Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 5 de março de 2017

Brasil: Um País sem Estado é o objetivo final do Golpe! - Marcos Doniseti!

Brasil: Um País sem Estado é o objetivo final do Golpe! - Marcos Doniseti!
PNAC (Projeto para um Novo Século Americano) prevê a implantação de uma Ditadura Global dos EUA durante todo o século XXI. E para isso é necessário destruir os países que não se submetem aos interesses dos EUA.
Muitos estão dizendo que Temer será derrubado do cargo de Presidente para que algum tucano possa vir a governar o país e que o objetivo dos líderes golpistas teria sido sempre esse. 

Mas entendo que esse é um dos objetivos secundários do Golpe. Porém, este Golpe de 2016 vai muito além de substituir um governo (nacionalista e reformista) por outro (neoliberal e privatizante). 

Esse Golpe de 2015/2016 visa atingir um objetivo bem maior, que é o desmonte do Estado Nacional brasileiro, o que poderá provocar a própria desintegração do país, que se dividiria em outros menores, tal como aconteceu com a América Espanhola logo após obter a independência no século XIX. 

Os golpistas tupiniquins são apenas os instrumentos para se chegar a este resultado. 

Esse Golpe (tal como tantos outros que tivemos na história brasileira) conta com a participação segmentos sociais, facções de classe e interesses locais muito poderosos, cada um preocupado mais com a sua própria agenda política do que com o interesse geral do próprio movimento golpista. 
Síria: Antes e Depois da Guerra na qual os EUA e a OTAN tiveram uma participação fundamental. O governo de Assad não se submetia aos interesses dos países capitalistas imperialistas. 
Isso explica, por exemplo, porque inúmeros deputados federais já avisaram que votarão contra a 'Reforma da Previdência' (na verdade, a destruição dela), sendo que o governo Temer já percebeu que será derrotado na votação da mesma. 

Já está em andamento, inclusive, uma campanha do PMDB dizendo que se a 'Reforma da Previdência' não for aprovada os programas sociais serão extintos. 

Mas se o objetivo do Golpe não é colocar algum tucano na Presidência da República para que o mesmo governasse o Brasil e adotasse uma política neoliberal, então qual seria?

Bem, da mesma forma que o PMDB e os partidos fisiológicos foram instrumentos para que os tucanos chegassem a participar do governo federal, ocupando um grande número de ministérios e cargos, o PSDB e o DEM (que são os partidos da Direita Neoliberal brasileira) também são instrumentos dos EUA para destruir o Estado Brasileiro e, no limite, o próprio país. 

Logo, não se trata apenas de implantar uma política neoliberal de 'Estado Mínimo' no Brasil, mas de destruir o Estado Brasileiro, mesmo. E a meta final é a balcanização do Brasil, dividindo o mesmo em países menores, tal como foi feito com a URSS e com a Iugoslávia. Mais recentemente, a mesma política foi adotada na Líbia, na Síria e na Ucrânia. 
Livro 'Império do Caos', de Pepe Escobar, mostra como as guerras e os processos de desestabilização promovidos pelos EUA geram o Caos pelo mundo afora. 
Mas para se fazer algo assim, em escala global, é necessário a participação fundamental de uma força muito maior e mais poderosa do que apenas as forças conservadoras brasileiras (agronegócio, Grande Mídia, classes médias retrógradas, sistema financeiro, multinacionais, Grandes industriais e comerciantes). 

Terminei de ler ontem um livro excelente de Pepe Escobar (Império do Caos, que é uma coletânea de textos que ele publicou ao longo de vários anos, chegando até o final de 2014) que mostra claramente como os EUA trataram de desmantelar o Estado previamente existente em países como Iraque, Ucrânia, Síria e Líbia, por exemplo, fazendo com que estes países mergulhassem no Caos (daí a expressão 'Império do Caos' para se referir aos EUA e que foi usada, originalmente, por Alain Joxe, autor de um outro livro de mesmo nome).

Nestes casos, os EUA não se limitaram a promover a instabilidade política e processos de desestabilização que visavam apenas a derrubar um governo e a colocar outro em seu lugar. 

Os EUA já fazem isso há muito tempo, desde o Golpe de Estado que a CIA e o MI6 (serviço secreto britânico) promoveram no Irã, em 1953, para derrubar o governo nacionalista, laico, secular, democrático e reformista de Mossadegh. O modus operandi deste Golpe foi, posteriormente, muito utilizado na América Latina, incluindo o Brasil durante o governo Jango, o que resultou na vitória do Golpe de 64. 

A mesma política de desestabilização foi, depois, também usada pela CIA exaustivamente por toda a América Latina, sendo que a Guatemala, em 1954, foi a primeira experiência bem sucedida, quando a agência secreta ianque derrubou o governo democraticamente eleito de Jacobo Arbenz, pois este ousara fazer uma Reforma Agrária, o que prejudicou os interesses da United Fruit, grande empresa dos EUA que possuía muitas terras no país. 

Atualmente, a política dos EUA vai muito além disso. 
'A Doutrina do Choque', de Naomi Klein, mostra como os EUA exportaram o Neoliberalismo para o mundo todo e que isso exigiu a promoção de inúmeros Golpes de Estado, a implantação de Ditaduras e a promoção de Guerras pelo mundo todo.
O que os EUA fazem, agora, é usar de forças políticas, sociais, militares, empresariais, jurídicas e policiais dos próprios países para derrubar os Governos nacionalistas e reformistas e, depois, desmantelar o Estado. 

E sem um Estado Nacional forte e organizado, tais países e povos tornam-se presa fácil para que os EUA possam atingir os seus objetivos, que são assumir o controle das suas riquezas (petróleo, minérios, terras, água, etc) e inviabilizar qualquer política que fortaleça econômica e politicamente tais países, mesmo que isso aconteça apenas em suas regiões. 

Logo, muitas vezes, estes objetivos são a abertura dos mercados destes países, para que empresas dos EUA passem a deter o controle das riquezas (petróleo, gás natural, minérios) e do patrimônio público (bancos e empresas estatais). Um pouco antes da invasão do Iraque, em 2003, as maiores empresas dos EUA fizeram uma ampla reunião na qual elas decidiram quem iria assumir o controle das empresas e riquezas do país de Saddam Hussein.

É bom lembrar que Saddam chegou ao poder, em 1978, por meio de um Golpe de Estado no qual contou com o importante apoio da CIA e recebeu tecnologia para a produção de armas químicas dos EUA-OTAN, as mesmas que ele usou, depois, contra os iranianos e contra os curdos. E posteriormente os EUA usaram desse pretexto (que o Iraque Saddam possuía armas de destruição em massa, incluindo as químicas) para invadir o Iraque, derrubar e enforcar o próprio Saddam Hussein... 

Em outras oportunidades, no entanto, tais Golpes perpetrados pelo Império do Caos (EUA, é claro) vai muito além de derrubar um governo e instalar outro, submisso aos interesses dos EUA, no lugar. 
Foi durante a reunião dos BRICS em Fortaleza, em Julho de 2014, que o grupo decidiu criar um Banco de Desenvolvimento e um Fundo de Reserva próprios, com o objetivo de competir com o FMI e com o Banco Mundial, o que é considerado inaceitável pelos EUA. 
As políticas atuais dos EUA visam destruir o próprio Estado Nacional, para que tais países não possam vir a possuir um governo forte o suficiente e que tenha condições de resistir às políticas e interesses globais dos EUA que adotou, a partir do governo de Bush Jr, o chamado 'Projeto para um Novo Século Americano', que tem o objetivo de impor uma Ditadura Global dos EUA até o final do século XXI. 

E um dos principais itens deste PNAC é justamente o de impedir que qualquer país, em qualquer lugar do planeta, venha a se fortalecer de tal maneira que possa contrariar os interesses dos EUA. 

Quando isso acontece, os EUA imediatamente começam a desenvolver um processo de desestabilização, que visa promover a derrubada do Governo local por meio das chamadas 'Revoluções Coloridas', mesmo que isso implique em promover um Golpe de Estado que jogue a Constituição do país na lata de lixo. E se necessário for, serão criados (pelos EUA) grupos de milícias privadas que promoverão assassinatos que, depois, serão  falsamente atribuídos ao Governo local, o que atrairá a repulsa internacional (devidamente manipulada pela Grande Mídia ocidental). 

Isso foi feito, com sucesso, na Ucrânia, por exemplo. 

Assim, uma combinação de várias ações de propaganda negativa e um verdadeiro terrorismo midiático (promovido por uma Grande Mídia que é ligada aos interesses ianques) são levados adiante para aumentar a insatisfação popular e jogar o povo contra os governantes do país, que passam a ser acusados de 'corruptos', mesmo que nenhuma prova disso seja apresentada (Lula e Dilma que o digam...).

Para isso, os EUA promovem ações políticas de propaganda (por meio de Mídia, ONGs, CIA, espionagem, sanções econômicas) que promovem a radicalização e a divisão interna destes países. 

É a famosa política do 'Dividir para Reinar', muito utilizada por vários Impérios ao longo da história.
O Brasil encerrou 2014 com a menor taxa de desemprego da história (4,8% na média anual). Isso aumentou o poder de barganha dos trabalhadores nas negociações com as empresas, permitindo que eles conquistassem significativos ganhos reais. 
Se necessário, até mesmo grupos terroristas ou milícias privadas serão criados, apoiados e armados com essa finalidade. Neste processo, os EUA sempre contam com a participação de forças sociais e políticas internas e também obtém a colaboração de países vizinhos ou que são inimigos do país que está para ser destruído. 

Assim, para destruir a Líbia, os EUA (junto com França, Itália, Reino Unido) contaram com uma importante participação dos governos da Arábia Saudita e do Qatar, bem como de extremistas islâmicos (da Al-Qaeda, por exemplo) que foram financiados e armados por tais países.  

No caso da Síria, para tentar derrubar Assad e desmantelar o Estado, os EUA contaram com a participação da Arábia Saudita, Israel, Turquia, Qatar e de outros países da OTAN (França, Reino Unido) e de inúmeros grupos extremistas islâmicos, do qual o Estado Islâmico/ISIS é apenas o mais famoso. 

O objetivo destas guerras contra Síria e Líbia não era apenas errubar os governos destes países e colocar outros no lugar, mas destruir o Estado que os mantinha unidos. 
A partir do início do movimento golpista a economia brasileira entrou em profunda recessão, da qual não conseguiu sair até agora. Com isso, o desemprego disparou e já se encontra em 12,6%. E durante 2017 essa taxa irá aumentar bastante. 
E isso foi plenamente alcançado na Líbia, que agora mal possui um governo central que controle a maior parte do território e que é inteiramente dependente dos EUA-OTAN. A Líbia tem o seu território controlado por vários grupos de extremistas islâmicos e tribos e o que se chama de Governo tem pouco controle sobre o país. 

Assim, a Líbia não tem mais um governo central forte em condições de adotar políticas que contrariem os interesses dos EUA-UE, tal como acontecia na época de Khadafi. 

Khadafi queria, por exemplo, criar um Bloco Africano que teria uma moeda própria, o que era algo inaceitável para os EUA e UE, que possuem as duas mais utilizadas no mundo (como reserva de valor e nas transações comerciais e financeiras internacionais); 

Na Síria, o processo de destruição do Estado Nacional somente não foi completado porque a Rússia, China e Irã se uniram para defender o governo laico e secular de Assad, que também contou com o importante apoio de grupos étnicos e religiosos que seriam eliminados caso os extremistas islâmicos derrubassem Assad.

No Brasil, o movimento golpista que derrubou o governo Dilma e enfraqueceu fortemente as forças progressistas (PT e PCdoB, em especial) levou ao poder forças políticas e sociais extremamente retrógradas, que adotaram políticas econômicas e sociais anti-nacionais e anti-populares, incluindo:
A Grande Mídia sempre foi contra os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. A campanha do jornal 'O Globo' contra a criação do 13o. salário, que foi sancionada pelo presidente João Goulart, é a comprovação disso. Agora, a mesma Mídia pressiona pelo fim da CLT, pela Terceirização generalizada e por uma 'Reforma da Previdência' que irá destruir a mesma.
A) Privatizações desnacionalizantes, com a entrega do pré-sal e da Petrobras ao capital estrangeiro; 

B) Arrocho Salarial e aumento do Desemprego para um patamar que reduza fortemente o custo da força de trabalho, beneficiando apenas aos Capitalistas;

C) Extinção gradual das políticas de inclusão social (Bolsa Família, Fies, ProUni, etc);

D) Criminalização e Repressão contra os movimentos sociais progressistas;

E) Eliminação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários;

F) Políticas que beneficiam apenas ao Capital Financeiro (nacional e estrangeiro), tais como: aumento da taxa real de juros, valorização do Real e elevação do superávit primário;

G) Política externa que promove uma total submissão aos interesses dos EUA e que hostiliza os governos progressistas latino-americanos e elimina a atuação brasileira junto aos países em desenvolvimento. 

Tais políticas estão promovendo um verdadeiro desmonte do Estado Brasileiro. E o que está sendo colocado no lugar? 

Nada.
'O Precariado', livro de Guy Standing, ajuda a entender o processo de criação do Precariado, que engloba um número cada vez maior de trabalhadores em todos os países capitalistas. 
Na sociedade, não existe o vácuo. Se o Estado Nacional abre mão de adotar as políticas que se esperam dele (segurança interna e externa; desenvolvimento econômico e social, estabilidade política), então este espaço será ocupado por outras forças, que se voltarão apenas para defender aos seus próprios interesses, localizados, e pouco irão se importar com os destinos do país. 

E o resultado será a desintegração do Brasil enquanto Nação, levando ao surgimento de países menores e mais fracos onde antes havia um Estado Nacional forte e que possuía as condições e os instrumentos necessários para defender os interesses nacionais.

Mas é exatamente isso que não interessa aos EUA, tal como o PNAC deixa bem claro. 

E é justamente em função disso que o Golpe de 2016 é muito pior do que o de 1964, pois ele não visa apenas derrubar um governo e colocar outro no lugar, mas destruir o Estado Nacional brasileiro e que é o grande responsável por manter o país unido. 

Sem um Estado Nacional forte, o Brasil deixará de existir enquanto Nação, tal como aconteceu com a Iugoslávia, Iraque, Líbia, Síria e Ucrânia, que se dividiram de forma praticamente irreversível.

Portanto, o que está acontecendo neste momento não é apenas um Golpe de Estado, mas a destruição do Brasil. 
O jornalista investigativo estadunidense Jeremy Scahill mostra, em seu livro 'Guerras Sujas', que o governo dos EUA espalhou drones assassinos e tropas especiais pelo mundo todo a fim de espalhar o Caos e impor a sua vontade aos outros países, mesmo que isso resultasse no assassinando de milhares de inocentes todos os anos.

Links:

Pepe Escobar e a Guerra Híbrida contra os governos Lula-Dilma:

http://www.vermelho.org.br/noticia/278485-9

Pepe Escobar: Brasil e Rússia sob ataque da Guerra Híbrida comandada pelos EUA:

http://www.ocafezinho.com/2016/03/31/brasil-e-russia-sob-ataque-de-guerra-hibrida/

Vídeo - Documentário 'Dirty Wars' (Guerras Sujas'), de Jeremy Scahill:

2 comentários:

Luiz Carlos Oliveira disse...

Lembrando que os países citados acima ou são produtores de petróleo, ou tem riquezas minerais diversas ou, ainda, posições geopolíticas estratégicas para os EUA (vide Turquia). Vale lembrar que esses países foram literalmente destruídos com o apoio dos governos norte-americanos. E se dividirem o Brasil em vários países, os americanos se movimentarão para obter supremacia sobre os estados produtores de petróleo e a Amazônia, pois o governo já autorizou a compra de terras por estrangeiros e está vendendo nossos campos petrolíferos à preço de banana. Falta ainda a questão da água, onde o Brasil detém 53% da água potável da América Latina. Mas isso é outro assunto. A questão agora é: Trump vai seguir essa linha de governo dos Democratas?

Valdir dos Santos disse...

Estou espalhando pelo Facebock este artigo.estou com vocês.