Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Pagot: 'Cachoeira, Delta e Veja se uniram para me derrubar'!

Pagot: “O contraventor e um representante da Delta se uniram a um jornalista para me derrubar”- por Vinicius Mansur, da Carta Maior

Em depoimento à CPMI do Cachoeira, ex-diretor do Dnit acusa aliança entre esquema de Cachoeira e Veja. Pagot ainda afirmou ter buscado recursos para campanha de Dilma, negado ajuda a Ideli Salvatti e Hélio Costa e estranhado pressão de Paulo Preto por aditivos à obra em São Paulo. Pagot foi demitido após a revista Veja denunciar, em julho de 2011, um suposto esquema de cobrança de propina de empreiteiras.

Brasília - O ex-diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot depôs durante quase oito horas, nesta terça-feira (28), aos parlamentares da CPMI do Cachoeira e afirmou que sua demissão do cargo foi fruto de um complô. “O contraventor [Carlos Cachoeira] mais um representante da Delta [Claudio Abreu] se uniram a um jornalista [Policarpo Júnior, da Veja] para me derrubar”, disse.

Pagot foi demitido após a revista Veja denunciar, em julho de 2011, um suposto esquema de cobrança de propina de empreiteiras, montado pelo seu partido, o PR, dentro do Ministério dos Transportes. Ligações interceptadas pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF), mostram que a quadrilha de Cachoeira abasteceu a revista com as denúncias e depois comemorou a queda do diretor geral.

Em depoimento, Pagot negou ter cobrado propina e disse que, sob sua gestão, o Dnit questionava pelo menos três obras da Delta - uma no Ceará, uma no Rio de Janeiro e outra em Mato Grosso – e que, por isso, Claudio Abreu teria “patrocinado a matéria jornalística” que lhe tirou do cargo.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), entretanto, afirmou que a Delta foi beneficiada durante a gestão de Pagot, aumentado em mais R$ 600 milhões o seu volume de contratos com o órgão, além de receber um aditivo – em contrato não especificado pelo deputado - de mais de 85% do valor inicial da obra. Pagot respondeu afirmando que nenhuma obra da Delta teve aditivo acima dos 25% permitidos por lei e que o crescimento dos contratos da empresa com o governo coincide com a expansão das obras de infraesrutura no Brasil, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e com uma nova sistemática de licitações que permitiu que o número de empresas com contratos licitados pelo Dnit passasse de 60 para mais de 300 no final de sua gestão.

Denúncias
Perguntado sobre pressões recebidas para favorecer a Delta, Pagot afirmou que o ex-senador Demóstenes Torres (DEM-GO), em um jantar, lhe disse que tinha dívidas de campanha com a empresa e que precisava “de obras com o carimbo dele” para saldar seus débitos. Pagot também apontou os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Wellington Fagundes (PR-MT) como muito interessados em obras da Delta.

O ex-diretor do Dnit também confirmou que ajudou na arrecadação de campanha da então candidata a presidência da República, Dilma Rousseff, conforme já havia declarado à revista IstoÉ. Pagot relatou ter procurado- a pedido do então tesoureiro da campanha, José de Filippi Júnior - entre 30 e 40 empresas com contratos no o Dnit para doação de dinheiro. Ele considerou as abordagens às empresas legais, apesar de anti-éticas, disse que os pedidos de doação não foram condicionados a nenhum ato administrativo ou achaque as empresas e que cerca de seis delas lhe enviaram o comprovante de depósito em conta de campanha.

Pagot ainda afirmou que na mesma campanha os candidatos aos governos de Minas Gerais, Hélio Costa (PMDB-MG), e Santa Catarina, Ideli Salvatti (PT-SC), também lhe pediram indicação de empresas para doação, mas obtiveram uma negativa como resposta. Enfurecido, Costa teria dito com dedo em riste: “vou me eleger e te tirar do Dnit”, contou Pagot. Em nota emitida ainda durante a sessão da CPMI desta terça, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti,negou a acusação.

Paulo Preto
O depoente também relatou a pressão exercida por Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da empresa rodoviária do governo de São Paulo (Dersa), para a obtenção de um aditivo de R$ 270 milhões para as obras do contorno sul do Rodoanel, feitas através de um convênio entre Dersa e Dnit.

Paulo Preto, como é conhecido, teria forçado, em 2009, uma modalidade de contratação chamada de “turnkey”, na qual as empreiteiras assumem toda a responsabilidade do projeto. Segundo Pagot, a proposta foi aceita após Paulo Preto firmar junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) um compromisso segundo qual a obra não passaria do valor inicial fixado: R$ 3,6 bilhões, sendo R$ 2,4 bilhões do governo de São Paulo e R$ 1,2 bilhão do governo federal.

Mais tarde, porém, a Dersa solicitou um pedido de aditivo de R$ 270 milhões, negado pelo Dnit. A insistência, classificada de “estranha” por Pagot, continuou por meio de um termo de ajuste de conduta (TAC) providenciado pela Dersa junto ao Ministério Público paulista, mas também recusado pelo governo federal, com o apoio da Advocacia-Geral da União (AGU).

Durante o depoimento, Pagot declarou que um amigo, não revelado, havia lhe informado que o dinheiro adicional seria direcionado para custear as campanhas dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin e também de Gilberto Kassab (PSD). Ele já havia declarado isto a revista IstoÉ, mas afirmou que não pode comprovar a denúncia.

Paulo Preto está convocado para depor à CPMI do Cachoeira nesta quarta-feira (29), assim como o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. O ex-presidente da Dersa já deu declarações à imprensa garantindo que não ficará calado na CPMI. Cavendish ainda não se pronunciou, mas já possui habeas corpus que lhe garante o direito de não se manifestar.

Silêncio
Com depoimento agendado para esta terça, o empresário Adir Assad utilizou-se do direito de ficar calado. Assad abriu sete empresas em 2010 que receberam R$ 178.411.884.45 da Delta. 

Link:

Nenhum comentário: