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"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 3 de março de 2014

Ucrânia: Como Putin conteve Obama!

Ucrânia: Putin conteve Obama -  Finian Cunningham, da Rede CastorPhot


2/3/2014, [*] Finian Cunningham, PressTV, Irã
Traduzido p[elo pessoal da Vila Vudu


Os EUA entraram em novo surto de excepcionalismo, com o presidente Barack Obama a ameaçar a Rússia, sobre respeitar a soberania da Ucrânia e não desestabilizar a região.

Por “excepcionalismo norte-americano” designa-se a capacidade de Washington, , para excepcional arrogância e excepcional dizer uma coisa e fazer outra, capacidade aparentemente sem limites.

Obama ainda não acusou a Rússia diretamente de “invasão militar” no país destroçado pela crise, mas essa é inferência clara, se se ouve o que ele disse na conferência de imprensa desse fim de semana. Numa ameaça velada de confrontação militar, o presidente dos EUA ‘avisou’ que haverá “custos” para Moscou.

Barack Obama
“Qualquer violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia será profundamente desestabilizadora e os EUA unem-se à comunidade internacional para afirmar que haverá custos [pela violação]” – disse Obama, em declaração à imprensa, redigida às pressas, em Washington, na 6ª-feira (28/2/2014).

A Casa Branca está obviamente transtornada pelas notícias de movimentação de tropas russas pela península da Crimeia, no sul da Ucrânia. Moscou diz que sua presença militar na república autônoma da Crimeia na Ucrânia está plenamente de acordo com tratado vigente há muito tempo, que a autoriza a manter soldados estacionados ali, como parte da guarnição de sua base naval no Mar Negro.

Esse acordo foi renovado em 2010, entre Moscou e Kiev, por mais 20 anos, assegurando a presença militar russa na Crimeia, especialmente na base naval de Sebastopol, onde está ancorada a Frota do Mar Negro russa.

Vitaly Churkin
O embaixador russo à ONU, Vitaly Churkin, negou que a Rússia tivesse invadido território da Ucrânia e disse que “Estamos operando sob os termos desse acordo [com a Ucrânia].” (...)

Há uma ironia risível nos protestos de Obama. Os recentes aparentes movimentos militares dos russos acontecem depois de meses de desestabilização da Ucrânia patrocinada pelos EUA. Essa interferência ilegal e clandestina sapateou durante muito tempo sobre a soberania ucraniana; exatamente o que, agora, ironicamente, Obama acusa o presidente Putin, de estar fazendo. (...) 

Washington invadiu a Ucrânia com agentes da CIA e com milhares das chamadas “organizações não governamentais”, e o faz desde o início dos anos 1990s – sempre com o objetivo de agitar uma mudança de regime na ex-República Soviética.

Victoria Nuland, do Departamento de Estado dos EUA disse, ela mesma, recentemente, que Washington “investiu” cerca de $5 bilhões para “promover a democracia” (quer dizer, em subversão e sedição) na Ucrânia ao longo das últimas duas décadas.

Viktor Yanukovich
A crise eclodiu quando o enfraquecido presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, desapareceu do próprio gabinete, semana passada, e pediu asilo à Rússia. 

O parlamento ucraniano, depois disso, foi invadido por seus opositores patrocinados pelo ocidente e instalou-se um governo provisório. Washington e Bruxelas rapidamente reconheceram a suposta nova autoridade em Kiev. 

Mas a Rússia, amparada em sólido argumento legal, denunciou a derrubada do presidente eleito Yanukovich e seu governo, como golpe de estado.

Os tumultos na Ucrânia, sim, tem todas as marcas de operação para “mudança de regime” comandada por Washington. Desnecessário dizer que se trata de interferência absolutamente criminosa, que zomba da lei internacional. 

O alvo final dessas operações, como foi pretensiosamente exposto no início dos anos 1990s por Zbigniew Brzezinski e outros estrategistas do Império dos EUA, sempre foi a desestabilização da própria Rússia.

Agora, ridiculamente, o novo presidente-fantoche-de-Washington em Kiev, Oleksandr Turchynov, pôs-se a acusar forças russas de “tomar e capturar” o parlamento regional e outros prédios públicos na Crimeia, ao sul da Ucrânia. (...)

Até agora, o presidente Vladimir Putin da Rússia manteve-se em silêncio. Mas Putin conhece muito bem a infinita capacidade de Washington para a mentira e a hipocrisia, e também sabe da agenda clandestina de Washington para “mudanças de regime” – agenda que os EUA ainda seguem contra a Síria, aliada árabe da Rússia.

Vladimir Putin
Por hora, Moscou parece interessada em agir em termos de calma legalidade e jogando pelas regras. Só fez dizer que a presença de soldados russos na Crimeia é parte de acordo militar bilateral legal e vigente, com a Ucrânia.

Mas os norte-americanos sabem que, de fato, o que Putin disse foi: “Querem jogar sujo, OK. Também sabemos jogar sujo. Agora, deem o fora daqui.” (...)

Putin está absolutamente correto, ao impor um marcador militar não dito às ambições de Washington sobre a Ucrânia, exatamente como fez quando os norte-americanos tentaram intrometer-se militarmente na Ossétia Sul, em 2008, usando como braço armado a Geórgia, agente da OTAN.

Os EUA são caso excepcionalíssimo de arrogância e desconsideração pela lei internacional; por isso não entendem a linguagem da diplomacia. A única linguagem que os EUA entendem, como argumento contra sua força bruta, é a força bruta.
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[*] Finian Cunningham nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. 

Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. 

É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. 

Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.


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