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Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Haddad e Chalita podem ir para o 2o. Turno! - por Marcos Doniseti!

Haddad e Chalita podem ir para o 2o. Turno! - por Marcos Doniseti!

Russomanno defende subsídio para que empresas demitam funcionários que moram na periferia paulistana e dispara tiro de canhão contra a própria campanha!

As recentes mudanças que aconteceram no cenário da eleição paulistana apontam para uma possibilidade de ocorrer um segundo turno que, até pouco tempo, poderia parecer impensável, entre Haddad (PT) e Chalita (PMDB).

Por que Chalita é, hoje, a maior ameaça à Serra na disputa por uma vaga no segundo turno?


E porque faço essas afirmações e questionamentos? Por vários motivos, que irei explicá-los agora:


A) A queda de Russomanno nas pesquisas está se acelerando.

Russomanno passou a sofrer um processo acelerado de queda em todas as pesquisas, tanto nas divulgadas pelos institutos mais tradicionais, como o Ibope e o Datafolha (embora eles cometam muitos erros ao longo de sua história, como já afirmei, aqui no blog, em outros textos), bem como em pesquisas diárias (os chamados trackings) feitas pelos partidos políticos.

E essa queda de Russomanno parece que está se intensificando nestes últimos dias.

O único fato novo que pode explicar essa queda do candidato apoiado pela Igreja Universal de Edir Macedo foi a desastrada proposta apresentada pela campanha de Russomanno de defender a chamada 'tarifa proporcional do transporte coletivo', que seria cobrada conforme a distância que o usuário fosse percorrer.

Tal sistema de cobrança existe em cidades de países ricos, mas lá existe um porém, que é o fato de que a população mais rica vive nos subúrbios, em condomínios fechados, e precisa percorrer grandes distâncias para trabalhar, estudar, se divertir, etc, nas áreas centrais das cidades.

Em São Paulo, no entanto, isso não acontece, porque a parcela mais rica da população, na sua imensa maioria, continua morando nos bairros mais centrais da capital paulista (Moema, Pinheiros Morumbi, etc) e quem mora nas áreas mais distantes são os mais pobres, que residem em regiões carentes de São Paulo (Capela do Socorro, Cidade Tiradentes, Guaianazes, Pirituba, Grajaú, etc).

Logo, tal proposta, defendida por Russomanno, prejudica à população, mais pobre e carente, da vasta e populosa periferia paulistana.

Aliás, essa proposta de Russomanno não apenas penaliza a população da periferia pelo fato de que ela pagará mais caro pela tarifa de ônibus municipal, como também porque as empresas poderão usar isso para demitir funcionários que moram muito longe e substituí-los por outros, que morem mais perto do local de trabalho.

Além disso, as empresas poderão passar a contratar apenas quem more mais perto do local de trabalho.

Assim, tanto aqueles trabalhadores desempregados, que moram longe, serão prejudicados, como isso também irá acontecer com aqueles que já estão empregados e que residem longe do seu local de trabalho.

Afinal, a prioridade dos capitalistas é a obtenção do lucro e não a qualidade de vida dos trabalhadores.

Desta maneira, com essa proposta totalmente absurda, Russomanno abriu uma avenida para que os seus adversários o atacassem de forma mais intensa nesta reta final da campanha, principalmente no caso de Fernando Haddad, que pasosu a apontar justamente esses pontos negativos da proposta defendida pelo candidato do PRB.

E como se isso não fosse suficiente, Russomanno cometeu um grave erro nessa história: Em vez de admitir que a sua proposta de tarifa proporcional é equivocada e retirá-la, dizendo que ela será melhor estudada, ele preferiu tentar defendê-la, justificando o injustificável, mostrando a sua limitada capacidade de reconhecer quando erra.

E se ele age assim em plena campanha eleitoral, imagine o que iria fazer caso fosse o prefeito da capital paulista?

E essa postura de Russomanno, neste caso da tarifa proporcional, está fazendo com que muitos eleitores estejam percebendo que ele, de fato, não tem nem a experiência e tampouco o preparo necessário para ser prefeito de São Paulo.

Então, as críticas dos adversários, que apontavam a sua inexperiência administrativa e a sua falta de capacidade para ser prefeito da segunda maior cidade da América Latina, estão surtindo efeito devido à forma totalmente equivocada com que Russomanno agiu no caso da proposta de tarifa proporcional do transporte coletivo.

Não duvido que tal erro tenha sido fatal para Russomanno e que ele acabe ficando de fora do segundo turno da eleição na capital paulista.



Afinal, esta não é uma cidade qualquer, e precisa ser bem governada, o que não aconteceu nos últimos 8 anos, fato este que piorou muito a qualidade de vida dos paulistanos.

Serra-Kassab abandonaram a cidade, por motivos distintos: o primeiro em função da sua verdadeira obsessão, que é se eleger presidente da República, e o segundo porque priorizou a criação de um partido político, o PSD, em vez de governar a cidade.

Com este abandono, os paulistanos pagaram muito caro por isso, sofrendo na pele e no seu cotidiano a piora sensível da sua qualidade de vida.

Logo, muitos paulistanos devem estar se perguntando se, agora, é o momento certo de entregar o governo da maior cidade brasileira para um candidato sem qualquer experiência administrativa anterior no setor público, como é o caso de Russomanno.

Afinal, São Paulo tem quase 11.400.000 habitantes e seu orçamento total para 2013 chega a R$ 42 bilhões, sendo o terceiro maior do Brasil (fica atrás apenas, é claro, do governo do estado de SP e do orçamento do governo federal).

Portanto, uma cidade como São Paulo não é para ser entregue para candidatos principiantes, inexperientes e que tampouco reconhecem quando erram, tal como aconteceu com Russomanno agora.

Com tudo isso, a queda de Russomanno nas pesquisas se acelerou nestes últimos dias e ele perdeu, em média, um ponto por dia na mais recente pesquisa do Ibope.

E não se pode esquecer que, da mesma forma que, muitas vezes, um candidato cresce rapidamente e esse crescimento acaba acelerando (até porque ele acaba conseguindo atrair o voto de muitos eleitores que gostam de votar em quem está em primeiro lugar nas pesquisas), quando se inicia um processo de queda rápida nas pesquisas, este processo também tende a se acelerar.

E isso pode acabar se intensificando caso a estratégia adotada pelo candidato, que está indo ladeira abaixo nas pesquisas, for equivocada e ele não conseguir interromper a sua queda.

E neste caso, especificamente, Russomanno comete um grave erro, a meu ver, ao ficar tentando negar que a sua proposta da tarifa proporcional para o transporte coletivo municipal é prejudicial aos trabalhadores mais pobres e que moram na periferia. E quanto mais ele nega isso, pior se torna para o próprio candidato, que passa a despencar de forma cada vez mais rápida nas pesquisas.

Tudo indica que é exatamente isso que está acontecendo com Russomanno neste momento, ou seja, que a maneira pela qual ele decidiu tentar barrar a sua queda nas pesquisas está errada e que isso está acelerando a sua queda em todas as pesquisas.

Isso explica porque, na pesquisa do instituto Datafolha, Russomanno caiu 10 pontos em duas semanas (desabou de 35% para 25%), estando já em situação de empate técnico com Serra (embora este blogueiro duvide que Serra tenha, de fato, 23% das intenções de voto) e no Ibope ele perdeu 7 pontos em apenas uma semana (caindo de 34% para 27%).

O fato concreto é que a candidatura de Russomanno está em queda livre e se o ritmo da mesma se acelerar até domingo, poderá acontecer o impensável, que é a sua ausência no segundo turno da eleição.


B) A rejeição de Serra e a sua previsível derrota no 2o. Turno contra qualquer adversário.

A queda de Russomanno, segundo as pesquisas, teve como maior beneficiário o candidato do PMDB, Gabriel Chalita, que subiu de 7% para 10% na pesquisa do Ibope e chegou a 11% no Datafolha.

Oras, Chalita é um ex-tucano, foi secretário da educação do governo Alckmin (2003-2006) e ainda mantém boas relações com o atual governador paulista, fato este que ele gosta de sempre reafirmar.

Desta maneira, Chalita disputa uma fatia do eleitorado que, anteriormente, votava no PSDB, mas que, agora, rejeita Serra. Porém, até esta semana, a sua candidatura estava longe de deslanchar. E é isso que parece estar acontecendo neste momento, com todas as pesquisas apontando um crescimento bem mais acelerado da sua candidatura.

E se ele continuar crescendo nas próximas pesquisas, que serão divulgadas nos próximos dias, Chalita poderá a atrair muitos votos não apenas de ex-eleitores de Russomanno, como também de eleitores de Serra que sabem que este possui uma rejeição altíssima (de 45% no Datafolha) e que, em função disso, teria grandes possibilidades de vir a ser derrotado no segundo turno, independente de quem fosse o adversário.

Afinal, todas as pesquisas mostram que, no segundo turno, Serra seria derrotado por Russomanno e por Haddad.

Assim, muitos eleitores de Serra, vendo que Chalita está crescendo rapidamente, poderão votar no candidato do PMDB, pois o mesmo possui uma rejeição muito menor do que a do candidato do PSDB e, logo, inegavelmente teria maiores possibilidades de conquistar uma vitória num eventual segundo turno contra os candidatos do PT ou do PRB e que são rejeitados por esse eleitorado tucano mais conservador.




Aliás, o próprio Chalita fez essa declaração, hoje, afirmando que Serra perderia de qualquer adversário no segundo turno. Logo, Chalita já percebeu que o mapa da mina que pode levá-lo à disputar o segundo turno é justamente esse, ou seja, atrair o voto de eleitores de Serra que sabem da sua elevada rejeição, um problema que ele, Chalita, não enfrenta.

Aliás, a própria ida de Chalita para o segundo turno, caso esta se concretizasse, poderia gerar uma forte onda favorável ao candidato do PMDB, podendo até torná-lo o favorito na eleição, fato este que pareceria impensável até poucos dias atrás, independente de quem seja o adversário.

E com isso, Chalita poderia acabar atraindo a simpatia de setores que teriam gigantescas dificuldades de apoiar algum candidato caso o segundo turno fosse disputado entre Haddad e Russomanno.

Para se constatar isso, basta pensar na situação em ficariam a Grande Mídia (principalmente a Rede Globo) e a Igreja Católica mais conservadora caso os candidatos do PT e do PRB fossem para o segundo turno. Nenhum destes dois candidatos seriam bem vistos por eles.

Logo, insistir com Serra poderá ser encarado como um grave erro por parte destes segmentos mais conservadores do eleitorado e da sociedade paulistanas.

Daí, eles poderão acabar migrando para Chalita nestes últimos dias.

Portanto, caso este movimento de ascensão de Chalita nas pesquisas continue, o mesmo poderá atrair votos de eleitores de Serra (que duvidam da viabilidade deste no segundo turno) e de Russomanno (que até gostariam de votar num candidato do PSDB, mas rejeitam Serra).

Com isso, Chalita poderá carimbar a sua ida para o segundo turno da eleição paulistana.

Porém, há uma outra possibilidade, que é a de que Chalita acabe, de fato, tirando muitos votos de Serra e de Russomanno, mas sem que isso aconteça num ritmo e numa intensidade suficientes para levá-lo ao segundo turno.

Assim, dependendo de qual candidato Chalita conseguirá tirar mais votos (Serra ou Russomanno), a sua ascensão poderá acabar sendo responsável por decidir quem, entre os candidatos do PSDB e do PRB, irá para o segundo turno.

Logo, tudo indica que Chalita é o fator que poderá decidir quem irá, entre Serra e Russomanno, para o segundo turno da eleição.

E se o ritmo de crescimento da sua candidatura se acelerar muito nestes últimos dias de campanha, ele próprio poderá acabar conquistando essa vaga, o que poderia parecer algo impensável há poucos dias.


C) Haddad poderá se beneficiar muito com uma rápida queda de Russomanno.

Segundo as pesquisas, Haddad tem todas as condições para se beneficiar, e muito, de uma rápida queda de Russomanno nas pesquisas, pois grande parte do eleitorado do candidato do PRB é simpatizante do PT (segundo pesquisas anteriores do Datafolha, 25% dos eleitores de Russomanno são petistas), mora na periferia de São Paulo (quanto mais periférica é a região, maior é a intenção de voto de Russomanno) e muitos deles já votaram em Lula, Marta e Dilma em outras eleições.

Segundo pesquisas Datafolha anteriores, entre 27%-28% dos eleitores de Russomanno tem no candidato do PT a sua segunda opção de voto.

Daí, com Russomanno despencando nas pesquisas, estes eleitores que já votaram no PT em outras eleições e que simpatizam com o partido e com o próprio candidado do PT, poderão migrar para a candidatura de Haddad.

E como Haddad já aparece com 19% na pesquisa Datafolha (contra 11% de Chalita) essa migração de votos de muitos eleitores de Russomanno para a sua candidatura, poderá acabar sendo suficiente para levá-lo a disputar o segundo turno da eleição.

E isso será uma certeza se Chalita crescer muito sobre o eleitorado de Serra e também sobre parte do eleitorado de Russomanno, fazendo com que a queda destes dois seja muito forte e bastante rápida.

Portanto, há uma significativa possibilidade de que ocorra uma grande reviravolta nestes últimos dias de campanha eleitoral na capital paulista e a mesma poderá fazer com que Haddad e Chalita acabem indo para o segundo turno.



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