lhes até a própria dignidade. Onde estão essas pessoas hoje? Alguém tem ao menos curiosidade de saber o que mudou em suas vidas? Como estão e em condições se encontram? O povo do Pinheirinho, por acaso, desapareceu? Não 
têm uma história? 

Dupuis-Déri diz que, pelo fato de os Black Blocs serem reconhecidos principalmente pela aparência, pela roupa preta, fica fácil imitá-los deturpando o movimento, ou a “tática” blackbloqueana. Ou seja, admite que haja infiltrados. Se é assim, por que admitem que vândalos se misturem a eles? Quem com os porcos se mistura farelo come, diz o ditado. 


Afirma que no Ocidente, a repressão da polícia contra movimentos sociais progressistas vem crescendo nos últimos 15 anos. Ora, não precisamos dos black blocs para nos “salvar” da criminalização dos movimentos sociais. Sabemos muito bem que é da natureza do capitalismo neoliberal e das classes dominantes criminalizar movimentos sociais. 

Aliás, qualquer manifestação legítima é criminalizada, pois para os neoliberais a democracia não é o regime dos conflitos, mas exclusivamente o regime da lei e da ordem. A “tática” black bloc, se querem ser assim chamados, só contribui para que uma sociedade conservadora, autoritária e hierarquizada como a nossa coloque as manifestações legítimas e os atos de vandalismo no mesmo balaio pedindo que algum governante vocacionado para o autoritarismo coloque “ordem na casa” e sabemos muito bem onde isso pode chegar. 

Romanticamente, muita gente vem fazendo um paralelo entre os black blocs e o ludismo do século 19 e Dupuis-Déri diz que isso é possível. Ora, o ludistas eram conhecidos como os “quebradores de máquinas”. 


O ludismo foi um movimento contrário à mecanização do trabalho proporcionado pelo advento da Revolução Industrial. Qual eram as condições do século 19? É intelectualmente desonesto fazer tal paralelo. 

Black Blocs querem ser os “destruidores” do capitalismo tal como os ludistas eram os “destruidores de máquinas”, que substituíam o homem no trabalho. Não é honesto querer “destruir o capitalismo” sem querer saber quais as condições de trabalho dos que fabricam os IPods, notebooks, e IPads dos quais os Black Blocs certamente não abrem mão. 

Nem se interessam em saber das condições em que se encontram os que fabricam os tênis que calçam para ir às manifestações para ajudar a minar a democracia. Querer “destruir” o capitalismo sem abrir mão do desfrute de seus produtos é próprio de quem quer ficar mesmo só na destruição dos seus símbolos, para promover o caos instalado no país. 

E sabemos muito bem a quem isso interessa. Já tem apresentador de TV, que é concessão pública, gritando em alto em bom som que isso não é democracia, mas anarquia. 

Diante disso tudo que estamos vendo só há duas alternativas: ou ficamos de braços cruzados enquanto o golpe está sendo televisionado, ou abrimos uma verdadeira cruzada em defesa da democracia. Escolho a segunda.

Link:

https://www.facebook.com/marialuiza.quaresmatonelli/posts/456255581159909?comment_id=2413824&offset=0&total_comments=3&notif_t=feed_comment_reply

Os bois peidam muito, prejudicando a natureza e, por isso, o leite e a carne deveriam ficar bem mais caros, diz assessor econômico de Marina Silva! - por Marcos Doniseti!

Os bois peidam muito, prejudicando a natureza e, por isso, o leite e a carne deveriam ficar bem mais caros, diz assessor econômico de Marina Silva! - por Marcos Doniseti!


Como os bois peidam muito, prejudicando a natureza, povo brasileiro deverá pagar bem mais caro pela carne e pelo leite, diz assessor econômico de Marina Silva. 

Assessor econômico de Marina Silva, Eduardo Gianetti (neoliberal) diz que preços da carne e do leite devem subir bastante, caso Marina seja eleita Presidenta, porque os bois peidam muito. 

Duvidam disso?

Então, leiam isso:

"Lembrando que o gado brasileiro responde por emissão de gases que geram grande quantidade de C02, Gianetti afirma que, para evitar novos desastres ambientais, preocupação central de Marina Silva, “o preço da carne vai ter de ser muito caro, o leite terá de ficar mais caro.”

Pode um absurdo desses?

http://www.conversaafiada.com.br/economia/2013/10/28/economista-da-blabla-quer-encarecer-a-carne-e-o-leite/.Um7pJtjVHxx.twitter

Black Blocs - "Performáticos"? Sei. O nazismo também tinha uma estética e uma performance!

Black Blocs - "Performáticos"? Sei. O nazismo também tinha uma estética e uma performance - por Maria Luiza Quaresma Tonelli, do Dom Rocha Blog

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Estou cheia. Basta. Não aguento mais ver gente de alto nível intelectual dizendo que a polícia é violenta com os Black Blocs. Quem começa a violência? A polícia ou esses fascistas? Concordo que a polícia militar é resquício da ditadura e que a polícia deveria ser desmilitarizada. Mas quero segurança sim. Não vivemos num estado de natureza, de guerra de todos contra todos, mas numa sociedade civil, numa democracia, sustentada por um Estado de Direito, que é o estado onde ninguém está acima da lei.
Quem gostaria de saber que seu pai ou sua mãe idosos estão na rua e podem ser atingidos pelo vandalismo? Quem aceita saber que seus filhos adolescentes podem estar num ônibus e terem que descer porque os BBs começam a quebrar seus vidros e depois o incendeiam? O que é isso? Querem o caos? 
Querem desestabilizar um país que não está sob uma ditadura. Não concordo com isso. Ninguém me convence que os Black Blocs são os “oprimidos”. Se isso for verdade, estão sendo comandados. 
“Performáticos”? Sei. O nazismo também tinha uma estética e uma performance.
Vivemos numa sociedade autoritária e hierarquizada que sempre criminalizou os movimentos sociais. Os Black Blocs contribuem para que a sociedade acabe “exigindo”que alguém “coloque ordem” no país. E aí já conhecemos esse filme.Estou cansada de ver gente dizendo que não estamos “entendendo” o que está acontecendo.
Quer dizer então que nós, que sabemos o que é um estado de exceção, que lutamos por democracia durante toda uma vida, que lutamos por justiça social, temos que achar que um bando de moleques irresponsáveis venham nos dizer que estamos numa ditadura e que não sabemos o que é democracia? 
Quer dizer que temos que achar que Black Blocs são movimentos sociais e que quando são presos pela violência que estão cometendo, são “presos políticos”? É brincadeira?
Então a polícia tem que deixar essa turminha de encapuzados mascarados brincar de revolução e ainda juntar os dedos para fazer coraçãozinho para eles? Não contem comigo para essa festa podre. Quem quiser defender Black Bloc comigo vai perder tempo. Defendo a democracia e luto pela democratização das instituições, não a farra de um bando de pseudo anarquistas que querem a destruição do Estado, mas que estão a serviço dos anarcocapitalistas, que também querem o fim do Estado.
Sou defensora dos direitos humanos, que não admitem dois pesos e duas medidas, porque são universais. 
Defendo direitos humanos para bandidos e para o coronel da polícia, que foi covardemente agredido por um bando de delinquentes. Violência revolucionária não é isso que estamos vendo. É outra coisa. 
Acordem, por favor.
Maria Luiza Quaresma Tonelli
Link:

'Folha' - A serviço de um certo Brasil (sem povo)- por Saul Leblon!

A serviço de um certo Brasil - por Saul Leblon, da Carta Maior

A afetação conservadora adicionada às páginas da Folha é um maneirismo que pouco ou nada acrescenta ao repertório original da direita


A afetação conservadora adicionada às páginas da Folha, um maneirismo que pouco ou nada acrescenta ao repertório original da direita, exceto pancadas de um bate-estaca monótono, talvez cause estranhamento à memória recente de seus leitores jovens. Justifica-se.

A Folha atingiria um milhão de exemplares de circulação ao final dos anos 70,  (hoje caiu a 1/3 disso) atraindo amplas franjas de leitores introduzidos à vida política na esteira das mobilizações  pela redemocratização.

Atilado homem de negócios, com interesses em áreas como a criação de galinhas e o mercado financeiro,  Octávio Frias,  dono do jornal, havia farejado novidades  no  vento da história.

Versátil, tratou de sintonizar seu produto,  dando-lhe roupagem ecumênica, condizente com o crepúsculo do regime ditatorial iniciado em 1964.

Nomes respeitáveis da intelectualidade e da política foram incorporados à equipe de articulistas do diário, dando à Folha uma aura de caixa de  ressonância do novo ciclo democrático  que pedia para nascer.

Dalmo de Abreu Dallari, Eduardo Suplicy, Almino Afonso, Fernando Henrique Cardoso, Lúcio Kowarick, Plinio de Arruda Sampaio, D. Evaristo Arns, Gerardo Mello Mourão, Franklin de Oliveira, ademais de Alberto Dines, Severo Gomes,  Rafael de Almeida Magalhães, entre outros, passaram a debater no jornal  as aspirações de um Brasil que não cabia mais nos limites de um regime espremido pela crise econômica e pela insatisfação popular.

A verdade, porém, é que nem sempre foi assim. E, pelo visto,  tampouco o será de agora em diante.

Dez anos antes desse aggiornamento empresarial, quando a consolidação do golpe civil-militar de 64  estava em xeque nas ruas, nos meios artísticos e intelectuais,  a ditadura brasileira promulgou o Ato Institucional nº 5, que aboliria de vez a liberdade de expressão, de organização e de manifestação no país.

Decretado  em 13 de dezembro de 1968,  o AI-5 queimou as caravelas da veleidade ‘constitucional’ do regime e jogou para as calendas a promessa de rápido restabelecimento democrático vinculado à convocação de novas eleições presidenciais.

A repressão asfixiaria a tal ponto a expressão política, a partir de então, que muitos viram na opção armada o único caminho disponível à resistência.

Foi nesse divisor da história, em 1969, que Octavio Frias, pai do atual diretor editorial da Folha , Otavinho, um perdigueiro na arte de farejar o mainstream , convidou Plinio Corrêa de Oliveira para escrever regularmente no jornal.

Plínio Correa, fundador e líder da seita  Tradição Família e Propriedade (a TFP), era então o símbolo mais borbulhante do ponto a que pode  chegar o extremismo conservador, quando a hidrofobia não se contenta em exercitar o varejo do anti-comunismo.

A TFP era uma espécie de Tea Party radicalizada.

Suas marchas de coreografia fascista, os gigantescos estandartes  medievais e as pancadas secas das fanfarras sombrias, quebradas de sopros estridentes,  irrompiam pelas ruas  brasileiras  como autênticos mensageiros do terrorismo de Estado.

Sabia-se que aquilo era o braço cenográfico da tempestade que se avizinhava no céu do país.

Se de um lado o moralismo medieval causava desconcerto e derrisão, de outro irradiava medo pelos encadeamentos sabidos com o aparato militar-empresarial que havia empalmado o país.

Bem fornida de recursos, a organização de Plinio Correa  oferecia-se como uma azeitada máquina de  apoio à ditadura e aos interesses do conservadorismo.
Suas campanhas evidenciavam disciplina militar e ampla cobertura, que ademais de vasculhar o Brasil atingia outros países.

Com a esquerda reprimida e perseguida, a TFP tinha as ruas à sua disposição. Não raro, seus desfiles eram protegidos por carros policiais.

Plínio Correa tinha trânsito entre militares e o empresariado. Sua determinação de funcionar como uma espécie de guardião da doutrina da fé católica funcionava como um contraponto  ao clero progressista, que perseguia com ódio inexcedível.

Muito já se discutiu a funcionalidade fascistóide dessas falanges a misturar  devoção religiosa fanática, de um lado, e anticomunismo  visceral de outro.

A TFP tentava ser para o Brasil o que a Opus Dei, fundada em 1928, fora para o franquismo, na exacerbação do uso da fé como escudo repressor da sociedade e da esquerda espanhola.

Plínio Correa de Oliveira avocava-se um misto de Josemaría Escrivá de Balaguer, o fundador da Opus Dei, e Joseph McCarthy, o senador americano que durante a guerra fria,  nos anos 50, liderou  a patrulha anticomunista nos EUA.

A TFP  nunca alcançou a abrangência pretendida. Mas funcionou como uma radicalização narrativa do regime, , alimentando medos e ódios, justificando preconceitos e  perseguições.

A Igreja Católica foi uma das baionetas mais afiadas do golpe de 64. Mas nunca houve monolitismo nesse apoio e, a partir da radicalização opressiva do regime, ele se estiolou.

Quando Plínio Correa foi convidado por Octávio Frias a escrever na Folha, em coluna inaugural em 1969, era  notório o ativismo crescente da ala progressista da Igreja – laica e de batina - contra a ditadura.

O mesmo ocorria no polo oposto da interação empresarial-militar.

O convite de Frias a Plínio era um dente dessa engrenagem em curso.

Documentos recentemente filtrados dos arquivos do Dops, de São Paulo,  mostram o estreitamento das ligações do empresariado paulista com o aparato repressivo, no período mais asfixiante da ditadura, nos anos 70. 
    
Um dos lubrificantes desse intercurso, a azeitar as relações entre a  Fiesp e o Dops,  era um certo ‘Dr. Geraldo’,  objeto de detalhada reportagem veiculada recentemente  no insuspeito ‘O Globo’ (09-03-2013).

 ‘Dr. Geraldo’ frequentou semanalmente os porões da tortura em São Paulo , entre 1971 a 1978.

No registro de ingresso no bunker, onde reinava soberano o delegado Sergio Paranhos Fleury, ele assinalava a sua presença notificando ao lado do nome a procedência: ‘Fiesp’.

Geraldo Resende de Mattos, o “Dr. Geraldo”, conviveu assiduamente com as câmaras do horror, duas, três vezes por semana,  no período da violência de febril, quando o comandante do II Exército em SP,  general Humberto de Souza Mello, havia liberado a matança dos ‘inimigos’ do regime.

Plínio Correa de Oliveira passou a escrever na Folha no escopo dessa convergência de matança e intensificação das relações entre o aparato repressivo, as fileiras do empresariado paulista e a polarização politica dentro da Igreja católico.

A  exemplo de Plínio, o ‘Dr Geraldo’ era um radical de direita.

Proprietário de fabricas de vidros e lâmpadas,  seu acesso ao círculo dirigente da Fiesp, segundo ‘O Globo’, foi facilitado pelo amigo do peito, o industrial Nadir de Figueiredo, um dos fundadores e por anos o mais influentes líder da entidade, cujos  presidentes dependiam de seu aval para se eleger.

 Como eles, o empresário  dinamarquês Albert Henning Boilesen, assassinado em abril de 1971 por um comando guerrilheiro, também diretor da Fiesp/Ciesp com apoio de Nadir Figueiredo, era outro habitué dos porões da tortura no Dops.

A principal função de  Boilesen na engrenagem empresarial-militar era coletar fundos para o aparato repressivo da ditadura. Consta que tinha planos de organizar algo de contundência superior à ação do Dops e da Oban.

‘Dr. Geraldo’, por sua vez, fazia a mediação direta entre o empresariado e a linha de frente da repressão.

Plínio Correa vocalizava, através da Folha, a legitimidade da luta sem trégua contra o comunismo e a degeneração dos costumes, aqui e alhures.

A endogamia do trio era perfeita.

Em 16 de setembro de 1973, por exemplo, apenas cinco dias depois do golpe de Pinochet no Chile, o líder da TFP publicaria na ‘Folha de São Paulo’  uma coluna eufórica.

O texto  não apenas celebrava o golpe de Estado (cantando o ‘Magnificat’, diz no título, em menção a um hino religioso à Maria), como justificava o banho de sangue em curso.

O que era execrado em todo o mundo humanista e democrático desfrutava de um espaço de júbilo na Folha.

‘No momento em que escrevo – sexta-feira pela manhã’-- o Chile parece estar acabando de fumegar’, começava assim o artigo de Plínio na Folha. E fuzilava: ‘... a seita comunista era no Chile como um leão solto. Pôs-se a devorar, com furioso ímpeto, os membros da nação (...)  Foi  indispensável, para salvar o Chile, derramar sangue do leão...’ (leia ao final desse post a íntegra do texto ‘Magnificat pelo Chile’, publicado na Folha, pouco depois do golpe contra Allende).

Boilesen, o ‘Dr Geraldo’,  Plínio Correa de Oliveira, Nadir Figueiredo, entre outros, de uma longa lista de sabidos e muitos ainda não investigados, não eram ilhas perdidas, mas um articulado e vulcânico arquipélago político da extrema direita em ação no país.

“(...) sabe-se que foi expressivo o fluxo de dinheiro para a repressão, a partir de coletas na Fiesp e em reuniões promovidas por Gastão de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), João Batista Leopoldo Figueiredo (Itaú e Scania), Paulo Ayres Filho (Pinheiros Produtos Farmacêuticos), e o advogado Paulo Sawaia, entre outros. Empresas como Ultragaz, Ford, Volkswagen, Chrysler e Supergel auxiliaram também na infraestrutura, fornecendo carros blindados, caminhões e até refeições pré-cozidas”, diz o mencionado texto de ‘O Globo’.

A reportagem finge ignorar, mas à detalhada lista à qual não faltou incluir até  refeições ‘pré-cozidas',  omitiu-se o empréstimo de viaturas da ‘Folha’ para ações camufladas do aparato repressivo em São Paulo.

Quando o regime já não se sustentava no êxito econômico e a luta armada fora derrotada, Geisel/Golbery entenderam que a hora era oportuna para afrouxar o sistema político, gradualmente.

Áulicos cronistas que hoje pontificam lições de democracia ao governo do PT, encontrariam  nessa brecha uma saída honrosa para limpar a trajetória profissional marcada de cumplicidade com a ditadura.

Extremistas como Nadir Figueiredo, ademais de Plínio Correa e magnatas da ditadura, como o construtor Adolfo Lindenberg, caminhariam em sentido oposto. 
Articulados à alas radicais do Exército tentaram abortar a ‘abertura’.

Perderam.

Foi nesse trânsito entre dois tempos  que o velho Frias   farejou a tendência vencedora e abriu o jornal à opinião democrática brasileira.

Por  via das dúvidas, conservaria o líder da  TFP entre os seus articulistas, até 1990.

Desse posto avançado, Plínio Correa continuaria a vociferar a agenda do grupo. Teve tempo, ainda para investir contra a reforma agrária, as greves do ABC e a eleição da então petista Luiza Erundina, em São Paulo, em 1989.

Os replicantes de hoje, não tem o mesmo peso e carecem da articulação política do original.

 O ponto, porém, é que a Folha sob o comando de Otavinho, aparentemente decidiu que é hora de uma nova viragem à direita, como aquela arquitetada pelo velho Frias,  em 1969.

Se o filho tem o dom paterno de se antecipar aos ventos, ou apenas enfia os pés pelas mãos na trajetória reconhecida de apequenar a herança recebida, a história dirá.

O certo é que a Folha percorre uma nova mutação.

Como as anteriores, a serviço de um  certo Brasil.

Nisso seu slogan é crível. 

Link:


http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/A-servico-de-um-certo-Brasil/29351

As críticas equivocadas ao Regime de Partilha do pré-sal! - por Marcos Doniseti!

As críticas equivocadas ao Regime de Partilha do pré-sal! - por Marcos Doniseti!




Entre as críticas que foram feitas ao leilão do Campo de Libra, está a de que a Petrobras, sozinha, poderia extrair todo o petróleo do pré-sal, sem necessidade de fazer parcerias com outras empresas, tal como aconteceu. 

Daí, os defensores desta tese apresentaram dois argumentos principais para sustentá-la, que são:

1) Com a Petrobras sendo a única empresa a atuar no pré-sal, as suas ações iriam se valorizar tanto que ela não precisaria fazer parcerias com ninguém;

2) Ainda assim, caso faltasse capital para a realização dos investimentos, a Petrobras poderia obter o mesmo por meio de empréstimos, visto que os credores (do mundo inteiro) estariam ansiosos por emprestar dinheiro à uma empresa que seria a única a atuar no pré-sal brasileiro.

O grande problema destes argumentos é que eles são muito fracos e insustentáveis. 

E porque afirmo isso? 

Simples: A valorização das ações da empresa somente geraria recursos (para investimentos) para a Petrobras caso as mesmas fossem vendidas para particulares. 

Afinal, não adianta nada você comprar uma ação que vale, digamos, R$ 10 e, daí, ela passa a valer R$ 100, se você mantiver a ação em seu poder. 

A valorização da ação somente irá reverter em lucro para o seu dono (ou seja, o Estado) se as ações forem vendidas. Daí, sim, a empresa se beneficiaria com esta valorização.

Logo, essa primeira alternativa, que é defendida por muitos ditos 'esquerdistas' e 'nacionalistas', implicaria no aumento da participação do setor privado, e também estrangeiro, no capital total da Petrobras, o que vai na contramão do discurso nacionalista e estatizante dos seus defensores. 

Assim, caso essa medida fosse adotada, a maior parte dos lucros que a Petrobras tivesse com a exploração o pré-sal seriam apropriados pelos acionistas particulares e estrangeiros da empresa e não pelo Estado.

Logo, tal medida implicaria num grau muito maior de privatização e de desnacionalização das riquezas geradas pelo pré-sal do que os seus defensores imaginam. O efeito disso seria exatamente o contrário do que eles desejam. 

Quanto ao endividamento da empresa: Neste início de ano a Petrobras pegou US$ 11 bilhões emprestados no exterior para, justamente, viabilizar os seus investimentos, no pré-sal em especial. 

Porém, a oferta de recursos por parte dos credores, para empresa, foi muito maior, atingindo os US$ 42 bilhões. E a Petrobras somente não pegou todo esse valor porque ela não quis. 

Logo, não é porque a Petrobras deixa de ser a única produtora do pré-sal que ela é prejudicada na obtenção de empréstimos, visto que é uma empresa eficiente e altamente lucrativa. 

Tanto isso é verdade que a oferta de empréstimos para a empresa é muito maior do que o valor que ela pega emprestado. E nenhum investidor ou credor do mundo faria isso para uma empresa que fosse ineficiente ou mal administrada, certo?

A competência da empresa, inclusive, pode ser comprovada pelo fato de que somente no período de Janeiro a Setembro deste ano, por exemplo, o lucro da Petrobras cresceu 29% em relação ao mesmo período do ano passado, ultrapassando os R$ 17 bilhões. 

Além disso, com a solução defendida pelos ditos 'esquerdistas', teríamos uma grande chance de que o valor que a Petrobras emprestasse (para viabilizar os investimentos gigantescos no pré-sal) fosse exageradamente elevado, o que acabaria acontecendo é que grande parte (ou a maior parte) dos lucros gerados pelo pré-sal terminariam ficando nas mãos dos credores e não do Estado. 

Portanto, as duas medidas defendidas pelos ditos 'esquerdistas' e 'nacionalistas' radicais, como sendo alternativas melhores do que a adoção do Regime de Partilha (criado pelo governo Lula e que foi criado para extrair o petróleo do pré-sal), resultariam na privatização e na desnacionalização da Petrobras, bem como na apropriação da maior parte dos lucros gerados pelo pré-sal pelos acionistas particulares, estrangeiros e pelos credores da empresa.

E quase nada ficaria com o Estado brasileiro, prejudicando o desenvolvimento do país e impedindo que as riquezas geradas pelo pré-sal pudessem beneficiar o povo brasileiro. 

Assim, entendo que está mais do que comprovado que as regras do Regime de Partilha, implantado pelo governo Lula para extrair o petróleo do pré-sal, é a melhor solução para que o mesmo possa contribuir para o desenvolvimento econômico e social do Brasil e do seu povo.

Link:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/10/lucro-da-petrobras-ultrapassa-r-17.html

Valor da produção agrícola brasileira aumenta 4,3% em 2012!

Valor da produção agrícola brasileira aumenta 4,3% em 2012

25/10/2013 - 10h01
Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – O valor da produção agrícola brasileira cresceu 4,3 % em 2012 e chegou a R$ 204 bilhões, segundo a pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) divulgada hoje (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
A área agrícola cultivada em 2012 chegou a 69,2 milhões de hectares, 1 milhão a mais do que em 2011. Segundo o estudo,  o resultado maior deveu-se ao aumento das áreas cultivadas com soja e milho.
Milho, feijão e algodão deram as maiores contribuições para o aumento do valor da produção, com altas de 20,7%, 20,7% e 11,8%, respectivamente. Mas a soja continua com a maior participação no valor da produção agrícola do país (24,7%), seguida da cana-de-açúcar (19,8%) e do milho (13,2%).
São Desidério, na Bahia, foi o município com o maior valor de produção no ano passado (R$ 2,3 bilhões) e superou Sorriso, em Mato Grosso. Entre as 64 culturas investigadas, 41 tiveram queda na produção em relação a 2011, com destaque para o feijão (-18,6%), arroz (-14,3%), a soja (-12,1), mandioca (-9,1%), o algodão (-2%) e a cana (-1,8%).
São Paulo continua sendo o estado com a maior participação (17,8%) no valor da produção agrícola nacional, com aumento de R$ 1,7 bilhão. Mato Grosso passou a ser o segundo no ranking de maior valor de produção (R$ 26 bilhões), ao ultrapassar o Paraná e Minas Gerais. O motivo, de acordo com o IBGE, foi a maior produção de milho, soja e algodão.
O estudo mostrou também concentração de produtos e regiões na produção agrícola brasileira. A soja é o principal produto em nove estados e a cana-de-açúcar em seis. Além disso, mais da metade do valor da produção agrícola brasileira (55,4%) vêm de apenas quatro estados: São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná.
O IBGE demonstrou preocupação com o fato de que a agricultura está concentrada em poucos produtos em alguns estados, o que pode trazer “sérios prejuízos em caso de intempéries ou queda nos preços”. Os exemplos que a pesquisa destacou foram Alagoas, onde a cana-de-açúcar responde por 86% do valor de produção, e o Espírito Santo, que tem mais de dois terços (70,4%) do valor da produção agrícola provenientes do café.
A PAM investiga 64 produtos agrícolas em quase todos os 5.565 municípios do país e traz informações sobre as áreas plantada e colhida, a quantidade produzida e o valor da produção. O estudo possibilita o acompanhamento da evolução das principais culturas: soja, cana-de-açúcar, milho e demais grãos, algodão, arroz, feijão, entre outros, assim como 22 espécies de frutas. Em 2012, pela primeira vez, a PAM traz informações sobre a produção das espécies de café arábica e canephora, separadamente.
Edição: Graça Adjuto
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Invasão do Iraque pelos EUA matou mais de 500 mil pessoas e deixa guerra civil como legado!

Ocupação norte-americana matou cerca de meio milhão de pessoas no Iraque - do Opera Mundi

Estimativa de nova pesquisa é quatro vezes maior do que cálculos realizados anteriormente sobre o período de 2003 a 2011

Cerca de 460 mil pessoas morreram entre os anos de 2003 e 2011 no Iraque por conta da guerra e ocupação norte-americana do país. A estimativa é resultado de uma pesquisa conduzida por estudiosos de diversas universidades sobre a taxa de mortalidade na nação árabe divulgada nesta quarta-feira (16/10) pela revista de medicina PLOS (Livraria Publica de Ciência na tradução livre do português).

Agência Efe

Família iraquiana caminha em praça de Bagdá onde, pelo menos sete pessoas foram mortas e 34 ficaram feridas, em maio passado


O relatório indica que mais de 60% dessas mortes foram provocadas diretamente pela violência decorrente da ocupação norte-americana do território: com 35% atribuídas às forças de coalizão, 32% a milícias guerrilheiras e 11% a criminosos. O restante teria sido causado por outros efeitos indiretos da guerra, como, por exemplo, o colapso de infraestrutura e nos serviços.
Segundo os autores, o dossiê refinou a metodologia utilizada nas pesquisas anteriores sobre o tema, baseando-se em críticas realizadas previamente, e procurou abarcar todos os anos de guerra e ocupação do Iraque (2003 – 2011), algo que nenhum outro estudo havia feito. 
“Os relatórios anteriores cobriram períodos diferentes entre 2003 e 2006 e encontraram diferentes taxas de mortalidade e de mortes atribuídas ao conflito”, diz o artigo. “Todos foram controversos e suas metodologias, criticadas”, acrescenta.
Dessa vez, os cientistas se basearam em dados coletados em entrevistas com iraquianos ao redor de todo o país e de outras estatísticas oficiais.  
Entre março e julho de 2011, um grupo de pesquisadores aplicou questionários sobre mortes a 2 mil famílias selecionadas aleatoriamente em 100 áreas geográficas nas 18 províncias do Iraque. Os resultados encontrados foram extrapolados para os 32 milhões de habitantes do país.

Além de inovar o estudo sobre o tema, a pesquisa aponta perspectiva muito mais negativa da invasão dos Estados Unidos em 2003. Sua estimativa do número total de mortes decorrentes da guerra e, posteriormente, ocupação é cerca de quatro vezes maior do que cálculos realizados anteriormente. 
De acordo com os resultados, a taxa anual de morte no Iraque, entre março de 2003 e junho de 2011, foi de 4,55 por cada mil pessoas; mais de 0,5 vezes maior do que o índice de mortalidade durante as duas décadas precedentes à guerra dos EUA. Nesses anos, o risco de morte, entre os adultos, cresceu cerca de 0,7 vezes para as mulheres e 2,9 para os homens.

Apesar das estimativas alarmantes, os autores acreditam que o número real de mortos deve ser maior. 
Claramente, um dos problemas é que estávamos perguntando às pessoas para se lembrarem de um longo período de tempo”, disse Amy Hagopian, da Universidade de Washington, e que coordenou a pesquisa. “Pode haver muito esquecimento e esse esquecimento será a favor de uma conta menor (de mortes)”, acrescentou ela.

Guerra esquecida

O governo norte-americano decretou a retirada de suas tropas do país árabe em 2011. Apesar disso, o conflito, acionado com a invasão dos EUA em março de 2003, continua e atingiu níveis críticos neste último ano.

Fora dos holofotes, os iraquianos sofrem, desde o princípio deste  ano, com um aumento da violência, cujo início coincide com uma mobilização da minoria sunita – um quinto da população total – para denunciar a marginalização que sofre por parte governo, dirigido pelos xiitas, e deixa pairar um ressurgimento do conflito civil que eclodiu após a invasão norte-americana. 
O cenário atual lembra os piores dias da violência sectária que, entre 2005 e 2007, matava uma média de três mil pessoas todos os meses no país.

Para ler o artigo da pesquisa “Mortalidade no Iraque de 2003 – 2011 associada à guerra e ocupação: descobertas de uma pesquisa survey de amostras nacionais”, clique aqui.

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Apesar de recorde, endividamento dos brasileiros é baixo em relação a outros países!

Apesar de recorde, endividamento dos brasileiros é baixo em relação a outros países

27/10/2013 - 11h31 - Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
Brasília – Apesar de ter atingido níveis recordes, o endividamento das famílias brasileiras é baixo em relação a outros países. Segundo levantamento divulgado pelo Banco Central (BC) na última sexta-feira (25), os brasileiros tinham 45,36% dos rendimentos comprometidos com dívidas, no maior nível registrado desde o início da série, em janeiro de 2005.
O número refere-se à comparação entre as dívidas das famílias com o Sistema Financeiro Nacional e os rendimentos acumulados nos últimos 12 meses. Há oito anos, esse percentual correspondia a apenas 18,39%, mas subiu gradualmente até ultrapassar 40% em março de 2011. Mesmo com esse salto, os brasileiros ainda usam pouco o crédito na comparação com as economias avançadas.
Segundo os levantamentos mais recentes, em grande parte dos países desenvolvidos, a população deve mais do que a própria renda. Nos Estados Unidos, de acordo com o órgão responsável pelo censo, o endividamento médio das famílias equivale a 101,7% dos rendimentos.
Na Europa, as dívidas superam 100% da renda na Estônia, na Espanha, na França, em Portugal, na Finlândia, na Suécia e no Reino Unido, conforme o Eurostat – órgão oficial de estatísticas da União Europeia. Na Dinamarca, na Irlanda, no Chipre, na Holanda e na Noruega, a proporção supera 200%.
De acordo com o economista Fabio Gallo, especialista em crédito da Fundação Getulio Vargas, o que impede o endividamento dos brasileiros de atingir os níveis dos países desenvolvidos são os juros altos, que se refletem no alto valor das prestações. 
“A grande diferença do Brasil em relação aos países avançados nessa questão não está somente no nível de endividamento, mas no serviço da dívida, que é muito mais alto no Brasil do que em outros países”, explica.
Segundo o levantamento do Banco Central, as famílias brasileiras comprometem, em média, 21,4% da renda mensal com prestações. Desse total, 12,74% referem-se a juros e somente 8,66% dizem respeito à amortizações, pagamento do principal da dívida que reduz o saldo devedor.
“Nos Estados Unidos ou na Europa, as famílias se endividam além da renda, mas pagam prestações relativamente pequenas e com prazos longos. No Brasil, é justamente o contrário. O endividamento é baixo, pelo menos em relação a esses países, mas as prestações consomem boa parte do salário”, pondera o especialista da FGV.
Por causa dos altos juros e da inadimplência, o professor diz que o maior endividamento dos brasileiros deve ser visto com cautela. “Boa parte desse endividamento não está relacionada a investimentos de longo prazo, como a casa própria, mas ao próprio consumo. Muita gente comprou carro em 2009 e não conseguiu pagar. Daí, recorre a financiamentos para pagar dívidas de consumo”, ressalta.
Segundo o professor, os juros altos no Brasil criam um círculo vicioso em que a inadimplência que se reflete em taxas ainda mais altas para os tomadores de crédito.
 “Infelizmente, a inadimplência em geral é repassada para as taxas dos bancos. O cadastro positivo [relação de bons pagadores] pode melhorar isso, mas o processo ainda está no início”, avalia.
Edição: Davi Oliveira

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domingo, 27 de outubro de 2013

José Luís Fiori: O Socialismo e a Social-Democracia acabaram na Europa!

História de um naufrágio - por José Luís Fiori, da Carta Maior


É preciso olhar de frente e sem ilusões: a social-democracia e o socialismo europeus acabaram.

É preciso olhar de frente e sem ilusões: a social-democracia e o socialismo europeus acabaram. Acabaram como utopia, como ideologia e como projeto político autônomo. 

De forma inglória, na Itália, Grécia, Portugal e Espanha, e de forma desastrosa, na França de Françoise Hollande, com sua xenofobia e seu “belicismo humanitário”; e na Alemanha, dos governos de coalisão e da submissão social-democrata, ao conservadorismo de Angela Merkel, com sua visão “germanocentrica” e hierárquica da União Europeia, e da sua relação com o mundo islâmico. 

Este espetáculo terminal, entretanto, inscreve-se numa longa história que começou no fim do século XIX, e atravessou várias “revisões” teóricas e estratégicas, e inúmeras experiências parlamentares e de governo, que foram alterando, progressivamente, através do século XX, os objetivos e a própria identidade do socialismo europeu, até chegar ao desastre atual.

Tudo começou em 1884, com a defesa de Eduard Bernstein, da necessidade de modificar ou reinterpretar algumas teses marxistas clássicas sobre a “luta de classes” e a “revolução socialista”, à luz das grandes transformações capitalistas das últimas décadas do século XIX, e das necessidades da luta eleitoral do partido social-democrata alemão, que era o mais importante da Europa, naquele momento.  Segundo Bernstein, o progresso tecnológico e a centralização e internacionalização do capital haviam mudado a natureza da classe operária e a própria dinâmica do sistema capitalista, cujo desenvolvimento histórico já não apontaria mais na direção  da “pauperização crescente”, da “crise final” e da “revolução socialista”.

Como consequência, Bernstein propunha que os social-democratas abandonassem a  “via revolucionária”, e optassem pela via eleitoral e parlamentar de transformação continua,  reformista e endógena do próprio capitalismo. As ideias e propostas de Bernstein privilegiavam incialmente a questão parlamentar, e foi só mais tarde que tiveram um peso importante na decisão dos social-democratas de participar dos governos de “união nacional’ ou de “frente popular”, junto com outras forças políticas mais conservadoras, para enfrentar os efeitos devastadores da I Guerra Mundial,  e da crise econômica da década de 30. 

Os problemas que estavam colocados sobre a mesa, eram o colapso econômico, o desemprego e a inflação, e os social-democratas seguiram a cartilha dos conservadores, até porque não tinham uma visão própria de como enfrentar estes desafios concretos, dentro do próprio capitalismo. Neste contexto, entretanto,  destaca-se  a originalidade do governo social-democrata sueco que respondeu à crise utilizando-se de uma política heterodoxa de incentivo ao crescimento econômico e pleno emprego. A despeito que seu sucesso deva ser atribuído ao atrelamento da economia sueca  ao expansionismo bélico da economia nazista, mais do que as virtudes da própria política econômica do governo social-democrata.  De qualquer forma, o modelo sueco de “pactação social” foi reproduzido mais tarde, com sucesso, pelos governos social-democratas da Áustria, Bélgica, Holanda, e dos próprios países nórdicos, que seguiram sendo governados pelos social-democratas, depois da guerra. Seja como for, o caso sueco foi uma exceção no meio de vários fracassos social-democratas no comando das politicas econômicas rigorosamente ortodoxas e conservadoras dos governos de que participaram, na Alemanha, entre 1928-30; na Grã Bretanha, entre 1929-31; na Espanha, entre 1928-30; e na França, entre 1936-37. 

Logo depois da II Guerra Mundial, os alemães lideraram outra grande revisão doutrinária e estratégica do socialismo europeu que culminou no Congresso do Bad Godesberg, realizado em 1959.  Foi neste momento que os socialistas e os social-democratas europeus abandonaram a ortodoxia econômica e aderiram às teses e às políticas keynesianas, como forma de gerir a economia capitalista com  objetivo de multiplicar os empregos e os recursos necessários para o financiamento de suas políticas distributivas e de proteção social. Dava-se como certo que no médio prazo, as políticas favoráveis à acumulação de capital também teriam efeitos favoráveis para o mundo do trabalho e da igualdade social.

Neste sentido, do ponto de vista lógico e político, a partir deste momento, o sucesso do capitalismo passou a ser uma condição indispensável do sucesso reformista dos socialistas europeus, completando-se um giro de 180 graus, com relação à sua tese clássica de que a liberdade e a igualdade seriam um produto necessário da eliminação da propriedade privada e dos “estados burgueses”. Depois de Bad Godesberg, a nova proposta passou a ser: “liberdade política = igualdade social = crescimento econômico = sucesso capitalista”.

De qualquer maneira, este novo consenso durou pouco, e já na década de 1980, teve início uma terceira grande “rodada revisionista”, quando os socialistas e social-democratas europeus abandonaram o “barco keynesiano” e aderiram às novas teses e políticas neoliberais promovidas em todo mundo, pelos  governos conservadores de Margareth Thatcher e Ronald Reagan. Esta mudança de rumo avançou como um rastrilho de pólvora - a partir de 80 -  na Espanha de Felipe Gonzalez e na França de François Mitterand, e também na Itália de Bettino Craxi, e na Grécia de Andreas Papandreu.  E logo em seguida, na Inglaterra de  Tony Blair, onde foram formuladas as principais teses da “terceira via”, patrocinada pelos trabalhismo inglês, e que era na prática  uma repetição dos mesmos argumentos que  Eduard Bernstein havia apresentado um século antes. Segundo os trabalhistas ingleses,  teria ocorrido uma  mudança do capitalismo e de suas classes sociais que limitava a eficácia da política de classe tradicional e da própria intervenção “keynesiana’ do estado, fazendo-se  necessário uma nova adaptação das ideias e programas socialistas a este  mundo  desproletarizado, desestatizado e globalizado.

No início do século XXI, entretanto, já estava claro que estas políticas e reformas tinham tido um efeito social extremamente negativo, provocando redução simultânea dos postos de trabalho, dos salários, dos gastos sociais e  da segurança dos trabalhadores,  junto com uma enorme concentração e centralização do capital e da renda, em todos os países do continente. 


Mesmo assim, os socialistas e social-democratas europeus mantiveram e radicalizaram suas novas posições, transformando-se nos defensores mais intransigentes – dentro da União Europeia – dos princípios e políticas ortodoxas e neoliberais que os levaram ao “beco sem saída” em que se encontram na conjuntura desta segunda década do século XXI. 

O problema agora é que  já não se trata mais de uma simples crise conjuntural ou circunstancial, se trata do esgotamento  de um projeto que foi sofrendo sucessivas mudanças estratégicas até o ponto em que perdeu todo e qualquer contato com suas próprias raízes históricas. Primeiro, os partidos socialistas e social-democratas abriram mão da ideia da revolução socialista, e depois do próprio socialismo como objetivo final da sua luta política.


Mais à frente, deixaram de lado o projeto de socialização da propriedade privada, e de eliminação do estado, e no final do século XX, passaram a atacar as próprias políticas de crescimento, pleno emprego e proteção social que foram suas principais bandeiras depois da II Guerra Mundial, e que talvez tenha sido sua principal contribuição ao século XX.  

Por isto, hoje, os socialistas europeus estão transformados numa caricatura de si mesmos,  sem horizonte utópico, e sem nenhuma capacidade de inovação  política, social e intelectual. Um triste fim para uma utopia e um projeto que fizeram da Europa do século XIX, a vanguarda revolucionário do mundo.

Link:

http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Historia-de-um-naufragio-1-/29334