Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 19 de dezembro de 2015

Espanha: Podemos cresce na reta final da eleição! - Marcos Doniseti!

Espanha: Podemos cresce na reta final da eleição! - Marcos Doniseti!
Pablo Iglesias lidera o Podemos, partido de Centro-Esquerda que cresce fortemente na reta final da eleição espanhola e que poderá surpreender na eleição para escolher o novo governo do país.

Amanhã teremos a realização de eleições gerais para o Parlamento espanhol. Assim, o povo da terra de Dom Quixote irá escolher o seu novo governo. 

A pesquisa mais recente, realizada no dia 18/12, deu os seguintes resultados:

PP (Direita Neoliberal) 26,6%;
PSOE (Centro-Direita) 20,8%;
Podemos (Centro-Esquerda) 20,1%;
Ciudadanos ('nova' Direita) 15,5%;
Izquierda Unida (Esquerda) 4,4%;
Outros (forças políticas regionais, nacionalistas, etc) 12,6%.

O atual governo espanhol é do PP (Partido Popular), de direita neoliberal, e adotou uma série de medidas (redução de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários) que prejudicaram imensamente aos trabalhadores, aos mais pobres e à classe média, aumentaram a concentração de renda, o desemprego, as desigualdades sociais, a pobreza e a miséria no país. 

Atualmente, a taxa de desemprego na Espanha é de 21,2%, a segunda maior da Europa (inferior apenas à grega, que é de 24,6%). Entre os jovens a taxa é ainda maior, chegando a inacreditáveis 47,7%. O número total de desempregados no país é de 4,1 milhões (isso num país que possui 46,4 milhões de habitantes. 

Com isso, o PP que havia vencido as eleições anteriores (Julho de 2011) com uma certa facilidade (obtendo 43,1% dos votos, contra 36% do PSOE), perdeu muita popularidade e, agora, tem cerca de 26,5% dos votos, sofrendo uma redução de cerca de 40% na sua votação. 

As mais recentes pesquisas diárias (trackings) divulgadas pelo jornal 'El Periòdic', de Andorra, mostram um crescimento do Podemos (Centro-Esquerda), que está empatado tecnicamente com o PSOE (Centro-Direita) em segundo lugar. 

O PSOE tem 20,8% das intenções de voto, enquanto que o Podemos tem 20,1%. Até o final de Novembro, o Podemos estava 5,4 p.p. atrás do PSOE (16% X 21,4%). 

Assim, enquanto o PSOE ficou estabilizado (com 0,6 p.p. a menos), o Podemos iniciou uma arrancada, que o colocou em situação de empate técnico com o PSOE. 

O PSOE era, originalmente, um partido progressista de Centro-Esquerda, mas quando estourou a crise mundial de 2008, a Espanha foi duramente afetada e o governo do então primeiro-ministro Zapatero que se adotou as primeiras medidas de austeridade, como a redução de benefícios sociais, trabalhistas e previdenciários, a realização de privatizações, entre outras. 

Com isso, o PSOE também perdeu muita popularidade e, agora, o partido tem dificuldades para obter, pelo menos, 20% dos votos nestas eleições, sendo ameaçado pelo Podemos. O seu líder, Pedro Sanchez, tentou apresentar a sua candidatura como um símbolo de mudança segura para o país, mas tal discurso não entusiasmou o eleitorado. Quem deseja mudança, mesmo, votará no Podemos, na Izquierda Unida e em forças políticas nacionalistas regionais que também são críticas da austeridade. 

Enquanto isso, o PP manteve o 1o. lugar nas pesquisas, tendo um ligeiro crescimento desde o final de Novembro, passando de 23,9% para 26,6%. 

E o Ciudadanos (Direita), que chegou a ameaçar o 2o. lugar do PSOE no final de Novembro (tinha 21% contra 21,4% do PSOE), caiu dos 21% para 15,5% na pesquisa mais recente. Como o seu eleitorado tem um perfil mais conservador, tudo indica que ele foi vítima de um 'voto útil' a favor do PP. E uma parte do seu eleitorado, entre os jovens, deve ter migrado para o Podemos. 

Nos dias anteriores à realização da eleição, as pesquisas são proibidas na Espanha. 

Mas um jornal de Andorra, 'El Periòdic', quebrou essa restrição, publicando trackings diários. Como o jornal não fica na Espanha, a Justiça e o Governo da Espanha nada puderam fazer para impedir a divulgação das pesquisas. 

E tais pesquisas são divulgadas e repercutidas na Espanha, o que está beneficiando o Podemos, que é o único partido que está em ascensão nas preferências da população.

Bem vindo ao maravilhoso mundo da globalização e da Internet...

Caso o resultado da eleição seja, pelo menos, parecido ao da última pesquisa divulgada pelo 'El Periódic', a Espanha entrará numa era de fragmentação política inédita desde o fim da Ditadura de Francisco Franco e da Redemocratização do país (1975-1976).

Desde então, o cenário político espanhol tem sido dominado pelo PSOE e pelo PP, que se alternam no poder, obtendo vitórias eleitorais que lhes permitiram governar sozinhos, sem necessidade de se aliarem a outras forças políticas. Era um bipartidarismo de fato. 

A penúltima pesquisa realizada para o 'El Periòdic' mostra uma luta acirrada pelo 2o. lugar na eleição, entre o PSOE e o Podemos. PP será o mais votado, mas ficará muito longe de obter a maioria absoluta e terá que conseguir o apoio de outras forças políticas para poder continuar governando a Espanha. 


Já nas eleições europeias de 2014, o PP e o PSOE perderam, somados, 5,1 milhões de votos, chegando a apenas 49,9% do total (contra 81% nas eleições anteriores). E nas eleições regionais e municipais realizadas em Maio deste ano a votação somada do PP e do PSOE foi bem inferior às de 2011, ficando em cerca de 52% dos votos.

Agora, as pesquisas feitas nos últimos dias dão 47,4% aos dois partidos (somados). 

Assim, mesmo que um deles seja o mais votado, o mesmo não terá maioria absoluta no Parlamento, obrigando-se a participar de um governo de coalizão com outras forças políticas, o que os obrigará a ter que fazer concessões aos partidos aliados.

Com isso, o bipartidarismo chegou ao fim na Espanha e uma nova era de incertezas e de mudanças está começando na terra do Barcelona e do Real Madrid. 

Assim, a Espanha terá que mudar, pois os dois partidos identificados pela adoção de políticas de austeridade não terão mais apoio suficiente para governar sozinhos. 

Basta de Austeridade! Muda, Espanha! Avante, Podemos!

Links: 

Pesquisas na Espanha (2015) mostram crescimento do Podemos na reta final:

http://sondeos.elperiodic.ad/quinto-sondeo.html

Desemprego na Espanha:

http://pt.tradingeconomics.com/spain/unemployment-rate

Resultado das eleições na Espanha entre 2008 e 2011:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_gerais_na_Espanha_em_2011

Eleição europeia na Espanha em 2014 - Resultados:

http://www.mas.org.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=857:espanha-a-nova-situacao-aberta-apos-as-eleicoes-europeias&catid=38:estado-espanhol&Itemid=474

Zapatero adota medidas de austeridade:

http://www.esquerda.net/artigo/zapatero-anuncia-novas-medidas-de-austeridade

Eleições municipais de 2015 teve forte avanço do Podemos:

http://pt.rfi.fr/europa/20150525-podemos-avanca-na-espanha-e-vence-eleicoes-municipais-em-barcelona

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