Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

terça-feira, 5 de julho de 2016

Brasil X EUA: A história explica as diferenças no grau de desenvolvimento dos dois países! - Marcos Doniseti!

Brasil X EUA: A história explica as diferenças no grau de desenvolvimento dos dois países! - Marcos Doniseti!
Evolução histórica distinta ajuda muito a explicar porque os EUA se tornaram uma grande potência mundial e o Brasil ainda não.  
Ontem os EUA comemoraram mais um ano da sua Independência (240 anos), que foi proclamada no dia 04/07/1776.

O Diogo Costa fez um comentário interessante na página dele no Facebook a respeito dos motivos que levaram os EUA a se tornar uma grande potência, enquanto o Brasil ainda hoje tenta se firmar como uma Nação soberana, democrática e desenvolvida, citando, por exemplo, o fato do Brasil ter erradicado a escravidão mais tardiamente do que os EUA.

Para mim, há duas grandes diferenças no processo de evolução histórica do Brasil e dos EUA, que são os seguintes:

1) O Centro-Norte dos EUA nunca foi colonizado, de fato, pelos britânicos. Na época em que se iniciou a colonização da América pelos européus, final do século XV, não havia nada ali que pudesse ser produzido ou extraído para, depois, ser vendido no mercado internacional, que proporcionasse lucros aos colonizadores britânicos.

Assim, os seus moradores puderam viver a sua vida em paz, com produção de subsistência e que, depois, originou uma economia própria, voltada para abastecer o mercado interno. E os colonos dos futuros EUA ainda puderam criar uma economia de exportação própria (construção naval, manufaturas, agrícola) que, depois, passou a concorrer com a produção britânica. Eles também criaram as suas próprias instituições governamentais, da qual participavam. 

Logo, já havia uma economia voltada para atender as necessidades da população, bem como já existia participação popular nas decisões dos governantes. 

Aliás, foi o desenvolvimento autônomo das colônias que levou o governo britânico a querer impor um Sistema Colonial propriamente dito, no Centro-Norte. Mas isso gerou uma forte resistência dos colonos, o que levou à Independência das 13 Colônias e à criação dos EUA;

2) No Brasil, tivemos um Sistema Colonial, desde o princípio, destinado a gerar lucros para os colonizadores, com o Pau-Brasil e, depois, com a cana-de-açúcar, ouro e outros produtos.

Isso levou Portugal a manter uma política de 'rédeas curtas', a fim de controlar o Brasil de qualquer jeito. 

Assim, o Sistema Colonial, no Brasil, foi implantado desde o início e o mesmo era tão lucrativo para Portugal que os portugueses tentaram manter o Brasil como uma mera colônia mesmo quando não havia mais condições, políticas e econômicas, para isso, em 1821/22;

3) Nos EUA, na Guerra Civil de 1861-1865, a elite do Sul escravocrata teve o seu poder político e econômico destruídos, permitindo a ascensão, ao centro do poder federal, de uma Burguesia industrial de mentalidade moderna, que era contrária à escravidão e que fez grandes investimentos para desenvolver o país.
O Brasil foi o país da América que mais recebeu escravos africanos, bem como foi o penúltimo país americano a abolir a escravidão (apenas Cuba aboliu o trabalho escravo depois do Brasil). E mesmo com a Abolição, em 1888, o país nunca investiu para que os ex-escravos pudessem ter acesso à educação, saúde, moradia, abandonando-os totalmente.
Exemplo disso foi a construção (pelo governo dos EUA), já no século XIX, de uma ferrovia ligado as Costas Leste e Oeste, o que levou ao desenvolvimento econômico do Meio-Oeste dos EUA, região que se transformou no maior produtor e exportador de alimentos do mundo;

4) No Brasil, a elite de mentalidade escravocrata nunca teve o seu poder político e econômico destruídos, muito pelo contrário.

Foi essa elite escravocrata que conduziu a Independência, sendo que a sua prioridade, com a mesma, foi a de manter o tráfico de escravos e a escravidão intactos, bem como assumiu o comando do país no período Monárquico e, também, no período Republicano. 

Inclusive, o tráfico de escravos se tornou a principal atividade econômica do Brasil após a decadência da extração de Ouro na região das Minas Gerais. Os homens mais ricos do Brasil, durante o século XIX, foram os traficantes de escravos. 

Isso explica o motivo da elite brasileira ter resistido tanto à extinção do tráfico de escravos africanos, que somente aconteceu depois que a Inglaterra bombardeou o Rio de Janeiro, que era a capital do país na época. 

E os sucessores desta elite escravocrata estão aí até hoje, pois elas souberam se adaptar às mudanças pelas quais o Brasil passou desde então, como a Proclamação da República, o fim da escravidão (cujo processo foi controlado e conduzido pelos próprios escravocratas), a industrialização e a urbanização do país, que se acelera nas primeiras décadas do século XX e que ganha um grande impulso após a chamada 'Revolução de 30'.

Não é à toa que famílias tradicionais, cujas fortunas estão ligadas, de uma forma ou de outra, à exploração do tráfico de escravos e da escravidão, mantém o seu poder intactos no Brasil ainda hoje.

Os exemplos são muitos: Sarney (MA), Caiado (GO), Cavalcanti (PE), Alves e Maia (RN), entre muitas outras.
A Revolução Francesa destruiu o poder das elites mais retrógradas do país (Clero, Nobreza e Família Real), o que foi fundamental para que o país pudesse se desenvolver e se modernizar. 
A Revolução Francesa, as Revoluções Liberais na Europa do século XIX e a Revolução Russa também destruíram o poder das velhas e retrógradas elites.

No Brasil, infelizmente, isso nunca aconteceu.

E com isso, elas continuam detendo o poder econômico e político do país. E são essas mesmas elites de mentalidade escravocrata que acabaram de promover mais um Golpe de Estado e de derrubar Dilma, pois esta recusou-se a fazer o que elas desejavam (arrochar salários, destruir a CLT, extinguir os programas sociais, privatizações desnacionalizantes, retomar a política de superávit primário).


Obs: Estas não são as únicas diferenças, é claro, entre o Brasil e os EUA, mas elas estão entre as principais, sem dúvida alguma.

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