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"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Wagner Iglecias: Haddad poderá alcançar Serra na próxima rodada de pesquisas!

Wagner Iglecias: Haddad poderá alcançar Serra na próxima rodada de pesquisa - do blog do Nassif

Publicado em 30 de agosto de 2012 

No mercado de ações há dois tipos de análise bastante conhecidos para a tomada de decisão sobre o que comprar, em que empresa apostar. 

A análise fundamentalista e a análise grafista. Pela análise fundamentalista se levam em conta aspectos mais evidentes de uma companhia, como lucro, endividamento e market share. Demanda uma análise pormenorizada da empresa e do mercado em que ela atua. 

Por sua vez a análise grafista é focada no preço de uma determinada ação, através das curvas que ela apresenta nas semanas e meses recentes. Por ela se observa o comportamento dos investidores e se tenta prever, tanto quanto possível, o comportamento daquela ação no futuro próximo.

Pois muito bem. O que as pesquisas de intenção de voto para a prefeitura de São Paulo, em especial o Datafolha, estão mostrando neste momento? Basicamente três tendências:

a) Russomanno (PRB) teve uma curva ascendente e vigorosa, quase sempre em 45 graus, desde a primeira sondagem do Datafolha, em janeiro passado. E segue estabilizado em 31% há cinco semanas;

b) Serra (PSDB), após ter oscilado por volta dos 30% durante cinco meses, vem caindo de forma acentuada desde a sondagem de agosto

c) Haddad (PT), após ter oscilado abaixo dos 10% durante bastante tempo, descolou-se do pelotão dos pequenos candidatos e vem subindo, também de forma vigorosa, nas últimas semanas.

O que isso significa? Que muitos de nós já fomos bastante “fundamentalistas” em nossas análises até o momento. Sabemos dos pontos fortes e fracos de cada candidato, de suas experiências na gestão pública, dos segmentos sociais aonde encontram mais aceitação ou maior rejeição. São dados que podem, óbvio, definir ali, no olho eletrônico, quem vai pro segundo turno, caso dois ou mais candidatos cheguem embolados no dia da eleição. 

São itens cruciais no que diz respeito às possibilidades de costurar apoios para a etapa final do processo eleitoral, tanto junto aos partidos derrotados quanto junto a setores da sociedade. Mas o mais interessante, agora, talvez seja observar o gráfico que a sucessão de pesquisas já permite construir, e especialmente as curvas que cada candidato está desenhando neste processo eleitoral. E a grande novidade que a pesquisa Datafolha desta terça-feira traz é o espelhamento entre as curvas de José Serra e Fernando Haddad. Aquilo que um caiu o outro subiu, praticamente.

Olhando o gráfico, já com sete consultas desde janeiro, se vê Russomanno consolidado e as curvas de Serra e Haddad em trajetórias opostas, apontando para um provável cruzamento de ambas na próxima sondagem. Pelo que tudo indica quem mais se beneficiou do início da propaganda no rádio e na TV foi Haddad, cujas inserções, de fato, têm sido de muito boa qualidade, apostando na mescla entre juventude e experiência que o candidato apresenta. 

E ao que parece quem mais se prejudicou com esta nova etapa da campanha, agora nos meios de comunicação, foi Serra. 

A impressão é de que quanto mais aparece, pior para ele. Talvez não seja por acaso que o tucano atingiu, nesta mais recente pesquisa, malufianos 43% de rejeição. Já para o candidato do PRB o pouco tempo que tem disponível no horário eleitoral, ao que parece, não foi prejudicial. E tampouco o ajudou a subir mais.

Gráfico compartilhado no Facebook mostra evolução dos candidatos após o início do programa de TV (Reproduçaõ)

Tentando prever o futuro de cada candidatura, como um grafista busca prever a precificação futura de uma ação, eu diria que nos próximos dias e talvez semanas Russomanno deverá continuar, como um time que joga a final do campeonato com o regulamento debaixo do braço, a tocar bola de lado, sem botar o pé na dividida e esperando o tempo passar. 

Haddad deverá manter o pé la embaixo, pisando fundo e reforçando os principais pontos de sua campanha, que estão se mostrando acertados. Mas a dúvida é quanto a Serra. 

Apostará que Haddad tem eleitorado cativo suficiente para ir ao segundo turno e, desta forma, passará a bater em Russomanno para tentar definir quem deverá ser o representante do campo conservador na etapa final? Ou, ao contrário, se conformará com a inesperada trajetória do candidato do pequeno PRB e partirá com tudo pra cima de Haddad, a fim de assegurar a vaga que restaria para o segundo turno? 

Muita gente, num misto de açodamento e comemoração, acha que a ação Serra está virando pó, como se diz no jargão do mercado financeiro. Será? 

De todo modo, passará pelo tucano e por sua campanha boa parte do traçado das curvas dos principais candidatos nas próximas semanas. Inclusive, a depender do que fizer, da sua própria, que poderá mostrar-se ainda mais descendente do que já tem sido.

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do Curso de Graduação em Gestão de Políticas Públicas da USP. 

(Foto de capa: Fora do Eixo / Flickr)

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