Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

domingo, 9 de setembro de 2012

O futuro do lulismo! - por Marcos Doniseti!

O futuro do lulismo! - por Marcos Doniseti!



O blog do Nassif publicou um texto bastante interessante a respeito do mais novo livro do cientista político André Singer, 'Os sentidos do lulismo', que está sendo lançado agora.

No entanto, discordei de alguns comentários feitos por alguns críticos da obra de Singer e decidi comentá-los aqui no blog.


Vamos lá, então:


1) "Para adversários, há nele muito de propaganda e seu destino é sumir quando seu protagonista sair de cena':


R - Se fosse apenas propaganda, o lulismo já teria desaparecido há muito tempo e Dilma não teria sido eleita. 


Aliás, nem o próprio Lula teria conseguido se reeleger. 


Foi justamente a melhoria das condições de vida dos assalariados e dos mais pobres que viabilizou a reeleição de Lula, mesmo com o forte desgaste provocado pelo caso do suposto 'mensalão'. 


Afinal, quando é que os críticos de Lula irão reconhecer que tivemos melhorias, sim, nas condições de vida dos trabalhadores e dos mais pobres em seus oito anos de governo e nestes dois primeiros anos do governo Dilma? Há inúmeros dados que comprovam isso, como a redução do desemprego e da inflação pela metade, o aumento do poder compra do salário mínimo (aumentou em 66% entre 2004-2012) e a geração de 15 milhões de empregos com carteira assinada.


Depois que o mundo acabar? 


Faça-me o favor...



2) "Segundo, o mensalão afastou a classe média de Lula. Surge então uma nova paisagem política":


R - Isso explica porque Lula bancou a candidatura de Dilma em 2010 e a de Haddad em 2012. Afinal, nenhum dos dois teve nada a ver com o tal do 'mensalão' e foram excelentes gestores nos ministérios que ocuparam. 


Logo, as duas candidaturas (Dilma e Haddad) são fruto da tentativa de Lula de, ao mesmo temo, renovar o PT, dando-lhe uma nova cara (Um Homem Novo, Para um Tempo Novo.. não é esse o slogan de Haddad) e de recuperar a classe média. Esta votou nele apenas em 2002, mais como resultado do fracasso do governo FHC do que por ter se tornado petista ou lulista. Foi mais um voto anti-FHC e anti-Serra do que pró-Lula.


As forças conservadoras perceberam isso e, por isso, insistiram tanto para que o julgamento do mensalão fosse realizado agora, em meio à campanha eleitoral. Esta foi uma forma que as forças conservadores fizeram para tentar evitar a debandada da classe média para Dilma-PT.



3) "O movimento só se firmou por ter adotado o "reformismo fraco"':



R - O governo Lula fez Reformas Moderadas, sim. Fracas, não. Afinal, elas permitiram a redução da concentração de renda para o menor patamar da história recente do país, desde 1960, quando a mesma começou a ser medida, e levaram 40 milhões de pessoas das chamadas classes D/E para a classe C. Isso ampliou fortemente o mercado consumidor interno, o que aliás já estava previsto no programa de governo de Lula em 2002, que previa a criação de um mercado de consumo de massas no país. 


Assim, uma Argentina inteira entrou para o mercado consumidor, não apena de bens, mas de também de serviços públicos. 


Inclusive, a eleição atual mostra, claramente, que aqueles prefeitos que estão sendo avaliados pela população como tendo sido incompetentes para melhorar a qualidade dos serviços públicos estão sendo derrotados, independente do partido ao qual pertençam.  


Exemplos perfeitos disso, são os prefeitos Kassab, do PSD, em SP, e de João da Costa, do PT, no Recife. 


Em função dos péssimos governos feitos por Kassab, em SP, e por João da Costa, no Recife, os candidatos identificados com estas gestões vão colher derrotas avassaladoras nas urnas. 


Essa eleição está mostrando o seguinte: Ou os governantes arregaçam as mangas e mostram serviço, melhorando a qualidade e aumentando o alcance dos serviços, públicos  ou serão massacrados nas urnas. 


Em especial, há uma gigantesca insatisfação popular, em todo o país, com as áreas da saúde e de transportes coletivos urbanos, que são os mais críticos na visão da população, mas que também incluem uma grande insatisfação com a educação, a moradia e o saneamento básico.



4) 'segundo o autor, o lulismo só deu certo porque, entre 2003 e 2008, o Brasil foi beneficiado pelos bons ventos da economia mundial':



R - A economia mundial cresce, praticamente sem parar, desde 1948-49, quando foram implantados o Plano Marshall e foi criada a OTAN. 


A crise atual não barrou a continuidade do crescimento econômico global, apenas diminuiu a velocidade deste crescimento. Mas ele não foi interrompido. Todos os governos do Pós-Guerra se beneficiaram com isso. Então, isso não pode ser usado como um argumento para justificar o sucesso do lulismo. 


O que o governo Lula fez de novo (tal como também o fizeram Chávez,  Evo Morales e o de Rafael Correa, de Nestor e Cristina Kirchner) foi usar uma parte da riqueza obtida com esse crescimento econômico global para adotar políticas distributivas, oferecendo aumentos reais de salário (o poder de compra do salário mínimo cresceu 66% desde 2003 até hoje) e de geração de empregos formais (são 18 milhões desde 2003). 


Vários estudos já comprovaram que cerca de 70% da redução da pobreza que tivemos no governo Lula se deu em função destes dois fatores. Os programas de inclusão social, como o Bolsa-Família, respondem por apenas 15% desta diminuição da pobreza. 


E esse processo de redução da pobreza continua no governo Dilma. 


Segundo o IPEA, a pobreza diminuiu 7,9% entre Janeiro de 2011 e Janeiro de 2012. Isso ajuda, e muito, a explicar o aumento da popularidade de Dilma e do seu governo, com ela atingindo quase 77% de aprovação pessoal (pesquisa CNI-Ibope de Abril de 2012) e já começando a se aproximar, rapidamente, da popularidade pessoal do ex-presidente Lula ao final de 2010, que chegou a 87%, segundo pesquisa CNT-Sensus.  



5) "Seu colega Rudá Ricci escreveu que o fenômeno 'é difuso' e "se desgasta na falta de nitidez'. Para o historiador Carlos Guilherme Mota, o lulismo 'ficou historicamente datado':



R - Com relação a um suposto caráter 'transitório e pouco nítido' do lulismo, isso é fruto de mero 'achismo' (ou seria torcida, mesmo?) dos críticos do que qualquer outra coisa.


Afinal, não são estes intelectuais que irão dizer se o lulismo irá durar ou não, mas o povo brasileiro, através do voto nas urnas, pelo menos enquanto o Brasil for uma Democracia Liberal.


Tanto isso é verdade que a mais recente pesquisa feita pela CNT-Sensus mostrou que, se a eleição presidencial fosse hoje, os resultados seriam os seguintes (em votos válidos): Lula 83% X 17% Aécio e Dilma 75% X 25% Aécio.


Assim, tudo indica que André Singer está muito mais próximo da verdade e que o lulismo terá vida longa, pelo menos enquanto conseguir atender a maior parte das expectivas e dos desejos de melhoria das condições de vida da população brasileira. 


Logo, Singer acerta na mosca quando diz que somente uma brutal crise econômica global que inviabilizasse as políticas distributivas adotadas pelo governo Lula é que poderiam vir a representar uma ameaça à hegemonia do lulismo.


E mesmo nesse caso, de ocorrer uma crise de proporções bíblicas, um eventual colapso das políticas lulistas iria, também, depender fortemente de surgirem forças políticas alternativas, que fossem bem vistas pela maioria da população que foi beneficiada pelas políticas de distribuição de renda que caracterizam o lulismo. 


Senão, mesmo num contexto de crise, os brasileiros poderão preferir dar continuidade aos governos de Dilma e do PT, caso não vejam no cenário político alguém melhor para governar o país. 


Isso já aconteceu antes, por exemplo, em 1998, quando o Plano Real começou a desmoronar e mesmo em meio a uma brutal fuga de capitais para o exterior, FHC conseguiu se reeleger, pois naquele momento nenhuma força política-social organizada conseguiu se mostrar mais interessante para a população, que preferiu dar uma chance para que FHC pudesse consertar o estrago que ele mesmo havia produzido. 


Como FHC não soube aproveitar a oportunidade para fazer isso, em seu segundo mandato, isso abriu caminho para a vitória folgada de Lula em 2002. 



Links:


Artigo no blog do Nassif sobre o lulismo:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-realinhamento-eleitoral-causado-pelo-lulismo


Pobreza diminuiu 7,9% no primeiro ano do governo Dilma:


http://revistaepoca.globo.com/Negocios-e-carreira/noticia/2012/03/pobreza-no-brasil-diminui-79-em-2011.html


Aprovação pessoal de Lula atinge 87%, diz CNT-Sensus:


http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4865371-EI7896,00-CNTSensus+Lula+tem+aprovacao+recorde+de+ao+deixar+governo.html


Aprovação pessoal de Dilma chega a 77%, diz pesquisa CNI-Ibope:


http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/04/aprovacao-pessoal-de-dilma-sobe-e-atinge-77-aponta-ibope.html

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