Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 12 de setembro de 2015

Jeremy Corbyn torna-se o novo líder do Partido Trabalhista britânico! Social-Democracia autêntica está renascendo na Europa! - Marcos Doniseti!

Jeremy Corbyn torna-se o novo líder do Partido Trabalhista britânico! Social-Democracia autêntica está renascendo na Europa! - Marcos Doniseti!
Jeremy Corbyn, um socialista da velha guarda, tornou-se o novo líder do Partido Trabalhista britânico, que foi o grande responsável pela construção do Welfare State (Estado de Bem-Estar Social)  no Reino Unido no pós-Guerra.
Um socialista da velha guarda, Jeremy Corbyn, da ala esquerda do Partido Trabalhista britânico, venceu de forma esmagadora a eleição para escolher o novo líder da legenda, obtendo 59,5% dos votos.
Corbyn é um crítico das políticas de arrocho que são adotadas pelo governo do Partido Conservador, liderado por David Cameron, defendendo a adoção de uma política que leve a um aumento na taxação dos mais ricos, com o objetivo de financiar investimentos públicos que beneficiem aos mais pobres e necessitados de ajuda pública.
Entre as suas principais propostas estão:
1) Aumentar os impostos dos mais ricos para financiar invesmentos na educação;
2) Elevar os investimentos em infra-estrutura, em habitação;
3) Cortes nos gastos militares;
4) Aumento da participação das mulheres no governo, combatendo à desigualdade de gênero;
5) Manutenção do Reino Unido na UE, mas promovendo mudanças para melhorá-la;
6) Aumento do salário mínimo e o estabelecimento de um salário máximo;
7) Estatização das ferrovias;
8) A criação de um Banco Nacional de investimentos que promova investimentos em áreas como habitação, transporte, energias renováveis e tecnologia. 
Trabalhadores espanhóis em busca de emprego, algo muito difícil de se obter em um país cuja taxa de desemprego é de 22,5%. Jeremy Corbyn, novo líder do Partido Trabalhista britânico, é um crítico das políticas neoliberais de arrocho que são responsáveis por tal situação. 
Para isso, Corbyn defende a criação de uma política de estímulo monetário (quantitative easing) por parte do Banco da Inglaterra. Mas em vez de comprar títulos públicos (como fazem o FED e o BCE), o novo dinheiro seria usado para comprar títulos do BNI. E este usaria o capital acumulado para se promover grandes investimentos públicos nos setores citados acima.
Assim, Corbyn sugere a criação de uma espécie de 'BNDES britânico' para elevar os investimentos produtivos, promover o crescimento econômico e gerar novos empregos.
9) Fim do apoio às guerras e ações militares da OTAN, defendendo soluções diplomática e políticas para os principais problemas internacionais. Corbyn também estuda promover a saída do Reino Unido da OTAN.
A oposição de Corbyn às políticas belicistas da OTAN é mais do que justificável, pois não resolvem coisa alguma e promovem a criação de novos e gigantescos problemas políticos e sociais globais. 
Afinal, não se pode esquecer que foram justamente as guerras promovidas pela OTAN, em aliança com o CCG (Conselho de Cooperação do Golfo, que reúne as teocracias islâmicas pré-históricas como a Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Bahrein, Omã e EAU) que criaram essas legiões intermináveis de refugiados que, agora, migram em massa para a Europa, pois as suas nações de origem (Síria, Líbia, Iraque, entre outras) foram devastadas por tais guerras;
Taxa de desemprego disparou na União Europeia após o estouro da crise global neoliberal de 2008. Embora tenha sofrido uma leve queda, ela ainda está em patamares altíssimos, chegando atualmente a 25% na Grécia, 22,5% na Espanha. Em toda a UE o número de desempregados passa de 23 milhões. 
10) Condenação do TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento), que está sendo negociado pelos governos dos EUA e da UE e que, se for aprovado nos termos atuais será altamente benéfico ao grande capital transnacional e imensamente prejudicial aos trabalhadores do mundo todo.
Portanto, essa vitória de Corbyn é uma boa notícia, pois tudo indica que, a partir de agora, o Partido Trabalhista irá adotar uma linha política muito mais progressista, deixando de ser uma mera cópia disfarçada do Partido Conservador, retomando muitas das bandeiras das suas origens, quando desempenhou um papel fundamental para a construção de uma sociedade mais democrática, justa e igualitária no Reino Unido.
E as principais propostas de Corbyn, como vimos acima, vão justamente nessa direção. E isso é um fato altamente positivo, até em função da crise econômica mundial que, desde o seu início, em 2008, desempregou mais de 61 milhões de trabalhadores pelo mundo todo (até 2013).
Afinal, o Partido Trabalhista foi o grande responsável pela construção do Welfare-State (Estado de Bem-Estar Social) na Grã-Bretanha no pós-Guerra, fazendo com que o país passasse a contar com excelentes sistemas públicos e gratuitos de saúde e educação, programas de construção de moradias com aluguéis subsidiados, fortalecendo o movimento sindical, melhorando consideravelmente as condições de vida dos trabalhadores e dos mais pobres.
Com isso, tivemos uma significativa redução das desigualdades sociais, da pobreza e da miséria no Reino Unido.
Poster de campanha do Partido Trabalhista britânico de 1910. Muitos dos principais problemas econômicos e sociais daquela época retornaram agora, no começo do século XXI, como são os casos dos refugiados, aumento da concentração de renda e das desigualdades sociais. Tal como no início do século XX, é mais necessário do que nunca promover lutas sociais e políticas que combatam as políticas que tanto prejudicam os trabalhadores e os mais pobres. 
Porém, muitas destas políticas de distribuição de renda e que promoveram a justiça social, que foram adotadas pelo Partido Trabalhista nos primeiros anos do pós-Guerra, começaram a ser combatidas e eliminadas a partir do governo neoliberal e anti-trabalhadores de Margaret Thatcher, líder do Partido Conservador que foi eleita primeira-ministra em 1979. Tais políticas aumentaram fortemente a concentração de renda, as desigualdades sociais e a pobreza no Reino Unido.
E depois tais políticas se espalharam pela Europa nos anos seguintes, o que levou a uma piora significativa na situação dos trabalhadores e dos mais pobres em todo o Velho Mundo. 
A adoção do Euro piorou ainda mais essa situação, pois praticamente obrigou todos os países que adotaram a moeda única a seguir a mesma receita de política econômica, promovendo políticas de arrocho e de eliminação ou de redução significativa dos salários e dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, enquanto que o capital financeiro era cada vez mais beneficiado com reduções de impostos e apropriação de uma parcela cada vez maior dos recursos públicos. 
Isso aconteceu, por exemplo, quando tivemos o estouro da crise global neoliberal, em 2008, quando todo o sistema financeiro privado dos EUA e da UE simplesmente faliu. E quem salvou aos mesmos? O Estado, o mesmo que os neoliberais adoram dizer que é 'obsoleto, ultrapassado, ineficiente e corrupto'.
Manifestantes europeus protestam contra as guerras promovidas pela OTAN (NATO em inglês) em várias partes do mundo - Norte da África, Oriente Médio e Ucrânia, por exemplo - e que são as responsáveis pela atual crise de refugiados na Europa. 
Desta maneira, nos anos seguintes os governos dos EUA e da UE gastaram cerca de US$ 19 trilhões para salvar os sistemas financeiros de suas respectivas economias, o que levou a um forte aumento da dívida pública. E a conta desta política foi repassada aos trabalhadores e aos mais pobres, que tiveram seus salários arrochados e que perderam direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.
O resultado disso, depois de tantos anos de políticas neoliberais e de arrocho que beneficiaram o capital financeiro, é que atualmente a União Europeia já tem 25% da sua população vivendo em risco de pobreza e de exclusão social.
Infelizmente, o governo trabalhista de Tony Blair manteve intactas muitas das políticas thatcheristas e apoiou as guerras criminosas de Bush Jr. pelo mundo (Iraque, Afeganistão), o que levou o Partido Trabalhista britânico a ficar muito parecido com o Partido Conservador.
Agora, com a vitória de Jeremy Corbyn, que se tornou o novo líder dos Trabalhistas britânicos, o Reino Unido volta a ter de fato uma disputa em torno de projetos políticos e sociais distintos: O Neoliberal e Imperialista, pró-OTAN, defendido pelos Conservadores, e um Social-Democrata keynesiano, a favor do Estado de Bem-Estar Social, e que condenas as guerras promovidas pela OTAN, defendido pelos Trabalhistas.
Percentual de crianças em risco de pobreza ou de exclusão social na União Europeia é bastante elevado. Políticas neoliberais e de arrocho agravaram muito a situação. 
Os europeus e o mundo terão muito a ganhar caso essa opção feita pelo Partido Trabalhista renda frutos e gere mudanças positivas no Reino Unido e na Europa nos próximos anos.
Várias forças políticas, de Centro-Esquerda keynesiana autêntica, defensores da justiça social e de uma distribuição de renda mais igualitária, estão se fortalecendo na Europa nos últimos anos, como são os casos do Syriza grego, do Podemos espanhol e do Die Linke alemão. Recentemente, um ex-líder sindical metalúrgico (admirador de Lula) venceu a eleição para o governo da Suécia pelo Partido Social-Democrata.
E agora temos a volta do Partido Trabalhista britânico às suas origens, quando era um partido que defendia ardentemente os interesses dos trabalhadores e dos mais pobres, se tornando um partido defensor da recuperação e manutenção do Welfare State.
Há muita insatisfação popular no Reino Unido e na Europa com as políticas de arrocho e com as guerras imperialistas da OTAN, que gerou essa onda gigantesca de refugiados rum ao Velho Mundo. Na Alemanha, por exemplo, o partido Die Linke (A Esquerda) elegeu o governador do estado da Turíngia e na eleição geral de 2013, vencida por Angela Merkel, foi o terceiro partido mais votado, ficando atrás apenas da Democracia Cristã (CDU-CSU) e da Social-Democracia (SPD), alcançando os 8,5% dos votos.
O virtual renascimento de um partido político de perfil historicamente progressista, como é o caso do Trabalhista britânico, que foi um dos primeiros a representar os interesses dos trabalhadores organizados politicamente na Europa e no Mundo (ele foi fundado em 1900) e que sempre lutou pela construção de uma sociedade caracterizada por uma melhor distribuição de renda, pela justiça social e pela crescente participação política dos trabalhadores, é um fato realmente auspicioso.
Que esse processo de virtual renascimento, reconstrução e reorganização de uma Esquerda europeia progressista e defensora da Justiça Social, da Democracia e da Diplomacia tenha continuidade e se fortaleça cada vez mais nos próximos anos no Reino Unido a Europa.
O mundo e a civilização agradecem.
Relação dos dez países que mais enviaram refugiados para a União Europeia em 2015 mostra que eles são originários de Nações nos quais os EUA e a OTAN promoveram golpes de Estado, guerras ou algum tipo de intervenção militar. Isso não é mera coincidência. 
Links:
Jeremy Corbyn é o novo líder dos Trabalhistas britânicos:
David Cameron pretende cortar até 40% dos gastos públicos, para zerar déficit público britânico, de 5% do PIB:
As principais propostas de Jeremy Corbyn:
Oxfam diz que desigualdade e injustiça social na União Europeia atingiram níveis inaceitáveis:
Afinal, o que é o TTIP? Esse texto ajuda a entender:
Stefan Lofven, o 'Lula sueco', se elege Primeiro-Ministro e diz ser um admirador do ex-presidente brasileiro:
Jeremy Corbyn ganha a eleição interna e se torna o novo líder do Partido Trabalhista britânico:
Espanha: Pesquisa mostra PSOE, Podemos e Izquierda Unida com 47,2% das intenções de voto:
Die Linke critica os EUA pela crise imigratória na Europa:
Die Linke elege governador da Turíngia:
Die Linke torna-se o 3o. maior partido da Alemanha:
As guerras da OTAN são as responsáveis pela crise dos refugiados na Europa:

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