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Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 29 de agosto de 2015

Diogo Costa: Porque a política anti-cíclica se esgotou no final de 2014!

Diogo Costa - Não foi a política atual; Foi o exaurimento 
da anterior! 
Preços das principais commodities despencaram justamente no último trimestre de 2014. Crises da Grécia-Zona do Euro e da China também se desenvolveram apenas em 2015. Logo, nem a Presidenta Dilma e nem ninguém tinha como adivinhar que a crise econômica e financeira mundial iria se agravar tanto. 
Algumas pessoas insistem com a falácia de dizer que as dificuldades atuais do governo federal, em matéria fiscal, se devem à mudança na política econômica.
O fato incontestável é que no ano passado, em plena vigência da política anticíclica, tivemos um déficit fiscal primário de 0,6 por cento do PIB. Não tínhamos um déficit primário desde o ano de 1997.
Não foi a mudança da política econômica, de anticíclica para pró-cíclica, que ocasionou as restrições fiscais, mas sim o exaurimento da própria política anticíclica vigente até o ano passado.
E quem dizia isso com todas as letras não era nenhum neoliberal, mas sim o ex Ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Ele passou o ano passado inteiro dizendo que era preciso recompor as finanças públicas e rever a política anticíclica, visto que o exaurimento da mesma apresentava-se de modo iminente.
Durante 06 anos consecutivos, entre 2009 e 2014, o governo federal sustentou a economia e a renda nacionais.
E fez isso com base em investimentos que cresciam acima do PIB e em amplas desonerações para setores específicos da economia.
Dilma Rousseff, que criou e manteve a política anticíclica bem sucedida que tivemos até o ano passado, não se desfez dessa política por traição ou por vontade própria, mas sim porque não há mais orçamento para mantê-la.
Até o último trimestre do ano passado a questão fiscal do Brasil estava bem equacionada.
Tanto isso é verdade que os relatórios dos dois maiores bancos privados do país, Bradesco e Itaú, apontavam um superávit fiscal do governo federal. E apontaram isso DEPOIS da eleição, em fins de outubro!
Foi no último trimestre do ano passado, em função da abrupta queda no valor das commodities, que as finanças se deterioraram com grande rapidez.
Vejam o que dizia o relatório do Itaú, de 31 de outubro de 2014 (depois da eleição):
''À luz dos resultados recentes, revisamos nossa projeção para o superávit primário oficial do ano de 0,9% para 0,5% do PIB... (...)''
Ou seja, previam para todos os seus clientes nacionais e internacionais, para as pessoas físicas e jurídicas, que o Brasil teria superávit primário em 2014, e não déficit.
Outro fato inconteste é que praticamente todo mundo foi pego de surpresa com a deterioração fiscal do último trimestre do ano passado.
Dilma não tinha outra solução a não ser mudar de rota e impedir que o déficit fiscal se mantivesse, em condições ainda piores, neste ano de 2015.
E como foi provado por A + B, não foi a mudança na política econômica que causou a restrição fiscal atual, mas sim o exaurimento da política econômica anterior, anticíclica. O resultado fiscal de 2014 é a prova cabal disso.
Termino com a seguinte constatação: em 2013 o setor público consolidado terminou com um superávit primário de 1,9 por cento do PIB. Em 2014 o superávit se transformou em déficit primário, de 0,6 por cento do PIB.
Se mantivéssemos essa trajetória de deterioração fiscal em 2015, terminaríamos o ano com um déficit primário colossal, de 3,1 por cento do PIB. Nem a Grécia tem déficit primário dessa magnitude.
As consequências dessa brutal deterioração fiscal, se não fosse estancada como está sendo, seriam ainda mais perniciosas para a população.
Teríamos mais inflação, taxas de juros ainda maiores e uma explosão cambial incalculável. O efeito disso no emprego e na renda das gentes seria sem dúvidas algumas o mais deletério possível.
Recuperando a parte fiscal se abre espaço para relaxar a política monetária.

Meu comentário sobre o texto do Diogo Costa. 

Ótimo texto do Diogo Costa (com o qual eu concordo, pelos motivos expostos na sequência). Ressalvo apenas que a atual política fiscal não irá reduzir o déficit público, mas talvez impeça que ele dispare e fuja ao controle. O que irá, mesmo, reequilibrar as contas públicas será a retomada do crescimento econômico.
Mas para que isso aconteça é necessário fazer algumas coisas fundamentais, como:
1) Reduzir a inflação: A previsão de inflação para 2016 está em 5,4%, contra cerca de 9,5% para 2015. Então, essa queda acontecerá no próximo ano;
2) Reduzir o déficit externo: A volta do superávit comercial. a redução dos gastos de turistas brasileiros no exterior e a diminuição da remessa de lucros para o exterior irão provocar a diminuição deste déficit.
3) Aumentar os investimentos produtivos: Neste aspecto, o Pacote de Concessão de R$ 198 bilhões, o Plano de Investimento em Energia de R$ 186 bilhões, o Minha Casa Minha Vida 3 e o Plano Safra de R$ 216 bilhões para o período 2015/2016, serão fundamentais.
Com isso, teremos uma progressiva retomada do crescimento econômico brasileiro.
Mas atenção: Isso acontecerá desde que a economia mundial não mergulhe em uma brutal Recessão, tal como poderá vir a acontecer com esse derretimento da bolha especulativa nas Bolsas da China e que poderá se alastrar para outras Bolsas em breve (de N.York, Londres, Frankfurt, em especial).

Condições fiscais e internacionais inviabilizaram 
políticas anti-cíclicas no Brasil, na China, na América 
Latina...

As atuais condições fiscais não permitem a adoção de uma nova política anti-cíclica pelo governo brasileiro, como aquela que tivemos entre 2008-2014.
Tal política se esgotou e isso ficou bem claro com os resultados fiscais e externos de 2014.
Mas também entendo que uma nova Recessão global não terá como ser resolvida por qualquer país isoladamente.
Será necessária uma grande articulação política global (liderada pelo G-20) para se adotar algum tipo de 'New Deal Global', a fim de se estimular a demanda e os investimento produtivos no mundo todo.
Na crise anterior, 2007/2014, os países emergentes (BRICS, em especial) seguraram as pontas da economia mundial, adotando as políticas anti-cíclicas. Agora, eles não tem mais como fazer isso.
Os BRICS foram a locomotiva da economia mundial entre 2007-2014. E agora, quem será essa locomotiva?
A UE, que tem pelo menos 5 países falidos (os PIIGS: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) com os quais se preocupar e onde a insatisfação social e política é crescente, levando ao crescimento da Esquerda (Grécia, Espanha) e da Extrema-Direita (França, Dinamarca)? Sem chance.
Ou a locomotiva serão os EUA, que formaram uma bolha especulativa nas suas Bolsas nos últimos anos em função das políticas de estímulo monetário e de juro de 0% ao ano do FED?
A recuperação dos EUA se baseou, essencialmente, na criação destas bolhas de crédito e do mercado acionário. Logo, quando elas implodirem (todas as Bolhas Especulativas implodem... pode até demorar um pouco, mas isso acaba acontecendo), daí podem dizer adeus à retomada da economia ianque.
Então, a terra do Tio Sam também não terá como ser a locomotiva que a economia mundial necessita neste momento.
Concluindo: a solução para a crise mundial não é mais econômica ou financeira, mas política.

Links:
Quatro ameaças ao crescimento da China
A China e a sua primeira crise capitalista
China: A Grande Muralha da especulação financeira desabou
Crise chinesa irá provocar Recessão mundial
Bolsas de Valores da Europa perderam 450 bilhões de Euros em apenas um dia (24/08)
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