Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 24 de abril de 2016

De que maneira é possível derrotar um Golpe de Estado? - por Marcos Doniseti!

De que maneira é possível derrotar um Golpe de Estado? - por Marcos Doniseti!
Livro de Flávio Tavares, que era jornalista do 'Última Hora' (jornal que defendia o Trabalhismo e as Reformas de Base) e que fez a cobertura 'in loco' da luta e da mobilização em defesa da Constituição e da Democracia que foi liderada pelo governador Leonel Brizola.
Aproveitei esse feriado prolongado e fiz a leitura de um ótimo livro, chamado '1961 - O Golpe Derrotado', de Flávio Tavares (L & PM, 231 pággs).

Como o título já informa, o mesmo trata do Golpe de Estado que tivemos em 1961, liderado pelos ministros militares do governo Jânio Quadros, que havia renunciado em pleno Dia do Soldado (25/08).

Após a renúncia, os ministros militares anunciaram o veto à posse de Jango na Presidência da República, anunciando ainda que se o mesmo retornasse ao Brasil (Jango havia viajado para a URSS e para a China Comunista, enviado por Jânio) ele seria preso tão logo desembarcasse no país.

Porém, os ministros militares não contavam com a coragem e a audácia de um jovem governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que decidiu iniciar um movimento em defesa da Legalidade, para que a Constituição brasileira fosse respeitada.

Brizola criou uma Rede da Legalidade, uma cadeia de emissoras de rádio, que se espalhou pelo país, e do próprio Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, falava para milhões de ouvintes, em todo o país, em defesa da posse de Jango na Presidência da República.
Brizola, na rádio instalada no Palácio Piratini, discursava para o povo brasileiro, defendendo a posse de Jango na Presidência da República, tal como determinava a Constituição do país. A bandeira da Legalidade Democrática acabou conquistando maciço popular, tornando possível derrotar o Golpe de Estado liderado pelos ministros militares.
Seus discursos, inclusive, eram transmitidos para fora do país, em várias línguas (inglês, espanho, francês e até árabe).

Com isso, começou toda uma mobilização popular, principalmente no RS, com milhares de pessoas indo às ruas e praças, se mobilizando em defesa da Constituição, ou seja, da Democracia.

Quando foi anunciado, inclusive, que os ministros militares mandaram bombardear a sede do governo gaúcho, milhares de pessoas se colocaram à frente do mesmo, formando barricadas e, mesmo que não tivessem nenhum treinamento militar (eram cidadãos comuns.... operários, professores, funcionários públicos, estudantes) estavam dispostos a lutar em defesa da Legalidade democrática.

O fato dos discursos de Brizola serem transmitidos, para todo o país, foi fundamental para que a Resistência ao Golpe também se disseminasse. Com isso, ele conseguiu a adesão de dois governadores de estado, Mauro Borges, de Goiás,e o do Piauí.

Os discursos de Brizola também fizeram com que muitos oficiais das Forças Armadas se rebelassem contra o Golpe, levando a que muitos deles acabassem presos.

E o III Exército, comandado pelo general José Machado Lopes, aderiu ao movimento da Legalidade.
Jango anuncia a sua volta ao Brasil, mesmo correndo o risco de ser preso por ordem dos ministros mlitares golpistas, que vetaram a sua posse na Presidência da República, pois acusavam Jango de ser 'comunista', o que era uma asneira monumental.
Obs: Num primeiro momento, Machado Lopes defendia o Golpe, mas a crescente mobilização popular, a ordem que recebera para atacar o Palácio Piratini, mesmo com milhares de pessoas no local, e a postura de defesa da Legalidade pelos oficiais que estavam sob o seu comando, o fizeram mudar de posição, passando a apoiar a posse de Jango na Presidência da República, tal como determinava a Constituição.

E o principal: Brizola, com seus discursos em defesa da Constituição, da Democracia e da Legalidade, conseguiu fazer com que a imensa maioria da população ficasse contra o Golpe.

Entre a imprensa, somente 3 dos principais jornais do país apoiaram o Golpe contra Jango: 'Estadão', 'Tribuna da Imprensa' (de Carlos Lacerda, governador da Guanabara) e... 'O Globo', é claro.

No Congresso Nacional, os golpistas também jamais conseguiram ter apoio majoritário. Desde o início do Golpe, a imensa maioria do Congresso Nacional defendia a posse de Jango na Presidência da República.

Desta maneira, vários fatores combinados contribuíram para que o Golpe de Estado de 1961 pudesse vir a ser derrotado, tais como:
Povo gaúcho, nas ruas e praças, se mobilizou para lutar contra o Golpe dos ministros mlitares. Brizola, no Palácio Piratini, sempre carregando uma metralhadora. País viveu clima de Guerra Civil, que somente foi evitada porque o Golpe foi derrotado. A lição que a Direita Golpista tirou desta derrota é que, no próximo Golpe, ela teria que adotar um discurso de defesa da Constituição e que Jango não poderia ter como se comunicar com a população, para impedir que conseguisse mobilizá-la contra o Golpe. E assim foi feito.
1) Brizola e a população lutaram e resistiram desde o início; 

2) Mobilizando e organizando a população em defesa da Constituição e da Legalidade; 

3) Obtendo muitas adesões dentro das próprias Forças Armadas;

4) Fazendo com que os seus argumentos em defesa da Constituição e da Legalidade chegassem a todos os brasileiros;

5) Conseguindo apoio quase total do Congresso Nacional, que resistiu ao Golpe;

6) Denunciando o Golpe para o mundo;

7) Com a maior parte da imprensa e da população brasileira assumindo defesa clara do respeito à Constituição e da Legalidade.
Os ministros militares golpistas de 1961, que foram derrotados porque o Movimento da Legalidade, liderado por Leonel Brizola, obteve maciço apoio popular.
Assim, o governador Leonel Brizola conseguiu liderar essa gloriosa e heróica luta e pôde derrotar o Golpe de Estado comandado pelos ministros militares.

Desta maneira, Jango pôde retornar ao Brasil e tomou posse na Presidência da República, embora sob um regime Parlamentarista, que ele aceitou para tentar reunificar o país.

Analisando friamente, vemos que alguns dos elementos presentes no movimento da Legalidade, de 1961, não estão presentes atualmente (toda a Grande Mídia apoia o Golpe, por exemplo), mas hoje temos a Internet e as redes sociais, por meio das quais podemos quebrar o monopólio midiático oligárquico que existe em nosso país.

E outros elementos estão presentes, sim, tal como a vontade de milhões de pessoas, em todo o país, sair às ruas para defender a Democracia e a Constituição. A denúncia do Golpe para o Mundo já foi feita e toda a Mídia internacional o condena.
Brizola e Jango se encontram, após o retorno do novo Presidente ao país. Mas a atitude de Jango de aceitar a adoção do Parlamentarismo desagradou profundamente ao governador gaúcho, que sequer compareceu à posse de João Goulart na Presidência da República. 
Isso demonstra que se continuarmos a nossa luta, poderemos reverter o apoio popular à derrubada do governo Dilma. E assim poderemos derrotar, tal como já aconteceu em 1961, essa nova tentativa de Golpe de Estado que se desenvolve no Brasil atualmente.

Tudo isso mostra, claramente, que a luta popular pode, sim, derrotar um Golpe de Estado, mesmo depois que este já tenha acontecido.

Como já dizia Carlos Marighella: 'A única luta que se perde é aquela que se abandona'.

Portanto, não devemos esmorecer e temos que continuar lutando para derrotar o movimento golpista que se desenvolve no Brasil atualmente.

A luta continua! Golpe Não!
Jango toma posse na Presidência da República, em 08/09/1961, tendo Tancredo Neves como Primeiro-Ministro. Ambos eram herdeiros políticos de Getúlio Vargas, tal como o governador gaúcho, Leonel Brizola. 

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