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"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Vida e Pensamento de Antonio Gramsci!

Vida e Pensamento de Antonio Gramsci!

Livro 'Vida e Pensamento de Antonio Gramsci 1926-1937', de Giuseppe Vacca, está sendo lançado no Brasil. Esta é uma obra bastante importante, sem dúvida alguma.

1) Texto de Alberto Aggio

Antonio Gramsci jamais publicou um livro em vida. 

Sua condição de autor se deve aos esforços sucessivos dos seus editores, particularmente aqueles que deram publicidade aos famosos “Cadernos do cárcere”, escritos na prisão fascista entre as décadas de 1920 e 1930. Considerado um clássico da política e um dos mais profícuos pensadores do marxismo no século XX, o estudo de suas ideias passou por muitas reformulações no curso de sua progressiva difusão desde o segundo após-guerra.

    Mesmo com as conhecidas lacunas, a chamada edição temática (1948-1951) e, depois, a consistente edição crítica dos Cadernos (1975) acabaram por fornecer elementos essenciais para a construção de variadas interpretações a respeito de seu pensamento. Para não falar da cuidadosíssima edição nacional, que ora começa a ser publicada pela Fundação Instituto Gramsci e pelo Instituto da Enciclopédia Italiana, por certo destinada a marcar uma nova etapa no exame da totalidade dos escritos gramscianos.

    Em décadas de estudos e debates, Gramsci foi visto inicialmente como o “pensador da cultura nacional-popular”, para em seguida alcançar o patamar de “teórico da revolução nos países avançados do capitalismo”, de cuja obra se extraíam conceitos que o tornaram um pensador assimilado em grande escala; entre tais conceitos, alguns são justificadamente famosos, como hegemonia, intelectual orgânico e Estado ampliado.

    Recentemente, a partir de uma historicização integral do personagem, aliada à recepção e ao tratamento de fontes inéditas ou até ignoradas, vem emergindo uma nova inserção de Gramsci na política do século XX. 

Referida aos dramáticos acontecimentos que abarcam a chamada “grande guerra civil europeia” (1914-1945), essa perspectiva analítica tem permitido superar os diversos enigmas que marcaram por longos anos os estudos gramscianos, originados da fratura entre sua vida e seu pensamento.

    “Vida e pensamento de Antonio Gramsci”, de Giuseppe Vacca, segue essa pista. 

O resultado é a construção da primeira biografia política de Gramsci desde a prisão até sua morte. O livro de Vacca supera, efetivamente, a cisão entre trajetória pessoal e reflexão teórica, ao trabalhar a um só tempo os dramas individuais e os dilemas políticos daquele prisioneiro especial do fascismo, cercado e atormentado pela angústia de ter sido “esquecido” pela mulher e “posto de lado” politicamente, o que aumentava suas suspeitas de que a direção do PCI havia sabotado sua libertação.

    “Vida e pensamento de Antonio Gramsci” parte de um pressuposto: antes e depois de sua detenção, Gramsci foi um combatente, um homem de ação, um dirigente político. 

Nas circunstâncias da prisão, tudo que escreveu, de suas anotações nos Cadernos à correspondência com familiares e amigos, indica que permaneceu atuando como um dirigente. 

Nessa condição, por meio de um exercício extraordinário de codificação da linguagem, que demandou uma investigação detalhada, Gramsci procurava fazer chegar à direção do PCI, em especial a Palmiro Togliatti, suas avaliações do cenário italiano e mundial, bem como seus questionamentos de algumas orientações do PCI que lhe pareciam equivocadas. 

Desse permanente comprometimento vão emergir os termos da “teoria nova” que, inúmeras vezes e incansavelmente, ele próprio anota e reescreve nas folhas dos cadernos escolares que pôde usar na prisão.

    Nos “Cadernos do cárcere” vai se sedimentando um novo pensamento com o qual Gramsci, uma vez livre, se propunha lutar para mudar as orientações do movimento comunista. 

Do texto de Gramsci surge uma revisão profunda do bolchevismo, sobretudo em relação à concepção do Estado, à análise da situação mundial, à teoria das crises e à doutrina da guerra. 

Vacca sugere, com audácia teórica, que a formulação que revelaria definitivamente essa ultrapassagem estaria na proposição de luta pela conquista de uma Assembleia Constituinte contra o fascismo, desde 1929.

    Essa proposta expressaria um ponto de ruptura, já que, a partir dela, Gramsci passaria a delinear sua visão da política como luta pela hegemonia, o que, em termos objetivos, representaria, na conjuntura dos primeiros anos da década de 1930, a adoção de um programa reformista de combate ao fascismo. 

Nesse sentido, a luta imediata do PCI não deveria basear-se na preparação da revolução proletária, mas na conquista da Constituinte. 

Esta significaria a possibilidade de reconstrução da nação italiana e deveria ser, para Gramsci, o núcleo da nova orientação dos comunistas italianos: em outras palavras, a luta pela democracia, cujo estatuto deixava de ser progressivamente o de mera fase de transição para o socialismo.

    “Vida e pensamento de Antonio Gramsci” carrega a marca do ineditismo e da inovação em muitas dimensões. Os resultados não são de pouca monta. 

O Gramsci que daqui emerge foi composto a partir de uma investigação histórica que acabou por estabelecer a passagem, traçada por Gramsci de forma pioneira, desde o bolchevismo até uma estratégia de ação com marcas claramente democráticas e reformistas. 

Localizar criticamente Gramsci na história do seu tempo permitiu essa grande descoberta.

      Alberto Aggio
      Professor titular de história da
      Unesp/Franca.


2) Texto de Rosemary Dore

Neste mais recente e estimulante livro de Giuseppe Vacca – presidente da prestigiosa Fundação Instituto Gramsci, de Roma –, o estudo da vida e do pensamento de Antonio Gramsci resulta de um longo trabalho de pesquisa, fundado em documentos muitas vezes inéditos sobre sua biografia, desde a prisão pelo fascismo até a morte, e o destino de seu legado intelectual: os “Cadernos do cárcere”. 

A trajetória de Gramsci nos últimos dez anos de vida é reconstruída de forma dinâmica, entrelaçando diferentes dimensões de seus confrontos com o mundo político, afetivo, intelectual e, essencialmente, focalizando seu projeto de liberdade, jamais conseguido. 

A interlocução entre as Cartas e os Cadernos, à luz de documentos surpreendentes, abre um caminho inovador para compreender as vicissitudes percorridas por um homem como Gramsci, grandioso na coragem de enfrentar, mesmo no cárcere, dois ícones da repressão à liberdade: Mussolini e Stalin. 

O tratamento sistemático dos temas da vida de Gramsci, aqui exposto, torna-se doravante uma referência obrigatória para quaisquer futuras investigações.

      Rosemary Dore
      Professora da Faculdade de
      Educação da UFMG.

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