Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O governo Dilma e as suas prioridades! - Marcos Doniseti!

O governo Dilma e as suas prioridades! - Marcos Doniseti!
Governo Dilma tem várias batalhas importantes para travar em 2016 e vencê-las será fundamental para trazer os trabalhadores e os mais pobres para o lado do seu governo novamente. 
Dilma ganhou a eleição presidencial de 2014 por um verdadeiro milagre, derrotando por muito pouco a mais vasta e poderosa coligação de forças políticas e sociais conservadoras desde a Redemocratização. Nem Lula, quando enfrentou Collor no 2o. turno da eleição presidencial de 1989, enfrentou uma coligação tão forte. 

Além disso, os principais partidos de Esquerda/Centro-Esquerda saíram enfraquecidos da eleição legislativa.  

O PT e o PCdoB encolheram fortemente no Congresso Nacional e o que mais cresceu foi a Direita mais troglodita, com o fortalecimento da chamada 'bancada BBB' (boi, bala e bíblia). 

Dilma cometeu muitos erros de articulação política desde a vitória em 2014, que pioraram as dificuldades do seu governo, devido à sua ojeriza pelo famoso 'toma lá dá cá' que vigora na política brasileira desde Cabral. 

Neste momento penso que a prioridade do governo Dilma é derrotar o Golpe do impeachment (já avançamos muito nesse processo), botar a pecha de golpista e de retrógrada na oposição reacionária (o que afasta a massa trabalhadora do movimento golpista, que passa a temer quem poderá vir a substituí-la) e colocar a economia na rota do crescimento econômico novamente, o que irá levar à recuperação de sua popularidade e fortalecer politicamente o seu governo.

Feito isso, o governo Dilma poderá partir para cima dos reacionários novamente e Lula poderá chegar com força suficiente para vencer a eleição presidencial  em 2018. 

Não se iludam: um eventual fracasso do governo Dilma colocará a Direita troglodita novamente no poder. E de lá eles não sairão tão cedo. 

Teremos aqui um governo do tipo 'Macri piorado'. 

Apoiar um governo quando tudo vai bem é fácil. Quero ver é apoiar na hora das dificuldades.
Desde a posse de Lula, em 2003, nunca se combateu tanto a corrupção no Brasil, o que ajuda muito a explicar porque as forças políticas mais retrógradas desejam tanto derrubar Dilma da Presidência, mesmo que de maneira ilegal. 
Entendo que 90% da crise econômica e social de 2015 foi provocada pelos seguintes fatores:

1) Operação Lava Jato, que paralisou o setor da construção civil, de grande importância para a economia brasileira;

2) O Terrorismo Midiático, que assustou os investidores e os consumidores, que cortaram violentamente os seus gastos, principalmente em bens e serviços de maior valor;

3) A tentativa de Golpe de Estado (disfarçado de impeachment) contra Dilma, que gerou instabilidade política e prejudicou a aprovação dos projetos de interesse do governo no Congresso Nacional, piorando os efeitos da crise econômica;

4) Os impactos da crise global, que jogaram na recessão mercados importantes para as exportações brasileiras (caso da América Latina e da China) e que derrubou fortemente os preços dos principais produtos de exportação do país (exemplo: preço do minério de ferro despencou 65% entre 2010 e 2015).

O ajuste econômico do Levy mal fez cócegas nisso tudo, até porque sequer chegou a ser implementado na sua totalidade. Várias das medidas previstas sequer foram colocadas em prática.

Além disso, as políticas sociais criaram uma espécie de colchão, que amortecem os efeitos da crise. 

Aliás, se dependesse dos tucanos, tais políticas seriam extintas (Gustavo Franco já defendeu isso) e o salário mínimo deixaria de ser reajustado (FHC e Globo já defenderam tal medida). 

Um ajuste tucano, portanto, seria muito mais drástico do que o de Dilma. 


O ritmo de crescimento econômico chinês despencou desde o estouro da crise neoliberal global de 2008. E a meta do governo chinês agora é bem mais modesta, buscando manter um crescimento de apenas 6,5% até 2020.
Atualmente, a população continua consumindo normalmente os produtos e serviços essenciais e de menor valor. O que ela cortou em seu orçamento foram os produtos mais caros (automóveis, imóveis), pois ficou assustada com o terrorismo da Grande Mídia sobre a situação do país, dizendo que o mesmo está 'quebrado', o que é uma deslavada mentira.

Dilma errou ao não confrontar essa versão mentirosa divulgada pela Grande Mídia sobre a situação real do país. Outro erro de Dilma não é fazer o ajuste econômico, mas fazê-lo sem cobrar dos mais ricos o preço do mesmo (taxando os ganhos de capital, combatendo a sonegação, cobrando mais IR dos mais ricos e reduzindo o dos mais pobres). 

O Brasil viveu, entre 2004 e 2013, um ciclo de crescimento econômico que o levou a se tornar a 7a. economia mundial, a ter a 6a. maior reserva internacional, gerar 21 milhões de empregos formais, a tirar 40 milhões da miséria, a aumentar o poder de compra do salário mínimo para o maior patamar dos últimos 50 anos (o mesmo foi reajustado em 340% entre 2003-2016, contra uma inflação acumulada de cerca de 125%), a reduzir o desemprego para 4,8% e diminuir o índice de Gini para o menor patamar da história, só para citar algumas das principais conquistas deste período. 
Salário Mínimo acumula ganhos expressivos desde 2003, o que contribui para amenizar os efeitos da crise econômica. 
O grande problema é que os fatores econômicos que levaram a esse ciclo de crescimento, que durou 10 anos, deixaram de existir, devido a vários motivos, como:

1) A supervalorização cambial, que diminuiu a competitividade interna e externa da indústria brasileira;

2) A crise mundial iniciada em 2008, que gerou a falência do sistema financeiro privado dos EUA e da Europa e que foi salvo com uma injeção de US$ 20 trilhões por parte dos governos destes países. Tal crise deu início à chamada Grande Recessão, que é a pior crise econômica global desde a Grande Depressão dos anos 1930 e que ainda está muito longe de terminar. 

A primeira fase da crise atingiu em cheio aos países mais ricos e, depois, a mesma chegou com força nos países emergentes. Até mesmo a China foi duramente afetada. Antes da crise ela crescia em torno de 12% a 13% ao ano e agora não chega nem aos 7%. A meta do governo chinês, até 2020, é crescer 6,5%, metade do que crescia antes do estouro da crise global;

3) A forte queda do crescimento dos países emergentes: muitos deles mergulharam em recessão, como a Rússia, cujo PIB caiu cerca de 4% em 2015. A América Latina, que é um grande mercado consumidor de produtos industrializados brasileiros, entrou em recessão e todas as suas principais economias sofrem intensamente com a crise, pois são grandes exportadoras de commodities (petróleo, alimentos e minérios), cujos preços despencaram no mercado global desde 2008;

4) A queda dos preços das commodities, o qu8e prejudicou as exportações brasileiras, gerando déficit comercial em 2014;

5) A queda do preço do petróleo, que afetou muito a Venezuela, grande importadora de produtos industrializados brasileiros.  

Nestas novas circunstâncias, o governo Dilma tem a missão de reorganizar a economia brasileira, criando as condições para dar início a um novo ciclo de crescimento econômico, o que viabilizaria a continuidade das políticas de inclusão social e de distribuição de renda, mas isso tem que ser feito dentro de um contexto político interno radicalizado e de um cenário mundial muito ruim, o que não é fácil. 

Neste sentido, foi muito importante a conquista de um expressivo superávit comercial em 2015 (de US$ 19,6 bilhões), sendo que apenas em Dezembro o superávit ultrapassou os US$ 6,2 bilhões. 
Reservas Internacionais do Brasil cresceram de US$ 16,3 bilhões (2002) para US$ 379 bilhões (2014). Atualmente, elas estão em US$ 368 bilhões e são suficientes para pagar toda a dívida externa brasileira (US$ 343 bilhões). 
Estes resultados superam com folga a previsão do próprio governo brasileiro, que era chegar a um superávit comercial de US$ 12 bilhões em 2015. E para 2016 as perspectivas são ainda melhores. Já há quem diga que o superávit comercial poderá superar os US$ 50 bilhões neste ano.

Além disso, o Brasil continua sendo um dos países que mais atrai investimentos externos produtivos no mundo. No primeiro mandato de Dilma (2011-2014) o país recebeu cerca de US$ 260 bilhões em IED (investimentos externos diretos). 

Isso significa que o ajuste das contas externas já foi feito. O déficit externo será, em 2016, bem menor do que em 2015, ano em que o mesmo já foi muito inferior ao de 2014. 

Agora é preciso reduzir a inflação (que será bem menor em 2016), diminuir a taxa Selic (o que será possível graças à queda da inflação), aumentar novamente os investimentos públicos e estimular o investimento e o consumo privado (aumentando a oferta de crédito e reduzindo juros).

E com a desvalorização do Real, que já aconteceu, deixando a cotação do Dólar devidamente ajustada, a produção industrial do país ficará muito mais competitiva. Isso, por sua vez, levará a que tenhamos um processo de substituição de importações e a um crescimento das exportações brasileiras.

E a desvalorização do Real também já reduziu os gastos do turistas brasileiros no exterior e diminuiu a remessa de lucros para fora do país.

Desta maneira, estão sendo criadas, neste momento, as condições para que se inicie um novo ciclo de crescimento econômico para o Brasil, o que permitirá dar continuidade ao processo de inclusão social e de distribuição de renda iniciado pelo governo Lula e que teve continuidade no governo Dilma.

Para que isso aconteça, o governo Dilma precisa vencer algumas importantes batalhas em 2016, tais como:

1) Desarmar definitivamente a tentativa de Golpe de Estado, que já ficou bastante enfraquecido após as últimas decisões do STF e depois que as manifestações contrárias à derrubada de Dilma superaram com folga o número de manifestantes que tivemos nos protestos pró-Golpe;

2) Combater o Terrorismo Midiático, pois o mesmo cria um clima de pessimismo generalizado no país, entre investidores e consumidores);

3) Combater os efeitos negativos da operação Lava Jato na economia, que contribuiu muito para enfraquecer um setor fundamental da economia brasileira, que é o da construção civil.

Neste sentido, a criação do 'acordo de leniência' (por MP da Presidenta Dilma) foi uma ótima iniciativa para se fazer isso, pois permitirá que as grandes construtoras do país continuem participando de licitações e construindo obras que são fundamentais para o desenvolvimento do país e para melhorar as condições de vida da população (ferrovias, metrôs, rodovias, usinas hidrelétricas, portos, aeroportos, saneamento básico, habitação).

4) Elaborar e definir uma estratégia que estimule investimentos produtivos, principalmente na indústria e em infra-estrutura, aumente a competitividade interna e externa da indústria brasileira e dos setores ligados às commodities e que aumente o consumo interno (via políticas de inclusão social e de distribuição de renda).

Assim, é muito positiva a notícia de que o governo Dilma pretende lançar, já no início deste ano, uma espécie de 'novo PAC' para estimular os investimentos no setor de construção civil, pois o setor somente utiliza insumos produzidos internamente e gera muitos empregos de forma bastante rápida. 

Neste aspecto, a continuidade da política de aumentos reais para o salário mínimo também é algo importante, pois injetará R$ 57 bilhões na economia brasileira apenas em 2016, estimulando o consumo interno e movimentando a economia. E a preservação e manutenção dos programas sociais (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, etc) também é algo extremamente importante, pois cria um colchão que amortece e ameniza os efeitos da crise econômica. 

Sem que tudo isso seja alcançado será virtualmente impossível gerar um novo ciclo de expansão econômica para o Brasil. 
Os desembolsos do BNDES também tiveram um grande crescimento durante os governos Lula e Dilma, passando de R$ 37,4 bilhões (2002) para R$ 168,2 bilhões (2014). 
E se Dilma não conseguir fazer tudo isso, podem dizer adeus à qualquer chance de vitória na eleição presidencial de 2018, independente de quem seja o candidato das forças progressistas. 

A luta continua!

Links:

Crise política precisa ser superada para o Brasil poder voltar a crescer:

http://www.vermelho.org.br/noticia/274579-2

Desvalorização do Real promove substituição de importados por produção nacional:

http://jornalggn.com.br/noticia/industria-substitui-importacao-por-produto-nacional-com-real-desvalorizado

Dieese: Aumento real do Salário Mínimo chega a 77% desde 2002; Mínimo de R$ 880 injeta R$ 57 bilhões na economia em 2016:

http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2015/12/aumento-real-do-minimo-chega-a-77-desde-2002-e-injeta-r-57-bi-na-economia-8046.html

IPEA: Brasil reduziu a extrema pobreza em 63% entre 2004 e 2014:

http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/12/brasil-reduziu-extrema-pobreza-em-63-em-10-anos-e-manteve-conquistas-na-crise-1

Brasil sobe 5 posições no ranking mundial de energia eólica:

http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2016/brasil-sobe-5-posicoes-em-ranking-mundial-eolico

Governo Dilma encerra 2015 com dívidas quitadas:

http://www.vermelho.org.br/noticia/274620-2

BNDES desembolsa R$ 2,3 bilhões para BR 163 (845 kms):
http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2016/janeiro/bndes-aprova-credito-de-r-2-3-bilhoes-para-a-br-163

Brasil: Superávit Comercial em 2015 supera os US$ 19,6 bilhões (em Dezembro passou de US$ 6,2 bilhões):

http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-01/balanca-comercial-registra-superavit-de-us-196-bilhoes-em-2015?fb_action_ids=940743905979097&fb_action_types=og.likes&fb_ref=.VoquFhp_KJA.like
Investimentos estrangeiros produtivos no Brasil são dos maiores do mundo. Somente China, EUA, Reino Unido e Cingapura atraem mais IED do que o Brasil. 
China: Bolsa de Valores despenca 7% e operações são interrompidas:

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/04/economia/1451886785_272851.html

China pretende crescer 6,5% até 2020:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/03/economia/1446561671_062910.html

Acordos de leniência preservam empregos:

https://www.brasil247.com/pt/247/poder/210239/Dilma-'acordos-de-leni%C3%AAncia-preservam-empregos'.htm

Salário Mínimo atinge o maior poder de compra dos últimos 50 anos:


http://www.ebc.com.br/noticias/economia/2015/02/salario-minimo-atinge-maior-poder-de-compra-em-50-anos-informa-bc

Reservas internacionais do Brasil fecham 2015 em US$ 368,7 bilhões:

https://www.bcb.gov.br/?RP20151231


Na primeira década do século XXI a América Latina tornou-se o principal mercado das exportações brasileiras, principalmente de produtos industrializados. No entanto, a supervalorização do Real reduziu a competitividade da indústria brasileira e abriu espaço para a penetração, principalmente, de produtos chineses na região.

Gustavo Franco (economista tucano) defende corte drástico nos gastos sociais:

http://www.brasil247.com/pt/247/economia/203335/Economista-tucano-prega-corte-em-gastos-sociais.htm

América Latina está à beira da recessão:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/10/economia/1433953265_055854.html

Superávit comercial deverá chegar a US$ 33 bilhões em 2016:

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2016/01/05/internas_economia,619587/consultoria-ja-preve-superavit-comercial-de-us-33-bilhoes-neste-ano.shtml

Lava Jato reduziu PIB em 2,5% em 2015:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/08/impacto-da-lava-jato-no-pib-pode-passar-de-r-140-bilhoes-diz-estudo.html

Brasil foi o 5o. país que mais recebeu investimentos estrangeiros produtivos no Mundo em 2014:

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/brasil-fica-em-5o-como-destino-de-investimentos

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