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"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 30 de setembro de 2012

Dilma reafirma princípios da diplomacia lulista e defende multilateralismo

Dilma reafirma princípios da diplomacia lulista e defende multilateralismo - do Opera Mundi

Em discurso na ONU, a presidente defendeu a posição de Mercosul e Unasul na crise política do Paraguai
 

Agência Efe

Para a presidente, a revolta dos muçulmanos está ligada ao ressentimento com políticas coloniais e neocoloniais

Desde que Dilma Rousseff assumiu a Presidência, em janeiro de 2011, os holofotes da opinião pública mundial passaram a brilhar com menor intensidade para o Brasil. Mais discreta que o antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira mulher a governar o país não tem feito tantos discursos sobre política externa. Tal fato dificulta a formulação da resposta para a seguinte pergunta: a diplomacia de Dilma difere ou é uma continuidade da de Lula?

No discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU deste ano, nesta terça-feira (25/09), Dilma abordou temas recorrentes nas declarações de Lula, quando este ainda era presidente. Críticas à forma como a União Europeia tem conduzido a crise econômica, argumentação em favor de uma reforma “urgente” do Conselho de Segurança da ONU, elogios às políticas de Mercosul e Unasul, defesa da criação do estado Palestino...

Algumas palavras pronunciadas hoje pela representante brasileira poderiam inclusive ser confundidas com as ditas por Lula. “Não haverá resposta eficaz à crise enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países e os organismos multilaterais como o G-20, o FMI e o Banco Mundial”, afirmou Dilma.

Ainda em 2003, em sua primeira participação como presidente na ONU, foi a vez de Lula dizer: “Percebo nos meus interlocutores forte preocupação com a defesa e o fortalecimento do multilateralismo. (...) As tragédias do Iraque e do Oriente Médio só encontrarão solução num quadro multilateral. (...) Pode-se talvez vencer uma guerra isoladamente. Mas não se pode construir a paz duradoura sem o concurso de todos.”

A defesa do multilateralismo, assim, aparece como linha central da diplomacia dos dois governos. Mais do que representar uma continuidade em relação a Lula, porém, Dilma também reafirmou dois princípios vigentes na política externa brasileira em toda a segunda metade do século XX: o desenvolvimento nacional e a não-intervenção em outros territórios.

Princípios históricos

Como antídoto à crise econômica mundial, a presidente recomendou incentivos ao crescimento e citou por diversas vezes os investimentos brasileiros em infra-estrutura, colocando em destaque a questão do desenvolvimento nacional.

Sobre a Síria, Dilma defendeu o diálogo por meio do mediador internacional da ONU para o país, o argelino Lakhdar Brahimi. A negociação já é vista com ressalvas por boa parte dos membros do Conselho de Segurança e a intervenção militar só não foi aprovada por insistência de China e Rússia.

“A Síria produz um drama humanitário de grandes proporções no seu território e em seus vizinhos. (...)Não há solução militar para a crise síria. A diplomacia e o diálogo são não só a melhor, mas, creio, a única opção.”

Com o posicionamento, sem se adequar aos interesses dos Estados Unidos e das principais potências europeias, o Brasil mantém sua defesa intransigente do princípio da não-intervenção.

Agência Efe

Dilma Rousseff defendeu o multilateralismo em seu discusdo de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas

As cutucadas nos países considerados mais poderosos do mundo não pararam por aí. A revolta dos últimos dias contra o filme “A Inocência dos Muçulmanos” foi definida como uma “marca do ressentimento histórico com as políticas coloniais e neocoloniais”.

Por fim, há que se destacar também a posição de Dilma sobre a América Latina. Mesmo sem citar diretamente o golpe que tirou o presidente Fernando Lugo do poder no Paraguai, em junho passado, a mandatária mostrou a que veio.

“Nossa região é um bom exemplo para o mundo. O Estado de Direito que conquistamos com a superação dos regimes autoritários que marcaram o nosso continente está sendo preservado e fortalecido. Para nós, a democracia não é um patrimônio imune a assaltos, temos sido firmes, - Mercosul e Unasul - quando necessário, para evitar retrocessos, porque consideramos integração e democracia princípios inseparáveis.”

Em relação à Cuba, a presidente elogiou os avanços do modelo econômico do país caribenho e definiu o embargo imposto pelos Estados Unidos como o principal obstáculo ao desenvolvimento do país dos Castro. Ao destacar a necessidade de cooperação para com o "país-irmão", a chefe de Estado reafirma outra demanda histórica da diplomacia brasileira.

Dilma Rousseff, assim, optou por seguir, ao menos em parte, o caminho deixado por Lula. A análise da coincidência entre as políticas externas, no entanto, só poderá ser concluída ao final do mandato de Dilma. Até pela escassez de discursos da atual presidente sobre diplomacia, sua segunda participação na abertura da Assembleia-Geral da ONU serviu para mostrar que o Brasil continuará sugerindo alternativas para os principais problemas da geopolítica mundial, como tem ocorrido desde 2003. Resta saber se seremos ouvidos.
  
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