Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 30 de abril de 2016

A 'Guerra do Contestado' e o atual cenário político e social brasileiro! - Marcos Doniseti!

A 'Guerra do Contestado' e o atual cenário político e social brasileiro! - Marcos Doniseti!
A 'Guerra do Contestado' durou quase 4 anos e foi uma das mais longas guerras da história brasileira. Pequenos proprietários do sertão catarinense se rebelaram contra a entrega das suas terras, nas quais viviam já há muitas décadas, para uma empresa dos EUA, pertencente a Percival Farquhar. Este era um empresário bilionário dos EUA, bem como se tornou um dos maiores investidores externos da América do Sul. Ele também foi o responsável pela construção da Ferrovia Madeira-Mamoré.
A TV Brasil exibiu, na madrugada deste Sábado, o filme de Sylvio Back, 'A Guerra dos Pelados', sobre a 'Guerra do Contestado', que ocorreu entre 1912-1916, no sertão de Santa Catarina.
Tal guerra está ligada à disputa pela posse da terra e a promoção de investimentos estrangeiros que não levaram em consideração os interesses dos pequenos proprietários de terra, do oeste catarinense, e que já viviam em suas propriedades já há muito tempo.
As elites agrárias de latifundiários locais (chamados de 'coronéis') se associaram ao investidor ianque Percival Farquhar, que ganhou do governo federal a concessão para construir uma ferrovia ligando SP ao RS. E ele também recebeu a posse de todas as terras localizadas a 15 km de distância, de cada margem da ferrovia.
Trajeto da Ferrovia construída por Percival Farquhar, ligando SP ao RS. A desapropriação das terras dos pequenos proprietários desencadeou uma forte resistência popular. O massacre promovido contra os sertanejos foi um dos maiores da história brasileira, provocando a morte de 20 mil pessoas, equivalente a 1/3 da população catarinense da época. 
A construção desta ferrovia iria beneficiar, imensamente, aos latifundiários, que poderiam transportar os seus produtos por meio da mesma, bem como ao empresário ianque, Farquhar, que havia instalado gigantescas serrarias na região (as maiores da América do Sul, naquela época), visando extrair madeira que seria transportada pela ferrovia. 
Mas, para viabilizar esse imenso negócio, os pequenos proprietários teriam que abandonar as suas terras, que foram doadas (pelo governo federal, dominado pelos grandes proprietários rurais da época) a Farquhar.
É claro que os pequenos proprietários (que nâo eram contrários à construção da ferrovia, mas contra o roubo de suas terras) lutaram e resistiram ao roubo de suas terras por um grande capitalista dos EUA. 
E assim começou o conflito entre os pequenos proprietários, de um lado, e os latifundiários, o governo federal (que enviou o Exército para massacrar os sertanejos) e Farquhar, de outro lado. E como os sertanejos rasparam a cabeça, eles passaram a ser chamados de 'Pelados', enquanto que as tropas do Exército eram chamadas de 'Peludos'.
A forte resistência popular dos sertanejos levou a que o Governo Federal enviasse (tal como aconteceu em Canudos, em 1896-1897) o Exército para reprimir e destruir o movimento de resistência popular, pois as forças policiais do estado de Santa Catarina haviam sido derrotadas pelos sertanejos (em Canudos aconteceu o mesmo).
Imagem do 'monge' José Maria, que exerceu uma grande influência entre o povo pobre da região do Contestado, ao qual ajudava com remédios naturais, rezas e orientações. Ele liderou os sertanejos na primeira batalha da guerra, na qual foi morto por tropas da polícia paranaense. Mas ele passou a ser considerado 'santo' pelos sertanejos, que esperavam pelo seu retorno, comandando um exército celestial que levaria os sertanejos à vitória final. Com o desenrolar do conflito, que foi ficando cada vez mais brutal, as lideranças religiosas perderam influência para os líderes militares, como era o caso de Adeodato Ramos.
Mesmo assim, os pequenos proprietários lutaram por quase 4 anos, opondo uma forte resistência aos que estavam roubando as suas terras e às tropas do Exército brasileiro, que atuaram como uma força repressiva à serviço dos interesses do grande capital, nacional e estrangeiro. Até mesmo aviões foram usados na repressão ao movimento popular de resistência dos sertanejos catarinenses.
É curioso notar os paralelos históricos que se podem estabelecer entre o contexto da Guerra do Contestado, que terminou há 100 anos, com o atual momento político brasileiro.
Agora, também temos uma união de forças políticas e sociais reacionárias que desejam tomar, por meio de um Golpe de Estado, o controle do Governo Federal. 
Tropas do Exército brasileiro que reprimiram brutalmente aos sertanejos que lutavam pela posse das suas terras, nas quais já viviam há muito tempo, e que o governo Federal da época entregou ao bilionário ianque Percival Farquhar. Este investiu na construção de grandes serrarias e usava da Ferrovia SP-RS para transportar a madeira extraída na região de Santa Catarina.
Tais forças também representam os interesses do Grande Capital financeiro, nacional e internacional, reunindo o sistema financeiro, grandes grupos de mídia privados, Fiesp/CNI, Agronegócio, Grande Comércio, classe média tradicional e abastada, Igrejas neopentecostais que são geridas como um grande negócio e que desejam impor as suas políticas, marcadas por um forte sentimento de preconceito e intolerância, por meio do Estado, que poderá vir até mesmo a perder o seu caráter laico, algo que existe desde a Proclamação da República.
Assim, ao assumir o o controle do Governo Federal, as forças reacionárias e golpistas poderão levar adiante um projeto político anti-nacional e anti-popular, que visa entregar as nossas maiores riquezas para o capital estrangeiro (as estatais e o petróleo do pré-sal, em especial), bem como irão priorizar a eliminação de direitos históricos dos trabalhadores (sociais, trabalhistas e previdenciários). 
Tais forças desejam, também, praticamente extinguir os principais programas sociais que foram implantados nos governos Lula e Dilma entre 2003-2016 (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni, Pronatec, Fies, Ciência Sem Fronteiras). 
A destruição da legislação trabalhista e o arrocho salarial são duas das políticas que serão adotadas pelo governo de Michel Temer, um dos principais líderes do Golpe de Estado que se promove no Brasil atualmente.  
Enquanto isso, tais forças reacionárias também irão promover o início de uma feroz repressão aos movimentos sociais e políticos que irão resistir a adoção deste conjunto de políticas recessivas e excludentes, tal como os sertanejos catarinenses o fizeram entre 1912-1916.
Inclusive, os Latifundiários do agronegócio já pedem que o futuro governo golpista de Michel Temer use das Forças Armadas para reprimir os movimentos sociais que lutam pela reforma Agrária, principalmente o MST. 
Assim, tais políticas, que são claramente defendidas por Michel Temer, não são nada muito diferentes daquilo que foi feito com os pequenos proprietários da região do Contestado há 100 anos, portanto. 
Em ambos os casos, trata-se de, fundamentalmente, intensificar o processo de exploração da força de trabalho em favor do Grande Capital, nacional e estrangeiro, e de destruir os direitos e a capacidade de luta e de resistência os trabalhadores e dos segmentos mais pobres da população.
Como se percebe, o caráter retrógrado, elitista, anti-democrático, anti-nacional e anti-popular das elites brasileiras não é nenhuma novidade, muito pelo contrário. Tais características fazem parte do DNA destas elites, cuja mentalidade retrógrada e escravocrata está mais viva do que nunca. 
Tudo isso é tão antigo quanto as próprias elites.
Até mesmo aviões foram usados, pelo Governo Federal, para massacrar os sertanejos. Ao final do conflito, cerca de 20 mil trabalhadores sertanejos haviam sido mortos pelas tropas do exército brasileiro. 
Antonio Tavares, Adeodato Ramos e Chico Ventura foram 3 dos principais líderes do movimento de resistência dos sertanejos, que chegou a atrair até mesmo fazendeiros da região que estavam perdendo as suas terras para os grandes 'coronéis', que se beneficiaram com a construção da Ferrovia e que eram aliados de Farquhar.
Percival Farquhar reunido com a elite da Primeira República (1889-1930). Ele é o terceiro, sentado, à esquerda. À direita, olhando para a frente, vemos o Presidente da República, Affonso Pena, de óculos e barba. 
Links:
TV Brasil exibiu o filme 'A Guerra dos Pelados': 

A Guerra do Contestado:
Temer quer reduzir fortemente  o alcance dos principais programas sociais, incluindo o Bolsa Família.
Temer/PMDB e suas propostas para governar o Brasil: 
Temer quer privatizar o ensino médio e superior:
Temer quer privatizar tudo o que for possível e reduzir Bolsa Família:
Golpe de Temer-Cunha destruirá a CLT:
Temer quer arrochar valor dos benefícios previdenciários e cortar investimentos em saúde e educação:
Contestado: Uma Guerra Esquecida (programa especial da TV Brasil):


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