Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Impeachment de Collor e a cooptação política! - por Marcos Doniseti!


O Impeachment de Collor e a cooptação política!

 - por Marcos Doniseti!


Em artigo publicado em seu blog, o respeitado jornalista Luis Nassif disse que Collor caiu do governo porque não soube atender às 'demandas dos políticos'. 

Na época, quando a possibilidade de se aprovar o Impeachment de Collor crescia junto à população, o então presidente brasileiro promoveu uma renúncia coletiva do ministério e, no lugar dos ministros demissionários, nomeou inúmeros representantes da elite política brasileira, principalmente do então todo-poderoso PFL, como Jorge Bornhausen, que assumiu a responsabilidade pela articulação política do governo.

E mesmo assim, Collor teve o seu Impeachment aprovado. 

Então, o que fez a diferença, que permitiu que ele fosse afastado da presidência da República?

Foram as gigantescas manifestações populares, que se espalharam por todo o país e que reuniram milhões de pessoas por todo o país. 

Este que vos escreve teve a felicidade de participar de várias manifestações em defesa do Impeachment de Collor e pude constatar, nos próprios locais em que ocorreram as manifestações (São Paulo e Campinas), a imensa simpatia popular que elas despertavam, não apenas porque reuniam grandes multidões, mas também porque sempre contavam com o apoio de pessoas que se encontravam em edifícios, nos carros, etc... As pessoas sempre nos acenavam de forma positiva, demonstrando o seu apoio para que se aprovasse o Impeachment de Collor. E era só aparecer um sujeito meio careca e um pouco barrigudo para que brincássemos com ele dizendo 'Olha lá o PC Farias...'.

Tais manifestações inviabilizaram o grande pacto com as elites políticas tradicionais do país que Collor havia feito quando promoveu a renúncia coletiva do ministério, no início de 1992. Com o povo nas ruas, Collor ficou acuado e as elites políticas, que podem ser tudo, menos burras, perceberam que não havia como dar sustentação política ao governo Collor e trataram de privilegiar as negociações quanto à transição para o novo governo, que seria o de Itamar Franco. 

Neste aspecto, aliás, o então senador FHC teve um importante papel, servindo como o principal interlocutor entre Itamar e grande parte do empresariado e dos políticos que temiam a ascensão do mineiro à presidência da República. 

Desta maneira, foi o povo nas ruas (estudantes, influenciados pela exibição da minissérie 'Anos Rebeldes', na Globo, CUT, partidos de oposição, movimentos sociais, intelectuais, artistas, etc), com milhões de pessoas se manifestando todos os dias por todo o país, que viabilizou a aprovação do Impeachment. Sem isso, Collor teria concluído o seu mandato. 

Além disso, também discordo de Nassif quando ele diz que: "As práticas da cooptação política foram constantes na política brasileira, com exceção dos períodos autoritários.". 

Com certeza, o jornalista tenha desejado afirmar que nos governos ditatoriais que tivemos ao longo da história não era necessário qualquer tipo de cooptação, justamente porque eram Ditaduras que reprimiam brutalmente qualquer tipo de oposição, como ocorreu na época das ditaduras do Estado Novo (1937-1945) e da Ditadura Militar (1964-1985).

O Estado Novo, por exemplo, fechou o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores em todo o país. 

Na época da Ditadura Militar, até mesmo líderes da ARENA, partido que dava sustentação à Ditadura, tiveram os seus direitos políticos cassados, o Congresso Nacional também foi fechado em várias oportunidades e por longos períodos de tempo (como, por exemplo, em Dezembro de 1968), quando foi editado o AI-5). 

Links:

Texto de Nassif sobre julgamento da AP 470:


O governo Collor e a renúncia coletiva do ministério:



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