Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Fim da Globalização Neoliberal provoca a falência da 'Terceira Via' de Blair/Giddens e Social-Democracia keynesiana renasce nos países desenvolvidos! - Marcos Doniseti!

Fim da Globalização Neoliberal provoca a falência da 'Terceira Via' de Blair/Giddens e Social-Democracia keynesiana renasce nos países desenvolvidos! - Marcos Doniseti! 
Bill Clinton e Tony Blair conduziram os seus partidos (Democrata e Trabalhista) para a defesa dos interesses do Grande Capital financeiro, virando as costas para a classe média e para a classe trabalhadora industrial que eram as bases eleitorais de suas legendas. Mas a derrocada da Globalização Neoliberal levou à derrota de Hillary para Trump e gerou a ascensão de Jeremy Corbyn, um típico social-democrata keynesiano, para a condição de líder do Partido Trabalhista britânico em 2015. 

Em sua página no Facebook, o meu amigo Diogo Costa perguntou: 


1. Porquê boa parte da esquerda, que protestou contra o neoliberalismo e os acordos de livre comércio, em passado não muito distante, não valoriza a contraposição que Trump está fazendo contra isso?

2. Como a esquerda conseguiu a proeza de perder a bandeira da luta contra a globalização neoliberal e os acordos de livre comércio para a direita - nos EUA, na França, no Reino Unido, etc.?

Esta é a minha resposta:

Isso aconteceu porque neste países os partidos que, antigamente, sustentavam as políticas do Estado de Bem-Estar Social, tipicamente social-democratas e keynesianas, passaram a ser adeptos da chamada 'Terceira Via', que foi, na prática, a rendição dos social-democratas keynesianos para as políticas neoliberais (thatcheristas). 

Isso foi feito por meio da defesa da chamada 'Terceira Via' neoliberal. 

A 'Terceira Via' foi obra de Tony Blair/Anthony Giddens, que transformaram o Partido 
Trabalhista britânico (que construiu o Welfare State no Reino Unido no Pós-Guerra) em uma legenda neoliberal. 

Esse processo foi interrompido apenas com a eleição de Jeremy Corbyn para a liderança do Labour Party em 2015. Uma nova geração de militantes trabalhistas foi responsável por essa vitória. Muitos jovens aderiram ao partido apenas para poder eleger Corbyn como o líder da legenda.
François Hollande e Lionel Jospin, do Partido Socialista Francês, que adotaram as políticas neoliberais da 'Terceira Via'. Jospin promoveu um verdadeiro festival de privatizações e Hollande impôs uma reforma trabalhista tipicamente neoliberal e que é rejeitada pela maioria absoluta dos franceses. Com isso, Hollande se tornou tão impopular que desistiu de tentar a reeleição na eleição presidencial que acontecerá em Maio deste ano.

Mas a maioria dos deputados trabalhistas ainda é adepta da Terceira Via de Blair/Giddens e, por isso, acontecem muitos conflitos entre Jeremy Corbyn e tais deputados neoliberais. 


Mas ele tem o apoio da maioria dos eleitores e militantes do partido e, assim, consegue se manter à frente do mesmo. 

Já nos EUA quem promoveu essa virada do Partido Democrata para o neoliberalismo foi o Bill Clinton. Foi ele, por exemplo, que aboliu a Lei Glass-Steagal, que foi uma das principais medidas adotadas por Roosevelt a fim de impedir que novas crises financeiras acontecessem. Tal lei separou bancos comerciais (de varejo) dos bancos de investimentos.

Ao abolir tal lei, o governo de Clinton acabou permitindo que bancos voltados para atender ao grande público acabassem se fundindo com os bancos de investimentos, que atuam muito mais voltados para a especulação financeira. 

Isso deu origem a gigantescas corporações financeiras, que são 'grandes demais para quebrar'. E quando quebram, o Governo salva as mesmas rapidamente, a fim de impedir que aconteça uma nova Depressão Econômica. 
Políticas tipicamente social-democratas e keynesianas do governo de Franklin D. Roosevelt estão voltando a ser adotadas. Até mesmo Trump fala em promover grandes investimentos públicos em infra estrutura, a fim de gerar empregos qualificados nos EUA, tal como fez Roosevelt em seu longo governo (1933-1945). 

Assim, o governo de Clinton aprofundou as políticas de desregulamentação da economia dos EUA que Reagan havia iniciado. E Obama não fez nada para reverter isso, muito pelo contrário, deu continuidade a políticas que são favoráveis à Globalização Neoliberal e que somente beneficiam os 20% mais ricos da população. 


É por isso que, nos EUA, considera-se que o Partido Democrata traiu e abandonou a classe média e a classe trabalhadora industrial, que sempre formaram a base do seu eleitorado. Essa base eleitoral reunia a maioria absoluta da população e fez com que os Democratas desfrutassem de uma significativa hegemonia política e eleitoral no Pós-29.

Afinal, entre 1932 e 1976 os Democratas venceram as eleições presidenciais de 1932, 1936, 1940, 1944, 1948, 1960, 1964 e 1976 (8 vitórias), enquanto que os Republicanos ganharam apenas em 1952, 1956, 1968 e 1972 (4 vitórias). E mesmo no caso da eleição de 1968, a vitória de Nixon somente foi possível devido ao assassinato de Robert Kennedy, que era o franco favorito para vencer a eleição presidencial daquele ano. 

Com as políticas de Clinton, o Partido Democrata acabou se tornando tão neoliberal quanto o Partido Republicano, que aderiu ao Neoliberalismo devido ao triunfo de Reagan em 1980. Até então, os Republicanos também eram defensores das políticas keynesianas. 
O anti-neoliberal Benoit Hamon (da ala mais esquerdista do PSF) é o virtual candidato a Presidente pelo Partido Socialista Francês em Maio deste ano. Ele venceu o primeiro turno das primárias do PSF neste domingo (22/01/2017) e terá o apoio do terceiro colocado, Arnaud Montebourg, que também é contrário ao neoliberalismo. Hamon defende a criação de uma Renda Básica Universal no valor de 600 Euros mensais e a taxação de riquezas geradas por máquinas e robôs a fim de financiar a Seguridade Social. 

O governo de Nixon, por exemplo, chegou a decretar o controle de preços de vários produtos, devido ao aumento da inflação que foi provocado pelo fim do padrão-ouro do Dólar, motivo pelo qual Milton Friedman disse que ele fez o governo mais socialista da história dos EUA.


As políticas neoliberais promoveram um grande aumento da concentração de renda em todos os países desenvolvidos. 


Nesta eleição presidencial, Trump se beneficiou, sim, dos movimentos que contestavam a hegemonia dos 1% mais ricos e fez um discurso de campanha que atraiu os setores da população que estão descontentes com os rumos do país e de suas vidas, pois estão empobrecendo. Nos EUA, os movimentos do Occuppy também abriram espaço para a ascensão de U.S. Senator Bernie Sanders, que é um típico social-democrata keynesiano. Se ele tivesse sido o candidato Democrata teria vencido a eleição com facilidade. O movimento dos 'Indignados' da Espanha gerou a formação do 'Podemos, que possui um programa tipicamente social-democrata e keynesiano.

Caso o Senador Bernie Sanders tivesse sido escolhido como o candidato à Presidente pelos Democratas, ele poderia ter levado o partido de volta para a defesa das políticas social-democrata keynesianas. Porém, a sua candidatura foi sabotada pelos Clinton e pelas lideranças do partido, o que foi um grave erro, pois ele derrotaria Trump com facilidade (as pesquisas o mostravam com 10 a 15 p.p. de vantagem sobre Trump). 

Na França, o governo de Lionel Jospin foi o que mais promoveu privatizações na história do país. E o governo de François Hollande foi ainda mais neoliberal do que o de Jospin, tendo imposto uma reforma trabalhista tipicamente neoliberal, contra a vontade da maioria dos deputados e eleitores do PSF, bem da maioria absoluta da população francesa, que era majoritariamente contra tal reforma. 

Assim, o PSF também tornou-se uma legenda neoliberal. 
O percentual de trabalhadores sindicalizados despencou nos EUA nas últimas décadas, caindo de 35% (1955) para apenas 11% (2015). No setor privado o percentual de sindicalizados é de apenas 6%. 

Agora, com a crise final do Neoliberalismo Globalizante ficando mais explícita do que nunca, uma grande parte dos líderes, eleitores e militantes do PSF decidiram levar o partido de volta para as suas origens, passando a defender novamente políticas social-democratas keynesianas. 


Com isso, o PSF deverá ter Benoît Hamon (anti-neoliberal) como o seu candidato à Presidente em Maio deste ano.

Logo, está chegando ao fim a época em que os partidos que, antigamente, eram defensores de políticas de defesa do Estado de Bem-Estar Social e que aderiram ao Neoliberalismo tinham condições de vencer eleições.

Agora, em vários países, tais partidos estão ou retornando às suas origens (caso do Partido Trabalhista Britânico) ou estão perdendo rapidamente o seu eleitorado e encolhendo bastante (foi o que aconteceu com o Pasok da Grécia). 

As pesquisas para a eleição presidencial francesa deste ano mostravam que o candidato do Partido Socialista não teria chance alguma. Mas com Hamon na disputa, o quadro pode mudar até Maio. 
'A Doutrina do Choque': Livro de Naomi Klein mostra como a imposição de políticas neoliberais exigiu a adoção de medidas fortemente repressivas por parte de inúmeros governos, no mundo inteiro. Boris Ieltsin, por exemplo, chegou a bombardear o Parlamento russo, em 1993, para impor as políticas neoliberais, que estavam empobrecendo rapidamente o povo russo.  

Trump: É só 'fofoca de campanha'? Nada disso. 


Não e só 'fofoca de campanha,' não, o discurso de Trump. Ele está retirando os EUA do TPP e já anunciou que vai renegociar o NAFTA. Se Canadá e México não concordarem com as mudanças, ele irá retirar os EUA do bloco. Ele também já avisou que não vai tolerar a instalação de indústrias no México para exportar a produção para os EUA, ameaçando taxar a mesma em 35%.

Trump é a demonstração clara de que as elites dos EUA estão rachadas. Uma parte é contra Trump, mas muitos dos membros do Big Business são a favor dele, pois está claro para muitos que os EUA estão vivendo uma fase de decadência. .

Uma das principais causas do empobrecimento da classe média e da classe trabalhadora industrial nos EUA foi o enfraquecimento dos sindicatos. 

Em 1955, 35% dos trabalhadores dos EUA eram sindicalizados, contra apenas 11% atualmente. E no setor privado, esse índice é ainda menor, de apenas 5%. Está explicado porque tantos trabalhadores empobreceram nos EUA e porque os empregos precários estão se disseminando no país. Entre os 31 países membros da OCDE apenas quatro países possuem um percentual menor de trabalhadores sindicalizados do que os EUA.

Tanto o governo de Reagan, quanto o de Thatcher, precisaram reprimir duramente o movimento sindical para poder impor as suas políticas neoliberais excludentes. Sem o enfraquecimento dos sindicatos elas eram inviáveis. 

A Ditadura Militar brasileira teve que fazer o mesmo para poder arrochar os salários dos trabalhadores. No Chile de Pinochet aconteceu a mesma coisa. Na Rússia, o governo ditatorial de Boris Ieltsin chegou a bombardear o Parlamento do país para impor as suas políticas de livre-mercado. 
Trump e Theresa May adotam discursos e políticas nacionalistas e protecionistas, abandonando as políticas neoliberais. Trump se volta mais para a geração de empregos industriais qualificados dentro dos EUA, enquanto que Theresa May faz duras críticas às desigualdades sociais provocadas pelo Neoliberalismo. 

Logo, o enfraquecimento dos sindicatos contribuiu decisivamente para a precarização das relações trabalhistas e para o aumento da concentração de renda, das desigualdades sociais e da pobreza. 


O fato concreto é que a Globalização Neoliberal é sinônimo de crise capitalista. 

Somente o seu fim é que poderá encerrar a crise. No fim das contas, um outro modelo de Globalização irá se impor. E a China e a Rússia, com a política do 'Um Cinturão, Uma Estrada', já estão liderando a mudança. 

Este é mais um motivo pelo qual os EUA irão mudar. Ou os EUA mudam ou ficarão cada vez mais isolados e a sua decadência irá se acelerar nos próximos anos e décadas. 


O governo de Trump será caracterizado pela adoção de um Nacionalismo Protecionista, de uma Política Industrial e um grande aumento dos Investimentos em Infra Estrutura (até parece que Trump está copiando o Lula, mas sem as políticas sociais distributivas que caracterizaram o governo deste). Falta apenas Trump investir na área social. Mas se ele fizesse isso daí já não seria o Trump, mas o Lula ou o Bernie Sanders.
O senador Bernie Sanders poderia ter sido o candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, mas os líderes do mesmo sabotaram a sua candidatura, pois ele é um duro crítico das políticas neoliberais e defende uma redução drástica dos poderes do sistema financeiro (Wall Street). As pesquisas mostravam que ele derrotaria Trump com extrema facilidade. 

Links:


Trump retira os EUA do TPP:

http://www.dw.com/pt-br/trump-retira-eua-do-maior-acordo-comercial-da-hist%C3%B3ria/a-37244166

Candidato mais à Esquerda, Benoît Hamon vence primeiro turno das primárias do Partido Socialista Francês:

https://www.publico.pt/2017/01/22/mundo/noticia/benoit-hamon-ganha-as-primarias-da-esquerda-francesa-1759286

Trump ameaça BMW, que deseja construir fábrica no México e exportar produção para os EUA:

http://g1.globo.com/carros/noticia/2017/01/trump-tambem-ameaca-bmw-por-fabrica-no-mexico.html

Trump crítica belicista dos EUA para o Iraque:

http://g1.globo.com/mundo/eleicoes-nos-eua/2016/noticia/2016/09/trump-critica-politica-dos-eua-para-o-iraque-na-televisao-russa-20160909144505244662.html
Anthony Giddens e Tony Blair, em 1999, deram início ao projeto da 'Terceira Via' neoliberal, que foi adotada por inúmeros partidos socialistas, trabalhistas e social-democratas europeus, que abandonaram a defesa do Estado de Bem Estar Social keynesiano. O colapso da Globalização Neoliberal, no entanto, enterra o projeto da 'Terceira Via'. Não é à toa que, atualmente, até mesmo a Primeira-Ministra do Reino Unido, Theresa May (do Partido Conservador), e Christine Lagarde (Presidente do FMI) criticam duramente as desigualdades sociais geradas pelo Neoliberalismo. 

José Carlos de Assis: O fim da Globalização:


https://www.brasil247.com/pt/colunistas/josecarlosdeassis/276448/O-fim-da-globaliza%C3%A7%C3%A3o-pela-m%C3%A3o-desesperada-de-Donald-Trump.htm

Os EUA e as Guerras de US$ 6 Trilhões:

http://www.orientemidia.org/guerras-de-seis-trilhoes-de-dolares-dos-eua/

Trump diz que vai renegociar o NAFTA e ameaça abandonar o bloco se não acontecer mudanças:

https://br.sputniknews.com/americas/201701227492163-trump-nafta-eua-mexico-canada/

Moniz Bandeira - Vitória de Trump significa derrota de Wall Street:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/dessa-vez-wall-street-perdeu-diz-moniz-bandeira-sobre-trump

George Soros - Trump é aprendiz de ditador e será derrubado:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-01-20-Trump-e-um-aprendiz-de-ditador-que-vai-falhar-diz-George-Soros
"O Precariado': Livro de Guy Standing mostra que o percentual da população que trabalha em empregos precários aumentou muito nos países desenvolvidos nas últimas décadas. E isso está gerando uma crescente insatisfação popular, que levou à vitória do Brexit, de Trump e à derrota de Matteo Renzi no referendo italiano. 
Pepe Escobar: Por que as Novas Rotas da Seda apavoram os EUA:


Trump e Theresa May são aliados:


Oito homens mais ricos do mundo tem mais riquezas do que os 3,6 bilhões de pobres:


Christine Lagarde dá bronca em Meirelles em Davos e defende que políticas que reduzem desigualdades sociais devem ser prioridade:


Guy Standing: A explosão de raiva dos eleitores ocidentais se deve ao crescimento do trabalho precário!


Pepe Escobar - Vitória de Trump foi revide do povo contra as elites:


Benoit Hamon vence primárias (1o. turno) e deverá ser candidato do PSF à Presidência da França:


Políticas antissindicais aumentaram as desigualdades sociais nos EUA:

A concentração de renda aumentou consideravelmente nos EUA nas últimas décadas. A participação dos mais ricos na renda nacional cresceu de 43% (1970) para 51% (2013). Enquanto isso, a participação dos 80% de menor renda (classe média e pobres) diminuiu de 57% para 49%. 
Hollande impõe reforma trabalhista por decreto, mesmo sem aprovação do Parlamento e com rejeição da maioria absoluta dos franceses:


EUA: 58% dos novos empregos são precários:


A Terceira Via de Tony Blair e Anthony Giddens:


Boaventura de Sousa Santos: As Esquerdas europeias precisam ser refundadas (entrevista de 2011):

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