Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Economia mundial necessita de um New Deal global! - Marcos Doniseti!

Economia mundial necessita de um New Deal global! - 
Marcos Doniseti!
Desempregados em fila para receber sopa gratuita, em Detroit, em 1933. 
Os fatos das últimas semanas, como a crise da Grécia-Zona do Euro e implosão das bolhas especulativas na China (em imóveis e ações), ainda não tinham dado as caras em 2014, quando a Presidenta Dilma foi reeleita. E a economia dos EUA, que vinha se recuperando até 2014, também já está desacelerando em 2015, com o FMI já reduzindo a sua estimativa de crescimento para a economia ianque neste ano.
As vendas de imóveis novos despencaram 6,8% nos EUA apenas em Junho deste ano. Não esqueçam que a crise anterior, de 2007-2008, também começou pelo mercado imobiliário ianque, com a crise do subprime.
São elementos novos da crise global iniciada em 2007-2008, que parece ter começado uma nova etapa, na qual o centro do agravamento da situação econômica mundial não são mais os EUA, mas a China e, em menor grau, a UE, sobrando ainda para os países emergentes (América Latina em especial, devido à dependência das suas exportações de commodities agrícolas e minerais para a terra de Confúcio e cujos preços atingiram o seu menor nível desde 1999).
Nos primeiros anos da crise global, iniciada em 2007-2008, os principais países emergentes ( BRICS, em especial) adotaram um amplo conjunto de políticas anti-cíclicas keynesianas que sustentaram as suas economias, aumentando os investimentos públicos, elevando salários, reduzindo juros e impostos, aumentando a oferta de crédito para a economia, entre outras.
Tudo aponta para o fato de que tais políticas anti-cíclicas se esgotaram, não apenas no Brasil, mas em todos eles (China inclusa) devido à queda dos preços das commodities exportadas pelos países emergentes, pela redução das suas exportações para Europa-EUA devido à forte Recessão que atingiu estes países a partir de 2008 e à sensível redução do preço do petróleo (prejudicando países como Venezuela, Rússia, Nigéria e países do Golfo Pérsico). 
Embora os EUA tenham reduzido o seu patamar de desemprego (ele chegou a 10% em 2009 e agora está em 5,5%, contra 4,4% em 2007), a União Europeia ainda tem uma taxa de desemprego bastante elevada (9,6%) e possui mais de 23 milhões de trabalhadores desempregados. Na Zona do Euro a taxa é ainda maior, de 11,1%. Em alguns países ela atingiu níveis vistos apenas na época da Grande Depressão (está em 22,5% na Espanha e em 25% na Grécia) 
Algumas estimativas já apontam que a economia chinesa passará a crescer apenas 5% ao ano a partir de agora, contra mais de 10% ao ano antes de estourar a crise global de 2007-2008.
Capitalismo explora a classe trabalhadora de forma cada vez mais brutal, eliminando direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. Com isso, o poder de compra dos trabalhadores fica estagnado ou diminui, empobrecendo a maioria da população, impedindo o crescimento econômico sustentável. 
Mas a questão é: Se os países emergentes mergulham na recessão ou em uma forte desaceleração de suas economias (caso da China, Rússia, América Latina, Oriente Médio), a economia dos EUA começa a fraquejar em 2015 e a União Europeia ainda não conseguiu sequer superar os efeitos da crise anterior (de 2007-2008), quem puxará o crescimento da economia mundial? Os marcianos? Papai Noel? O Monstro do Lago Ness?
Não existe, de fato, nenhuma grande economia, atualmente, que esteja crescendo em um ritmo que possa puxar a expansão das economias dos demais países, ou seja, que pudesse agir como uma locomotiva do crescimento mundial, tal como a China foi na última década, em especial. 
Então, tudo aponta para o fato de que uma crise dessas dimensões (que já não poupa nenhum país ou região do planeta) não pode mais ser tratada individualmente, por cada país isoladamente. Ela exige, urgentemente, uma grande articulação global, reunindo, no mínimo, os países integrantes do G-20.
De nada adianta a China, por exemplo, desvalorizar a sua moeda (como fez recentemente o governo do país), para tornar as suas exportações mais competitivas, pois os outros países seguirão o exemplo chinês e tomarão medida semelhante, desencadeando uma guerra cambial global que, na prática, representará um aumento do protecionismo, o que provocará a queda do comércio internacional, inviabilizando as tentativas de qualquer país de 'crescer puxado pelas exportações' e agravará ainda mais a situação econômica global. 
Logo, medidas adotadas isoladamente por cada país e que levam em consideração apenas os interesses do governo e da população do mesmo, não irão resolver coisa alguma, muito pelo contrário.
Então, os países que integram o G-20 precisam se reunir, urgentemente, para debater a crise e tomar medidas conjuntas para estimular a atividade econômica global.
O fato concreto é que não é mais possível continuar crescendo (tal como aconteceu nas últimas décadas) com base num processo de endividamento e de especulação financeira desenfreada e irracional, que joga as maiores economias do mundo em crise simultaneamente e agrava as condições de vida da imensa maioria da população mundial. 
Trabalhadores espanhóis desempregados em busca de trabalho. A Espanha possui uma das maiores taxas de desemprego do Mundo (de 22,5%). 
Somente entre 2008-2013 o número de trabalhadores desempregados no mundo aumentou em 61 milhões, segundo a OIT.
Esse modelo de capital financeiro desregulado já deu o que tinha que dar. Está esgotado e precisa ser, urgentemente, substituído por um modelo que privilegie a produção, o emprego, os salários e a melhoria contínua das condições de vida dos trabalhadores assalariados e da maioria mais pobre da população.
O que precisamos, urgentemente, é de um New Deal Global, que represente um grande estímulo aos investimentos produtivos, à geração de empregos, às melhorias salariais, tal como Franklin D. Roosevelt fez em seus primeiros anos de governo, em especial no período 1933-1937.
Afinal, se a crise é global e não poupa ninguém, então as soluções também terão que ser globais, com todos os governos das maiores economias do mundo procurando se entender a respeito de se adotar soluções para a mesma.
Assim, tais medidas teriam que ser tipicamente anti-cíclicas keynesianas (aumento dos investimentos públicos, redução de impostos, aumento de salários, maiores gastos sociais, etc) a fim de termos uma maior demanda global. E com mais demanda, teríamos mais produção e mais investimento. Tais políticas promoveriam uma ampla distribuição de renda em favor dos trabalhadores e dos mais pobres no mundo todo, o que daria início a um novo ciclo de crescimento global.
E tal programa (o New Deal Global) poderia ser financiado cobrando-se uma taxa sobre as movimentações financeiras globais, algo como uma 'CPMF global'. E os recursos seriam distribuídos com base em critérios econômicos e sociais claros, como a taxa de desemprego, o percentual da população abaixo da linha da pobreza, com maiores índices de analfabetismo e de mortalidade infantil, entre outros. 
Os líderes das 20 maiores economias mundiais precisam se reunir urgentemente e traçar uma estratégia comum de combate à crise mundial, que começou em 2007-2008 e que ainda está longe de terminar. É urgente criar um New Deal Global, a fim de estimular a demanda, gerar produção, empregos e investimentos produtivos no mundo todo, a fim de se melhorar as condições de vida da maioria população, especialmente dos assalariados e dos mais pobres. E poderia ser criada uma 'CPMF Global' para financiar tal programa. 
Assim, tal programa beneficiaria, principalmente, os países e as populações mais pobres do planeta, que passariam a ingressar no mercado de trabalho e no mercado consumidor, estimulando o aumento da produção, gerando empregos, aumentando os salários, elevando a arrecadação de impostos, entre outros inúmeros benefícios. 
Outros investimentos seriam feitos em obras de infra-estrutura (energia, transportes) e nas áreas sociais (saúde, educação, saneamento básico, transporte coletivo, habitação), que contribuem para gerar empregos e aumentam a produtividade da economia. 
Desta maneira, seria possível construir um mundo mais produtivo e menos desigual e seriam criadas as condições para a retomada do crescimento econômico mundial. E este crescimento se daria com base na melhoria das condições de vida da população e não por meio de um endividamento e de uma especulação financeira irracionais e que geram apenas crises sucessivas que acabam por aumentar as desigualdades sociais e por empobrecer ainda mais a população.
Caso o G-20 viesse a se reunir em torno de um programa dessa natureza, teríamos debates árduos? Sim. Interesses distintos entrariam em choque? Sem dúvida. 
Mas não há outra opção.
Capital especulativo global fez com que todas as economias do mundo ficassem sujeitas às decisões de especuladores que podem, em pouco tempo, provocar a derrocada econômica de economias nacionais inteiras, mesmo que sejam de grande porte. 
Se algo neste sentido não for feito, então não é de se duvidar de que venhamos a ter uma nova Grande Depressão, que foi evitada em 2007-2008 (ela até aconteceu, mas durou cerca de um ano e ficou restrita aos EUA, UE e Japão... na época os países emergentes - os BRICS, em especial - sustentaram a economia mundial, evitando que a Depressão chegasse a todo o planeta e fosse limitada no tempo), mas que, agora, talvez não possa ser mais.
A hora de agir é agora.

Links:

Paul Krugman: Políticas atuais agravarão a crise:


Política de juro Zero do FED criou bolha especulativa nas Bolsas dos EUA:


Situação da economia chinesa é bem pior do que se imagina, diz gestor de fundos especulativos:


Economia dos EUA cresceu em ritmo moderado em Junho:


Índice europeu de ações mostra perdas de 1 Trilhão de Euros em Bolsas europeias no mês de Agosto:


Bolsas de Valores desabam no mundo todo em 24/08/2015:


O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, criador do New Deal, que tirou os EUA da Grande Depressão, adotando um agressivo programa de aumento dos gastos sociais, de investimentos públicos e de geração de empregos para promover a retomada do crescimento econômico. As políticas do New Deal foram mantidas até que Ronald Reagan se elegeu Presidente e decidiu iniciar o seu desmonte. E o Mundo paga um alto preço por isso, neste momento, enfrentando sucessivas crises econômicas e sociais. Mal termina uma crise e já começa outra. 
China irá crescer apenas 5% ao ano a partir de agora:


Preços das commodities recuam para níveis de 1999:


Vendas de imóveis novos sofrem queda de 6,8% em Junho nos EUA:


China desvaloriza a sua moeda pela segunda vez consecutiva:


OIT: 61 milhões de trabalhadores ficaram desempregados no mundo entre 2008-2013:

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