Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 4 de setembro de 2016

O apoio de Fernando Gabeira ao Golpe e a luta contra a Ditadura Militar! - Marcos Doniseti!

O apoio de Fernando Gabeira ao Golpe e a luta contra a Ditadura Militar! - Marcos Doniseti! 
O PT nunca foi majoritário na Câmara dos Deputados enquanto Lula e Dilma governaram o país (2003-2016). No seu melhor momento, a bancada petista chegou ao máximo de 91 deputados (2003-2006). 
Em artigo publicado neste Domingo, o ex-guerrilheiro Fernando Gabeira defendeu o Golpe contra o governo Dilma, sob a justificativa de que um governo do PMDB seria menos ruim do que o 'projeto hegemônico' do PT, que visaria dominar o Parlamento, a Justiça e a Imprensa, sugerindo que este tentaria promover a implantação de uma Ditadura no país. 

No entanto, Gabeira 'esquece' de alguns detalhes fundamentais e que jogam no lixo a sua argumentação fajuta. 

Ele 'esquece', por exemplo, que o PT somente governou o Brasil por 13 anos porque venceu quatro eleições presidenciais consecutivas. Foi o povo brasileiro que elegeu Lula e Dilma. Eles não caíram de paraquedas na Presidência da República. Eles foram colocados no cargo pelo povo brasileiro. 

Além disso, foram justamente os poderes citados por Gabeira (Mídia, Justiça e o Parlamento) os grandes responsáveis por derrubar o governo Dilma por meio de um Golpe de Estado, visto que em nenhum momento ficou comprovada a prática de crime de responsabilidade por parte da Presidenta. 

No Congresso Nacional, por exemplo, o PT sempre foi minoritário. 
O PT nunca foi majoritário no Senado enquanto Lula e Dilma governaram. No máximo, a legenda chegou a 14 senadores (2003-2006), em uma bancada total de 81. 
O máximo que o PT conseguiu foi eleger 91 deputados federais e 14 senadores nas eleições de 2002, quando Lula venceu a eleição presidencial pela primeira vez, depois de muitos anos de desgaste do fracassado governo de FHC. 

Assim, o PT chegou ao máximo de 105 parlamentares em um total de 594 (513 deputados federais e 81 senadores), não passando de 17,7% dos votos. 

O PT nunca chegou a possuir sequer 20% dos parlamentares federais. Imaginar que, nestas condições, o PT poderia pensar em querer 'dominar o Parlamento' só pode ser piada. 

E é claro que Gabeira não diz coisa alguma a esse respeito. 

O PT também nunca teve qualquer controle sobre o Poder Judiciário, sendo que, como Gabeira esquece (convenientemente), dirigentes nacionais do partido chegaram a ser condenados pelo mesmo ATF (Zé Dirceu e José Genoíno), mesmo com provas muito frágeis ou até inexistentes. 

A ministra Rosa Weber chegou a dizer estava condenando Zé Dirceu porque a 'literatura jurídica' permitia, embora reconhecesse a inexistência de provas para fazê-lo. 

Como é possível que um partido que sequer consegue impedir que alguns dos seus principais dirigentes sejam condenados pelo STF pode ser acusado de querer 'dominar a Justiça'? Gabeira não explica. 
Atualmente, Fernando Gabeira é um aliado do PSDB, partido neoliberal e reacionário, que reprime e criminaliza os movimentos sociais, além de defender a eliminação dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. 
E os governos de Lula e Dilma, bem como o PT e os movimentos sociais que os sustentaram, também sofreram a mais brutal campanha midiática da história do país. 

A Grande Mídia teve um papel fundamental no processo de enfraquecimento da imagem pública de Lula, Dilma e do PT. 

A Grande Mídia chegou ao ponto, até, de pedir pela condenação de Lula sob a acusação de ser dono de um triplex e de um sítio, mesmo sabendo que ele jamais foi proprietário das mesmas. 

Tal campanha midiática espalhou uma série de mentiras e manipulações descaradas a respeito da realidade brasileira, como a de que 'o PT quebrou o Brasil'. 

E a Grande Mídia e seus empregados repetiram isso de forma incessante, embora todos eles soubessem que o país havia acumulado reservas internacionais suficientes para pagar toda a dívida externa (reservas são de US$ 376 bilhões, contra uma dívida externa de US$ 332 bilhões), tenha se tornado credor do FMI e pagasse as suas dívidas (interna e externa) em dia. 

Se o PT tinha um projeto para dominar a imprensa, como se explica que essa Grande Mídia tenha feito tudo isso? Gabeira não diz, é claro. 

Como se percebe, a 'argumentação' de Gabeira é absolutamente patética e não tem nenhuma base na realidade. Trata-se apenas de uma discurseira ridícula, esdrúxula e vazia e que se destina a justificar o injustificável e a defender o indefensável.
'Cidadão Boilesen', 'Condor' e 'Hércules 56' são três excelentes documentários sobre o período da luta e da resistência contra as Ditaduras Militares na América do Sul, bem como a respeito dos crimes que elas cometeram durante um longo período de tempo. 
Gabeira é, de fato, um mentiroso e justamente por isso eu não me surpreendo que ele esteja apoiando o Golpe que se promoveu contra Dilma e contra a Democracia brasileira. 

Ele mentiu na cara-dura no livro 'O que é isso, Companheiro?' (e depois no filme que foi baseado no mesmo), tentando passar a ideia de que ele foi o principal nome do rapto do embaixador dos EUA, quando ele era apenas um dos inquilinos da casa na qual o embaixador ficou por alguns dias. 

Gabeira disse, no livro, que teve a ideia de sequestrar o embaixador dos EUA e convenceu os outros a fazer tal ação.

Mentira! 

A ideia surgiu numa conversa entre o Cid Benjamin e o Franklin Martins. Gabeira não teve nada a ver com isso. 

Ele disse que escreveu o manifesto anti-Ditadura que foi divulgado pela imprensa na época, por exigência dos raptores. 

Mentira! 

Quem escreveu o texto foi o Franklin Martins. Aliás, Gabeira corrigiu essa informação numa edição posterior do livro, mas no filme tal mentira permaneceu. 
'O Que é isso, Companheiro?': Livro de Fernando Gabeira divulgou e popularizou uma série de mentiras a respeito do rapto do embaixador dos EUA, Charles Elbrick, em 1969, supervalorizando a participação, que foi secundária e superficial, de Gabeira no acontecimento.
Gabeira disse que ele havia sido escolhido para matar o embaixador, se fosse necessário. 

Mentira! 

Primeiro, porque nunca se teve a intenção de matar o embaixador dos EUA. Isso nunca foi o principal do rapto. O mais importante era divulgar o manifesto que quebrasse a censura à imprensa, a fim de informar a população brasileira sobre qual era a realidade brasileira da época. 

E depois porque ninguém, entre os raptores, tinha sido escolhido para matar o embaixador. Se fosse necessário, qualquer um dos raptores poderia fazer tal coisa. 

Não havia ninguém em especial para fazê-lo. 

Gabeira sempre mentiu.

Logo, Gabeira sempre gostou de aparecer, seja chamando a atenção para si por meio de inúmeras mentiras que inventou sobre a sua 'participação' no rapto do embaixador dos EUA ou seja usando sunga de crochê. 
O excelente documentário 'Hércules 56', de Silvio Da-Rin, esclarece inúmeros aspectos importantes a respeito do rapto do embaixador Charles Elbrick, dos EUA, em 1969, por movimentos guerrilheiros, contextualizando e explicando o acontecimento de forma bem clara.
"Hércules 56"!

Não sei se vocês já assistiram, mas recomendo que vejam o documentário 'Hércules 56', que conta a verdade sobre o rapto do embaixador dos EUA em 1969, Charles Elbrick, mostrando que Gabeira não teve participação nenhuma no mesmo, ao contrário do que ele disse em seu livro e que foi mostrado no filme, de Bruno Barreto, que levou as mentiras de Gabeira para a tela do Cinema. 

O documentário 'Hércules 56' é um grande bate-papo entre alguns dos organizadores do rapto de Charles Elbrick: Franklin Martins, Daniel Aarão Reis, Cláudio Torres, Manoel Cyrillo e Paulo de Tarso Venceslau. 

Outros membros do movimento de Resistência à Ditadura participaram do documentário, fazendo comentários e análises: Zé Dirceu, Ricardo Zaratini, Maria Augusta R. Carneiro, entre outros. 

Eles procuram contextualizar o cenário da época, explicando que o Brasil vivia sob uma Ditadura Militar que havia destruído todas as liberdades democráticas (de imprensa, manifestação, reunião, expressão), principalmente depois da imposição do AI-5, e que havia institucionalizado a prática da tortura e do assassinato de opositores ou resistentes. 

O Congresso Nacional tinha sido fechado e os partidos políticos haviam sido extintos (PTB, PSD, UDN, PSP; O PCB e o PCdoB, que era ilegais, foram perseguidos), sendo substituídos por duas legendas (ARENA e MDB) que não possuíam poder algum e que tiveram inúmeras lideranças cassadas pela Ditadura Militar, principalmente o MDB. 

Cena do documentário 'Hércules 56': Daniel Aarão Reis (à esquerda), Franklin Martins (à direita) e, de costas, Cláudio Torres. 
Ex-Presidentes como Jango, Jânio Quadro e JK também tiveram seus direitos políticos cassados e o mesmo aconteceu com lideranças civis do Golpe, como foram os casos de Carlos Lacerda e Ademar de Barros. 

Além disso, inúmeros Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Prefeitos e Vereadores também tiveram os seus mandatos cassados pela Ditadura Militar. 

A maior parte dos poderes do Legislativo foram transferidos para o Poder Executivo e o Poder Judiciário foi 'depurado' de membros que viviam concedendo habeas corpus para as pessoas que eram presas pela Ditadura Militar. 

Estes foram os casos de Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Victor Nunes Leal, que eram ministros do STF e que foram aposentados compulsoriamente pela Ditadura quando da adoção do AI-5. 

É bom esclarecer que embora o AI-5 tenha sido imposto ao país em Dezembro de 1968, a repressão contra a população começou logo a partir do primeiro dia do Golpe de 64, ou seja, no dia Primeiro de Abril. 

E foi justamente o total fechamento do sistema político pela Ditadura que levou a que algumas organizações políticas de oposição e dissidentes de partidos e organizações existentes desde o período pré-64 (principalmente o PCB) optassem pela luta armada. 
'Hércules 56': Foto dos 15 prisioneiros políticos que foram libertados em troca do embaixador Charles Elbrick. Após a libertação, eles foram levados para o México, onde ficaram por pouco tempo. 
A luta foi inteiramente desigual e os grupos guerrilheiros foram dizimados pela Ditadura Militar, mas esta se desgastou fortemente, inclusive no exterior, na medida em que transformou grande parte das Forças Armadas em uma organização destinada a promover prisões ilegais, torturas, assassinatos e desaparecimentos das suas vítimas.

E a própria abertura 'lenta, gradual e segura' que foi iniciada por Geisel e Golbery, a partir de 1974/75, visava não devolver o governo para o comando das lideranças civis ou redemocratizar o país, mas desmantelar o brutal e criminoso aparato de repressão que a Ditadura Militar havia implantado, enquanto mantinha o Estado sob o controle militar. 

Assim, a 'Linha Dura' e o aparato repressivo seriam desmantelados, mas o país continuaria sob o comando do Regime Militar. 

Permitir algumas críticas por parte da imprensa e, também, manifestações (vigiadas) por parte da oposição faziam parte desse processo de abertura, do qual os militares acabaram perdendo o controle, principalmente em função da crise econômica pós-Choque do Petróleo (Outubro de 1973), que fez com que a inflação e a dívida externa disparassem. 
A repressão promovida pela Ditadura Militar (1964-1985) foi implacável. Ditadura aniquilou todas as liberdades democráticas no país durante mais de 20 anos.
Além disso, tivemos o surgimento, renascimento e crescimento de inúmeros movimentos populares organizados, como foram os casos dos movimentos contra a Carestia, pela Anistia, pela Redemocratização do país, estudantil, sindical, intelectuais, jogadores de futebol (Democracia Corintiana), entre outros. 

Tal luta também foi fundamental para desgastar e enfraquecer a Ditadura Militar.

A combinação de crise econômica, desmoralização provocada pelas violências do aparato repressivo e fortalecimento dos movimentos populares acabou sendo fatal para a Ditadura Militar. 

Também tivemos a reação dos grupos da chamada 'Linha Dura' militar, que era contrária ao processo de abertura, ou seja, do desmantelamento do aparato repressivo (Doi-Codi, SNI). 

Esta reação se deu, por exemplo, promovendo atentados terroristas contra bancas de jornais que vendiam jornais ou publicações de oposição, assassinando (sob brutais torturas) Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho. Tal reação teve no fracassado atentado do Riocentro o seu auge. 

E todos estes movimentos acabaram confluindo para o grande movimento das Diretas Já, que representou a pá de cal sobre a Ditadura Militar, mesmo com a emenda Dante de Oliveira tendo sido rejeitada pelo Congresso Nacional. 
Imagem de Vladimir Herzog, após ter sido assassinado pela Ditadura Militar após ter sofrido brutais torturas. Herzog era membro do PCB e trabalhava como Jornalista na TV Cultura. 
Assim, todas estas diferentes formas de luta contribuíram, de uma forma ou de outra, para o progressivo enfraquecimento e desmoralização da Ditadura Militar, levando ao seu fim em 1985, quando Tancredo Neves se elegeu Presidente da República. 

E o processo de transição democrática foi concluído quando tivemos a elaboração e a conclusão da nova Constituição e a realização da primeira eleição presidencial desde 1960, em 1989. 

A luta da população, de diferentes formas, é que permitiu essa conquista.

Links:

Vídeo - 'Hércules 56' - Conversa entre os participantes: 

https://www.youtube.com/watch?v=sX5vYUdpnZ8   

Entrevista com Flávio Tavares:

https://www.youtube.com/watch?v=ihq4BzAckVY
Algumas das vítimas da Ditadura Militar, que matou dezenas de milhares de pessoas, incluindo índigenas, camponeses, operários, estudantes, políticos entre muitos outros.
Gabeira defende o Golpe!

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/253354/Gabeira-defende-o-golpe-e-diz-que-o-PMDB-quer-apenas-roubar-em-paz.htm

Maria Augusta Ribeiro Carneiro:

https://www.youtube.com/watch?v=YVzUPBZOTAI

Vladimir Palmeira:



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