Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 12 de setembro de 2015

Brasil: Porque as lutas políticas e sociais devem se tornar cada vez mais intensas nos próximos anos! - Marcos Doniseti!

Brasil: Porque as lutas políticas e sociais devem se tornar cada vez mais intensas nos próximos anos! - Marcos Doniseti!
O economista polonês Michal Kalecki antecipou várias das ideias e teorias keynesianas. E defendia que os capitalistas repudiam as políticas públicas de estímulo ao consumdo porque retira deles o controle das decisões que determinam o rumo da atividade econômica.
O site da 'Carta Maior' publicou um texto muito interessante, de autoria do economista Fernando Rugitsky, que mostra que a adoção de políticas de ajuste econômico por parte do governo Dilma, em seu segundo mandato, se deve a uma combinação de fatores políticos e econômicos, internos e externos, tais como:

1) Desaceleração da economia chinesa

Esta desaceleração derrubou os preços de alguns dos principais produtos de exportação do Brasil (commodities agrícolas e minerais, como a soja, o minério de ferro, etc).

Isso promoveu uma grande deterioração dos termos de troca para o Brasil, que passou a faturar muito menos com as exportações.

Tais fatores contribuíram para reduzir a demanda por produtos brasileiros, gerando uma redução do investimento produtivo no país;

É bom não esquecer, embora isso não seja dito no texto, que tal fato também afetou inúmeras outras economia da América Latina e, até mesmo, a Rússia (grande exportadora de petróleo e que enfrenta uma severa recessão em 2015 devido à forte queda do preço do barril). E a América Latina é o principal mercado de exportação de produtos industrializados brasileiros.

2) Greve de investimentos por parte dos capitalistas brasileiros.

Os capitalistas brasileiros rejeitaram a adoção da política social-desenvolvimentista que foi implementada pelo governo Dilma em seu primeiro mandato (2011-2014).

Neste, tivemos a redução da taxa Selic para 7,25% ao ano, a redução das tarifas de energia elétrica (um setor que foi fortemente desnacionalizado no governo FHC, caindo sob o controle do capital estrangeiro), a expansão da atuação do BNDES, a redução da margem de lucro em obras de infra-estrutura (exemplo: os pedágios das rodovias federais que foram concedidas ao setor privados foram reduzidos), a diminuição dos juros da CEF e do BB (que tomaram mercado dos bancos privados).
Desde o final de 2008 que a taxa de juros do FED (Banco Central dos EUA) está próximo de 0% ao ano. Tal medida, junto com a política de estímulos monetários (quantitative easing) que injetou US$ 4 trilhões na economia mundial, contribuíram decisivamente para a recuperação da economia dos EUA.
A forte queda do desemprego, que fechou em apenas 4,8% em 2014 (a menor taxa da história) também prejudicou os interesses dos capitalistas, principalmente daqueles que possuem uma típica mentalidade escravocrata e que desejam sempre explorar uma força de trabalho barata e que trabalhe intensamente, feito burros de carga. Com o desemprego tão baixo, como o que tivemos em 2014, isso fica muito mais difícil. Não foi à toa, aliás, que nos últimos anos mais de 90% dos acordos salariais terminassem com os trabalhadores brasileiros obtendos aumentos reais anuais de salários.
Tudo isso contrariou interesses capitalistas poderosos que, em função disso, recusaram-se a investir no aumento da capacidade produtiva, contribuindo fortemente para a estagnação econômica que tivemos em 2014.
E isso também ajudou na piora da situação das contas externas, pois obrigou o país a aumentar as suas importações para suprir o aumento de demanda interna que tivemos entre 2003-2014, pois as vendas no comércio varejista brasileiro, neste período, cresceu cerca de 140%. 
Somente no primeiro mandato de Dilma as vendas de veículos no mercado interno brasileiro chegaram a quase 14 milhões de carros zero km, fazendo do país o quarto maior mercado de veículos do mundo, ficando atrás apenas da China, EUA e Japão. E como grande parte das peças e insumos usados na produção dos veículos são importados, isso pressionou as importações e as contas externas do país.
Reservas internacionais líquidas do Brasil cresceram fortemente entre 2002 (US$ 16,3 bilhões) e 2014 (US$ 379 bilhões). Atualmente elas estão em US$ 370 bilhões. 
Estagnação econômica brasileira em 2014
Sem os investimentos necessários, e com um cenário econômico mundial cada vez pior, principalmente devido à forte desaceleração da economia chinesa. Esta passou a crescer a um ritmo anual de apenas 7% - contra mais de 10% ao ano antes da crise global neoliberal que começou em 2008 - e atingiu em cheio as economias da América Latina, Brasil incluído. 
Com isso, a economia brasileira estagnou em 2014, quando o crescimento do PIB brasileiro foi de apenas 0,1%, caracterizando uma estagnação econômica. 
Desta maneira, a arrecadação de impostos diminuiu em 2015 e, desta maneira, a situação das contas públicas começou a se deteriorar. Em função disso, o governo Dilma adotou uma política de ajuste econômico, que é tão criticada, em seu segundo mandato, com o objetivo de reequilibrar as contas públicas e também das contas externas, cujos déficits foram muito elevados em 2014 (o déficit público nominal foi de 6,6% do PIB e o déficit nas contas externas foi de 4,2% do PIB).
Impeachment, Operação Lava Jato, Terrorismo Midiático e Quantitative Easing.
Estes assuntos não são analisados no texto publicado em 'Carta Maior', mas irei analisá-los aqui.
E para piorar um pouco mais a situação brasileira em 2015, ainda tivemos a operação 'Lava Jato', que em nome do combate à corrupção (de apenas de alguns segmentos da classe política brasileira... afinal, com o PSDB ninguém mexe, pois a turma do Grande Capital não permite) acabou por prejudicar o andamento e a execução de inúmeras grandes obras de infra-estrutura no país (refinarias, construção naval, etc), pois atingiu em cheio as maiores empreiteiras do país (Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS, etc).
Segundo estimativas, a operação 'Lava Jato' irá diminuir o valor do PIB brasileiro de 2015 em R$ 142,6 bilhões (o equivalente a 2,5% do PIB) e tirar o emprego de 1,9 milhão de trabalhadores brasileiros. Assim, praticamente toda a retração econômica que teremos no Brasil em 2015 será de responsabilidade exclusiva da 'Lava Jato', pois segundo o Boletim Focus divulgado em 08/09/2015 a queda do PIB brasileiro deverá ficar em 2,44% em 2015.
A taxa de desemprego nos EUA permaneceu num patamar bastante alto durante vários anos consecutivos após o início da crise global neoliberal de 2008. A queda começou, mesmo, somente a partir do final de 2011. E apenas em Janeiro de 2012 ela retornou ao mesmo nível no qual se encontrava em Fevereiro de 2009 (8,3%, bastante elevado). 
Portanto, a operação 'Lava Jato', fortemente marqueteira e seletiva nas suas investigações, afetou negativamente um setor muito importante da economia brasileira, a Construção Civil, que é um dos poucos setores da economia que é controlado pelo capital nacional e que não necessita importar insumos ou matérias-primas, pois são todos produzidos internamente.
O texto de Fernando Rugitsky no site da 'Carta Maior' também não trata disso, concentrando-se nos aspectos econômicos e financeiros da situação brasileira, mas é mais do que evidente de que o noticiário midiático de caráter manipulatório e mentiroso, convenceu uma grande parte da população brasileira de que 'o país está quebrado', o que é uma deslavada mentira.
Afinal, que raio de país quebrado é esse que possui Reservas Internacionais líquidas (de US$ 370 bilhões) suficientes para pagar toda a sua Dívida Externa Bruta (US$ 343 bilhões)?
Uma coisa é o país precisar ajustar a sua economia para superar dificuldades temporárias, como é o caso do Brasil atualmente. Outra coisa, bem diferente, é dizer que 'o país está quebrado'.
Além disso, em Outubro de 2014 o FED encerrou a política de 'quantitative easing' (estímulo monetário) que implementou em Novembro de 2008 e que injetou US$ 4 trilhões de dólares na economia mundial. Tal política foi acompanhada da redução da taxa de juros para apenas 0,25% ao ano e ambas as medidas contribuíram para a retomada do crescimentro econômico dos EUA que, atualmente, tem uma taxa de desemprego de 5,1% em Agosto, contra uma taxa de 10,2% em Outubro de 2009.
Com essa significativa queda da taxa de desemprego nos EUA, aumentou a expectativa de que o FED irá aumentar a sua taxa de juros. Somente isso já foi suficiente para fazer com que uma parte do capital fabricado pelo FED nos últimos anos (via quantitative easing) e que haviam sido aplicados em outros mercados mundo afora acabassem por retornar aos EUA, levando a uma forte desvalorização de moedas pelo mundo todo. Nos primeiros meses deste ano, 20 das 21 moedas mais importantes se desvalorizaram perante o dólar. E o Real foi uma destas moedas.
Tudo isso, somado à tentativa da oposição derrotada em 2014 na eleição presidencial de tentar levar adiante um processo de Impeachment contra Dilma, aumentando o grau de incerteza política e econômica do país, também contribuiu para a desaceleração econômica que o Brasil enfrenta em 2015 esteja sendo muito maior do que seria caso apenas a política de ajuste econômico estivesse vigorando e que visa restabelecer o equilíbrio das contas públicas e das contas externas.
Assim, a desaceleração da economia chinesa, a forte perda de valor das commodities, a forte crise que atingiu a América Latina, a greve dosINVESTIMENTOS por parte dos capitalistas tupiniquins, o terrorismo midiático mentiroso e manipulador, a operação Lava Jato, a expectativa de aumento da taxa de juros pelo FED e a tentativa de se aprovar o Impeachment de Dilma se combinaram para fazer de 2015 um ano muito pior para o país do que se poderia imaginar ao final do ano passado.
A taxa de desemprego no Brasil despencou entre 2002 (12,2%) e 2014, quando terminou o ano em 4,8%. Com isso, os trabalhadores passaram a conquistar aumentos salariais reais. Tal situação desagradou muito aos capitalistas, que não tinham mais como arrochar os salários para poder aumentar a sua margem de lucro.

Luta de Classes ficou mais forte e deve se intensificar ainda mais no Brasil nos próximos anos
Aliás, tal avaliação, de que a crise atual é muito mais política do que econômica, também foi corroborada até mesmo por grandes empresários brasileiros, como foi o caso de Roberto Setúbal (Itaú), Luiz Trabuco (Bradesco) e Abílio Diniz (Brazil Foods... leia-se Sadia e Perdigão). A questão é: os capitalistas estrangeiros e brasileiros continuarão promovendo essa verdadeira guerra política contra o governo Dilma, a fim de obrigá-lo a adotar as mesmas políticas que o povo brasileiro rejeitou nas eleições presidenciais de 2002, 2006, 2010 e 2014? Como o economista Fernando Rugitski diz na parte final do seu texto, a adoção de uma política permanente de 'austeridade' irá, inevitavelmente, aumentar a intensidade das lutas políticas e sociais no Brasil. Isso irá acontecer porque a população brasileira não aceita mais perder aquilo que conquistou nos últimos anos e deseja a continuidade das políticas de inclusão social e de distribuição de renda implementadas pelos governos Lula e Dilma. Para os brasileiros, principalmente das camadas populares, conquistas como o pleno emprego, salários reais aumentando, acesso ao crédito, entrada no mercado consumidor, aquisição de casa própria, de veículos e demais bens de consumo duráveis, acesso aos serviços públicos de transporte, saúde, educação, precisam ser preservadas.
Mas isso acontece ao mesmo tempo em que os interesses do Grande Capital (principalmente do capital financeiro especulativo globalizado) fazem com que o mesmo rejeite as políticas sociais e desenvolvimentistas que permitiram que os programas de inclusão social e de distribuição de renda fossem implementados. Qual será o resultado deste crescente processo de lutas políticas e sociais que se desenvolve no Brasil atualmente é algo que não tem como ser previsto, mas a tendência no sentido de que o mesmo irá se intensificar nos próximos anos é mais do que evidente. Como diria Karl Marx: 'É a luta de classes, estúpido!'.
A participação da Construção Civil na economia brasileira é imensa, chegando a 14,8% do PIB total do país.
Links: Do Ensaio Desenvolvimentista à austeridade: uma leitura Kaleckiana: http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FEconomia%2FDo-Ensaio-Desenvolvimentista-a-austeridade-uma-leitura-Kaleckiana%2F7%2F33448 Boletim Focus estima que PIB brasileiro cairá 2,44% em 2015: http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2015/09/mercado-preve-mais-inflacao-e-menos-crescimento-para-2015-e-2016.html Empresários brasileiros criticam a ideia de Impeachment: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/08/24/politica/1440374136_727458.html Abílio Diniz - Crise é mais política do que econômica: http://www.brasil247.com/pt/247/economia/194279/Ab%C3%ADlio-Diniz-crise-%C3%A9-mais-pol%C3%ADtica-que-econ%C3%B4mica.htm PIB brasileiro cresceu apenas 0,1% em 2014: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/27/politica/1427458565_874347.html FED: Política de estímulos monetários injetou US$ 4 trilhões na economia mundial: http://oglobo.globo.com/economia/negocios/bc-dos-eua-marca-para-outubro-fim-do-programa-de-estimulos-13195893 Desemprego nos EUA chega a 10,2% em Outubro de 2009: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,taxa-de-desemprego-nos-eua-supera-10-apos-26-anos,462235 Taxa de desemprego nos EUA cai para 5,1% em Agosto de 2015: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/desemprego-cai-nos-eua-e-continua-no-nivel-mais-baixo-em-7-anos.html
Dólar se valoriza ante moedas do mundo todo em 2015: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150312_cambio_real_euro_ru
Reservas internacionais líquidas do Brasil chegam a US$ 370,9 bilhões: https://www.bcb.gov.br/?RP20150910

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