Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Brexit: Hegemonia do capital financeiro alemão está destruindo a integração europeia! – Marcos Doniseti!

Brexit: Hegemonia do capital financeiro alemão está destruindo a integração europeia! – Marcos Doniseti!
Livro do sociólogo alemão Ulrich Beck já avisava sobre os aspectos negativos da hegemonia do grande capital financeiro alemão sobre processo de integração europeu.
A decisão dos britânicos, tomada neste histórico dia 23/06/2016, de optar pela saída da União Europeia mostra, claramente, que esta vive uma crise que poderá levar a mesma a um processo de desintegração. A insatisfação popular no Velho Mundo com as políticas impostas pela União Europeia é generalizada.

Se o Reino Unido saiu da UE, qualquer outro país poderá optar por fazer o mesmo, com exceção, talvez, daqueles que sejam excessivamente dependentes do capital, tecnologia e do mercado consumidor alemão. Para os demais, a tentação, agora, ficou muito grande.

E isso tem muito a ver com a ascendência alemã sobre o processo de integração europeu, como é o caso das políticas neoliberais e de arrocho que são, fundamentalmente, impostas pelos alemães a todos os países que integram a União Europeia.

Os maiores derrotados com a saída do Reino Unido são, sem dúvida alguma, os ‘burrocratas’ germânicos que estão a serviço do capital financeiro alemão, em especial, e que se apossaram de todos os aparatos institucionais da UE. Hoje, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, é quem dá as ordens na UE. O que ele fala, vira lei. E os outros obedecem cegamente.

Aliás, questiono: Será que os ‘burrocratas’ germânicos que mandam na UE estão arrependidos da maneira como trataram a Grécia, quando esta quis abandonar as políticas neoliberais e de arrocho, mesmo sem abandonar o bloco?
E aí, Angela Merkel, gostou do Brexit? 
Pois qual foi o sinal que a UE deu, no caso grego, para todos os países e povos que fazem parte do bloco? O de que os interesses nacionais e de cada povo não contam, não valem nada. O que vale é o interesse do capital financeiro germânico e mais nada. E os governantes do bloco europeu limitam-se a dizer sempre sim aos banqueiros alemães.

Mas é claro que a saída do Reino Unido muda radicalmente o cenário europeu. Já li declarações de vários líderes políticos europeus (caso de François Hollande, presidente da França) batendo na mesta tecla: Ou a UE muda ou ela acabará.
Mas será que os ‘burrocratas’ a serviço do capital financeiro alemão entenderam o recado? Tenho sérias dúvidas.

A saída do Reino Unido é, talvez, a última grande chance de se promover uma reforma da União Europeia, diminuindo-se o poder dos ‘burrocratas’ e aumentando-se o processo de participação popular nas decisões mais importantes. Fica claro que as pessoas querem ser ouvidas e que não aceitam mais as imposições de um único país (Alemanha, é claro) e de ‘burrocratas’ não eleitos sobre todos os interesses dos países e das populações de todo o bloco.

De forma catastrófica, o pensamento único neoliberal predomina na UE desde a criação do Euro, por meio do qual o capital financeiro alemão aprisionou os demais países numa camisa-de-força, obrigando-os a adotar políticas neoliberais e de arrocho.
Quando Alexsis Tsipras, líder do Syriza, quis abandonar as políticas neoliberais, privatizantes e de arrocho, a União Europeia não permitiu. Isso abriu os olhos de muitos europeus para o caráter anti-popular e anti-social da integração europeia que é comandada de acordo com os interesses do capital financeiro, especialmente do alemão. 
A forma como os ‘burrocratas’ germânicos trataram a Grécia (recusando-se a promover quaisquer mudanças nas políticas neoliberais e de arrocho) deixou claro para os europeus que os interesses dos trabalhadores e os da grande maioria da população não são levados em consideração pela União Europeia, que se preocupa apenas em governar voltada para os interesses do capital financeiro, o germânico, em especial.

Assim, a partir da criação do Euro, a União Europeia se transformou em uma verdadeira Ditadura das Finanças (que é, essencialmente, a mesma que o governo ilegítimo de Michel Temer quer impor aos brasileiros).

Mas os europeus se cansaram disso.

Na França e na Itália, importantes lideranças políticas locais (Marine Le Pen e Beppe Grillo, que lideram movimentos contrários ou que são muito críticos à UE) já falam em pedir referendos sobre uma possível saída de seus países da UE.

Do jeito que a UE está, atualmente, ela caminha, inevitavelmente, para a desintegração. Se forem mantidas as atuais políticas neoliberais e de arrocho e se os interesses da população continuarem a ser ignorados pelos governantes, então os europeus irão preferir abandonar o bloco. Os europeus irão preferir recuperar a soberania e a participação que tinham nos governos nacionais e que perderam com o desvirtuamento do processo de integração que ocorreu a partir do momento em que a Alemanha passou a impor a sua vontade a todos os demais países que integram o bloco.
Alberto Garzón e Pablo Iglesias lideram, respectivamente, a Izquierda Unida e o Podemos. As duas grandes forças políticas da Esquerda espanhola se uniram e poderão vir a liderar a formação do novo governo espanhol. 
Da atual União Europeia sobrará, no máximo, uma Europa Central e sulista dominada pela Alemanha, com alguns países mais pobres, atrasados e que são fortemente dependentes da economia alemã (em capital, tecnologia, acesso a mercado consumidor, financiamentos).

São os casos, por exemplo, de países como Polônia, Áustria, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Croácia e Eslovênia que, de certa maneira, ‘orbitam em torno do Sol alemão’.

Assim, a verdade é que o processo de integração europeu está sendo destruído pela Alemanha, que decidiu usar o Euro para submeter os outros países aos interesses do seu capital financeiro (a Grécia que o diga...).

Originalmente, a ideia de criação de um bloco europeu surgiu no Pós-Guerra e foi iniciativa dos socialistas franceses, que o viam como uma maneira de reforçar os laços da Alemanha com os demais países europeus, a fim de impedir que os germânicos iniciassem uma nova guerra europeia e mundial, tal como fizeram em 1914 e em 1939.

Portanto, antes do Euro, a ideia dominante do processo de integração europeu era o de 'europeizar' a Alemanha, integrando-a numa Europa unificada, evitando-se que os alemães provocassem novas guerras gerais devastadoras no continente, como aquelas que iniciaram em 1914 e em 1939.

No entanto, com a criação do Euro, a ideia hegemônica no processo de unificação europeu passou a ser a de 'germanizar' a Europa, com os alemães assumindo o controle do processo de integração e passando a submeter os demais países membros à sua vontade.
Apesar de ser um líder fraco e submisso aos interesses do capital financeiro, até mesmo o presidente francês François Hollande já reconheceu que o processo de integração europeu terá que passar por mudanças, caso contrário irá desmoronar. 
Esta é, essencialmente, a origem da atual crise que a União Europeia enfrenta.
Angela Merkel está usando o Euro para conseguir aquilo que Hitler tentou por meio de guerras e que ele não conseguiu atingir, que é dominar toda a Europa.

A Alemanha não aceita promover quaisquer mudanças nas atuais políticas europeias, impostas por ela, seja nas de caráter econômico, fiscal, financeiro ou social.

Exemplo disso é a imposição de políticas de arrocho e de eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários na União Europeia a partir do estouro da crise neoliberal mundial de 2008, que levou à falência de todo o sistema financeiro privado dos EUA e da União Europeia.

Atualmente, tais políticas são imensamente rejeitadas no bloco europeu, mesmo por parte de forças políticas e sociais conservadoras, de Direita, como é o caso da Frente Nacional francesa, que é liderada por Marine Le Pen. Beppe Grillo, criador do M5S italiano (Movimento 5 Stelle, ou seja, 5 Estrelas) é outro líder político em ascensão na Europa que defende o abandono dessas políticas neoliberais e de arrocho, exigindo o fim das privatizações, por exemplo.

Não é à toa que o seu partido/movimento (M5S) foi o grande vencedor das recentes eleições municipais realizadas na Itália, conquistando as prefeituras de Roma e Turim.

Na Espanha, a eleição deste final de semana terá, como grande novidade, segundo as pesquisas mais recentes, a ascensão da Esquerda anti-arrocho e anti-neoliberal, representada pelo ‘Unidos Podemos’, que reúne o Podemos (liderado por Pablo Iglesias) e pela Izquierda Unida (liderada por Alberto Garzón).
David Cameron era defensor da manutenção do Reino Unido no bloco europeu e renunciou ao cargo de Primeiro-Ministro após a vitória do Brexit.
O instituto Metroscopia mostra o ‘Unidos Podemos’ com 26% das intenções de voto, contra 29% do PP (Direita Neoliberal).

Porém, somando-se a votação do ‘Unidos Podemos’ (26%), do PSOE (20,5%) e de alguns grupos autonomistas, o ‘Unidos Podemos’ poderá vir a conquistar a maioria absoluta no Parlamento, vindo a liderar a formação de um novo governo na Espanha. 

Em Portugal, por sua vez, já temos um governo anti-neoliberal e anti-arrocho e que é formado pelo Partido Socialista, Partido Comunista, Verdes e Bloco de Esquerda.

Na França, Marine Le Pen (da Frente Nacional) também lidera as pesquisas mais recentes, sendo que ela é uma defensora da saída da França do bloco europeu.  

Portanto, é mais do que evidente de que há um cansaço e uma rejeição generalizados na União Europeia com relação às políticas de arrocho, que empobreceram a população nos últimos anos. Na Espanha, por exemplo, a renda per capita diminuiu de US$ 34.840 (2007) para US$ 32.270 (2014). Na Itália, a renda per capita caiu de US$ 32.830 (2007) para US$ 28.484 (2014).

Ninguém aguenta mais essas políticas neoliberais e de arrocho e, mesmo assim, elas continuam a ser aplicadas, porque a Alemanha assim exige e impõe.
Portanto, a saída do Reino Unido do bloco europeu é um sinal claro de que a política de 'germanização' da Europa fracassou.

Logo, ou a UE muda ou ela acaba.
Entre os idosos, o apoio ao Brexit chegou a quase 70%. A população de menor renda, com menor escolaridade, que vive no interior do país e em áreas com grande número de imigrantes também votou, majoritariamente, pelo Brexit. Apoio pela permanência na UE foi muito forte entre os jovens (75%) e entre a população dos grandes centros urbanos, de maior renda e de maior escolaridade. Resumindo: O projeto europeu beneficia as elites. E este é o seu grande problema. 
Obs1: O sociólogo alemão Ulrich Beck (falecido em 2012) publicou um pequeno, mas importante, livro sobre a ascendência alemã sobre o processo de integração europeu após a criação do Euro e que se chama 'A Europa Alemã'.

Há uma edição brasileira do mesmo, publicado pela Editora Paz e Terra.

Título: A Europa Alemã; Subtítulo: A Crise do Euro e as Novas Perspectivas de Poder; Autor: Ulrich Beck; Editora: Paz e Terra; 128 páginas; Ano: 2015.

Obs2: Outra coisa a se destacar destes resultados é que a partir do momento em que os escoceses votaram tão fortemente pela permanência na União Europeia (62%), isso poderá levar os mesmos a votar para, futuramente, sair do Reino Unido e, desta maneira, poder permanecer na UE.

Na Irlanda do Norte, a votação também foi favorável à permanência na UE, que obteve 55,7% dos votos.

Logo, é possível que Escócia e Irlanda do Norte venham a sair do Reino Unido, pois esta é a única maneira que terão de permanecer na União Europeia.

Links:

Razões do crescimento da Extrema-Direita na UE:

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/20/internacional/1466412742_090797.html

Reino Unido abandona a União Europeia:


Brexit derruba Bolsas de Valores em todo o planeta:


Outros países poderão abandonar a União Europeia:


Bolsas de Valores europeias desmoronam após o Brexit:


Uma análise dos votos no referendo britânico pelo perfil sócio-econômico:


Escócia: Primeira-Ministra anunciou que país fará novo referendo sobre saída do Reino Unido:

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