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"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Por que Haddad e Russomano deverão se enfrentar no 2o. turno! - por Marcos Doniseti!

Por que Haddad e Russomano deverão se enfrentar no 2o. turno! - por Marcos Doniseti!

Com a candidatura de Russomano, o eleitorado conservador de São Paulo encontrou o seu 'homem novo'!




Alguns dados interessantes da mais recente pesquisa Datafolha (que foram retirados do jornal "Agora SP" de hoje) apontam para uma forte possibilidade de que os candidatos Haddad e Russomano irão se enfrentar no segundo turno da eleição paulistana.

Cheguei à essa conclusão devido às seguintes informações trazidas pela pesquisa Datafolha:

1) Haddad cresceu 19 pontos entre os eleitores do PT. Assim, uma parcela cada vez maior dos petistas paulistanos está descobrindo que ele é o candidato do partido, se identifica com ele e o escolhe como seu candidato. Daí, Haddad cresce nas pesquisas, é claro. É praticamente certo de que o próprio crescimento de Haddad vá atraindo para a sua candidatura os demais eleitores petistas da capital que ainda não o escolheram como seu candidato, permitindo que ele continue aumentando as suas intenções de voto. Provavelmente, esse processo levará Haddad para um patamar em torno dos 30% já nas próximas semanas.

2) Russomano subiu 16 pontos entre os eleitores do PSDB. Isso mostra que ele está sendo visto como a alternativa mais viável entre os eleitores mais conservadores da capital paulista para poder derrotar Haddad. É provável que ele esteja, portanto, herdando o voto tucano (e malufista também) e conservador anti-petista, que reúne, pelo menos, 30% dos eleitores paulistanos. Estes eleitores se cansaram de Serra (fortemente desgastado pela derrota em 2010, pela sua antipatia natural e pelo abandono da prefeitura depois de 15 meses de mandato). Estes eleitores conservadores, agora, vêem em Russomano uma alternativa melhor do que Serra para evitar uma vitória do PT na cidade.

Assim, se o ex-presidente Lula encontrou em Haddad o 'homem novo' do PT para tentar recuperar o controle do governo da capital paulista, os próprios eleitores conservadores paulistanos encontraram em Russomano o 'homem novo' que a Direita precisa para enfrentar e derrotar o PT e manter a sua hegemonia na cidade, visto que Serra-Kassab passaram por um forte processo de desgaste e não tem mais condições de garantir o controle da cidade para as forças conservadoras.

Esse desgaste ocorreu, fundamentalmente porque ambos, Serra e Kassab, trataram a cidade e o seu povo com total e absoluto desprezo.

Serra priorizou cargos tidos como mais importantes, como o governo do estado e a presidência da República, enquanto que Kassab deu muito mais valor ao processo de criação do PSD do que à gestão dos problemas da cidade.

E grande parte da população da cidade de São Paulo pode até ser conservadora, mas masoquista não é, não, e percebeu esse descaso com que ambos tratatam a cidade e o seu povo e o quanto isso resultou em grandes prejuízos para a sua qualidade de vida. 

Foi esse abandono que resultou no estado caótico no qual a maior cidade brasileira se encontra atualmente.

Assim, a ambição desmedida da dupla Serra-Kassab acaba sendo a grande responsável pela sua derrocada. Como diz o famoso chichê 'Quanto mais alto se sobe, maior é a queda'. Serra-Kassab esqueceram disso e se deram mal.

3) Serra caiu 15 pontos entre os eleitores do PSDB. Espantoso, não? Isso mostra que nem os próprios tucanos suportam mais o Serra. É como se os tucanos dissessem 'Chega! Cansamos! Vá para casa!' para Serra.

O que se pode concluir disso? Que o crescimento de Haddad se deu, também, entre eleitores de Russomano que simpatizam com o PT, mas que não sabiam que Haddad era o candidato do partido, e que simpatizavam com o candidato do PRB. Agora, esse eleitorado petista de Russomano que, muito provavelmente, é fortemente concentrado nas periferias paulistanas, já começou a migrar para Haddad, num processo natural, até, e isso deverá continuar nas próximas semanas. 

Assim, tudo indica que Haddad continuará crescendo, à medida que os eleitores do PT das periferias da cidade forem transferindo a sua preferência de Russomano para ele.

Também é muito provável que, à medida que Serra caia ainda mais nas pesquisas e que a sua rejeição aumente, Russomano continue recebendo votos dos eleitores tucanos e conservadores que rejeitam o PT, esvaziando ainda mais a candidatura tucana. Não duvido que Serra caia para um patamar em torno de 10% dos votos.

A continuar nesse rumo, entendo que é praticamente certa uma disputa entre Russomano e Haddad no segundo turno, com Alckmin, o PSDB e todas as forças conservadoras de SP se transferindo de mala e cuia para a candidatura do candidato do PRB que, afinal, será o único que poderá derrotar Haddad. 

E como até o final do ano passado, Russomano era do PP malufista, não é de se duvidar que ele também acabe herdando os votos dos eleitores malufistas da capital. 

Assim, a aliança de Haddad com o PP teria valido a pena somente pelos 90 segundos que ganhou no horário eleitoral. Mais nada. Em termos de votos não deverá acrescentar quase nada.

E daí, teremos novamente, nessa eleição, a antiga polarização que domina a capital paulista desde a Redemocratização, com a disputa sendo sempre entre um candidato do PT e um outro, de perfil conservador, anti-petista. Desde a vitória de Luiza Erundina, em 1988, que derrotou Maluf (o então candidado conservador) que este é o cenário dominante na capital paulista.

Portanto, a eleição municipal irá confirmar, e não negar (como alguns especialistas já estão dizendo por aí) a divisão do eleitorado da capital entre eleitores progressistas e conservadores, entre petistas e anti-petistas, entre Direita X Esquerda.

E a decisão da ex-prefeita Marta Suplicy de participar ativamente da campanha de Haddad reforça ainda mais esse caráter de polarização e confronto entre forças progressistas e conservadoras na capital paulista, visto que ela é vista como inimiga mortal da Direita paulista, já que quando governou a cidade deu prioridade total para investimentos nas regiões mais pobres da cidade e para a melhoria da qualidade dos serviços públicos. 

As realizações de Marta na área da Educação (com os CEUs) e de Transportes (Bilhete Único, 5 corredores exclusivos, renovação da frota da cidade, etc) demonstram claramente essa visão diferente de como se deve administrar a cidade. 

Basta ver que os governos Serra-Kassab, em 8 anos, fizeram bem menos do que Marta nestas duas áreas.

E é claro que, nessa virtual guerra, os dois lados irão mobilizar todas as suas armas e todos os seus recursos a fim de vencer a eleição na cidade que tem o terceiro maior orçamento do país, ficando atrás apenas dos orçamentos do Governo Federal e do governo do estado de SP.

Haddad terá o apoio total de Lula e de Dilma, é claro. E Russomano terá toda a Direita paulista ao seu lado, incluindo a Grande Mídia que, com certeza, já deve ter notado que a dupla Serra-Kassab chegou ao fim e que 'agora é Russomano'.

Como se percebe, na capital paulista, 'continua tudo como Dantes, no quartel de Abrantes'. E como também se diz há muito tempo: 'Quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem iguais'.

A eleição muncipal deste ano na capital paulista é a confirmação de tudo isso. 



Análise adicional!

Se eu fosse da coordenação da campanha de Haddad, esqueceria do Serra e já começaria a pensar numa estratégia para enfraquecer e desgastar Russomano e daria a isso um caráter de prioridade máxima.

Existe uma clara tendência no sentido de 'afunilamento' dos votos em direção à Russomano (conservadores) e Haddad (progressistas). 

Se a campanha do petista demorar para começar a tentar desgastar Russomano, corre-se o risco de que este continue crescendo, consolide os seus votos e acabe ganhando a eleição ainda no 1o. turno. 

E daí, quando Haddad começar a pensar em fazer algo deste tipo (polarizar com Russomano) já será tarde demais.

Até há alguns dias atrás, pensei que Chalita iria dar uma arracanda e atrair o voto conservador que se desencantou com a dupla Serra-Kassab. Mas tudo indica que isso não aconteceu devido à força de Russomano que conseguiu atrair esse voto tucano-conservador para a sua candidatura devido ao rápido processo de esvaziamento da candidatura de Serra (este deverá terminar a eleição com, no máximo, uns 10% dos votos).

E Russomano tem uma forte penetração junto ao eleitorado mais popular de São Paulo, onde tem muitos eleitores conservadores, também, principalmente em questões de comportamento. 

Quando Russomano disse, recentemente, que desejava 'uma igreja em cada quarteirão', foi para esse eleitorado popular-conservador que ele estava falando, a fim de consolidar a sua candidatura entre o mesmo. E se ele conseguir isso e, ao mesmo tempo, conseguir atrai o voto da classe média-alta anti-petista (nos bairros de classe média-alta da capital paulista os candidatos de Direita chegam a obter 80% dos votos válidos), ele ganhará a eleição e isso poderá vir a acontecer ainda no 1o. turno.  

Além disso, se a candidatura de Celso Russomano continuar crescendo, atraindo o voto conservador, tanto o de extração popular, como o de origem mais elitista, muitos eleitores petistas que, atualmente, simpatizam com a sua candidatura, também poderão votar nele. Ele receberá o famoso voto 'útil', de quem vota em quem está liderando a disputa. Este é o eleitor que não gosta de 'perder o voto'.

Com tudo isso, Russomano terá chances reais de vencer a eleição ainda no 1o. turno. 

Portanto, a campanha de Haddad tem que começar a desgastar o candidato do PRB desde já, a fim de polarizar a eleição com o próprio e, assim, atrair os votos dos petistas restantes que continuam tendo a intenção de votar nele, Russomano.

Acorda, Haddad! Serra já era! Russomano é o adversário a ser batido nesta eleição!

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