Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 25 de janeiro de 2015

A vitória do Syriza e as perspectivas da Europa!- Marcos Doniseti!

A vitória do Syriza e as perspectivas da Europa!- Marcos Doniseti!


Alexis Tsipras, líder do Syriza, e o ex-Presidente Lula, em reunião no Instituto Lula, em Dezembro de 2012. 

Um dos motivos para se comemorar a vitória do Syriza na Grécia é que, além de permitir o início de um projeto de reconstrução do país de Sócrates e Platão, agora o exemplo grego poderá começar a se espalhar pela Europa, o que seria muito bom, é claro. 

No final deste ano teremos eleição na Espanha e o 'Podemos', de esquerda (a versão local do Syriza grego... os dois partidos são muito próximos) tem liderado as pesquisas até o momento, à frente do PSOE e do PP, responsáveis por impor políticas de arrocho contra os trabalhadores e os mais pobres.

Outras nações europeias onde a Esquerda anti-austeridade poderia vir a crescer são Portugal e Itália, mas as eleições não estão tão próximas nestes países, infelizmente. 

A  vitória do Syriza foi mais do que previsível, pois as políticas neoliberais de arrocho e de austeridade foram verdadeiramente catastróficas para a Europa. 

Obs: O PT não pode se transformar no Pasok grego!

Uma das principais mudanças que tivemos com essa eleição grega e para a qual a mídia tupiniquim não chamou a atenção foi o virtual esmagamento do tradicional Pasok (Movimento Socialista Pan-Helênico) que foi criado em 1974 por Andreas Papandreou e que reunia as forças da esquerda progressista grega da época. 

O Pasok venceu as eleições de 2009 com 43,9% dos votos, mas colocou em prática a política da Troika, de arrocho e de austeridade anti-trabalhadores. 

No governo de George Papandreou, Primeiro-Ministro grego, os salários e as aposentadorias foram reduzidas em 40%. E agora o Pasok colheu os frutos dessa opção política equivocada, obtendo apenas 4,7% dos votos e elegendo apenas 13 deputados nesta eleição. 

Assim, o partido, que era um dos mais antigos e tradicionais da Centro-Esquerda europeia de orientação Social-Democrata, acabou se afastando de tal forma dos ideais que estavam presentes em sua origem que acabou repudiado pelos mesmos trabalhadores que, antes, votavam maciçamente no partido. 

Com isso, fica claro que o eleitorado europeu não está mais perdoando aos partidos de Esquerda e Centro-Esquerda que traem os seus compromissos com a classe trabalhadora e os mais pobres, passando a rejeitá-los nas urnas. O Pasok grego foi literalmente dizimado nessa eleição e dificilmente irá se recuperar do fortíssino processo de desgaste e de enfraquecimento que sofreu. O partido praticamente acabou. 

Entendo que isso aconteceu com o Pasok serve de sinal de alerta para o PT brasileiro. Caso o governo Dilma opte por impor políticas de ajuste econômico que venham a sacrificar os interesses dos trabalhadores e a poupar os privilégios das elites, então ele poderá ter o mesmo destino do Pasok. 

Que o Brasil precisa promover ajustes em sua economia, isso é inegável, como já escrevi aqui, mas se o custo de tal ajuste recair, principalmente, sobre as costas dos trabalhadores e dos mais pobres, estes poderão acabar por virar as costas ao PT nas próximas eleições, incluindo a eleição presidencial de 2018. 

Abre o olho, Dilma! Te cuida, PT!

Atualmente, o desemprego na UE está em 10%. Na Itália ele está em 13%, na Espanha em 23,7% e na Grécia ele chega a 25%. Os salários foram brutalmente arrochados e direitos sociais, trabalhistas e previdenciários foram eliminados. A concentração de renda disparou, as desigualdades sociais cresceram imensamente, a pobreza e a miséria dispararam. 

E todo esse arrocho, que foi imposto pela Troica (BCE, UE, FMI), não melhorou em nada a situação financeira da Grécia. Atualmente a dívida pública grega equivale a 175% do PIB, contra 165% do PIB de antes do início da crise. O poder de compra da população caiu 40%, empobrecendo enormemente aos gregos. Outro índice que mostra o quanto tal política foi trágica para os gregos é que o número de suicídios cresceu 45% no pais desde o começo da crise, em 2008. 

As políticas de austeridade anti-trabalhadores acabaram elevando a dívida pública, em vez de diminuí-la. Isso era mais do que previsível, pois o PIB grego caiu 25% como resultado do arrocho e da austeridade impostas ao povo da terra de Platão. 

Com uma queda tão forte do PIB, a arrecadação de impostos despencou (até porque com a crise a sonegação também cresceu bastante) e a dívida pública continuou representando uma parcela gigantesca da sua economia, ainda mais do que anteriormente. 

Assim, a política econômica imposta pela Troika (BCE, UE, FMI) fez com que os gregos, em termos de endividamento, ficassem enxugando gelo...


Alexis Tsipras e os seguidores do Syriza comemoram a vitória em Atenas. 

E é claro que, com tudo isso, o poder de compra da população desabou e o consumo desmoronou. Com isso, a inflação já é coisa do passado na UE, mas porque não há consumo. A crise europeia é tão profunda que a Zona do Euro já está em deflação. 

Em 2014, a Zona do Euro fechou com uma deflação de -0,2%. E quem entende alguma coisa sobre Economia sabe muito bem que a deflação é a ante-sala da Grande Depressão. 

O BCE até anunciou, nesta semana, que irá comprar, mensalmente, 60 bilhões em ativos públicos e privados a fim de estimular a economia do Velho Mundo. Mas é claro que só isso não irá resolver o problema. 

A Europa precisa de muito mais do que isso. Ela necessita abandonar as políticas de austeridade e restaurar o poder de compra e os direitos dos trabalhadores. 

Somente assim será possível voltar a crescer, gerar emprego, elevar a arrecadação de impostos e, daí sim, reduzir a dívida pública. Será o aumento do PIB que irá reduzir a dívida pública e não a sua diminuição.

As propostas de governo do Syriza caminham justamente nessa direção. Esse é o caminho correto a ser seguido pela UE e não aquele imposto pela Troica, que foi verdadeiramente catastrófico.

Por isso é mais do que justificável comemorarmos essa importante vitória do Syriza na Grécia. Que o exemplo grego se espalhe pelo Velho Mundo e quanto mais rapidamente isso acontecer, melhor será. 


Avante, Syriza! 


Links:

Na Grécia, política de austeridade reduziu poder de compra em 40%:

http://pt.euronews.com/2015/01/19/alexis-tsipras-campeao-da-esperanca-numa-grecia-em-crise/

Troika e austeridade viraram coisas do passado na Grécia, diz Alexis Tsipras:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/39281/troika+e+austeridade+viraram+coisas+do+passado+na+grecia+diz+lider+do+syriza+apos+vitoria.shtml#/0

Alexis Tsipras:  Vitória do Syriza significa o fim da Troika:

http://www.esquerda.net/artigo/tsipras-o-veredicto-do-povo-grego-significa-o-fim-da-troika/35574

Com a vitória do Syriza, enfim há esperança:

http://www.esquerda.net/opiniao/esperanca-em-grego-diz-se-syriza/35557

Metade dos gregos vive abaixo da linha de pobreza:

http://www.esquerda.net/opiniao/avancos-e-recuos/35566

BCE comprará 1 trilhão de Euros em ativos públicos e privados até Setembro de 2016:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/22/economia/1421930158_392049.html

Zona do Euro fecha 2014 com deflação de -0,2%:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/07/economia/1420623990_030994.html

Pasok, tradicional partido de origem socialista democrática, foi dizimado na Grécia:

http://www.esquerda.net/artigo/eleitores-gregos-viram-costas-aos-socialistas/35572

Governo do Pasok reduziu salários e aposentadorias em 40%:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/03/george-papandreou-renuncia-a-lideranca-de-partido-grego-pasok.html

Nenhum comentário: