Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

É preciso ouvir a voz dos rolezinhos! - por Marcos Doniseti!

É preciso ouvir a voz dos rolezinhos! - por Marcos Doniseti!

Afinal, qual é a origem social da maioria dos PMs, mesmo?


Percebi, debatendo e observando os comentários de muitas pessoas nas Redes Sociais (Twitter e Facebook) que há um grande temor em relação ao fenômeno dos rolezinhos. Fica claro que esses meus amigos virtuais são sinceramente petistas, lulistas ou dilmistas (ou tudo isso junto) e que desejam, sim, construir um país melhor para todos.

Porém , notei que muitos estão com bastante receio de que os rolezinhos (que estão se espalhando pelo país) acabem sendo instrumentalizados politicamente pelas forças reacionárias da nossa sociedade que desejam derrubar o PT do governo federal e promover um retrocesso político, econômico e social em nosso país.

Que esse risco existe, não resta nenhuma dúvida. 

Basta ver que foi exatamente isso que aconteceu com as manifestações de Junho de 2013, que começaram com um nítido caráter reivindicatório e que acabaram , desaguando em casos escabrosos de baderna, violência e vandalismo, o que acabou levando o povo a se afastar das ruas e  a voltar para a sua vida normal de trabalho, estudo, etc.

O problema disso é que se não fizermos mais manifestações populares (com medo da instrumentalização política das mesmas pela Direita Reacionária) nossa democracia será meramente formal e a Direita foi vitoriosa, mesmo que Dilma e o PT continuem governando o país. 

Porque o grande objetivo da Direita ao instrumentalizar os movimentos e manifestações populares é provocar o caos para poder afastar o povo das ruas. Se isso não resultar em um Golpe de Estado (pensa a Direita), o que era comum antigamente, mas que hoje é virtualmente inviável, pelo menos na sua forma clássica (com tanques nas ruas), então que pelo menos o povo não sai mais às ruas para reivindicar e lutar pelos seus direitos. 


E o pior é que bem por aí, mesmo...

Aliás, foi exatamente isso que os Black Blocs e assemelhados conseguiram no ano passado, ou seja, tirar o povo das ruas. Quem fez isso não foram as Polícias, mas o Black Blocs e a sua maneira extremamente violenta de se manifestar. 

Mas, neste contexto de esvaziamento dos protestos e manifestações populares, questiona-se: Como é que iremos lutar pelo aprofundamento das mudanças em nosso país sem o povo nas ruas? 

Afinal, como é que derrubamos a Ditadura Militar? com a campanha contra a Carestia, as greves operárias (que começaram no ABC e das quais emergiu Lula como grande líder operário brasileiro), manifestações de estudantes e intelectuais, campanha pela Anistia e, finalmente, com as Diretas-Já? Assim, foi com o povo nas ruas que a Ditadura Militar desmoronou. E como é que tiramos o Collor da Presidência da República? Também com o povo nas ruas na campanha pelo Impeachment. 

A campanha pela Anistia (tais como o movimento estudantil, as greves operárias, a campanha contra a Carestia e o Custo de Vida, etc) contribuiu para mobilizar a população brasileira contra a Ditadura Militar e promover para a Redemocratização do país. Tais movimentos desembocaram no grande movimento das Diretas-Já, a maior mobilização populara da história do país, que enterrou a Ditadura Militar. A história mostra que sem o povo nas ruas, lutando por seus direitos, não se muda um país. 

Assim, se não sairmos mais às ruas para exigir transformações (Reforma Política, investimentos sociais, Democratização da Mídia, Reforma Agrária, etc) como é que iremos aprofundar as mudanças em nosso pais? Difícil, certo?

Então, promover mudanças só na base dos conchavos e alianças políticas (que são necessárias, sim, para governar, embora um tanto quanto indigestas, né?) é que não dá. Precisamos do povo nas ruas, sim, lutando pelo aprofundamento das mudanças que façam do Brasil uma Nação onde todos possam viver dignamente. 

E sem o povo nas ruas lutando por isso, essa conquista ficará muito mais difícil, sem dúvida alguma. 

E aí, como é que desatamos esse nó?

Se tem uma coisa que os jovens das periferias não necessitam é de serem mortos por uma PM brutal e extremamente violenta e que é uma criação da Ditadura Militar, que já acabou há mais de 27 anos.


Penso que uma saída para essa situação já foi apontada pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que se dispôs a conversar com os jovens que participam dos rolezinhos e a adotar políticas que ampliem os espaços públicos para que a juventude das periferias tenha locais seguros onde possa praticar esportes, ter acesso a cultura (bem como a produzir cultura), lazer, diversão, etc. 

As periferias das grandes e médias cidades brasileiras são carentes de tudo isso. Então, entendo que é urgente que o próprio governo federal adote um amplo conjunto de políticas públicas destinados a oferecer possibilidades de lazer, cultura, práticas esportivas, produção cultural acessíveis à população jovem das periferias pelo país afora.

Da mesma forma que Dilma criou o 'Mais Médicos' e liberou R$ 50 bilhões para investimentos em Mobilidade Urbana após as manifestações de Junho de 2013 (que em seu início tinham um caráter nitidamente reivindicatório por serviços públicos de melhor qualidade e acessível à todos), entendo que agora é o momento que o governo Dilma deve aproveitar para lançar um amplo projeto destinado aos jovens das periferias de todo. E isso deve ser feito com a participação destes e de entidades e movimentos que já fazem trabalhos e desenvolvem projetos com os mesmos. Eles devem ser construtores dessa política. 

Afinal, alguém pode me dizer qual é a diferença entre as duas imagens? Até agora eu não consegui descobrir.

Assim, precisamos de um 'Mais Periferia' para todo o país.

Que os governantes brasileiros de todas as esferas (federal, estadual e municipal) e dos mais variados poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) percebem a urgência de se tomar essa iniciativa. 

E da mesma forma que a Presidenta Dilma tomou a iniciativa de criar o Mais Médicos e  de ampliar o projeto de Mobilidade Urbana, convocando governadores e prefeitos para trabalhar juntos com o governo federal a fim de melhorar a qualidade desses serviços públicos essenciais, o mesmo deve ser feito, agora, nesta questão de se adotar e ampliar as políticas públicas destinadas aos jovens das vastas periferias das cidades brasileiras. 

Até porque o direito ao lazer e à cultura fazem parte de nossa Constituição e essa precisa ser colocada em prática para que não se transforme num conjunto de palavras bonitas, mas sem gerar efeito prático algum na vida da população. Isso acarretaria a desmoralização da própria ideia de Democracia em nosso país. 

Fernando Haddad: É preciso ouvir a juventude e criar espaços públicos para que os jovens possam usufruir a cidade. Este é o caminho a ser seguido e não o da institucionalização de um regime de Apartheid Social, que é o que defende a Direita Reacionária. 

Até porque restringir direitos destes jovens das periferias de frequentar locais abertos ao público, como são os shoppings centers, é uma flagrante violação dos direitos constitucionais dos mesmos e não resolver coisa alguma. E o pior é que é próprio Poder Judiciário quem está institucionalizando essa prática típica de um odioso regime de Apartheid. 

Assim, entendo que o caminho correto a ser seguido neste caso dos rolezinhos é o de estabelecer um diálogo com os jovens e adolescentes que participam dos mesmos, a fim de ouvir o que eles têm a dizer a respeito de suas carências, necessidades e anseios. Feito isso, deve-se implementar um conjunto de políticas públicas específicas para esses jovens das periferias, tão carentes de praticamente tudo, e que não têm acesso ao lazer, esporte, produção cultural.

Entendo que este é o melhor caminho para se poder neutralizar uma eventual ação instrumentalizadora da Direita Reacionária, que adoraria usar os rolezinhos com o objetivo de gerar o caos no país e jogar o povo contra Dilma. 

Aliás, foi exatamente esse o caminho defendido pelo prefeito Fernando Haddad, que me parece ter sido o governante que melhor compreendeu o significado dos rolezinhos. 

Então, vamos começar a trabalhar?

Links:

Haddad: É preciso ouvir a garotada:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=233579&id_secao=8

Luciano Martins: Porque os rolezinhos assustam?

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=233592&id_secao=10

Rolezinhos de jovens da USP são liberados em shopping:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=233569&id_secao=10

Apartheid no shopping?

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=233510&id_secao=8

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